Analecto

15 de julho de 2011

Semana terrível.

Filed under: Organizações, Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yure @ 10:22

Yure, você teima em não crescer.

Eu fiquei meio chateado com isso. Eu e o advogado tivemos uma conversa em que ele, em síntese, me disse para crescer e ser maduro, ter auto esclarecimento e todas aquelas outras categorias de Kant. Disse que não é bom eu ficar tanto sob controle da minha mãe, mas acontece que isso é parte do meu plano para o futuro. Tenho que ficar aqui e esperar. O advogado não gostou muito da ideia.

Quanto mais ele falava de crescer, mais eu queria regredir. Quando foi a última vez que as usei? Quando fui reprovado em teoria do conhecimento, certo?

Depois daquela conversa, fiquei com a moral tão baixa que comecei a evitar-lo, mesmo que só o que ele queira é ajudar-me. Quando alguém me dá ajuda para meus problemas pessoais, só me sinto mais pressionado. É como se eu tivesse a responsabilidade de estar feliz e mostrar progresso rápido porque é isso que o ajudante quer. Nunca se sentiu assim?

Naquela terça-feira, tive aula de lógica, mas ia ser uma apresentação. Daí eu fiquei com medo de ser o meu dia de apresentar. Aquilo me fez lembrar do que o advogado disse, mas isso não ajudou muito. Meu professor de lógica é um brincalhão. Se eu fosse até lá e dissesse que eu não poderia apresentar porque não tenho o material, ele talvez soltasse uma piada sobre mim que faria todos na sala rirem e esperaria a reação de um adulto para a piada. Daí eu fugi. Simples assim, não fui assistir a aula de lógica e me escondi em algum lugar que não me lembro qual.

Começou a aula de economia política e eu comecei a comentar como é mais prático apresentar sem o uso de apresentações digitais (.pps, por exemplo) até deixar um dos membros do grupo irritado com isso. O grupo então foi se apresentar e acabou sendo a melhor apresentação que eu já vi, mesmo assim eu tinha certeza de que minha apresentação “seca” iria ser melhor.

Na quarta-feira, fui para a aula de história da filosofia e tudo correu bem. Os problemas daquele dia iriam acontecer em casa. Quando cheguei, cansado, encontrei meus amigos esperando por mim. Eu não poderia dormir com visita em casa. Mais gente apareceu, colegas que há muito tempo não via. Eu estava feliz em ver todos e conversar até que briguei com eles por causa… de video-game. Retardados de torneio não merecem Brawl, isso é fato. Eu e um amigo defendíamos o uso de arenas aleatórias e itens no torneio, enquanto os outros defendiam arenas planas sem itens. Outro colega ficava no meio. Em certo momento, um deles disse uma coisa que me fez perder a esportiva:

Os profissionais fazem assim.

Gritei de volta:

O problema das pessoas é que elas se apoiam na autoridade dos outros para fazer suas próprias declarações!

A coisa ficou séria e ficava ainda mais séria até que o neutro nos separou. Um drama nerd. Quando todos saíram daqui, fiquei no computador, o qual estava sem conexão com a Internet, atrasando tanto minha apresentação de economia política quanto meu trabalho final de filosofia da arte. Fiquei ouvindo a trilha sonora do Turrican 2, repetindo The Great Bath até eu chorar. A indústria de jogos já foi algo bom, agora não mais, só o que temos são jogadores pobres e medíocres.

Quinta-feira, aula de filosofia da arte. O prazo de entrega do trabalho final (criar uma categoria) foi estendido até quinta-feira. Ética em seguida. Fiquei do lado oposto ao do advogado, embora ele não soubesse o que estava acontecendo e vez por outra sorrisse para mim. O problema era eu, não ele. Olhando a forma como agi, vejo o quão infantil eu estava agindo, fugindo de um sermão potencial. Antes da aula acabar, saí dali. Dormi durante a tarde, confiante de que meu trabalho de economia política ia ser bom o bastante.

Saí quando acordei. Lógica agora. Eu ia fugir novamente, mas algo aconteceu. Encontrei um grupo conversando sobre a aula do professor de metafísica e resolvi falar também. No momento em que mencionei que fui reprovado em teoria do conhecimento e em problemas metafísicos, um deles disse que eu estava colecionando reprovações. Parei de falar; aquilo tinha doído muito mesmo. O grupo saiu e eu fiquei fazendo algo com papel e caneta, provavelmente escrevendo algo. Daí a porta ao meu lado abriu e um aluno falando no celular saiu.

Yure, alguém avisou ao professor de lógica que estamos no prédio. Nossa apresentação é hoje.

Negativo. Eu não vou. Mas acabei indo. No caminho, um pouco encabulado, tentei dizer que não queria ir. Ele disse que também estava com medo e que o livro dele havia sumido na mudança. Nos aproximávamos cada vez mais da sala. Parei de andar.

Não, cara, eu não posso fazer isso.

Ele disse que precisava do meu apoio, mesmo que eu não fosse apresentar. Concordei e entramos. A turma ainda estava lá. Evitei olhar para os outros, com medo deles e do professor. O meu colega apresentou o que podia e, para garantir, saí da sala antes que ele terminasse.

O tempo passou e meu colega me encontrou nos corredores.

Falei da sua situação. Você pode apresentar na terça-feira.

Não fiquei feliz com a notícia. Mesmo que eu tenha um dia extra para apresentar, onde vou arrumar o material? Eu não quero mais isso. Quero começar a disciplina de novo e fazer certo da próxima vez; não tenho salvação neste semestre.

Economia política. Comecei a apresentar, mas as palavras fugiam de mim. Não só falei pouco, como deixei muito assunto de fora e repeti a mesma coisa mais de uma vez. Foi horrível… e o cara que havia reclamado do meu comentário na última aula havia assistido.

Senhores, se forem cursar alguma faculdade, jamais, jamais, cursem seis disciplinas. Acordo às cinco, durmo meia-noite, não tenho tempo para dormir nem fazer os trabalhos direito. Você acha que vai se dar bem em pelo menos metade, mas acaba indo mal em todas.

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