Analecto

20 de janeiro de 2018

Anotações sobre “Boys on Their Contacts With Men”.

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“Boys on Their Contacts With Men: A Study of Sexually Expressed Friendships” foi escrito por Theo Sandfort. Abaixo, algumas anotações sobre esse livro. Elas não necessariamente refletem minha opinião sobre um dado assunto.

  1. Nascer depois do ano 2000 significa ter uma alta chance de crescer sem saber o que é sexualidade infantil.
  2. Sexualidade começa na infância.
  3. A sociedade não apenas diz abertamente que sexualidade infantil não existe, mas também se proíbe de fundar pesquisas sobre esse assunto e repudia qualquer estudo sobre sexualidade infantil conduzido de forma independente (ignorância voluntária).
  4. Não existe uma área da medicina que cuide da saúde sexual do menor, o que é inaceitável, considerando que menores são os maiores ofensores de leis de idade de consentimento.
  5. Há uma falta geral de estudos sobre áreas cruciais da sexualidade.
  6. Repressão sexual infantil tem, sim, consequências na vida sexual adulta.
  7. Crises adolescentes, centradas na puberdade, teriam menos impacto se o menor tivesse mais liberdade para sua expressão sexual, desde que não a expressasse de forma destrutiva.
  8. Enquanto a sociedade continuar pensando que crianças são inocentes, não haverá ciência para estudar a sexualidade infantil e, consequentemente, não haverá suporte, inclusive clínico, para que a criança se desenvolva sexualmente saudável.
  9. A pessoa atraída por menores acaba sendo atraente para esses menores, de forma que a atração, por exemplo, entre adulto e criança é muitas vezes recíproca.
  10. O que torna um adulto atraente para um menor é a sensação que o menor tem de não ser tratado como alguém inferior, ou seja, o fato de o adulto tratar o menor como igual.
  11. Atração por menores não é escolha; ninguém escolhe se sentir atraído por pessoas muito mais novas.
  12. Tal como não há tratamento efetivo para homossexualidade, não há tratamento efetivo para a pedofilia.
  13. Também não há nenhuma hipótese, evolutiva ou não, em voga que explique porque existem pessoas interessadas em gente de idades muito diferentes.
  14. Qualquer estudo sério e imparcial na área de relações entre gerações ou sexualidade infantil é bem-vindo, porque parece que não há trabalhos o suficiente sobre o assunto para guiar a política a tomar decisões sábias.
  15. No entanto, qualquer pesquisa que não use os termos “vítima”, “criminoso” ou que se mostre positiva ou favorável a essas relações, é vista como se estivesse “racionalizando” um comportamento criminoso (se bem que, se fosse assim, relações homossexuais nunca teriam sido aceitas), sendo que a comunidade científica não deveria condenar alguém por “racionalizar” qualquer coisa.
  16. As pessoas esperam que menores em relação com adultos estejam sofrendo e, quando a pesquisa conclui que não necessariamente, condenam o estudo como errado.
  17. É mais fácil um estudo concluir negativamente se você usa apenas amostras que já admitem ter sofrido por causa dessas relações, ou seja, você automaticamente se fecha para aqueles que dizem “eu gostei, não fui forçado”.
  18. Críticos dizem que os menores entrevistados que dizem que não sofreram com seus relacionamentos estão mentindo, mas estudos estatísticos com amostras gerais concluem, quase sempre, que os menores não sofrem nem são forçados na maior parte das vezes.
  19. O argumento de que o consentimento do menor é inválido por causa da diferença de força entre adulto e menor não é conclusivo.
  20. Outros críticos se sentem livres pra criticar sem conhecer: “se ele conclui que essas relações podem ser positivas, está obviamente errado, nem vou me dar ao trabalho de ler.”
  21. Por alguma razão, quando um trabalho desses sai, os únicos que o reprovam imediatamente são os americanos.
  22. Talvez seja porque ele ataca fundações sobre as quais muitas carreiras foram construídas (basta lembrar o que aconteceu com a coitada da Susan Clancy).
  23. A melhor pesquisa sobre sexualidade em geral não é feita nos Estados Unidos.
  24. Existe um monte de crianças de onze anos que são sexualmente ativas, não se importando se seus relacionamentos são ilegais.
  25. AIDS é um problema enorme, mas não exagere.
  26. Se há um monte de menores, inclusive em relações com adultos, que não estão infectados com AIDS, sendo que a AIDS é principalmente transmitida por penetração, podemos concluir essas relações não são invasivas no mais das vezes.
