Analecto

30 de outubro de 2013

Estudar em casa meio que não tem tanta graça.

Professores da creche deflagram greve | O POVO.

Espero que a greve pelo menos dure pouco. Acontece que os alunos, embora fossem contra em sua maioria, a maioria dos professores é a favor da greve. Na entrada em que falei que, se a maioria se mobilizasse, a greve acabaria, eu pensei que o aluno tivesse voz na universidade. Se tivesse, a greve não teria mesmo acontecido. Então, aparentemente, o movimento democrático anunciado pelos alunos só é democrático dentro da sala dos professores. Em primeiro lugar, o Cid Gomes deveria renunciar ao nome dele por soar como SID, que é uma ferramenta respeitável. Aliás, ele deveria renunciar à vida. Depois, não faz mesmo sentido que os professores, depois dessa, tenham a cara-de-pau de nos pedir para fazer protestos em nome deles. Não fazemos a menor diferença, pelo visto, a não ser quando nossos interesses combinam com os interesses dos professores.
Estou frustrado e decepcionado, mas não sei se estou mais decepcionado que frustrado. Pelo menos assim posso arrumar um curso de inglês, que eu não preciso, mas é bom ter certificados. Só espero que essa greve termine logo; amo estudar e estudar em casa meio que não tem tanta graça. A maioria das pessoas ficaria feliz em não ter aula, mas até entendo, já que eu também era assim até o ensino médio, porque eu era forçado a estudar coisas que nem eram interessantes nem úteis…

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25 de outubro de 2013

Obrigado!

52_-Valkyrie_ProfilePS1-_A_tense_atmosphere.ogg.

