Analecto

19 de agosto de 2009

Estudo bíblico sobre a masturbação.

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Introdução.

Nesta entrada, trato de um assunto bastante delicado, que é a moralidade espiritual da masturbação. A masturbação é a prática de, manualmente, estimular os genitais de alguém, sejam os seus ou os de outra pessoa, normalmente com o intuito de chegar ao orgasmo. Sendo algo que normalmente envolve apenas você e seu corpo, é uma prática natural que todos experimentam em maior ou menor grau em algum ponto de suas vidas. Mas é a masturbação algo bom ou ruim?
Pensemos o aspecto físico. A masturbação, na verdade, faz bem ao corpo, seja masculino ou feminino. No caso dos homens, a ejaculação frequente traz o benefício de reduzir as chances de câncer de próstata sob determinadas circunstâncias. No caso das mulheres, não há benefícios tão extensos ao ponto de reduzir a chance de algum tumor, mas ainda há a vantagem de conhecer melhor o corpo. Isso não significa, contudo, uma desvantagem da mulher, mas uma vantagem, porque significa que elas não são tão suscetíveis a certos problemas que afetam o homem. Ao passo que, para o homem, a masturbação é também um remédio, as mulheres podem talvez sintam-se mais confortáveis ao saber que a masturbação, para elas, é uma diversão e não uma necessidade física (a não ser que seja relevado o alívio sexual).
Pensemos o aspecto mental. A medida que o tempo passa, ficamos mais suscetíveis à estímulos sexuais. Certas pessoas são especialmente sensíveis, pois a susceptibilidade a esses estímulos varia de pessoa para pessoa. Quando estimuladas, as pessoas experimentam um aumento na tensão sexual que pode ser liberada ou mantida. Quando mantida, a pessoa fica mais sensível a mais estímulos, o que aumenta ainda mais a tensão. O desconforto de estar insatisfeito vem com cada vez mais frequência e intensidade e, mesmo aqueles com uma cota decente de força de vontade, podem perceber um aumento do nível de estresse e uma certa dificuldade em desempenhar tarefas que exijam concentração por longos períodos de tempo, como trabalhos repetitivos. Por isso a vontade de se masturbar sempre volta, porque não é possível eliminar nossa sexualidade e, por isso, somos sempre suscetíveis ao aumento da tensão sexual. Quando liberada, a tensão sexual diminui ou mesmo some, relaxando a pessoa e eliminando uma irritante distração, o que aumenta seu desempenho em suas tarefas. É lógico, pois o mesmo acontece com a sede, a fome, o sono e a vontade de ir ao banheiro. São distrações de origem biológica que atrapalham sua concentração nas tarefas que você deve desempenhar. Claro que o desejo sexual não é o mesmo para todos, então há quem não experimente essas sensações.
Pensemos o aspecto social. A masturbação, obviamente, não é assunto para todas as horas, nem prática para todos os lugares. É socialmente aceitável na medida que você use de bom senso. Mas relevamos aquilo que realmente interessa, o aspecto espiritual. A masturbação é saudável e aceitável, mas é ou não pecado? Primeiro, pergunte-se: “acredito na Bíblia?”. Vejamos. A Bíblia contém tudo o que Deus quer que saibamos a respeito dele, a respeito da salvação e a respeito da moral cristã ou judaica. Portanto, ela tem autoridade superior a autoridade dos homens deste mundo. Toda a inferência cristã que designa um juízo de pecado deve, portanto, ser baseada na Bíblia e unicamente na Bíblia. Uma inferência cristã que designa um juízo de pecado que não tem como base a palavra de Deus, isto é, a Bíblia, é inválida. Uma inferência dessa natureza que usa os textos bíblicos de forma errada para basear-se também é inválida. Você já deve ter se deparado com textos que sustentam que a masturbação é pecado, mas você viu que textos bíblicos sustentam a tese do escritor? Será que esses textos podem ser usados daquela forma?
Assim, o método que usarei para provar que a masturbação não é pecado é refutando esses escritos, tirando-lhes sua base. Visitei vários textos que sustentam que a masturbação é pecado e coletei os textos bíblicos usados para sustentá-los, examinando-os individualmente e vendo se podem ou não ser usados como provas contra a masturbação. Se não puderem, o texto de onde foram extraídos (a página visitada) é inválido. Não visitei apenas duas páginas na Internet, ou cinco ou oito. Visitei cerca de dez e reuni um compêndio de textos usados incorretamente para sustentar a masturbação como algo pecaminoso. Na verdade, creio que o compêndio é grande a ponto de cobrir todos os textos que sustentam a masturbação como pecado, visto que a mesma interpretação falaciosa é usada por vários indivíduos. A Bíblia é o único livro que tem autoridade de nos dizer o que é ou não pecado e estou para mostrar que ela não acusa a masturbação como algo pecaminoso. Continue lendo.

O que a Bíblia diz?

Como dito, os textos bíblicos a seguir foram selecionados de textos que sustentam que masturbação é pecado. Estes relevam tanto a lei do Antigo Testamento quanto a lei do Novo. Judeus podem se beneficiar das minhas interpretações de Gênesis à Daniel. Cristãos farão melhor uso das interpretações a partir de Mateus.

Antigo Testamento.

Gênesis 1: 28.

Deus os abençoou: “Frutificai, disse ele, e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra.”

Este texto mostra que é tarefa da humanidade se reproduzir e gerar prole. Porém, masturbar-se ou mesmo usar métodos contraceptivos não lhe impede de ter filhos em algum momento. Apesar de aderir a um “controle de natalidade”, por meio, por exemplo, da camisinha, isso não lhe impede de ter sexo sem tais métodos quando sentir-se pronto para gerar um filho. Essencialmente, esse texto diz que devemos nos reproduzir, mas não diz que todas as relações sexuais devem obrigatoriamente gerar prole. Da mesma forma, a masturbação não substitui o sexo completamente nem elimina o desejo de uma pessoa de ter filhos.

Gênesis 2: 18-20.

O Senhor Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só; vou dar-lhe uma ajuda que lhe seja adequada.” Tendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todos os animais dos campos, e todas as aves dos céus, levou-os ao homem, para ver como ele os havia de chamar; e todo o nome que o homem pôs aos animais vivos, esse é o seu verdadeiro nome. O homem pôs nomes a todos os animais, a todas as aves dos céus e a todos os animais dos campos; mas não se achava para ele uma ajuda que lhe fosse adequada.

De fato, não é bom ficar sozinho pela sua vida toda. Levando este texto ao seu nível mais metafórico, pode-se interpretá-lo como “Deus quer que tenhamos companhia”, isto é, sendo esposa ou marido. Masturbação não elimina o desejo de namorar ou mesmo casar-se, porque não provê a pessoa de nada além de alívio sexual. Masturbação não traz o amor e o aconchego que só a companhia traz, portanto não representa um risco ao desejo de casar-se.

Gênesis 2: 24.

Por isso o homem deixa o seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher; e já não são mais que uma só carne. 

Aqui fala do casamento como parte importante da vida de uma pessoa, que a pessoa deve romper com os pais para dedicar-se à sua companhia, quando um deverá satisfazer o outro.

