Pedra, Papel e Tesoura.

24 de maio de 2016

Objeto voador suspeito.

Filed under: Notícias e política — Tags:, , — Yure @ 19:03

Quando eu estava voltando pra casa no trem, ouvi uma pessoa atrás de mim dizer que estava vendo um objeto cortando o céu, como se fosse uma estrela. Outra pessoa disse também estar vendo. Curioso, comecei a olhar pela janela.

Vi um corpo celeste maior que a estrela d’alva e menor que a Lua, viajando no céu em alta velocidade, deixando um rastro atrás de si. Alguém argumentou que era um avião de trilha química, mas tanto eles não alcançam tamanha velocidade como deixam uma trilha duradoura atrás de si, ao passo que esse objeto tinha uma longa cauda flamejante, como a de um cometa, que seguia o objeto sem deixar fragmentos, como as trilhas químicas. Eu o havia percebido à direita da minha janela.

Minutos depois, sua velocidade aumentou de tal forma que ele passou da direita para a esquerda em cerca de três ou quatro minutos, ou seja, estava se movendo mais rápido do que o trem.

Algumas estações depois, sua velocidade caiu e, na estação seguinte, ele fez uma curva “para fora”, afastando-se da Terra, o que implica que era um objeto passando paralelo à órbita. A pessoa atrás de mim explicou que, como a Terra é redonda e gira, é natural que um objeto passando paralelo a ela pareça fazer uma curva daquelas para o observador terráqueo.

Então, um objeto flamejante, numa velocidade mais rápida que a de qualquer avião que eu já tivesse visto, passou perto da Terra, bem diante de meus olhos. Não pude deixar de pensar: “e se tivesse caído?”

21 de maio de 2016

Os artigos foram publicados.

Filed under: Passatempos — Tags:, , , — Yure @ 10:01

Os artigos que eu enviei para meu colega editor foram colocados em sua revista eletrônica e ele me pediu que eu os divulgasse. Vocês provavelmente já os conhecem, porém em suas versões antigas. Para essa publicação, eu revi os argumentos que eu usei e fiz algumas pequenas mudanças estilísticas.

Em adição, eu também estou preparando um artigo sobre Walter Benjamin e seu conceito de experiência. Minha principal preocupação é definir o que é experiência e se ela ainda existe. Apesar de ser um artigo, já tem umas nove páginas. Tudo indica que sua extensão superará quinze páginas.

Eu espero que o artigo seja publicado nos Cadernos. Voltando ao assunto dos artigos, divulgarei eles aqui.

http://praxis-juridica.blogspot.com.br/2016/05/a-crise-anunciada-por-arendt.html

http://praxis-juridica.blogspot.com.br/2016/05/a-melhor-forma-de-ensinar-filosofia.html

8 de maio de 2016

Anotações sobre os princípios da filosofia.

