Analecto

28 de novembro de 2012

Incesto.

Filed under: Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yure @ 14:23

User control panel — Fur Affinity [dot] net.

Tivemos um par de conversas em psicologia evolutiva nível um. Uma delas foi sobre o complexo de Édipo. Para quem não sabe, é o amor erótico que o filho sente pela mãe, acompanhado de um forte ciúme contra o pai. De acordo com os freudianos, esse fenômeno é a raiz de muitas, se não todas, as patologias sexuais, muitas delas eu nem vejo como patologias. Pois, isso acabou com a professora dizendo que isso orienta os relacionamentos e a sexualidade humana. Assim, todo o homem procura uma mulher que tenha alguma característica da mãe, o que é aceitável. Mas aí a conversa tomou o rumo de “os filhos mais velhos das mães são seus maridos”, que homens não maturam de fato e que esposas, no final, continuam o trabalho que as mães tinham com eles. Isso foi mortalmente ofensivo, embora muitas vezes verdadeiros. Só quem participou da conversa foram as mulheres (e um homossexual), rindo-se e comentando. Os homens ficaram calados.

Confesso que tenho vergonha de ser macho; acho que as mulheres fariam melhor casando-se entre si só para não perderem tempo conosco, com o tanto que nos deixassem em paz. Nunca me sinto completamente à vontade quando perto de uma mulher, porque o conceito que elas têm de nós é geralmente ruim. E sinto que só lhes dou razões para continuarem pensando assim, se é que de fato pensam, supondo que não estou incorrendo num sexismo. Não me entendam mal, gosto de ser o que sou, mas às vezes sinto que ser o que sou é simplesmente inapropriado, mesmo que não seja algo comportamental, mas físico e imutável. É como se eu nunca fosse bem-vindo perto das fêmeas. Elas me olham de cima a baixo, fazem trocadilhos, pegadinhas lógicas, soam sarcásticas e podem ser extremamente ofensivas. E eu nunca nem fiz nada contra elas. É como o tratamento entre pessoas e cães: você não leva um cão tão a sério, ele não precisa provar sua burrice para nós para que você o trate assim, porque é pressuposto que ele assim é.

A coisa acabou indo para o lado do incesto e da atração genética. Muitos são contra o incesto por puro preconceito e o homossexual da sala mostrou orgulho de ser preconceituoso contra o incesto, isto é, de odiá-lo irracionalmente e até disse que aqueles que cometem incesto deveriam ser mortos. Onde já ouvi isso antes? Eu não tenho nada contra o incesto, admito. Esse negócio de dizer que a família é sagrada é… não sei, ir na contra-mão das coisas. O homossexual sustenta a liberdade de escolha e de ação e a aceitação da diferença e depois diz que a família é algo sagrado? No século vinte e um, nada é sagrado. Eu achei aquilo absurdo, especialmente vindo de alguém cujo grupo foi perseguido (e ainda é) ao longo de toda a história.

O que me preocupa em relações incestuosas são os filhos: como o código genético dos pais é muito parecido, a combinação entre genes defeituosos é mais fácil. Meu professor de biologia disse que filhos de relações sexuais entre irmãos, por exemplo, são deformados em algum aspecto em cinquenta por cento dos casos. Mas a pós-modernidade está saturada de métodos contraceptivos. Alguém pode dizer: “então você é a favor de relações sexuais entre pais e filhos menores de idade!” Se essa relação não resultar em dano, sim.

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26 de novembro de 2012

Nietzsche e o primeiro fim de disciplina.

Rainy Mood.

Começamos a estudar Nietzsche hoje em história da filosofia nível cinco. Graças a Deus (sem trocadilho), posso deixar para trás a ladainha marxista do meu professor e focar em algo mais leve. Digo, Nietzsche é fácil e, comparado a Feuerbach, é mais leve no que tange Deus. Não que Nietzsche seja leve, só é mais leve que Feuerbach, a meu modesto ver.

