Pedra, Papel e Tesoura.

26 de março de 2015

Eu me mordo por causa disso.

Foi intenção do copiloto destruir o avião, diz procurador francês – Internacional – BOL Notícias.

Por quê? Eu detesto ficar sem saber o porquê das coisas, talvez seja por isto que estou cursando filosofia, e esse cara provocou a queda fatal de altitude que matou cento e cinquenta pessoas esses dias. Para quem não sabe, porque mesmo eu não sabia até antes de ontem, um avião bateu nos alpes perto da França, após ter, em alguns minutos, perdido 10.000 metros de altitude. Mas agora vem a parte que me toca.

O copiloto ficou na cabine sozinho e impediu o piloto de entrar, enquanto ele baixava a altitude do avião de propósito. Aí aconteceu o que aconteceu. O avião bateu nas montanhas e ninguém sobreviveu. Será que não bastava se suicidar? Tinha que matar também todos os tripulantes e passageiros? O que o motivou a fazer o que fez?

Eu tenho alguns amigos muito instáveis, como meu coleguinha Ogima, e noto como algumas pessoas fazem coisas absurdas por motivos que, para a maioria das pessoas, é pequeno. Mas, como eu disse, eles são instáveis. Ogima, por exemplo, tem transtorno de personalidade obsessiva-compulsiva. Talvez o copiloto estivesse sofrendo com algo diariamente e não podia aguentar mais. Talvez ele não tivesse coragem de tirar sua própria vida por meios convencionais, por causa da dor ou da espera, ao passo que morrer por queda de avião, especialmente à 700km/h, é instantâneo. Talvez, só talvez, ele tivesse se sentido tentado demais para deixar passar a oportunidade. Uma pena que ele não pode tirar somente a própria vida e teve de levar com ele cento e cinquenta pessoas que muito provavelmente nada tinham a ver com seus problemas. Me pergunto que tipo de coisa se passava na cabeça dele para não levar as outras vidas no avião em devida consideração no seu julgamento, a ponto de achar que o benefício de se matar sobrepujava o malefício de matar todos os outros com ele. Que tipo de problema ele tinha?

Meu irmão disse que era chifre. Eu tenho minhas dúvidas, apesar de muitas coisas horríveis serem motivadas por decepção amorosa.

12 de março de 2015

Capitalismo hipertenso.

Filed under: Notícias e política, Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yure @ 18:37

Nossa! Muito interessante (não estou sendo sarcástico). XD

Fico maravilhado que não perca a fé estudando uma área do conhecimento maravilhosa como essa. Conheço altos “cristões” que faram cursar filosofia na universidade e voltaram com aquela camiseta estupida do Tchê Guevara.

via User control panel — Fur Affinity [dot] net.

Conheci um cristão no Fur Affinity, pequeno Luckypuppy. Estávamos falando de nossas crenças, já que cristãos amam discutir isso, e ele é protestante. Ele conheceu o Fur Affinity pelo meu diário, depois de ter visto minhas entradas sobre infantilismo. Ele achou interessante e resolveu usar o Fur Affinity, vejam só, como um meio de aprender mais sobre os infantilistas. Eu não posso mais me considerar tão cristão como eu costumava ser, depois daquela aula de ética que mudou minha vida e me fez questionar tudo o que eu acreditava até então. Prova de que a filosofia continua interessante mesmo quando o professor é chato que dói.

Aí, quando eu falei que cursava filosofia, ele me disse as palavras acima e eu dei uma resposta pra ele, comentando o comportamento do pessoal da minha universidade. Esse é um problema apontado também pelo meu tio poeta. Na universidade, muita gente é comunista hipócrita.

Uma das coisas que aprendi sobre o comunismo na universidade é que o comunismo só é possível numa sociedade onde há abundância de bens e recursos. Ou seja, o mundo inteiro precisa virar comunista mais ou menos ao mesmo tempo, porque nenhum país é capaz de se sustentar por contra própria. Supondo que haja um grupo de países que são comunistas, mas que precisam importar alguns recursos de países capitalistas. Como eles poderíam fazer isso se não com dinheiro? Ora, mas não existe dinheiro numa sociedade comunista. Então, a importação de recursos acaba sendo hipócrita, porque os comunistas acabariam tendo que ter uma reserva de dinheiro, uma economia, portanto algum tipo de trabalho, sendo que não existe salário justo, o que implica exploração…

Mas como é que todos os países se tornariam comunistas ao mesmo tempo? O jeito é uma grande, gigantesca revolução. Só que ninguém quer essa revolução. Os operários oprimidos de hoje em dia não querem o fim da exploração. Eles querem a oportunidade de se tornar opressores. E, mais que isso, todos eles absorveram as ideologias e valores que justificam o capitalismo e não veem como as coisas poderiam ser diferentes… Eles querem o luxo, eles querem excesso, ostentação. E se só um país se tornasse comunista e não todos, sendo que um país comunista precisaria ser autossuficiente? Simples: a riqueza, antes nas mãos de poucos, passaria a estar nas mãos de ninguém. Essa condição foi descrita pelo meu professor de filosofia da arte como o ato de “deixar todo o mundo pobre”. Sendo um risco presente, os operários não querem arriscar.

