Analecto

26 de maio de 2013

Nenhuma ciência é completa.

Ciência – Wikipédia, a enciclopédia livre.

Antes de ontem, a raposa teve mais um de seus ataques. Acontece que ela está convicta de um negócio chamado partículas preexistentes, que talvez até sejam fato. Mas ela crê nisso como um possível começo do universo. Foi o golpe final às suas crenças teístas e o último responsável pela sua queda no que ela chama de “ateísmo relutante”. Mas ela foi desestabilizada por um seminário que ela assistiu no Youtube, em que um físico falava da possibilidade de o universo ter surgido de partículas preexistentes e admitiu que não entendeu completamente o que o cara disse por causa de todo aquele jargão físico e equações exclusivas. E no final, o cara disse que sua ideia era uma hipótese, nenhum cientista sério pode se dar à presunção de sustentar uma hipótese como verdade acabada. Ou seja, a raposa está duplamente errada:

  • Ela acreditou no cara da mesma forma que se acredita num padre, sem questionamento, especialmente porque ela não entende completamente o que o cara quer passar.
  • Ela acredita nas palavras dele com mais certeza do que ele próprio, visto que, quando um cientista diz que ele tem uma hipótese, ele está dizendo que não há certeza porque não houve qualquer teste.

Não estou tirando o crédito do indivíduo, mas é meio ingênuo acreditar nas coisas assim. Aliás, toda crença é ingênua. É necessário ser ingênuo, “como uma criança”, pra entrar no Céu, correto?

Perdoem erros ortográficos; estou morrendo de sono aqui. Pois bem, mas em que ciência devemos confiar? Bom, nenhuma ciência é completa. Certa vez, vi, num documentário do Fantástico, uma matéria sobre um peixe que se acredita ter mais de cinco sentidos. É difícil imaginar como seria a vida desse peixe, o peixe capaz de perceber coisas que os humanos não conseguem por serem limitados à tato, visão, olfato, paladar e audição. Será que não estamos perdendo muita coisa?

Veja, a ciência é sensualista, ela estuda os fenômenos, isto é, aquilo que se apresenta a nós pelos nossos sentidos. Ou seja, a verdade científica é fenomênica, é sensual, por isso que ciência que é ciência tem que ser testada empiricamente, tem que ter resultados sensíveis, do contrário é hipótese.

Portanto a ciência é limitada e, se o peixe de que falei pudesse fazer ciência, a ciência dele poderia ser superior a nossa. O simples fato de haver uma criatura com mais de cinco sentidos é o bastante para nos mostrar que nossa ciência é limitada. Imagine se fôssemos todos cegos, como seria a nossa Mecânica? Haveria uma Óptica? Será que conheceríamos todas essas leis físicas que conhecemos? E se fôssemos todos surdos, como ficaria a Acústica? Em  poucas palavras, nenhuma ciência é completa, tão perfeita como poderia perfeitamente ser, por isso cientistas sérios criticam o que eles mesmos pensam e dizem até o momento em que sua teoria ou hipótese seja testada e repetida por outros. E mesmo assim não podemos dizer que a verdade é absoluta, pois precisaríamos de mais de cinco sentidos para perceber todos os aspectos de alguma coisa. O que se pode dizer é que se conhece a verdade fenomênica nos apresentada aos cinco sentidos.

Aí minha colega vulpina me diz que acredita na hipótese de um cara que reconhece que o que ele está fazendo é hipotético e, ainda mais, sem nem sequer entender completamente o que ele está falando. E termina sofrendo com isso porque ela não consegue funcionar sem Deus. Talvez Deus não exista, mas acho que ela não tem razões o suficiente para desacreditar e motivos de sobra pra acreditar. Mas ela é jovem, tem só dezesseis, talvez ela mude a mente dela daqui pra os vinte.

Li recentemente, na tal Filosofia Ciência & Vida, um artigo sobre amor, sob a visão de Schopenhauer. Em certo momento, se não me falha a memória, o cara se pergunta que regras devem reger a vida à dois, especialmente numa cultura que propaga que ou você é o “bom marido”, compromissado e tudo, ou o solteirão hiper-hedonista. Essa visão toda romantizada, perfeitinha, ti-ti-ti, é um verdadeiro saco. Digo por experiência. Pessoas são diferentes solitárias, pessoas diferentes se juntam, as regras que regem sua vida íntima realmente não deveriam ser da conta de ninguém. O casal deveria fazer suas próprias regras, as regras para aquele relacionamento em especial, levando em consideração virtudes e vícios de cada um, o que melhora o entendimento entre um e outro e contribui para o relacionamento duradouro, ao invés de comprar o modelo “tradicional” de relação que simplesmente não funciona pra todo o mundo.