  27. Se a sexualidade infantil não é invasiva, é improvável que um menor adquira AIDS, a menos que seja estuprado.
  28. Se há menores sexualmente ativos, especialmente se ativos em segredo, então educação sexual é imperativa, ou esses moleques ficarão doentes antes dos dezoito.
  29. O livro expõe o relato de vinte e cinco meninos que tiveram relações sexuais com homens adultos.
  30. O debate sobre a pedofilia nos anos setenta era equilibrado, havia intelectuais nos dois lados, tanto contra quanto a favor, de forma que relações entre adultos e menores, desde que não fossem prejudiciais ao menor, não eram automaticamente associadas a abuso.
  31. O escritor do livro admite que vinte e cinco é um número muito baixo e que, portanto, os relatos expostos no livro não podem ser generalizados.
  32. A maioria dos estudos foca em casos negativos, mas este estudo foca nos positivos, ou seja, o escritor não falará de abuso aqui.
  33. O livro fecha com considerações sobre como a lei deve se adaptar para não punir relações positivas, de forma a punir somente relacionamentos que prejudiquem o menor.
  34. Nossas opiniões sexuais são instáveis, mudam com o tempo.
  35. Relações entre adultos e menores só viram tabu por volta dos anos oitenta (no Brasil, um relacionamento sexual envolvendo menores de catorze anos só se tornou automaticamente criminoso em 2009, com a nova lei de estupro).
  36. Diferença de força não torna uma relação automaticamente abusiva.
  37. Acusação não é fato até ser provada.
  38. Mas apresentar uma acusação como fato, deixa uma marca na opinião pública, mesmo depois que a acusação é desmentida.
  39. A mídia teve papel central na criminalização da pornografia infantil.
  40. Mas a mídia só começou a se comportar dessa forma por causa do movimento americano de restauração da pureza e do lugar de honra da família tradicional.
  41. Essa perseguição tem, portanto, raízes religiosas, não sendo fundada no dever de proteger o menor.
  42. É mais uma questão de proteger trabalhos, de alcançar objetivos feministas e de manter valores religiosos do que realmente pensar se o menor está mesmo sendo prejudicado.
  43. O movimento homossexual dos anos oitenta e setenta não via contato entre gerações como fundamentalmente errado.
  44. Não há necessidade de abuso para que a pornografia infantil possa existir.
  45. Quando a economia vai mal, a direita ganha força.
  46. Parte do pânico moral em relação a relacionamentos entre adultos e menores vem da reação feminista à revolução sexual: queriam liberdade sexual sem tocar nos detalhes do incesto, do assédio e do estupro, cujas vítimas eram quase sempre mulheres e meninas.
  47. Ficou um clima de que todos os homens eram estupradores potenciais.
  48. O argumento favorável a essa visão de mundo era a disparidade de força: homens são mais fortes e mais influentes do que as mulheres, portanto seria muito fácil para ele abusar dela se as leis se tornassem mais sexualmente liberais (esse é o mesmo argumento utilizado contra relações entre adultos e menores).
  49. Mas é um argumento sem base empírica sólida, principalmente estatística.
  50. Esse clima estabeleceu uma chata sensação de que relações heterossexuais são sempre abusivas, desencorajando mulheres que queriam se envolver com homens.
  51. O feminismo dos anos oitenta chegou a incutir um sentimento de culpa existencial nos próprios homens, que passavam a sentir vergonha de seu sexo.
  52. Como parece que maior parte dos pedófilos são homens, o feminismo atacou a pedofilia como uma manifestação do comportamento sexual masculino.
  53. Se a disparidade de força não é o bastante para eliminar o comportamento heterossexual entre adultos, ela bastava para condenar um comportamento sexual minoritário.
  54. “Força” tomou o lugar do “amor” como conceito central de uma relação.
  55. Disparidade tornou-se sinônimo de uso incorreto (disparidade de força = uso incorreto da força), como se uma pessoa de mais poder fosse necessariamente abusar desse poder.
  56. Os benefícios da disparidade, como identificação e pedagogia, foram negados.
  57. O problema da disparidade de força afeta não apenas relações sexuais, mas também amigáveis, nas quais o aspecto sexual está ausente, de forma que um adulto que nutre amizade com crianças é tido como suspeito.
  58. Feminismo vem em diferentes sabores, alguns são menos conservadores.
  59. Nem todas as feministas vêem o sexo como razão de preocupação.
  60. Mas feministas que são contra leis de idade de consentimento são minoria.
  61. O pânico moral em relação à pedofilia mata discussões sobre descriminalização (“legalizar o casamento entre homossexuais levará à legalização de relações entre adulto e menor” ou “legalizar a maconha levará à legalização de relações entre adulto e menor”), mantendo nossos códigos conservadores por mais tempo.
