Analecto

29 de setembro de 2013

Trabalho bem feito.

Google.

Em breve a semana começará. Acordarei às sete, chegarei às nove, sairei às quatro, chegarei às seis. Será puxado, mas preciso desses créditos. Já consegui dez horas com o certificado do Benjamin e isso me faz sentir encorajado a participar ainda mais desses eventos; me dá uma sensação de trabalho bem feito.
A apresentação de psicologia não aconteceu; a professora esqueceu que eu iria me apresentar e deu aula normal. Seria embaraçoso interrompê-la pra falar que eu queria me apresentar então fiquei calado. No fim da aula, falei pra ela que, já que eu não iria me apresentar naquele dia, eu adiaria pra depois da Semana Filosófica. Ela aceitou. Se bem que, como as palestras ocorrem no segundo horário, talvez eu possa me apresentar…
Estou usando o computador da mãe no momento. Não que o meu esteja ruim, mas gosto de usar o outro computador às vezes por conveniência. A tela é bem penquena, não tem lá muitos programas, mas o Ubuntu One faz um bom trabalho servindo de ponte entre um computador e outro. Entre outras coisas, descobri por acidente que posso usar o Nautilus como cliente FTP, ao digitar o endereço do FTP do ASSTR no dash. Isso significa que posso participar ativamente num desenvolvimento de um FTP qualquer dia desses. Só que ainda não descobri como verificar arquivos no computador da sala ao lado através deste, embora eu tenha conseguido me conectar à rede Windows.

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25 de setembro de 2013

Enjaulados.

A semana filosófica começa na próxima segunda-feira e amanhã poderei escolher os cursos que me interessarem, além de assistir palestras como mulher raivosa. Meu padrão de sono está desarrumado ainda e hoje nem consegui tirar uma soneca decente à tarde. Pelo menos assim posso tentar dormir cedo. Nem consegui tirar a droga das cópias de que precisava. Uma pena.
De toda forma, este felino preguiçoso que vos fala irá apresentar-se amanhã. Aqui vai o texto da apresentação de Psicologia da Aprendizagem para os pescadores de trabalhos…

Enjaulados (Detention ou Learning Curve), 1998, de Andy Anderson.

