Analecto

25 de janeiro de 2015

Mênon.

Filed under: Livros, Passatempos — Tags:, , , — Yure @ 18:30
  • Como adquirimos virtude? Aprendendo-a, praticando-a? Ou será que é inata?
  • Mênon achava que Sócrates sabia o que a virtude era porque ele tinha conversado com Górgias, que parecia saber o que era…
  • Só que Sócrates não achou que Górgias tinha dado um parecer correto sobre a virtude…
  • Segundo Mênon, a virtude varia conforme idade e trabalho, tal como conforme gênero. Assim, é difícil dizer o que é virtude, porque há muitas virtudes.
  • Não é possível definir virtude fazendo uma lista de virtudes disponíveis. É necessário pensar no que faz uma virtude ser virtude, que é um processo subtrativo. O que é que as virtudes têm que sem o qual elas deixam de ser virtudes? O que torna algo virtude?
  • Por exemplo, se existe uma virtude para o homem e outra para a mulher, será que são diferentes? Se existem homens sadios e mulheres sadias, será que a saúde é mesmo diferente segundo o gênero? É a mesma saúde, por partilhar de características comuns. Definir virtude é um caminho que passa por uma rota de pensar o que há de comum nas virtudes masculinas, femininas, infantis, anciãs, de pessoas livres, de escravos… O que essas virtudes têm em comum?
  • Justiça é uma virtude, não simplesmente “virtude”. Tem também a coragem e a temperança, por exemplo.
  • Não podemos dizer o que é uma figura dizendo que é “quadrado” ou “círculo”. Nem dizer o que é a cor dizendo que é “branco” ou “azul”. Um definição passa por todos esses casos. A definição de cor é algo que passe pelo branco e pelo azul e por todas as outras cores, tal como a definição de figura é algo que perpassa quadrado e círculo sem estar presa a uma forma particular.
  • Sócrates tenta definir a forma como “ente que sempre acompanha a cor”, só que ninguém explicou ainda o que é a cor. Você não pode se julgar sabedor de algo se não conhecer as partes do todo do algo. Se eu não sei o que é a cor e digo que forma é algo que acompanha a cor, efetivamente não sei o que é forma, pelo menos não com certeza.
  • Sendo assim, Sócrates pergunta pra Mênon se ele sabe o que é “término” ou “limite”, “sólido” e “superfície”. Já que Mênon conhece, Sócrates diz que a definição de figura é “limite do sólido”. De fato, é a limitação do sólido que esculpe forma na matéria. Por isso a definição de Parmênides de “ser” como “infinito e esférico” é contraditória, porque se algo é infinito, não tem forma; se algo tem forma, efetivamente tem limite espacial. Assim, temos uma definição que engloba todas as formas e que se apoia em termos conhecidos.
  • Todos procuram o bem; se procuram algo danoso é por ignorarem que é danoso.
  • A virtude, então, parece estar não na vontade de ter coisas boas, mas na capacidade de consegui-las.
  • Só que também não funciona dessa forma; é possível conseguir coisas boas injustamente.
  • Como é que virtude é conseguir coisas justamente, se justiça por si já é considerada virtude?
  • Mênon acusa Sócrates de fazer qualquer um cair em aporia, como um feiticeiro lógico.
  • Como buscar o que se ignora? Como buscar o que não conheço se nem sei o que procuro?
  • Era crença da época a transmigração das almas. Talvez não seja possível aprender nesta vida, mas nada garante que não foi possível aprender em alguma vida passada.
  • Conhecimento é reminiscência.
  • A aporia é necessária: faz a pessoa tomar-se conta da própria ignorância.
  • Todos parecem ter conhecimento latente que pode ser recordado através de questionamento.
  • Talvez Sócrates esteja errado nisso, mas o argumento da reminiscência nos torna ativos. Se não procurarmos saber de alguma maneira e assumirmos que somos incapazes de aprender coisas novas porque “não sabemos o que procuramos”, desistiríamos de avanço científico. Isto é, o argumento socrático pode ter sido só uma saída da armadilha de Mênon.
  • Se virtude for ciência, pode ser ensinada.
  • Qualquer coisa conduzida cientificamente leva ao bem, segundo Sócrates.
  • Se virtude é ensinável, como é que não há “professores de virtude” nem gente querendo aprender virtude?
  • A pessoa que pratica o ofício e a pessoa que ensina o ofício não necessariamente coincidem.
  • Os sofistas não ensinam virtude.
  • Se virtude fosse ensinável, filhos de pais virtuosos necessariamente seriam virtuosos, mas isso nem sempre acontece, parecendo que virtude é predisposição.
  • Se o homem virtuoso pudesse ensinar virtude, abriria uma escola disso!
  • Se houvessem professores de virtude, deveriam concordar quanto ao grau de apreensão da virtude, mas se observa que pessoas virtuosas não estão de acordo quando a virtude ser ou não ensinável.
  • Sofistas, por professarem que virtude se ensina ou não dependendo da situação, não são professores de virtude.
  • Depois de perdida a virtude, não será a educação capaz de restaurá-la…
  • Mesmo os que afirmam que a virtude pode ser ensinada se mostram confusos ao falar da própria virtude.
  • Virtude não é ciência, não se ensina.
  • Opinião verdadeira não produz resultado inferior à ciência.
  • A reminiscência gera essas opiniões corretas. É pelo cálculo que a opinião correta torna-se ciência e, portanto, estável.
  • Se a pessoa pode se tornar virtuosa aprendendo, então virtude não é inata.
  • Porém, virtude não é ensinável.
  • Virtude é opinião verdadeira, um tiro que acerta no escuro, vindo da alma que lembra.
  • É como um oráculo: fala corretamente, mas por inspiração, daquilo que não sabe.
  • Virtude não é ensinável, mas é fruto de uma feliz opinião que não sabemos de onde se origina. E não saberemos enquanto não sabermos o que é virtude.
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16 de janeiro de 2015

