Analecto

30 de dezembro de 2011

“A Desciclopédia está certa”.

Hoje, um colega meu me perguntou se alguém já havia brigado comigo por eu ser babyfur. Disse que não. Na verdade, nunca recebi um ataque direto. No máximo, meus colegas foram atacados e eu pulei na briga. Mas nunca fui alvejado.

Daí, ele me perguntou se essas brigas ocorreram aqui ou fora. Eu disse “fora” e ele disse “então não tem problema”. Lembrei do artigo da Desciclopédia sobre furries e da subseção feita especialmente para babyfurs. Ele então me disse que os artigos sobre furries dispostos na Descilopédia estão corretos. Para ser sincero, a Encyclopædia Dramatica é melhor, mais precisa e confiável.

A Desciclopédia não deve ser levada a sério por motivos óbvios. Ainda me pergunto como minha colega conseguiu um dez no trabalho de química usando artigos da Desciclopédia como referência. A resposta para esta pergunta poderia ser “educação pública cearense”.

Pelo amor de Deus. Dizer que o conteúdo da Desciclopédia está certo é sério. Eu poderia achar que o indivíduo visitou a Internet somente duas vezes na vida se eu não o conhecesse.

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27 de dezembro de 2011

Inveja de novo.

Ontem, um dos meus amigos a “superar” minha inveja dos artistas digitais começou a fazer arte digital. Apesar de ele estar de férias e poder melhorar suas habilidades, ele não o fez. O que fez ele pular para arte digital foi o tablet que ele ganhou de Natal. Senti como se tivessem comprado meu amigo e, apesar de ele não estar fazendo nada diferente, de fato, apenas encontrou uma nova ferramenta para usar suas habilidades tradicionais no meio digital, me senti traído ao ponto de chorar direto por uma hora e meia.

Eu deveria estar feliz por ele e, depois de pensar a respeito, resolvi aceitar que estou preso num buraco de alcatrão magnético chamado imperícia crônica. Eu não sei como melhorar minha arte tradicional e não pretendo fazer arte digital porque agora continuar com tradicional tornou-se uma questão de orgulho; não vou pactuar com o que me faz sofrer, levando meus amigos para longe de mim.

Me sinto meio chateado ainda, mas meu amigo não tem culpa. Ele provavelmente não iria comprar o tablet, mas ele ganhou, por que não usar? Afinal, é um presente e, se ele puder usar tal presente para transferir o que ele já sabe de arte para o computador e fazer arte melhor com perícias velhas, juntamos o útil ao agradável. O problema são minhas reações egoístas.

26 de dezembro de 2011

Preocupei minha mãe.

Hoje, quando eu acordei, minha mãe pediu que eu fosse logo comer, embora eu quisesse dormir mais. Acontece que foi meu sobrinho quem me acordou. Na minha opinião, uma das coisas que mais irrita um ser humano é acordar, sem ter dormido o suficiente, sem necessidade. O que eu ia fazer? Não vou trabalhar, não vou estudar e não estou a fim de ficar no computador, desenhar ou ler. Então eu poderia dormir e restaurar minhas forças para fazer qualquer dessas coisas mais tarde, mas não foi o que aconteceu.

Minha mãe diz que é por causa do computador, estou dormindo tarde e pulando refeições enquanto durmo. Na verdade, eu poderia ter dormido à meia-noite ontem e acordado às oito sem problemas, mas eu enjoei. Daí, passei três horas comendo sal e dando patadas para me distrair antes de dormir. Dizendo isso à minha mãe, ela disse que é porque me alimento mal. Na verdade, eu enjoei porque me senti cheio depois de ter tomado café e, em seguida, água (porque eu havia escovado os dentes e precisava de algo para tirar o gosto da pasta). Como todo bom emetofóbico, comecei a exagerar a sensação de estar cheio de líquido e comecei a achar que eu ia vomitar, daí eu ter me entupido de sal (de novo).

Minha mãe, incapaz de desistir, voltou a culpar o computador, dizendo que eu não percebo o mal que isso me faz. Eu realmente não posso mais viver sem Internet, porque é meu meio de pesquisa para trabalhos universitários e porque eu tenho amigos online e uma vida como furry. Mas eu poderia diminuir o tempo de uso do computador para quatro horas diárias se eu tivesse outra coisa para fazer.

