Analecto

27 de novembro de 2013

The Unix-Haters Handbook.

Hoje de madrugada passei um bom tempo acordado e rindo de um livro chamado The Unix-Haters Handbook, que é o que diz no título. Eu costumava achar, ingenuamente, que Unix era o deus dos sistemas operacionais, mas eu assumia isso sem olhar a história do sistema, o que é um equívoco gravíssimo. Mas é bom ler a história fora do ponto de vista do vencedor. O livro me mostrou como Unix era o que Windows é hoje: um sistema enorme, lotado de falhas épicas e relativamente simples, as quais podiam ser facilmente usadas para levar o sistema abaixo. O capítulo de segurança foi o que mais manteve minha atenção, porque eu costumava achar que a segurança do Unix era perfeita. Talvez seja hoje ou talvez a Wikipédia não seja mesmo uma fonte reliável de informação, ha! Eu preciso olhar as coisas do ponto de vista dos perdedores também, porque você não pode assumir conhecer a história tendo acesso apenas à um lado dela.

O livro (em inglês) foi liberado para download gratuito pela editora, então qualquer um pode ler.

Antes de comentar o livro, digo de passagem que o estilo de escrita me lembra o livro Cliente Nunca Mais, que é um manual com quinhentas dicas que garantirão a fuga dos clientes da sua loja.

Na capa, um homem segura uma arma ao lado de um computador com o comando rm -rf / que significa, em linguagem de gente, “remova o diretório / e todo o seu conteúdo”. Bom, o diretório / é o diretório mais alto e removê-lo quase equivale a uma formatação, visto que todos os programas e arquivos pessoais ficam nele. Quer acabar com seu sistema neste instante? Tem comando pra isso: sudo rm -R /. Válido em terminais Linux em Mac OS também.

A foreword diz uma coisa que faz muito sentido: o problema do Unix é (ou foi) popularidade. O mesmo vale para Windows hoje, quase. Boa parte dos problemas do Windows vem da atenção que ele recebe, embora se processem de forma diferente. Cada vez mais programas são feitos para Windows enquanto que o sistema em si já é gigante. Regular isso não é fácil. Além do mais, quando você quer atingir alguém com código malicioso você mira o sistema mais popular; é garantido que atingirá muita gente. Por isso que junto com o Windows deve também ser instalado um antivírus; a própria Microsoft admite que Windows simplesmente não é seguro e delegar a responsabilidade de lutar contra as falhas do sistema sem ao mesmo tempo consertá-las (tratar o efeito sem tratar exatamente a causa) é muitas vezes o mais viável. O conserto das causas depende exclusivamente da boa vontade da Microsoft, porque ela detém o código-fonte…

O prefácio me lembra do meu colega de escola. Ele detestava Linux e acho que agora consigo entender por que e por que Linux é tão difícil de ser engolido por gente que usa Windows há muito tempo: é difícil e ainda faz uso de tecnologias bem antigas, mesmo que elas funcionem. Linux é completamente alienígena pra esse grupo, com seus scripts shell, linhas de comando e incompatibilidade com certas peças com drivers proprietários. Na visão de um usuário de Windows, Linux é ou muito avançado ou completamente retrógrado, coisa de programador que gosta de dificuldade ou que não tem fundos pra uma licença do Windows. E o que é mais estranho pra usuários de Windows é que usuários de Linux não raro persistem em usar Linux… como se tivessem se “acostumado” e não mais percebessem que tem coisa “melhor”. Se você estiver lendo, colega, recomendo esse livro pra você. Mesmo que ele não seja mais tão atual, pode ser bom para quando você estiver solitário em casa, especialmente se ainda estiver solteiro.

O leitor casual pode se perguntar por que eu falo de Linux numa entrada que deveria ser sobre um livro que fala de Unix. Linux não é Unix, mas o imita, eis sua resposta.