Yure Kitten

Há quatro tipos de personagens: o professor, os funcionários da escola, o aluno que quer realmente estudar e os alunos ditos “baderneiros”. O professor (que é substituto) é humilhado constantemente pelos alunos daquela escola, que desencorajam todos os outros funcionários. Os funcionários são oprimidos pelos alunos, tanto moralmente quanto fisicamente, e não querem entrar em conflito com os interesses deles (logo não há lições de formação humana ou filosofia ou qualquer coisa que poderia incitar um debate). Os alunos baderneiros, obviamente, atrapalham os poucos alunos que realmente querem aprender.
O professor substituto tinha de aturar a conduta dos alunos e fez o possível para manter o controle. Mas, certo dia, uma de suas colegas foi atacada por uma aluna e espancada violentamente. Vendo que a situação era realmente desesperadora, o professor resolveu que mudaria a conduta de seus alunos de alguma forma. Ele organizou uma excursão com os alunos e deu-lhes lanche no ônibus, mas o lanche tinha sedativos. Quando os alunos adormeceram, foram levados ao mato, onde havia uma grande jaula circular. Eles tiveram suas roupas confiscadas e foram colocados dentro da jaula enquanto ainda dormiam… até serem acordados por uma alta e irritante música que repetia por horas. As barras da jaula eram eletrificadas e o professor lhes ministrou aulas do lado de fora. À medida que as notas dos alunos subiam, eles recebiam suas roupas de volta, ganhavam direito de tomar banho e outras coisas do tipo. Os que insistiam em desrespeitar o professor eram eletrocutados. Apesar disso, com o passar do tempo, eles ficavam cada vez mais dóceis e passaram a respeitar o professor, além de terem aprendido lições de moral e respeito durante o cativeiro.
O filme carrega a mensagem de que o comportamento de um ser humano normal sempre pode ser corrigido mediante o estímulo correto, mesmo que extremo.
Heráclito professou que todos têm uma coisa chamada “logos”, palavra de difícil tradução que pode ter significados como “palavra, enunciado, definição, discurso, explicação, cálculo, medida, avaliação, razão, causa, pensamento, necessidade e outros mais” (NICOLA, p18). Porém, não são todos os que sabem dessa faculdade. A maioria das pessoas ignora o logos que elas têm por causa de outras coisas, geralmente mais baixas. No caso dos meninos do filme, eles queriam subjugar os professores e fazer valer seus desejos egoístas, repelindo sistematicamente qualquer forma de educação. Porque isso lhes dava uma imagem aceitável perante outros alunos. Os alunos que não participavam dessa busca pela imagem de aluno “bad boy” eram excluídos. Não são todos que se dedicam a elevação de bens espirituais como a sabedoria e a razão, principalmente hoje, num mundo saturado de respostas prontas e distrações que impedem as pessoas de dedicarem tempo aos significados, às definições, às explicações, à avaliação, às razões. Principalmente hoje, o logos é de poucos que resolvem trilhar o árduo caminho de fazer dele um meio de viver, como a filosofia e a ciência.
Ainda assim, pessoas ignorantes, isto é, os que não sabem e não querem saber, julgam-se espertas, inteligentes, tornando-se arrogantes e prepotentes por saberem das coisas imediatas e rejeitarem qualquer coisa que não tenha utilidade à curto prazo. Muitos, apesar disso, respeitam aqueles que têm autoridade e cujos títulos sugerem que seus detentores são mais sábios, mas existem aqueles que rejeitam mesmo essas autoridades por aceitarem como meio de vida aquilo que elas acreditam ser sem valor, por ser difícil, desgastante. Essas pessoas rejeitam e zombam dos professores, dos filósofos, dos cientistas, por dedicarem-se à trabalhos difíceis e ficarem à sombra de celebridades fúteis que recebem atenção e dinheiro. Elas cultuam a ignorância como forma de status e a balanceiam com “esperteza”, pragmatismo e cinismo. Assim, basta ser “esperto”, levar vantagem e fazer o mínimo de esforço. Similar ao que acontecia nos tempos de Sócrates, quando ele notou que é importante saber que não se sabe, porque, quando você acha que sabe de tudo que é realmente importante à sua vida, você se fecha para novos conhecimentos ou os descarta como fúteis. Os alunos realmente não queriam aprender nada da escola, porque consideravam que o que se aprende na escola é difícil, árduo e simplesmente irrelevante. Aprender o conteúdo escolar não era necessário; pra quê estudar aquilo? Os alunos se achavam “espertos” ao rejeitarem aquilo que não tinha utilidade imediata e, cheios de si, julgavam já saber o necessário para viver. Algo similar ao aluno cuja única aspiração é aprender uma profissão técnica e ganhar dinheiro. Isso é uma baixíssima manifestação de egoísmo e ignorância.
Por outro lado, o sofista Górgias já havia associado palavra à magia. Existem palavras capazes de incitar ou acalmar emoções, palavras que até mesmo podem desencadear reações físicas como o rubor (NICOLA, p46). Palavras podem mudar o comportamento de alguém. O professor, durante o cativeiro, faz alguns discursos aos seus alunos que são forçados a prestar atenção e, pouco a pouco, mudam de comportamento.
Galileu (NICOLA, p212) narrou certa vez uma dissecação pública que pôs em evidência que os nervos partem do cérebro, não do coração, como dizia Aristóteles. Um aprendiz da escola aristotélica foi então testado, após ver a dissecação com seus próprios olhos. Foi-lhe perguntado se sua opinião quanto a Aristóteles havia mudado e ele respondeu que, mesmo tendo provas o bastante de que Aristóteles estava errado, preferiu acreditar no que lhe foi oferecido pela sua escola. Talvez os alunos do filme tenham resistido à educação moral dos professores anteriores por já terem sido ensinados o contrário em algum outro lugar, como a família. Metade da educação vem de casa. Os alunos são, em sua maioria, rebeldes sem causa, desajustados, provavelmente vindo de famílias desequilibradas. Como ensinar que se deve dizer a verdade quando o aluno já aceita que mentir para levar vantagem é sempre válido? Especialmente porque, diferente do caso de Galileu, você raramente tem um caso concreto que possa servir de prova irrefutável, enquanto que o aluno provavelmente já se aproveitou da ignorância dos outros no passado e obteve bons resultados.
Isso, no final, lembra da célebre tese de Hobbes, de que o ser humano não é um animal bom por natureza como queria Rousseau, mas perverso, violento e covarde, que deve ser educado da maneira correta e devidamente coibido pela vida em sociedade. Num artigo da revista Superinteressante havia o seguinte:
“Os bebês só não matam uns aos outros porque não lhes damos acesso a facas e revólveres”, disse o pediatra e psicólogo Richard Tremblay, da Universidade de Montreal, em uma entrevista à revista americana Science. A grande questão, ele completa, não é como as crianças aprendem a agredir, mas como elas aprendem a não fazer isso (VERSIGNASSI, REZENDE).
O professor, na sala de aula, é imbuído de um certo nível de autoridade. Será que o professor, como o Príncipe, deveria conhecer técnicas políticas para evitar uma “rebelião”, como ressalva Maquiavel? Em Maquiavel, existem virtudes a serem evitadas (NICOLA, p193). O professor não pode ser manso demais, não pode ser mesmo muito “bonzinho”. Também há “vícios” que devem ser empregados, como a devida punição proporcional ao erro, mesmo que o professor tenha que recorrer a superiores. Por outro lado, não pode abusar de seu poder para não atrair o ódio dos súditos (ou alunos) bem como não pode abusar das recompensas para não parecer fraco. Mas o professor no filme foi bem maquiavélico ao escolher ser temido para só então, durante o cativeiro, ser amado.
Outro fator que poderia levar o aluno a desiludir-se com a escola é algo observado por Husserl: a incapacidade da ciência moderna de responder as questões fundamentais do ser humano. A ciência não é contestada, contudo, não é um problema referente à validade da ciência, mas à capacidade da ciência de dar-nos significado. A ciência ainda não responde de forma satisfatória muitas de nossas questões (NICOLA, p459). Pra quê aprender matemática ou português, por exemplo, se isso não me acrescentar o que quero que me seja acrescentado? Qual o significado da vida? Posso ter segurança no futuro? Infelizmente, a tendência imediatista dos jovens do filme quer respostas prontas e não está disposta nem mesmo às longas elucubrações filosóficas. Isso elimina qualquer forma de responder à essas perguntas e implica o fechamento do aluno à quase todas as disciplinas.
Talvez não houvesse outro meio de se educar a classe, visto que eram alunos violentos, agressivos e perigosos. Que outra solução poderia haver para aquela situação? Ou se apelava para algo extremo como aquilo (o medo) ou se desistia, porque o respeito do aluno não se podia obter. Novamente, embora salas como aquela existam, um filme tende a exagerar para mostrar uma mensagem.
1. ANDERSON, Andy. Enjaulados [filme-vídeo]. Produção de Andy Anderson e direção de Andy Anderson. 1998. 1 DVD, 110 minutos, NTSC, cor, som.
2. NICOLA, Ubaldo. Antologia Ilustrada de Filosofia: das Origens à Idade Moderna. Tradução de Maria Margheritta de Luca. São Paulo, 2010.
3. VERSIGNASSI, Alexandre e REZENDE, Rodrigo. Evolução da Evolução. Superinteressante edição 240.