Na última aula, nos encontramos numa atmosfera muito tensa. Apesar de a greve geral não ter sido deflagrada, um grupo de alunos bloqueou a entrada de algumas salas com cadeiras, fez barulho em frente e dentro de outras salas para impedir as aulas e espalhou para os alunos que chegavam que o estado de greve geral já estava anunciado e que não haveria aula. Com isso, dos poucos que entraram, muitos saíram. Nossa sala, contudo, ficou. Eu fiquei de tocaia na porta para avisar à professora e os outros alunos se alguém vinha. Alguns alunos revoltados, eu inclusive, resolveram revidar se eles invadissem a sala para proclamar sua greve e propósitos totalmente antidemocráticos (a maioria dos alunos, a devastadora maioria destes, é terminantemente contra a greve geral). Quem é contra a greve é agredido verbalmente e humilhado em grupo. Se você disser que é contra, pelo menos quatro indivíduos a favor aparecerão para argumentar com você e vencê-lo mesmo que com argumentos ad hominem. Então fazemos silêncio quanto à nossa posição por enquanto.
Nossa sala bolou uma estratégia, contudo: teremos aula por e-mail e, com sorte, três aulas finais durante a greve. A localização das aulas, porém, é oculta. Isso deve despistá-los. Nosso grupo está muito nervoso quanto a isso tudo; não se sabe quando a greve terminará e boatos falam de uma greve de um ano, como aconteceu da última vez. Por outro lado, poderemos pelo menos ser aprovados nesta disciplina em especial, a qual não revelarei o nome.
A greve reivindica melhora de condições e concursos para professores efetivos, além de uma lei orgânica que fiscalize as verbas que vêm para a universidade. Certo, concordo quanto a carência de professores, mas a melhora de condições é uma causa desnecessária pela qual lutar, a não ser que você estude no Campus do Itapipoca. O nosso Centro não precisa. Talvez porque eu venho de uma escola muito pobre, estou acostumado a trabalhar com pouco e me dar muito bem. Sempre tive professores muito bons que sabiam trabalhar com pouco, mesmo sem lousa às vezes, sem vídeo nem nada desses recursos acadêmicos que são totalmente desnecessários. É por isso que minhas apresentações são sempre muito “secas”: não uso vídeo, não faço dinâmicas, mas sempre apresento da melhor forma possível, oralmente, abrindo espaço para o debate e respondendo perguntas dos alunos que questionam minhas apresentações, seminários e coisa e tal. Desde que haja uma pessoa querendo aprender e uma pessoa querendo ensinar interagindo no mesmo local, dá pra fazer uma escola ali. Claro que não seria algo formal, com diploma e tudo o mais, mas nem diploma é necessário para ensinar alguma coisa. Na escola em que eu estudava, os ventiladores queimaram, os banheiros entupiram, maior parte do terreno era mato, a diretora era corrupta, mas aprendíamos. Os professores eram ótimos, dedicados, a taxa de evasão era baixa, nunca vi acontecer bullying, tudo isso apesar de um dos pavilhões estar para cair sobre nossas cabeças. Aliás, o teto da sala de multimeios caiu sobre a cabeça de um monitor. Achei foi bom; ele era muito arrogante. A taxa de aprovação era alta e não havia golpe nisso: eu havia sido reprovado em várias disciplinas, especialmente ciências exatas, e não havia recuperação. Nós éramos aprovados porque estudávamos. Isso mostra que as condições precárias do Centro não chegam nem perto das condições precárias da minha escola de Ensino Médio. A reivindicação por melhoras de condição me soa como birra de moleque mimado. Por outro lado, como eu disse, concordo que devamos fazer greve para aumentar a quantidade de professores efetivos, mas ainda assim sou contra esta greve em especial por um motivo muitíssimo simples.
Todas as coisas que a creche conseguiu protestando foram obtidas por meio de movimentos organizados e bem planejados em que pelo menos a maioria estava unida por um objetivo comum. Isso não acontece nesta greve. Temos assembleias de alunos a favor e contra-assembleias feitas por alunos contra. A grande maioria não quer e é uma maioria de muito peso. Mesmo que os que estão a favor se mobilizem, a quantidade de gente a favor é pequena em comparação com os contra. Esta greve está dividida. Aí reside o problema. Se os contra se mobilizarem contra os que estão a favor, a greve acaba. Mesmo que os professores estejam a favor. Eles ficarão frustrados, mas e daí? A maioria achará ótimo que o Campus do Itapipoca proteste sozinho, talvez junto com o Itaperi. Com o tanto que não nos envolvam nisso. O problema é que, depois dos movimentos de junho, o pessoal acha que se faz protesto de qualquer jeito.
Continuo sendo contra a greve e espero que minha classe continue tendo aula, mesmo que por baixo dos narizes desses loucos.
Além do mais, alguns alunos vão longe demais em proclamar essa greve. Primeiro porque a greve geral, não estando deflagrada, não estava lá de fato para dar qualquer direito de alunos invadirem as salas de aula para interferir com o direito de estudar dos outros alunos e com a aula dos professores que sabiam que a greve não havia começado. Uma aluna me falou que eles puxaram uma professora idosa para fora da sala pelo braço. Isso não é crime? Agressão não é apenas agressão física e eles ficaram, durante todo o estado pré greve, entre nós e as aulas, portanto interferindo no exercício do direito de estudar. Isso é baderna, meramente baderna. Aliás, quanto mais eles agem assim, mais contra os contra ficam. Quando ficarmos enraivecidos o bastante com esses barulhentos… Bom, não conseguirão apoio nosso nem que um raio nos parta.
Eu sei que estão fazendo isso por todos nós, então, quer a greve dê certo ou não (por nossa causa ou não), bom pra nós. Obrigado! Que mais você quer?

23 de outubro de 2013

Greve em breve.

Saddest SNES Music: #10 – Gau's Theme – Final Fantasy 6 – YouTube.

Recomecei Final Fantasy 6, como vocês talvez já saibam e até já obtive o Mog. Mas ainda estou arrependido por ter atualizado o Ubuntu para a versão mais recente. Esta é provavelmente a pior versão já lançada…
Entre outras coisas como letras que somem da tela, o Bsnes está mais lento, Ibus dá flux no Tor Browser, realmente acho que não vale a pena atualizar. A não ser que você já tenha feito, é melhor não atualizar para esta versão e regredir à última versão de suporte longo.
Não tivemos aula de filosofia da educação esses dias; a professora resolveu faltar por alguma razão obscura. Faltei psicologia da aprendizagem espontaneamente porque não tinha terminado de redigir o texto que meu colega irá recitar na apresentação de novembro. Falaremos sobre a abordagem interacionista, que é aquele método de envolver os alunos no processo de ensinar aos alunos. Ou seja, os alunos também ensinam uns aos outros. Bastante interessante, mas um tanto que utópico.
Quanto a antropologia filosófica, bem… desenhei um cupido na apostila. É isso aí. Triste, não? Pois é, também achei.
Temo que minha universidade entre em greve em breve. Na terça-feira aconteceu uma assembleia entre os alunos para decidir se a universidade entrará ou não em greve, só que não sei no que a assembleia deu. Amanhã saberei do jeito difícil: indo lá.