  62. Isso é o “espírito dos tempos”, não era assim nos anos sessenta e setenta, pode não ser mais assim na década que vem.
  63. Quando o foco muda do amor para a força, sexo se torna fonte de ansiedade e preocupação; você pode facilmente ir pra cadeia por fazer sexo, mesmo que ambos os envolvidos concordem com o ato e mesmo que ninguém tenha sido prejudicado.
  64. Políticas públicas tendem a ver o sexo como uma ameaça.
  65. O estado está “voltando ao seu antigo papel de ditador moral – feminista ainda por cima.”
  66. “Vendo uma fonte de autoridade no movimento de emancipação da mulher, foi permitido que a visão de uma pequena seção da nossa sociedade se tornasse nosso determinante moral” (importante lembrar que este livro foi escrito nos anos oitenta).
  67. Se sexo é um perigo, crianças são vulneráveis.
  68. Se pensarmos que todos os homens são estupradores potenciais, passaremos a pensar que todas as mulheres são vítimas potenciais, e as leis se adaptarão a isso.
  69. Ninguém olha pra vítima e diz “a culpa é sua”, então ser vítima é seguro.
  70. Essa visão de mundo impede a mulher de exercer sua heterossexualidade, porque homens estão começando a se afastar das mulheres.
  71. Para mudar isso, é preciso focar nos benefícios de uma relação sexual, não nos perigos do abuso, que inclusive ocorre menos vezes do que comumente se pensa.
  72. A negatividade sexual também afeta a juventude.
  73. O feminismo abortou a revolução sexual.
  74. Quando você fala de sexo com as crianças, você não fala de aventura ou descobrimento, você fala de proteção contra abuso, mas não era assim antes, nos anos sessenta, quando até crianças entendiam que sexo poderia ser usado como meio para a realização pessoal.
  75. O paradigma anterior era liberdade, mas agora é proteção.
  76. Crianças precisam de proteção contra abuso, mas será que essa proteção não está prejudicando envolvimentos positivos?
  77. Se o paradigma é proteção, crianças devem ser protegidas tanto quanto possível, o que prejudica seu amadurecimento.
  78. Isso não significa eliminar todas as proteções, mas permitir o livre curso da curiosidade, além de gradual abertura.
  79. Não se deve ensinar que a sexualidade é uma ameaça externa, mas parte da natureza interior.
  80. Quando se fala de sexualidade, as experiências sexuais infantis são frequentemente ignoradas (veja como as notícias sobre relações entre adultos e menores frequentemente omitem a opinião do menor).
  81. O objetivo do livro é chamar atenção para relações positivas entre adultos e menores, porque as notícias não são imparciais ao mostrarem somente relações negativas (para uma possível explicação, ver “Atração por Menores: Guia Para Iniciantes“).
  82. Um monte de homossexuais não achava esses relacionamentos imorais ou imorais por definição, nos anos setenta.
  83. Na Holanda, existia um médico público cujo trabalho era ouvir reclamações sexuais de crianças, de forma que uma criança podia ir até ele, contar que alguém fez algo com ela, ser examinada e, então, o médico faria a denúncia, ou seja, a criança era capacitada para denunciar indiretamente uma experiência sexual negativa.
  84. Quando a Holanda estava debatendo a reforma da idade de consentimento, o governo ouviu psiquiatras, juristas e funcionários do serviço social.
  85. O único relacionamento socialmente aceitável entre adultos e crianças é o relacionamento pedagógico; qualquer outro relacionamento (romântico, por exemplo) é suspeito.
  86. A sociedade espera que você só tenha amigos de sua idade.
  87. Por causa disso, relações entre adultos e menores se adaptam à hostilidade, de forma a continuar com o mínimo de intromissão, apesar de serem ilegais.
  88. Os menores do livro conheceram seus adultos através de amigos de mesma idade ou através de membros da família, de forma que nenhum suborno foi necessário.
  89. Pedófilos raramente reflectem o estereótipo de “velho estranho”.
  90. Menores podem começar o contato e estabelecer relações nas quais o adulto pode não estar interessado a princípio.
  91. Esses relacionamentos podem começar por acaso, sem qualquer das partes procurar essa amizade.
  92. O contato sexual nessas relações começa mais cedo quanto mais velho for o menor.
  93. Pelo menos nesses vinte e cinco casos, ninguém foi forçado.
  94. Há pedófilos no serviço social, só pra você ficar sabendo.
  95. Um dos motivos para início e manutenção do relacionamento foram os interesses em comum.
  96. Outro motivo é atenção exclusiva obtida de um adulto, ao passo que, em casa, a atenção dos pais é dividida entre os irmãos.