Satisfeitos, docinhos de caju? Bom saber.

18 de setembro de 2013

O Narrador.

O Narrador – Considerações sobre a obra de Nikolai Leskov – 1936.
1. Que relação existe entre o ensaio O Narrador e Experiência e Pobreza, de 1933?
O ato de narrar um relato é uma consequência da experiência oralmente comunicável, que estava em falta. O Narrador é como que uma continuação de Experiência e Pobreza.
2. Por que Benjamin introduz o ensaio sobre o narrador afirmando que ele não está mais entre nós?
Como dito, o ato de narrar é uma consequência da experiência oralmente comunicável. Sem experiência pra contar, sem necessidade de narrar. Não significa que o narrador deixou de existir, mas que existem poucos e que são distantes. Os traços de narrador, antes comuns a todos, passam a ser ostentados por poucos, servindo como barreira entre eles e as pessoas ditas “comuns”. Também vale lembrar que RPG não existia naquela época.
3. “São cada vez mais raras as pessoas que sabem narrar devidamente […] é como se estivéssemos privados de uma faculdade que nos parecia segura e inalienável: a faculdade de intercambiar experiências”. Qual a causa desse fenômeno?
A falta de algo bom para dizer. Narrar sem saber o que narrar normalmente termina numa narração podre, bem se sabe.
4. De que forma o fenômeno da guerra interferiu negativamente para o desaparecimento da narrativa?
[As experiências de guerra,] Como não são experiências úteis à vida dos outros, ficam retidas neles [os soldados], incomunicáveis. A experiência comunicável é a experiência útil que constrói o ouvinte. Mas a experiência de guerra não tem qualquer valor a quem ouve, normalmente.
5. Quais os dois tipos mais característicos de narradores? Por quê?
O narrador estrangeiro, porque”quem vem de longe tem muito o que contar” e o narrador local porque “conhece suas histórias e tradições.”
6 . Quais os representantes dessas figuras entre os autores alemães?
Hebel e Gotthelf pertencem ao tipo A, Sielsfield e Gerstäcker pertencem ao tipo B.
7. Qual o solo propício para o aparecimento do narrador? Como se dá a passagem de um aprendizado ao outro?
O sistema corporativo medieval, em que pessoas eram empregadas de longe, trazendo as experiências de seu povo, e então eram letradas na cultura local. Seria interessante também uns livros de Storyteller.
8. Descreva o aparecimento de Leskov nesse universo da narrativa.
Leskov tinha uma repulsa natural pela burocracia ortodoxa. À serviço, viajou por toda a Rússia, entrando em contato com todo o tipo de gente. Daí começou a escrever contos sobre essa gente engajada contra a burocracia.
9. Qual o personagem principal de Leskov? Qual o tema de seus contos?
O homem comum, justo e ativo, que se torna santo sem ter de passar por todo o lance ortodoxo chato.
10. De que forma o mundo prático entra na narrativa? Qual o estofo dos contos de Gotthelf, Nodier e Hebel?
Na forma de “conselhos” sobre coisas do dia a dia. Como os perigos da iluminação à gás, dicas de agronomia e coisas do gênero misturadas à narrativa.
11. Como se chama o conselho tecido na substância viva da existência? Explique!
Sabedoria. Naturalmente, sabedoria é o saber vindo da experiência, da reflexão, da discussão e da convivência. Ela não se origina nos livros e nas academias, que dizem coisas específicas que talvez você jamais use. A sabedoria difere por ser universal.
12. Comente de que forma o lado épico da verdade está em extinção.
Com o avanço técnico e a perda da experiência comunicável, perde-se esse aspecto épico (onde épico quer dizer histórico; originalmente, épico era o poema que relatava o início de uma civilização).
13. Qual o primeiro indício da morte da narrativa?
A morte da sabedoria. Hoje em dia, Dungeons & Dragons 4.0.
14. O que acelerou o seu aparecimento?
Avanço técnico e a invenção do romance. Hoje em dia, 3D&T Alpha.
15. Qual a diferença entre os dois gêneros: romance e narrativa? Qual a origem do romance?
O romance origina-se com a imprensa. É algo fundamentalmente literário e não oral. Enquanto que a narrativa é fruto da experiência do narrador, o romancista inventa e raramente tem experiência daquilo que escreve.
16. O que aconteceu quando se tentou injetar o exemplo no gênero romance?
Criou-se o romance de formação, que nem é tão diferente assim.
17. Há uma forma de comunicação, estranha à narrativa, que atualmente influencia a forma épica. Que forma é essa? Comente sua natureza!
A informação, que atrai por ser verificável. Um incêndio nas proximidades atrai mais que a revolução num país distante, porque é mais palpável.
18. Com que palavras Vilemessant, o fundador do jornal Figaro, descreveu essa forma de comunicação?
“Para meus leitores”, costumava dizer, “o incêndio num sótão do Quartier Latin é mais importante que uma revolução em Madri”.
19. De que forma se diferenciam informação e narrativa?
A informação pode sempre ser confirmada quanto mais palpável e próxima ela for. Por isso ela atrai.
20. De que maneira a informação inibe a criatividade?
A narrativa frequentemente recorria ao miraculoso. A informação não. Sem o miraculoso, a narrativa fica “seca”, científica, desinteressante. A rica narrativa tradicional, contudo, é deixada de lado por não ser suficientemente crível.
21. Comente os textos “A Fraude” e “A Águia Branca” de Leskov!
Como eu nunca li, tenho de citar Benjamin: “O extraordinário e o miraculoso são narrados com a maior exatidão, mas o contexto psicológico da ação não é imposto ao leitor. Ele é livre para interpretar a história como quiser, e com isso o episódio narrado atinge uma amplitude que não existe na informação.”
22. Descreva o comportamento do rei egípcio Psammenit descrito nas Histórias de Heródoto!
Ele teve de aturar seus filhos tornando-se escravos, mas só ficou desesperado ao ver um de seus servidores ser preso.
23. Explique a frase: “o tédio é o pássaro de sonho que choca os ovos da experiência.”
O descontentamento com o mundo atual abre caminhos para um uso novo daquilo que já foi dito.
24. De que forma o tédio é um condicionamento do nosso tempo? Qual sua origem?
As pessoas de hoje são muito “na delas”. Não conversam mais, não mais contam o que aconteceu de interessante entre elas, e cada vez menos quanto mais trabalham.
25. Comente de que maneira as atividades ligadas ao tédio se extinguiram na cidade.
O trabalho solitário e veloz da cidade, diferente do lento e coletivo trabalho do campo, não permite, por exemplo, que se conte um relato para passar o tempo.
26. Qual a atividade que era exercitada enquanto se contavam histórias?
Trabalho manual.
27. Comente: “assim se imprime na narrativa a marca do narrador, como a mão do oleiro na argila do vaso.”
Naturalmente, sempre que um conto é narrado, ele é narrado do ponto de vista do narrador. Suas características são impressas no conto, sua personalidade transparece, mesmo que seja apenas na escolha das palavras.
28. De que maneira Paul Valéry descreve o mundo dos artífices?
“O produto precioso de uma longa cadeia de causas semelhantes entre si”.
29. Por que Benjamin olha com melancolia o fim da arte de narrar?
A melancolia é como a saudade, é o olhar para trás. Claro que ele olharia tal fenômeno com melancolia, afinal a narração é uma ótima e valorosa arte, tanto para propósitos de entretenimento, como de conselho e educação, além de ajudar na preservação da história de um povo.
30. “A morte é a sanção de tudo o que o narrador pode contar.” Explique!
A forma como se vive modifica a forma como se morre. Se você narra suas experiências, o ouvinte aprende sobre você e sobre sua história. Quando o narrador morre, os ouvintes podem pensar: “da forma como ele nos disse que viveu, faz sentido ele ter morrido assim.”

