Analecto

12 de dezembro de 2012

Melancolia.

No lado infantil da vida, tenho desenhado meus furries e mudado a aparência da minha fursona um pouco, mudanças leves, para parecer mais um gato que raposa. Também, óbvio, tenho escrito histórias e ficado frustrado com minha música ao passo que ouço Pink Floyd.

Já no lado adulto, minhas aulas terminarão na sexta-feira com uma prova derradeira. Hoje acordei tarde e perdi o ônibus, então não fui pra aula. Perdi um filme que o professor passou, mas detesto cinema mesmo… Prefiro animação no sábado de manhã.

Me sinto meio melancólico recentemente, embora isso não signifique que estou infeliz. Só em silêncio. Talvez seja Shine on You, Crazy Diamond. Eu e meu chefe escutamos essa música a noite toda antes de ontem. Foi a primeira vez que ele ouviu Pink Floyd.

Não tenho mesmo muito o que digitar, considerando como minha mente parece estar ausente. Queria fraldas agora. E uma chupeta. Talvez mamadeira.

Acordei hoje mais cedo ao som de uma música que eu ouvia quando criança. Um reggae, como aqueles que meu pai ama, mas em português. Instantaneamente, lembrei de quando eu visitava uma tia, que morava na Capital, que morreu de complicações cardíacas. Foi no tempo em que eu gostava da Capital, com todos aqueles prédios que eu fazia questão de visitar e ir até o último andar de cada um, para estar por cima, como qualquer criança egocêntrica. Pois é, essa tia vendia brinquedos, provavelmente vindos da China. Sempre que eu ia lá, ela me dava algo de graça, só para me ver brincar, mesmo sabendo que eu gostava mais dos brinquedos do que dela. Duas vezes, ela me deu um Dinkie Dinoa (tamagotchi). Daí, eu levaria o troço para cima e para baixo e até pedia que minha mãe me acordasse na madrugada para alimentá-lo. Se você for ter um tamagotchi hoje em dia, fica a dica: ligue-o no dia seguinte a compra, quando você acordar, para que ele não precise ser alimentado ou cuidado enquanto você dorme.

Daí eu lembrei de quando eu e minhas primas andávamos em ônibus, pelo centro, perto da catedral gótica e da praia, em roupas de banho, eu tinha uns sete anos. Todos nós, inclusive minha detestável irmã, munidos de tamagotchis sem ver o tempo passar, embora eu lembrasse de como a luz do sol entrava pelas janelas. Pensando bem, julgando pela minha memória da luz do sol, deviam ser umas duas da tarde.

Mesmo que eu chegasse em casa e minha irmã me batesse ou fosse geralmente “malvada” comigo, como a Laurinha, quase todos os dias, eu podia me considerar feliz; eu iria esquecer, no fim do dia, tudo de ruim que havia acontecido, ter uma bela noite de sono e acordar muito bem no dia seguinte. Era uma felicidade interrompida por curtos momentos de infelicidade, enquanto que isso se inverte na vida adulta. Quando adulto, você é geralmente infeliz e tem curtos momentos de alegria.

Lembro de quando entrei em crise aos doze anos. Doze marca sua entrada na adolescência, você não mais pode ser considerado criança. Rasguei um pedaço do meu lençol que eu usava aos onze e amarrei a tira de pano que separei no meu pulso esquerdo. Para mim, foi uma forma de permanecer em contato com minha infância mesmo sem mais fazer parte dela.

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