Anotações sobre “Alcibíades I”.

Filed under: Livros, Passatempos — Tags:, , , , — Yure @ 18:13

“Alcibíades I” foi escrito por Platão. Abaixo, algumas afirmações feitas nesse texto. Elas não são citações e não necessariamente refletem minha opinião sobre o assunto.

  1. Quando você está em dúvida, você chama um profissional.
  2. É vergonhoso para o técnico não saber o nome de sua técnica.
  3. Você não deve entrar em guerra se isso for injusto.
  4. Não há consenso sobre o que é justiça.
  5. Não é possível ensinar o que não sabemos.
  6. Quando uma pessoa se contradiz, ela não sabe muito bem do que está falando.
  7. Você só pode duvidar quando você sabe que não conhece bem o assunto.
  8. O pior tipo de ignorância é a do ignorante que acha que sabe alguma coisa.
  9. Os erros da política vêm da ignorância dos políticos sobre o que é justo e o que não é.
  10. Quem sabe, ensina.
  11. Quando você se acostuma com a ignorância, você não a percebe mais.
  12. A hora de ser corrigido é quando ainda se é jovem.
  13. Cuidar bem de algo é deixá-lo em condição melhor ou mantê-la em condição boa.
  14. A arte de cuidar de si mesmo não é a mesma arte de cuidar dos próprios pertences.
  15. Se você não conhece algo, não pode cuidar dele.
  16. A pessoa não é seu corpo.
  17. Podemos chamar de sábio quem se conhece.
  18. Quem “ama” alguém por sua aparência, não ama a pessoa, mas seu corpo, que é um pertence.
  19. O conhecimento de si mesmo, isto é, da alma, vem por se reconhecer no outro.
  20. Sem esse conhecimento, não é possível cuidar de nós mesmos.
  21. Um político que não pode cuidar de si mesmo não pode cuidar dos outros, logo é um mau político.
  22. Não é ficando rico que se fica feliz, mas ficando sábio.
  23. Um povo feliz é um povo virtuoso, não um povo rico.
  24. Não pode ensinar virtude quem não a tem.

12 de janeiro de 2015

Anotações sobre a “Apologia de Sócrates”.