Gênesis 4: 7.

Se praticares o bem, sem dúvida alguma poderás reabilitar-te. Mas se precederes mal, o pecado estará à tua porta, espreitando-te; mas, tu deverás dominá-lo.

Este texto está inserido na história dos dois irmãos em que um assassinou o outro, sendo essas palavras que Deus disse ao assassino. Quando você faz coisas ruins, você acaba fazendo coisas piores com o passar do tempo, a não ser que você mude. Masturbação, como algo natural e inofensivo a você e aos outros, não leva você a praticar o indevido (a não ser que você esteja cobiçando o parceiro do próximo). Alguém pode argumentar que essa prática alimenta a luxúria, mas não é assim. A masturbação provê alívio sexual e uma pessoa sexualmente satisfeita não comete pecados sexuais tal como uma pessoa farta não incorre em gula. Além disso, a pessoa propriamente educada sabe que não deve ter sexo antes de estar casado, logo a educação tem um papel fundamental na conduta sexual. Mas uma pessoa com desejos sexuais fortes e persistentes pode precisar não somente de educação, mas também de um meio de amortecer seus desejos, do contrário poderá ver-se em uma forte tentação e subverter a educação que recebeu.

Gênesis 24: 63, 64. 

Uma tarde em que saíra para meditar no campo, levantando os olhos, viu alguns camelos que se aproximavam. Rebeca também, tendo levantado os olhos, viu Isaac, e desceu do camelo. 

Lembre que no início desta entrada eu disse que tirei estes textos de sites que sustentam que a masturbação é pecado e este texto não é exceção. Mas lendo o texto você vê que nada tem a ver com assunto. O que isso quer dizer? Que algumas pessoas dizem fundamentar suas argumentações em textos bíblicos e dão referências aleatórias, porque sabem que quase ninguém procura ler esses textos.

Gênesis 38: 1-11. 

Naquele tempo, Judá, apartando-se dos seus irmãos, foi para a casa de um homem de Odolão, chamado Hira. Judá viu ali a filha de um cananeu, de nome Sué, e desposou-a, unindo-se a ela. Ela concebeu e deu à luz um filho, ao qual chamou Her. Concebeu novamente e deu ao mundo um filho, e deu-lhe o nome de Onã. E teve ainda um filho, que chamou Sela. Judá estava em Achzib na ocasião desse nascimento. Judá escolheu para Her, seu primogênito, uma mulher chamada Tamar. Her, porém, o primogênito de Judá, era mau aos olhos do Senhor, e o Senhor o feriu de morte. Então Judá disse a Onã: “Vai, toma a mulher de teu irmão, cumpre teu dever de levirato e suscita uma posteridade a teu irmão.” Mas Onã, que sabia que essa posteridade não seria dele, maculava-se por terra cada vez que se unia à mulher do seu irmão, para não dar a ele posteridade. Seu comportamento desagradou ao Senhor, que o feriu de morte também. E Judá disse a Tamar, sua nora: “Conserva-te viúva em casa de teu pai até que meu filho Sela se torne adulto.” “Não é bom, pensava ele consigo, que também ele morra como seus irmãos.” E Tamar voltou a habitar na casa paterna. 

Este é talvez o mais infame argumento contra a masturbação. O indivíduo “maculava-se por terra” toda vez que “se unia” com a mulher do irmão dele. Observe, contudo, que o termo “unir” neste texto refere-se ao sexo, tanto é que certa pessoa, quando “uniu-se” à outra, gerou um filho. Ora, então o indivíduo teve, de fato, sexo com a mulher do irmão dele, então como ele poderia “macular-se por terra”? Coito interrompido, o mais velho método contraceptivo que existe, que consiste em interromper o ato sexual no momento do orgasmo, de modo que o esperma venha ao chão. Mas mesmo assim, não foi isso que matou o indivíduo, porque em nenhum momento do Gênesis ou da história bíblica métodos contraceptivos são citados como pecado, nem mesmo os mais simples que já existiam naquela época. Mas em vários momentos da história bíblica, nos é alertado que devemos obediência a Deus e o indivíduo desobedeceu uma ordem direta. Deus mandou o indivíduo engravidar a mulher do irmão dele, ele se recusou, Deus matou ele. Nada mais justo. Não foi a masturbação ou o coito interrompido que o levou à morte.

Êxodo 20: 17.

Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem nada do que lhe pertence. 

Aqui, claramente, diz que é errado cobiçar, isto é, querer para si o que quer que já tenha dono. Naquela época, mulheres eram tratadas como posses, por isso o tratamento soa meio que rude. Traduzindo para os dias atuais, não podemos desejar para nós parceiras ou parceiros de outras pessoas. Os que atacam a masturbação baseando-se nesse texto sustentam que a masturbação, normalmente alimentada por pensamentos explicitamente sexuais, pode ter como combustível o parceiro alheio. Mas nada de errado em você, um homem livre, cobiçar uma mulher livre, pois isso não traz dano a ninguém. Nada de errado em você, solteiro, querer namorar uma mulher solteira e ter pensamentos sexuais centrados nela.

Deuteronômio 5: 21.

Não cobiçarás a mulher de teu próximo. Não cobiçarás sua casa, nem seu campo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem nada do que lhe pertence.

Novamente, nada de errado em pessoas livres desejarem pessoas igualmente livres.

Deuteronômio 22: 13-19.

Se um homem, depois de ter desposado uma mulher e a ter conhecido, vier a odiá-la, e, imputando-lhe faltas desonrosas, se puser a difamá-la, dizendo: desposei esta mulher e, ao aproximar-me dela, descobri que ela não era virgem, então o pai e a mãe da donzela tomarão as provas de sua virgindade e as apresentarão aos anciãos da cidade, à porta. O pai dirá aos anciãos: dei minha filha por mulher a este homem, mas porque ele lhe tem aversão, eis que agora lhe imputa faltas desonrosas, pretendendo não ter encontrado nela as marcas da virgindade. Ora, eis aqui as provas da virgindade de minha filha. E estenderão diante dos anciãos da cidade a veste de sua filha. E os anciãos da cidade tomarão aquele homem e fá-lo-ão castigar, impondo-lhe, além disso, uma multa, de cem siclos de prata, que eles darão ao pai da jovem em reparação da calúnia levantada contra uma virgem de Israel. E ela continuará sua mulher sem que ele jamais possa repudiá-la.

Masturbação não tira a virgindade. “Virgem” é a qualidade de algo puro, que não se misturou a outras coisas. Sexualmente falando, virgem é a pessoa que nunca teve relações sexuais. Naquele tempo, talvez, o hímen era usado como prova de que a moça era virgem e o hímen pode, de fato, romper-se durante a masturbação feminina. Mas esse era o meio desses povos arcaicos descobrirem se a moça era virgem ou não, mas observe que a essência aqui é a virgindade, não o hímen. Claro que a perda do hímen durante uma seção de masturbação muito intensa pode ocorrer, mas isso não tira a virgindade de uma mulher, óbvio, porque ela não recebeu nada externo à ela. Naquele tempo talvez fosse desaconselhável que a mulher praticasse tal coisa, uma vez que isso poderia deixá-la sem “provas” de sua virgindade, mas a ausência de provas não é o que culpabiliza a mulher de ser impura, sim a perda de sua virgindade. Você pode perder o hímen e ainda continuar virgem, visto que o rompimento pode não ter acontecido durante um ato sexual. Mas isso é uma especulação sobre que tipo de “provas de virgindade” podia uma mulher naquele tempo dar aos anciãos. Essencialmente, as pessoas que usam esse texto contra a masturbação são pessoas que atestam que a masturbação tira a virgindade, o que não é verdade.