  97. Um dos meninos do livro diz que essa atenção só pode ser obtida com um adulto de fora, a menos que você seja filho único.
  98. Outro motivo é a liberdade que esses adultos davam aos menores, permitindo lhes tomar decisões sozinhos.
  99. O clima familiar pode ser sufocante.
  100. Outro motivo é ter alguém que lhe escute.
  101. Tem algo nesses adultos que falta nos pais.
  102. Outro motivo é afeição física (abraços, por exemplo).
  103. Um monte de meninos adolescentes gostaria de receber abraços, mas sentem que meninos de determinada idade não devem se abraçar.
  104. Outro motivo pode ser instabilidade familiar (brigas entre pais e divórcio).
  105. Um dos menores disse que detesta o pai.
  106. “Não é possível haver família pior que a nossa.”
  107. Embora os meninos não reclamem dos relacionamentos que têm com seus adultos, alguns reportam sofrer violência física em casa, vinda dos pais (algo muito mais comum do que relações entre adultos e menores, com abuso verbal sendo ainda mais comum).
  108. Os menores do livro estavam bem informados sobre a quem recorrer em caso de abuso, mas, embora não denunciassem os adultos com os quais se relacionavam, um deles abriu um boletim de ocorrência contra o padrasto por abuso físico (parece que, na Holanda dos anos oitenta, um menor de doze anos podia fazer boletins).
  109. Porém, a maioria dos menores entrevistados não tinha problemas com os pais.
  110. Donde decorre que é incorreto assumir que todos os menores que procuram a atenção de adultos alheios à família o fazem por não se sentirem amados em casa.
  111. Mas não procurariam essa atenção sem razão; esse adulto provê algo que a família não provê.
  112. Então, mesmo que a família não precise ser ruim pra que uma criança busque a atenção de outros adultos, um ambiente familiar ruim propicia o desejo de obter proteção e carinho de outros adultos, de forma que a relação prossegue enquanto o outro adulto suprir o menor desses benefícios.
  113. Alguns dos adultos sabiam que os menores estavam em relação sexual com outros adultos e não proibiram a relação.
  114. Quando a relação familiar é melhor, o menor em relação com o adulto vê essa relação mais como lazer do que necessidade.
  115. Contato sexual é completamente secundário: um dos meninos disse que continuaria o relacionamento mesmo que o aspecto sexual estivesse ausente.
  116. Se a relação fosse exclusivamente sexual, os meninos não a teriam continuado.
  117. O relacionamento entre adulto e menor não é simplesmente uma questão sexual, a menos que o adulto seja um estuprador.
  118. Não há como dizer com que frequência os menores trocam sexo por benefício material, mas o fato é que isso não ocorre sempre e um monte desses relacionamentos são mútuos, sem interesse material.
  119. A necessidade de atenção diminui com a idade.
  120. Um filho que cresce numa boa família, mas que tem um relacionamento com um adulto de fora, pode ainda amar mais os seus pais do que seu adulto.
  121. O fato de o menor dar grande importância ao seu adulto faz com que uma ruptura legal no relacionamento tenha consequências drásticas para seu estado de espírito.
  122. Se, por um lado, o contato sexual não é a principal razão para esses relacionamentos começarem ou continuarem, sexo, por outro lado, ainda é a principal razão pela qual essas relações enfrentam tantos problemas (de forma que seria mais seguro se abster do aspecto sexual).
  123. Saber que existe algo sexual entre um adulto e um menor causa tanto choque que a pessoa que julga torna-se incapaz de ver os outros aspectos do relacionamento.
  124. O escritor nos lembra, novamente, que vinte e cinco é um número pequeno e que as experiências desses menores não podem ser generalizadas, além de lembrar que essas relações são ilegais e que o cidadão não deveria quebrar a lei.
  125. Alguns pesquisadores dizem que adultos introduzem o menor à práticas sexuais gradualmente, mas o escritor do livro é enfático ao dizer que esse não é o caso e que há registro de contatos sexuais entre adultos e menores que ocorrem pouco tempo depois de os dois se conhecerem.
  126. Menos da metade dos vinte e cinco meninos esperou que o adulto fizesse o primeiro contato sexual.
  127. É possível fazer sexo sem saber que o que se está fazendo é sexo.
  128. Alguns menores perderam a virgindade com adultos e não se arrependem.
  129. O menor tende mais a fazer o primeiro contato se ele tiver experiência prévia.
  130. Um menor pode agir de forma libidinosa sem saber, por não entender que alguns comportamentos podem ser entendidos como “safadeza”.