Começamos entendendo o contexto histórico no que Nietzsche estava inserido: a Alemanha tinha uma concepção da Grécia como sendo um povo artístico “adequado”, perfeitinho, escultural. De fato, acreditava-se que o sensível e o espiritual ficavam em pleno equilíbrio na escultura grega; você não olha para uma estátua de Atena e vê pedra, mas vê Atena. Seu espírito então se eleva ao transcendente por meio de algo sensível, de forma que você não se atém à matéria-prima da estátua, mas ao seu significado religioso ou espiritual ou o escambau.

Nietzsche discorda disso. Ele disse que a arte grega, por excelência, não é a escultura, mas a tragédia. A tragédia, o drama de um personagem que começa bem e termina mal, o foco nas emoções e nas paixões, não a racionalidade e a simetria da escultura, era, para Nietzsche, o núcleo da arte grega. Na verdade, considerando como os diversos aspectos da cultura grega eram conectados, a tragédia poderia até ser considerada o núcleo dessa cultura. Por isso, o primeiro texto que estudaremos de Nietzsche é exatamente O Nascimento da Tragédia.

Já em história da filosofia no Brasil, fizemos uma revisão do que estudamos ao longo de quatro meses e tudo indica que as aulas desta disciplina terminarão na próxima semana, mais uma vez, graças a Deus. Ela contudo nos disse que quase teve um ataque cardíaco ao ler nossos artigos, porque a maioria dos alunos copiou os textos da Internet, integralmente. Eu fiz citações, intercaladas por material próprio, naturalmente. Mas uma coisa que ela disse me incomodou:

O estilo de escrita… não é estilo de escrita de aluno. Prefiro receber um texto cheio de erros de português porque você vê a dedicação e o esforço do aluno.

Sabe como eu entendi aquilo?

Alunos devem escrever mal. Alunos que escrevem coerentemente e obedecendo a norma culta estão, necessariamente, copiando de outra pessoa.

Santo Agostinho, que sacanagem foi aquela que ela disse? Eu sou aluno universitário e escrevo este blog desde que eu tinha dezesseis anos. Um biscoito para quem conseguir achar cinco erros ortográficos que eu cometi de 2009 pra cá. Além do mais, meu estilo de escrita é compatível com o estilo do artigo. Se ela botar muito queixo, mostrarei meu blog à ela, especialmente esta entrada.

21 de novembro de 2012

Sinto falta.

Filed under: Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yure @ 22:33

Acontece que minha mãe conseguiu um disco com uma música do grupo Bread. A música é chamada If e foi a primeira música (um cover) que ouvi do meu pai-de-pelo, que morreu de ataque cardíaco há um tempo. Ainda lembro daquele dia. Ele postou, aí eu ouvi e comentei algo como “tocante, mesmo para mim que não entendo inglês falado”. Ele me agradeceu do fundo da alma dele e ali nosso amizade começou; nossa relação anteriormente era estritamente artística, desde o tema que compus para o mapa do jogo do lobo.

Sinto falta dele e sinto vontade de chorar como um bebezinho toda vez que minha mãe escuta If. Até assovio a música. Quando meu pai-de-pelo a postou, fiquei tão emocionado com sua habilidade e com o humor da música que a baixei e passei a ouvi-la com certa frequência. Eu amava os covers que ele fazia.

Bem que eu gostaria de ouvi-los novamente, mas toda vez que sequer penso em visitar a antiga página dele no Fur Affinity, sou assaltado por uma angústia terrível.

18 de novembro de 2012

Tudo corre bem deste lado da parede.

Filed under: Livros, Música, Passatempos, Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yure @ 00:29

Pois é, senhores. Estou com o braço enfaixado depois de ter removido, com as patas, um cisto que não sei onde peguei. Estava muito inchado mesmo, já havia alguns dias. Mas agora as coisas voltam ao seu lugar. Quando esvaziei o conteúdo, ficou um buraco tão profundo no que antes era um inchaço que o fã de Muse poderia achar que todo o álbum Black Holes and Revelations foi concebido para aquele momento. Acho que vi uma plataforma flutuante de metal e quatro entidades se enfrentando lá dentro.