Desde que me mudei para a zona rural, as poucas opções de lazer alternativo se foram. Não tenho mais amigos que me visitem, nem amigos a quem visitar. Não há locadoras de videogames, só templos e casas de festa onde toca forró (aliás, meu vizinho paga bandas de forró para tocar para ele, ao que aparenta). Então eu fico com tédio. Minha mãe se sente culpada por causa do meu tédio e sugeriu que eu fosse visitar meus colegas como meu irmão faz, mas vocês sabem como eu sou apegado à minha rotina e visitar amigos simplesmente não me atrai, porque eu iria ficar um tempo insatisfatório lá e tempo demais para ir e para voltar, levando em consideração que eu normalmente tenho horário para voltar, a ida demora quinze minutos de ônibus mais vinte minutos à pé, fora o tempo de espera na parada. Eu não poderia ficar com meus amigos, supondo que algum estivesse em casa, por mais que vinte ou trinta minutos, levando em consideração que eu sairia às quatro e voltaria às seis. Por que não sair mais cedo? Porque meus amigos dormem pra caramba. Ir de manhã não é opção. Também não quero chegar lá na hora do almoço.

Leitura também fica difícil, já que meu pai levou os livros com ele e eu só posso ler a Bíblia ou as publicações da Torre de Vigia da minha mãe. Me pergunto se isso foi algum tipo de truque para facilitar a minha conversão ao jeovismo. Se for, ela só conseguiu me empurrar para ainda mais longe. Sinceramente, estou saturado da religião dela.

Assim, me resta a Internet. Mesmo sem conexão, ainda uso o computador para escrever e compor, atividades produtivas e estimulantes que minha mãe ignora. Mas minha mãe agora acha que estou deprimido. Eu estava deprimido, mas ela não percebeu. Agora que estou bem, ela acha que estou mal. Compreensível, já que quase nunca nos falamos.

Não culpo minha mãe por nada do que me acontece. O meu estado de espírito é minha responsabilidade e, se eu estiver com algum problema, é inteiramente minha culpa. Mas eu não vou pisar na terapia novamente.

25 de dezembro de 2011

Por que eu não comemoro o Natal.

Filed under: Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yure @ 15:38

Porque eu não sou festeiro. Embora o Natal tenha como principal função celebrar o nascimento de Cristo como ser humano, ele foi transformado em um meio de se fazer dinheiro, porque as pessoas passam a trocar presentes pensando no quão caros eles são, ao invés da intenção da data, que é lembrar aos fiéis que se deve amar o próximo como a si mesmo. Por ser feriado, o pessoal quer mais é relaxar e ir à festas, que duram desde o Natal até o ano novo… mas eu gosto de rotina. Apesar de ser Natal, não estou a fazer nada diferente do usual, apenas movendo meus dedos sobre um teclado como de costume. Isso me faz feliz, mas as pessoas ao meu redor tendem a não entender isso. Antes de eu me mudar, Natal significava amigos querendo que eu saísse do meu usual, me animasse bastante e caísse na festa como uma pedra. Mas eu não sou assim. Daí eu tento ir com eles só para não desapontar e acabo arruinando tudo porque não é disso que eu gosto e o meu humor fecha, o pessoal me chama de chato, eu me irrito com eles por estar ali de boa vontade (observe que é por obrigação) e vou embora. Isso também acontece em festas de aniversário e outros eventos sociais. Então, para evitar esse tipo de coisa, eu me escondo nessas datas.

Eu sou chato, não gosto de surpresas, não gosto de fazer coisas diferente do esperado (por isso não saio com a minha mãe, porque ela sempre fica mais tempo fora de casa que o combinado, fazendo coisas que transcendem o motivo inicial da saída) e detesto encontros aleatórios em RPG de console. Eu sou feliz assim, fazendo minhas coisas, à passo lento, porém certo; devagar, porém com pegadas contadas.

Então, depois de sair da festa, é certo que sentirei culpa no caminho de volta para casa. É isso que chamam de culpa de fim de ano. Todos querem que você fique feliz, você vê que todos estão felizes, mas você se sente mal por não estar animado como eles. Esta é provavelmente a primeira vantagem que vejo na mudança para cá: com os amigos longe, passarei o Natal tranquilo. Porém, ainda me sinto mal por não ser tão sociável e não estar feliz-mais-que-feliz na data que “marca” o nascimento de Jesus (tradicionalmente, porque todo o mundo sabe que Jesus não nasceu em 25 de dezembro, basta lembrar que o ano naquele tempo tinha dez meses, Jesus provavelmente “nasceu” em outubro).

24 de dezembro de 2011

Já é véspera de Natal?

Ontem, minha irmã esteve por aqui. Ela então mencionou que era dia vinte e três.

  • Já? – perguntei. – Eu achei que fosse… sei lá, quinze!

Mas não era. Hoje é véspera de Natal, o que significa que o tempo das minhas férias está passando rapidamente. Isso é um saco: quando eu percebo que minhas férias estão na metade, começo a desejar que elas fossem prolongadas, quando, como vocês viram no último episódio, estar de férias só tem mesmo me deixado com tédio.