Filed under: Livros, Passatempos — Tags:, , , — Yure @ 11:48
  • Existe diferença entre virtude aquilo que parece virtude.
  • Alguns vícios são louvados como virtudes, porque parecem ser virtudes. Por exemplo, o liberal dá dinheiro a quem precisa, quando pode dar, mas o pródigo, que pode dar dinheiro a qualquer um, o tempo todo, é mais louvado que o liberal. Ora, mas o liberal não termina pobre. Se o pródigo acaba falindo, por gastos excessivos, ele é o vicioso.
  • Por vezes, um defeito, erro ou situação miserável, como um vício, nos leva à virtude. Por exemplo: quem tem o vício do medo, pode se amparar na virtude da fé. Também os desesperados, nada tendo a perder, operam atos de coragem.
  • Para Descartes, sabedoria é qualquer virtude adquirida pelo conhecimento do bem. Quando o nosso conhecimento termina em uma boa prática. Se a prática se origina unicamente do conhecimento que temos, ela é propriamente sábia. Isso implica dizer que o ato e o conhecimento que o origina não devem ter mescla de vício: alguém pode fazer uma boa ação visando uma usura.
  • Sábio é quem faz bom uso do conhecimento que tem. Gostei desta.
  • Embora todos tenham vontade, o entendimento de cada um é diferente. Isso diz Descartes. Para mim, também a vontade difere em cada um.
  • Descartes notou uma coisa que hoje tem explicação científica: muitos que conhecem metafísica são ignorantes na matemática e os que conheciam bem matemática eram ruins de metafísica. Isso, diz a ciência moderna, é normal. Pessoas que se dão melhor com palavras têm dificuldade com números porque o interesse e a afinidade nos levam à especialização. Com efeito, estudamos mais aquilo que nos dá prazer e é inevitável que haja áreas do saber que mais nos atraiam.
  • É possível ser sábio e jovem.
  • Na época de Descartes, a filosofia era mal-ensinada. Razão pela qual ele receava que seu livro “Princípios da Filosofia” não fosse lido por leigos, porque a forma como a filosofia era ensinada em sua época criou um estereótipo negativo dela.
  • Para Descartes, filosofia é o estudo da sabedoria.
  • Ela se volta para os primeiros princípios, dos quais dependem os outros saberes.
  • A partir desses primeiros princípios, se pode, pelo encadeamento de raciocínios, chegar à novas conclusões. Também isso é filosofar, pois tem a ver com os primeiros princípios já mencionados.
  • O fato de Deus ser sumamente sábio não põe todos os seres humanos no mesmo nível de sabedoria. Existem, sim, pessoas mais sábias que outras.
  • Não é a quantidade de conhecimento que torna alguém sábio, mas a qualidade dele. É mais sábio aquele que sabe uma só coisa que é de suma importância, não aquele que sabe muita besteira. Afinal, se sabedoria é boa aplicação do conhecimento adquirido, é impossível ser sábio quem só sabe coisas inúteis.
  • Há muito se compara a prática filosófica com um “abrir de olhos”. Isso se origina aqui, quando Descartes diz que a vida sem filosofia é uma vida de olhos fechados.
  • O desespero da verdade vem do fato de que muitos acham que a sabedoria lhes foi vetada ou que não são capazes de obtê-la por seu próprio esforço. Se você pensa dessa forma, nunca irá encontrar a sabedoria, porque não irá nem tentar.
  • Quem já tem a vida garantida deseja a sabedoria mais do que aquele que é pobre. Afinal, o pobre já tem a mente ocupada com preocupações de sobrevivência.
  • O objeto da sabedoria são as primeiras causas, que são estudadas pela filosofia.
  • Para Descartes, existem quatro graus de conhecimento: o das coisas simples e óbvias, o que vem dos sentidos, o que vem da conversa e o que vem da leitura. Imagino que a escala seja decrescente, com o grau das coisas óbvias sendo o mais alto.
  • O quinto grau só é acessível aos filósofos, que é o grau das causas primeiras e dos primeiros princípios.
  • O quinto grau nunca foi alcançado, exceto talvez por Platão (que seguiu seu mestre, Sócrates, e não apresentava suas conclusões como totalmente seguras) e Aristóteles (que divergiu grandemente de seu mestre, Platão, oferecendo suas conclusões como seguras).
  • Como Platão e Aristóteles chegaram muito longe na exploração do quinto grau que os sucessores preferiram se contentar em interpretar e combinar os achados dessas grandes autoridades em vez de tentar algo novo. Galileu faz a mesma acusação, especialmente contra os aristotélicos.
  • Parece que os aristotélicos da época eram verdadeira pragas intelectuais, pregando Aristóteles como infalível, ao mesmo tempo que deturpavam seu pensamento.
  • Aristóteles era o único filósofo ensinado nas escolas da época.
  • Não se deve supor como princípio aquilo que não conhecemos bem. Corpos pesados caem, mas o que é “peso”?
  • Embora a dedução seja segura, precisa de pressupostos seguros para se sustentar. Claro que um raciocínio bem conduzido sobre princípios falsos resultará numa conclusão falsa.
  • Quem passa anos concluindo a partir de pressupostos falsos pode até achar fácil a transição para a reflexão sobre os verdadeiros. Afinal, o processo de reflexão é idêntico, só que agora sobre princípios verdadeiros.
  • Os princípios filosóficos cartesianos eram conhecidos por todo o mundo, mas não eram reconhecidos como princípios. Talvez porque, sendo muito comuns, ninguém lhes dava o devido valor.
  • O conhecimento da tradição não garante o conhecimento da verdade.
  • Os Princípios não devem ser lidos à força. O indivíduo deve lê-los enquanto os Princípios lhe derem prazer. Ler de má vontade prejudica o entendimento do texto.
