Analecto

10 de dezembro de 2012

Tragédia grega e decadência.

O semestre está para acabar e, provavelmente, esta é a última semana de aula. Só o que falta é a depressiva disciplina de história da filosofia nível cinco, que trata da morte de Deus, isto é, da eliminação de um fundamento supersensível absoluto da filosofia.

Sabe, na Grécia Antiga, tinha a tal da tragédia. Tratava-se de uma festa em que as pessoas se reuniam para sacrificar um bode e aí um dos participantes encarnava Dionísio, o deus do porre, para receber o bode e contar a história do dito deus, este deus bárbaro que foi esquartejado e ressuscitado. Com o passar do tempo, a história mudava e os protagonistas também. Não era mais Dionísio, mas Édipo, por exemplo, entre outros heróis, deuses e semideuses, todos esses personagens começando bem e terminando muito mal na história. Por causa do destino, que permeava a trama constantemente. A tragédia então era a celebração do destino, a celebração do fato de que até os deuses e os filhos de família se ferram e que se lascar é parte inalienável da vida, não há sabedoria ou virtude que lhe salve disso. E, como não é nossa culpa, que seja assim! É, como disse meu professor, a existência humana imperfeita dizendo “sim” a si própria, porque as coisas não podiam ser de outro jeito.

Aí veio Sócrates e a decadência, de acordo com Nietzsche, começou. Sócrates, com seu humanismo, colocava o ser humano como centro de sua existência. O destino pode ser mudado, as coisas podiam ser de outro jeito e tudo dependia do indivíduo. Eurípedes foi influenciado por isso. E sabe o que Eurípedes fazia? Escrevia tragédias! Assim, a tragédia grega começou a se destruir por dentro, porque a possibilidade de o indivíduo comandar seu próprio destino por meio da razão e do acúmulo de sabedoria havia sido posta em evidência e estava virando moda (a tragédia era um evento que reunia várias pessoas então muitos foram atingidos). As tragédias de Eurípedes, se bem que muitos não gostam de chamá-las de “tragédias”, carregavam consigo um elemento humanista perigosamente desestabilizador. Depois que a moda pegou e o pessoal, ao invés de sorrir e aceitar o destino, franzia a testa e pensava no que fazer para melhorar sua própria existência, Eurípedes percebeu que havia feito algo horrível. O povo que antes dizia “sim” ao destino e o aceitava felizmente agora estava triste, sentido e ontologicamente melancólico. Com o destino deles em suas mãos, não havia mais como culpar ninguém além de si mesmo pelas desgraças que lhe aconteciam e é muito mais fácil você dizer que nada é sua culpa e que há uma força maior que lhe torna simples espectador da vida, quando não uma marionete. Como dizem: quanto menos você sabe, mais feliz você é.

Quando Eurípedes percebeu o que estava acontecendo, escreveu uma tragédia ao estilo clássico, sem elementos humanistas, chamada As Bacantes. Mas já era tarde demais; a decadência estava em execução.

4 de dezembro de 2012

“It never hurts to help”?

Prophecy the Viking Child music – YouTube.

Um dos meus colegas de equipe desistiu da disciplina às vésperas da apresentação. Que facínora! Também não tenho certeza se a dona mocinha aparecerá ou não no dia para fazer a apresentação comigo, e a ação ocorrerá na quinta-feira! Sinto que o fim da disciplina será marcante.

Para garantir, estudarei a parte deles por alto e treinarei o texto como um louco amanhã, embora eu acredite que eu não tenha condições de apresentar o meu texto e mais o texto do sacana desistente no dia. Se a dona mocinha faltar, estarei condenado.

Sem pânico. Empurrarei com a barriga como sempre faço, eh. Só preciso de um café pra me acalmar primeiro…

Tudo bem, sintetizarei a história da psicologia social em um parágrafo e as críticas feitas à ela em três parágrafos. Se eu conseguir explicar o que é psicologia social, encher linguiça e depois criticá-la, tudo isso depois do meu texto principal, terei chance. Comecemos…

A Wikipédia resolveu a primeira parte pra mim:

A psicologia social surgiu no século XX como uma área de aplicação da psicologia para estabelecer uma ponte entre a psicologia e as ciências sociais (sociologia, antropologia, ciência política). Sua formação acompanhou os movimentos ideológicos e conflitos do século, a ascensão do nazi-fascismo, as grandes guerras, a luta do capitalismo contra o socialismo, etc. O seu objeto de estudo é o comportamento dos indivíduos quando estão em interação, o que ainda hoje, é controverso e aparentemente redundante pois como se diz desde muito: o homem é um animal social.

[…]

Segundo Aroldo Rodrigues, um dos primeiros psicólogos brasileiros a escrever sobre o tema, a psicologia social é uma ciência básica que tem como objeto o estudo das “manifestações comportamentais suscitadas pela interação de uma pessoa com outras pessoas, ou pela mera expectativa de tal interação”. A influência dos fatores situacionais no comportamento do indivíduo frente aos estímulos sociais. (Rodrigues , 1981)

Sintetizando as críticas, temos:

  1. A psicologia social se baseia no simples ato de descrever e nomear, assim ela só diz o óbvio ou o que já foi dito.
  2. Parece ter se tornado uma jogada de marketing, por causa das mudanças econômicas que ocorreram no contexto de seu desenvolvimento, tornando-se ferramenta à serviço do capital, focando-se unicamente no desenvolvimento da atividade grupal, otimizando assim a mão-de-obra. Ou seja, servia meramente, pelo menos no século vinte, como “estudo da formação de grupos e discurso sobre como mantê-los unidos”.
  3. Foca-se no grupo negligenciando o desenvolvimento individual e desconsiderando o aperfeiçoamento do indivíduo como pessoa.

Claro que não é mais assim hoje, visto que a psicologia social no século vinte e um pelo menos se preocupa com o aperfeiçoamento do indivíduo enquanto ser social e não simplesmente como aperfeiçoamento de tijolos na parede. Adicionando isto ao meu texto principal, tenho informação o bastante para suprir a necessidade do grupo (irônico). Mas ainda assim, não me garantirei sozinho, especialmente se o bacharel quiser fazer perguntas.

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