Meu médico disse que eu tinha que tomar Bezetacil® para me livrar do cisto. Claro que não tomei; não iria conseguir me sentar por um mês com a dose indicada (três injeções). Eu tomei Bezetacil® no passado, na minha infância, duas vezes e não estou muito a fim de repetir o feito. Preferi a solução lenta e trabalhosa de drenar o bagulho até a última gota.

Chega de falar de coisas nojentas. Terminei de reler a Antologia Ilustrada de Filosofia e já tenho planos para lê-la novamente; é um livro maravilhoso, uma verdadeira farmácia para minha razão, doente dos professores pretensiosos e sensacionalistas. Falando nisso, meu tio, a quem devo muito, visitou a cidade recentemente para dar as boas novas aos familiares: seu livro, uma compilação de poemas que ele escreveu ao longo de sua vida, foi publicado e eu inclusive ganhei uma cópia grátis. Estou em posição de dizer que o estilo do meu tio é bastante singular e chega a ser complicado, mas pude ler a primeira de quatro partes em trinta minutos. Há poemas que gosto, há poemas que não gosto, mas é um bom livro, como todo o livro de poesia vindo do coração do escritor.

Porém, o revisionista devia estar dormindo ou talvez comprou sua licença de revisionista no Zimbábue; o livro tem erros ortográficos imperdoáveis. Minha mãe disse que é porque a editora é pernambucana (perdoe-a, leitor pernambucano, ela só estava tentando ser engraçada). Além do mais, poucos brasileiros conseguem ter uma ortografia “perfeita” e imagino que os erros cometidos tenham sido do meu tio, que passaram pelos olhos desatentos do revisionista. Não espero que uma pessoa comum domine a barroca ortografia portuguesa, mas uma pessoa que trabalha com ela e ganha a vida com ela devia ter um pouco mais de dedicação.

Enquanto a mim, minha arte tem passado por maus bocados, a qualidade dos meus desenhos caiu e vejo os desenhos que criei um ano atrás e fico pensando se meu estilo de fato evoluiu ou simplesmente “mudou”. Já dizia Bergson, evolução nem sempre é progresso. Nunca quis que meu estilo ficasse muito diferente do que era quatro anos atrás, mas queria melhorar sem dúvida e, ainda assim, manter minha marca registrada, meu estilo não copiável.

Minhas histórias continuam seguindo como rotineiro. Sempre respondo as perguntas no caderno (O quê? Quem? Como? Onde? Quando? Por quê?), elaboro o esboço baseado nas respostas (introdução, desenvolvimento, clímax, conclusão) e escrevo a história com isso.

Mas estou especialmente satisfeito com minha música. Parece que meu bloqueio se foi de vez e as notas fluem pelo mouse até o piano-roll sem problemas. Minha vida seria mais fácil se eu tivesse um Korg Nanokey, já que colocar as notas num teclado virtual usando um mouse é um obstáculo à espontaneidade.

Olho para cima vejo a parede que construí, que nem a parede do Pink. Está alta e é muito forte, sólida. Acho que minha luxúria está sob devido controle e minha mente não mais é perturbada pelos assaltos do meu coração. É uma medida mórbida de defesa, mas relacionamentos realmente não são possíveis agora e a urgência que eu sentia para entrar em um suspendia minha razão temporariamente, me levando a esquecer os riscos. Mas agora tudo parece bem.

Sim, tudo está bem.

9 de novembro de 2012

Chocante?