Filed under: Livros, Passatempos — Tags:, , , — Yure @ 22:23

“Apologia de Sócrates” foi escrita por Platão. Abaixo, algumas afirmações feitas nesse texto. Elas não são citações, mas paráfrases, e podem não corresponder ao que eu penso sobre o assunto.

  1. Sócrates costumava “tornar mais forte a razão mais fraca”, isto é, mostrar a verdade nos pensamentos incomuns.
  2. Os comediantes, como Aristófanes, espalharam mentiras.
  3. Se Sócrates agisse como todo o mundo, não teria sido acusado.
  4. Sócrates era sábio porque estava ciente de sua ignorância e a admitia.
  5. Os poetas falam por inspiração, não por sabedoria.
  6. Os técnicos sabem muito de uma coisa só, não deveriam se julgar sabedores das áreas que não conhecem só porque dominam bem seu ofício.
  7. A verdadeira razão da condenação de Sócrates parecia ser que ele simplesmente dizia a verdade!
  8. Meleto acusava Sócrates de não saber o que era bom pra juventude, mas Meleto é que não sabia.
  9. Se Sócrates corrompeu alguém sem querer, deveria ser instruído, não punido pela lei.
  10. Meleto se contradiz ao dizer que Sócrates é ateu e acredita em deuses desconhecidos.
  11. Acusações falsas só revelam o ódio a uma pessoa justa.
  12. Ninguém sabe exatamente tudo o que acontece depois da morte, mas todos fogem dela como se tivessem certeza de que é o pior dos males.
  13. Se você ensina o bem, não corrompe.
  14. Sofrer injustiça é melhor que causá-la.
  15. Sócrates se recusou a pedir misericórdia.
  16. A condenação de um sábio já velho à morte traria censura sobre Atenas.
  17. Sócrates permaneceu com atitude digna na iminência da morte.
  18. A morte ou é sono eterno ou é mudança da alma de um local para outro.

9 de janeiro de 2015

Regen.

64 bit – Running 32-bit app under 64-bit linux – Ask Ubuntu.

Há alguns anos, um dos meus amigos veio aqui em casa para passar um dia comigo. Nós jogamos um bocado no Playstation 2 que tínhamos aqui. A principal atração, contudo, foi nossa noitada jogando um emulador de Mega Drive feito por fãs para Playstation 2. No meio do nosso jogo, encontramos o tal Rocket Knight Adventures, um jogo pelo qual me apaixonei.

Depois que meu colega foi embora, o Playstation 2 foi guardado e não pude mais jogar. Até eu resolver usar um emulador no meu computador para me dar ao luxo. Os emuladores de Mega Drive disponíveis no repositório do Ubuntu eram complicados (Mednafen) ou imprestáveis (os outros), então eu procurei por algo feito por terceiros. Assim descobri o Regen. Dei dois cliques e o negócio começou a funcionar, com nível de Snes9x, outro emulador que eu usava na época. Terminei Rocket Knight Adventures no Regen e não me arrependo de ter entrado em contato com a música daquele jogo.

Esses dias, Apple me mostrou um personagem de um jogo chamado Shining Force 2. O personagem parece uma pequena tartaruga ou lagartixa encouraçada com uma barriguinha amável e bem alimentada. Ai, ai, que pecado. Eu resolvi que jogaria só pela emoção de jogar com aquela criatura fofinha. Mas, como vocês já sabem, agora estou usando o Linux Mint Debian Edition 64-bit Cinnamon Edition, isto é, não é Ubuntu.

Peguei o Regen e tentei executá-lo aqui, mas nada aconteceu. Eu tentei executá-lo pelo Terminal para saber o que estava errado e descobri que ele estava tendo dificuldade em achar o arquivo “libgtk-x11-2.0.so.0”. “Certo, ele está com dependência faltosa, posso resolver isso”, pensei, com meu pensamento ainda um pouco nublado pela doce barriguinha da tartaruga. Aprendi na Internet o comando “apt-file search”, que me permite procurar por arquivos específicos dentro de pacotes não instalados, para saber em que pacote está libgtk-x11-2.0.so.0. A resposta era: no pacote “libgtk2.0-0”. Daí, abri meu gerenciador de pacotes e procurei pelo tal libgtk2.0-0, mas… ele já estava instalado.