A anti-foreword, escrita por Dennis Ritchie (é, o criador da linguagem C), revela um cara que leva as coisas muito a sério… O livro foi organizado por trolls, Ritchie, você não deveria alimentá-los; eles podem fazer uma caricatura sua. Deus o tenha, contudo. Ele morreu uma semana ou duas, eu acho, depois do Steve Jobs. Quase ninguém ficou sabendo, a mídia não lhe deu a cobertura devida…

Sabe, se escrevessem um livro desses sobre meu sistema de RPG, por exemplo, eu tentaria levar de uma maneira construtiva. Toda a crítica pode ser aproveitada, especialmente se a crítica for muito bem detalhada. Mas até entendo a raiva do senhor Ritchie; o livro é perveso.

O capítulo seis é dedicado ao terminal. Eu sorri agora; lembrei do meu colega de novo. Ele tentou me desencorajar a usar Linux me dizendo que Linux equivale ao terminal e vice-versa. Ou seja, Linux é pura linha de comando. Ele chegou ao cúmulo de me dizer que Linux não tem interface gráfica e oportunamente escondeu de mim qualquer informação relativa ao X. Ele tem problemas muito sérios com terminais. Quer ver uma coisa legal, usuário de Ubuntu? Ctrl+Alt+F1 (agora não, besta!). Pra sair, aperte Ctrl+Alt+F7 (pronto, agora pode). O terminal é muita coisa. As melhores ferramentas são de linha de comando. Isso contribui para uma série de esteriótipos que pessoas têm em relação a Linux e sua praticidade: você tem que estar acostumado com o terminal, que é difícil de se acostumar, num mundo em que a maior parte dos indivíduos acostumados a interfaces gráficas acha que o uso de linhas de comando é coisa do século passado. É um ótimo capítulo pra quem quer que queira melhorar suas críticas ao terminal do Unix (ou Linux ou Mac OS).

O capítulo seguinte, contudo, fala do X. Por muito tempo, foi o meio pelo qual sistemas Unix produziam janelas. Na época era devagar e desajeitado, mas hoje é muitíssimo usável. Porém, já existem outros meios para se obter os mesmos efeitos ou mesmos melhores (Mir, Wayland e outros servidores como esses pretendem substituir o X na tarefa de embasar interfaces gráficas). Eu, pelo menos, prefiro o X… Boa parte dos problemas do X relatados no livro não são experimentos por mim. O X só me pregou uma peça que foi facilmente revertida.

O capítulo dez eu queria mostrar pra duas pessoas: Ame (que odeia C++) e meu chefe (que ama C++). Fala de todas as falhas fundamentais de C++, do quão difícil é de ler, das diferenças entre os efeitos produzidos por diferentes compiladores (o que não deveria ocorrer…).

Até agora jogamos com usuários de Windows, gente que usa terminais, gente que usa X e programadores de C++. Mas o capítulo onze é o que me atingiu pessoalmente, dedicado a administradores de sistemas Unix. Eu devo admitir que ser administrador de Windows é uma tarefa mais fácil do que administrar um sistema Unix (ou Linux): você sempre pode baixar ferramentas que automatizam manutenção e remoção de uma virose, por exemplo. Mesmo que Windows quebre sozinho, consertar os danos que ele causa a si mesmo, diminuindo sua performance, só requer uma agenda, com horários para remover programas desusados, limpar o diretório (ops, “pasta”) de arquivos temporários, desfragmentar disco… Linux não quebra sozinho, ele praticamente faz sua própria manutenção, só requerindo que você instale atualizações. Mas Linux deixa você livre pra fazer o que você quiser, logo a chance de você fazer burrice é muito maior. Linux não é exatamente “à prova de idiotas”, especialmente de idiotas que, como eu, têm a senha do administrador… Infectar uma máquina com Linux usando um vírus requer muita engenharia pessoal, você precisa ludibriar o administrador a instalar o vírus, praticamente. Como não é possível instalar um programa sem a senha do administrador, o administrador é normalmente a causa de um funcionamento anormal do sistema e as burradas que uma pessoa faz simplesmente por ter a senha na hora certa (ou errada) podem ter proporções devastadoras. Windows pelo menos tem barras de progresso muito sexy.