Filed under: Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yure @ 01:59

Possibilities. Kids, I might be gay. Have been recently feeling palpitations and recurring fantasies that aren’t very fetishy towards classmates. I used to believe I was attracted to my kinks and not by people themselves, but I have been getting an urge to cuddle with some classmates and fantasizing about it makes my heart beat faster and my breath get shorter. It could be a manifestation of my attraction to pudgyness, however, since I don’t think on things that are explicitly sexual; I still feel nothing towards sex, even if I go nuts without pawing and I could paw someone else just fine. But I much prefer the idea of pawing a male. I thought I wasn’t gay because these were extremely kinky attractions, I couldn’t define if I was attracted to the kink or to the person and I still can’t. But if I feel my body [is] reacting this way (nothing from waist down, but arousal doesn’t manifestate only below the waist), I think I could be gay, as I surely never felt this way towards girls, even if the girl plays the fetish. Though I like cuddly parts of the female body, it isn’t in the same intensity, but the idea of cuddling with a girl (without the boring perfume some use and without a lot of words) is attracting nonetheless. While I don’t think it’s bad at all, I like to keep my emotions in check and being in a relationship brings a lot of responsabilities I’m not willing to take, ever. But having these feelings, that are new for me, I feel my reason being suspended for a while. I don’t want to do something I might regret and I hope these feelings don’t get out of paw. And I think the fandom played a big role developing my fetishes. Now I see someone who seems to meet the requeriments that fantasy characters meet when I fantasize about them. Viewed: 23 times Added: 1 day, 5 hours ago Friends Only: yes

Relutei em falar sobre isto. É uma possibilidade, de fato. Mas isso não é o que me preocupa mais. Achei que mencionar minha sexualidade neste jornal seria relevante, contudo. O que realmente me angustia é o fato de que uma parte de mim finalmente acordou para os relacionamentos, aos vinte anos. Mas eu não posso, em nenhuma hipótese, me permitir entrar numa relação desse tipo com alguém. “Desse tipo?”, alguém pode pensar. É, do tipo que você é mais que amigo. Eu não posso, nem com mulheres, nem com homens. “Por quê?”

  1. Limitação da liberdade.
  2. Mudança de hábitos.
  3. Esforço.
  4. Possibilidade de não-aceitação por parte do parceiro.
  5. Possibilidade de fracasso absoluto.
  6. Possibilidade de resfriamento.
  7. Ciúme.

Estas e outras são as razões que me impedem de me relacionar dessa forma com alguém, responsabilidades que eu não quero tomar e riscos que não quero correr. Não posso dizer que estou totalmente feliz com minha situação no momento porque parte de mim quer alguém como companhia e estou negando isso, mas acredito que estou mais feliz assim do que eu possivelmente estaria se eu namorasse. A raposa me disse que eu deveria tentar e tentou minar todos os meus argumentos. No final, fingi que aceitei sua sugestão, mas, sendo ela cinco anos mais nova que eu, provavelmente é o tipo de jovem que se deixa levar pelo momento e faz decisões do tipo “faça o que seu coração mandar”. Disse que eu não devo me preocupar com possibilidades, que possibilidades nada significam. Se nada significassem, Kierkgaard não teria escrito Aut-Aut.

Eu me preocupo, sim, com possibilidades e não posso, como uma pessoa dotada do mínimo de bom-senso, fazer o que meu coração mandar, pelo menos não o tempo todo. Não estou dizendo que todos estão errados em serem felizes com seus relacionamentos, mas eu não vejo benefício nisso, nem à curto prazo, nem à longo prazo. A palavra “benefício” na frase anterior significa “aspectos positivos que superam os negativos”. O que estou dizendo é que, pelo menos para mim, uma relação amorosa me traria mais males que bens e que, no final, não valeria a pena e eu estaria numa situação pior depois que eu saísse do que quando entrei, porque sou sensível e já falhei dessa forma no passado.

Talvez o leitor me ache um egoísta por pensar nos benefícios que uma relação amorosa me traria, mas (a) todos pensam nisso e (b) o que mais me preocupa são os malefícios.

Eu teria de sair da rotina, não poderia deixar o relacionamento esfriar e eu tenho quase certeza de que a maioria das pessoas do mundo jamais me aceitaria em minha totalidade. Claro que existem as pessoas que mudam por amor, com maior ou menor grau de sacrifício, mas a mudança seria em vão se o relacionamento acabasse e mudanças em aspectos-chave da sua pessoa poderiam lhe deixar infeliz na relação que você tanto queria, uma vez que você, mesmo estando com quem você gosta, é uma coisa que você não gosta.

Ainda não estou completamente seguro da minha sexualidade, mas essas sensações estão vindo com cada vez mais frequência e intensidade. Poderia ser, como o lobo disse, apenas solidão e falta de contato físico. Mas, independente da minha sexualidade, relacionamentos não são, pelo menos neste momento, uma opção.