16 de setembro de 2013

Quatro contos.

Bom, já redigi o meu premiado texto sagrado sobre o Benjamin e agora só me falta arrumar o texto “O Narrador” para responder o próximo questionário e, com as conclusões, melhorar o texto principal. É agora uma mera questão de tempo até que o trabalho fique pronto… mas é melhor eu não nutrir grandes esperanças quanto a publicação do texto nos Cadernos.
Me inscreverei para a semana filosófica; fiquei impressionado ao saber que a taxa de inscrição pro lance todo é apenas quatro reais. Dois minicursos, quantas palestras que eu quiser, uma reca de certificados fáceis, quatro contos. Excelente.
Na compra de um apontador que preste, perdi o dinheiro do segundo ônibus e fiz o resto do caminho pra casa à pé, o que me rendeu uma queimadura na minha pele extremamente sensível de branquelo. E pensar que houve um período histórico em que se acreditava que o negro era inferior. Tiro por mim, que não posso ficar uma hora sob o sol das dez horas sem ficar assado.
Arrumei Facebook e Tumblr. Não partilharei mesmo muita coisa lá, mas é isso aí. Agora o blog talvez receba mais atenção. Remota possibilidade, contudo, visto que não adicionei ninguém ainda. Mas talvez isso mude, conforme eu decida quem adicionar.
Continuo desenhando à todo vapor apesar dos trabalhos escolares e voltei a ter minha confiança costumeira de quem empurra com a barriga. Acredito que será um bom semestre este, melhor que os outros. Principalmente o terceiro.

Me dei bem pra caramba.

Tô com sono, nem vou mentir. Relevo a possibilidade remota de refazer uma conta no Facebook, mas com o único intuito de divulgar este diário. Ele já está sendo divulgado no Google+, mas não sei se isso é o bastante. Por falar nisso, ainda uso o Google+ com relativa assiduidade e, dependendo do meu humor, posso arrumar um maldito Tumblr, também com a única função de divulgar este diário. Não pretendo fazer um uso muito sério de nada disso, mas seria interessante se mais pessoas comentassem neste diário. Estou bastante satisfeito com meu número de acessos, afinal, isto é um diário da vida pessoal de um filósofo furry. Para um blog dessa natureza, até que recebo muitos visitantes. Mas queria que pelo menos metade dessa gente deixasse um comentário, porque amo discutir. A entrada mais lida e comentada é o estudo bíblico que escrevi sobre a masturbação, em que defendo a prática com auréolas e asinhas, mas até aquela entrada está meio morta. Embora eu a tenha modificado e levado-a ao seu verdadeiro ápice. Acredito que não tenha cristão em sã consciência que possa discordar do que está ali escrito, a não ser que esteja zoando.
Falando em zoação, continuo aqui a jogar Final Fantasy VI. Excelente jogo, embora eu esteja meio frustrado por não ter conseguido o Mog. Shadow morreu, falando nisso.
Hoje, durante a aula de filosofia da educação, a professora entregou-me minha dissetação corrigida. Ela disse que eu tinha que reescrever a dissertação. Pensei: “minha letra deve estar ruim”. Mas não foi isso. Depois da aula, ela me chamou em particular e me disse que minha dissertação estava boa o bastante para ser publicada nos Cadernos Walter Benjamin, mas precisava de mais alguns ajustes para ficar ainda melhor. Ela disse que as ideias que discuti na dissertação eram muito boas e dignas de nota e eu, na verdade, fiquei surpreso; eu sinceramente achei que eu tinha me dado mal, mas não, me dei bem pra caramba. Um texto que eu escrevi pode ser publicado num periódico de renome!
Ela também passou mais um questionário e acho que farei o que fiz novamente: divulgar as respostas aqui. Não irei à escola na quarta-feira, logo sobra mais tempo. Desejem-me sorte nesses múltiplos trabalhos!

14 de setembro de 2013

Nada que eu faço parece estar nos trinques.

Pra quê o sistema baixa todos os pacotes de idioma ao invés de apenas os pacotes de idioma relevantes? Digo, eu não pretendo hospedar um árabe na minha casa ou coisa assim… Fiz uma senhora dissertação sobre Benjamin, apesar de eu nem ir com a cara dele. Mas também foi o único texto feito à mão que escrevi na universidade que me tomou três laudas. É, três. Gosto de resumir as coisas e deixar o texto bem enxuto, sem prejudicar o entendimento do negócio.