19 de outubro de 2013

Que bom que “SPC” baixa rápido.

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Atualizei o Ubuntu para a versão 13.10 ontem, mas me arrependi de ter atualizado ao invés de formatar. Muitas coisas ficaram defeituosas aqui e resolvi que nunca é tarde para uma formatação. Peguei três discos para salvar meus arquivos e aí, na hora de colocar meus arquivos neles, percebi que meu drive de DVD estava defunto. Bom, não percebi imediatamente, afinal não é um cadáver humano. Fiz vários testes, tentei montar dispositivos, tentei os discos noutro computador (funcionaram), chequei se outras unidades montavam… tudo apontava para a falência permanente do meu drive de DVD. Você nunca acha que isso vai acontecer a você até acontecer de fato, né?
Sem dispositivos de memória flash convencionais, fiz a audácia de gravar a imagem do Ubuntu na minha câmera digital. Fiz então o arranque por ela e consegui formatar. Mas perdi todos os arquivos que eu tinha. Infelizmente, meu projeto de monografia estava no meio… Que bom que lembrei de salvar meus certificados e minha base do Keepassx no Ubuntu One, contudo. Pelo menos estou gostando da nova versão e, cá entre nós, não perdi muita coisa. Tudo o que eu havia perdido é facilmente recuperável, exceto, claro, quase dez gigabytes de música de jogos eletrônicos. Que bom que SPC baixa rápido.
A professora de filosofia da educação me falou que o meu trabalho está complicado demais. Ela me disse que algumas palavras estão simplesmente inapropriadas e que minhas frases estão longas demais. Perguntei se eu tinha que simplificar o texto e ela disse que sim. Muito bem, você sabe que está escrevendo de forma muito complexa quando sua professora reclama que não consegue te entender. Ela me disse para enxugar o texto e deixá-lo menor, removendo os adornos e bonitezas. Achei muito estranho, mas acho que é válido… Afinal, o que importa é ser entendido por quem está lhe ouvindo ou lendo, mesmo que isso signifique emburrecer linguagem usada.
Finalmente pude apresentar meu trabalho de psicologia da aprendizagem. Foi um sucesso total, embora eu estivesse um pouquinho nervoso. Nada que me impedisse de apresentar de forma mais que satisfatória. Meu colega de trabalho me falou que a professora parece ter muito respeito por mim, me olha de forma diferente e que ela provavelmente é solteira. Eu admito que corei com o comentário. Ele estava implicando que talvez a professora “gostasse” de mim.
Começamos outro texto em antropologia filosófica e, até agora, tem sido ótimo. Por quê? Bom, ele fala dos limites da ciência. Meu professor comentou que, como o Japão é muito orientado à tecnologia, você vê muitos instrumentos musicais vindos do Japão, mas nenhum grande compositor japonês. Não perdi a chance de dizer em alto e bom som:

Nobuo Uematsu.

Ele me perguntou quem era e eu disse que era um grande compositor japonês, ora bolas. A ideia que ele quis passar é que, em sociedades muito tecnicistas, o interesse por atividades “clássicas” é menor. Ele tentou comentar que você não vê livros de psicologia vindos do Japão e aí falei de um livro chamado “Ensino e Aprendizagem: Abordagens do Processo” (acho que esse é o nome) que, embora não seja exatamente psicologia, é um texto escrito por uma japa e que estamos usando em psicologia da aprendizagem.
A coelha iria amar ler isso, ela que gosta tanto do Japão.

15 de outubro de 2013

Código aberto não é um truque.

Filed under: Computadores e Internet — Tags:, , , — Yure @ 18:34

Tor Project: Anonymity Online.

