Pedra, Papel e Tesoura.

3 de agosto de 2015

Proslogion.

Proslogion – Wikipedia, the free encyclopedia.

Preâmbulo.

  • O propósito do livro é encontrar um argumento que se baste para provar a existência de Deus e que ele realmente tem todos os atributos que pensamos que ele tem.
  • Essa era uma pergunta persistente na cabeça de Santo Anselmo.
  • O livro nem sequer deveria ser chamado livro, de acordo com o próprio Anselmo, mas ele resolveu dar-lhe nome após pressão de colegas.

Capítulo I.

  • Hora de se concentrar. O livro não deve ser lido com a mente em alguma outra coisa. O leitor do Proslogion precisa estar com a mente 100% voltada para Deus, através do texto. Então, olhos no livro.
  • As pessoas que procuram Deus em geral não o conhecem. A multidão de igrejas cristãs pode até ser um reflexo disso. Cada um procura Deus sem saber exatamente como ele é e passa a cultuar aquilo que encontrou.
  • Não é possível ser feliz sem o Deus que o ser humano tende a rejeitar. Anselmo usa passagens bíblicas para complementar seu texto.
  • Adão é a razão de todas as carências.
  • Para Anselmo, a vida humana tem um propósito, que é inviabilizado pelo pecado. Por meio de Deus, então, encontraríamos o sentido de nossa vida e a razão pela qual nascemos.
  • A compreensão de Deus depende da crença. Não é possível compreender a divindade se não cremos nela. Se não acreditamos, somos como o sujeito que procura conhecer aquilo que não reconhece como objeto.

Capítulo II.

  • Deus como o ser supremo: nada pode ser pensado como sendo maior que ele. Este é um conceito que podemos aceitar como ponto de partida para uma discussão. Então, ele existe no intelecto. Resta saber se ele existe também fora do intelecto.
  • Se ele realmente é maior que tudo, não pode, logicamente, não existir também fora do intelecto. Anselmo está tentando derivar a existência de Deus como que usando o significado da palavra “Deus”. Se assumimos como ponto de partida que Deus é aquilo que é maior que tudo, estamos, necessariamente, admitindo que ele existe, no campo lógico. Afinal, não pode faltar a esse ser a existência, porque senão ele não seria maior que tudo. Kant diz por que isso é falho. Na verdade, qualquer um poderia sentir que tem algo estranho nesse argumento, mas Kant põe isso em palavras claras.

Capítulo III.

  • Voltando ao texto, se assumimos Deus como sendo “aquele que está acima de tudo”, ou seja, como ser perfeito, então não é possível pensar que Deus não existe, porque, sendo perfeito, negar-lhe existência é contradizer seu conceito. “Deus não existe” passa a ser uma frase contraditória, na medida em que se admite Deus como perfeito, logo, como um ser ao qual nada de bom falta (incluindo existência).
  • Isso dá a impressão de que Deus não pode inexistir. Temos aqui uma identidade entre ser e pensar.
  • Nada é maior que Deus, se o reconhecemos como perfeito. Então não é possível conceber alguém maior que ele.
  • Existem graus de existência. Somente Deus tem existência 100% certa. As outras coisas podem ser ou não, ou seja, podem ou não existir.

Capítulo IV.

  • Para Anselmo, levando seu argumento a frente, o ateu só é ateu porque não entende o que Deus é. Se fosse levado a reconhecê-lo como perfeito, aquilo que é maior que tudo o mais, seria forçado a admitir sua existência conceitual. Como pode um ser perfeito que se apresenta em meu intelecto existir somente em meu intelecto? Ele deve existir de fato, porque não seria perfeito se não existisse. Existem falhas aqui, naturalmente. Primeiro, suponhamos que a melhor criatura existente não seja o sumo bem. Isto é, se algum dia encontrávamos o ser mais perfeito existente e constatávamos que ele apenas se aproxima do nosso conceito de perfeito, sem contudo chegar a ele, então, com essa possibilidade, pode ser que “perfeito” seja um conceito impossível fora do pensamento. Outro problema é que, se o argumento tivesse procedência, então qualquer ser que eu concebesse em minha mente e lhe adicionasse a qualidade perfeição existiria de fato (apesar de que alguém poderia argumentar que todo o ser perfeito que eu concebo é Deus, porque só ele é perfeito).
  • Anselmo diz que Deus é aquilo que há de maior na existência. De fato, seu argumento serve para demonstrar que existe um ser com o grau máximo de existência e poder, mas esse ser pode não coincidir com Deus. Basta analisar o significado da palavra “máximo”. Máximo é o maior permitido. Se Deus é o máximo em tudo, portanto nada é maior que ele, não significa que ele tem todas as características no grau que concebemos como perfeito, mas que ele as tem em grau simplesmente máximo, como maior permitido pela existência. Portanto, perfeito e máximo (maior possível) não necessariamente coincidem.