Ontem meu irmão começou a trabalhar e, logo no primeiro dia, teve sua bicicleta roubada. Vacilou, dançou, vacilou, né? Não tinha cadeado. Minha mãe arrumou um cadeado pra ele, um cadeado de gente, com senha. Mas a nova bicicleta tem uma corrente frouxa, logo ele tem de parar no meio do caminho pra ajeitar, o que é perigoso, considerando o horário em que ele volta.

Descobriram que coloquei as respostas do teste de filosofia da educação neste diário. Foi rápido. Temo que, se alguém falar disso pra professora, ela cancele o teste. Embora isso não seja exatamente necessário, porque só um cara viu e só depois que o teste foi feito. Não creio que alguém tenha copiado. E mesmo que tenha, quando a professora começou a corrigir o teste em sala de aula, vi que não fui tão bem como achei que eu tinha ido… Se o único cara que viu colou de mim, se deu mal.

Pelo menos hoje não tenho aula. Coloquei meu sono em dia e estou de boa, treinando meu texto de psicologia da aprendizagem. Como sempre, após a apresentação, colocarei o texto aqui.
Ontem eu estava meio xoxo de tanto levar sova na Dueling Network e, pensando bem, nada que eu faço parece estar nos trinques. Minha arte não é boa o bastante, minhas histórias são sem sentido e minha música começa a ficar repetitiva. Minha monografia também não está ficando boa o bastante…

7 de setembro de 2013

Experiência e pobreza.

