Analecto

31 de março de 2012

Estou… clinicamente abaixo do peso.

Filed under: Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yurinho @ 17:06

That Looks Nice | SoFurry.

Minha mãe não aguentava mais o fato de eu ser tão magro. Além disso, ela disse que aquela gripe só me deixou no chão porque eu não tenho forças para resistir à doenças. Desde aquele dia, ela planejou algumas visitas a clínicos gerais e hoje o médico me confirmou algo que eu, no fundo, já sabia: estou abaixo do peso ideal. Na verdade, estou abaixo do peso mínimo, seis quilogramas para ser exato.

Tenho 1,71m e peso 52kg. Meu peso mínimo deveria ser 58kg e meu peso ideal seria 66kg. O médico me passou estimulantes de apetite e polivitamínicos. Honestamente, acho que isso vai falhar, como falhou todas as outras vezes. Meu peso é 52kg há dois anos. Bom, pois bem… Admito que estou trapaceando no polivitamínico. É um comprimido tão obscenamente grande que, quando eu o vi, me perguntei se eu tinha mesmo que tomá-lo por vias orais. Senti medo de me engasgar. Daí, tive a ideia miraculosa de mastigar o comprimido e engolir o conteúdo. Quase ponho meu almoço para fora. Por dentro, o comprimido é uma pasta oriunda da síntese de Panax ginseng e adições pesadonas, como quantidades de vitaminas que lhe permitem dispensar todas as refeições e você não sentir nada além de fome. O estimulante de apetite tem funcionado contudo.

Além disso, tenho que tomar um xarope que, de acordo com a bula, pode causar náusea em alguns pacientes. Ah, meu Pai… esta é a palavra mágica. Se você quiser me deixar com medo, fale de náusea. Mas eu tomei porque supus que era um efeito raro. Esperemos que meu corpo não seja tão fraco assim a ponto de passar mal com um expectorante.

A verdadeira razão da minha condição é minha fobia. Sou extremamente criterioso com o que eu como e em que quantidade, para minimizar a possibilidade de vômito. Além disso, comer pouco prolonga a vida. Por outro lado, não posso ser considerado saudável em nenhum sentido com um peso tão baixo e uma mente tão conturbada. Ainda assim, não vou voltar para a terapia.

30 de março de 2012

Pergunta do Roger.

Filed under: Livros, Notícias e política — Tags:, , , — Yurinho @ 15:13

I hate Stalin, I hate Mao and I hate Fidel cos they´re not communists. They´re some kind of state capitalism. Communism is the future. There´s no future in capitaslim. Some doubt? Bulls on parade!

Arqpita, 14 horas atrás, via Bulls On Parade – Rage Against The Machine – YouTube.

Certa vez, meu colega, Roger, me perguntou por que o socialismo ou o comunismo não dão certo, visto que eu estou estudando Lênin. Eu posso estar errado, mas arrisquei a seguinte resposta:

Marx saw the communism as an advanced stage of human social evolution. So, people took advantage [of] it and put up the label “communism” in their ditactorships, tricking people into believing it was progress. Indeed, that wasn’t communism, they pretended it was to gain people’s support.

Nenhum dos meus professores concorda em chamar de comunismo ou socialismo os sistemas autodenominados socialistas ou comunistas da atualidade. De fato, não são. Quase todos, se não todos, tendem à ditadura. Por causa disso, o mundo fica assustado com a ideia de tornar-se socialista ou comunista, porque essa gente passa uma má imagem desses sistemas. Além disso, as máscaras deles caíram e seus truques não mais funcionam.

Mas ainda há desinformação a respeito do que são esses sistemas não-capitalistas, não baseados na concentração de poder nas mãos de uma minoria exploradora denominada burguesia. De acordo com a Wikipédia, Socialismo refere-se a qualquer uma das várias teorias de organização econômica advogando a propriedade pública ou coletiva e administração dos meios de produção e distribuição de bens e de uma sociedade caracterizada pela igualdade de oportunidades/meios para todos os indivíduos com um método mais igualitário de compensação.” Não é o mesmo que Comunismo, este seria “uma ideologia política e socioeconômica, que pretende promover o estabelecimento de uma sociedade igualitária, sem classes sociais e apátrida, baseada na propriedade comum e no controle dos meios de produção e da propriedade em geral.”