Capítulo V.

  • O conceito de “perfeito” em Anselmo deve se identificar com infinito.
  • Seguindo sua linha de pensamento, Deus, como ser perfeito, pode muito bem ter feito tudo a partir do nada.
  • Deus reúne em si as qualidades boas e por causa dele que a bondade particular se manifesta. Ele é sumamente feliz, sendo origem da felicidade transitória e particular que sentimos. Ele sumamente verídico, sendo origem da veracidade transitória e particular que experimentamos…

Capítulo VI.

  • Se Deus reúne o que é melhor, ele é espírito, porque era opinião corrente de que existir sem ter corpo é uma vantagem. Mas como Deus pode sentir algo se ele não tem corpo?
  • Se “sentir” é manifestar-se ao intelecto, então Deus não precisaria de corpo para sentir algo. É só que nós, criaturas, trazemos ao intelecto as coisas pelos sentidos.

Capítulo Sete.

  • Como é que Deus é onipotente se ele não pode, por exemplo, mentir? Acontece que mentir é uma fraqueza. Mentimos por defeito em dizer a verdade, seja porque somos maus ou porque tememos. Se fôssemos bons e tivéssemos coragem, diríamos a verdade sempre, o que é uma condição de perfeição. Por isso Deus não pode mentir sem perder seu status de ser onipotente, porque a mentira decorre de uma fraqueza.
  • Além do mais, a mentira é o não-ser da verdade. Deus não pode praticar não-seres, por existir em sumo grau.

Capítulo VIII.

  • Para Anselmo, Deus não sente compaixão. O perdão dos pecados é dado sem que Deus se sinta mal por nossa causa. Então, para nós, seu comportamento se afigura como compaixão, mas não o é do ponto de vista divino. Isso é não é bíblico…

Capítulo IX.

  • Deus seria “menos bom” se não fosse bom também para com quem é mau.
  • O que não significa que Deus não pune os maus. Mas, pela punição, perdoa.
  • Além do mais, a plenitude de Deus é mais evidente se ele é capaz de fazer pessoas boas a partir de pessoas más.

Capítulo XIII.

  • Deus não pode ser constrangido nem por espaço nem por tempo.

Capítulo XIV.

  • Ele chega, por processos diferentes, a quase as mesmas conclusões que Parmênides.

Capítulo XVIII.

  • Em Anselmo, a religião é propriamente “reencontro”. Por causa de Adão, perdemos o contato com Deus e a religião cristã é um esforço de reencontrá-lo, alavancado pela necessidade de preencher um vazio metafísico, enunciado como “necessidade espiritual”.
  • O argumento do “ser máximo” joga contra a Trindade: é melhor ser uno e indivisível do que trino. Mas Anselmo, como católico, talvez tivesse uma explicação para isso. Poderia ser, por exemplo, que a divisão entre Pai, Filho e Espírito Santo fosse apenas aparente e que na verdade seriam três manifestação de um só ser. Como vocês já estão cansados de ler, eu não compro a ideia da Trindade, mas estou tentando saber como Anselmo responderia a minha objeção.
  • Se Deus fosse divisível em partes, ou seja composto, poderia ser passível de decomposição. A menos, é claro, que seu arranjo fosse perfeito. Mas voltemos ao assunto. É melhor ser simples e único do que múltiplo em si mesmo. Nós, humanos, por exemplo, somos múltiplos em nós mesmos, porque cada componente nosso pode ser analisado separadamente. Somos, então, como “vários”. E Deus, para ser Deus, tem que ser um só.

Capítulo Vinte e Cinco.

  • Amar o bem que perpassa todos os bens é o bastante.
  • E Deus perpassa todos os bens, já que os bens se originam nele e ele os têm em grau máximo.

1 de agosto de 2015

Adeus, Audio Overload.

Filed under: Computadores e Internet, Música — Tags: , , , — Yure @ 23:24

Modland Search – ExoticA.

Eu resolvi substituir o Audio Overload por algo um pouco mais a minha cara, isto é, a cara da preguiça. Acontece que o Audio Overload, apesar de trabalhar com mais de trinta formatos de música eletrônica, sua fidelidade às vezes falha. Além do mais, eu estava ficando cansado de fuçar o Modland em busca de música que eu não podia achar no Youtube. O Exotica resolveu quase todos os problemas. Resolvi não mais colecionar música em meu computador, mas baixar as músicas do Modland através do Exotica, que pode converter uma boa parte dos formatos para vorbis, de forma que eu não precise de programas extras para tocar a música.