A professora passou-nos uma tarefa. Ela nos deu um papel com trinta e quatro perguntas sobre o texto Experiência e Pobreza de Walter Benjamin. Na segunda-feira, teremos de escrever uma dissertação que responda a essas perguntas. Como de costume, sempre que estudo, ponho os resultados aqui.
1. De que forma Benjamin expõe a teoria do fim da mediação da tradição?
Ele comenta que não mais se tem interesse em passar a experiência de geração à geração. Os livros, a ciência, todas essas coisas são, necessariamente, contra a tradição popular. A ciência é autofágica, sempre se renova, devorando a si mesma. O que é velho não serve mais numa sociedade cientificista.
2. Qual a metáfora que ele utiliza para comentá-la?
Uma parábola em que um velho homem diz aos seus filhos que há um tesouro enterrado em seus vinhedos. O homem morre e os filhos começam a cavar a terra, mas sem achar nada, até que descobrem que os vinhedos são muitíssimo férteis, aprendendo assim, através da metáfora do pai, que o verdadeiro tesouro é o trabalho. Ao comparar essa parábola com o mundo de hoje, Benjamin torna claro que o conselho dos mais velhos não é mais tão levado em conta como antigamente e que a sabedoria oral cumulativa não mais interessa. O que interessa é o conhecimento científico.
3. Defina a autoridade.
É uma qualidade dada à uma pessoa por aqueles que decidem que ela é mais capaz em algum aspecto. Ligada ao renome e à sabedoria, a autoridade é uma qualidade que reveste o indivíduo de liderança, pois subtende-se que ele é capaz de comandar. A autoridade, contudo, diferencia do autoritarismo que é a autoridade usurpada e abusada. Ao passo que a autoridade relaciona com o respeito, o autoritarismo relaciona com o medo.
4. Que experiências os soldados aprendem na guerra?
Experiências horríveis, as quais eles gostariam de esquecer. Como não são experiências úteis à vida dos outros, ficam retidas neles, incomunicáveis. A experiência comunicável é a experiência útil que constrói o ouvinte. Mas a experiência de guerra não tem qualquer valor a quem ouve, normalmente.
5. Questão cinco eliminada.
6. O que provoca o desaparecimento da experiência?
A falta de experiências comunicáveis que passam adiante. Também a falta de quem as leve em consideração. As pessoas tentam sempre começar do zero, ignorando o que veio antes e submetendo o mundo ao seu julgamento, ignorando o progresso contínuo que foi feito até a geração anterior. Fora que experiências construtivas ficam cada vez mais escassas.
7. O que significa “uma geração […] viu-se abandonada numa paisagem diferente em tudo”?
Benjamin refere-se ao pessoal que foi mandado pra guerra. Sem preparo para o que estavam por ver e sentir, ficavam desnorteados. Pode-se aprender sobre guerra nos livros, de fato, mas a primeira experiência com a guerra é sempre traumática. Você não sabe o que é a guerra se nunca participou de uma.
8. O que significa a expressão “a angustiante riqueza de ideias”?
O oposto da miséria que surgiu com o desenvolvimento da técnica. Benjamin refere-se à astrologia, ioga, ciência cristã, quiromancia e outros mais. É como um resgate, uma renovação, dos saberes que, apesar de não pactuarem com a ciência tradicional, funcionam e podem ser comunicados por serem construtivos. Fazem parte do patrimônio cultural.
9. Comente a frase “a cópia da Renascença terrível e caótica”.
A variedade de costumes e estímulos que, apesar de serem patrimônio, são vagos e sem sentido quando abstraídos da experiência e da memória.
10. Explique “qual o valor de todo o nosso patrimônio cultural se a experiência não o vincula mais a nós?”.
Talvez tenhamos estátuas erguidas a heróis, por exemplo, mas não saibamos a história deles. Os monumentos, as homenagens e os costumes tornam-se mera repetição automática quando a memória não é capaz de associá-los às suas raízes, origens e razões por trás.
11. O que significa “a pobreza da experiência”?
É exatamente a tradição sem a memória. Não temos experiências boas para contar nem experiências capazes de construir a geração seguinte quando, tentados pelas novidades, jogamos o passado fora para começar do zero.
12. Comente a barbárie! O que é o bárbaro?
Eliminar o passado, contudo, tem um lado positivo: a barbárie positiva. Começar do zero, de formas criativas, pode gerar experiências novas para gerações futuras. Não que não seja ruim esquecer os porquês da tradição, mas, ao fazer isso, há a possibilidade da construção de uma nova cultura.
13. Qual a crítica que Benjamin faz à tradição?
A tradição do tempo de Benjamin não trazia consigo seus significados. Você pode dizer que alguém deve perdoar o próximo, mas por que perdoar? Os rituais, monumentos, feriados estavam desprovidos de propósito, visto que sua história estava sendo esquecida.
14. Que exemplo ele tira de Descartes? E de Einstein?
Descartes foi um bárbaro ao jogar toda a tradição filosófica fora provisoriamente para ficar apenas com aquilo que absolutamente fosse indubitável (que, por sinal, foi algo que ele encontrou, o cogito). Daí ele partiu. Einstein foi um bárbaro quando perdeu o interesse pelo resto da física para dedicar-se apenas às incoerências entre a física newtoniana e suas observações astronômicas.
15. Que significado Benjamin atribui ao termo “ao que está dentro” em oposição à interioridade?
O que está dentro é o motor que impele ao movimento, isto é, a necessidade, próximo da inspiração artística em Schelling (o impulso para criação). Não corresponde à subjetividade (interioridade).