Um dos meus professores definiu o socialismo como o governo do proletariado e o comunismo como ausência de Estado. Apesar de parecerem sistemas impossíveis, muitos acreditam que passaremos para eles naturalmente ou revolucionariamente, porque a humanidade vai cansar do capitalismo algum dia. Será?

28 de março de 2012

Acho que vou adoecer de novo.

Ugh.. School… | SoFurry.

Estou pegando chuva todos os dias. Também relevando a possibilidade de comprar um bote. Hoje choveu com tanta intensidade sobre Capital que ocorreu um acidente feio. Ao que aparenta, um ônibus e uma carreta bateram, matando dois indivíduos. Alguém dentro do ônibus em que eu estava avistou o ocorrido e disse:

Eita, o cara ali morreu!

Todos desembaçaram suas janelas para ver os cadáveres, aproveitando o engarrafamento para ver melhor. É incrível como esse pessoal gosta de um morto. Bom, nunca vi alguém que não comesse presunto.

Após descer do ônibus, tive que enfrentar o resto do caminho à pé. As pistas pareciam rios e eu fiquei ensopado, pelo menos nas pernas, já que eu estava de capa. Chegou um momento em que fiquei ilhado numa parada de ônibus, ponderando o que fazer. Não querendo chegar atrasado, juntei forças e disse:

Leptospirose, aqui vou eu!

E andei pelo lago que se formou ao redor da maldita parada. Mas eu cheguei à tempo e pude assistir aula. Acabou que nenhum trabalho decisivo foi ministrado ainda e eu ainda não perdi nota, pelo menos é assim em história da filosofia e em filosofia social e política. Tenho que arrumar o livro “A missão do sábio”, de Fichte, para manter-me à par do conteúdo de história da filosofia. Quando terminamos Fichte… estudaremos Hegel. Já sinto a dor.

26 de março de 2012

Voltei às salas de aula.

Magical Academy Nightlyre | SoFurry.

Eu poderia ter voltado antes, mas eu não queria morrer congelado. A prova sobre Kant foi cancelada e teremos que apresentar temas aleatórios no decorrer do curso, como em filosofia social e política. Só que a professora de história da filosofia não nos deu tema. Ela dará um tema quando nossa equipe for requisitada a apresentar-se.

Só tem um problema… Faço parte da terceira equipe e em breve estudaremos Hegel. Eu terei de apresentar um aspecto da filosofia hegeliana, a qual eu não consigo engolir. Estou traumatizado desde o terceiro semestre, quando eu quase desisti do curso inteiro, mas decidi desistir apenas das disciplinas noturnas. Hegel pode ser mortalmente maçante, com suas explicações que só complicam tudo ainda mais.

Eu sei que não vou conseguir aprender com o professor tão bem quanto aprendo da Internet. Então acho que será uma daquelas apresentações que estudarei de última hora e apresentarei secamente.

21 de março de 2012

Ainda meio doente.

Filed under: Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yurinho @ 22:25

Ill wind blows… | SoFurry.

Apesar da maioria dos sintomas ter desaparecido, continuo tossindo como se não houvesse amanhã. Estou tossindo tanto que minha garganta começa a doer e, apesar de querer muito, não consigo parar de tossir. Aliás, ninguém consegue; aparentemente, contaminei o resto da família. Fui ao hospital hoje e a doutora me passou um remédio que se dissolve quando eu o mastigo com água (não engulo pílulas de uma vez, eu as mastigo para ter certeza de que não me engasgarei) e que tem um gosto, no mínimo, singular. Enquanto digito isto, já tossi mais de sete vezes. Minha garganta coça por causa de uma secreção maldita que vaza de algum lugar, irritando minhas vias aéreas e me forçando a tossir, o que só faz minha garganta doer e não para a secreção… nem a coceira. Tive muita dificuldade para dormir ontem; passei três horas na cama sem conseguir colar as pálpebras (moderando as gírias por causa do Roger). Eu não aguento mais. Começo a relevar a possibilidade de cortar meu pescoço. Maldição. Minha mãe disse para eu tossir com menos força, mas ela não deve saber o quanto isso é difícil considerando o quanto esta porcaria coça.

