Analecto

25 de janeiro de 2015

O que aprendi lendo “Mênon”.

Filed under: Livros, Passatempos — Tags:, , , — Yure @ 18:30

Mênon” foi escrito por Platão. Abaixo, o que aprendi lendo esse livro.

  1. Como adquirimos virtude?
  2. Não é possível definir virtude fazendo uma lista de virtudes disponíveis: é necessário pensar no que faz uma virtude ser virtude, que é um processo subtrativo.
  3. Por exemplo, se existe uma virtude para o homem e outra para a mulher, será que são diferentes?
  4. A saúde é a mesma em todos, por partilhar de características comuns.
  5. Justiça é uma virtude, não simplesmente “virtude”: tem também a coragem e a temperança, por exemplo.
  6. Não podemos dizer o que é uma figura dizendo que é “quadrado” ou “círculo”, nem dizer o que é a cor dizendo que é “branco” ou “azul”: uma definição passa por todos esses casos.
  7. Sócrates tenta definir a forma como “ente que sempre acompanha a cor”, só que ninguém explicou ainda o que é a cor, o que torna a definição de forma imprecisa.
  8. Você sabe o que é “término” ou “limite”, “sólido” e “superfície”?
  9. Todos procuram o bem; se procuram algo danoso é por ignorarem que é danoso.
  10. A virtude, então, parece estar não na vontade de ter coisas boas, mas na capacidade de consegui-las.
  11. Só que também não funciona dessa forma; é possível conseguir coisas boas injustamente.
  12. Como é que virtude é conseguir coisas justamente, se justiça por si já é considerada virtude?
  13. Como buscar o que se ignora, como buscar o que não conheço se nem sei o que procuro?
  14. A aporia é necessária: faz a pessoa tomar-se conta da própria ignorância.
  15. Todos parecem ter conhecimento latente que pode ser invocado através de questionamento.
  16. Se virtude for ciência, pode ser ensinada.
  17. Qualquer coisa conduzida cientificamente leva ao bem.
  18. Se virtude é ensinável, como é que não há “professores de virtude” nem gente querendo aprender virtude?
  19. Quem faz nem sempre é quem ensina e quem ensina nem sempre faz.
  20. Os sofistas não ensinam virtude.
  21. Se o homem virtuoso pudesse ensinar virtude, abriria uma escola disso!
  22. Se houvessem professores de virtude, deveriam concordar quanto ao grau de apreensão da virtude, mas se observa que pessoas virtuosas não estão de acordo quando a virtude ser ou não ensinável.
  23. Sofistas, por professarem que virtude se ensina ou não dependendo da situação, não são professores de virtude.
  24. Depois de perdida a virtude, não será a educação capaz de restaurá-la…
  25. Mesmo os que afirmam que a virtude pode ser ensinada se mostram confusos ao falar da própria virtude.
  26. Virtude não é ciência.
  27. Opinião verdadeira não produz resultado inferior à ciência.
  28. É pelo cálculo que a opinião correta torna-se ciência e, portanto, estável.
  29. Se a pessoa pode se tornar virtuosa aprendendo, então virtude não é inata.
  30. A definição de virtude é inclusiva e, como a definição, suas características são também inconclusivas.
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