  • É melhor marcar as partes do textos que não ficaram claras para serem examinadas depois, durante uma pausa na leitura. Descartes desaconselha que o leitor interrompa sua leitura para refletir sobre algo que não ficou claro, preferindo que o leitor passe por cima do que não entendeu e continue e leitura. O que não ficou claro pode ser esclarecido num ponto posterior e não no ponto destinado à leitura. A dúvida não deve interromper aquele que lê. Sublinha e parte obscura e continua, volta ao obscuro quando o livro for terminado, numa segunda leitura.
  • Se algo não é entendido na primeira leitura, a segunda leitura pode esclarecer o obscuro.
  • Ninguém está a salvo do preconceito. Aqueles que mais estudam podem muito bem ser os mais preconceituosos. Afinal, depois que você estuda por anos que o Sol gira em torno da Terra, achará uma descabida loucura que alguém afirme o contrário. É mais difícil se livrar do problema sobre o qual nos sustentamos a vida toda.
  • Os Princípios são escritos de modo que o leigo possa entender o que está escrito. Talvez o leigo tenha mais facilidade em lê-los do que o estudioso, pois Descartes irá contra algumas coisas acreditadas pelos estudiosos de sua época.
  • Se você só tem acesso aos quatro graus básicos de conhecimento, não deve passar ao quinto sem ter formulado uma moral que te permita viver bem. Depois disso, deve estudar lógica. Como Platão, Descartes afirma que o bom filósofo deve ser bom conhecedor de matemática, porque é um conhecimento básico e muito seguro.
  • De posse da ética e da lógica, o indivíduo que aspira o quinto grau pode se dedicar à metafísica. Depois à física.
  • Por último, não menos importante, a biologia.
  • Comparação da filosofia com a árvore: a raiz é a metafísica (provando os princípios), o tronco é a física (conhecimento da natureza), de onde partem os galhos (conhecimentos aplicados da física, isto é, mecânica, medicina e moral).
  • Os resultados práticos da filosofia vêm de seus galhos. A física é um corpo de conhecimentos sobre a natureza que esses três conhecimentos mais particulares aproveitam, a fim de gerar resultados práticos. A moral, como estudo do bem viver, é a mais elevada, para Descartes.
  • Se Aristóteles é tão pegador, como é que nenhum aristotélico contribuiu para a ciência em séculos de sectarismo?
  • Não atribua a Descartes nada que não está em seus livros. Não acredite no que os outros disseram que ele disse.
  • Para encontrar a verdade, ponha tudo o que você sabe em dúvida pelo menos uma vez na vida. Recomece em algum ponto e avalie se o que você sabe é realmente verdade. Claro que você não pode fazer isso o tempo todo, mas faça ao menos uma vez.
  • Se algo é duvidoso, não o tome como certo.
  • Essa dúvida metódica não deve ser feita durante uma ação prática, mas no ócio!
  • A dúvida metódica serve para a busca da verdade e não para o cotidiano. Duvidar de tudo o tempo todo nos impede de fazer outra coisa que não duvidar.
  • Nem tudo o que vemos existe. Às vezes achamos que vemos algo quando vemos outra coisa.
  • O resultado de um cálculo pode também ser colocado em dúvida. Se você não pode refazer o cálculo e verificar que ele conclui corretamente, ele será duvidoso para você.
  • Este livro contém as conclusões que Descartes chegou com os outros três livros. Essas conclusões sintetizam seu pensamento e podem ser tomadas como ponto de partida para a busca de novas verdades.
  • Penso, existo.
  • O pensamento é a nossa essência. Somos uma substância que pensa. Uma alma ou espírito ou consciência que habita o corpo. Não somos o corpo, mas nos servimos dele.
  • Existem coisas que são tão evidentes e claras que seu entendimento fica prejudicado quando tentamos explicá-las aos outros. Esses conhecimentos são, para Descartes, inatos.
  • Nossa consciência, alma, espírito, tanto faz, é mais fácil de conhecer do que o corpo. Conhecemos algo bem se conhecemos muitas propriedades dele. Mas, se nos determos a pensar o pensamento, definiremos várias características certas, ao passo que não é possível falar com certeza de qualquer coisa fora da nossa mente.
  • Não existe criatura sem criador. Nós fomos criados porque não somos eternos. Se tudo fosse criatura e não existisse criador, com efeito nada existiria agora.
  • Deus mantém o universo. Se ele não desapareceu ainda, é por causa dele.
  • Deus é espírito.
  • Sendo Deus sumamente sábio e nós sendo sábios limitados, a revelação divina merece crédito.
  • Não se deve se pronunciar sobre o infinito.
  • Existe diferença entre indefinido (quando não sabemos se há limite) e infinito (quando sabemos que não há limite).
  • Embora seja lícito investigar como Deus fez as coisas, não há sentido em querer saber por que ele fez as coisas.
  • Descartes não está interessado nas causas finais. Acho isso um tanto apressado. Poderia ter dito que a causa final depende de nós e que ela não é reconhecível na natureza.
  • Deus não é causa de nossos erros.
  • Deus não pode enganar, porque, sendo sumamente perfeito, não tem necessidade do engano.
  • Se você não leu o Discurso, as Meditações ou as Regras, mas leu os Princípios, então não perdeu nada.
  • Os erros muitas vezes vêm do desejo de se pronunciar sobre o que não conhecemos. Isto é, quando a vontade não admite ser limitada pelo entendimento.
  • Outra fonte de problemas é a má apreensão do objeto de estudo, isto é, quando deixamos algo escapar, seja por negligência ou presunção.