Certo dia, durante uma convenção, senhor Linus Torvalds foi questionado a respeito do lance da NSA. Perguntaram-lhe se algum agente do Governo americano chegou pra ele pedindo que ele sabotasse o núcleo Linux para que o Governo pudesse invadir a privacidade dos usuários do núcleo. Ele assentiu dizendo “não”, igual ao Chavez.
Ferramentas de software livre também são passivas de ser espionadas. Por exemplo, a Silk Road, possivelmente o mais famoso serviço oculto da rede Tor, foi desconectado após cuidadoso trabalho dos detetives. A Silk Road, pra quem não sabe, era uma paródia do Amazon que se especializava na venda de… drogas! “Mas o Tor não dá anonimato total ao usuário?”, alguém pode perguntar. Não, ele não dá. O trabalho do Tor pode ser sabotado pelos seus hábitos online, pelas informações que você partilha, coisas do gênero. O dono do site provavelmente tava doidão e fez uma besteira que revelou sua localização. Babaca.
Mas o fato é que o Tor e seus serviços ocultos não necessariamente são criminosos. Eu ainda recomendo a ferramenta para quem quer que queira navegar na Internet sem ser notado, embora eu recomende o I2P se o que você quer é hospedar um site anônimo.
Mas por que estou eu aqui escrevendo sobre o Tor pela terceira vez no mês? Por que alguém comentou no meu blog, perguntando se o Tor não poderia ser um truque do Governo para lograr pessoas que necessitam de anonimato por uma razão ou outra. O que você está para ler é minha opinião das coisas…
Não, o Tor não é um truque. No passado, o Tor agiu contra o Governo e, na verdade, continua agindo. E não só contra o Governo americano, mas contra qualquer Governo. É uma ferramenta anárquica. Por ser de código aberto, se houvesse alguma falcatrua envolvida, algum programador no mundo iria saber ao verificar a fonte e aí faria um escândalo aos quatro ventos. Um possível perigo talvez residisse nos daemons já compilados, que atraem gente como eu (isto é, gente que só dá azar na hora de compilar código-fonte), porque não há um meio 100% seguro de verificar se um programa compilado corresponde ao código-fonte público. Assim, programas já compilados podem ter uma “adição” secreta que não está no código-fonte real. Contudo, se alguém descobrisse uma falha dessa natureza através de procura ativa ou mesmo por acidente, ocorreria uma revisão do código-fonte por parte dos hackers e, se aprovado, eles deixariam de usar os programas já compilados para compilar a fonte eles mesmos, se já não estiverem fazendo isso.
O mesmo é válido para todas as outras ferramentas de código aberto. Ninguém está a salvo de ser espionado (nem Torvalds), mas qualquer um, mediante o método correto, pode tornar a espionagem consideravelmente mais difícil. Ferramentas de código aberto, por serem mais transparentes, são mais seguras, mesmo que não sejam 100% seguras (uma distribuição totalmente já compilada, como o Ubuntu, poderia esconder alguma coisa que seu código fonte não mostra), em comparação com ferramentas cujo o código-fonte não é público (como o Skype, que acabou sendo apontado como colaborador da NSA). Isso significa, por acaso, que deveremos começar a usar apenas ferramentas de código aberto e compilar à partir da fonte o tempo todo? Se você tiver algo a esconder do Governo americano, sim. Usuários comuns que não praticam nada ilícito online ou que não guardam segredos de Estado não deveriam se preocupar tanto em primeiro lugar, muito embora devessem adotar medidas reativas porque todo esse escândalo é frustrante.
As grandes distribuições Linux, acredito, compilam o núcleo pela fonte, logo realmente não haveria como Torvalds colocar uma porta dos fundos; qualquer um poderia revisar o código, apagar o que convém e compilar. Mas no dia em que núcleos já compilados forem distribuídos para as comunidades que fazem distribuições Linux ao passo que a fonte ficasse indisponível (o que não é legalmente possível, porque, até onde sei, a licença de código aberto é irrevogável), as pessoas olharíam aquilo com tanta suspeita que imediatamente pensariam na possibilidade de interferência do Governo. O núcleo Linux aparentemente está salvo, embora as distribuições (exatamente por poderem fazer mudanças no código) não necessariamente estejam.
Interessante que nenhum dos meus amigos norte-americanos chegou pra mim e disse “fiquei sabendo que a NSA espia vocês também…” Talvez o proletariado estadunidense, como de costume, não esteja totalmente inteirado do que está realmente acontecendo. Imagine se o segredo do pré-sal fosse revelado ao público e o Governo americano nunca dissesse como conseguiu tal fórmula. Daria a entender que foi uma conquista deles e o povo perdoaria os pecados do capitalismo americano deficiente, vendo-o com outros olhos.
Resumindo: Tor não é um truque, código aberto não é um truque, suspeite de programas já compilados, instale aquilo em que confia.

12 de outubro de 2013

Toda instituição, por ser feita de pessoas, é passível de ser corrompida.

Atualização dos Termos de Serviço – Políticas e princípios – Google.