E aí vem os alunos da minha universidade. Eles se dizem comunistas, pregam o comunismo e são, às vezes até às últimas consequências, capitalistas. Meu professor de filosofia social e política, tão atacado e perseguido na ditadura militar (foi inclusive torturado), vem dar aula numa Hylux. Preciso dizer que ele se diz adepto de Lênin? Fora que ele mora em bairro nobre e deve ter um bocado de luxo em um flat. O último aluno que jogou isso na cara dele quase o matou de ataque cardíaco. Quando os professores são assim, imagine os alunos! É difícil ver um que não tenha um celular do momento e não use Windows no PC.

O que estou dizendo é que, se eles são comunistas dentro de um sistema capitalista, não deveriam concordar com o sistema oposto além da medida do necessário, isto é, não deveriam perseguir o luxo. Deveríam procurar alternativas de baixo custo ou mesmo gratuitas para sua subsistência. Minha família é capitalista e é mais comunista que eles, porque nós damos pouco valor ao dinheiro e ao luxo (exceto pelo meu irmão, que consome muito mais do que lhe é devido). Eu não tenho celular, não uso Windows, não tenho carro, não compro livros (porque existem muitas traduções gratuitas de livros clássicos online), só adquiro roupas novas quando as atuais não cabem, não frequento academia (pratico exercício em casa), sempre como a mesma comida, lavo o cabelo com sabonete, não tenho plano de saúde ou dentário e nunca fiz nenhuma decisão visando “sucesso” ou lucro. Só quero ser professor, trabalhar com o que gosto, para sobreviver e continuar estudando. Quero estudar a vida inteira.

Isso significa que nós aqui movimentamos pouco dinheiro. Nossa família é um fracasso total em matéria de consumo. Mas, como precisamos consumir para sobreviver dentro do sistema capitalista, seria interessante que nós não consumíssemos mais que o necessário e que repudiássemos o luxo, porque isso movimenta dinheiro e a movimentação de dinheiro é como que a batida cardíaca do capital. Se eu discordo desse sistema, eu deveria, pelo menos, movimentar o mínimo de dinheiro possível…

Isso não é uma questão política, mas moral. Só estou apontando a hipocrisia dos meus colegas. É como quando eles dizem que a sustentabilidade é um conceito impossível, mas não reconhecem que a natureza ainda assim precisa de socorro e, por isso, acabam produzindo mais lixo e de forma mais desorganizada que o capitalista ao lado deles. Ou eles são tão canalhas quanto ou são piores. Isso também não é uma defesa ao capitalismo, porque este ainda é um sistema decadente que inflinge dano tanto a favorecidos quanto a desfavorecidos.

Para não ser como o doutor em filosofia que veio aqui em casa e me deu uma aula de como o capitalismo oprime a educação sem se preocupar em achar uma solução, eu creio que a solução para este problema é uma revolução interna. Tem um gordinho gostoso na universidade (o qual eu finalmente consegui abraçar ontem) que partilha dos meus gostos filosóficos. Ele também não gosta muito de discutir política, preferindo questões existenciais, uma filosofia mais pessoal. E acho que ele concordaria comigo se eu dissesse que a revolução começa dentro. A não ser que as pessoas passem a consumir menos, o que requeriria um aperfeiçoamento moral, a tendência é de que o capitalismo torne-se cada vez mais forte e a fome de lucro de um alimente a fome de lucro do outro. As pessoas veem os outros se dando bem e querem ser como eles, não importa como. E isso gera todo o tipo de problema para as pessoas (insatisfação profissional, por exemplo, porque você decide escolher um trabalho que pague bem e que nada tem a ver com seus interesses) e para a sociedade (um capitalismo cada vez mais agressivo e hipertenso, alavancado pela circulação inconsequente de capital cuja fonte se encontra em nossos interesses fúteis).

Sei que este foi um texto pueril e ingênuo, mas poxa vida! Criei um conceito: capitalismo hipertenso. Uma salva de tiros para Deleuze.

9 de março de 2015

Apego.

Filed under: Passatempos — Tags:, , , — Yure @ 21:46

User control panel — Fur Affinity [dot] net.