Ligar um sistema Linux hoje em dia pode ser feito por qualquer usuário. Não sei à quantas anda o Unix, visto que nunca usei o negócio puro. A instalação de software novo é meio frustrante; eu tenho que pessoalmente aprovar qualquer programa que meu sobrinho, irmão ou minha mãe quiserem instalar (salvo por programas de Windows, pois as modificações feitas através do Wine normalmente afetam apenas o usuário que chamou o processo). Admito que isso chega a ser desgastante demais… e fico com preguiça de avaliar o programa a ser instalado. Mas é necessário. Windows é capaz da mesma coisa, mas eu notei que, no país, as pessoas têm o péssimo hábito de deixar todos os usuários entrarem na mesma conta, o que deixa o controle do sistema muito difícil. Um programa malicioso num arquivo .EXE (que você achou que fosse um filme) não poderia ser instalado a partir da conta de um usuário comum.

É muito tentador para o administrador moldar o sistema à sua imagem e semelhança. Se este computador fosse só meu, já teria roteado todos os navegadores para passar pelo Tor, por exemplo, o que não é de interesse de todos os usuários. Tenho que pensar neles e isso significa constranger minha vontade mais íntima, muito difícil quando se tem o poder.

Devo ser um péssimo administrador também, porque quase nunca faço qualquer tipo de backup preventivo. Mas tenha paciência, né? Não tenho dispositivos de armazenamento, meu drive de DVD morreu e só tenho 5GB de espaço na nuvem. Quando eu resolvo formatar o sistema, nem sempre faço backup dos arquivos dos meus parentes. Faço dos meus. Sou muito preguiçoso…

Pelo menos resolver problemas de usuários comuns é fácil. Difícil é você, administrador novato, resolver os seus. Uso Linux há três anos e posso dizer que ainda sou jovem demais nisso. Quando me meto num problema de difícil solução, normalmente tenho de recorrer ao terminal para digitar um ou dois (ou dez) ações que não conheço. Alguns são fáceis de resolver, mas outros requerem um conhecimento tão obscuro que você se pergunta como aquilo foi acontecer com você em primeiro lugar. Enquanto você estiver aprendendo, é importante andar na linha. Você ainda pode ser curioso e fazer testes, mas antes de fazer qualquer coisa no terminal que comece com `sudo`, faça uma pesquisa antes para saber o que você está fazendo, o que pode dar errado, o que fazer se der errado, os efeitos esperados e um método de reversão.

Mas chega de falar do livro e relacioná-lo com minha experiência. Leia-o e faça bom uso do inglês que você aprendeu.

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23 de novembro de 2013

Blogando do quarto ao lado.

Markdown quick reference — Support — WordPress.com.

Pois é, comecei a usar o Markdown. Não sei se funciona, contudo. Usarei principalmente para inserir código, uma coisa que amei fazer na entrada sudo startx. Pois é, é bem simples, pretendo testar… Mas fora isso… nada de novo ocorreu por estas bandas.

O nosso professor de Informática se comprometeu a levar meu currículo para o chefe dele e talvez me descolar um trabalho na escola. Espero que eu possa dar aula, preferencialmente de Linux. Falando nisso, levei meu computador para limpar; aquele computador não vê um técnico desde sua montagem. Se eu gostar do serviço do indivíduo, limparei-o a cada semestre. Claro, eu o limpo mensalmente em casa, mas me faltam ferramentas para uma limpeza mais profunda. Ele já terminou o serviço, mas ainda falta eu voltar para pegar.

Meu pai recentemente descobriu-se ateu. Ele passou por uma crise feia e até entendo; ele foi criado para ter fé e jogar tudo pela janela quando a crença passa a não mais fazer sentido não é fácil. Eu sei que Deus existe, não sei qual deus existe, mas acredito que seja o Deus judaico-cristão porque tenho muito a ganhar com isso e pouco a perder.