16. Que relação existe aqui entre a crítica e a engenharia?
A crítica ao seu tempo é compatível com a engenharia daquele tempo que, ao surgir dos recursos materiais de um período histórico, impulsiona às mentes ao futuro, mudando a época e a forma do indivíduo de agir e pensar. A frase “[…] rejeitam o homem tradicional, solene, nobre, adornado com todas as oferendas do passado, para dirigir-se ao contemporâneo nu, deitado como um recém-nascido nas fraldas sujas de sua época” me toca.
17. Explique as frase: “desilusão radical com o século” e “total fidelidade a esse século”.
Desilusão porque ocorre a rejeição do passado e o desajuste da pessoa às outras que preferem agarrar-se a ele. Fidelidade porque não se é possível criar algo novo a partir do nada, logo é necessário usar os materiais existentes em seu tempo de uma forma inusitada. Não é possível, por mais que você odeie seu período histórico, fazer algo muito além dele.
18. O que significa para Brecht ser o comunismo “a repartição da pobreza e não da riqueza”?
É necessário entender o comunismo para entender essa crítica e o comunismo não é explicado no texto, mas vamos lá… O comunismo é a repartição igualitária de bens seguindo os conceitos de “ao necessitado o que ele precisa” e “do hábil o que ele produz”. O único jeito de essa crítica ter cabimento seria se o Estado não tivesse recursos o bastante para todos, o que faria com que a parte devida a cada um fosse muito pequena. A riqueza, antes nas mãos de poucos, passaria a estar nas mãos de ninguém.
19. O que significa para Loos a frase “Não escrevo para os nostálgicos da Renascença e do Rococó”?
Loos escrevia sobre coisas inovadoras, para gente com uma “sensibilidade moderna”. Ele não era um exaltador da melancolia.
20. O que é rejeitado na imagem do homem tradicional?
Como diz o texto: tradicionalidade, solenidade, nobreza, adornos com oferendas do passado.
21. Como se pode definir a crítica de Scheerbart?
Por meio de seus romances, Scheebart não descreve a realidade, mas como ela seria no futuro, quando a tecnologia mudou o ser humano e sua linguagem. Não dá, em seus romances, nomes “humanos”, como Pedro ou qualquer coisa dessa natureza, mas os nomeia conforme essa nova linguagem que nada tem a ver com o humano atual. Descrever o presente não é construtivo o bastante; é necessário voltar os olhos para as possibilidades de futuro arbitrário e inorgânico.
22. Por que hospedar em casas de vidro?
Porque o vidro translúcido é inimigo do segredo e da propriedade. Amigo também dos vizinhos tarados. O vidro, sendo um material no qual nada se fixa, deixa espaços vazios, abertos, nas paredes, no teto e no chão.
23. Compare uma casa de vidro com um dormitório dos anos oitenta!
É de lascar; nasci em 1992. Mas… nos anos oitenta, um dormitório era cheio de adornos, poltronas, estantes e tudo o mais que poderia consumir espaço. Não havia mais o que ser feito. Diferente da casa de vidro com paredes heterogêneas à qualquer quadro.
24. O que significa “as coisas de vidro não tem nenhuma aura?”.
Que são neutras, vagas, puras. Precisam de alguém que lhes adicione algo. Resposta vaga essa…
25. No ensaio de 1929 “O Surrealismo”, Benjamin havia dito: “Viver numa casa de vidro é uma virtude revolucionária por excelência. Também isso é embriaguez. Um exibicionismo moral que nos é extremamente necessário.” No presente artigo ele fala que “as coisas de vidro não tem nenhuma aura”. Relacione as duas afirmações.
A ausência de aura de um objeto realça as virtudes do dono. São coisas vagas que não dizem nada, logo você volta-se ao detentor do objeto. Viver numa casa de vidro é viver exposto, sem nada a esconder (eu passo, obrigado), nem nada que dê algo a mais a entender além daquilo que lhe é essencial.
26. Descreva o comportamento de um habitante em um interior burguês ao se quebrar algum objeto!
Eles ficam encolerizados, porque os rastros deles que foram deixados no lugar foram violados.
27. Qual a relação do comportamento com a arquitetura?
A aversão a esse comportamento pactua com o estilo arquitetônico Bauhaus. É um estilo reto, simétrico, resistente, onde é difícil deixar vestígio.
28. “Os homens aspiram libertar-se de toda a experiência.” Comente.
Eles querem começar de novo, negam a tradição e visam a novidade. É um momento em que nada dura muito.
29. O que significa a existência do camundongo Mickey?
A “existência cheia de milagres, que não somente superam os milagres técnicos como zombam deles”.
30. Qual o sentido da técnica para Benjamin?
Acomodar o indivíduo cercado pelas dificuldades diárias da vida.
31. Explique “um automóvel não pesa mais que um chapéu de palha.”
Refere-se ao desenho do Mickey, óbvio. À fantasia das pessoas fatigadas com as complicações da vida.
32. Que espaço existe para a vida?
Sei lá. Que tipo de pergunta é essa? O texto nada fala a respeito e responder fora do texto implica oferecer uma variedade de respostas de diferentes autores ou mesmo a minha. Tenho que responder pessoal? Se for, existe o espaço vazio que espera nosso conteúdo.
33. Como é avaliada a inversão de sentido?
Boa pergunta… Acho que como uma coisa nem completamente boa nem completamente ruim, por razões já discutidas.
34. O que recebemos em troca do “patrimônio cultural”?
“A miúda moeda do atual.”
35. O que significa a “capacidade de renúncia”?
A capacidade de negar o passado para dedicar-se ao incerto futuro.

