Anotações sobre os filósofos pré-socráticos.

  • O que é vivo precisa de umidade para viver. As coisas mortas são secas. Tales também acreditava que objetos tinham alma, por isso não poderiam ser chamados de “inanimados”.
  • O limitado não é capaz de criar algo. Tudo o que está separado deve juntar-se um dia e depois separar-se novamente. O ser humano procedeu de peixes.
  • O vivo dissipa-se em sua origem. Anaximandro via que os elementos transformavam-se reciprocamente uns nos outros, por isso não supôs que um deles fosse substrato. Deus é ilimitado e vice-versa.
  • O ser humano é o único animal que não nasce pronto para sobreviver ou que não o aprende à curto prazo, precisando assim de proteção. Os primeiros seres humanos, então, recebiam proteção dos peixes, uma ideia derivada da doutrina de Tales de que tudo vem da água.
  • O ar torna-se fogo por rarefacção, mas torna-se outros elementos por condensação. Assim, tudo vem do ar.
  • É natural que as pessoas concebam para si deuses antropomórficos. Se cavalos, por exemplo, pudessem conceber deuses, parece natural que intentassem deuses com aparência de cavalo. O verdadeiro deus não deveria comportar nenhuma característica humana.
  • Mais vale saber das coisas que ser forte.
  • É totalmente errado que as pessoas concebam deuses como perfeitos e atribuam a deuses toda sorte de comportamento humano desonroso, como a traição conjugal.
  • Ninguém tem qualquer autoridade para dar uma última palavra sobre o divino, nem o próprio filósofo, então que se tome o que ele pensava como a opinião dele.
  • O mundo sempre existiu, é eterno.
  • Felicidade não coincide com prazer corporal. A pessoa comum ora para estátuas e ídolos, ignorando o que representam.
  • É digno morrer em consequência de combate. O que há depois da morte é um mistério.
  • Melhor a glória eterna que o prazer transitório.
  • As grandes coisas merecem tempo devido para serem julgadas. A democracia não necessariamente produz o melhor resultado. A guerra é necessária à mudança. Dados sensíveis são facilmente mal interpretados.
  • Os opostos coincidem em Deus. A alma é ligada harmoniosamente ao corpo.
  • Tolos tudo temem.
  • Se algo feito pela natureza nos parece injusto, isso se deve a nossa inaptidão de entender a justiça da natureza que, em geral, é melhor que a nossa. Para usufruir do potencial cognitivo sensorial, uma boa alma se faz necessária. Algumas coisas que queremos é melhor não ter. A voz da natureza precisa ser ouvida.
  • Parte do sucesso de Heráclito deve-se ao quão simples eram suas ideias. Qualquer um pode entender o que está escrito, se der-se ao mínimo de esforço.
  • O mundo vem de um elemento simples e pare esse elemento retorna periodicamente.
  • A discórdia é necessária.
  • O conhecimento confiável vem da razão comum, que precisa ser ouvida. Os que procuram saber das coisas sem recorrer a razão, erram.
  • Tudo se repete e nada é realmente novo.
  • É mais fácil se defender de um inimigo que de um amigo.
  • O mesmo é pensar e ser.
  • É importante conhecer tanto a verdade como as opiniões dos mortais, para saber o que se deve evitar, como não se deve pensar e como refutar. Os sentidos não são completamente condenados por filósofos pré-socráticos.
  • O não-ser não pode ser pensado, dito e não existe. Pensar e ser são a mesma coisa. O ser é eterno, imóvel, esférico.
  • A filosofia erra quando usa todos os significados de ser como se fossem o mesmo, sem separá-los, gerando ambiguidade. O ser se diz de várias formas. Foi provavelmente o primeiro a dizer que terra é matéria e fogo é movimento.
  • Se algo é adicionado a um corpo e não aumenta seu tamanho, se algo é subtraído de um corpo e não diminui seu tamanho, esse algo não existe.
  • O nada é estéril. Se houve um ponto em que nada existia, efetivamente nada existiria agora. É necessário que algo tenha sempre existido.
  • Movimento implica espaço vazio. De fato, se tudo estivesse completamente cheio, não seria possível mover-se.
  • Os deuses são impassíveis de se conhecer.
  • O corpo é confiável como instrumento de conhecimento.
  • Nada vem do nada.
  • O estudo fortalece o entendimento. Os quatro elementos (água, ar, fogo e terra) e as duas forças (amor e ódio) têm a mesma idade.
  • Mesmo os deuses são feitos desses elementos.
  • Quando as coisas se juntarem novamente em uma, pela força do amor, o ódio será a única coisa que não participará da mistura.
  • Todos os seres têm inteligência.
  • Não se deve alterar a natureza das coisas para não matá-las. Quem nutre opiniões a respeito de deuses ao invés de buscar a verdade sobre os deuses, é um desgraçado.
  • Há seis princípios, quatro materiais (água, ar, terra e fogo) e dois ativos (amor e ódio).
  • Ódio e amor governam alternadamente. O fato de que as coisas se separam mais que se juntam mostra que, atualmente, o ódio governa.