Yes, really. It’s shocking and all, but isn’t like I changed greatly. I just discovered a possible new part of me. I still love myself as much as I used to.

6 de novembro de 2012

As aulas não mais me afetam.

As aulas de história da filosofia não surtem mais efeito em mim, o que é um excelente sinal. Minha felicidade voltou e me sinto apto a encarar o mundo novamente. Fora isso, entreguei meu artigo à professora e aqui está o resultado dos meus esforços:

https://docs.google.com/document/d/1PZTJu6EY9Dgh68gZI1Razhk4J0ndfsHcT3eUW3L1k-g/edit

   O Brasil foi exposto à filosofia europeia momentos após o descobrimento, quando a Companhia de Jesus entrou no Brasil a fim de catequizar os nativos. Os temas tratados eram, obviamente, extremamente religiosos, como a natureza de Deus, as formas de prová-lo e a maioria das doutrinas de Aristóteles e São Tomás de Aquino.

    Muitos diriam que aquilo não era realmente filosofia, mas a preparação do nativo para defender racionalmente o catolicismo, por tanto, tratava-se de propagação ideológica. Porém, houve um lado bom nisso, com a criação de colégios, mesmo que administrados por jesuítas, no Brasil.

    Com o passar do tempo e com a influência do Iluminismo, as coisas mudaram em Portugal: a relação entre Igreja e Estado começava a ser questionada, a aristocracia entrava em crise, o empirismo ascendia rapidamente e a companhia de Jesus foi expulsa do Brasil.

    O sistema educacional brasileiro distanciou-se do seu caráter religioso, voltando-se para a aplicação prática dos ensinos que os alunos absorviam e para as ciências. Contudo, para evitar que a população brasileira fugisse do controle de Portugal,  o empirismo ensinado aqui era selecionado, censurado.

3 de novembro de 2012

Esgotamento criativo.

Talvez seja hora de descansar minha mente e procurar inspiração. Minhas aulas vão bem e as lições em Marx não mais me incomodam tanto como costumavam e faz duas semanas que não temos aula de história da filosofia no Brasil. Da última vez, na quarta-feira, a professora simplesmente decidiu faltar. Não reclamo, já que ela não reporá essas aulas mesmo. Já a professora de psicologia evolutiva me presenteou com o adiamento da minha apresentação para seis de dezembro, mais que o suficiente para preparar a equipe.

Meu gato, novamente, mijou nas minhas coisas de desenho. O lado ruim do desenho tradicional é exatamente sua maior vantagem: apoiar-se em materiais físicos, portanto perecíveis.

Fora isso, estou escrevendo uma história sobre regressão, como fiz dois anos atrás, para matar a saudade dos velhos tempos. Novamente, incluindo personagens de outros indivíduos de pelo e escamas, com o consentimento deles. Já música, continuo bloqueado, com breves insurgências de inspiração. Tipo, tenho a ideia, mas não consigo executá-la. Procuro inspiração em Pink Floyd. Uma pena que eu não seja bom em canto; ter uma letra para me guiar certamente me ajudaria muito mesmo.

Voltei a me corresponder com um amigo problemático de anos atrás. Eu era o único a gostar dele e apoiá-lo ao passo que todos os meus outros amigos o rejeitavam. Mas ele é boa gente.

Com um pouco de ajuda do gambá, pude ir mais fundo em meu problema e consegui puxar uma possível razão comum em todos os meus problemas:

No, skunk, but it’s hard to keep my spirits up when I’m the only one who thinks I’m right. I feel pressured to change to something I don’t want to be, because it would make me as stupid as other people are, for not seeing value in things that have a clear value, diminishing it and agreeing with me only from muzzle out, while, inside, they still think I like silly/old/complicated things because I’m silly, old or complicated. Everyone changes towards a horizon that I see as upsetting and disturbing and I try to go the other way around, to what I think is right, but I don’t find enough support. While I don’t want to be like everyone else and drop the things I truly like to follow a path that isn’t for me, I don’t want to go to the right direction alone, by myself. I need friends, everyone does, and I feel like most of them don’t like me in my totality and reject some aspects of me. Of course, that would be okay, if those weren’t key aspects that I can’t change without being hipocrite and taking back everything I’m saying now. Because I’m going on the opposite way of an evolutive flow that I believe exists, even if just in the material, monetary or technological aspect, I feel very pressured to change what I am, but I don’t, because I know that people are evolving in only one aspect and degenerating metaphysically, logically, epistomologically, ethic and aesthetically. I can’t change my outer self and pretend to like things I don’t, nor my inner self because it means becoming one of them. On the other hand, I don’t want to be alone.