  131. A literatura clínica conclui diferente, porque não lida com casos do cotidiano, só com casos que passaram pelo consultório (os casos negativos, porque menores que não se sentem prejudicados por essas relações não procuram ajuda clínica).
  132. O ato sexual mais comum nessas relações é a masturbação.
  133. Esses adultos não fizeram nada que poderia dar nojo ao menor.
  134. Isso porque o adulto sente desejo pelo prazer do menor; se o menor não estiver gostando, não tem graça.
  135. Há um número de relações entre adulto e menor que não incluem atos sexuais.
  136. Mesmo em relações positivas, contato sexual pode ser indesejado.
  137. Quanto mais novo, menos interessado em contato sexual, mais interessado em contato físico (abraços, sensação de segurança).
  138. Alguns pais não falam de sexo com seus filhos, mesmo quando os filhos se tornam adultos.
  139. Pra que complicar algo tão simples?
  140. Mesmo com esses vinte e cinco meninos que reportam experiências positivas, o contato sexual pode ainda ser problemático por causa de pressão social, por causa do comportamento do adulto ou por causa de quaisquer problemas que ocorram durante o ato.
  141. O menor que tem esse contato e acaba gostando dele pode se sentir arrependido por achar que está se tornando homossexual.
  142. Esses relacionamentos não são perfeitos e têm problemas análogos a relacionamentos entre adultos.
  143. Se um menor sabe que essas relações são socialmente inaceitáveis, mas ainda assim gosta delas, ele guardará segredo.
  144. Se você tem que esconder, claro que você teme que descubram.
  145. Uma das razões para manter segredo é o medo de ficar mal falado.
  146. Outra razão seria, claro, medo do que a polícia poderia fazer.
  147. Há menores que não gostam dessas leis.
  148. O menor pode se sentir responsável pela prisão do adulto se a relação for descoberta, ele passa a sentir que é culpa dele.
  149. Sob quais condições se pode prender uma pessoa que não machucou ninguém, especialmente se essa prisão ocasionaria dano a um terceiro também inocente?
  150. Crimes sexuais frequentemente violam a proporcionalidade das penas.
  151. Um dos menores disse que a lei não o impede.
  152. Alguns pais sentem inveja do parceiro adulto do menor.
  153. Um dos menores rompeu com o adulto quando encontrou uma namorada de sua idade.
  154. Disparidade de força é inerente a relacionamentos entre adultos e menores, mas será que isso foi problema nos vinte e cinco casos estudados?
  155. Disparidade de força é inerente a quase todas as relações humanas (homem e mulher, pobre e rico, professor e aluno, pai e filho, normal e deficiente, entre outros).
  156. Se o adulto em relação com um menor é um de seus pais (incesto), a disparidade de força é ainda maior.
  157. Força é relativa.
  158. A relação entre pai e filho é aceitável, apesar de desigual, porque o filho se beneficia mais dela com o mínimo de prejuízo para o pai ou para a mãe.
  159. Em outros estudos sobre relacionamentos entre adultos e menores, foi constatado que um menor pode se beneficiar mais da relação do que o adulto.
  160. A coisa mais próxima de um relacionamento entre adulto e menor é a relação entre pai e filho.
  161. Disparidade de força pode ser usada em benefício do menor.
  162. Há mais disparidade de força na relação casta entre pai e filho do que num romance entre menor e adulto.
  163. Até uma criança pode exercer força, é esse o ganha-pão da Supernanny.
  164. Se disparidade de força for problema para a amizade, então é impossível ser amigo de uma criança se você for adulto.
  165. Disparidade de força nem sempre prejudica o menor.
  166. Menores se identificam e admiram adultos, a disparidade de força não é vista como imediata ameaça.
  167. É possível admirar alguém melhor que você sem se sentir humilhado.
  168. “Faça isso, ou eu conto pra polícia, seu safado.”
  169. O menor que sabe que esses contatos são ilegais, mas consegue tê-los, adquire meios de fazer chantagem (jailbait).
  170. Existência de força, uso de força e abuso de força são três coisas diferentes.
  171. O que não significa que abuso de força não exista, especialmente porque ele ocorre mesmo em relacionamentos entre adultos.
  172. Donde decorre que disparidade de força não é razão para negar consentimento válido, como quer Finkelhor.
  173. O adulto não pode deixar que o menor se torne dependente dele.
  174. Abuso de força não acontece em todas as relações entre adulto e menor.
  175. Mas abuso de força ocorre facilmente na dinâmica entre pai e filho.
  176. Um menor pode coagir um adulto.
  177. Há menores que ignoram a proibição dos pais.
  178. O pai pode ficar mais estarrecido por ver seu filho saindo com um adulto se esse adulto for do mesmo sexo que o menino.