Dando uma olhada no apt-file, eu pude ver que o arquivo libgtk-x11-2.0.so.0 instala no diretório /usr/lib/x86_64-linux-gnu/ e aí a resposta me acertou na face como xixi de bebê durante a troca de fralda. Na época do Ubuntu, eu usava um sistema 32 bits, com bibliotecas 32 bits devidamente instaladas, mas agora estou de 64 bits. De fato, “x86_64-linux-gnu” é um diretório cheio de objetos de 64 bits que não fazem sentido para uma aplicação de 32 bits, que parecia ser o caso do Regen. Alguém pode ter ficado preocupado até agora com a possibilidade de ter de recompilar o Regen para apontá-lo ao diretório correto, mas esse não é o caso: mesmo que eu apontasse o Regen para o diretório /usr/lib/x86_64-linux-gnu/, ele não poderia usar nada contido lá, por ser um programa de 32 bits, com capacidades limitadas.

Pensei um pouco. “Talvez o diretório certo não tenha sido criado”, passou pela minha cabeça, pois eu pensei que instalar algo de 32 bits através do APT poderia criar o diretório. Só que esse diretório já existia, porque o Wine já instala bibliotecas de 32 bits, eu só não sabia onde o diretório estava. Não era a solução certa, mas me deu uma ideia: e se eu, deliberadamente, instalasse dependências de 32 bits? Isso pode ser feito.

No repositório, programas e bibliotecas de 32 bits têm uma extensão “:i386” no nome. Então, em vez de instalar libgtk2.0-0, instalar “libgtk2.0-0:i386”. Instalei e tentei usar o Regen novamente. Agora, ele acusava a falta de um arquivo chamado “libXv.so.1”. Eureka! Isso significa que a primeira dependência havia sido satisfeita e que meu raciocínio estava correto afinal! Eu só precisava instalar as outras dependências e logo eu estaria saboreando aquila suculenta barriguinha…

Após instalar todas as dependências (libgtk-x11-2.0.so.0, libXv.so.1, libasound.so.2, libSDL-1.2.so.0), Regen funcionou, embora com uma interface meio feia. Inobstante, comecei a jogar Shining Force 2. Aprendi várias coisas hoje:

  1. Regen é um programa de 32 bits.
  2. Eu posso procurar por arquivos avulsos em pacotes não instalados usando o comando “apt-file search” seguido do nome do arquivo.
  3. Programas de 32 bits instalados pelo APT satisfazem dependências como 32 bits, mas as dependências ainda precisam ser instaladas manualmente se eu arrumar o programa por fontes fora do repositório.
  4. Não é uma doçura? http://www.shiningforcecentral.com/content/artwork/files/sf2/sf2_book_kiwi2.jpg
  5. As dependências do Regen pertencem aos pacotes libgtk2.0-0:i386, libxv1:i386, libasound2:i386 e libsdl1.2debian:i386, que podem ser instalados pelo Gerenciador de Aplicativos.

7 de janeiro de 2015

Elogio de Helena.

  1. Ordem é verdade, beleza, sabedoria, justiça. O que se opõe a isso é desordem.
  2. Que se louve quem for sem culpa.
  3. O discurso que mostra a verdade livra da ignorância.
  4. Será que Helena foi para Tróia por vontade própria?
  5. Se Helena foi por necessidade, é desculpável.
  6. Se foi raptada, também.
  7. O discurso é como magia: incita ou acalma emoções, manipula subtilmente o comportamento. A própria poesia faz isso. A hipnose também funciona assim.
  8. Discursos podem se aproveitar de erros da alma, manipulando-a pelas fraquezas.
  9. A mentira, o discurso sobre o falso, só funciona com ignorantes (quem não sabe do passado, presente ou futuro de determinado assunto).
  10. Ignorante é quem só “acha” e, na realidade, aceita algo sem usar a lógica.
  11. E se Helena tivesse sido convencida?
  12. Se foi convencida, também é desculpável; o retórico pode se ocultar e a pessoa manipulada leva a culpa.
  13. Convencer quem tem conhecimento científico requer conhecimento científico e talvez um discurso bem proferido, mas não necessariamente verdadeiro.
  14. Um discurso poderoso pode ser como veneno ou até remédio.
  15. Se Helena foi seduzida por Alexandre, é desculpável, já que o amor é capaz de torcer o comportamento e o pensamento. Isso porque o amor é uma emoção, emoções não são racionais. O terror também é capaz de impelir alguém a fazer o que é errado.
  16. O elogio de Helena prova seu pressuposto: é um discurso moldador de opinião.

