Analecto

7 de janeiro de 2015

Elogio de Helena.

  1. Ordem é verdade, beleza, sabedoria, justiça. O que se opõe a isso é desordem.
  2. Que se louve quem for sem culpa.
  3. O discurso que mostra a verdade livra da ignorância.
  4. Será que Helena foi para Tróia por vontade própria?
  5. Se Helena foi por necessidade, é desculpável.
  6. Se foi raptada, também.
  7. O discurso é como magia: incita ou acalma emoções, manipula subtilmente o comportamento. A própria poesia faz isso. A hipnose também funciona assim.
  8. Discursos podem se aproveitar de erros da alma, manipulando-a pelas fraquezas.
  9. A mentira, o discurso sobre o falso, só funciona com ignorantes (quem não sabe do passado, presente ou futuro de determinado assunto).
  10. Ignorante é quem só “acha” e, na realidade, aceita algo sem usar a lógica.
  11. E se Helena tivesse sido convencida?
  12. Se foi convencida, também é desculpável; o retórico pode se ocultar e a pessoa manipulada leva a culpa.
  13. Convencer quem tem conhecimento científico requer conhecimento científico e talvez um discurso bem proferido, mas não necessariamente verdadeiro.
  14. Um discurso poderoso pode ser como veneno ou até remédio.
  15. Se Helena foi seduzida por Alexandre, é desculpável, já que o amor é capaz de torcer o comportamento e o pensamento. Isso porque o amor é uma emoção, emoções não são racionais. O terror também é capaz de impelir alguém a fazer o que é errado.
  16. O elogio de Helena prova seu pressuposto: é um discurso moldador de opinião.
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5 Comentários »

  1. […] fanático religioso. Porque a voz treinada pra isso, é uma voz que seduz o ouvinte e lhe incita emoções. Para alguns grupos islâmicos, música é pecado por suspender a razão. Irônico o fato de falar […]

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    Pingback por Anotações sobre o ensaio sobre a origem das línguas. | Pedra, Papel e Tesoura. — 10 de janeiro de 2017 @ 13:50

  2. […] O ceticismo total (segundo o qual a única verdade é a de que não há verdade em nada mais) é prejudicial, pois põe tudo no relativismo. […]

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  5. […] a Meneceu e a Ética a Nicômaco. Ano passado, li Alcibíades I, Apologia de Sócrates, República, Elogio de Helena, Fédon, Fedro, Mênon, Metafísica, dois livros sobre os pré-socráticos, Banquete e […]

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