  179. Se o menino conhece adultos que seu pai não conhece, isso pode virar um problema.
  180. Se fosse uma mulher adulta, talvez o pai gostasse.
  181. O pai pode preferir matar o adulto do que denunciá-lo.
  182. E o menor pode achar isso injusto.
  183. Se o adulto conhecer algum podre dos pais do menor, usará isso para se proteger (“se me denunciar, denuncio você”).
  184. Os pais temem que o menor se torne homossexual.
  185. Na prática, o menor não tem direito de expressar sua opinião.
  186. Menores em relacionamentos positivos acham os obstáculos legais desnecessários.
  187. A NVSH ainda existe, pessoal.
  188. Alguns pais acham esses contatos “normais”, o que é, no mínimo, surpreendente.
  189. O que o escritor sabe sobre os pais veio dos menores; ele não entrevistou os pais.
  190. Não há estudos o bastante sobre pais de crianças que se relacionam com adultos.
  191. Os filhos normalmente não falam de sua sexualidade com seus pais.
  192. Menores preferem discutir sexualidade com amigos.
  193. Isso porque temem que os pais os punam.
  194. Se a criança não está gostando ou está com medo, ela provavelmente contará o incidente aos pais ou à polícia.
  195. Os pais normalmente respondem com horror ao saber que seu filho está envolvido com um adulto, mesmo que não de uma forma sexual.
  196. Isso pode ser porque os pais sentem que “falharam” em proteger ou educar seus filhos.
  197. Os pais temem falar de sexo com seus filhos, porque temem que acabem gostando de sexo.
  198. Mas isso varia conforme a visão que o pai tem da sexualidade: um pai sexualmente reprimido ficará chocado ao saber que seu filho tem sentimentos sexuais.
  199. Ao saber que o filho está gostando de um adulto, o pai sente que não está dando amor o bastante ao filho, mas projeta essa culpa tanto no adulto estranho quanto no filho.
  200. Maior parte da informação que você tem sobre relacionamentos entre adultos e menores está errada.
  201. Um menor pode esconder a relação para exercer sua autonomia (“não é da conta dos outros”).
  202. Acontece mais vezes do que você pensa.
  203. O menor em relação com adulto pode causar inveja nos colegas (é como aquele aluno que consegue ficar com a professora).
  204. É fácil ignorar o que seus amigos pensam sobre seus relacionamentos, mas é difícil ignorar o que seus pais pensam.
  205. Um monte desses menores tem medo de serem chamados de “homossexual” se a relação fosse descoberta.
  206. Ficar com uma menina pode ser decepcionante.
  207. Um relacionamento com alguém do mesmo sexo pode escalar mais facilmente.
  208. Pedófilo“, “molestador” e “estuprador” são coisas diferentes na realidade, embora não sejam nas notícias.
  209. Parte da rejeição tem raiz religiosa.
  210. Amor e luxúria são coisas diferentes, por isso temos relações com quem não amamos.
  211. Um dos menores diz que, embora ele goste de seu relacionamento com o adulto, se opõe à produção de pornografia.
  212. Existem relacionamentos entre gerações também entre adultos (como o caso de uma jovem adulta saindo com um cara de meia-idade ou mesmo um idoso).
  213. Você não pode generalizar e dizer que “nenhum menor quer esses contatos”.
  214. Como fazer com que a lei puna relações negativas, sem prejudicar as positivas?
  215. Ao fim das entrevistas, os meninos não se contradisseram, mantendo a consistência de suas respostas.
  216. Apesar de julgarem o relacionamento como “positivo”, os menores foram honestos em relação aos pontos negativos do contato e expressaram suas dúvidas.
  217. Não há razão para assumir que os vinte e cinco menores mentiram nas duas entrevistas.
  218. Se você acredita quando uma criança diz que está sofrendo por causa de um contato sexual com um adulto, mas não acredita quando uma criança diz que não está sofrendo por causa de um contato sexual com um adulto, você não está sendo imparcial.
  219. A investigação não tem pretensões de generalização.
  220. Mas investigações que utilizam amostras clínicas ou forenses devem também abdicar de pretensões de generalização: quando você faz uma pesquisa utilizando apenas amostras clínicas e generaliza, é como ir a um hospital, concluir que noventa e quatro por cento dos pacientes estão doentes e concluir que noventa e quatro por cento de toda a população mundial está doente.