Deuteronômio 23: 9-11.

Quando saíres a combater contra os teus inimigos, guardar-te-ás de toda má ação. Se alguém dentre vós não estiver puro, em conseqüência de um acidente noturno, sairá do acampamento, e não voltará. Pela tarde, lavar-se-á em água e poderá reintegrar-se ao acampamento ao pôr-do-sol.

Aqui, no máximo, fala de polução noturna. De fato, na Lei Mosaica, o sêmen era algo “impuro”, isto é, sujo. De fato, não era um pecado mortal estar impuro por causa do sêmen, visto que essa “ofensa” podia ser facilmente expiada com um banho.

Provérbios 4: 25, 26.

Que teus olhos vejam de frente e que tua vista perceba o que há diante de ti! Examina o caminho onde colocas os pés e que sejam sempre retos!

Aqui fala para não se desviar do caminho “reto”. No início desta entrada, pressupus que masturbação não é pecado sob a maioria das circunstâncias e, até agora, creio que estou conseguindo provar meu ponto. Este texto é válido apenas para aqueles que já acreditam que a masturbação é pecado e não pode ser usado como prova contra a prática.

Provérbios 23: 26, 27.

Meu filho, dá-me teu coração. Que teus olhos observem meus caminhos, pois a meretriz é uma fossa profunda e a entranha, um poço estreito.

Este texto poderia ser usado contra a prostituição, algo ruim na visão de muitos cristãos. Porém, pessoal, muito cuidado ao considerar um texto fora do seu contexto, pois, se você ler os versículos seguintes, verá que a “meretriz” é metafórica. Não que isso tire a carga pecaminosa da prostituição, mas este texto não pode ser usado como prova contra a prostituição (nem contra a masturbação).

Daniel 3: 28-30.

Exercestes um julgamento eqüitativo em tudo aquilo que nos infligistes e em tudo aquilo que infligistes à cidade santa de nossos pais, Jerusalém; foi em conseqüência de um julgamento eqüitativo que vós nos infligistes tudo isso por causa de nossos pecados. Pecamos, erramos afastando-nos de vós; em tudo agimos mal. Não obedecemos a vossos preceitos, não os pusemos em prática, não observamos as leis que nos destes para nossa felicidade.

Novamente, este texto só é válido se você aceita a masturbação como pecado, não podendo ser usado como prova contra a prática.

Novo Testamento.

Mateus 5: 28.

Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher com intenção impura, já em seu coração cometeu adultério com ela. (Mateus 5:28 [Português: Almeida Recebida])

Eu, porem, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela. (Mateus 5:28 [Português: Bíblia])

Eu, porém, digo-vos que todo aquele que olhar para uma mulher, desejando-a, já cometeu adultério com ela no seu coração. (Mateus 5:28 [Português: Capuchinhos])

Mas eu vos digo que qualquer um que olhar para alguma mulher para a cobiçar, já adulterou com ela em seu coração. (Mateus 5:28 [Português: Bíblia Livre])

Em primeiro lugar, adultério significa traição ou potência para traição. Se você deixa sua mulher para ficar com outra, está adulterando. Da mesma forma, se você possui uma mulher que já tem dono, está adulterando, mesmo que você seja solteiro.
Mas suponhamos que Jesus, com isso, tenha banido qualquer cobiça do corpo alheio. Com efeito, cobiça pode ser entendida como desejar o que não se tem ou desejar o que já pertence a alguém. Se cobiça é entendida como desejar o que não se tem, não podemos, como homens, desejar mulher alguma. Isso tornaria todos os casamentos forçados. Ou ainda, na pior das hipóteses, não haveria casamento, porque o matrimônio é tomar para si uma esposa, mas você só pode tomar para si algo que você quer (neste caso, algo cobiçado, se assumimos que cobiçar é desejar o que não se tem) ou aquilo que você é forçado a tomar. Portanto, se Jesus, com isso, estivesse banindo o desejo de um homem de tomar para si uma mulher, estaria ameaçando a instituição do casamento, implicando que todos os casamentos são adúlteros, porque são fruto da cobiça do que não se tinha, o que não convém. Supondo que esse ato de cobiçar fosse entendido em sentido estritamente sexual, os inconvenientes seriam ainda mais sérios, porque, se cobiçar é desejar o que não se tem, cobiçar uma mulher poderia ser entendido como desejo de ter sexo com ela. Se toda a cobiça corpórea fosse banida por Jesus no sermão do monte, a própria procriação estaria sendo ameaçada, porque, se cobiça é desejar o que não se tem e cobiçar uma mulher já é adulterar com ela, você não pode tomar uma mulher para ter sexo com ela.
Por outro lado, se você entende cobiça como desejo por aquilo que é do outro, evitam-se todos os inconvenientes acima. Com efeito, adultério é tomar a mulher do outro ou uma mulher que não seja a sua, o que já era proibido na lei antiga. Se você entender cobiça como desejo pelo que é do outro, a procriação e o matrimônio, ambas coisas instituídas por Deus, são mantidas, tal como também a moral sexual do crente. Além disso, essa interpretação se harmoniza com a forma como termina o sermão: “Portanto, todas as coisas que querem que os homens façam a vocês, façam também a eles. De fato, isso é o que a Lei e os profetas querem dizer.” (Mateus 7: 12). E de fato, isso implica respeitar o matrimônio do outro e o próprio parceiro, para que sejamos nós mesmos respeitados.
Donde decorre que Jesus, ao falar essas palavras, obviamente estava falando da cobiça não de qualquer mulher, mas da mulher que já está comprometida, tal como a mulher que não é a sua própria (neste caso, se você já for casado). Nada de errado em um homem livre desejar uma mulher livre. Afinal, se fosse, não se poderia desejar e não haveria casamento.

Mateus 5: 30.

E se tua mão direita é para ti causa de queda, corta-a e lança-a longe de ti, porque te é preferível perder-se um só dos teus membros, a que o teu corpo inteiro seja atirado na geena.

Muitos, convenientemente, usam este texto como “prova explícita” contra a masturbação porque menciona a mão direita. Mas, novamente, este é um daqueles textos que só são válidos para quem já acredita que a masturbação é pecado, não podendo, portanto, ser usado como prova contra a prática.

Mateus 6: 22-23.

O olho é a luz do corpo. Se teu olho é são, todo o teu corpo será iluminado. Se teu olho estiver em mau estado, todo o teu corpo estará nas trevas. Se a luz que está em ti são trevas, quão espessas deverão ser as trevas! 