Mas quer saber? Eu não me importo mais com a contagem do tempo. Dia dez, visitarei o site do Aluno Online da Universidade e escolherei minhas disciplinas. Vamos esperar que nenhum professor morra.

Voltarei a escrever entradas diárias e fazer deste blog um diário mesmo. Claro que isso não o reduzirá a simples documentação do meu dia. A propósito, não comemoro o Natal. Conto o porquê amanhã.

Ah, sim, olhando para o endereço desta página, vejo que a ID desta entrada é 666.

22 de dezembro de 2011

Férias.

Filed under: Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yure @ 21:49

Como sabem, estou de férias, me sentindo como se não as merecesse. Afinal, cursei apenas duas disciplinas, o que certamente foi insuficiente. Isso me lembra do tal efeito-sanfona do infantilismo, só que com disciplinas universitárias; cursei disciplinas demais no terceiro semestre e acabei cursando disciplinas de menos no quarto semestre.

Por falar em infantilismo, diga-se de passagem, usei minha última fralda e meio que não vou poder conseguir mais até o próximo semestre. É lógico: sem aulas, sem necessidade de passagens, sem troco, sem caixa dois. Não que isso venha a me enlouquecer, como faz com alguns dos meus colegas (um deles mórmon e o outro cristão ortodoxo, fato que eu achei surpreendente).

Estou com tédio e, obviamente, sobra para meu processador. Estou usando o computador como nunca usei antes, simplesmente, doze horas por dia. Quando paro, vou desenhar ou ler, raramente escrever. Minhas aulas começam no dias 29 de Fevereiro.

 

16 de dezembro de 2011

Aparentemente…

Huge Victory In House — Let’s Slam The Senate | Demand Progress.

Ao que aparenta, a SOPA (stop online piracy act) não será mais problema até janeiro, quando os otários de direita tentarão aprovar a PIPA (protect IP act). Esta é provavelmente a primeira vez que a Internet é levada em consideração como uma força política. A votação foi adiada para uma data indeterminada no ano que vem. Acho que é o tempo que eles vão levar para limpar suas caixas de entrada da quantidade inacreditável de e-mails, incluindo o meu, pedindo que a SOPA não fosse aprovada.

A Internet é o meio de comunicação perfeito. Os poderosos, contudo, querem fazer com ela o que fazem com a televisão. Em que outro meio de comunicação o indivíduo pode expor sua opinião livremente? Não é na televisão nem no rádio. Somente na Internet. Na televisão, no rádio, tudo é selecionado conforme os interesses dos garanhões da mídia. Não podemos perder a Internet, não podemos deixar que ninguém venha até aqui e limite nossa liberdade.

Em janeiro, paz será feita. Seja por bem ou por mal.

13 de dezembro de 2011

Claro que sim!

Filed under: Computadores e Internet — Tags:, , , — Yure @ 14:26

Site Stats ‹ Pedra, Papel e Tesoura. — WordPress.

Checando os status do meu blog, me deparei com o seguinte termo de motor de busca:

você gostaria de ser meu amigo yure? alekbunny

Claro, por que não? Me pergunto se a intenção do indivíduo que pesquisou, provavelmente o próprio Alek, era que eu visse isso nos meus status. Ora, por que eu ia recusar uma amizade inofensiva? Sejamos amigos então. Eu usaria emoticons para parecer mais amigável, mas eu prometi parar de usá-los no blog para que a pureza da ortografia portuguesa fosse mantida.

Quem quiser falar comigo, basta me mandar um e-mail ou até me adicionar em algum desses serviços de mensagem instantânea. Eu nunca recuso conversa sem conhecer o cara antes (e ter certeza de que ele não é boa pessoa).

Eu não mordo.

Depois de devorar o senhor Kant…

Sem título 1.odt – Google Docs.

Criei esta pequena síntese de pontos mais importantes da Crítica da Razão Pura. Claro que deixei muita coisa de lado, sendo o livro enorme e eu não tendo acesso a ele. O trabalho foi escrito tendo como base os artigos Immanuel Kant e Crítica da Razão Pura que podem ser encontrados na Wikipédia sob a licença CC-BY-SA.

Amanhã entregarei o dito trabalho e farei o teste final de latim. Eu me saí muito bem neste semestre (não foi difícil, já que acabei cursando só duas disciplinas…), especialmente em latim. Meu professor disse que eu posso me considerar aprovado mesmo tirando um cinco na prova final, devido aos meus resultados nas últimas duas provas. Eh, acho que não errei na escolha do meu curso. Também me saí muito bem em teoria do conhecimento, compensando o desastre ocorrido em fevereiro que me levou a compor Cavern Stage 3.