  221. Há menores que gostam desses contatos, mas há menores que sofrem com esses contatos e nenhuma pesquisa jamais poderá concluir que não existem crianças abusadas.
  222. Há uma ênfase enorme em meninas que são abusadas sexualmente, mas pouca ênfase em meninos.
  223. Você não pode comparar sexo com drogas ou álcool, o que significa que baixar a idade de consentimento, mas não a idade mínima para consumo de álcool ou cigarro, não é ilógico: é mais provável você arruinar sua saúde por causa de álcool ou cigarro do que por causa de sexo.
  224. Repressão sexual infantil prejudica a vida sexual do adulto.
  225. Conduzir um carro é questão de perícia e preparo mental, não de idade.
  226. Tal como adultos se arrependem de relacionamentos passados, o menor pode se arrepender de seus próprios relacionamentos quando amadurecer.
  227. Uma criança que não foi traumatizada pela relação sexual pode ser traumatizada pela reação dos pais, pior ainda se o caso acabar no tribunal.
  228. Uma das razões mais importantes para manter o estado de ilegalidade desses relacionamentos é a tese de dano inerente.
  229. Um menor que se relaciona na infância pode se tornar um adulto perfeitamente normal, o que pode significar que a experiência não o impactou negativamente ou que ele superou um possível impacto negativo.
  230. Dano inerente é um mito.
  231. O que causa o dano é a força; não havendo força, a chance de trauma é mínima.
  232. O menor deve julgar o contato, não o terapeuta.
  233. À época das entrevistas, todos os adultos que se relacionaram com esses menores estavam, claro, em situação ilegal.
  234. À época das entrevistas, a pena máxima para relação sexual com menor, na Holanda, era de seis anos no máximo (no Brasil, desde 2009, o mesmo crime é punido com até quinze anos de cadeia, mostrando como nosso próprio Código Penal favorece o colapso prisional).
  235. Essas leis também punem relacionamentos entre dois menores.
  236. Leis de idade de consentimento, ao menos na Holanda, têm cerca de duzentos anos de existência, uma lei mais ou menos “nova”, se compararmos com a interdição ao assassinato e ao roubo.
  237. A ideia de “criança inocente” começou no século dezessete, não era assim antes.
  238. Não é trabalho do estado impedir que uma pessoa se torne “suja” por sua própria vontade, o estado não é a igreja.
  239. O declínio do poder eclesiástico permitiu o início da revolução sexual.
  240. A tolerância sexual crescente naquela época reflectia no judiciário: acusados de sexo com menor eram raramente condenados.
  241. A idade de consentimento deve acompanhar a juventude: quanto mais capacitada e informada for a juventude, menor deve ser a idade de consentimento (havia uma proposta pra baixar a idade de consentimento no Brasil para doze, mas a bancada evangélica ferrou tudo).
  242. Estranhamente, quando a idade de consentimento estava sendo repensada na Holanda dos anos oitenta, um dos grupos que defendeu a abolição foi justamente a Aliança Protestante Pela Proteção da Criança, que argumentou que as leis normais de estupro, que punem somente casos onde houve força ou dano, bastavam.
  243. Não há prova científica de que contato sexual entre adulto e menor causa dano por si, mas existe abundância de evidência de que o que causa o dano é dor, força ou vergonha, as quais não são inerentes ao contato (logo, não existe dano inerente).
  244. Não há necessidade de punir um contato inofensivo (crime sem vítima).
  245. Se houver um jeito melhor de lidar com a situação, não prenda ninguém.
  246. Não tem lógica aplicar uma punição que causa mais dano do que o ato que merece punição.
  247. Leis devem ser claras (o que qualifica o “ato libidinoso”?).
  248. Contato sexual voluntário é geralmente inofensivo.
  249. O menor tem direito de autodeterminação sexual e essas leis estão no caminho entre o menor e o pleno exercício desse direito.
  250. Se você tem relações com um menor e vê que tem chances de se safar se o menor nunca mais for visto, você não seria tentado a matar a criança?
  251. O menor não pode continuar legalmente impotente.
  252. Liberdade não deve ser limitada sem uma boa razão.
  253. No entanto, relacionamentos mutuamente desejados continuam proibidos na medida em que pelo menos um dos envolvidos tenha menos de catorze anos.
  254. A razão mais frequentemente encontrada entre proponentes de leis de idade de consentimento é a disparidade de força: ela supõe que relacionamentos precisam de igualdade para funcionar, ao passo que crianças e adultos não estão em igualdade, principalmente mental.