Este texto pode, no máximo, ser usado contra a pornografia e tem elevado grau de crédito para ser usado contra a mesma. Porém, nem todos os que se masturbam o fazem com auxílio de material pornográfico.

Mateus 20: 27-28.

E o que quiser tornar-se entre vós o primeiro, se faça vosso escravo. Assim como o Filho do Homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por uma multidão.

Fala do perdão de Deus garantido a nós por meio do seu mensageiro. Não prova nada contra a masturbação.

Lucas 19: 10.

Pois o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido.

Este é um daqueles textos que ilustram o perdão por meio do mensageiro de Deus, portanto só é válido para os que sentem-se pecadores. Não pode ser usado como prova contra a prática.

Romanos 1: 24.

Por isso, Deus os entregou aos desejos dos seus corações, à imundície, de modo que desonraram entre si os próprios corpos. 

Novamente, este texto só é válido para quem já crê que a masturbação é pecado. Mesmo assim, se você considerar o texto dentro de seu contexto, isto é, se você ler o capítulo todo, você perceberá que ele fala principalmente de idolatria.

Romanos 6: 6.

Sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que seja reduzido à impotência o corpo (outrora) subjugado ao pecado, e já não sejamos escravos do pecado. 

Novamente, este texto só é válido para quem já crê que a masturbação é pecado.

Romanos 6: 11-20.

Portanto, vós também considerai-vos mortos ao pecado, porém vivos para Deus, em Cristo Jesus. Não reine, pois, o pecado em vosso corpo mortal, de modo que obedeçais aos seus apetites. Nem ofereçais os vossos membros ao pecado, como instrumentos do mal. Oferecei-vos a Deus, como vivos, salvos da morte, para que os vossos membros sejam instrumentos do bem ao seu serviço. O pecado já não vos dominará, porque agora não estais mais sob a lei, e sim sob a graça. Então? Havemos de pecar, pelo fato de não estarmos sob a lei, mas sob a graça? De modo algum Não sabeis que, quando vos ofereceis a alguém para lhe obedecer, sois escravos daquele a quem obedeceis, quer seja do pecado para a morte, quer da obediência para a justiça? Graças a Deus, porém, que, depois de terdes sido escravos do pecado, obedecestes de coração à regra da doutrina na qual tendes sido instruídos. E, libertados do pecado, vos tornastes servos da justiça. Vou-me servir de linguagem corrente entre os homens, por causa da fraqueza da vossa carne. Pois, como pusestes os vossos membros a serviço da impureza e do mal para cometer a iniqüidade, assim ponde agora os vossos membros a serviço da justiça para chegar à santidade. Quando éreis escravos do pecado, éreis livres a respeito da justiça. 

O corpo tem vários apetites que precisam ser satisfeitos e todos sabem que o completo ascetismo não é possível. A fome, a sede, o sono, são todos apetites do corpo, tal como a sexualidade. Obviamente, “não obedecer aos apetites do corpo” é uma metáfora para não praticar certas coisas exageradamente. Portanto este texto não pode nem sequer ser usado para justificar a castidade. Além disso, conforme o que vimos anteriormente, até mesmo o sêmen é impuro na Lei Mosaica, logo a impureza tratada neste texto não é de caráter externo, como o sexo ou a masturbação que são práticas consideradas impuras na Lei Mosaica porque o sêmen é considerado sujo, mas interno, as intenções, o roubo, o assassínio, o adultério. Novamente, este texto só é válido para quem já crê que a masturbação é pecado.

Romanos 6: 14.

O pecado já não vos dominará, porque agora não estais mais sob a lei, e sim sob a graça. 

Novamente, este texto só é válido para quem já crê que a masturbação é pecado, não podendo ser usado como prova contra a prática.

Romanos 6: 23.

Porque o salário do pecado é a morte, enquanto o dom de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Visto que o propósito divino é a vida eterna para seus filhos, a masturbação deveria ter sido mencionada como pecado em algum momento da Bíblia, uma vez que o salário do pecado é a morte, isto é, a perda da vida eterna. Se pecados são coisas tão sérias a ponto de nos fazer perder o Paraíso, Deus deixaria claro que a masturbação é pecado se ela realmente o fosse, como faz com o adultério ou a fornicação. Mas a masturbação não é mencionada em nenhum momento da Bíblia como pecado, logo não é uma prática que mereça atenção do Senhor. Se você parar para pensar, o que poderia haver de mal? Claro que a Bíblia cita o adultério como um pecado que você comete mesmo se você só pensar em fazê-lo, visto que devemos amar o próximo como a nós mesmos e o adultério é extremamente ofensivo, portanto a simples intenção de fazer algo ofensivo, isto é, que fere o princípio do amor ao próximo, lhe culpabiliza. Mas a masturbação não precisa ser movida à pensamentos adúlteros e não há quaisquer restrições sobre uma pessoa livre que deseja outra pessoa livre, visto que isso não ofende o princípio básico da lei que a de não fazer ao outro o que você não quer para si (embora seja claro que você não deva fornicar, logo o ato sexual de fato só poderá ocorrer após o casamento).

Romanos 8: 5-9.

Os que vivem segundo a carne gostam do que é carnal; os que vivem segundo o espírito apreciam as coisas que são do espírito. Ora, a aspiração da carne é a morte, enquanto a aspiração do espírito é a vida e a paz. Porque o desejo da carne é hostil a Deus, pois a carne não se submete à lei de Deus, e nem o pode. Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não viveis segundo a carne, mas segundo o Espírito, se realmente o espírito de Deus habita em vós. Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é dele. 

Mais um texto ascético de um dos apóstolos. Ora, nem a fome, nem a sede, nem o sono vêm do espírito, portanto devem vir da carne. Este texto não pode ser tomado como uma defesa do ascetismo absoluto porque isso significaria deixar de satisfazer os desejos da carne absolutamente, portanto deixando de comer, beber e dormir, coisa que nem o apóstolo fazia. Este texto pode, no máximo, ser usado como defesa da moderação, visto que o excesso, assim como a carência, pode adoecer a carne e, portanto, levá-la a morte. Ao ler as epístolas deste apóstolo em especial, evite lê-las em sentido literal.

Romanos 8: 13.

De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis.

Obviamente metafórico. Vivendo segundo a carne, isto é, comendo, bebendo, dormindo e tendo sexo, vivemos e criamos vida, ao passo que renegando essas coisas morremos. Porém, a satisfação aceitável de nossos desejos nos faz viver mais do que viveríamos se nos excedemos nelas, além de nos permitir ter a vida eterna. Além do mais, por razões já explícitas, o ascetismo absoluto não é possível.

Romanos 14: 22-23.

Tens uma convicção; guarda-a para ti mesmo, diante de Deus. Feliz é aquele que não se condena a si mesmo no ato a que se decide. Mas, aquele que come apesar de suas dúvidas, condena-se, por não se guiar pela convicção. Tudo o que não procede da convicção é pecado. 

