Pedra, Papel e Tesoura.

30 de junho de 2015

Por essa eu não esperava.

not my sweets…. not my treats.

Hoje eu estava atrás de um papel de parede novo pra minha área de trabalho e achei um bom do Neopets. Normalmente, eu coloco ligações para sites em seus nomes (então, na palavra Neopets, deveria haver uma ligação para o site Neopets), mas não me darei a esse trabalho porque Neopets atualmente está fora do ar. Veja, ano passado e também neste ano, meu sobrinho ficou me enxendo o saco para criar uma conta em Neopets pra ele, sendo esse um jogo que eu costumava jogar, mas o e-mail de ativação nunca chegou. Hoje, durante a minha busca pelo papel de parede, descobri por que.

Notícias de ontem: Neopets foi vendido para a empresa Jumpstart, a qual, aparentemente, tem débito e não poderia despender dinheiro num jogo que vale uns 300.000 paus (na perspectiva mais otimista, porque hoje, que conheço jogo melhor, vejo como Neopets era uma droga). Problemas técnicos começaram a acontecer, com o site ficando absurdamente lento, gráficos afetados e a queda da Busca das Chaves. Para compensar o erro, Jumpstart resolveu presentar os usuários com item raro em três de outubro de 2014, deflacionando o preço de um item que deveria custar 1.500.000NP para 30.000NP em vinte e quatro horas. Isso me faz querer tocar nesse assunto.

Eles não foram capazes de lidar com a delicada economia fictícia do Neopets, um dos aspectos mais interessantes do site, onde a economia é feita pelos próprios usuários que especulam sobre os itens que obtém e os leiloam por dinheiro de mentira, aprendendo noções de valor, compra, venda, inflação e outras coisas mais.

Além disso, por ser uma empresa aparentemente com débito, parece que muitos funcionários foram demitidos por corte de gastos, ocasionando uma coisa que aconteceu no fórum do Neopets neste final de semana e eu fiquei chateado por não ter estado lá para vivenciar o momento. O filtro de palavras sujas e de temas controversos, o recurso mais discutido do site, foi desativado por um final de semana enquanto os servidores eram movidos de um lugar para outro. Não deu outra. Por dois dias, Neopets virou um lugar que absolutamente não poderia receber as crianças que normalmente jogavam, porque uma onda de trolls e usuários reprimidos podia falar o que quisesse numa arena de discussão onde a censura beirava o fascismo. Tópicos sexuais, políticos, religiosos e de difamação reinavam, com usuários legítimos ficando assustados e confusos.

Para piorar, como alguns moderadores foram demitidos (Jumpstart nega isso, mas foi o que aconteceu), usuários que quebram as regras não estão sendo punidos. Parece ser o fim para um site que começou nos anos noventa e parecia muito bem até o ano passado. Os tempos mudam. Nada é estável.

Interessante que uma lenda neopiana fala que quando os três obeliscos místicos fossem descobertos (o obelisco da força, em Tyrannia, o Santuário de Coltzan e aquele terceiro obelisco que foi recentemente achado também em Tyrannia), Neopia “conheceria seu destino”. Isso parece Star Ocean 3.

22 de junho de 2015

Carta trocada com um amigo.

Filed under: Entretenimento, Jogos, Livros, Música, Saúde e bem-estar — Tags: , , , — Yure @ 9:54

Isso acontece com o tempo. É que, quando encontramos algo que gostamos, acabamos investindo tanto tempo naquilo que esquecemos o resto. Isso é bem normal e acho que até seja natural. É por isso que tem pessoas que são muito boas em uma determinada coisa, como os doutores, por exemplo. Embora muitos digam que é ruim expandir demais os horizontes para que você não acabe sabendo “um pouco de tudo” (o que te deixaria, portanto, inútil em tudo), eu não acho que seja uma boa ideia se tornar especialista em construir uma das dezenove partes de um botão. Além disso, você não precisa deixar de gostar de algumas coisas que você gostava no passado. Eu ainda gosto de muita coisa da minha infância, mas disso você já sabe. Você, que é uma pessoa com ideais mais elevados que os meus, provavelmente acha que não experimentar mais da vida é algo pernicioso. Eu não posso dizer que entendo isso muito bem, já que eu sou aquela pessoa que se acomoda.

