Analecto

18 de novembro de 2012

Tudo corre bem deste lado da parede.

Filed under: Livros, Música, Passatempos, Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yure @ 00:29

Pois é, senhores. Estou com o braço enfaixado depois de ter removido, com as patas, um cisto que não sei onde peguei. Estava muito inchado mesmo, já havia alguns dias. Mas agora as coisas voltam ao seu lugar. Quando esvaziei o conteúdo, ficou um buraco tão profundo no que antes era um inchaço que o fã de Muse poderia achar que todo o álbum Black Holes and Revelations foi concebido para aquele momento. Acho que vi uma plataforma flutuante de metal e quatro entidades se enfrentando lá dentro.

Meu médico disse que eu tinha que tomar Bezetacil® para me livrar do cisto. Claro que não tomei; não iria conseguir me sentar por um mês com a dose indicada (três injeções). Eu tomei Bezetacil® no passado, na minha infância, duas vezes e não estou muito a fim de repetir o feito. Preferi a solução lenta e trabalhosa de drenar o bagulho até a última gota.

Chega de falar de coisas nojentas. Terminei de reler a Antologia Ilustrada de Filosofia e já tenho planos para lê-la novamente; é um livro maravilhoso, uma verdadeira farmácia para minha razão, doente dos professores pretensiosos e sensacionalistas. Falando nisso, meu tio, a quem devo muito, visitou a cidade recentemente para dar as boas novas aos familiares: seu livro, uma compilação de poemas que ele escreveu ao longo de sua vida, foi publicado e eu inclusive ganhei uma cópia grátis. Estou em posição de dizer que o estilo do meu tio é bastante singular e chega a ser complicado, mas pude ler a primeira de quatro partes em trinta minutos. Há poemas que gosto, há poemas que não gosto, mas é um bom livro, como todo o livro de poesia vindo do coração do escritor.

Porém, o revisionista devia estar dormindo ou talvez comprou sua licença de revisionista no Zimbábue; o livro tem erros ortográficos imperdoáveis. Minha mãe disse que é porque a editora é pernambucana (perdoe-a, leitor pernambucano, ela só estava tentando ser engraçada). Além do mais, poucos brasileiros conseguem ter uma ortografia “perfeita” e imagino que os erros cometidos tenham sido do meu tio, que passaram pelos olhos desatentos do revisionista. Não espero que uma pessoa comum domine a barroca ortografia portuguesa, mas uma pessoa que trabalha com ela e ganha a vida com ela devia ter um pouco mais de dedicação.

Enquanto a mim, minha arte tem passado por maus bocados, a qualidade dos meus desenhos caiu e vejo os desenhos que criei um ano atrás e fico pensando se meu estilo de fato evoluiu ou simplesmente “mudou”. Já dizia Bergson, evolução nem sempre é progresso. Nunca quis que meu estilo ficasse muito diferente do que era quatro anos atrás, mas queria melhorar sem dúvida e, ainda assim, manter minha marca registrada, meu estilo não copiável.

Minhas histórias continuam seguindo como rotineiro. Sempre respondo as perguntas no caderno (O quê? Quem? Como? Onde? Quando? Por quê?), elaboro o esboço baseado nas respostas (introdução, desenvolvimento, clímax, conclusão) e escrevo a história com isso.

Mas estou especialmente satisfeito com minha música. Parece que meu bloqueio se foi de vez e as notas fluem pelo mouse até o piano-roll sem problemas. Minha vida seria mais fácil se eu tivesse um Korg Nanokey, já que colocar as notas num teclado virtual usando um mouse é um obstáculo à espontaneidade.

Olho para cima vejo a parede que construí, que nem a parede do Pink. Está alta e é muito forte, sólida. Acho que minha luxúria está sob devido controle e minha mente não mais é perturbada pelos assaltos do meu coração. É uma medida mórbida de defesa, mas relacionamentos realmente não são possíveis agora e a urgência que eu sentia para entrar em um suspendia minha razão temporariamente, me levando a esquecer os riscos. Mas agora tudo parece bem.

Sim, tudo está bem.

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2 Comentários »

  1. Fico bem de ouvir que vocé tá melhor.
    Nossa! Meu tio também é poeta e também tem un livro, más ele nao fala em portugues, só vá para Colombia, Venezuela, Argentina… etc.
    Ele estuda o “Oximoro” na poesía… más eu nao sei muito disso >////<!
    http://pt.wikipedia.org/wiki/Oximoro

    Curtir

    Comentário por Roger — 18 de novembro de 2012 @ 03:43


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