20 de março de 2012

Faltei.

Filed under: Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yurinho @ 20:35

Mega Drive VS Snes – Sparkster – Stage 1 Music – YouTube.

Apesar de estar melhor hoje, resolvi não ir para a faculdade por causa dos ar condicionados. Tem vezes que eu realmente fico com frio na sala de aula, frio de bater os dentes. Eu não quero recair. Além disso, hoje tive tontura, náusea e queda de pressão por não ter me alimentado direito ontem. Por causa da náusea, comi menos da metade do que sou acostumado a comer. Hoje meus hábitos alimentares começaram a voltar ao normal, se é que posso chamá-los de normais. Tenho que marcar um maldito dentista antes que minha boca torne-se uma maquete em alta fidelidade das ruas de Capital. Amanhã voltarei à sala de aula, graças a Deus. Detesto faltar.

16 de março de 2012

Ah, meu Deus, isto não é possível!

Filed under: Música, Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yurinho @ 22:18

Inbox – PMs | SoFurry.

Estou doente. Ha, isso quase nunca acontece, embora minha condição física seja abaixo da média, tal como meu peso por ser absurdamente seletivo com comida.

Hoje minha mãe colocou veneno no quarto. Devo ter sido infectado pelo vírus-T então. Primeiro, tosse, depois dificuldade de respirar. Típico de veneno em spray. Depois, frio mortificante e febre súbita, dor de cabeça e náusea. Tem sal do meu lado, não se preocupem.

Além disso, meu nariz me irrita. Tomei (ou melhor, “fingi” que tomei) dipirona e água, daí sal, porque a porcaria da dipirona deixou meu estômago pior e minha cabeça pior ainda, já que morro de medo de vomitar.

Eventualmente, a náusea e o frio pararam. Ainda estou com um pouquinho de dor de cabeça, deve ser o SID. Bem que Renan disse que chiptune faz mal. Mas é tão melódico que vou continuar ouvindo.

Por falar nisso, tenho ficado mais irritadiço, fato que culminou com uma briga feia entre mim e minha mãe. Eu achei a raiz do problema: headphones. Eu estava ficando bravo por qualquer barulho e minha casa é muito barulhenta. Eu já estava acostumado, mas ouvir música em headphones em casa e no “executor” de .mp3 fora de casa estava deixando meus ouvidos sobrecarregados. Eu mal conseguia escutar algum ruído sem mandar todos na sala pro portão número um do Inferno. Em menos de três dias, meu temperamento recuperou-se quase totalmente; só precisei trocar os fones por caixas de som.

15 de março de 2012

E como se quebra um tabu?

O texto abaixo é uma honesta aula filosófica baseada em Abuse by Defintion? The Taboo as Excuse, escrito por Frank van Ree, com sugestões de como as ideias contidas em tal escrito podem ser usadas para desenvolver o país e ajudar as pessoas a se compreenderem.

O que é um tabu?

Tabu é qualquer proibição que não possa ser suficientemente justificada pela razão. A maioria dos grandes tabus em todas as culturas é sexual. No Ocidente, a homossexualidade e até mesmo o sexo oral já foram tabus. Se um tabu não se apoia na razão, no que ele se apoia? Geralmente na religião ou na estética (é feio, por isso deve ser também errado). Ainda existem tabus hoje em dia. Por exemplo, não há evidência conclusiva de que pornografia faça mal a adolescentes que a consomem. Por outro lado, há quem defenda o contrário, que pornografia não faz mal a nenhum adolescente. Outro tabu dos nossos tempos é a relação sexual precoce: no Brasil, a idade a partir da qual uma pessoa pode legalmente fazer sexo é catorze anos, mas, enquanto muitos dizem que tal idade é muito baixa, há quem diga que ela poderia ser doze.