Aqui é rápido e fácil: quando você faz alguma coisa tendo dúvidas sobre sua moralidade, você comete pecado mesmo que a coisa que você está fazendo não seja pecado em si. O que torna uma coisa não-pecaminosa um pecado é a hipocrisia de quem pratica tal ato. Em outras palavras, no momento em que você pratica algo sem estar 100% convencido de que não tem problema, você está pecando mesmo que a coisa sobre a qual você tem dúvidas não seja de fato pecado. Se, ao fim desta entrada, você ainda estiver em dúvida se masturbação é pecado ou não (e não é), você não pode se masturbar, pois estaria pecando quer eu estivesse certo ou não.

1ª Coríntios 2: 16.

Por que quem conheceu o pensamento do Senhor, se abalançará a instruí-lo (Is 40,13)? Nós, porém, temos o pensamento de Cristo.

Aqui fala para não “jogar pérolas aos porcos”. Ou seja, para não tentar instruir aqueles que tem uma renúncia “natural” perante os ensinos divinos.

1ª Coríntios 6: 9-10.

Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus? Não vos enganeis: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus.

Você se enquadra em qual categoria? A masturbação não lhe enquadra em nenhuma, exceto talvez no adultério se você estiver cobiçando a mulher alheia em suas seções. Como bem se sabe, a impureza, para os cristãos, não refere-se a impureza da pele, mas a impureza do coração, isto é, às más intenções, visto que o que vem de fora não avilta o homem. Quanto a devassidão, é o mesmo que libertinagem, isso é, a liberdade irresponsável. Deve haver regras, deve haver respeito. É difícil ser devasso na masturbação, embora o seja fácil no sexo, pelo desrespeito em relação ao parceiro. Porém, ainda assim, se devassidão é libertinagem e libertinagem é ausência de regra, é importante que a masturbação seja devidamente coibida dentro das normas morais e dos bons costumes, o que qualquer um com bom senso acaba fazendo sem querer.

1ª Coríntios 6: 12.

Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma.

Naturalmente, temos necessidades demais. Já temos que beber água, comer, dormir e ir ao banheiro para nos manter vivos e saudáveis. Quando você se deixa dominar por alguma outra coisa, isso é, faz de alguma outra coisa uma necessidade que você não tinha antes, você está tornando sua vida mais difícil, pois terá uma preocupação a mais. Você pode se masturbar para sentir-se bem, mas não deveria deixar que masturbação corra sua vida (ou seja, sobrepuje seu bom senso ou deixar que ela se torne uma necessidade crítica e irrecusável, como a sede e a fome).

1ª Coríntios 6: 18-20.

Fugi da fornicação. Qualquer outro pecado que o homem comete é fora do corpo, mas o impuro peca contra o seu próprio corpo. Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis? Porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo.

A fornicação é o sexo ilícito, na época, fora do casamento. Quando se faz sexo antes do casamento, pratica-se fornicação. Quando se está casado e tem-se sexo com o parceiro alheio, tem-se fornicação e adultério (adultério também se você, livre, tem sexo com alguém que já tem parceiro). Esta passagem fala de sexo antes do casamento e da prática de outros atos sexuais ilícitos, isto é, fora da lei. Mas este texto em si não prova a masturbação como algo errado, visto que masturbação simplesmente não é sexo, embora os pensamentos, se adúlteros, lhe tornem adúltero. Sexo, isto é, as práticas sexuais descritas na Bíblia, sempre envolvem mais de uma pessoa e nenhuma pessoa na Bíblia jamais foi punida por ter “sexo consigo mesmo”, simplesmente porque tal coisa não existe. Ao folhear um dicionário qualquer, você verá que o significado de “sexo”, ou seja, da prática sexual comum esperada e encorajada entre seres humanos normais, envolve um casal. Significados mais específicos, como “orgia” ou “bestialidade”, também envolvem mais de um indivíduo. Mas o significado de “masturbação” simplesmente é “estimulação autoerótica, com ou sem orgasmo”. Sonhos eróticos que culminam com o orgasmo no sonho e a ejaculação na vida real nunca são considerados sexo. Ver pornô, embora errado para muitos inclusive para a enorme maioria dos cristãos, é certamente erótico, mas você ao ver pornô não necessariamente está fazendo sexo. Da mesma forma as carícias entre parceiros. Eróticas, sim. Sexo, não.

1ª Coríntios 7: 3-5.

O marido cumpra o seu dever para com a sua esposa e da mesma forma também a esposa o cumpra para com o marido. A mulher não pode dispor de seu corpo: ele pertence ao seu marido. E da mesma forma o marido não pode dispor do seu corpo: ele pertence à sua esposa. Não vos recuseis um ao outro, a não ser de comum acordo, por algum tempo, para vos aplicardes à oração; e depois retornai novamente um para o outro, para que não vos tente Satanás por vossa incontinência.

Cuidado com este. Na Bíblia que estou usando, este texto pode ser usado contra a masturbação dentro do casamento. Mas existem Bíblias traduzidas de diferentes formas, então vejamos o que diz… o Bible Gateway.

Uma mulher que casa deixa de ter sozinha direito sobre o seu próprio corpo, porque o seu marido passa também a ter direitos sobre ele; o mesmo acontece com o marido que deixa de ter direito absoluto sobre o seu corpo, o qual passa também a pertencer à sua mulher.
Que tal a Bíblia Sagrada Falada?
A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido; e também da mesma maneira o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher.
Agora reprise o texto que expus no começo e veja que os três significados convergem no mesmo: a sexualidade é cedida mutuamente. Claro que a masturbação é fruir-se de seu corpo, mas talvez o seu parceiro não se importe e permita, assim você não estaria violando o direito do outro. De fato, seu corpo pertence ao seu parceiro, mas pertences podem ser concedidos a outros mediante permissão. Além disso, nem sempre seu parceiro está disponível, embora a Bíblia diga que o parceiro deve estar sempre disponível aos desejos sexuais do outro, mas isso não justifica, como bem disse um texto chamado “Os Deveres da Esposa”, o sexo forçado. Às vezes, o parceiro trabalha demais, às vezes o parceiro está doente, às vezes o parceiro viaja, às vezes é necessário separar-se para dedicar-se um pouco mais a Deus, às vezes é extremamente necessário abster-se de relações sexuais. Nesses casos, é justo que o parceiro conceda privilégios ao outro sobre seu corpo, masturbação sendo um deles, pois hoje em dia, quando parceiros ficam mais e mais distantes mesmo dentro do casamento, represar os desejos sexuais pode causar tentações fortes que arruinariam a espiritualidade e a própria relação. Mas o ideal é que o outro se prontifique sempre que você queira.

1ª Coríntios 7: 8.

Aos solteiros e às viúvas, digo que lhes é bom se permanecerem assim, como eu.

Isto é, solteiro. O casamento traz uma gama de responsabilidades que talvez você não queira assumir. Mas, ao ler o versículo seguinte, vê-se que, caso você não esteja conseguindo moderar seus desejos sexuais, é melhor que você se case para ter sexo lícito. Acontece que a masturbação muitas vezes não satisfaz aqueles que já não são virgens, por exemplo. A masturbação e o sexo trazem alívio sexual, sem dúvida, mas muitos concordam que sexo é simplesmente melhor por diversas razões, tanto que a maioria das pessoas que se masturbam pensam em relações sexuais. Nos jovens virgens, ainda é fácil contentar-se com a fantasia, mas para aqueles que já não mais são a masturbação pode ser insatisfatória e desinteressante, uma mera medida de emergência.