Também tenho um par de problemas com o conceito de fidelidade. Veja, esse negócio de pautar uma relação em algo tão baixo como o sexo (nível mais baixo). Ter sexo com outra pessoa não necessariamente mata seu amor por outra pessoa que, no momento, não pode lhe satisfazer ou rejeita alguns de seus desejos sexuais. Seria sensível da parte dos dois permitir que o outro procurasse alívio em outros para coisas que não podem ser satisfeitas dentro da relação. Isso eliminaria o ciúme. Também tem o negócio do amor (nível médio). Procurar amor com outra pessoa por qualquer razão que seja não deveria levar ao ciúme, porque a outra pessoa está feliz. Claro que ainda é motivo de conversa, pois significa que você deve melhorar em alguma coisa. Por último, não se deve ficar chateado porque alguém que você ama te deixou (nível mais alto). Porque se a pessoa te deixou é porque estava infeliz numa relação a dois ou, pelo menos, com você. Não significa que você tenha que deixar de amar a tal pessoa, mas tentar estar feliz por ela estar feliz, o que é o amor de verdade, não o amor possessivo propagado por aí. Além do mais, amar uma pessoa não necessariamente significa estar amarrado à ela; essa é só a mais infeliz forma de amor. A fidelidade e, por tanto, o modelo de amor conhecido pela maioria, só propicia o ciúme.

Queria mesmo um bom livro pra ler. Estou devorando minhas revistas de filosofia mais rápido do que elas chegam. Um livro de filosofia ou mesmo de bom e velho RPG seria um boa pedida, mas falta dinheiro. Falta também motivação para baixar; me sinto tão preguiçoso estes dias. Deve ser o calor, maldito, infernal calor de todos os dias. Ou minha mãe ouvindo If, do grupo Bread, que me traz memórias do bom e velho coiote. Saudade é um negócio incrível: só faladores de português usam essa palavra. Tem que ter uma veia poética pra falar corretamente de saudade. Lembro de quando o cachorro mencionou que ele sentia uma coisa estranha e ele me descreveu o que ele sentia. Eu disse “isso é saudade”. Ele me perguntou “What?“. Saudade é uma palavra particular do português, sem tradução exata em outros idiomas. Um livro a respeito da saudade também seria uma boa lida… do jeito que sou melancólico.

Criei, com muito sacrifício, uma conta no Soundcloud.

Já disse que criei uma conta no Soundcloud? Pois é, criei uma conta no Soundcloud

Corrupção dessas pessoas.

However, Company reserves the right to i remove, edit or modify any Content in its sole discretion, including without limitation any User Submissions, from the Site or Service at any time, without notice to you and for any reason including, but not limited to, upon receipt of claims or allegations from third parties or authorities relating to such Content or if Company is concerned that you may have violated the Terms of Use, or for no reason at all and ii to remove or block any User Submissions from the Service.

 – Terms of use | Bandcamp.

Até que ponto, doce Senhor? Já ouvi falar de termos de serviço abusivos, mas isto? Neste breve trecho é explicitado o fato de o Bandcamp ser capaz de remover sem motivo o conteúdo ali partilhado por usuários. Eu estava me sentindo até que bem lendo os termos de serviço até chegar nesta idiossincrasia em especial, a remoção arbitraria de conteúdo enviado por alguém. Levando em consideração que administradores e moderadores são humanos imperfeitos, remover conteúdo arbitrariamente enquanto se é amparado pelos termos de serviço favorece a corrupção dessas pessoas se elas tiverem alguma treta ou problema, mesmo que completamente pessoal, com algum usuário do site.

9 de maio de 2013

Pior dia da minha vida.

Eu disse que iria morar com meu pai, mas eu não consegui passar nem um dia inteiro. Tantas coisas aconteceram… Ele me recebeu bem e nos abraçamos e tal, tínhamos fé de que aquilo daria certo. Mas não deu. Mandei um e-mail pra ele hoje:

