Pedra, Papel e Tesoura.

20 de abril de 2014

Abril, segunda parte.

Fui ao hospital pra tratar de uma constipação persistente e a dona mocinha me disse pra comer um montão de ameixa. Mas isso não deu certo, então volei lá. Após horas de espera, consegui um raio X e o médico deu uma olhada. Ele me receitou Digedrat. Tentei tomar óleo mineral, mas, depois de saber que ele não deve ser tomado por gente com hipersensibilidade a reflexos de vômito, fiquei azul de medo. Quando coloquei um pouquinho do óleo na minha boca, senti que ia chorar. Fiquei só no Digedrat mesmo… até o dia seguinte, em que fiz uma lavagem intestinal. Me foram dadas fraldas, pra matar a saudade.

Queimei o fusível do meu estabilizador, mas já o substitui. Achei que eu tivesse acabado com minha memória de acesso aleatório porque minha BIOS estava dando defeito. Mas o problema se foi sozinho, estranho.

Tive de usar o banheiro da universidade depois de uma overdose de ameixa, mas foi muito complicado: sem tranca nas portas, sem assento no vaso, sem descarga. Ótimo trabalho, Cid Gomes. Sou melhor lecionado no hospital.

Fui com meu pai comer pizza em plena Sexta-Feira Santa e, no caminho, ele colocou um pornô amador pra gente assistir, gravado pela ex-namorada dele. Achei que aquele traseiro fosse me engolir. Meu sobrinho estava ali e meu irmão também, que é testemunha de Jeová. Meu irmão reclamou, afinal, meu sobrinho tem oito anos. Até que encontramos um lugar pra comer, mas ele lembrou que tinha de levar duas biscates pra casa. Então desistimos da pizza e, durante a escolta, meu pai nos ignorou completamente. Fiquei com fome e sono, já que eu estou me acostumando a dormir cedo.

Honestamente, acho que meu pai é gay. Aliás, “homossexual”, visto que “gay” é uma palavra francesa que significa “alegre”. Dá pra ver pelos seus gestos, expressões faciais, voz e trejeitos, mas isso é bem dúbio; não são maneirismos que fazem um homossexual. Mas ele só nos convida pra sair quando tem que levar alguma mulher em algum lugar, então acho que é como se ele quisesse me “provar” alguma coisa. Um dos meus colegas online juntou várias músicas “gays” num CD (impressionante ele não conhecer Pet Shop Boys) e me mostrou a lista de reprodução, me perguntando se não era o CD mais gay que eu já tinha visto. Eu disse que parecia o que meu pai escuta. Ele riu muito mesmo. Disse que as saídas do meu pai com várias mulheres periodicamente são insegurança.

Terminei meu trabalho de Metafísica e, cá entre nós, estou orgulhoso do meu resumo. Espero colocá-lo na Internet em breve. Já meu trabalho de prática de ensino, eu perdi a data de entrega. Já me foi dado outro, contudo.

10 de abril de 2014

Abril, primeira parte.

Não tive noites de sono lá muito boas, graças a minha irmã e a filha dela. As duas são muito barulhentas e só falam gritando, o tempo todo. Assim, dormir cedo é complicado (por causa da minha sobrinha) e é complicado dormir à tarde (por causa da minha irmã). Na verdade, faltei aulas para consertar meu sono e tenho tomado cápsulas de erva cidreira.

Quase tive meu primeiro desmaio. Pra começar, minha mãe me acordou tarde e tive de pegar dois ônibus. Certo, já fiz isso antes, incontáveis vezes. Mas desta vez, por causa da chuva, todas as janelas do segundo ônibus estavam fechadas. Sem falar que estava lotado. Então, comecei a passar mal, pouco oxigênio pra respirar. Comecei a ficar mal mesmo e decidi ir para a parte da frente, onde eu achei que haveria mais ar. Ao fazer isso, me afastei das janelas e fiquei completamente sem ar respirável. Enquanto eu pegava o dinheiro para passar pela catraca, minhas pernas começaram a adormecer e dobrar. Pensei “droga, vou desmaiar”. Minha visão começou a turvar. Achei que fosse passar, mas… minha visão começou a escurecer, não mais consegui me mexer e… adormeci em pé. Era uma questão de tempo até minhas pernas cederem. Ouvi alguém dizer