1ª Coríntios 7: 9.

Mas, se não podem guardar a continência, casem-se. É melhor casar do que abrasar-se.

Como dito, a masturbação nem sempre é satisfatória, como quando a pessoa bebe água quando queria ter suco. Nessas condições, a pessoa ainda é suscetível à tentações e, mesmo que a masturbação ajude no autocontrole, a oportunidade pode fazer com que a pessoa se sinta frustrada ao se masturbar quando poderia ter algo melhor. Este texto fala daqueles que não conseguem moderar seus desejos e não prova a masturbação como algo errado.

1ª Coríntios 7: 32, 33.

Quisera ver-vos livres de toda preocupação. O solteiro cuida das coisas que são do Senhor, de como agradar ao Senhor. O casado preocupa-se com as coisas do mundo, procurando agradar à sua esposa.

É irônico que existam pessoas que usem este texto contra a masturbação. Essencialmente, você diz “sei que você tem fortes desejos sexuais recorrentes, mas não tenha pressa em se casar e aguente mais uns anos”. Este texto, na verdade, é um conselho para não se casar cedo demais e não prova a masturbação como algo errado.

1ª Coríntios 10.

(Não quero que ignoreis, irmãos), que os nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem e que todos atravessaram o mar; todos foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar; todos comeram do mesmo alimento espiritual; todos beberam da mesma bebida espiritual (pois todos bebiam da pedra espiritual que os seguia; e essa pedra era Cristo). Não obstante, a maioria deles desgostou a Deus, pois seus cadáveres cobriram o deserto. Estas coisas aconteceram para nos servir de exemplo, a fim de não cobiçarmos coisas más, como eles as cobiçaram. Nem vos torneis idólatras, como alguns deles, conforme está escrito: O povo sentou-se para comer e para beber, e depois levantou-se para se divertir (Ex 32,6). Nem nos entreguemos à impureza como alguns deles se entregaram, e morreram num só dia vinte e três mil. Nem tentemos o Senhor, como alguns deles o tentaram, e pereceram mordidos pelas serpentes. Nem murmureis, como murmuraram alguns deles, e foram mortos pelo exterminador. Todas estas desgraças lhes aconteceram para nosso exemplo; foram escritas para advertência nossa, para nós que tocamos o final dos tempos. Portanto, quem pensa estar de pé veja que não caia. Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela. Portanto, caríssimos meus, fugi da idolatria. Falo como a pessoas sensatas; julgai vós mesmos o que digo. O cálice de bênção, que benzemos, não é a comunhão do sangue de Cristo? E o pão, que partimos, não é a comunhão do corpo de Cristo? Uma vez que há um único pão, nós, embora sendo muitos, formamos um só corpo, porque todos nós comungamos do mesmo pão. Considerai Israel segundo a carne: não entram em comunhão com o altar os que comem as vítimas? Que quero afirmar com isto? Que a carne sacrificada aos ídolos ou o próprio ídolo são alguma coisa? Não! As coisas que os pagãos sacrificam, sacrificam-nas a demônios e não a Deus. E eu não quero que tenhais comunhão com os demônios. Não podeis beber ao mesmo tempo o cálice do Senhor e o cálice dos demônios. Não podeis participar ao mesmo tempo da mesa do Senhor e da mesa dos demônios. Ou queremos provocar a ira do Senhor? Acaso somos mais fortes do que ele? Tudo é permitido, mas nem tudo é oportuno. Tudo é permitido, mas nem tudo edifica. Ninguém busque o seu interesse, mas o do próximo. Comei de tudo o que se vende no açougue, sem indagar de coisa alguma por motivo de consciência. Do Senhor é a terra e tudo que ela encerra. Se algum infiel vos convidar e quiserdes ir, comei de tudo o que se vos puser diante sem indagar de coisa alguma por motivo de consciência. Mas se alguém disser: Isto foi sacrificado aos ídolos, não o comais, em atenção àquele que o advertiu e por motivo de consciência. Dizendo consciência, refiro-me não à tua, mas à do outro. Com efeito, por que razão seria regulada a minha liberdade pela consciência alheia? Se eu como com ações de graças, por que serei eu censurado por causa do alimento pelo qual rendo graças? Portanto, quer comais quer bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus. Não vos torneis causa de escândalo, nem para os judeus, nem para os gentios, nem para a Igreja de Deus. Fazei como eu: em todas as circunstâncias procuro agradar a todos. Não busco os meus interesses próprios, mas os interesses dos outros, para que todos sejam salvos.

A partir do versículo seis, a Bíblia fala daqueles que pereceram durante o Êxodo e diz que não devemos seguir os exemplos deles. Como dito, masturbação não é impureza em si. No versículo treze há umas palavras alentadoras: Deus não deixa que tentações muito grandes lhe atinjam. Ele só permite que você seja tentado pelo que você pode aguentar e junto com a tentação vem uma saída para evitar cair. Também fala de idolatria e que não devemos servir a mais de um deus. No versículo vinte e quatro, diz que devemos persistir em buscar a vantagem do próximo e não a nossa própria. Aqui fala de ajudar o próximo, mas alguém pode estendê-la ao sentido sexual. Bem, se você é jovem, não deve praticar fornicação, logo não pode dar prazer ao outro, mas a não satisfação dos desejos sexuais pode lhe levar ao sexo ilícito, portanto é justo que você se satisfaça para não incorrer em algo pior. Pode se masturbar e, quando casar, faça sexo para dar prazer a alguém. Você deve buscar a vantagem do próximo, mas dentro dos limites impostos por Deus. Se ele não quer você fornicando, não busque o prazer do outro. Tente buscar outras vantagens a ele. No versículo trinta e um diz que tudo o que devemos fazer deve ser em glória de Deus. Se você é tentado a fazer sexo antes do casamento ou está sob pressão corporal muito grande e se masturba para aliviar a tensão, não me parece que você afrontou a glória de Deus; você evitou fazer algo claramente errado, fez a vontade de Deus em não cometer fornicação. Lembre que Deus provê uma saída para que você possa recusar uma tentação.

1ª Coríntios 10: 13.

Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela. 

Se você é tentado a cometer pecados sexuais pode usar a masturbação como alívio imediato, visto que uma pessoa sexualmente satisfeita não comete pecados sexuais. Mesmo quando não funciona, diminui os desejos a ponto de tornar o controle mais fácil.

1ª Coríntios 15: 33.

Não vos deixeis enganar: Más companhias corrompem bons costumes.

Obviamente não fala de masturbação.

2ª Coríntios 10: 5.

Nós aniquilamos todo raciocínio e todo orgulho que se levanta contra o conhecimento de Deus, e cativamos todo pensamento e o reduzimos à obediência a Cristo.

