Pedra, Papel e Tesoura.

4 de março de 2015

É, foi um dia terrível…

Filed under: Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yure @ 22:21

Vergonha – Wikipédia, a enciclopédia livre.

Acordei doente. A fumaça da capital, combinada com o tempo frio e seco, acabaram com minha garganta. Tive febre e meu nariz escorre até agora. Ao menos fiz meu cadastro biométrico eleitoral.

Mas, como se não bastasse estar doente, eu tinha uma apresentação para fazer hoje. Então, apesar de estar febril e com dor de cabeça, fui. A apresentação do grupo anterior foi irritante: eles tentaram fazer uma peça, na qual eles sentavam ao redor de umas mesas e fingiam estar num bar falando sobre coisas filosóficas enquanto tomavam vinho. Mas, como eu detesto gente alegre, logo me senti incomodado com o grau de descontração deles, porque eles eram muito barulhentos e a sala era fechada, favorecendo o eco. Pessoalmente, eu não entendi o tema tratado por eles (o conceito de experiência como descrito pelo senhor Bondía). O pior é que eu fui o único a não gostar. Claro que uma “aula” daquela forma casa bem com a atitude dos outros alunos, que são baderneiros e “contemporâneos”.

Então, eu tive de apresentar o mesmo tema. Certo… Comecei minha apresentação criticando a equipe anterior e propondo esclarecer o que eles não conseguiram, dizendo que eu não tinha entendido nada. Uma das moças que apresentou na equipe anterior disse:

Parabéns.

Como se eu tivesse conseguido algo muito difícil. E, de fato, eu fui o único a dizer que não entendi a apresentação deles. Aquilo foi um insulto, mas resolvi esquecer.

A princípio, faríamos também uma peça, mas, como dois membros da equipe não chegaram a tempo e um faltou, a peça não daria certo. Então, tivemos de fazer as coisas à moda dos romanos. Enquanto eu fazia minha exposição sobre o texto, eu me certificava de estar deixando tudo bem claro, ao mesmo tempo que eu deixava tempo para os outros dois integrantes que chegaram na hora falarem. Ou seja, foi uma aula tradicional. Óbvio que ninguém gostou, apesar de que, julgando pelas cabeças que moviam positivamente conforme eu falava, todos estavam entendendo.

No meio da minha exposição, os dois atrasados chegaram. Logo os encaixei na rotina e eles começaram a falar. Daí, o altão cento e sessenta e seis assumiu. Embora ele estivesse na mesma equipe que eu, ele desceu o cacete na minha apresentação, fazendo a dele no processo. Eu só achei que o método tradicional deixaria as coisas claras… mas ele rapidamente juntou argumentos que mostram como ele é pobre, blá, blá, e emendou com um discurso comunista que muito agrada todos os hipócritas que tenho como colegas, pois eles se dizem comunistas e ainda assim aderem cem por cento ao capitalismo.

Aos poucos, conforme os outros falavam, eu vi que minha apresentação estava servindo de bode expiatório. Como eu estava doente e já tinha mesmo planos de sair cedo, resolvi sair dali, justificando que eu não me sentia bem. À porta, o professor disse:

Coitado.

Odeio este mundo.

27 de fevereiro de 2015

Fsck.

Filed under: Computadores e Internet — Tags:, , , — Yure @ 21:30

Report from Usenix – Google Groups.

De acordo com Dennis Ritchie (Deus o tenha, amém), o nome do programa fsck era diferente no começo. A segunda letra não era S. Nome apropriado.

21 de fevereiro de 2015

The Final Cut.

Filed under: Passatempos, Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yure @ 22:03

A song. — Yure16’s Journal — Fur Affinity [dot] net.

Resolvi ouvir The Final Cut, do Pink Floyd. É um álbum e tanto, triste como a maioria das coisas compostas por Roger Waters. Ainda assim, é muito bonito e poético, refletindo e deixando claros seus sentimentos em relação à guerra, antes de deixar a banda sob controle de David Gilmour.

Não é exatamente uma música que todos precisam ouvir, mas seria interessante que ouvissem e lessem a tradução. E pensar que tem gente que acha que a guerra é a saúde dos povos. É pra você que digo isso, Hegel.

A guerra, segundo a República, se origina do desejo de um povo de tomar o que pertence ao outro, seja em momentos de necessidade, seja em momentos em que a demanda pelo fútil fica exagerada. Só que isso não justifica as guerras civis, que têm raízes muitas vezes ideológicas. A guerra não necessariamente ocorre devido à cobiça, já que, no fim das contas, guerras são apenas grandes conflitos. Nas nossas relações sociais, ocorrem pequenos conflitos. E nós sabemos que esses conflitos ocorrem por uma pluralidade de razões. Então, acho que tenho de discordar de Platão quando ele diz, no segundo livro da República, que a guerra se origina do desejo de posse pelo que é do outro, quando aquilo que há em nossas terras já não basta para satisfazer nosso desejo de futilidade (porque parece que cidades que não têm o necessário não fazem guerra, já que a rendição seria até mais proveitosa).

Mas a guerra gera traumas nos soldados, gera destruição de pessoas, pertences e até de cultura. Afinal, a história universal é contada por vencedores e a história dos perdedores é sufocada… É muito simples assumir que guerras ocorrem por ganância. Elas podem ocorrer por outras razões, como no caso das guerras civis. Alguém escreveu que a guerra civil é o pior tipo de guerra, já que ela é uma guerra dentro de um Estado, na qual todos saem perdedores.

Receio que paz ainda seja um futuro distante.

15 de fevereiro de 2015

Insensibilidade.

Filed under: Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yure @ 14:08

Roubo – Wikipédia, a enciclopédia livre.