Esses são exemplos de tabus graves, que poucos ousam desafiar. Mas existem tabus mais leves que são quebrados cotidianamente, quando não há punição estatal associada à tal quebra. Exemplo: pornografia. Um monte de gente consome pornô, mas o fato de que esse ainda é um “tabu fraco” é mostrado pelo fato de que temos vergonha de falar dela. Embora muitos consumam pornografia e tal indústria gere um lucro exorbitante, poucos que a consomem admitirão consumi-la, isso se alguém tiver o nervo de perguntar em primeiro lugar. Não é estranho? Sexo está em todos os lugares nos veículos de comunicação de massa, mas, quando é pra discutir nossa própria vida sexual (a relação que temos com a pornografia faz parte da nossa vida sexual, mesmo que escolhamos não consumir pornô), mesmo com um amigo, somos tomados de vergonha. Por quê? Para alguns teóricos, a origem do tabu (e, consequentemente, dos sentimentos de culpa e vergonha associados ao desrespeito ao tabu) é a necessidade de estar em grupo e de manter a ordem do grupo. Então, talvez a vergonha venha da sensação de que falar dessas coisas prejudica nosso pertencimento a um grupo ou à sociedade.

Exemplo de tabu: a relação precoce.

Qualquer relação sexual na qual pelo menos um dos participantes não tem catorze anos é crime (ou ato infracional, se ambos forem menores de idade). O nome do crime é “estupro de vulnerável”, codificado penalmente no artigo 217-A, desde 2009. A parte interessante é que a lei chama de estupro até mesmo relacionamentos que ela própria reconhece como consensuais. É verdade, qualquer sexo forçado deve ser punido, especialmente se a vítima é criança ou adolescente. Mas pessoas do direito questionam se faz sentido punir qualquer um que se relacione com pessoa que não tenha catorze anos ainda. Pense: se a relação é inócua, voluntária e há afeto entre as partes, seria necessário punir, especialmente se ambos são adolescentes? É importante observar que não precisa haver sexo pra que a relação seja punível, basta que se figure um “ato libidinoso”. Se a libidinosidade é a diferença entre o namoro e a amizade, a lei está implicitamente dizendo que é proibido namorar antes dos catorze anos. Dois adolescentes de doze anos que se beijam podem, se tiverem azar, acabar conduzidos ao conselho tutelar. Nesse sentido, há fundamentação racional pra esse tabu (proteção à criança), mas a fundamentação racional é insuficiente: é preciso punir relacionamentos sem violência real, feitos de mútuo acordo?

De onde se origina esse tabu? O que torna um relacionamento inofensivo entre crianças e adolescentes tão abominável, a ponto de merecer um artigo no Código Penal? Duas coisas: informação insuficiente e desigualdade de força. Vivemos num mundo que valoriza a igualdade nos relacionamentos e a informação entre as partes. Então, permitir tais relacionamentos equivale a dizer que igualdade, por exemplo, ou plena informação não são sempre necessárias. Uma relação sem esses elementos é ilegal por atacar valores sociais, particularmente os construídos pelo feminismo, que preza pela igualdade. Mas e se o relacionamento for positivo? Mesmo assim será suprimido. Não por ter prejudicado alguém, mas por ter contrariado valores sociais, por ser “ofensivo”, desonrando valores que temos por caros. Por causa disso, Allie C. Kilpatrick argumenta que existem duas formas de abuso: o abuso de vítima humana e o abuso dos valores sociais, que são desafiados e questionados com a atitude que se rotula abusiva.

E como se quebra um tabu?