Essencialmente, diz que devemos nos afastar de quaisquer raciocínios que contradigam a palavra de Deus. Entre a fé e a razão, Deus não conhece divergências, já diz a filosofia, então um raciocínio bem fundamentado e correto deveria levar a conclusões próximas às conclusões bíblicas.

Gálatas 5: 16-17.

Digo, pois: deixai-vos conduzir pelo Espírito, e não satisfareis os apetites da carne. Porque os desejos da carne se opõem aos do Espírito, e estes aos da carne; pois são contrários uns aos outros. É por isso que não fazeis o que quereríeis.

Obviamente, o apóstolo não fala de modo literal, pois a fome e a sede certamente não provém do espírito e a não satisfação de certos apetites da carne nos mataria com certeza. Por outro lado, ser guiado pelo Espírito no caminho da moderação revela quais “apetites da carne” são aceitáveis. Este texto só é válido para aqueles que já acreditam que a masturbação é pecado e não pode ser usado como prova contra a prática.

Gálatas 5: 19.

Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, libertinagem.

Fornicação é sexo ilícito, no caso, antes do casamento. Impureza são más intenções (“copo sujo por dentro”) e libertinagem é o uso irresponsável da faculdade de julgar, ou seja, fazer algo sem relevar suas consequências. Não pode ser usado como prova contra a prática.

Gálatas 5: 22.

Ao contrário, o fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade.

A masturbação, por si, não vai contra qualquer desses frutos.

Efésios 2: 3.

Também todos nós éramos deste número quando outrora vivíamos nos desejos carnais, fazendo a vontade da carne e da concupiscência. Éramos como os outros, por natureza, verdadeiros objetos da ira (divina).

Novamente, nem todo desejo da carne é pernicioso. Este texto não pode ser usado como prova contra a prática.

Efésios 5: 1.

Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos muito amados.

Obviamente metafórico, pois é impossível imitar Deus em todas as suas manifestações. Mas alguém pode usar este texto da seguinte forma, dizendo-lhe “você pode imaginar Deus se masturbando?” Bom, você pode imaginar Deus tendo sexo? Mas sexo não é pecado, certo? Está expresso aquilo que Deus quer que seja imitado, que é o amor incondicional ao próximo e a sabedoria. Você pode imaginar Deus comendo, bebendo, se divertindo, talvez jogando videogames? Não? Mas onde está o pecado de praticar essas coisas? Não estou criticando este texto, mas não defendo seu abuso.

Efésios 5: 3.

Quanto à fornicação, à impureza, sob qualquer forma, ou à avareza, que disto nem se faça menção entre vós, como convém a santos.

Eu já expliquei isso antes. Fornicação é sexo ilícito, impureza são más intenções, masturbação não está na lista.

Efésios 5: 4.

Nada de obscenidades, de conversas tolas ou levianas, porque tais coisas não convêm; em vez disto, ações de graças.

Aqui fala de banalização e vulgarização. A não ser que seja necessária a exposição, as práticas sexuais deveriam ser algo particular e o sexo não deveria ser discutido como uma brincadeira. A ideia dos que sustentam a masturbação como pecado quando usam este texto é implicar que a masturbação leva você a banalizar o sexo e a negar à prática o devido respeito, o que não necessariamente acontece.

Filipenses 2: 15.
Afim de serdes irrepreensíveis e inocentes, filhos de Deus íntegros no meio de uma sociedade depravada e maliciosa, onde brilhais como luzeiros no mundo.

Se masturbação não é errado, ela não é causa de repreensão. Este texto só é válido para quem já acredita que a masturbação é pecado e não pode ser usado como prova contra a prática.

Filipenses 4: 6-8.

Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças. E a paz de Deus, que excede toda a inteligência, haverá de guardar vossos corações e vossos pensamentos, em Cristo Jesus. Além disso, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é nobre, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, tudo o que é virtuoso e louvável, eis o que deve ocupar vossos pensamentos.

Naturalmente, isso não significa que não devamos ocupar nossas mentes também com assuntos terrenos, como as contas para pagar. Além do mais, o reconhecimento de que você precisa satisfazer sua sexualidade de vez em quando para aliviar a tensão dos instintos parece ser algo verdadeiro e justo que pode ocupar seus pensamentos. Nem toda sexualidade é condenável e impura.

Colossenses 3: 4.

Quando Cristo, vossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com ele na glória.

Este texto é inócuo, mas o próximo versículo pode ser usado por alguém. Diz que devemos “mortificar o corpo”. Mas obviamente em sentido metafórico.

Mortificai, pois, os vossos membros, que estão sobre a terra: a prostituição, a impureza, o afeição desordenada, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria; […]
Masturbação não cai em nenhuma dessas categorias se devidamente regrada.

1ª Tessalonicenses 4: 1-7.

No mais, irmãos, aprendestes de nós a maneira como deveis proceder para agradar a Deus – e já o fazeis. Rogamo-vos, pois, e vos exortamos no Senhor Jesus a que progridais sempre mais. Pois conheceis que preceitos vos demos da parte do Senhor Jesus. Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação; que eviteis a impureza; que cada um de vós saiba possuir o seu corpo santa e honestamente, sem se deixar levar pelas paixões desregradas, como os pagãos que não conhecem a Deus; e que ninguém, nesta matéria, oprima nem defraude a seu irmão, porque o Senhor faz justiça de todas estas coisas, como já antes vo-lo temos dito e asseverado. Pois Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade. 

Santo é ausente de pecado e honestamente é dentro da lei. A masturbação, se corretamente regrada, não é pecado nem desonesta. Este texto só é válido para aqueles que já consideram a masturbação como pecado.

1ª Tessalonicenses 5: 22, 23.

Guardai-vos de toda a espécie de mal. O Deus da paz vos conceda santidade perfeita. Que todo o vosso ser, espírito, alma e corpo, seja conservado irrepreensível para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo!

Novamente, este texto só pode ser usado se a pessoa já vê a masturbação como pecado. Santo é ausente de pecado e masturbação não é pecado se não for movida a pensamentos adúlteros.

2ª Timóteo 2: 22.

Foge das paixões da mocidade, busca com empenho a justiça, a fé, a caridade, a paz, com aqueles que invocam o Senhor com pureza de coração.

Paixões são emoções, aspirações e desejos fúteis, coisas que você quer mas que a razão muitas vezes condena ou recomenda a moderação. Irresponsabilidades. O desejo de ter sexo logo, antes do casamento, por exemplo. Típico do jovem que não aprendeu a esperar. Mas a masturbação em si não é uma paixão, é uma prática. Não é o desejo sexual, mas o método de alívio. Nem mesmo é fornicação. As paixões da mocidade são os desejos irresponsáveis que temos, priorizando o prazer sobre a obrigação ou a segurança ou a salvação. Mas masturbação não sendo pecado e o desejo sexual sendo um fato, é melhor se masturbar para manter o desejo sexual baixo, fugindo assim da fornicação, que é uma paixão da mocidade. Com a devida interpretação, este texto pode ser usado a favor da masturbação.

Tiago 1: 13-16.  