Estou blogando do quarto ao lado, usando o computador da mãe que está atualmente equipado com um sistema operacional mais estável: a última versão de suporte longo do Ubuntu, a 12.04. A versão 13.10 tem vários problemas de diversas ordens, incluindo um defeito no Keepassx que me impede de entrar rapidamente no WordPress. Não são problemas grandes, mas são problemas irritantes. Aliás, o Lightdm às vezes falha em carregar quando uma sessão é pausada e outra é iniciada, o que me força a reiniciar, a não ser que aquilo que eu queira fazer não dependa de uma interface gráfica de usuário (como navegar na Internet). Aparentemente superei meus problemas para dormir. Não foi tão difícil, mas demorou algumas noites. Só precisei me adaptar a um novo horário de ir pra cama.

21 de novembro de 2013

Eu queria que Windows morresse logo de uma vez.

Filed under: Computadores e Internet, Passatempos — Tags:, , , — Yure @ 17:59

How to install Linux on UEFI systems where GRUB fail to install? – Linux Mint Community.

O gato hoje me disse que odeia Linux. Não o culpo, mas aí perguntei o porquê. Bom, acontece que o Grub, o negócio responsável pelo arranque duplo, morreu, fazendo-o perder tanto o Linux Mint quanto o Windows. Mas como ele morreu? Meu palpite é que o computador dele é moderno e tem UEFI. Que bom que meu PC é velho e ainda tenho uma BIOS normal. Tentei propor uma solução, mas ele disse que não aguenta mais. Daí eu disse que tudo bem e que eu não iria odiá-lo por isso.

Eu costumava ser fanático por Linux. Eu queria que Windows morresse logo de uma vez. Mas aí percebi o quanto isso é idiota e que essa atitude é tão válida quanto brigar por time. Afinal, se usuários de Linux amam a liberdade, deveriam respeitar a liberdade dos outros de executar outros sistemas.

Ele me disse que achou que eu fosse ficar zangado com ele por ele falar que odeia Linux e eu o garanti que não sinto nenhum rancor dele por causa disso. Ele então me disse que quanto mais ele fala comigo, mais ele me ama. Bom… nem os homens resistem ao meu charme, isso é fato. Linux não é perfeito, está longe de ser. Windows também não é perfeito e provavelmente nunca vai ser mesmo… Mas existem pessoas que não são maduras o bastante para admitir as falhas das coisas que estão acostumadas a usar ou acreditar ou apoiar. Afinal, para melhorar aquilo que já existe, é necessário admitir que precisa melhorar.

Essa greve pouco tem de democrática.

Filed under: Notícias e política, Organizações — Tags:, , , — Yure @ 15:10

Professores de universidades estaduais recusam proposta e mantém greve | O POVO.

Por quê? Por que eu tive de prestar vestibular pra creche? Podia ter sido pra UFC… Poxa, eu poderia ter passado no vestibular da UFC sem problemas… Eu deveria ter feito uma pesquisa de mercado…

A proposta do Governo de negociar apenas quando a greve terminasse foi recusada. Os grevistas estão fazendo uma verdadeira guerra política pelas suas reivicações e eu acho isso tudo muito bonito, mas… eu estou ficando na pior por causa disso e não porque meu curso terminará mais tarde por causa da greve, mas porque eu dependo da sala de aula pra me sentir bem. Não consigo permanecer sendo eu mesmo sem passar quatro horas na sala de aula cinco dias por semana.

Mas preciso me conformar, pelo visto. Só queria que os grevistas também se conformassem que tem gente que não adere à greve ao invés de atacarem os cursos de Administração, Ciências Contábeis e Ciências da Computação como fizeram dias atrás. Esses cursos não aderiram à greve, então alguns grevistas depredaram as salas deles, arrancaram interruptores e tudo o mais. Na minha modesta opinião, essa greve pouco tem de democrática, uma bandeira que os estudantes que aderiram levantam.

20 de novembro de 2013

Posso desenrolar um programa de arte digital.