Um tabu é mantido quando existe vergonha de discuti-lo. Quando você fala algo que desautoriza um tabu, todo o mundo rapidamente tenta te fazer sentir vergonha do que você falou. Se você cede e se envergonha, retirando o que disse, você trabalha para a manutenção do tabu. É também assim que tabus são criados. Se alguém tenta fazer sentir vergonha de como você pensa, do que você fala ou da forma como você age, você não deveria ceder. Se você cede, você contribui pra que a preferência de um grupo se transforme em política pública. É verdade, sempre devemos obedecer às leis, mas isso não quer dizer que as leis devem permanecer indiscutidas. Analogamente, se você se omite em uma discussão porque o debatedor tenta fazer você sentir vergonha de sua posição, você ajuda o debatedor a tornar sua opinião hegemônica.

Se a origem do tabu é a necessidade de pertencimento a um grupo, somente um sentimento social pode mantê-lo. A vergonha é um dos sentimentos sociais mais poderosos, porque nos leva a nos conformar com a forma de pensar do grupo. Passamos a querer mudar quem nós somos a fim de pertencermos à sociedade, mesmo quando discordamos de algum aspecto dela. Isso é uma atitude apenas parcialmente racional, porque se funda, em última análise, no medo, que é uma emoção.

Recomendações.

Como o ser humano não é um ser sujeito somente à razão, sempre haverá tabus, em todas as culturas. Não importa qual seja o tempo ou o local, sempre haverá pelo menos uma proibição irracional ou apenas parcialmente racional vigendo. Isso é especialmente válido em relação aos tabus que se originam na religião. A religião é um assunto indiscutível pra aqueles que têm fé. Então, ao menos esses tabus nunca deixarão de existir.

Maioria dos tabus ocidentais dizem respeito às relações sexuais, quais são lícitas e quais são ilícitas. O tabu sexual mais popular, em todas as culturas, é o incesto, o qual é parcialmente racional, especialmente hoje que sabemos que relações incestuosas podem ocasionar fetos defeituosos (o que nos leva a nos perguntar se o incesto protegido entre irmãos deveria ser abominável). Claro que existem proibições sexuais válidas, como a interdição ao estupro. Não estou querendo dizer que qualquer interdição sexual seja tabu. Mas a homossexualidade já foi uma interdição sexual para a qual não se encontrava amparo racional. Quem sabe? Talvez, no futuro, percebamos que nossos tempos não são tão liberais como poderiam ser.

Quando um tabu é detectado, seja ou não um tabu sexual, ele pode ser contestado pela sua franca discussão. Se você quer que algo que você considera tabu deixe de ser tabu, você precisa discuti-lo. Graças à Internet, é possível discutir um tabu sem sofrer consequências físicas por conta disso. Ninguém pode de dar um murro pela Internet. Por outro lado, é possível fabricar um tabu reprimindo aqueles que discutem um tema que ainda não é tabu.

Por exemplo: o feminismo frequentemente é contestado pela biologia, a qual diz que existem diferenças de comportamento e vocação entre os sexos que são proporcionadas por fatores biológicos, como configuração hormonal e fiação cerebral. Tais diferenças explicam a regra de que mulheres são população minoritária em cursos de ciências naturais e exatas. Toda regra tem sua exceção e dizer que nenhuma mulher seria boa em ciências naturais seria sexismo, isto é, julgar todas as mulheres pelo fato de serem mulheres, sem levar em conta o mérito individual. Olha a Marie Curie.

Mas o fato é que, se devemos crédito à biologia, as diferenças de comportamento entre homens e mulheres não podem ser totalmente atribuídas à cultura. Poderíamos até inferir que a cultura é moldada por algumas de tais diferenças, e não a cultura que engendra todas as diferenças entre os sexos. Você tende a gostar daquilo no que você é bom. Se a mulher, em geral, subtraindo os casos excepcionais, é melhor em ciências sociais do que em ciências exatas e da Terra, é natural que elas não prefiram ciências naturais. Forçar uma representação totalmente igualitária em cursos de ciências naturais seria forçar um número de mulheres a cursar o que elas não gostariam de cursar, o que seria um atentado a sua autonomia.