O Reitor está debatendo se haverá aula na segunda-feira ou não. Acontece que terça-feira é feriado e existe o costume de “imprensar” dias úteis entre feriados ou entre feriado e fim de semana. Certo dia, falei com um velho na parada de ônibus. Ele me disse que, no tempo dele, não existia isso. Os feriados eram nos feriados, não nos dias adjacentes. Afinal, já temos feriados até demais. Eu disse pra ele que minha escola de ensino médio também não imprensava e ele ficou espantado. Perguntou se era particular e eu disse que era pública, aí ele se espantou duas vezes. Ele me disse que não acreditava no ensino público, que o ensino público era falho, ao passo que eu disse que não acredito no ensino particular, porque é uma loja de diplomas. Eu disse que o ensino privado é ruim porque, pra ser aprovado, você só precisa mesmo pagar suas mensalidades direitinho. Ele disse que o ensino público é ruim porque as escolas manipulam as notas dos alunos para aprovar uma determinada cota de indivíduos, em ordem de não perder benefícios do governo. Aí lembrei que tinha algo assim na minha escola, depois que o diretor saiu e deixou sua mulher incompetente em seu lugar: o salário de todos os funcionários diminuía se uma determinada quantidade de alunos fosse reprovada. Acho que, no final, todo ensino é falho porque não existe mesmo ensino perfeito. Toda instituição, por ser feita de pessoas, é passível de ser corrompida, claro.
Tenho mais uma apresentação de psicologia pra fazer, sendo que nem sequer fiz a primeira. Sempre, sempre, sempre sendo adiada, minha apresentação fica cada vez mais obscura em minha mente. Temo esquecer o texto ou coisa parecida, afinal eu deveria ter apresentado semana passada.
Enquanto isso, em antropologia filosófica, terminamos o texto Antropologia Teológica, uma boa lida se queres saber. Quando falamos da desorientação do indivíduo moderno, lembrei de uma coisa que o leão me mostrou. O desenho animado My Little Pony: Friendship is Magic está ascendendo ao status de religião entre alguns fãs. Isso, tem gente que realmente acredita que Celestia faz o sol levantar todas as manhãs, ao passo que Luna faz o mesmo à noite com a lua. Isso porque o ideal iluminista de uma humanidade guiada pela razão falhou; o ser humano precisa de algo que lhe preencha um vácuo metafísico entre as coisas que ele sabe e as que ele provavelmente nunca saberá. Ele precisa de Deus, do Absoluto, de qualquer dessas entidades que lhe dê segurança no futuro. O brasileiro é um bicho muito supersticioso: pegue o jornal O Povo e vá à página “Místicos” e você verá. Essa seção não existiria se não houvesse gente derramando dinheiro nessas coisas. O ser humano necessita de algo em que acreditar, mesmo que sejam coisas absurdas como a mitologia propagada por um desenho para menininhas.

10 de outubro de 2013

Estou um tanto deprimido.

Pedra, Papel e Tesoura. | Diário de um “furry” filósofo..

Fiz um teste ontem, parte de uma pesquisa sobre o furry fandom e o dono do teste até que se interessou por este diário. Nossa, me sinto honrado. O que mais me deixa honrado é que um professor comentou no meu estudo sobre Descartes e Hume e disse que um grupo de alunos dele copiou meu trabalho. Que bom que alguém lê o que digito, especialmente agora que o cachorro e o lobo me deixaram de lado. Até entendo, contudo.
A professora está lendo o “artigo” que escrevi, que na verdade é mais um resumo do Narrador e da Experiência e Pobreza. Isso no pós-operatório; ela fez uma cirurgia no estômago na segunda-feira.
Fiz algumas mudanças nas minhas configurações de privacidade do Firefox, para que fiquem ainda mais restritivas. Por exemplo, meu cache desaparece a cada minuto que passo inativo. Não acho isso, pelo menos até agora, um incômodo.
Fora isso, não há muito o que ser discutido. A professora disse que eu poderia me apresentar hoje, mas acabou adiando. Infelizmente… Também não me sinto exatamente feliz no momento. Estou um tanto deprimido.

6 de outubro de 2013

Queria propor algumas medidas que talvez possam ser úteis à todos os brasileiros que sentem-se humilhados com isso.

▶ Final Fantasy Tactics OST – Apoplexy – YouTube.

Como todos já sabem, a NSA tem espionado o país como mulher raivosa. Eu não sou político, mas queria propor algumas medidas que talvez possam ser úteis à todos os brasileiros que sentem-se humilhados com isso. Quem me conhece, já sabe que vou falar da rede Tor.