Eu não sou muito de assistir televisão, principalmente comédia, mas, se você acha que deveria procurar outras séries para assistir além das séries focadas em violência, você me parece estar na trilha certa; embora não esteja abandonando completamente as séries, você está assistindo outras séries, então é um bom equilíbrio. Além do mais, por ser entretenimento, o que não faz muita diferença fora do nível cultural, você pode se dar ao luxo de experimentar tanto quanto queira. Mas me preocupa que você talvez deixe de assistir anime, por exemplo, porque isso apenas muda a figura do problema: você estaria assistindo muito de uma outra coisa e você acabaria se sentindo mal novamente.

Música de jogo eletrônico é meu estilo favorito, mas até eu gosto de variar um pouco. Não sei se você iria gostar de Los Hermanos, já que você tocou no assunto da MPB. A música de jogo é um bom lugar para se descobrir novos estilos musicais, porque ela não tem identidade. A música de jogo deve se adaptar ao jogo e por isso ela assume um caráter mimético. Nós temos músicas de jogos que imitam o jazz, o rock, a música clássica… Pense nas músicas de jogo que você curte e se pergunte que estilo elas procuram imitar. Aí você terá uma boa ideia de para onde ir em termos de gosto musical. Novamente, essa é uma questão cultural, a qual você pode se dar ao luxo do experimento.

De literatura, eu prefiro ler filosofia. Neste ano, li Tranquilidade da Alma, Pensamentos para Mim Mesmo, Carta a Meneceu e a Ética a Nicômaco. Ano passado, li Alcibíades I, Apologia de Sócrates, República, Elogio de Helena, Fédon, Fedro, Mênon, Metafísica, dois livros sobre os pré-socráticos, Banquete e Teeteto. É que literatura não é algo que eu curto muito, mas filosofia sim. Então toda a literatura que leio é filosófica. Porém, não leio só este ou aquele filósofo ou sobre este ou aquele tema, diferente da maioria dos meus colegas da faculdade que só lêem sobre filósofos com os quais concordam ou que só lêem contemporâneos. Atualmente, estou lendo as Confissões. Eu tenho razões para ler esses livros, porque meu curso de filosofia é altamente pobre e não me supre do conhecimento que eu demando. Então eu leio por contra própria. Me coloquei num curso auto imposto e administrado de história da filosofia. Então, talvez fosse interessante se você se perguntasse, tal como eu fiz, por que você deseja ler. Daí, ajustar seus gostos literários segundo sua resposta. Assim diminui o risco de despender tempo em livros que você talvez não goste.

Que bom que você está gorducho. Eu estou praticando flexões durante a noite, antes de dormir, como meu médico me orientou. Mas eu prefiro não fazer outros exercícios, porque detesto o aspecto de barriga tanquinho, que mais parece abdômen de barata. Seria interessante ser saudável e ainda ter uma barriga decente.

Eu não sou muito de viagens, sou muito caseiro e introvertido. Mas gosto do fato de você gostar de visitar esses lugares. Mas, tal como o lance da literatura, eu queria que você se perguntasse que tipo de viagem você fará para qual propósito; viagens custam dinheiro e viajar sem razão é uma baita perda de tempo. Procure fazer viagens que lhe enriquecerão espiritualmente de alguma forma, para que o efeito da viagem dure em você. Muitas viagens que eu fiz foram esquecidas porque eu nunca trouxe algo comigo de lá. E não falo de algo material, porque essas são coisas que quebram e vão para o lixo.

Uma das coisas que mais me faz me sentir bem é fazer os outros sentirem-se bem consigo próprios. Muito nobre da sua parte permitir que o menino tenha uma segunda chance. O que você quis dizer com tê-lo deixado por sua condição econômica?