Além do mais, como vorbis é um formato de fluxo, ele não precisa de emulação e eu confio na emulação e codificação do pessoal competente do Exotica, então não tenho que me preocupar com fidelidade. As músicas são baixadas no diretório temporário, de forma que elas são apagadas quando eu reinicio o computador. Faço isso porque eu tenho uma tendência a aumentar minha biblioteca de música por aglutinação, obtendo música que nunca ouvirei somente porque é legal ter. Se eu não tiver coleção alguma, elimino o impulso. É fácil baixá-las a cada vez e, de posse do Audacious para tocar um par de formatos exóticos, não demora nada. Afinal, formatos como SID, MOD, SPC, VGM são minúsculos (os uso ainda porque algumas músicas não podem ser convertidas para vorbis).

29 de julho de 2015

Por que eu nunca gostei de ir pra templos.

Filed under: Livros — Tags: , , , — Yure @ 13:02

Mas vocês não devem ser chamados mestres; um só é o Mestre de vocês, e todos vocês são irmãos.

Mateus – Capítulo 23 – Biblia online Nova Versão Internacional.

Eu teria que me submeter à autoridade sacerdotal. Já tem gente demais mandando em mim.

23 de julho de 2015

A filosofia como dispositivo de alienação.

BOL Mail – Escrever e-mail.

Uma mensagem que recebi de um colega da universidade, sobre minha fixação por livros e solidão.

Se te ofendi, não tive a intenção, por isso me desculpo.
O Kafka também agiu como vc. Mas, pelo menos escreveu sobre sua teimosia, que o levou a uma longuíssima infelicidade pessoal. E ele escreveu sobre ela com tanto fervor, na esperança que ninguém o imitasse . . . . .
Um dia vc vai sentir falta de não ter ido conhecer o mundo. Então, já será tarde demais, como para Kafka . . . . .
Minha resposta, que pouco tem a ver com o que ele disse.
Eu não sei, é que nunca tive esse interesse. Sempre fui um menino muito pacato. E você jamais me ofendeu. Mas o tal doutor, sim. Inclusive, escrevi um texto sobre isso e queria escrever um outro. É que esses discursos que eu ouvi não foram completamente rejeitados e eu percebi uma coisa: que a filosofia, uma disciplina libertária, também pode, dentro de um contexto capitalista ocidental, ser utilizada como meio de alienação. Não me refiro ao processo kantiano de pensamento que liberta, mas me refiro ao produto filosófico em seu sentido hegeliano.
Os livros de filosofia que mais vendem são justamente aqueles que têm menos relevância em nosso tempo. É que o esteriótipo de filósofo “bom” é Platão e Aristóteles e as pessoas comuns acham que consumir e ler esses livros melhorará suas vidas. Se eles conseguem ler a República ou a Metafísica até o final, sentem-se com mais cultura, mas nem por isso aprendem a pensar. Os que não conseguem chegar até o fim, expõem os livros em estantes como se fossem enfeites. Os livros de filosofia contemporânea não vendem tanto porque as pessoas nem sequer sabem que se trata de filosofia. Ser e Tempo parece nome de livro de autoajuda ou de espiritismo. Como existe uma demanda por filosofia, porque existem curiosos que querem saber o que é essa disciplina que todos dizem que é tão construtiva como complicada, mas também existe um esteriótipo de que filosofia é coisa da Antiguidade grega, ninguém pega esses livros mais modernos de filosofia, que se dirigem ao nosso tempo e que poderiam proporcionar uma mudança no agir das pessoas comuns, justamente porque não os identificam como filosofia. O esteriótipo de filosofia parece condicionar as vendas e jogar a favor do controle da população, como um dos muitos dispositivos culturais de controle do capitalismo. Então, apesar de eu continuar com meu proceder, suas palavras não ficaram sem eco. É só que eu não me interesso tanto pelo que há lá fora como pelo mundo aqui dentro. Acho que escrever um artigo ou alguma coisa sobre isso e colocar na Internet pode até ajudar alguém a pensar sobre isso e fazer alguma coisa. Admito que eu mesmo não me interesso pela questão política tanto quanto pela individual. Na verdade, se eu não tivesse conhecido filosofia no ensino médio e reconhecido seu valor, eu teria cursado psicologia. A minha prioridade é o indivíduo e sua sobrevivência, por isso eu me fecho aqui dentro. O meu processo é altamente reflexivo e eu não me sinto nem um pouco produtivo lá fora, porque os barulhos e as multidões me deixam aturdido.
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