  • Como tanto a vontade como o entendimento são necessários ao julgamento, é necessário equilibrar os dois, pois naturalmente temos mais vontade do que entendimento. Então, ser pressionado a julgar antes do entendimento se igualar à vontade nos leva a emitir julgamento duvidoso.
  • Sendo infinito, Deus, por razões práticas, não iria querer criar outro infinito. Todas as suas criaturas são finitas. Então, ele nos deu entendimento limitado. Isso não quer dizer que ele causa nossos erros.
  • A glória e a vergonha que lhe são atribuídas dependem de como você usa seu livre-arbítrio.
  • Muitos de nossos erros são herdados dos nossos professores.
  • A vida cotidiana testifica a favor da liberdade. Somos livres, fazemos escolhas o tempo todo.
  • A onipotência divina pode coexistir com o livre-arbítrio humano.
  • A memória engana. Eu, por exemplo, lembro de coisas que não aconteceram.
  • É possível que haja um conhecimento claro que não é distinto. Se você sente dor, nem por isso terá um conhecimento distinto, isto é, não confuso sobre ela. A dor é óbvia, mas a natureza da dor, onde ela ocorre, o que a causou… essas coisas são confusas. Porém, aquilo que é conhecido distintamente torna-se claro.
  • Axioma (substantivo masculino): verdade lógica que não pode ser invalidada.
  • Todas as substâncias têm atributos: o da alma é o pensamento e o do corpo é a extensão. Se há pensamento, há alma. Se há extensão, há corpo. Se entramos em contato com um pensamento que não se origina de nós, ele vem de outra alma. Se sentimos algo extenso, mas que não é nosso corpo, com efeito é outro corpo.
  • Tempo é coisa da nossa cabeça. Passado e futuro não têm existência objetiva, tudo é um presente eterno, onde geração e corrupção ocorrem ao mesmo tempo continuamente. O seccionamento e a sequencialidade são de nossa autoria, para organizamos o eterno em momentos sobre os quais se possa raciocinar.
  • Também os números só existem por abstração da mente. Os números têm correspondência com o real e com o mundo físico, mas as operações muitas vezes são executadas despidas de qualquer informação sensorial que as possa ter originado. Depois que o cálculo é concluído, o resultado é verificado como válido ou não segundo a situação prática que o exige. Isso me lembra de como eu falhei nesse último passo numa prova de matemática, na qual eu conclui que se podia encher uma piscina com uma garrafa de dois litros. Imagine você chegar a uma piscina e ver uma garrafa no fundo sem nenhuma gota d’água fora dela. Se você chegar a ver isso, eu a “enchi”.
  • Embora se possa estudar diferentes aspectos de uma coisa de maneira separada, não se pode entendê-los perfeitamente dessa forma. O conhecimento perfeito das características de um objeto depende também das relações entre elas.
  • Descartes que diz que o movimento de uma posição para outra é diferente do movimento filosófico que compreende qualquer forma de devir.
  • Também a cor, diz Descartes, é coisa da mente. Não tem existência objetiva.
  • Outra fonte de problemas é o preconceito infantil.
  • É difícil esquecer algo que aprendemos quando crianças, mesmo quando está errado.
  • Outra fonte de problemas é o desânimo: estudar é difícil.
  • Outra fonte de problemas é a própria linguagem: ligamos as coisas às palavras erradas.
  • Não entendemos bem as palavras usadas. Você tira pelo fato de que uma palavra tem significados diferentes dependendo do filósofo estudado. Por isso existem dicionários específicos para cada pensador.
  • Tudo o que acreditamos deve ser revisto em algum ponto da vida. Só pode filosofar direito quem já fez isso.
  • Divergir da revelação divina é errar.
  • A sensação não depende totalmente do espírito, tanto que não podemos escolher o que sentimos. Ela tem origem externa, então algo nos toca. Mas por onde, se somos espíritos pensantes? Só pode ser por intermédio de um órgão que o sentia e o comunique ao intelecto. Disso decorre que temos corpo (órgãos) e que há outros corpos que interagem com o nosso.
  • O corpo é “nosso” porque sentimos nele o que não sentimos em outros corpos.
  • O sentido nos ensina o prazeroso e o doloroso. O entendimento da natureza de algo depende de nossa interpretação das sensações.
  • Para Descartes, todos os corpos são essencialmente extensos, isto é, todos ocupam lugar no espaço. Não existe corpo que não ocupe lugar no espaço. Todas as outras características que se atribuem aos corpos podem ou não estar neles. Então, enquanto levamos o conceito de corpo ao nível de abstrato, extensão é sua essência, enquanto que cor, calor, dano, benefício e tudo o mais é acidental, pode ou não estar presente, nunca afetando o fato de que o corpo ocupa espaço.
  • Evaporação é mudança de figura. A matéria original se dissipa, mas isso não quer dizer que o corpo foi “dilatado” (aumentado). Somente que ele se partiu em vários pedacinhos que flutuaram em direções aleatórias, pedacinhos que se misturam com a matéria do ar.
  • A quantidade de matéria é a mesma, eu acho que Descartes diz isso.
  • Se corpo é essencialmente extensão, não é possível conhecer claramente algo sem medi-lo.
  • Descartes diz: espaço e corpo só são separados pelo pensamento. Tal como o eterno tem que ser dividido em momentos para ser estudado, o infinito tem que ser dividido em áreas. Isso porque não podemos conhecer o infinito senão em potência. O infinito em ato é incognoscível. Então, para examinar uma coisa, estipulamos a área de interesse. Se apenas uma área de matéria é interessante, podemos chamá-la de corpo e a área maior que não interessa de espaço.