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Imagine só, logo eu. Pois é, meu amigo estava sentindo-se mal pra cacete por não conseguir fazer arte digital, então eu pensei que eu talvez poderia animá-lo. Então escrevi um manual pra ele. Eu não queria que ele passasse por aquilo que passei ano passado, especialmente se eu pudesse fazer algo a respeito.
Descobri que posso desenrolar um programa de arte digital quando eu não sei exatamente o que eu quero fazer. Exato, se eu tiver um objetivo em mente e for novato num programa, óbvio que ficarei frustrado com os empecilhos, porque posam um obstáculo entre eu e meu objetivo. Isso deixa de ser um problema se eu não tiver objetivo. Se eu estiver só frescando sem ter uma imagem em mente que eu queira desenhar, terei mais paciência para desenrolar o programa.
Mas Gimp ainda não é exatamente o software que eu gostaria de usar. Se eu tivesse que usar um programa capaz de fazer arte digital, eu gostaria de algo que se aproximasse o máximo possível da sensação da arte tradicional. Artrage me atrai, mas não sei se é a coisa certa a ser feita, especialmente depois que jurei não fazer arte digital. Se bem que eu tecnicamente já quebrei esse juramento.

Continuo dormindo mal e nem sei exatamente por quê. Isso não acontecia antes. Na verdade, meus olhos doem também… acredito que por falta de um sono decente. Que bom que a última noite foi mais ou menos tranquila.

Além do manual de Gimp, estou digitando um manual de LMMS. É longo, grosso, duro, mas tenho que fazer para provar minha masculinidade: li em algum lugar que digital audio workstations são complicadas demais para que alguém aprenda por conta própria. Então resolvi aceitar o desafio de ensinar o LMMS às pessoas através de um manual, ao invés de lições numa escola particular. Afinal, existem digital audio workstations gratuitas, logo não faz sentido que não hajam tutoriais gratuitos com um nível decente de detalhe ou que você tenha que despender dinheiro em aulas.

O que já tenho pronto é o seguinte:

Sumário

Introdução. 1

Capítulo um: instalação. 2

Método um: Central de Programas do Ubuntu. 3

Não apareceu. 4

Método dois: dpkg gráfico. 5

Método três: dpkg na linha de comando. 6

Método quatro: apt-get. 6

Capítulo dois: a interface. 7

O cabeçalho. 7

A barra lateral. 8

As janelas. 10

Todas estas seções estão terminadas, mas ainda faltam outros cinco capítulos. Agora, se me permite, uma merecida soneca para este felino.

15 de novembro de 2013

Mas consegui afinal.

Filed under: Música, Notícias e política, Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yure @ 18:21

▶ Mickey & Donald: Magical Adventure 3 Music – Stage 4 – YouTube.

Que linha de baixo mais emocional, não concorda? Sem falar na melodia de flauta. É como se você estivesse olhando o mundo de cima. A batida é bem leve na primeira parte, para ressaltar a melodia. A linha de baixo mantém a emoção da música, uma tarefa que normalmente é da melodia, não que a melodia não desempenhe seu papel aqui também. Fato é que a linha de baixo nesta música não tem como função meramente manter a música de pé, dar ritmo. Ela tem variações cruciais que, se removidas, deixariam a música menos interessante.
Para quem está preocupado quanto à minha condição física, já me sinto bem melhor depois que adotei uma nova rotina de sono. Só preciso de força de vontade para continuar seguindo-a. Não é tão difícil, basta lembrar do sufoco que passei na noite em que não consegui dormir nem um pouco. Foi perturbador.
Embora o Governo esteja voltando a orelha surda para os grevistas, a greve da creche, aliás, de todas as universidades estaduais do estado ganha força a cada dia. Mas o Governo já deixou claro que só vai negociar quando a greve acabar, porque acha que isso tudo é uma reclamação de gente de barriga cheia. Muito embora, apesar da nota, hoje foi aberta uma brecha. Parece que esse negócio de greve funciona.
Mas que seja. Apesar de ter fixado um horário para dormir, ainda tenho dificuldade de pegar no sono; minha cabeça não para quando estou para dormir. Me deito e começo a pensar em mais coisas do que posso contar e me concentrar nessas múltiplas coisas me impede de relaxar. Passei umas duas horas rolando na cama sem conseguir adormecer, mas consegui afinal. De manhã, minha mãe foi me acordar para comer, mas eu recusei. Ela perguntou se eu tinha dormido mal de novo e eu disse que sim. Ela me perguntou o que eu estava sentindo e honestamente eu não sei mais o que eu sinto, o que se passa comigo, dificultando meu sono.
Mas hoje até que dormi bem, em comparação com os dias anteriores. Estes, contudo, são dias tristes. Sem ter de estudar, me sinto completamente inútil, porque nasci para ensinar e atrasar meus estudos nessa direção é a forma perfeita de me atingir. Não queira me ver agora, estou péssimo e não apenas de cara. Acho que não me sinto tão conturbado assim desde a adolescência.
Além disso, foi um verdadeiro fiasco a minha busca por soluções de emulação de Super Nintendo. Então resolvi ficar com a emulação online; a música está perfeita, embora fora de sincronia com a imagem, e o jogo roda bem rápido com um grau decente de precisão. Prefiro o Bsnes ainda assim, mas ele não é uma opção no momento. Acho que isso é tudo. Aceite um biscoito.
http://www.vgmpf.com/Wiki/index.php?title=Thanatos_%28C64%29

