Analecto

28 de abril de 2012

Duas coisas boas ocorreram.

Filed under: Computadores e Internet, Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yure @ 16:20

Era uma vez um lobo e um gato. Eles se conheceram por acaso, tornaram-se amigos e, com o passar do tempo, ficavam cada vez mais íntimos. Partilhavam segredos, brincavam juntos, se ajudavam nos momentos de tristeza. O gato começava a sentir algo pelo lobo. Era um sentimento profundo e persistente, mas, por causa de más experiências no passado, o gato não queria arriscar confessar ao lobo seus verdadeiros sentimentos. Ele se julgava imaturo demais para conduzir aquele tipo de relação, achava que iria arruinar tudo, achava que iria acabar voltando ao patamar de amizade cedo ou tarde.

Meses se passaram e o gato tentava manter suas emoções sob controle; ele tinha um voto a cumprir, o voto de nunca mais namorar sob qualquer circunstância. Até o momento, ele havia se conformado. Mas aí aconteceu. Certo dia, o lobo se comprometeu com uma raposa. O gato ficou arrasado, mas tentou não entrar em pânico; talvez a raposa não fosse uma aberração possessiva que iria impedir o lobo de, pelo menos, ser seu amigo. Mas, conforme os meses se arrastavam, a liberdade do lobo era limitada cada vez mais. Eventualmente, o gato e o lobo deixaram de se ver, porque a raposa era ciumenta.

O mês que se seguiu foi extremamente doloroso para o gato. Ele chorou, se torturou, ficou doente, pensou nas piores possibilidades. Mas ele teve uma ideia. Talvez ele pudesse ficar perto do lobo de novo se ele se tornasse amigo da raposa. E assim foi. Mas isso não ajudou. O gato confessou seus sentimentos ao seu novo “amigo”, disse que estava apaixonado pelo lobo, mas a raposa apenas ficou constrangida pela confissão. O gato pôde falar com o lobo mais algumas vezes… e o que ele ouvia não o agradava: o lobo esta ficando cada vez mais coibido pelas leis da raposa. No final das contas, o plano infalível do esperto gato provou-se um completo fracasso.

O gato então percebeu onde estava seu erro: sua insegurança. Se ele não tivesse se segurado, se não tivesse negado ao seu coração aquilo que ele realmente queria, o lobo não estaria sob um jugo tão desigual. Mas o lobo poderia acabar a relação assim que achasse necessário, certo? Se ele continuava naquilo era porque, de alguma forma, ele estava feliz, certo? O gato tinha uma crença de que o verdadeiro amor não é a possessão do outro, mas a busca pela felicidade deste. Então, o gato decidiu parar de tentar falar com o lobo e deixar que ele fosse feliz com a raposa até que a relação terminasse por desgaste ou até que ambos fossem felizes juntos até o derradeiro suspiro. Mas ele não conseguia.

Pelo menos uma vez por mês, a saudade era tanta que o gato quebrava todos as suas promessas, ia contra todas as suas decisões, tudo por pelo menos uma carta, uma resposta, um simples sinal de vida do lobo. Eles falavam por um tempinho, mas era só isso. E o gato então decidia que não incorreria no mesmo erro novamente e que deixaria o lobo em paz. Apenas para falhar novamente e ceder aos seus sentimentos.

Foi assim por um ano e meio. O gato até havia procurado amor em outros animais, mas nada conseguia sarar a dor incessante em seu coração. Dia e noite, por dezoito longos meses, ou seriam mais? Em suas andanças pecaminosas pelos prazeres da vida, em sua busca pelo alívio da tristeza, o gato encontrou o lobo em um lugar onde a raposa normalmente nunca o deixava ir. O gato pulou de alegria e imediatamente foi falar com seu amigo. Enquanto conversavam, o lobo disse que sua relação com a raposa havia encontrado seu fim. O gato não pode conter a emoção e ficou visivelmente feliz com a notícia, mesmo quando sua razão o dizia para, pelo menos, fingir que sentia muito. O lobo simplesmente riu também. Eles sentaram-se e conversaram por alguns minutos. Não que o lobo tivesse que voltar para a casa da raposa, mas porque era tarde da noite e ele estava cansado. O gato ficou extremamente feliz por ver seu amigo sorrindo, livre de quaisquer coibições. O gato disse que ele havia sofrido muito, que ele amava o lobo, disse a ele tudo o que havia acontecido em quase dois anos de sofrimento particular. O lobo então sorriu mais uma vez e, quase que rindo, disse:

Okay, Yure, I’ll make sure to pet you when you need to be petted.

Assim, o lobo e o gato voltaram a ser bons amigos e, quem sabe, num futuro próximo, acabem tornando-se algo mais.

Moral da história: sempre diga o que você precisa dizer, antes que seja tarde demais.

Fim da fábula.

A outra coisa boa que me ocorreu foi o lançamento do Ubuntu 12.04 LTS, Peeing Panda. Além da substituição do Banshee pelo Rynthimbox, não vi muita coisa diferente. Tenho que explorar um pouco mais.

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4 Comentários »

  1. Feeling better is well, better than nothing!!
    I found the story to be very heart warming in the end… and the moral is VERY true!!!
    I’m hoping your problems that keep you away from full happiness will resolve soon enough… the key is not to get beat down so badly by them…

    *hugs*
    ^_^

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    Comentário por 1childish1 — 28 de abril de 2012 @ 21:37

    • I kinda dig depression, hehe. I’ll keep it in mind, Childish. Also, I’m very “crushy”. Like, I have that thing for that wolf, but also for another wolf and bit towards you, even. One of the reasons I can’t mate (like, closed mateship, because I’m engaged in an open one, meaning that him and I can have someone else too) is because it might put limits in our freedom and because /I can’t choose/. Awie… Things from the heart.

      Em 28-04-2012 21:37,

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      Comentário por Yure T. Kitten — 29 de abril de 2012 @ 13:35

  2. Good to hear you finally feeling better (I was wondering if you´ll be happy someday)

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    Comentário por Roger — 28 de abril de 2012 @ 18:02

    • I’m better, but not completely healed. I have still other problems going on, stuff I have to solve. I can’t be happy until my life is perfect, I think. But “perfect” is relative.

      Em 28-04-2012 18:03,

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      Comentário por Yure T. Kitten — 28 de abril de 2012 @ 20:25


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