Eu prefiro jogar coisas offline. Não sou muito sociável e a competição sempre me deixa ressentido. Alguém escreveu “ganhar sem orgulho, perder com abnegação”, mas eu só consigo colocar em prática a primeira parte. Quando o assunto é jogos offline, eu gosto de jogos de plataforma, especialmente bidimensionais. Wakfu é uma experiência nova pra mim, já que é o primeiro jogo online que experimento com seriedade. O problema dos jogos eletrônicos não está em você. A indústria de jogos eletrônicos de console está passando por grandes mudanças em meio a uma grande crise que não é financeira, mas cultural: as empresas agora sabem “o que funciona” e não se importam mais em fazer nenhuma inovação de notabilidade. Na verdade, não é possível mais inovar em gráficos, porque gráficos estão se aproximando cada vez mais da vida real, mas são como um polígono de vários lados tentando se fazer um círculo. A qualidade dos gráficos não importa mais para muitos jogadores que assitiram a evolução do pixel ao polígono. Isso é enunciado por Shigesato Itoi, que achou desnecessário fazer a transição do MOTHER para 3D e preferiu fazer MOTHER3 bidimensional, porque o realismo nem sempre é o que é melhor. Da mesma forma, se sabe que a música “que funciona” é a clássica. Muito me decepciona que todas as músicas novas da série Donkey Kong Country a entrarem no novo Smash sejam todas arranjos de DK Island Swing. Temas anciãos estão reaparecendo sob novos cosméticos e isso parece dar dinheiro em troca de um esforço mínimo. Além do mais, a tecnologia fez com que a composição musical para jogos eletrônicos se tornasse tão fácil que, alimentada por uma demanda por realce do cenário, as músicas são cada vez mais minimalistas e, ironicamente, com qualidade musical inferior. As melodias, linhas de baixo, batidas são simples e quietas, quando não estereotipadas, como se a música não quisesse tocar como aquilo que é. Entenda que a Nintendo foi a última a cair nesse buraco, mas agora está lá também. Sua melhor aposta é o PC.

Mas eu acho meio bobo que você queira tanto mudar seus gostos. Se você quer expandi-los, você deve apenas se empenhar em buscar coisas novas, não em se desligar do velho, porque isso apenas muda o problema de um lado para o outro.

Eu só não dou mais patadas para Diddy Kong porque não tem muito material questionável sobre ele. Isso não me é estranho, não se preocupe. A necessidade de caber em um grupo é típica do ser humano, porque somos animais naturalmente sociais, isso me inclui, por mais difícil que seja de crer. Eu escrevi uma entrada sobre isso, a filosofia de Hideaki Anno. O ser humano se sente mais produtivo e mais capaz quanto maior o grupo do qual se sente parte e quanto mais parte ele se sente do grupo. Porém, grupos muito fechados nos tornam sectários. Aí, ficar só na Capcom (curiosidade: Capcom significa “Capsule Computers“) seria como ficar só em cultura japonesa como na sua época de otaku, só que você estaria numa condição ainda pior, porque você está se apegando a um só aspecto da cultura japonesa popular: os jogos de uma única empresa. Alguém escreveu que “a pátria do estóico é o universo”, então você talvez queira se considerar parte de um grupo maior. Em vez de ser apenas “nintendista“, ser um “gamer“, o que poderia te permitir se aproximar tanto da Nintendo como da Sony ou da Microsoft, ao passo que você conseguiria também variar seus gostos um pouco mais, como você disse que queria. Você é mesmo um doce, sabia?

Cá entre nós, um dos melhores jogos que já joguei foi Resident Evil 3: Nemesis. E eu nunca deixei de gostar de coisas fofas. Um jogo moderno tem quatro componentes: história, visual, som e regras. O que me atraia em RE não era a estética do jogo, mas as regras (programa), o som e a história. Não há como deixar de gostar de coisas fofas se você gosta de um jogo de horror por razões não estéticas. E, mesmo que você gostasse de RE por sua estética, não necessariamente você passa a odiar Kirby, Pokémon ou Rayman.

Eu realmente acho que você está se atormentando com algo não muito pesado, bem mais leve que você. Você é uma montanha na frente desse problema. Uma pessoa pacífica pode jogar video-games violentos por outras razões além da violência, como a diversão, o som, a trama ou a estética. Além do mais, nem toda a literatura ou desenhos animados que você vê são totalmente limpos e castos, não vejo por que os jogos tenham que ser. Ser fã de alguma coisa não é a coisa certa a ser feita, porque isso causa um sectarismo altamente ridículo. Eu sei porque já fui assim. Mas você é novo ainda, talvez algumas coisas você deva aprender pela prática. Então, para minimizar o dano, acho que virar fã da Capcom e Konami é melhor, já que elas publicam jogos também para Nintendo o que te daria uma “desculpa” para jogar coisas daquela plataforma também (supondo que você esteja se referindo à Nintendo como produtora e não como linha de consoles).