  • Conceitualmente, também o vazio tem extensão. Então, a essência do corpo e do espaço é a mesma, sendo diferentes apenas da mesma maneira que indivíduo difere de espécie.
  • Tudo está em movimento. A sensação de estabilidade é também coisa da nossa cabeça, porque não podemos analisar as coisas senão dessa forma.
  • Descartes diz: o nada é substância. O vazio absoluto não deveria também ter extensão, mas, não tendo extensão, não é corpo. Se também não pensa, não é alma. Se não é alma, nem é corpo, não existe. Então, o “nada” verdadeiro é espaço, sendo que espaço existe, prova disso são suas medidas. O “nada” filosófico, como ausência total, não existe em parte alguma. Tomás de Aquino concordaria, se seguisse esse raciocínio, por identificar o mal absoluto como ausência de qualquer perfeição, sendo que mesmo a existência é uma perfeição. A diferença é que esses caras usam termos diferentes: Descartes chama de “vazio”, enquanto que Tomás o chama de “mal natural” (mau por natureza). Me parecem a mesma coisa: uma situação de ausência total.
  • O termo “vazio”, em sentido coloquial, não é ausência total, mas ausência daquilo que deveria estar lá. Um aquário sem peixes está vazio, mas vazio de peixes; ainda tem água lá.
  • E quanto ao vácuo? Se Descartes conhecesse vácuo como nós conhecemos, seu argumento ainda estaria de pé: é possível medir as áreas de vácuo. Mas essa é uma discussão terminológica, uma vez que Descartes irá chamar de corpo tudo aquilo que pode ser medido.
  • Suponhamos que dois corpos estejam distantes entre si por seis metros de “nada” absoluto. Se há seis metros, o nada é alguma coisa. Se é nada absoluto, como pode ser medido como tendo seis metros? Nessas condições, o enunciado é contraditório: se não são separados por nada, deveriam estar tocando um ao outro.
  • Descartes discorda da existência de átomos. Esses não são os átomos como hoje conhecemos, mas átomos em plena acepção do termo, isto é, partículas que não podem ser ulteriormente divididas, os átomos de Demócrito e Epicuro.
  • Ele passa por isso de duas formas. Se algo tem extensão, pode ser dividido. Os números são infinitos, então algo extenso pode sempre ser dividido, por menor que seja. Observe que alguns atomistas afirmaram que o átomo é indivisível não por seu tamanho, mas por sua dureza. A segunda forma é matadora: se algo parece indivisível, não é impossível que Deus o divida, então tudo é divisível. Isso equivale dizer que também gatos alados não são impossíveis, porque Deus pode sempre que quiser dar asas ao gato. Descartes poderia ter parado na primeira forma e deixado o argumento divino fora de sua reflexão sobre a indivisibilidade. Imagine se todos os cientistas ou filósofos começassem a dizer que tudo é possível porque Deus a qualquer minuto pode querer que assim seja! Deus é onipotente, mas recorrer a esse argumento de forma tão matadora faz com que ninguém nunca esteja errado.
  • Descartes diz que este é o único mundo (universo), rejeitando a existência de outros mundos. Isso porque, para ele, só pode existir terra composta dos materiais que vemos que compõe nossa terra. Da mesma forma, só pode existir céu se for feito da mesma matéria que o nosso céu. Ora, mas a matéria do céu preenche infinitamente o firmamento e além. Não haveria “espaço” para outro mundo.
  • Tudo é um. Todo o universo é feito de uma matéria só. Vemos diferenças porque essa matéria sofre variações de posição e seccionamento. Isso diz Descartes.
  • É necessário força para mover e é necessário força para repousar. Com efeito, é necessário força para parar o movimento iniciado.
  • Deus iniciou o movimento do universo, movimento que é constante. Se há alteração no movimento universal, ele é compensado por outra alteração em algum outro ponto de seu curso.
  • Algo só permanece em repouso na medida em que nada põe esse algo em movimento. Se ele começa a mover-se, permanece em movimento até que algo interfira no movimento, alterando-o até sua extinção (como o atrito ou a resistência do ar).
  • O conceito de “lei da natureza” depende do conceito de Deus, o qual é o legislador natural.
  • Mas isso é interessante: Newton diz que se lançarmos uma bola de canhão para frente a certa velocidade, ela gravitará a Terra eternamente, o que está de acordo com a tese cartesiana de que o movimento não para se não houver nada que o pare. Ora, mas Descartes discorda da possibilidade de existência do nada ou do vácuo. Então, a bola se move em um espaço onde há “alguma coisa”. Como, então, essa coisa não oferece resistência ao movimento da bola? Simples: o vácuo é alguma coisa porque tem extensão, essa é sua única propriedade substancial. Ele é vazio de ar, não comporta atrito, mas é alguma coisa porque é extenso. Extensão não pára ninguém. Por alguns segundos, pensei que Descartes estava em contradição com Newton. Alguém pode argumentar que Newton e Descartes viveram em épocas diferentes e que não faz sentido compará-los se não formos historiadores. Ora, mas qual o quê? Só existem obras, não autores. Só existe um tempo: o presente.
  • Se algo está em deslocamento, seu movimento será retilíneo, a menos que seja tolhido a mudar de rota por qualquer razão que seja (novamente os exemplos do atrito e da resistência do ar).
  • Se algo em movimenta bate contra algo que não pode mover, não perde movimento. Mas, se ele encontra algo que pode mover, parte de seu movimento é transferido para o objeto movido.