12 de novembro de 2013

sudo startx

Filed under: Computadores e Internet — Tags:, , , — Yure @ 20:48

Getting Your Desktop Back – The Almost Definitive Guide | JournalXtra.

Obrigado, raposa, por ter me mostrado o Elinks. Hoje eu resolvi solucionar o problema de velocidade dos meus emuladores; Bsnes e Higan estavam morosamente lentos nos três perfis. Sei que a Canonical resolveu implementar um tal de Xmir como gerenciador de exibição ou algo assim e pensei que talvez uma possível ausência do X-Window estivesse na raiz do problema. Então achei que um comando inocente como startx para confirmar a ausência ou não do X seria um bom começo. Não deu certo, retornando a mensagem de que Startx precisava de privilégio máximo. Isso foi o início do fim. “Se queres privilégio máximo, te mostrarei o privilégio máximo”, pensei. Daí dei o comando sudo startx. Adivinha o que aconteceu?
Quebrei a interface gráfica. Janelas não apareciam ou renderizavam erradas, perdi o cursor, nenhum botão aparecia na tela e terminais abriam com direito máximo. Eu não tenho ideia do que raios foi que aconteceu, mas eu tinha que resolver sem recorrer à interface gráfica.
Com Ctrl+Alt+F1, entrei numa shell e comecei a pensar no que fazer. Lembrei do conselho da raposa, “usa o Elinks pelo menos uma vez”. Elinks é um navegador de Internet que funciona da linha de comando. Digitei então sudo apt-get install elinks e, depois de instalado, procurei por uma solução na Internet. Segui os passos do Journalxtra e consegui recuperar minha área de trabalho. Levou quarenta minutos, mas foi bom por vários motivos. Adquiri mais experiência, lembrei que arquivos de configuração defeituosos podem ser removidos do diretório pessoal para reiniciar um programa como novo e percebi que não dependo da interface gráfica para solucionar problemas aparentemente críticos.

10 de novembro de 2013

Deste lado da cerca.

Filed under: Computadores e Internet — Tags:, , , — Yure @ 22:24

Microsoft Warns Of Zero-Day Attacks Exploiting TIFF — Dark Reading.