O cara tá passando mal!

e, de repente, me puxaram pelo ombro para fora do meu sono. Me colocaram numa cadeira e várias pessoas ficaram preocupadas. Por alguns segundos, me perguntei o que estava acontecendo e onde eu estava, mas aí lembrei. Eu disse que eu estava sem ar e rapidamente abriram as janelas perto de mim. Daí me senti melhor. Se eu tivesse realmente desmaiado, caído, acho que não faria muita diferença. Na verdade, perder a consciência em pé me fez sentir uma coisa que eu já sabia, mas apenas teoricamente: do ponto de vista do desmaiado, desmaio e sono não têm diferença. Eu perdi a consciência antes de desmaiar. Seria como pegar no sono, pra mim.

Cheguei à faculdade, atrasado, mas a tempo de assistir a aula de Filosofia da Ciência. Discutimos o cronograma e me foi dado o artigo Introdução à filosofia da ciência, do Professor Doutor Silvio Seno Chibeni. Ainda não li o artigo, mas assisti os vídeos que o professor me pediu pra ver, o tal História da Ciência. Fiquei impressionado com o fato de que os cientistas do passado, que ficaram tão famosos, como Galileu e Newton, eram motivados mais pelo desejo de fama do que por compromisso com a verdade. Na realidade, meu professor me falou (e o vídeo reforçou) que é muito ingênuo pensar que a ciência trabalha unicamente para a verdade; ela está constantemente coibida por fatores sociais, políticos, históricos e, principalmente, econômicos. Sem fundos, cientistas perdem a segunda chave para abrir as portas do progresso: instrumentos. Instrumentos científicos custam grana e, para obter os fundos, os cientistas não raro apelam ao Governo. Mas e se o Governo não estiver interessado na invenção que tornará a vida do ser humano tão fácil a ponto dele não mais precisar da indústria farmacêutica (e provavelmente não estará)? A ideia não sai do lugar.

O professor também me falou de um outro documentário, o qual não pretendo assistir, chamado Who Killed the Electric Car?, que expõe os relatos e evidências de que pessoas de dentro da indústria de carros tradicionais literalmente saiu matando pessoas que construíram carros elétricos movidos à bateria. Por quê? Isso tiraria os carros tradicionais do negócio. Então a grande empresa precisa acabar com a pequena enquanto ainda tem chance. É muito complicado você querer mudar o mundo imediatamente, você precisa esperar por condições propícias, especialmente no mundo capitalista ocidental.

Os tópicos a serem discutidos na disciplina são:

  1. A aplicação científica do método indutivo.
  2. Crítica ao método anterior.
  3. Falsificacionismo de Popper.
  4. Crítica ao falsificacionismo.
  5. Teoria como estrutura, no olhar do senhor ilustríssimo Lakatos.
  6. Teoria dos paradigmas de Kuhn, que é o lance de que a ciência é movida muito mais por interesses egoístas e não pelo bem público.
  7. Anarquia epistemológica em Feyerabend.
  8. Tópicos aleatórios.

O tópico sete não é certo, pode ou não acontecer. Os tópicos de um a três caem na primeira prova e os tópicos de quatro a seis caem na segunda prova.

Em problemas metafísicos um, foram decididos os temas que trataremos nos seminários. Pois é, temos que ficar logo à par da situação. O professor parece rigoroso, mas é apenas bastante metódico. Na verdade, prefiro professores organizados, em vez de professores muito largados. De toda forma, tenho que construir um plano de apresentação para ser entregue ao professor. O plano, obviamente, será publicado aqui na hora certa, tal como o texto que apresentarei.