Hoje mesmo um colega meu me mandou uma mensagem no Fur Affinity me mostrando uma imagem na qual o símbolo do Fur Affinity aparecia ao lado das frases “odeiam quando os outros usam seus personagens” e “enchem o site com imagens de My Little Pony e Pokémon“.

O propósito da imagem é ressaltar uma coisa que eu e outras pessoas (porque é impossível que eu e Pouar sejamos os únicos a notar) perceberam: os artistas no furry fandom não gostam quando os outros produzem arte com personagens que eles criaram, mas eles mesmos produzem arte relacionada a programas de televisão e video-games que não são criações originais.

Em outras palavras, se eu tenho minha fursona e, ao mesmo tempo, também faço arte usando personagens do Donkey Kong Country, não seria hipócrita da minha parte que eu exigisse que os outros me pedissem permissão para desenhar minha fursona, sendo que eu mesmo não pedi permissão da Nintendo pra desenhar, digamos, Diddy Kong?

Isso acontece porque o furry fandom tem essa tendência ao drama e eu já expliquei o porquê. Artistas não são apenas apegados às suas criações, mas também às criações que os inspiram. Então, fazer arte de seus próprios personagens é algo que deve ser praticado, mas, no fandom, fazer arte dos personagens dos outros é algo que deve ser feito apenas quando você pode se safar, principalmente se o artista original é paranoico. Não é estranho isso?

E, geralmente, você se pode se safar na medida em que o artista original não frequenta o mesmo site que você.

4 de março de 2015

É, foi um dia terrível…

Filed under: Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yure @ 22:21

Vergonha – Wikipédia, a enciclopédia livre.

Acordei doente. A fumaça da capital, combinada com o tempo frio e seco, acabaram com minha garganta. Tive febre e meu nariz escorre até agora. Ao menos fiz meu cadastro biométrico eleitoral.

Mas, como se não bastasse estar doente, eu tinha uma apresentação para fazer hoje. Então, apesar de estar febril e com dor de cabeça, fui. A apresentação do grupo anterior foi irritante: eles tentaram fazer uma peça, na qual eles sentavam ao redor de umas mesas e fingiam estar num bar falando sobre coisas filosóficas enquanto tomavam vinho. Mas, como eu detesto gente alegre, logo me senti incomodado com o grau de descontração deles, porque eles eram muito barulhentos e a sala era fechada, favorecendo o eco. Pessoalmente, eu não entendi o tema tratado por eles (o conceito de experiência como descrito pelo senhor Bondía). O pior é que eu fui o único a não gostar. Claro que uma “aula” daquela forma casa bem com a atitude dos outros alunos, que são baderneiros e “contemporâneos”.

Então, eu tive de apresentar o mesmo tema. Certo… Comecei minha apresentação criticando a equipe anterior e propondo esclarecer o que eles não conseguiram, dizendo que eu não tinha entendido nada. Uma das moças que apresentou na equipe anterior disse:

Parabéns.

Como se eu tivesse conseguido algo muito difícil. E, de fato, eu fui o único a dizer que não entendi a apresentação deles. Aquilo foi um insulto, mas resolvi esquecer.

A princípio, faríamos também uma peça, mas, como dois membros da equipe não chegaram a tempo e um faltou, a peça não daria certo. Então, tivemos de fazer as coisas à moda dos romanos. Enquanto eu fazia minha exposição sobre o texto, eu me certificava de estar deixando tudo bem claro, ao mesmo tempo que eu deixava tempo para os outros dois integrantes que chegaram na hora falarem. Ou seja, foi uma aula tradicional. Óbvio que ninguém gostou, apesar de que, julgando pelas cabeças que moviam positivamente conforme eu falava, todos estavam entendendo.

No meio da minha exposição, os dois atrasados chegaram. Logo os encaixei na rotina e eles começaram a falar. Daí, o altão cento e sessenta e seis assumiu. Embora ele estivesse na mesma equipe que eu, ele desceu o cacete na minha apresentação, fazendo a dele no processo. Eu só achei que o método tradicional deixaria as coisas claras… mas ele rapidamente juntou argumentos que mostram como ele é pobre, blá, blá, e emendou com um discurso comunista que muito agrada todos os hipócritas que tenho como colegas, pois eles se dizem comunistas e ainda assim aderem cem por cento ao capitalismo.

Aos poucos, conforme os outros falavam, eu vi que minha apresentação estava servindo de bode expiatório. Como eu estava doente e já tinha mesmo planos de sair cedo, resolvi sair dali, justificando que eu não me sentia bem. À porta, o professor disse:

Coitado.

Odeio este mundo.

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