    Eu queria ficar, eu realmente queria. Mas eu acabei vendo que talvez nós dois ficaríamos mal num futuro próximo e que cedo ou tarde eu sairia. Não é sua culpa, contudo, e eu não estou completamente feliz com minha decisão. Apenas fiz o que achei que traria menos danos. Pra ser honesto, estou chorando agora. Depois que minha mãe me abraçou e disse que estava feliz por eu ter voltado, eu disse à ela que você estava triste por eu não estar lá. Eu realmente sinto dor sempre que penso em como você deve estar sentindo-se agora e eu tinha esperanças de que as coisas funcionassem. Já faz um tempo que eu quero ficar mais próximo de você porque eu gosto de você, mas talvez morar com você não seja mesmo a melhor opção… Eu odeio ter de ficar assim, porque eu teria que desagradar ou você ou minha mãe. Me dói ter de fazer este tipo de decisão.
Mas eu pensei a respeito durante a tarde, quando você arrumava o quarto. Eu passei a tarde no computador e talvez fosse o que eu iria acabar fazendo na maioria dos dias enquanto você trabalha. Eu ficaria só e, apesar de não parecer, eu não gosto de ficar só assim. Você tem a Márcia e talvez os seus colegas de trabalho (ou talvez você não tenha amigos no trabalho como eu não tenho na universidade). Se eu ficasse, eu teria você, claro, mas você trabalha tanto que talvez eu despendesse maior parte do tempo sozinho. Aqui eu tenho minha mãe que às vezes me dá raiva, admito.
O que realmente pesou mais contudo foi meu problema com comida. Não é um problema com você, pai. É um problema comigo, eu tenho critérios muito estreitos quanto ao que eu como, quando e em que quantidade. Depois daquela janta, eu ainda estava com fome. Se eu procurasse algo pra comer, talvez você me desse um sermão sobre eu não ter comido na janta e que eu comeria como substituto não servia. Aí você continuaria dizendo que eu preciso mudar. Só que não é fácil. Eu só ficaria ressentido e acabaria querendo voltar do mesmo jeito. Eu só achei que eu poderia poupar nós dois de futuro sofrimento.
Eu não tenho autoridade de dizer que estou sofrendo mais que você. Eu sinto sua falta, pai, sinto falta de te abraçar, sinto falta de conversar com você, sinto falta de dormir sob o mesmo teto que você, mas morar com você é algo muito diferente. Eu fico pior sempre que lembro de como você me recebeu e de como eu achei, de todo o coração, que aquilo iria dar certo. Me perdoe, pai. Eu sinto muito.


Yure

É a primeira vez que sinto os males de se ter pais separados. Dizem que emetofobia pode ter raízes em separação parental. Mas não é do meu feitio arrumar desculpas freudianas para meus problemas. Pessoal, casamento dá nisso. Eu não posso estar em dois lugares ao mesmo tempo. Estar com minha mãe faria meu pai sofrer e vice-versa.

Fora que eu tinha que comer o que ele fazia e ele havia instituído um sistema de engorda. Ele queria me mudar. Além do mais, ele disse claramente na volta, numa conversa entre ele e minha irmã, que pode tolerar homossexuais, mas nunca os aceitaria. Na mente dele, isso é errado. Só que não sou exatamente heterossexual. Complicado. Ele não sabe e provavelmente nunca saberá do que se passa na minha sexualidade, já que isso o mataria.

O pior é que a fumaça continua. Minha saúde continua prejudicada. Última vez, achei que eu fosse desmaiar. Me mudei para o quarto da minha mãe, onde a fumaça não entra. Mas uma coisa boa aconteceu: fui pra faculdade de fraldas e até molhei uma lá.

1 de maio de 2013

Por que prefere ser mais anônimo?

Percebi que existem quatro comentários marcados como spam na minha fila de moderação. Normalmente, eu permito que comentários sejam postados sem qualquer moderação da minha parte, mas o filtro de spam do WordPress fica ativo o tempo todo, de forma a, sabe, bloquear spam.
Um dos comentários, contudo, foi feito à minha entrada “Bibliografia obscura” e não parecia spam, mas resolvi deixar na lista de spam só por precaução, embora eu esteja quase certo de não haver problema. Deve ser minha tara original por esconder meu IP mesmo sem necessidade e torcer o nariz para o menor suspeito.
Então, aqui vai o comentário, que inicia uma reflexão quanto ao bagulho:

POR QUE DESEJA SER MAIS UM “ANÔNINO”? [sic] TER UMA IDENTIDADE É MUITO MAIS FÁCIL. REALMENTE PREFERE NÃO TER ROSTO?