  255. Outra razão é que o menor raramente pensa nas consequências do ato (embora se possa indagar quais são essas horríveis consequências).
  256. Outra razão é que permitir que menores estejam livres para se relacionar, na medida em que isso for inofensivo e voluntário, ainda seria uma violação da autoridade dos pais sobre o menor.
  257. A liberdade individual de aceitar ou rejeitar afeto deve ser protegida.
  258. A lei não deve tomar decisões sem consultar a ciência.
  259. Quanto mais a lei proíbe, mais a população quer quebrá-la.
  260. Punir um comportamento inofensivo não é proteção.
  261. Será que as leis ainda reflectem a realidade?
  262. Mesmo que esses contatos sexuais continuem sendo crime, a pena ainda é alta demais (vamos lá, pessoal, oito a quinze anos por um selinho é alto demais).
  263. Se a relação foi iniciada por promessa de ganho material, ainda deve ser ilegal (prostituição).
  264. A lei deve escrita de forma a favorecer a imparcialidade, mas termos ambíguos, como “ato libidinoso”, trabalham contra a imparcialidade, de forma que juízes podem emitir sentenças muito diferentes para o mesmo crime, dependendo do que cada juiz entende como “ato libidinoso”.
  265. Faz mais sentido aplicar leis de idade de consentimento apenas para conjunção carnal (penetração fálica pela boca, ânus ou vagina), enquanto que outros atos sexuais poderiam ser proibidos somente se forem forçados ou em caso de lesão ou doença.
  266. Os menores têm direito a experiências sexuais?
  267. Uma lei com motivação moral frequentemente é autoritária, ela criminaliza sem explicar por quê.
  268. Uma das razões para a existência de leis de idade de consentimento é a crença de que nem sempre é possível verificar se o ato foi forçado.
  269. Mas menores estão ficando sexualmente maduros e sabidos cada vez mais cedo, menores procuram esses contatos, então não há razão para presumir violência.
  270. Adultos frequentemente vêem o amadurecimento precoce como um perigo (“uma criança sexualmente ativa deve ser protegida de si mesma”).
  271. Se posicionar favorável à redução ou abolição da idade de consentimento pode te fazer perder votos.
  272. Uma pessoa pode defender o direito da criança se suicidar (eutanásia), mas ainda assim ser contra o direito de autodeterminação sexual do menor.
  273. A reação negativa do público à proposta de redução veio do susto que a mídia deu em todo o mundo, exagerando o alcance real da proposta, fazendo todos pensarem que as crianças receberiam direito sexual ilimitado.
  274. Uma proposta feita por cientistas não é páreo para uma reação emocional do público, de forma que são as emoções que operam mudanças sociais, não a ciência.
  275. Processar nem sempre é a melhor solução.
  276. Processar deve ser último recurso.
  277. O que a lei faz é ameaçar o menor.
  278. Nos vinte e cinco casos estudados pelo escritor, não há nada que possa justificar punição legal, exceto violação de padrões morais públicos.
  279. Deve haver um meio de proteger contra abuso sem interferir com experiências positivas.
  280. Se estiverem falando pelas suas costas, finja que não sabe.
  281. Se você for o único jogador bom em um time, vão pensar que você é ruim também.
  282. Pensar sobre a escola e pensar na escola são coisas diferentes.
  283. Um dos meninos não se sente mal com os contatos sexuais que tem, mas teme muito uma guerra nuclear.
  284. Pelo menos um dos menores estava em relação com mais de um adulto.
  285. Pelo menos um dos menores se acha um pouco “anormal” por continuar com o relacionamento, em vez de encerrá-lo.
  286. Há menores que desejam pessoas mais velhas.
  287. Ter uma namorada pode implicar perda de liberdade.
  288. Se você diz que quer viver a vida de solteiro pra sempre, alguém pode pensar que você é doente.
  289. Se você, adolescente, é visto com um adulto de mesmo sexo que você, é mais provável você ser chamado de “balde” do que de “vítima”, porque, pra muitas pessoas, homossexualidade ainda é motivo de riso.
  290. Há menores que se envolvem com adultos porque é “divertido” fazer o que você sabe que ninguém aprovaria.
  291. Alguns pais deixam na medida em que o menor não está sofrendo, desde que conheçam o adulto e constatem que ele é de confiança.
  292. Outros adultos podem saber e não interferir.
  293. Uma criança que voluntariamente se relaciona com um adulto pode não ser a única; outros menores podem estar se relacionando com outros adultos na mesma área.
  294. Se você anda com homossexuais, outros podem pensar que você é homossexual, o que pode ser um problema dependendo do quão tolerante é o local em que você está.
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