Analecto

29 de setembro de 2011

Alienação.

Suponhamos que você esteja numa daquelas cadeiras de escritório. Tem vinte objetos de seu interesse ao redor de você. Você não pode sair da cadeira, mas pode apenas girá-la, mudando o foco de sua atenção para outros objetos. Se você escolhe observar certo grupo de objetos, você invariavelmente esquece o que está atrás de você.

Sinceramente, não acredito em alienação. Acredito que o indivíduo tem poder de escolha sobre o que quer ou não prestar atenção. Acredito em distrações, mas não acredito que elas podem nos ser forçadas.

Você pode ignorar o que não achar importante. Eu fico olhando o mundo dos adultos de fora e, realmente, não tenho intenção de ir fundo nele sem necessidade. Por que eu iria? Se eu me preocupar com um mundo do qual não faço parte e de onde eu nada posso tirar, onde eu nada posso acrescentar, por que me preocupar?

Muitos indivíduos chamados “alienados” na verdade são pessoas que resolveram prestar atenção em outros aspectos da vida que eles julgam ser importantes. A arte, por exemplo, sem finalidade em si é importante para os artistas, da mesma forma que a economia é importante para os economistas.

Claro que o indivíduo deve ter suas razões para prestar atenção naquilo que ele presta atenção, do contrário será apenas um distraído. Ainda não o chamaria de alienado, porque ele ele não foi “expelido” do mundo por alguma coisa, mas por conta própria, podendo voltar se assim quiser, portanto não perdendo completamente a ligação que tem com o mundo em que estava antes.

As pessoas falam muito da mídia alienadora, mas quer saber? Eu não assisto televisão nem ouço rádio. Sou alienado? No seu conceito, sim. Mas e se eu ouvisse rádio e vesse televisão? Também, porque a mídia aliena o indivíduo?

A mídia não nos é forçada, a mídia não fecha nossos olhos. Ela de fato distrai, mas, se isso for do nosso agrado, podemos prestar atenção em outras coisas que não a mídia ou até ir mais fundo no que a mídia diz para encontrar as verdadeiras informações por trás do que é manipulado. É muito fácil culpar a mídia quando metade da culpa dessa “alienação” é culpa do indivíduo que se deixa distrair por preguiça.

Eu girei a cadeira e tenho minhas razões para prestar atenção naquilo que presto atenção. Mas eu estou sozinho, quem gira a cadeira sou eu. Não existe alienação, o que existe é a liberdade de ver ou não ver, de ceder às distrações ou não, de emitir juízo de valor sobre o que lhe é oferecido.

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