Ninguém, quando for tentado, diga: É Deus quem me tenta. Deus é inacessível ao mal e não tenta a ninguém. Cada um é tentado pela sua própria concupiscência, que o atrai e alicia. A concupiscência, depois de conceber, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte. Não vos iludais, pois, irmãos meus muito amados.

Uma passagem bastante existencialista: você não pode culpar ninguém pelos pecados que você comete. De fato, nossos instintos, nossa natureza pecadora, nos tentam a fazer coisas que estão em desacordo com o espírito, mas é inteiramente sua responsabilidade se você falha em evitar fazer o que é mau. Porém, isso não prova que a masturbação é algo ruim. A sede e a fome também não são frutos do espírito e são 100% corporais, mas isso não garante que beber e comer sejam pecado. Nem tudo o que vem do corpo é concupiscência imoral.

Tiago 4: 7.

Sede submissos a Deus. Resisti ao demônio, e ele fugirá para longe de vós.

Novamente, este texto não prova a masturbação como algo errado.

1ª Pedro 1: 13-16.

Cingi, portanto, os rins do vosso espírito, sede sóbrios e colocai toda vossa esperança na graça que vos será dada no dia em que Jesus Cristo aparecer. À maneira de filhos obedientes, já não vos amoldeis aos desejos que tínheis antes, no tempo da vossa ignorância. A exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também vós santos em todas as vossas ações, pois está escrito: Sede santos, porque eu sou santo (Lv 11,44).

É santo algo que não tem pecado. Algumas pessoas, ao usar este texto, se apoiam no aspecto estético da masturbação, isto é, algo tão “feio” e “carnal” não pode ser santo. Porém, com permissão para usar um exemplo bastante grotesco, a defecação, o ato de expulsar fezes pelo ânus, é certamente feio e carnal e nem por isso é pecado. Se é santo aquilo que não tem pecado, creio que não seja um mal uso do termo atribuí-lo a todas as nossas ações inocentes, corporais ou não. Porém, mesmo que a masturbação em si não seja pecado, pensamentos adúlteros o são, então uma pessoa livre deve pensar em outra pessoa livre, o indivíduo casado deveria saciar-se com seu parceiro (seja com sexo, seja com masturbação mútua e outras carícias).

1ª Pedro 2: 11.

Caríssimos, rogo-vos que, como estrangeiros e peregrinos, vos abstenhais dos desejos da carne, que combatem contra a alma.

Obviamente metafórico. Nem todos os desejos da carne, principalmente aqueles que são saudáveis e que visam a saúde do corpo, o templo do Espírito Santo, combatem contra a alma. Além do mais, o desejo sexual, algo totalmente carnal e corporal, é estimulado por Deus sob certas condições, isto é, no casamento. O que é ruim é o desregramento.

1ª Pedro 4: 3. 

Baste-vos que no tempo passado tenhais vivido segundo os caprichos dos pagãos, em luxúrias, concupiscências, embriaguez, orgias, bebedeiras e criminosas idolatrias. 

Não que a masturbação caia em qualquer dessas categorias, como venho repetindo várias vezes. Há uma observação a ser feita, contudo, sobre a problemática da luxúria: a luxúria é o delito de quem se excedeu em práticas sensuais, isto é, que visam a satisfação dos sentidos. Essencialmente, quando você põe seu corpo e seus prazeres à frente da lei divina. Se devidamente regrada, a masturbação não é luxúria, tal como não o é o sexo devidamente regrado.

2ª Pedro 2: 19.

Prometem-lhes a liberdade, quando eles mesmos são escravos da corrupção, pois o homem é feito escravo daquele que o venceu.

Fala de vício, do excesso inegável, da necessidade artificial que lhe traz prejuízo. A masturbação é considerada excesso quando ela lhe provoca algum dano físico, mental ou social e vício quando você, apesar de estar excedendo-se na prática, não consegue controlar a frequência por falta de força de vontade. A masturbação raramente provoca quaisquer danos se praticada dentro dos limites do bom senso, logo raramente torna-se um vício, isto é, um hábito pernicioso. Qualquer coisa pode viciar, até mesmo atos ditos saudáveis como beber água (aquolatria) e fazer exercícios (vigorexia), mas uma pessoa que bebe muita água ou faz muito exercício não pode ser considerada viciada se o hábito não lhe traz qualquer mal.

1ª João 1: 9.

Se reconhecemos os nossos pecados, (Deus aí está) fiel e justo para nos perdoar os pecados e para nos purificar de toda iniqüidade.

Este texto pode lhe assustar se você não estiver seguro de que a masturbação não é pecado. Você provavelmente pensaria “se a masturbação realmente for pecado e eu, ao me masturbar achando que não estou pecando, não admitir que é pecado, Deus não me perdoará”. Mas este raciocínio baseia-se numa possibilidade, na possibilidade de masturbação ser pecado, uma possibilidade que esta entrada está disposta a derrubar. Continue lendo o texto e, se no final, você ainda tiver dúvidas, então é melhor não se masturbar, visto que é sempre pecado fazer algo que não lhe parece espiritualmente seguro (isto é, você só deve fazer aquilo que você tiver certeza de que não é pecado). Uma observação: quer dizer que Deus me perdoará sempre, logo eu posso fazer o que eu quiser e toda a lei divina é nula? Não, Deus perdoa na medida em que você perdoa o próximo.

1ª João 2: 2.

Ele é a expiação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.

Novamente, Deus está disposto a perdoar. Não que isso prove a masturbação como algo errado.

1ª João 2: 15-17.

Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. Porque tudo o que há no mundo – a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida – não procede do Pai, mas do mundo. O mundo passa com as suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente.

O amor a Deus deve vir em primeiro lugar. Se você ama a Deus, a vida no mundo não lhe corromperá facilmente. A lei divina deve então vir em primeiro lugar. A “lei do mundo” (ou do corpo) pode ser cumprida na medida em que não conflitar com a lei divina.

Apocalipse 21: 8.

Os tíbios, os infiéis, os depravados, os homicidas, os impuros, os maléficos, os idólatras e todos os mentirosos terão como quinhão o tanque ardente de fogo e enxofre, a segunda morte.

Não que a masturbação caia em qualquer dessas categorias.

Conclusão.

A masturbação, em si, não é pecado. O pensamento, quando adúltero, pode causar confusão, fazendo com que você ache que a prática é pecaminosa, quando apenas o pensamento o é. Assim, a masturbação do solteiro é lícita enquanto não for alimentada por pensamentos relacionados a parceiros de outras pessoas. Nada de errado numa pessoa livre desejar alguém livre. O casado, contudo, deveria procurar seu parceiro ou parceira quando sentir-se pressionado, mas o parceiro, se indisponível por qualquer razão, pode permitir que o casado masturbe-se. Além do mais, a masturbação entre casados, como uma forma de carícia ou prática pré-sexual não é errada. Fora os casos em que o parceiro não vê a masturbação como violação do seu direito sobre o corpo do casado (o casado não pode masturbar-se porque o parceiro detém os direitos sobre seu corpo, mas se o detentor dos direitos não vê aquilo como uma violação, onde estaria o problema?).

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