Isso parece ser a razão pela qual quase cheguei ao fundo do poço semana passada e a razão pela qual meu problema com arte vinha e voltava constantemente, embora um epifania encerrou esse problema (as pessoas não fazem mais arte digital que tradicional porque acham digital melhor, é só que digital é mais fácil e barato, essencialmente).

1 de novembro de 2012

Acho que superei.

Filed under: Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yure @ 00:32

Hoje, no caminho para casa, pensei sobre as aulas que tenho sobre a crise da filosofia no século dezenove, quando Feuerbach e principalmente Marx quase me levaram à loucura. Tive uma conversa com a raposa e quase a deixei doida de raiva, porque ela queria me fazer engolir o argumento dela quando sou acostumado a refletir antes. A raposa é estadunidense e não sei que tipo de propaganda negativa se faz de Marx nos Estados Unidos, mas ela disse que Marx foi um ditador e manipulador de mentes e tudo o que ele queria era lavar o cérebro das gerações futuras. Claro que não engoli isso, pois eu concordo com Marx em vários aspectos de sua… de seu… o que quer que Marx faça, já que não se deve dizer, segundo meu professor, que Marx faz uma “filosofia”.

A raposa me apontou vários bons aspectos da filosofia e de como ela se mantem viva até hoje e eu, por algum motivo, não acreditei que a filosofia ainda estivesse viva apesar de ela me chamar à razão várias vezes e virar minha cara para o óbvio. Eu disse à ela que a filosofia contemporânea mais parece uma tagarelice e que nunca realmente comprei as ideias dos filósofos contemporâneos exatamente porque eles advogam a nojenta falta de ordem do mundo. A filosofia ou virou conformista ou cedeu aos caprichos do mundo, tornando-se dependente deste. Não me entenda mal, a filosofia não é algo de outro mundo, algo transcendente e ilegível, longe disso. A filosofia faz parte do mundo, do nosso tempo e tudo o mais, mas não deveria depender dele, concordando e balançando positivamente a cabeça para todos os tipos de besteiras sem futuro que acontecem na pós-modernidade ao passo que se empenha em saber o que é a “coisa“. Temos coisas mais importantes para fazer.

E eu ficava deprimido porque a filosofia parecia ter morrido e os filósofos contemporâneos só chegavam à conclusões que ficavam obsoletas antes de chegarem às livrarias porque pactuavam com um cadáver. Mas hoje, no caminho de casa, tive uma epifania.

Marx sustentava que a filosofia havia morrido, como ela ainda existe hoje? Marx é humano e humanos erram, por isso que saberes como a filosofia e a ciência são autofágicos. A filosofia não morreu, ela não pode morrer porque, para que a filosofia exista, só é necessário que haja perguntas que nenhum saber específico possa responder e indivíduos que queiram respondê-las. Eu havia esquecido disso, o estudo de Marx com meu professor, ironicamente, me alienou disso. E daí que a filosofia de hoje em dia pareça barulho e bacharelismo, pelo menos para mim? Eu posso mudar isso, eu posso oferecer uma alternativa, talvez eu possa fazer pelo menos um milésimo de diferença para colocar o mundo no caminho obviamente correto, o único caminho correto, que é para frente, a direção construtiva, necessariamente oposta à direção destrutiva.

Se não fosse a raposa, talvez eu não percebesse isso a tempo; eu estava ficando tão deprimido que eu poderia acabar fazendo algo de que me arrependeria no futuro ou talvez eu nem tivesse futuro. Estou, novamente, de posse do sentido da minha vida.

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