A rede Tor é um gigantesco labirinto de roteadores. O indivíduo baixa e instala um daemon que recebe um bind (9050) no IP 127.0.0.1 (servidor local). Daí, todas as aplicações que conectem-se à uma proxy SOCKS5 em 127.0.0.1, na porta 9050 terão suas informações captadas pelo daemon. Daí, a informações é criptografada três vezes usando SSL. A informação é então passada para um computador aleatório que decodifica a primeira camada de criptografia, repassando para outro computador que decodifica a próxima camada e finalmente para o último computador que terminará a criptografia antes de enviar a informação ao servidor final (Youtube, Facebook ou qualquer outro, dependendo do site que o indivíduo que acessar). O resultado é seguinte:

  1. Tripla segurança, visto que a informação é passada por três níveis de criptografia que são decodificados em locais aleatórios do mundo.
  2. Anonimato, porque o IP que o servidor verá será o IP do último computador que repassou a informação.

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p>Mas a rede Tor, no momento, tem menos de 500 retransmissores, que são computadores voluntários que desfazem a criptografia e repassam a informação. Se todos resolvessem usar a rede Tor neste instante, experimentariam uma mórbida lentidão. Mais retransmissores se fazem necessários. O Governo poderia estipular uma lei de alguma natureza que obrigasse as universidades a configurarem pelo menos um computador (que nem precisaria ficar ligado em tempo integral) como um retransmissor, reservando-lhe pelo menos 300kB/s, o suficiente para acessar a Internet pelo Tor Browser. Isso ajudaria a manter as informações dos indivíduos comuns seguras, além de colaborar com o pessoal da China que tá pedindo arrego. Como o Tor é um projeto de código aberto, seria interessante que os programadores à serviço do Governo ajudassem em seu desenvolvimento. Se pelos menos as comunicações online do Governo passassem pela rede Tor, a coleta de informações como domínios visitados e quais usuários os visitaram ficaria muito mais difícil, porque não haveria como saber exatamente se foi um brasileiro que entrou nesses domínios, visto que o IP não seria o IP verdadeiro.

“Ah, Yure, seu bobinho, claro que foi um brasileiro que visitou o site secreto da Petrobras; que outra nação no mundo saberia do endereço do site?” E se não fosse claro que o site é hospedado no país? Os sites, diretórios, servidores SSH, FTPs poderiam ser serviços de localização oculta! A rede Tor também oferece esse serviço, isto é, domínios sem IP. Desde 2004, a rede Tor tem seus próprios meios de localização de serviços, meios estes que não dependem do IP. Você cria um site na sua pasta, digamos, /var/www. Com o Vidalia, eu acho, é possível fazer o site acessível para outros usuários da rede Tor, que acharão seu serviço usando uma URL ofuscada (tipo 3un40g05t0d3c3b014.onion). O IP do serviço, contudo, não é vinculado ao site e só é revelado se você dá-lo de mão beijada. Se o site for acessível apenas pela URL, não houver referência dele nos serviços DNS e seu IP for mantido em segredo, não há realmente como saber onde o servidor fica. Com criptografia, não há como saber que informação é trocada. Usando Tor Browser, não tem como saber quem visitou o site. Presto!

Se você não confia no Tor, use I2P, então; Tor é recomendado para navegação anônima e I2P para hospedagem anônima.

Claro que o Tor é experimental, mas já é estável, usável e poderoso, uma das melhores ferramentas de privacidade existentes. Mas chega de propaganda. É importante que o Governo, se algum dia resolver adotar esses métodos, contribua com o projeto Tor para que ele fique melhor e mais rápido; dependendo do computador, a conexão pode se arrastar.

3 de outubro de 2013

Foi aí que chorei.

Filed under: Livros, Passatempos — Tags:, , , — Yure @ 23:39

Hegel, destruidor de papel, de tempo e de mentes! Na Alemanha, Hegel, um charlatão repugnante, estúpido e escrevinhador de disparates sem igual, conseguiu ser aclamado como o maior filósofo de todos os tempos … Enquanto outros sofistas, charlatães e obscurantistas falsificam e arruínam apenas o conhecimento, Hegel destruiu até mesmo o órgão do conhecimento, a própria inteligência.

Arthur Schopenhauer – Wikiquote.