Sabe, eu não gostei muito desta versão do Ubuntu por uma variedade de razões, mas agora as coisas estão ficando mais calmas conforme minha paciência e minha avidez por aventuras informáticas pelo reino mágico do código aberto me impelem a consertar os “danos” causados pela Canonical à uma distribuição que antes foi a melhor de todas. Ubuntu ainda é Linux e, como tal, é facilmente customizável por qualquer usuário. Além do mais, se eu ainda estivesse usando a versão anterior, eu estaria perdendo toda uma gama de atualizações importantes de segurança e privacidade, então é importante que o usuário de qualquer tipo de programa, a não ser que esteja completamente ciente do que está fazendo (tarefa difícil, porque você sempre acha-se completamente ciente até que a casa caia), sempre tenha a versão mais atual do software que está habituado a usar.
A nossa vizinha, Microsoft, recentemente lançou um curativo novo para o Windows que, até que uma solução completa seja elaborada, desabilita completamente o suporte a imagens TIFF. Isso porque imagens TIFF também são compostas de linhas de texto, o que é natural hoje em dia, que são lidas e interpretadas pelo sistema. Acontece que, à grosso modo, no meio desse texto podem estar escondidas instruções maliciosas que permitem a execução de código arbitrário. Algo parecido aconteceu antes com metafiles de três kilobytes. Mas tudo isso poderia ser evitado, porque esse ataque em especial se apropria da forma como software velho lida com arquivos TIFF. Uma pessoa mal-intencionada pode colocar instruções que fazem sentido para o sistema, embora não para um arquivo TIFF regular, em uma imagem inserida num texto do Microsoft Office Word.
Muitos não querem atualizar para o Windows 8, compreensível, além de que você não perde muito porque a Microsoft ainda dá suporte ao 7, mas é completamente retrógrado, imprático e sem dúvida inseguro que você ainda use o XP hoje (ou o 7 daqui a dez anos).
A única razão pela qual escrevo isso é para alertar os nossos vizinhos usuários de Windows, porque eu, embora esteja deste lado da cerca, aprendi que deveríamos conviver em paz apesar de nossas máquinas executarem sistemas diferentes. E porque acho triste que tenha gente que ainda usa aquela velharia que é o XP.

8 de novembro de 2013

Não consigo ficar mais em paz…

Agora que o semestre “acabou”, posso voltar a trabalhar na minha monografia. Pois é, não posso parar. Se não posso estudar na universidade, estudarei em casa. Pra quê algo mais justo? Claro que não tive disciplina de monografia ainda, mas a oferta dessa disciplina é uma iminência, então é bom eu ter um texto cru para que então, durante a disciplina, eu possa formatá-lo corretamente. Mas o tema da monografia é um mistério até pra mim. Pensei sobre felicidade, pensei sobre o significado da palavra filosofia, mas nada tem ido pra frente até o presente momento. Tenho que relevar todas as possibilidades antes de seguir…
Mas uma coisa me incomoda. Ontem, não consegui dormir. Exatamente. A greve me incomoda tanto que estou perdendo meu sono. Não consigo permanecer são sem estar numa sala de aula por quatro ou seis horas, cinco dias por semana. Me deitei às três da manhã, fique rolando na cama até as seis e foi isso. Precisei de uma das pílulas que a mãe toma pra dormir. Não consigo ficar mais em paz… Acho que minha professora de psicologia iria gostar de saber disso, talvez ela tenha alguma solução que possa me ajudar a superar este problema. Meus colegas disseram que eu tenho insônia, mas isso é óbvio, ora. Insônia, contudo, normalmente é um sintoma de algo maior. Minha grade de sono era determinada pela universidade. Sem universidade, minha agenda de sono fica desnorteada. Além do mais, me sinto completamente inútil quando não estou estudando e sinto aquela sensação desgraçada chamada tédio.
Arrumei uma rotina de sono nova, contudo, baseada no horário de verão (estranho, porque o horário de verão não é válido na minha região). Só espero que eu consiga dormir normalmente depois disso.

5 de novembro de 2013

Última aula do semestre.

16 – The Genie’s Lamp ~ Aladdin Soundtrack – YouTube.