  • O gosto dos alimentos vem da composição do solo. De fato, o sabor do vinho varia conforme o terreno no qual foram cultivadas as uvas. Inteligência e alma são a mesma coisa.
  • Todas as coisas têm números e é impossível pensar sem números.
  • O número permite conhecer aquilo que é duvidoso.
  • Existem pensamentos que são mais fortes que nós. A Terra gira em torno do elemento fogo, em uma rota circular oblíqua.
  • Som é consequência de choque.
  • A agudeza de um som deriva da velocidade de execução.
  • Cada coisa tem fragmentos de cada coisa. Tudo está em tudo… menos no espírito.
  • O espírito não incorpora matéria que lhe é estranha, muito embora possa ser incorporado em matéria.
  • Nascer é ser composto e morrer é ser decomposto. Os animais são mais fortes e mais rápidos, mas o indivíduo é mais inteligente.
  • Ar é Deus, está em tudo.
  • Todo discurso tem um pressuposto, que deve ser exposto de forma simples e digna.
  • Ar coincide com vida e inteligência. É um deus que se manifesta de diferentes maneiras tal como a inteligência.
  • Os mundos são formados de ar condensado e são ilimitados em número. A Terra é redonda. O ar de Diógenes é eterno e imóvel, não coincide com o ar comumente concebido pelas pessoas.
  • Tudo acontece por uma razão.
  • Leucipo fundou o atomismo, doutrina que prega que todas as coisas são feitas de átomos que se agregam e se separam mecanicamente. Assim, o mundo não é eterno.
  • Leucipo, Demócrito e Epicuro acreditavam que o pensamento decorre do estímulo externo.
  • Felicidade é comedimento e ponderação e não agitação.
  • Prazer e dor definem vantagem e desvantagem.
  • Os sentidos podem conhecer até certo ponto. Daí, a razão precisa assumir.
  • O artista entusiasmado e inspirado produz bela arte.
  • A sabedoria liberta a alma das paixões. O indivíduo é um microcosmo.
  • Felicidade vem da retidão e da prudência. O mal deve ser evitado por dever e não por simples temor.
  • É correto se sujeitar aos mais sábios quando estes são reconhecidos como tal. A crítica vinda de uma má pessoa não precisa ser acatada. Quem se acha sábio se fecha ao conhecimento novo.
  • Ação irrefletida provoca arrependimento. Sabedoria vem da experiência. Dá para identificar a pessoa inexperiente pelas suas aspirações. É infantil desejar sem medida. Deve-se recusar o prazer que não traz vantagem.
  • Apenas aceite favores se puder retribuir com juros. Viver sem amigos não vale a pena.
  • Elogiar quem não merece é causar dano ao elogiado, pois não corrigirá sua conduta. Coçar-se e amar provocam a mesma sensação.
  • Querer agradar alguém a todo custo é prejudicial. O indivíduo aprende dos animais por imitação. O corpo precisa ser bem cuidado.
  • Viver sem moderação é aceitar morrer aos poucos. Procurar saber tudo é ignorar tudo.
  • Deve-se educar pela palavra e não pela punição, para que o aluno não pense que pode fazer o que quiser quando não houver quem o puna. Educando pela palavra, ele agirá corretamente mesmo na ausência de punidor.
  • A existência de velhos estúpidos mostra que é a educação que traz sabedoria, não o tempo. Assim, experiência não coincide com mera passagem dos dias. O máximo de felicidade e a minimização da tristeza são obtíveis pela procura do prazer em coisas imperecíveis. Procurar prazer, por exemplo, no dinheiro (que acaba) é aceitar a possibilidade de que sua fonte de prazer é esgotável. O que fazer quando ela esgotar?
  • O animal, quando necessita de algo, sabe do quanto necessita. Já a pessoa, não sabe. Fugir da morte é aproximar-se dela.
  • O que o corpo deseja é fácil encontrar (comida, água, abrigo, local pra aliviar-se), mas o que o espírito mal dirigido deseja (fama, fortuna, imortalidade) é difícil de encontrar. A busca por essas coisas raramente dá certo e traz muitos sofrimentos, além de que elas não fazem ninguém feliz. Deve-se trabalhar como se a morte nunca fosse chegar.
  • Num estado dividido pela guerra civil, vencedor e vencido são levados à perda.
  • O assassino de um injusto não merece punição. A lei da alma é não praticar o mal. É justo que as falhas sejam mais lembradas que os sucessos para que não se repitam facilmente.
  • Educar crianças é doloroso, mas os resultados de uma má educação na infância doem ainda mais. Melhor adotar filhos que procriar.
  • Quem suporta a pobreza dignamente tem domínio próprio.
  • A alma também é feita de átomos.
  • Nada pode ser infinitamente dividido.
  • A alma não é imortal. Nada feito de átomos é imortal, por ser passível de decomposição. Mas o átomo é imperecível.

Publicado por Yure

Quando eu me formei, minha turma teve que fazer um juramento coletivo. Como minha religião não me permite jurar nem prometer, eu só mexi os lábios, mas resolvi viver com os objetivos do juramento em mente de qualquer forma.

6 comentários em “Anotações sobre os filósofos pré-socráticos.

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