21 de junho de 2015

Eu sou mesmo um homem…

Filed under: Saúde e bem-estar — Tags: , , , — Yure @ 13:20

Ontem de tarde, minha mãe me chamou para deitar minha cabeça em seu colo. Enquanto eu estava ali, eu me perguntava o que ela queria comigo. Não sou digno daquilo, já que ainda não dou nenhum orgulho à ela, fato. Eu sou um inútil. E essa demora na minha formação só me faz acreditar que eu não sirvo mesmo pra nada além de despender o dinheiro dela em estudos intermináveis.

Como vocês já sabem, eu tenho uma suspeita de que mulheres são superiores pelo menos a mim e que eu estou sendo cotidianamente alvo de algum tipo de manipulação velada da parte delas. Não é um sexismo, mas mais uma paranoia. Eu não evito mulheres por odiá-las, mas por temê-las.

Durante a noite, tive uma crise alérgica. Minha mãe tentava me ajudar, mas estava só atrapalhando. Minha mãe estava um tanto rouca e também insone. Eu não estava conseguindo dormir por causa da crise e, quando estou com sono, me torno emocionalmente instável. Eu não estava respondendo bem aos conselhos dela, mas ela me cobrava uma reação a altura, sendo que eu não podia dar. Por outro lado, eu não queria dizê-la que eu não sou como ela e que ela tinha que calar a boca e me deixar em paz, mas ela é minha mãe e eu não queria ofendê-la. Ela até me ofereceu o quarto dela para eu dormir, mas eu não consegui dormir lá por causa do frio e da claridade. Ela então me disse que eu tinha que arrumar terapia e deixar de ser tão chato, porque ela estava tentando ajudar e não estava conseguindo reagir bem à ajuda.

Aí eu gritei com ela, disse que ela não me entendia e que eu não era como ela, mas evitei dar-lhe um sermão. Depois de repetir umas duas vezes que eu não reagia bem às coisas que davam certo com ela, me ajoelhei e chorei amargamente.

Ela me abraçou e disse que eu estava estressado por causa da monografia, do estágio e da minha saúde, mas eu disse pra ela que era mais simples e realmente era: quanto mais ela me ajudava a dormir, pior eu ficava. Eu só precisava de água e da minha cama no meu quarto. A crise alérgica passaria por contra própria. Ela então passou meia-hora arrumando e limpando o meu quarto, mesmo depois de eu dizer que não era necessário e que eu só queria dormir. Como se não bastasse eu deixá-la preocupada e ela ter me oferecido o quarto dela, ela ainda resolveu limpar meu quarto.

Por que ela me ajuda? Eu não mereço nada disso e eu não queria nada disso. Queria ficar sozinho para dormir. A ajuda dos outros me incomoda, especialmente porque aqueles que me ajudam se revelam bem mais capazes que eu e eu nunca posso reagir como eles esperam que eu aja. Acontece que, quando eu recebo ajuda, eu sempre acabo pior, porque eu me sinto na obrigação de mostrar progresso para quem está me ajudando. Por isso quero viver sozinho quando tiver minha casa própria, sem esposa e, de preferência, longe até dos meus amigos. O convívio com os outros muito me cansa.

Pra piorar, minha mãe só alimentou meu ressentimento em relação ao sexo oposto. Ela é muito mais forte e vigorosa que eu, mesmo idosa, insone e com a saúde comprometida. Eu só sou um nada que ela insiste em sustentar.

20 de junho de 2015

Parece que julguei às pressas.

Filed under: Livros — Tags: , , , — Yure @ 10:03

Tumblr.

Aprendi esses dias que não se deve julgar um livro após ter lido apenas a primeira página. Embora eu não concorde com as coisas que o Agostinho fala tão apaixonadamente sobre religião, ele, como padre, é um ótimo psicólogo. Se Freud fosse cristão, seria Santo Agostinho. Ele faz reflexões altamente introspectivas sobre os eventos de sua vida, tentando encontrar as razões por trás de seus atos, é tudo muito profundo, gosto disso. É bem psicológico o que ele faz, me lembra aquilo que Freud fez.

Estou gostando muito de fichar as Confissões, são um livro e tanto. E pensar que eu quase o rejeitei imediatamente. O negócio, contudo, é separar o conteúdo filosófico do conteúdo pastoral (porque há uma diferença entre “pastoral” e “religioso”, sendo que não é possível abstrair a filosofia da religião em Agostinho, posto que suas reflexões se baseiam na sua fé).

Em todo caso, se Agostinho estiver em algum lugar me olhando ler as Confissões dele, perdão, cara.

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