Será difícil aguentar tanto tempo sem aula. Tremo sempre que penso na possibilidade de uma greve de um ano… Não posso de forma alguma passar tanto tempo sem fazer nada… Que bom que meu curso de informática básica está no fim e poderei esquecer que Windows existe por um tempinho. Daí poderei começar um curso de hardware, que é o que realmente quero fazer no campo da informática. Por quê? Simples, para não depender dos técnicos! Eu não pretendo cursar hardware para “montar um negócio” ou qualquer coisa assim; o conhecimento sobre alguma coisa deveria servir para mais que simples trabalho. Claro que eu poderia oferecer meus serviços, como já fiz antes (só que recusei pagamento), mas isso não é minha prioridade no momento. É mais uma feliz consequência que talvez me auxilie no pagamento da minha formação. Que fique registrado que dar aula de filosofia é meu único objetivo na vida.
Já tive amigos que me disseram que penso muito pequeno. Só não quero meter os pés pelas mãos. Pagar viagens, viver intensamente, nada disso me interessa. Sou uma pessoa simples e pacata. Quero dar minha contribuição ao mundo, mas acho que o mundo já contribui o bastante comigo. Eu realmente não vejo sentido num estilo de vida “intenso”; já é intenso o bastante andar em Capital sob o constante risco de ser assaltado sempre que tenho aula. Não me vejo fazendo muito além daquilo que nasci para fazer. É bom que eu possa viver desta forma, com meus objetivos em mente, e dou graças a Deus por ter me permitido saber o que fazer da vida logo aos treze anos; tem gente de cinquenta anos que não sabe. Acho que é por isso que o tédio incomoda tanta gente da minha idade. Se todos soubessem o que fazer na vida, o tédio da rotina seria justificado e por isso tolerado. O que mais incomoda no tédio das coisas de todos os dias é a sensação de estar fazendo algo que nunca lhe servirá ou de estar fazendo a coisa errada ou a preocupação com o que mais você poderia estar fazendo. Isso faz muita gente desistir da faculdade ou do trabalho.
Gostaria de ter uma fórmula para encontrar o sentido da vida, mas infelizmente não a tenho. Foi um milagre eu ter estudado com a Professora Sagrada e talvez eu estivesse cursando psicologia agora se não fosse ela. Psicologia me atraía porque eu poderia melhorar o mundo, a vida das outras pessoas, de uma forma terapêutica. Mas com a filosofia descobri que é melhor evitar esses problemas do que consertá-los, uma iluminação realçada pelo fracasso da minha psicóloga em curar-me da depressão. Resolvi que é muito melhor melhorar a vida das pessoas pela via formativa ao invés de pela via terapêutica, embora a segunda seja necessária quando o estrago não pode ser evitado.
Falando em depressão, ouvi o carregador do jogo Green Beret por uma hora direto. É uma música tão bela… que já devo ter derramado uma ou duas lágrimas enquanto a ouvia. Senhor Reyn Ouwehand fez uma reinterpretação dessa música que, por sinal, ficou muito boa, mas a original é melhor em minha modesta opinião por apelar às minhas emoções de uma maneira mais gentil. A maioria das pessoas não entenderia meus gostos musicais e até me meti numa briga com o leão por causa disso. Ele acha que não entendo de música (isto é, de estilos musicais) porque escuto música de jogo. Compreendo que, para muitos, a música de jogos eletrônicos não é “de verdade”, mas é uma pena que ninguém dê mais que uma chance aos compositores desse tipo de música.
Acontece que compositores de música de jogos eletrônicos devem ter em mente não aquilo que vai vender (porque a música em jogos eletrônicos é totalmente auxiliar), mas aquilo que melhor se ajusta à cena. Portanto, eles não usam essas técnicas rotineiras que saturam o rádio, mas o melhor que eles têm para realçar a cena de um modo psicoacústico. Numa cena triste, música triste, e por aí vai. Além do mais, diferente do requerido para ser um compositor de música eletrônica popular, compositores de música de jogos eletrônicos, exclusas raríssimas exceções, não podem exercer seu ofício sem ter instrução formal em música. Logo, a música deles pode ser extremamente erudita (fugas, toccatas, contrapontos, fórmulas de interlúdio) dependendo do jogo. Tende a ser chocante que a música de jogo é considerada música eletrônica, porque quando se pensa em música eletrônica se pensa nessa papa açucarada que se ouve numa FM da vida.
Tivemos aula de psicologia da aprendizagem e amanhã será a última aula do semestre, muito embora eu acredite que eu não vá. A greve vai mal: o governador disse claramente que não negocia com grevistas, o que é certamente desanimador. Teria sido mais sábio esperar o mandato dele acabar (e acaba ano que vem) do que tomar a via beligerante contra um cara que realmente não está nem um pouco a fim de escutar seu próprio povo.

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