4 de janeiro de 2015

Teeteto.

Filed under: Livros, Passatempos — Tags:, , , — Yure @ 14:24
  • Teeteto estava para morrer de desinterias. Que forma de começar o diálogo, senhor Platão…
  • Aparentemente, Sócrates já estava morto na época.
  • É pela sabedoria que os sábios ficam sábios. Isto é, você aprende para saber de alguma coisa.
  • O texto se propõe a explicar a natureza do conhecimento, isto é, os personagens se perguntam o que ele é.
  • O conhecimento em si não deve ser descrito com exemplos. Por exemplo, não podemos dizer o que é conhecimento enumerando formas de conhecimento, como geometria, aritmética e outros e, ainda assim, esperar que se entenda por isso o conhecimento.
  • Introdução à arte socrática: o parto de ideias. As dúvidas que uma pessoa sente por aceitar uma pergunta e procurar respostas com sinceridade são equivalentes à “dores do parto”.
  • Mas a arte socrática tem mais importância do que a arte das parteiras comum, porque as parteiras não precisam se preocupar com a possibilidade de nascerem filhos falsos. Mas o filósofo socrático precisa estar atento para o caso de seu orientando parir uma ideia falsa. Preciso lembrar arte do parto é usado em sentido metafórico?
  • Sócrates, tal como as parteiras que só podem ser parteiras depois de passado o tempo de conceberem filhos, não podia conceber ideias por conta própria, mas apenas ajudar outros a tê-las quando os outros perseveram em responder uma pergunta difícil (quando os outros estão grávidos). Isso é feito por meio de perguntas que guiam o espírito conforme são respondidas. Assim, Sócrates fazia perguntas aos que estavam grávidos, de forma a guiá-los na busca da resposta correta, mas ele mesmo jamais respondia qualquer pergunta a menos que forçado, como em Górgias.
  • Afastar-se da companhia do parteiro de ideias pode acarretar aborto (“não tem sentido pensar sobre isto, estou perdendo tempo”) ou morte do nascituro (“talvez a resposta que eu obtive com tanto esforço não seja a melhor…”).
  • Os que ainda não estão grávidos devem ser aproximados daqueles que podem fecundá-los, isto é, professores.
  • “Dores do parto” refere-se a dúvida.
  • Programa do método socrático:
  1. Verificar se está prenhe, isto é, se tem pergunta persistente. Se sim, prosseguir; senão, encaminhar a professor.
  2. Se prenhe, guiar o grávido com perguntas para que ele seja capaz de conceber a resposta correta.
  3. Após o parto, verificar se a ideia corresponde ou não à realidade. Se sim, dar alta; senão, prossiga.
  4. Caso haja parto de ideia falsa, provocar novo parto, com perguntas que desestabilizem a ideia falsa.
  5. Descartada a ideia falsa, voltar ao passo dois.
  • Protágoras, dizendo que o homem é a medida de todas as coisas, implica que conhecimento é sensação.
  • A filosofia vem da admiração perante a realidade. Isso é retomado por Aristóteles.
  • Para determinar ativo, é necessário passivo, e vice-versa. Ou seja, nada existe em passividade se não houver atividade em algum lugar e vice-versa. Isso seguindo o pensamento de Protágoras.
  • Ativo e passivo podem mudar de um para outro, segundo Protágoras, se levarmos seu pensamento às últimas consequências.
  • As opiniões de Protágoras não se sustentam. Se conhecimento fosse sensação, o que qualquer um sente seria conhecimento de fato, logo seria conhecimento aquilo que sentem os loucos ou aquilo que sentimos ao sonhar.
  • Sensação é particular.
  • O feto de Teeteto: tudo muda, conhecimento é sensação. Será que esse feto é um filho verdadeiro?
  • Se todos fossem mesmo a medida de sua própria sabedoria, sendo a sensação particular e identificada com o conhecimento, então ninguém poderia apontar alguém como falso ou como mentiroso nem como errado. Todos estariam certos. Então, ninguém precisaria sequer das aulas do Protágoras! Pra quê pagar alguém pra me ensinar se eu posso fazer minha própria razão?
  • Protágoras está errado. Conhecimento não é sensação.
  • Se conhecimento fosse o mesmo que sensação, saberíamos o que algo em outra língua significa mesmo que não a tivéssemos estudado (pois ouvir seria conhecer) ou saberíamos o que está escrito só de ver (pois ver seria conhecer).
  • Para Protágoras, sabedoria é distinguir qual opinião é mais útil.
  • Para Protágoras, as coisas são como parecem.
  • Porém, se cada um fosse dono da verdade, ninguém relegaria sua responsabilidade a alguém (como é o caso dos que se submetem ao mando de outro porque acham conveniente).
  • Contradição: se todos são donos da verdade e todos concordam que há opinião verdadeira e opinião falsa, então ou todos estão errados (porque não poderia haver opinião falsa se todos são donos da verdade) ou nem todos são donos da verdade.
