Analecto

26 de abril de 2013

Do pensamento ao susto.

Finalmente, terei minha primeira prova de tópicos de filosofia. O assunto, obviamente, filosofia helenística, a qual domino bem, obrigado. Também tenho outro resumo para fazer: Carta a Meneceu, de Epicuro.

Hoje discutimos a teoria da emanação de Plotino, que prega que o Uno, criador de si mesmo, transborda energia para realidades inferiores (nous e alma). Funciona assim: o Uno transborda para o nous que se enche até transbordar na alma que se enche até transbordar no mundo sensível, que é a mais baixa das quatro realidades, onde essa energia, já fraca pelas emanações anteriores, cessa de fluir. Cada realidade cria, então, a realidade imediatamente inferior, cujo grau de perfeição é também inferior. Mas suponhamos que a energia não cessasse de fluir na realidade sensível e nosso mundo pudesse fluir para outra realidade, derivada da nossa e, ainda assim, menos perfeita? Essa “quinta hipóstase” poderia ser a tecnologia. As coisas que nós humanos criamos, que não são naturais. Também falamos de como a ciência falha ao responder definitivamente a pergunta “de onde viemos?”. Evolução. E antes? Big-Bang. E antes? Big Crunch. E antes? Big-Bang. E como começou esse devir entre Big-Bang e Big Crunch? Geração espontânea. E antes? Gravidade. E a gravidade sempre esteve lá? Talvez, provavelmente. E antes?

Por que a ciência falha em responder isso? Porque a “quinta hipóstase” é menos perfeita que o humano e por isso a tecnologia é incapaz de ascender à ou mesmo contemplar a alma? De acordo com meu professor, porque a ciência procura razões materiais para efeitos materiais. Isso gera uma cadeia de criações sucessivas. O único jeito de dar um basta é assumindo a existência de algo que iniciou o movimento das coisas sem por nada ser movido. É lógico? Sim. Experimentável? Não, por isso não é científico. A resposta pra essa pergunta ainda cabe à filosofia. Claro que a ciência deve continuar a se aprofundar nessa cadeia até as últimas consequências para que entendamos melhor o cosmo, mas, enquanto reflexão e discussão não são automatizadas, não cabe à tecnologia dar uma resposta definitiva, experimental, incontestável à questão. Muitos cientistas sérios não são presunçosos o bastante para dizer a si mesmos que estão perto da resposta.

Outra coisa que esteve passando pela minha cachola é um artigo na revista Filosofia: Ciência & Vida número 62 (A Filosofia pelo Direito dos Animais). Tem um carinha chamado Singer que quer um certo nível de igualdade entre seres humanos e animais e diz que todos devemos nos tornar vegetarianos e parar de usar peles de animal na confecção de bens. Compreensível. Mas olhe só, poderiam ser os humanos culpabilizados por comerem um animal quando animais não são culpabilizados por comerem pessoas? Pelo princípio da igualdade, poderia um animal ser levado à corte com advogado e promotor por ter matado e comido um ser humano? Não? Então por que o contrário deveria acontecer? Aliás, animais comem uns aos outros o tempo todo, é natural. Eles não culpabilizam uns aos outros por isso, mesmo quando a presa pertence à outra espécie. Por que nós deveríamos ser culpabilizados por comer uma vaca (supondo que seres humanos e animais tenham direitos mais ou menos iguais)? Por que somos racionais e sabemos o que estamos fazendo? Ora, mas o senhor Singer desconsidera a razão como critério à favor da subjugação dos animais, por que o consideraria como critério contra? Ele diz que não podemos comer animais nos baseando simplesmente no critério de que somos racionais, mas acabei de fornecer algumas razões mais nas quais nós podemos nos apoiar pra comer um bife. Alternativamente, poderíamos confinar todos os animais carnívoros e forçá-los a mudar seus hábitos alimentares. Aí, sim não poderíamos dizer que podemos comer animais de diferentes espécies porque animais comem uns aos outros o tempo todo, mesmo quando de diferentes espécies, sem ser culpabilizados (de acordo com o princípio da igualdade). Ora, mas isso quer dizer que o ser humano é livre para comer seus semelhantes também. Na natureza, a presa resiste ao predador, a presa humana pode também resistir. Isso se chama legítima defesa. Além do mais, queria saber qual de nós comeria um semelhante de livre e espontânea vontade. Eu faria pelo menos uma vez, acho, se me fosse permitido provar de uma iguaria dessas. Mas já temos leis contra assassinato, então é melhor eu nem tentar. Alguém poderá então dizer: “Ah, mas os animais não têm leis que previnam o assassinato entre eles, por que nós deveríamos ter?” Porque essas leis se baseiam em outras coisas que não convém discutir e não numa pressuposta igualdade de direitos que assumimos para desenvolver este raciocínio. Mas, se você quiser saber, abra uma nova aba e pesquise sobre a história da lei contra o assassinato. Cada nação pode ter suas leis internas, por que não? Uma boa razão que provavelmente é comum à todas elas é que o assassinato não devidamente justificado não é construtivo e não traz mais benefícios que malefícios. Quanto às peles que usamos vez por outra em nossas roupas, tenho uma visão diferente: animais não matam uns aos outros para razões não alimentícias, por que nos faríamos?

Atualizei meu sistema para a versão 13.04. Depois de horas baixando os pacotes, a configuração começou. Durante a instalação, a energia caiu. Pensei “meu mundo acabou”. De fato, grande parte de pacotes essenciais havia ficado incompleta e o sistema estava super lento. Em pânico, tive uma ideia. Se você teve o mesmo problema enquanto atualizava o seu Ubuntu, faça o seguinte.

sudo apt-get –configure -a

Isso vai terminar a instalação de onde ela parou. Caso sua interface esteja lenta demais para abrir um terminal, pressione Ctrl+Alt+F1, que irá te tirar da interface gráfica e lhe por numa interface de linha de comando sem quaisquer elementos gráficos. Observe que o comando apenas conserta a instalação de pacotes incompletos, ele não instala pacotes cuja instalação não havia começado. Então alguns recursos podem estar perdidos. Em todo caso, o sistema ficará usável, mas considere uma formatação.

Hoje instalei e configurei o Ubuntu 13.04, mas, diferente de como fiz com Tails, não detalharei.

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