Não estou nervoso; sei que vou me sair bem e, se não conseguir, tem sempre a recuperação, certo? Sou um felino e, como tal, sou relativamente preguiçoso e desmotivado. Então, simplesmente, não vou estudar para a prova. Estou confiante como quando fiz meu vestibular. Então, fora me gabar do trabalho de uma página que acabei de terminar, passarei a tarde ouvindo Snoopy Concert. Pena que minha última fralda se foi, eh…

Além de dormir para cachorro, não sei o que fazer nas férias, já que não saio de casa e me minha mãe me levou para longe dos únicos amigos que eu tinha na vida real. Só me resta a Internet. Pensando bem, acho que não conseguirei aproveitar as férias por estar muito acostumado a ir à faculdade, que irônico. Quando se estuda, você pede a Deus que o semestre acabe e, quando ele termina, você pede a Deus que ele volte.

Serão longos meses de tédio improdutivo se eu não arrumar algo para fazer.

6 de dezembro de 2011

Menoridade humana, inveja, relatórios.

Filed under: Passatempos, Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yure @ 21:17

Immanuel Kant – Wikipédia, a enciclopédia livre.

Primeiro, o que interessa ao pessoal: https://docs.google.com/document/d/1nvQ4QyIxGp2TLjLBM6ZJb8LOWVb2FGLf5WvKpgvwgnk/edit

O link contem o resultado dos meus esforços de documentar brevemente a ideia principal de alguns textos da filosofia moderna.

Enquanto eu pesquisava, tive que ler Kant. Observe que eu gosto de Kant, mas tem um assunto que me deixa desconfortável quando leio a respeito dele: a menoridade humana. Sempre que leio a respeito disso, me lembro dos eventos que ocorreram no terceiro semestre, dos “sermões” que recebi do advogado e de todas as frustrações medonhas pelas quais ninguém deveria passar. Ter dezenove anos não me faz um adulto em nenhum outro aspecto que não o aspecto cronológico.

Recentemente, passei três semanas deprimido por causa de um jornal publicado no Fur Affinity. No jornal, o indivíduo fazia um pedido de um desenho, mas deixava claro que não queria desenhos tradicionais. Por alguma razão, aquilo colocou uma bomba-relógio em mim. Conforme o tempo passava, eu começava a ver o quanto a arte digital recebe mais atenção que a tradicional, mesmo quando a peça digital levada em consideração é horrível. Ao fim da primeira semana, eu já estava mal. Durante a segunda semana, meus colegas começaram a perceber que algo estava errado, mas eu tentava manter uma atitude positiva a respeito disso e achei que fosse passar, mas o sentimento crescia mais à medida que o tempo passava até que, na terceira semana, comecei a sentir dores. Eu havia perdido completamente a motivação para desenhar, não conseguia segurar lápis e papel sem me sentir doente.

Eu gosto de desenhar, mas eu estava sem razão para tanto. A arte não tem razão de ser fora de si mesma; a função dela é simplesmente ser bela. Porém, se eu perco audiência, é porque minha arte não é bela o bastante. Eu sentia que todos os artistas tradicionais no furry fandom estavam fadados ao esquecimento perante os artistas de mídia digital e que, se eu não podia mudar isso nem mesmo ajudar os tradicionais a pelo menos se igualarem aos digitais, eu não deveria mesmo estar desenhando. Várias coisas me roubavam razões para desenhar. Eu me sentia péssimo, mas por quê? É só uma diversão, certo? Que diferença faz?

Eu tenho necessidade de atenção, não consigo me manter são sem receber comentários pelo que desenho ou escrevo. Minha arte havia me levado a um nível elevado, tenho mais de trezentos vigias, mais de 10000 acessos, perceber que estou constantemente sendo ameaçado por artistas digitais me deixou tão desesperado que eu não percebi que eu ainda recebia atenção o bastante. Eu desejava mais. Obviamente, essa não é a razão principal pela qual eu desenhava. Eu o fazia porque me sentia bem com isso, gostava de mostrar o que eu fazia aos meus amigos. Mas tenho medo de ser deixado para trás, um medo que me faz querer perseguir um lugar alto entre eles, de modo que dependam de mim (se possível) assim jamais me deixariam. Explicação aprofundada em Troubled Cat-Fox: Value.

Isso não é infantil da minha parte? Sem dúvida. Mas é de se esperar. Ainda me sinto ansioso, embora um punhado de usuários no Inkbunny, que realmente se importam comigo, tenha conseguido me fazer recuperar a razão de desenhar. Meus sentimentos agora são provavelmente oriundos de expectativas exageradas e indagações constantes sobre o porquê de eu desenhar. Pensei em desenhar simplesmente porque gosto, mas isso me faz pensar que eu só estaria perdendo tempo ao desenhar só para mim. A arte deve dar prazer aos sentidos das pessoas. Se eu não for bom para elas, não tenho razão para ser artista.

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