3 de setembro de 2013

Bem gay.

Minha monografia abortou; achei que discorrer sobre felicidade ia ser fácil, mas descobri que não domino o assunto tão bem quanto eu imaginava. Consultei e citei fontes demais, praticamente não coloquei qualquer conclusão da minha parte. Isso é degradante.

Resolvi que discorrerei agora sobre o significado da palavra “filosofia” de acordo com seis filósofos: Sócrates, Platão, Aristóteles, Kant, Hegel e Nietzsche. Pretendo usar a Antologia Ilustrada de Filosofia como fio condutor da minha pesquisa, daí a escolha desses seis. Só espero não estar incorrendo em nenhum plágio ao fazer essa seleção ao mesmo tempo que uso a Antologia como fonte primária de pesquisa (embora, claro, esta não seja minha única fonte de pesquisa). Já arrumei o Teeteto e pretendo usá-lo como minha segunda fonte de pesquisa.

Li dez páginas do Teeteto e achei… bem gay. Tem umas coisas escritas que uma mente como a minha acaba levando pro buraco da maldade. Mas pois bem, estou levando a vida aqui, devagar e sempre. A monografia deve estar pronta em um semestre.

Devagar e sempre. Até lá fico ouvindo Friday, the 13th.

A professora de psicologia não recebeu meu trabalho, parece. Tive de mandar de novo, mas nada muito penoso. Após ela ter aprovado, publicarei o texto na Internet, neste blog. Quanto à antropologia filosófica, os alunos foram dispensados para assistir um filme no auditório. Foi sobre a Facção do Exército Vermelho.

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