  • Descartes tinha planos de examinar se pensamentos podem mover objetos.
  • Descartes diz: cientificamente falando, não existem movimentos contrários ao repouso.
  • Essas regras são difíceis de provar porque cada corpo é tocado por muitos corpos ao mesmo tempo, o tempo todo.
  • O movimento puro, retilíneo, uniforme, não existe na natureza (exceto, talvez no vácuo), porque outros corpos, como o próprio ar, interferem no movimento.
  • Se algo é movido, não terá mais movimento que o movente. Exemplo: se movo uma esfera com minha mão, ela não poderá mover-se mais rápido que minha mão. Claro que ela poderia, se houvesse uma situação de causas coletivas, de forma que o corpo poderia mover-se mais rápido que estas individualmente, mas não mais rápido que a soma de ambas.
  • Na física, só se deve aceitar como correto aquilo que é matematicamente correto, para facilitar a demonstração. Aquilo que não pode ser provado matematicamente descende ao nível de filosofia natural. Se algo na filosofia natural é matematicamente demonstrável, conta como física.
  • A razão pela qual Deus fez o mundo nos escapa.
  • A Lua é menor que a Terra, ao passo que o Sol é maior.
  • As estrelas fixas, diz Descartes, estão à distância indeterminada. Hoje se sabe que não existem estrelas fixas de modo algum.
  • Se viajamos para o espaço, veríamos que a Terra é menor que Saturno e Júpiter.
  • Apesar de mais distante que algumas estrelas, o Sol as ofusca todas, porque é consideravelmente maior.
  • A Lua reflecte a luz solar; não tem brilho próprio.
  • Também os outros planetas não têm brilho próprio, parecendo brilhar à distância também por influência solar.
  • A lua nova, diz Descartes, é visível porque a Terra reflecte luz sobre ela.
  • O Sol é uma estrela, a Terra é um planeta.
  • Descartes diz que o Sol é uma estrela fixa e que a Terra é um planeta, mas diz também que planetas se movem. Ele não diz explicitamente, mas está querendo dizer que a Terra gira em torno do Sol. Ele não diz de forma clara, porque essa foi uma das conclusões que condenaram Galileu e Descartes mostrou, no Discurso, grande medo por causa do que aconteceu com seu conterrâneo, a ponto de optar por não publicar um tratado que prometia explicar toda a natureza.
  • Para Descartes, a Terra não está em movimento. Está parada. Porém, ele diz que não se deve levar sua opinião ao nível de certeza, porque “pode ser falsa”. Ele é fiel ao seu método de aceitar como correto apenas aquilo que se mostra evidente, mesmo que tenha que ser tornado evidente pela dedução, mas observe como esse método requer muita humildade, porque ele precisa declarar que não se deve levá-lo tão a sério sempre que ele está para dizer algo que não é nem claro e nem evidente. Admirável.
  • Também o Sol não se movimenta. Ora, então como explicar o passar do dia? Acontece que Descartes nega somente a translação e somente em um sentido particular. A Terra se move ao redor de seu eixo, mas ela não se move ao redor do Sol. Ela é movida ao redor do Sol por um céu líquido. Ou seja, se a Terra está em movimento ao redor do Sol, de modo algum é por esforço próprio, mas por causa do movimento do céu, que arrasta consigo a Terra. Ela está “parada” porque não faz esforço em mover-se, tal como eu que, estando deitado dormindo, não faço esforço pra me levantar, a menos que eu acorde. Porém, o meu eu adormecido e a própria Terra estamos “em movimento” na medida em que o universo nos move.
  • O fogo não depende apenas de combustível, mas também de ar. O triângulo do fogo resume esse preceito, ele é frequentemente lembrado entre os bombeiros: para haver fogo, é necessário oxigênio, combustível e calor. Tira-se um desses elementos e o fogo se extingue.
  • Para a astronomia da época, o céu era líquido.
  • Então, os corpos celestes estão indo e vindo na correnteza dos céus. Muito lindo e inspirador. Uma pena que não é verdade.
  • O céu líquido é o que move os planetas ao redor do Sol.
  • Há uma preocupação em explicar os fenômenos. Parece que a teoria mais aceita é aquele que explica mais fenômenos. Ora, mas é uma fantasia isso de o céu ser líquido. Mas era aceito unanimemente porque explica um grande número de fenômenos. Então, uma suposição, mesmo que gratuita, é tida como certa na medida em que explica as coisas à nossa volta e na medida em que não é provada errada. Assim foi com o éter e com céu líquido.
  • A correnteza celeste que move a Terra a gira em torno do Sol. O giro completa-se em um ano.
  • As manchas solares movem-se ao longo do Sol. Isso não implica o Sol gira em torno de um eixo?
  • Os planetas não se movem em círculo perfeito.
  • A hipótese cartesiana explica elipse, movimento retrógrado astronômico, avanço de equinócio, passar do dia, passar de estação, fases da Lua, entre outros fenômenos.
  • Na ciência, a utilidade de uma informação vale mais que seu grau de verdade.
  • Pressupostos falsos não necessariamente produzem resultados dedutivos falsos.
  • Há três céus.
  • Um objeto em movimento giratório, ao herdar muita força centrípeta, se afasta do centro. Seu movimento passa a ser espiral.
  • Nem Descartes pode me ensinar física de forma satisfatória.
  • Uma boa parte do livro é um tédio para quem não é físico.
  • Não é estranho que a matemática chegue a uma conclusão não quantificável.
  • Dizem alguns historiadores que o Sol, às vezes, enfraquecia, mandando uma luz sem raios aparentes, quase como a Lua. Eu nunca vi tal coisa.
  • Para Descartes, isso é consequência de manchas solares.