Pena que a Semana Filosófica está chegando ao seu fim. Os dois primeiros dias foram um saco, admito, mas os dois últimos dias de minicursos foram magistrais, porque foram apresentados por alunos seguros do que estavam fazendo e por um doutor em Schopenhauer. Refleti feito um espelho, involuntariamente, participei das discussões, ri, chorei, foi maravilhoso.

Ontem estudamos os elementos do antissemitismo do ponto de vista de Adorno e Horkheimer. Foi-nos apresentado um pedaço do filme O Pianista e foi aí que chorei. Credo, o Nazismo foi mesmo um verdadeiro absurdo e ver aquelas imagens do filme foi muito mais tocante que simplesmente ler um livro de história. Deus do céu, onde esteves quando aquilo aconteceu? Depois falamos do tal eclipse da razão. Todo o esclarecimento que ocorreu na Europa e particularmente na Alemanha deu naquilo, quando a razão alemã foi avidamente exaltada pelo Idealismo Alemão (aquele Fichte é um canalha; onde já se viu dizer que os alemães são melhores que as outras ração simplesmente porque seu idioma não se misturou a nenhum outro?). Foi-nos explicado os métodos que Hitler usou para manipular a população e só lembrei de um colega meu do Ensino Médio que era apaixonado pelo Nazismo (não o bastante pra ser nazista, mas o bastante para estudá-lo como quem tem fome de saber). Quem dera ele estivesse lá; iria adorar.

Depois teve o minicurso de Schopenhauer e foi aí que ri. O doutor foi categórico, Schopenhauer está errado, você não deveria ler Schopenhauer procurando por verdades filosóficas porque Schopenhauer é contraditório, insustentável e simplesmente incorreto em muitas coisas cruciais. Você deveria ler Schopenhauer, contudo, para aprender a arte de desconfiar das coisas, para entrar em contato com o único filósofo até o momento que disse que o corpo é a porta para a verdadeira metafísica… ou pra dar risada, visto que ele escreve de forma relativamente clara, em contraste com os outros filósofos alemães de seu tempo, e é morbidamente engraçado.

2 de outubro de 2013

Coisas monótonas e sem sentido.

Filed under: Computadores e Internet, Passatempos — Tags:, , , , — Yure @ 22:17

Google+.

Muito bem. Algumas pessoas costumam reclamar que elas recebem demasiadas atualizações de seus amigos online. Isso é escusável, visto que o envio automático de mensagens virou moda. Mas isso não pode ser evitado? Onde está o problema? O problema está em dois lugares: no lado daquele que envia a mensagem e no lado daquele que recebe a mensagem. Recentemente, um cara no Google+ declarou que estava chateado comigo e com os grandes serviços de relacionamento interpessoal na Internet porque várias mensagens lhe são enviadas todos os dias. Isso me deixou um pouco chateado também, porque imediatamente percebi que parte da culpa era minha. Até hoje, nunca coloquei algo que fosse de interesse público no Google+, só coisas monótonas e sem sentido. Era como postagem compulsiva e meio que tenho uma tendência em fazer isso. Mas pois.

Parte do problema está no emissor da mensagem. Antes de postar algo em algum site, tenha certeza de que aquilo pode interessar alguém. Não poste algo que você acha que ninguém irá ler, seja à longo prazo ou curto prazo; isso não faz sentido. Tem gente que lê meu blog, bom saber, então posso continuar digitando como de costume.

A outra parte do problema está no receptor da mensagem. Receber atualizações demais que não lhe dizem respeito ou que não lhe interessam é um problema típico de indivíduos que têm uma quantidade enorme de contatos. Limpar a lista de contatos regularmente é uma medida crucial no controle dessas mensagens. Eu sugeri isso ao meu coleguinha do Google+ e ele aceitou na boa; eu faço isso e não me sentiria mal se alguém fizesse isso a mim. A remoção de uma pessoa da lista de contatos não indica que aquela pessoa não gosta de você, pelo menos não necessariamente. Pode simplesmente ser uma medida de rotina para evitar o envio abusivo de mensagens automáticas. A pessoa ainda pode, manualmente, visitar o perfil da outra e comentar, mesmo que elas não sejam “amigas” uma da outra. Na verdade, o uso do termo “amigo” na Internet geralmente não é literal. Logo, eliminar uma “amizade” online com o clique de um botão não mata uma amizade real entre dois usuários, que podem continuar conversando entre si através de mensagens sem receber atualizações um do outro.

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