  • Até quem diz na cara de Protágoras que ele está errado está certo, Protágoras teria que admitir isso.
  • Protágoras está errado em todos os sentidos.
  • Prova de que existem pessoas mais sábias que outras é a de que nem todo o mundo é médico.
  • Filósofos falam de coisas boas e belas justamente porque seus pensamentos não precisam se deter em nenhum tema. O pensamento deles é livre, podem refletir e discutir sobre aquilo que lhes apraz.
  • O filósofo está distraído demais com coisas boas e belas, eternas, úteis a longo prazo talvez ou mesmo sem utilidade prática. Tão distraído em conhecer a verdade das coisas que peca em conhecimento prático. A falta de conhecimento prático e altivez para com os arredores faz o filósofo se passar por imbecil…
  • Não saber o que é justiça revela falta de empenho em procurar pela sua essência. E, se você não sabe o que é justiça, não pode ser justo se não por acidente, o que é muito raro. Sabendo o que é justiça, pode-se saber quais atos são bons e quais são ruins, quem é viril e quem é covarde.
  • Há dois tipos de movimento: o movimento de um lugar para outro e a mudança de estado.
  • Os seguidores de Heráclito, para não incorrerem em contradição, têm de admitir que tudo se move das duas formas. Nada permanece parado nem no mesmo estado, pois, se algo pudesse ficar parado ou permanecesse tal como é, haveria estabilidade.
  • Se todas as coisas estivessem em perpétua mudança de estado, não seria possível nomear características.
  • Se tudo se move, não é possível conhecer. O mobilismo é dependência da expressão “conhecimento é sensação”, que é dependência da expressão “o homem é medida de todas as coisas”. Quebrada a dependência, as expressões não se sustentam. No mobilismo, conhecimento não é possível.
  • Seria melhor dizer que conhecemos por meio dos sentidos, em vez de com sentidos. A alma percebe coisas que os sentidos não, como ser, não-ser, semelhança, diferença e outros do gênero. Seria como se a alma fosse um servidor e os sentidos fossem clientes que recebem coisas exteriores e as repassam à alma. Importante ressaltar que “alma” pode significar “razão”.
  • A verdade é alcançável pelo raciocínio a respeito das sensações. Ela não corresponde às sensações.
  • Já que conhecimento não é qualquer opinião, poderia ser apenas a opinião verdadeira?
  • Sócrates nunca disse “só sei que nada sei”.
  • Conhecimento é do ser.
  • Parece que existe, no Teeteto, uma unidade entre ser e pensar.
  • Ter opiniões falsas não coincide com pensar o que não existe, pois pensar no que não existe é não pensar.
  • Opinião falsa é tomar uma coisa por outra. Exemplo, confundir água com terra. Não se pensa no que não existe, mas se pensa em coisas que existem, só que você as confundiu.
  • Só é possível formar opinião falsa daquilo que se pensa ou se percebe. Não dá para formar opinião falsa daquilo que nunca pensamos nem percebemos. Quando não conhecemos aquilo que percebemos ou percebemos o que não conhecemos, é muito fácil emitir julgamento errado. Se conhecemos (isto é, completamente) o que percebemos (isto é, nitidamente), não é possível fazer julgamento errado. Logo, se eu torço o que penso, só pode ser ao falar, isto é, mentindo deliberadamente. Ironicamente, quanto menos conhecemos ou quanto menos nitidamente percebemos, maior a chance de erros, mas, se não conhecemos e não percebemos de jeito nenhum, não há chance de erros: não possível julgar o que se ignora!
  • Observe que, até agora, usamos as palavras “conhecimento”, “saber”, entre outras, mas sem ter certeza do que é conhecimento.
  • A metáfora do pombo: a alma é como uma gaiola que segura pássaros de conhecimento, mas existem pássaros de ignorância. Então, saber o que é conhecimento e o que é opinião falsa é requisito para a escolha correta de informações.
  • Opinião verdadeira não é conhecimento. Opinião é como que ideia sem percepção ou percepção sem ideia. Exemplo: você acredita em algo que alguém lhe contou, mas que você mesmo não viu. Se a pessoa tiver dito a verdade, você tem uma opinião verdadeira, mas você mesmo não sabe se ela realmente é verdadeira, pois você não viu acontecer. Da mesma forma, se você acredita na mentira do outro, você tem opinião falsa, mas não sabe que tem.
  • Não é a mesma coisa ter conhecimento e ter opinião verdadeira e racional.
  • Conhecimento poderia ser opinião verdadeira e explicação correta (definição, saber aquilo que difere um ente de outro), mas isso é o mesmo que dizer que conhecimento é opinião mais conhecimento. Então, a questão permanece em aberto…