  • Em 1572, uma estrela de forte brilho apareceu. Em 1574, não estava mais lá.
  • A forma esférica é a que reúne mais massa em menos espaço.
  • Interessante que Descartes descreve uma origem gradual da Terra a fim de explicar os fenômenos que ocorrem nela, mas diz que essa hipótese é falsa porque é incompatível com o conceito de criação. Ora, então ele não fazendo outra coisa senão fantasiar. Teria sentido continuar o livro dessa forma? Ele pode ter dito que era falso, porque assim escaparia da Inquisição, mas sabendo que os cientistas da época entederiam que ele estava falando sério.
  • Ao explicar como países litorâneos podem ter clima mais frio, Descartes usa o exemplo Brasil. Levando em consideração que ele gostava de viajar, me pergunto se ele não visitou nossas terras em algum ponto.
  • Para Descartes, a água do mar volta aos rios por canais subterrâneos.
  • É interessante que eu posso apontar pontos da física cartesiana que não são mais válidos sem eu mesmo ser cientista. Coisas que poderiam ser consideradas revolucionárias na época de Descartes são hoje populares ou mesmo ultrapassadas e qualquer um pode saber. Isso porque nós somos indivíduos que têm fácil acesso à informação e elementos da ciências se insinuam na cultura popular. Então, nós aprendemos ciência mesmo quando não a buscamos ativamente. Afinal, se a ciência fosse restrita aos cientistas, talvez eu não fosse capaz de criticar este livro. Isso é uma característica do nosso tempo, da Era da Informação.
  • A presença do fogo gera correntes de ar.
  • A Terra, diz Descartes, é um grande ímã e a gravidade testifica isso.
  • Se uma barra de aço é temperada de forma errada, o tempero do aço acaba não fazendo diferença. Só se pode dizer que um aço é temperado se ele foi temperado direito, ou será o mesmo que nada.
  • Se o ímã permanece muito tempo desalinhado com os pólos magnéticos da Terra, isto é, com o pólo norte voltado para o norte magnético da Terra, ele perderá sua força rapidamente.
  • Para Descartes, temos sete sentidos. Os cinco sentidos externos a que estamos acostumados e dois sentidos internos: o apetite (sede, fome, sono, aperto…) e a emoção (alegria, raiva, tristeza…). O sentido do apetite é ligado aos órgãos vitais, tal como a visão é ligada aos olhos. Enquanto a visão capta luz e cor, o apetite capta os níveis de saciedade. As emoções estão ligadas ao coração e ao diafragma e captam sabe-se lá o quê, já que me parece que as emoções decorrem de algo já captado. Talvez captem níveis de tensão.
  • As emoções têm a ver com o fluxo sanguíneo. Um sangue perfeito e um coração em bom funcionamento causam alegria. Mas um sangue que se move pesadamente e um coração “apertado” fazem a pessoa ficar triste mesmo sem motivo.
  • A prova de que a alma está no cérebro e não nos órgãos dos sentidos é que danos cerebrais privam as pessoas de seus sentidos, mesmo quando os órgãos dos sentidos estão em bom estado. O que significa que o órgão não percebe nada por si, mas apenas enquanto tem ligação com o cérebro.
  • Tanto que, ao dormir, não sentimos nada. Leibniz irá contestar isso: se não sentimos nada enquanto dormimos, por que acordamos com o barulho?
  • O lado psicológico das sensações é tão forte que sentimos dores sem razão, isto é, dores psicológicas.
  • Cara, esse livro só é bom no começo e no final.
  • As palavras têm poder de modificar nosso estado de espírito.
  • A sensação de “ver estrelas” ao receber uma pancada deve-se à agitação dos nervos dos olhos. Por exemplo, ao receber um golpe forte nos olhos, vemos cores que não estão lá.
  • Aristóteles escreveu uma vasta obra sobre tudo quanto pôde. Descartes tentou fazer o mesmo, mas sua obra é bem menor, pois, partindo de pressupostos diferentes, chegou à conclusões mais simples, concisas e melhores. Então, os Princípios da Filosofia sintetizam todo o pensamento cartesiano e abrem caminho para seus seguidores interpretarem toda a natureza. Claro que muito dali está ultrapassado, mas a tentativa de explicar a natureza por meios simples continua.
  • Outra razão pela qual a obra cartesiana é menor que a aristotélica é que ela só tem uma coisa de metafísica: os fundamentos. Ele só chega à conclusões sensíveis, fenômenos. Aristóteles, porém, tentou chegar à conclusões além dos sentidos.
  • Descartes procura utilizar apenas preceitos que todos aceitam, a fim de fazer suas demonstrações. Então, sua filosofia é bastante crível.
  • Descartes não rejeita Aristóteles totalmente.
  • Os corpos sensíveis são feitos de várias partículas minúsculas, que não podem ser vistas por serem muito pequenas.
  • Para Descartes, o peso não existe nos corpos, uma vez que o peso é uma noção que só aparece na interação entre dois ou mais corpos.
  • Para Descartes, o fato de a mecânica pertencer à física mostra que coisas artificiais são também naturais em certo sentido.
  • Se não podemos falar com certeza de coisas metafísicas, devemos nos contentar em especular sobre elas. A menos que seja totalmente lógico e inegável (como são os fundamentos de Descartes), não podemos nos pronunciar com certeza sobre o eterno e o infinito, por exemplo. Como Descartes quer certezas e não especulações, talvez seja por isso que ele não entrou em questões metafísicas além dos fundamentos.
  • Existem certezas morais, isto é, que são razoáveis e tomadas como seguras para que possamos conduzir nossas vidas, e as certezas demonstráveis.
  • Descartes admite que é falho e que, no final das contas, é o leitor que deve julgar se ele está certo ou não.