Ontem, acordei com uma comoção entre minha mãe e meu sobrinho. De repente, a porta do meu quarto quase foi posta abaixo pelo meu sobrinho exagerado. Eu dei-lhe a chave e lá foi ele com minha mãe para algum lugar. Minutos depois, meu sobrinho volta, quase chorando. E aí ele me disse o seguinte:

Meu tio foi baleado na cabeça, tá desmaiado no chão…

Obviamente não fui eu. Meu irmão foi baleado, de fato, e ontem foi uma loucura aqui, quer seja aqui, ao meu redor, ou aqui dentro, no meu espírito. Lá fora porque todos estavam desesperados, aqui dentro porque eu não entrei em desespero em momento nenhum… Eu até me senti meio culpado por não ter derramado uma lágrima e não ter mudado minha expressão o dia todo. Eu sacudi a cabeça devagar e respondi:

Vai morrer…

Aí que meu sobrinho chorou mesmo. Disse que eu não devia ter dito aquilo. Aí eu percebi que havia falado besteira, então o abracei. Disse que não havia qualquer certeza sobre o seu estado de saúde e que, talvez, ele sobrevivesse. Ele ficou visivelmente mais calmo e eu pude dar cabo da minha constipação. Durante o dia, eu pensava coisas como “meu irmão está gravemente ferido no hospital, eu não deveria estar sentindo alguma coisa?” Mas, quanto mais eu pensava sobre isso, mais eu me convencia de que eu não tinha do que me lamentar. Cinicamente, um pensamento se esgueirou na minha mente e até me fez rir: “se ele morrer, eu acabarei tendo que assumir as tarefas da casa.” E outro: “se ele morrer, minha mãe poderá ficar com o seguro desemprego dele, já que um meliante sacou o dinheiro dela.”

A razão pela qual eu não me importava com o estado do meu irmão vinha da Apologia de Sócrates. Eu estava quase certo de que ele não sobreviveria, então que morresse logo, para acabar seu sofrimento. Porque a morte ou é o nada, como um longo sono sem sonhos, ou é a mudança desta para outra vida. Ele ficaria bem, talvez até melhor que eu. Mas eu ainda me sentia um pouco culpado.

Fui jogar Shining Force 2, ri bastante da animação de ataque daquela monja, quase cheguei à North Parmecia. Depois fui ler A República, depois fui ler a Bíblia, depois fui ler A Educação Para Além do Capital para fazer um trabalho… Meu dia correu normalmente, apesar de meu irmão estar numa péssima situação. Minha única preocupação era a possível dor que ele teria sentido no momento do tiro. Não chorei, não fiquei triste, nem nada. Eu só não fiz piada porque eu tinha que cuidar do meu sobrinho, o qual estava abalado, e eu não queria desrespeitá-lo.

Aliás, meu sobrinho ficava gradualmente mais calmo ao ver que eu estava calmo. É importante para uma criança que alguém na família pareça forte numa situação como aquela. E, embora eu não me julgue forte, ele ficou mais seguro ao ver que eu não estava preocupado.

Os celulares, que eu detesto, não paravam de tocar e de interromper meus estudos. Pessoas daqui, da capital, de outros estados, ligavam o tempo todo querendo saber da condição de saúde do meu irmão. É incrível como esses parentes “próximos” só ligam quando alguém está pra morrer. Alguém escreveu que amizade tem mais a ver com partilhar momentos felizes e não tanto os tristes… Inobstante, recebi mais de vinte ligações em três celulares e às vezes um celular tocava enquanto eu atendia outro. Ai, que saco! Deve ser assim que um operador de vendas por telefone se sente! Além dessas ligações, recebi dez visitas de pessoas comuns e de testemunhas. Um cara até veio dedurar os nomes dos ladrões assassinos (meu irmão foi baleado depois que eles tentaram roubar o celular dele e meu irmão percebeu que estava sem celular na hora).

Muito bem. Depois recebi uma ligação da minha mãe. Aparentemente, Jeová intercedeu pelo meu irmão. Como vocês já sabem, eu não sou testemunha de Jeová, mas minha mãe, meu irmão e meu sobrinho são. Então, a bala não acertou a cabeça dele, mas o pescoço. Apesar disso, não lhe atingiu a coluna, nenhum vaso sanguíneo, nenhum osso e ficou coladinha com a aorta. Um pouco mais pro lado e aí, sim, ele teria morrido de hemorragia. Alguém pode argumentar que, se ele fosse atendido a tempo e fizesse um tratamento com transfusões, talvez ele tivesse chance. Mas é como eu disse, são testemunhas de Jeová. Não fazem transfusões.

Meu irmão, que estava faltando reuniões, faltando ao campo e deixando de lado a religião aos poucos, talvez agora conserte seu comportamento para algo mais condizente com aquilo que ele prega. Mas quem sou eu pra dizer essas coisas?

Agora que eu sabia que ele não ia morrer mesmo, superei minha culpa. Depois de mais um tempo, fiquei sabendo que ele seria submetido à cirurgia para desalojar a bala mas, depois de uma hora, minha mãe ligou de novo para dizer que o corpo dele expeliu a bala por contra própria e que ele havia recebido alta. Assisti alguns gordinhos lindos com vontade de fazer xixi e fui dormir.

Hoje, perguntei ao meu irmão se o tiro doeu. Ele me disse que não. Aí voltei a me sentir culpado porque aquilo me fazia sentir que meu comportamento sóbrio estava justificado. Falei que eu me sentia insensível e minha mãe disse que era importante que alguém na família se mantivesse sóbrio numa situação tensa para orientar os outros e facilitar o socorro. Que bom que não sou um completo anormal.

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