3 de janeiro de 2015

Acerca do PC.

Filed under: Computadores e Internet — Tags:, , , — Yure @ 00:17

Saiba o que é nobreak e conheça as funções do aparelho | Artigos | TechTudo.

Há alguns dias, meu PC desligou espontaneamente quatro vezes no mesmo dia. Isso porque a fase do meu quarto é péssima e porque o período de chuvas interfere na minha energia. Meu estabilizador começou a me dar uns sustos e eu pensei que talvez fosse hora de eu arrumar outra proteção. Numa pesquisa rápida na Internet, descobri que estabilizadores são obsoletos e mais atrapalham que ajudam na proteção do PC. Com um pouco mais de pesquisa, vi também que módulos isoladores, apesar de servirem ao seu propósito, não serviriam no meu caso, pois suas tensões de entrada e de saída são as mesmas da fonte do meu PC. Isso significa que, entre usar um estabilizador ou módulo isolador e plugar meu computador direto na tomada, o último é mais barato. Só que, por causa das oscilações de energia que aparecem de vez em quando, eu não tenho certeza se é seguro plugar meu computador assim, direto. Eu preciso de uma proteção, nem tanto por causa do meu PC, porque sua fonte parece ser de primeira, mas porque eu sou muito desconfiado.

Meu pai tem um no-break, isto é, uma unidade de fornecimento contínuo. Ele oferece as proteções do filtro de linha, sendo menos agressivo que um estabilizador, e tem bateria. Isso significa que, além de proteger o computador com um fusível, ele tem a vantagem de mantê-lo funcionando se a energia parar. É imoral, mas resolvi me aproveitar da abnegação do meu pai para ficar com o no-break dele. Ele pode usar um estabilizador, já que ele não liga mesmo…

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