5 de maio de 2016

Busca por atividades complementares: quarta semana, artigos e seminário.

Filed under: Organizações, Passatempos — Tags:, , — Yure @ 17:37

Os grupos de estudo andam meio parados. Então, eu resolvi procurar por outras oportunidades de atividade complementar. Apareceu o Seminário Permanente de Sociologia e Educação, então fui assistir pra ganhar certificado. Como o tema era chato pra caramba e metade da apresentação era em francês, eu não entendi nada com nada. Mas, certificado.
Porém, meu colega que é filósofo, matemático, médico, advogado e editor ficou interessado em publicar algumas das minhas entradas na revista dele. Ele está especialmente interessado no meu estudo bíblico sobre a masturbação: desde quando ele me conheceu, ele diz que eu deveria publicar aquilo em meio acadêmico. É incrível como um texto que eu escrevi na adolescência tem tamanho impacto sobre as pessoas, a ponto de, sozinho, movimentar noventa por cento do meu tráfego. Ele diz que quem estuda sexualidade deveria ler meu texto, pois também faz parte da sexologia o estudo sobre o impacto das crenças religiosas sobre o comportamento sexual normal.
Ele também quis alguns dos meus artigos sobre educação, informática e meus rascunhos políticos. Cada texto publicado em revista vale de cinco a quinze horas. Diga-se de passagem, ele também quer publicar minha monografia. Se a monografia for publicada como livro, vale vinte horas.
Então, se você esbarrar em um texto que parece muito um dos meus, mas assinado com um nome diferente, provavelmente somos a mesma pessoa; os textos serão publicados com meu nome verdadeiro. Não espere que eu partilhe os endereços para os artigos ou qual o nome da revista, para que assim os leitores deste diário não associem minhas ideias à minha pessoa verdadeira. Da mesma forma, não quero que os acadêmicos saibam que quem escreveu aqueles artigos é o mesmo cara que escreve este diário. Então, prefiro que meu pseudônimo permaneça sem ligação com minha pessoa verdadeira, o futuro professor de filosofia de ensino médio que, às vezes, faz pesquisas independentes…

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