Meu assunto é, nada mais, nada menos, que a Metafísica, aquela compilação de livros sem nome do senhor Aristóteles. Eu já li alguns pedaços da Metafísica e um punhado de comentários, mas jamais li os catorze livros em sua completude. Acho que posso, com alguma dedicação, ler a Metafísica de Aristóteles antes da apresentação de fato. Os livros não são longos, talvez dê pra ler um por dia. No dia catorze, contudo, devo entregar o plano de apresentação ao professor. Só espero não ter preguiça de ler o livro de fato. Se bem que só tenho de expor os três primeiros livros da Metafísica.

Considerando o vocabulário aristotélico, a forma como os étimos se relacionam e coisas assim… os alunos, a maioria do terceiro semestre, não entederia. O plano de apresentação é quase um artigo, então creio que muitos se beneficiarão do meu escrito.

30 de março de 2014

Polícia Militar.

Resolvi ouvir a trilha sonora do Diddy Kong Racing depois que Apple me recomendou. E aí lembrei de uma página no The Cutting Room Floor que mencionava uma música que estava no teste de som, mas que não tocava em lugar nenhum no jogo em si. Na trilha sonora, ela é chamada The Secret Tune. Honestamente, eu não estava gostando da trilha sonora do jogo até ouvir essa música em especial. É o lado mais feliz do David Wise posto numa seringa. Eu não esperava ouvir esse tipo de coisa de um compositor famoso por ter criado a atmosfera densa de Diddy’s Kong Quest, mas, caramba, é muito legal!

O curso de Marx, ao qual não pude ir, foi adiado depois que Mardônio morreu. Colocar o nome da capital e a palavra “morte” na mesma frase é quase redundância. Interessante que não apenas bandidos matam na capital, policiais também matam de forma totalmente criminosa. Um especialista disse no Fantástico que o bandido, pra ser preso no estado, tem que ser muito azarado.

A prepotência de policiais militares costuma matar vários inocentes, aos quais são negados direitos básicos. Um par de policiais militares não apenas atirou numa certa mocinha como também colocou-a no porta-malas da viatura, que depois abriu. A roupa dela enganchou no porta-malas e o corpo dela ficou pendendo do lado de fora. Ela foi arrastada por uns trezentos metros. Depois a Polícia Militar pediu desculpas à família de mocinha morta, mas isso não a traria de volta. Lembro de um colega da faculdade que me falou que um colega dele queria entrar pro Ronda do Quarteirão para “meter porrada em negros”. É complicado quando até aqueles que deveriam manter a cidade segura colaboram com a sua posição na grade de cidades mais violentas do mundo (a capital está em sétimo lugar, segundo o jornal O Povo).

Só me preocupo com o fato de que estou acordando durante a tarde. Nada mal para quem estava com insônia, mas não é o recomendado para quem voltará às aulas matinais. Preciso colocar meu sono nos eixos, de algum jeito. Não é tarefa fácil considerando como meu quarto está ensopado por causa das goteiras. Com as obras do andar de cima, a coberta da casa foi parcialmente removida, deixando os quartos vulneráveis. Poderíam ter esperado a temporada de chuvas terminar antes de começar a obra. Pelo menos, tem obra.

28 de março de 2014

Sexismo arcaico.

Arquivado em: Saúde e bem-estar — Tags:, , , , — Yure Kitten @ 20:40

Como se não bastasse o BOL bloquear minha conta furry, uma certa pesquisa apresentada no sítio juntou algumas moscas desocupadas e vadias na seção de comentários. A pesquisa era algo como “é normal um homem preferir se masturbar sozinho em vez de fazer sexo?”. Cara, pelo amor de Deus. Eu não entrarei em detalhes sobre o quão normal isso é, já que “normal” é algo que é praticado pela maior parte de um determinado público. Eu não sei como é a vida íntima da maioria dos casados, então não posso falar a respeito.

Mas se há homens fazendo isso, deve ser porque há alguma vantagem implícita. Mas que vantagem poderia haver nisso, alguém pode perguntar-se. Ora, isso não é óbvio? É você e você mesmo, sem regras, sem contratempos, sem dever respeito a ninguém e por vezes você é o melhor indicado para dar prazer a você! Não deveria ser difícil de compreender.

