Analecto

10 de outubro de 2012

Resumo das aulas.

Messages | Inkbunny, the Furry Art Community.

Essencialmente, a crítica que Feuerbach e Marx fizeram ao senhor Hegel. Até gostei, mas… as aulas estão ficando cada vez mais líquidas em vários sentidos. Feuerbach matou a tradição filosófica e Marx deu o golpe de misericórdia. Isso é no mínimo desanimador para alguém que passou seis semestres estudando filosofia. Professor disse que devemos ser fortes; Nietzsche nem matou Deus ainda e quase metade da classe desistiu da disciplina. Imagine os católicos da sala de história da filosofia do Brasil.

O fato de que Professor não se pronuncia sobre o empirismo me incomoda; a crítica dos dois é contra, especificamente, a filosofia especulativa, aquela coisa lógica, gelada, que tenta justificar o sensível com o suprassensível. Mas isso deve-se ao fato de que, segundo Professor, o empirismo não faz parte da tradição filosófica por ter apenas quatrocentos anos de existência. Até que faz sentido, já que “tradição” pressupõe algo de séculos atrás. Isso então significa que a filosofia não havia sido morta por completo, prova disso é que ela ainda existe. Mas ainda assim, ouvir que a filosofia morreu em Marx vez após vez me faz querer sair da sala. Quero dizer, o que estou estudando? Se eu quisesse estudar um cadáver, eu teria me matriculado em medicina, para a alegria do meu pai, que viu o curso de medicina da creche ser inundado por filhinhos de papai que, ao ver dele, não eram metade da pessoa intelectual que eu era na época, dois anos e meio atrás. Eu mudaria de curso se estivesse estudando isso no primeiro semestre. Mas a filosofia vive, fato, mas me incomoda ele usar a expressão “a filosofia morreu” o tempo todo, equivocadamente, quando eu e ele sabemos que não é assim. Por mais que eu toque no empirismo e por mais que ele admita que a treta do Feuerbach não era com os filósofos empiristas, ele continua dizendo essa besteira. Parte da culpa, aliás, toda a culpa é minha, contudo, por ser tão sensível. Se eu sei que está errado, por que me incomodo tanto? Talvez por eu não ter o mesmo respaldo que ele tem e porque os outros alunos podem assimilar isso como fizeram com Sartre no primeiro semestre e eu tive que aturar a ladainha existencialista deles até o quarto semestre, quando me distanciei do meu fluxo. Assim, acabarei ouvindo que a filosofia morreu em Marx também dos alunos, o que, mesmo não sendo verdade, é perturbador, deprimente e irritante. É como se fosse o igualmente irritante discurso jeovista da minha mãe, mas de ponta a cabeça.

Em história da filosofia no Brasil, falamos, acho, do liberalismo e do socialismo cristão, de como a Igreja Católica, na Comunhão dos Santos, ergueu-se contra o ensino público que tantos fiéis usam hoje em dia. A Igreja sempre foi, pelos menos parcialmente, guiada pelo lucro e queria transformar a educação em mercado, pois ela perderia terreno se a educação tornasse-se pública. Também um bocadinho sobre Paulo Freire, mas não prestei atenção, como de costume; história do Brasil é mortalmente monótona e não há nada na disciplina que não seja discutida em outras, exatamente porque o país é eclético, nossa filosofia é uma combinação seletiva das correntes filosóficas de fora: anarquismo, marxismo, aristotelismo, tomismo, empirismo e pragmatismo, coisas que estou já quase enjoado de estudar. A diferença é que, no país, pelo menos na época que estamos estudando, essas correntes de pensamento são ou resumidas e diluídas ou levadas ao mesmo patamar estrangeiro. Parece que o país realmente não produziu nada de filosoficamente original. Isso transforma a disciplina em simples documentação dos fatos, história da filosofia do Brasil em história do Brasil, possivelmente estimulante em… decepção, desculpe-me.

Talvez haja textos originais daqui, textos relevantes, que apresentem algo novo e que eu ainda não tenha lido, mas minha professora não parece conhecê-los.

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