Se alguém quisesse reprimir tal tipo de discurso, seria necessário torná-lo indiscutível, não por sua validade, mas incutindo vergonha aos que o professam. Quem diz algo assim, mesmo que seja um doutor renomado, seria rotulado de fascista, sexista ou misógino. Pela vergonha, tenta-se fazê-lo deixar sua opinião ou não tocar mais no assunto. Contestar o dogma de que as diferenças sociais entre os sexos, particularmente na distribuição sexual nos cursos de ciências exatas, deve-se somente à cultura torna-se tabu. Não o questionamos, só aceitamos, por medo de que a contestação prejudique nosso pertencimento à sociedade. Isso, obviamente, representa um risco à democracia. Sempre que se cria um tabu, isto é, uma proibição inquestionável, se reduz nossa capacidade de questionar e, consequentemente, opera-se uma nova redução no nosso direito de liberdade de expressão, fundamental a uma democracia plural. Se somente discursos favoráveis forem permitidos, não há democracia “plural”, mas supremacia ideológica.

Novamente, graças à Internet, é possível defender qualquer ideia de forma mais ou menos anônima. Então, questionar qualquer tabu ou impedir a escalada de uma atitude que fabrique novos tabus, não necessariamente implica em um estigma social. Por causa disso, ninguém deveria sentir vergonha de, na Internet, defender opiniões “politicamente incorretas”, desde que seja capaz de fazer isso legalmente, sem recorrer ao artifício do discurso de ódio ou das notícias falsas. Como cidadão que preza pela liberdade de expressão, é preciso que você não permita que novos tabus sejam estabelecidos. Pra isso, tenha consigo a seguinte regra: sempre que alguém tentar fazer sentir vergonha ou culpa por suas posições, não ceda. Se você ceder, você ajuda aquela pessoa a transformar sua própria preferência em política pública. Digo “preferência”, porque, se fosse verdade, a pessoa se daria ao debate, em vez de tentar calar você.

13 de março de 2012

Volterei ao Colégio.

Pro Chris. by Yure16 < Submission | Inkbunny, the Furry Art Community.

Para o trabalho de estrutura e funcionamento do ensino fundamental e médio, terei que visitar uma escola pública para pesquisar a situação do ensino público nacional na visão dos funcionários e alunos. Será divertido.

A escola que eu visitarei? Passei anos estudando no Colégio, do ginásio ao fim do ensino médio. Foi onde tive contato com filosofia, com RPG, com o Nexus.

Vai ser divertido; terei uma chance de zoar da cara da diretora e da sua administração.

12 de março de 2012

Tenho que estudar isto.

Filed under: Livros — Tags:, , , — Yurinho @ 21:30

O Estado é a Revolução Lênin – Pesquisa Google.

Entrei na segunda equipe do trabalho de filosofia social e política. Estudaremos o Estado e, para tal, usaremos o tal “O estado e a revolução”, de Lênin. Mas… suponho que seja um livro monolítico, tipo, enorme.

Acebei de abrir o livro e me deparei com cento e trinta e uma páginas de vermelho. Jesus, tomara que as apresentações ocorram em câmera lenta.

Tenho que ler o bagulho todo; meu professor disse que, quando se faz um trabalho sobre a teoria política marxista, você não pode ler apenas um pedaço de um tomo, pois o marxismo é um sistema coeso, cujas partes dependem uma da outra. Se eu tentar ler só a parte sobre a qual vou apresentar, não entenderei nem minha parte nem o sistema marxista.

Então, sendo o bom menino que eu sou, tolerarei e amarei o livro até as malditas últimas páginas. Nada tenho contra o comunismo ou o socialismo (e, levando em consideração o fato de eu ser burguês, nem contra o capitalismo), mas eu não sei se terei tempo e sinto uma onda súbita de estresse prestes a me assolar quando a coisa ficar vermelha. Minha parte malvada quer que eu leia só a minha parte e leia a síntese da Wikipédia sobre o livro ou uma síntese em qualquer outro lugar. Sinto me tão tentado que acho que vou ceder, ha. Mas e quanto ao papo de tolerância e amor até as malditas últimas páginas? Mm, não sei o que fazer. O certo e difícil ou o parcialmente certo e consideravelmente mais fácil?

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