A rejeição da masturbação em frente ao sexo deve ter raízes culturais em algum tipo de cisma arcaico: se você se masturba é porque você não tem parceiros, logo lhe faltam atributos atraentes num círculo de indivíduos onde a capacidade de sedução é levada em altíssima conta. Você não é ninguém em meio a esses vultos se você não é “pegador”. Com as mulheres, se o homem masturba-se apesar de viver com a moça, tem-se a velada certeza de que a moça é incapaz de satisfazê-lo sexualmente. Mas tudo bem. A masturbação tem um histórico ruim no Ocidente…

Mas pois bem. Se não podemos falar a respeito do quão normal é a prática da masturbação numa vida a dois, podemos discutir os efeitos positivos ou negativos de tal ato ou ausência dele.

Masturbação relaxa, isso é fato. Talvez você tenha um par de fantasias embaraçosas que gostaria de colocar em prática sem os olhos atentos de outra pessoa por perto e talvez esteja frustrado por não poder aliviar a vontade de escorregar de determinada forma. Então certo, vá em frente. Além do mais, enquanto você está tendo sexo com alguém, tem sempre os contratempos que se pode esperar ao fazer sexo: dores, doenças, reclamações e pressão para “dar seu melhor”. Essas coisas por vezes tornam o sexo mais uma obrigação que um prazer. Sexo significa responsabilidade e várias coisas boas e construtivas estão relacionadas à responsabilidade, certo? Que tal enumerá-las? Trabalho, imposto, contas, estudos… Se sexo está tornando-se mais uma responsabilidade do que uma diversão, é compreensível que um homem por vezes prefira se masturbar em vez de ter sexo.

Masturbação satisfaz. Ou, pelo menos, o faz na maioria das vezes. Claro que há quem ache que masturbação um negócio próximo do pão sem margarina, mas pode ser o contrário. Talvez a pessoa com quem você se relacione simplesmente não lhe satisfaça. Além do mais, que pessoa é mais versada na sua sexualidade do que você mesmo? Você sabe estimular cada centímetro, cada nervo, de um jeito a afetar cada camada da pele. Você conhece técnicas que talvez tenha vergonha de ensinar cara a cara. Engraçado, não é? Mas acontece. É compreensível, então, que um homem se masturba em vez de ter sexo se a pessoa disponível não estiver a altura.

Masturbação é inconsequente! Não há outra pessoa ali para você se preocupar. Você só precisa dar prazer a si mesmo e a mais ninguém, não há necessidade de respeito e em sua imaginação não há lei que precise ser respeitada (a não ser que você seja cristão). Não é perfeito? Parceiros são chatos, demandam afeto, compromisso e podem lhe trazer mais malefícios que benefícios… Além do mais, pra quê ter filhos num mundo com sete bilhões de pessoas? Adote um filho, ora, estará fazendo um favor à criança e à ONU!

Mas sério, sem brincadeiras, masturbação dentro de uma relação não necessariamente significa que a relação está fraca. Uma relação não é algo platônico, lindo e cheio de babados, como “unir-se ao outro num só corpo”. Não, isso é ultrapassado e poético demais pra fazer o mínimo de sentido na Pós-Modernidade. Então o que é a relação? Está implícito na palavra. É a dinâmica entre duas ou mais individualidades, é você, sendo você, viver junto com outra pessoa, sendo outra pessoa, e ser capaz de sustentar com o outro uma situação boa para ambos. É viver com o outro em relativa harmonia sem negar as diferenças entre os dois.

Outro ponto do cisma arcaico é que todas as relações importantes são pautadas no sexo, mas isso é muito baixo. Mesmo que um dos participantes de uma relação se masturba, por qualquer razão que seja, isso não necessariamente significa que o lado sexual da relação está enfraquecido ou que os outros lados da relação, como o lado afetivo, estejam fracos. Uma coisa sem importância como a masturbação só pode ser motivo de alarde na cabeça de pessoas incipientes que acham que namoro ou casamento é só sexo e, mesmo que fosse, uma coisa não impede a outra.

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