O autor do comentário, contudo, chama-se “Ninguém”. Bom, Ninguém, essa é uma boa pergunta. Por que eu quero me manter anônimo?
Poucos sabem, mas coleta de informação sem consentimento daquele que envia tornou-se comum. A todo o momento, empresas lhe rastreiam, se infiltram em seu navegador, pegam informação sobre quais sites você usa, de que site você veio, para qual site vai… essas informações são enviadas para essas empresas para propósitos mercadológicos. “Como assim?”, alguém pode perguntar.
Tenho um colega, um calango, que é tarado por fraldas e urina. Recentemente, ele notou que tem visto cada vez mais anúncios sobre fraldas no Facebook e outros sites que dependem de anúncios para funcionar. Ora, mas então os servidores sabem do que ele gosta? Sim, através dessas medidas de rastreamento. Então pode haver alguém lhe rastreando agora e enviando informações para alguma empresa sobre quais sites você visita? Pode. Mesmo os pornográficos? Sim. Mesmo os embaraçosos? Correto. As coisas que você talvez queira manter em segredo podem já ser bem conhecidas em empresas de alguma natureza. Mesmo que eles usem essas informações para propósitos comerciais e não queiram te atacar diretamente, muitos ainda não se sentem confortáveis com essa coleta. Primeiro, porque ela normalmente ocorre sem consentimento. Segundo, normalmente não há consentimento quanto ao quê essas empresas fazem com essas informações, a não ser que você leia e concorde com a política de privacidade do serviço (é sabido, contudo, que as informações podem ser vendidas para outros servidores). Mas essas informações estão seguras, certo? Não, informação em servidores é passiva de vazamento. Informações sobre o que você tem feito online, assim como seu IP (número identificador de usuário), podem vazar para mãos criminosas ou mesmo conhecimento público.
Além do mais, todos os dias são tirados direitos das pessoas, mesmo que de forma velada, e o direito a privacidade não é exceção. Dia após dia tenta-se tornar o cidadão cada vez mais explorável por aqueles que têm dinheiro ou mesmo pelos Estados corruptos. Fazer de tudo para continuar anônimo online é minha maneira de me agarrar com garras e presas a um direito que tem me sido quase vetado por anos de dormência. O que eu faço online é muitíssimo pessoal.
Mas IP e coisas assim são informações muito abstratas. Mesmo que venham a conhecimento público, eu não seria prejudicado por vazamento do meu IP, certo? Enganado de novo. Suponhamos que haja um serviço que atrele seu IP à sua conta (o Google faz, visto que ele dá chilique quando tento acessar o Gmail pelo Tor, dizendo que estou acessando com um IP “diferente do usual”). Num vazamento de informações, os dois, IP e nome, podem tornar-se conhecimento público. E não apenas nome. Preferências, perfil de personalidade, geolocalização e todas essas coisas que você partilha online. Você não só tem sua informação coletada simplesmente, você tem sua informação coletada por indivíduos que você não conhece e nem confia. Talvez os servidores em que essas informações são armazenadas não sejam tão seguros assim pra começo de conversa.
Meu navegador é configurado com Noscript, Self-Destructing Cookies, Donottrackme e Ipfuck. E nem isso garante anonimato completo e ausência de rosto. Se garantisse, não usaria Tor também.
Mas ter uma identidade é, sim, mais fácil. Mas o anonimato não garante ausência de rosto, porque sua personalidade ainda transparece, o que é natural. Talvez você seja uma página vazia para os servidores, mas as pessoas com quem você interage preenchem essa folha. Você ainda tem rosto, na mente daqueles em quem você confia, e não nos bancos de dados de servidores capitalizados.

Hoje, encontrei com outro amigo que não via há muito tempo. Conversamos por um tempo e ele eventualmente perguntou por que eu havia deixado o curso de Informática. Expliquei que era porque o pessoal achava que eu era ateu. No meio da conversa, uma mulher sentada à nossa frente, no ônibus, me perguntou:

Você é professor de filosofia?

Eu respondi que não, mas que estava chegando lá. Aí ela perguntou:

Você é ateu?

Eu disse que não e ela pediu desculpas por me chamar de “ateu” (como se isso fosse insulto). Expliquei pra ela que filósofos não necessariamente são ateus, embora muitos de meus amigos o sejam. Ela disse que, se eu tivesse dito que eu era ateu, ela iria me perguntar no que eu acreditava. Aí eu disse à ela que meus colegas ateus não acreditam em nada que não seja completamente racional (ou, pelo menos, acham que é assim). Ela torceu o nariz com todas as forças. Estranho.

Possivelmente me mudarei para a casa do meu pai, por questões de saúde. Nossos vizinhos vivem queimando coisas e a fumaça invade nossa casa. Antes de ontem, fiquei tão mal que achei que eu fosse desmaiar. Fico sem ar só de lembrar. Desisti de instalar o Unix Amiga Delitracker Emulator para o Audacious, porque precisei fazer mais links simbólicos do que eu tinha paciência pra fazer. Pena eu não rodar Fedora, porque é fácil achar esse plugin compilado em pacotes .rpm (converter pra .deb com Alien não presta). Bom, tudo bem. Posso tocar tantos formatos obscuros que acho que posso me dar ao luxo de reservar o bom e velho .mp3 para músicas que eu não puder arrumar em, sei lá, .tfmx. Afinal, melhor não ser tão ambicioso.

%d blogueiros gostam disto: