Analecto

7 de fevereiro de 2015

Fédon.

Filed under: Livros, Passatempos — Tags:, , , — Yure @ 14:17

Fédon – Wikipédia, a enciclopédia livre.

1.

  • O livro fala do discurso de Sócrates antes da morte.
  • Após o julgamento de Sócrates, ele ficou preso por mais uns dias antes de finalmente tomar o veneno. Isso porque Atenas estava num período no qual, tradicionalmente, não são executadas penas de morte.

2.

  • Muita gente assistiu Sócrates morrer…
  • Sócrates morreu feliz.
  • Alguns dos presentes também estavam felizes, outros estavam tristes, mas a maioria não sabia o que sentir.

3.

  • O prazer e a dor andam juntos. Um sucede o outro.

5.

  • Dizem que não se deve empregar violência contra si próprio, então por que o filósofo deseja morrer?

6.

  • Por que não se suicidar?
  • Somos propriedade dos deuses. Nossa vida pertence a deuses, então não devemos atentar contra o que não é nosso.

7.

  • É bom não aceitar a opinião dos outros tão facilmente.
  • Sócrates morre de bom grado, porque vê nisso uma oportunidade dada pelos deuses de ir a um lugar melhor.

9.

  • Quem se dedica a filosofia acaba querendo morrer.
  • A morte, contudo, no Fédon, é a separação entre alma e corpo.
  • O filósofo se diferencia dos outros por se afastar dos cuidados com o corpo e se aproximar dos cuidados com a alma.

10.

  • Os sentidos enganam. Isto é, nada vemos ou ouvimos com exatidão.
  • A verdade é alcançável pelo pensamento, não pelo corpo.
  • O corpo, com o prazer e a dor, tolhe o pensamento.
  • Beleza, justiça, bondade são coisas que não podem ser vistas ou ouvidas e só podem ser estudadas pelo pensamento.

11.

  • A verdade só pode ser alcançada em sua pureza depois que morremos, porque não haverá a barreira dos sentidos entre nós e a verdade (a não ser, é claro, que os sentidos sejam, na verdade, uma ponte e a alma seja incapaz de conhecer sem sentidos, mas isto é uma digressão que me sinto impelido a fazer).

12.

  • Praticar filosofia afasta a alma do corpo. Isso é natural para Sócrates.
  • Filosofar é se preparar para morrer. Agora você sabe porque Nietzsche odeia a filosofia ocidental, Platão em particular.

13.

  • Revoltar-se na hora da morte é sinal capital de que a pessoa é demasiada apegada ao corpo.
  • Existem pessoas que desistem de certos prazeres para se entregarem a outros.

15.

  • De acordo com a crença popular, as almas vão para o Hades e de lá voltam.
  • A alma só pode ter vindo de lá. Não se acha nenhuma outra origem para ela.
  • As coisas nascem de seus contrários. Para que algo torne-se quente, é necessário que fosse antes frio, por exemplo. Para que algo viva, precisa estar antes morto. Para algo morra, precisa antes estar vivo.

17.

  • Ao contrário do que muitos pensam, Platão admitia devir, embora apenas nas coisas sensíveis. Claro que as coisas eternas não estão em devir, mas as sensíveis pendem de oposto a oposto. Se as coisas sensíveis se estancassem, tudo permaneceria no mesmo estado e a vida cessaria definitivamente.

18.

  • Se você leu o Mênon e viu que o conhecimento é recordação e concorda que não é possível aprender nada nesta vida, parece forçoso que a alma só possa aprender em algum outro lugar antes de encarnar. Daí, depois que encarna, aprender é esforço de lembrar isso que a alma aprendeu nesse outro lugar.

19.

  • Os sentidos se aproximam da verdade, sem chegar lá. Por exemplo, é possível ver exemplos de igualdade comparando sensualmente diferentes objetos, mas a definição especial de igualdade é alcançada (lembrada) racionalmente.

20.

  • Esquecer é perder conhecimento.

26.

  • Nós nos dividimos em duas partes: corpo e alma. O corpo pertence à classe das coisas que são sensíveis e compostas, portanto passíveis de decomposição. A alma não é sensível e é simples, não composta, portanto é impassível de dissolução.

27.

  • A alma está mais para o sempiterno do que para o efêmero. Parece seguro dizer que ela é eterna.

30.

  • Fantasmas são almas que rejeitaram a estada no Hades, por serem muito apegadas às coisas sensíveis.

31.

  • Assim, as almas apegadas demais às coisas sensíveis reencarnam em seres adequados aos seus pecados. Somente aqueles que se separam do corpo e da sensibilidade não reencarnam, passando a eternidade no Hades, onde podem contemplar aquilo que é mais puro. Discurso pitagórico.
  • Os que tiveram vida virtuosa reencarnam em seres superiores, como humanos, mas só o desapego da sensibilidade liberta a alma completamente deste mundo.

32.

  • A filosofia ensina como se acautelar dos apetites corporais.

35.

  • Sócrates tinha plena fé em suas palavras. Ele estava convencido de que a morte não lhe posaria nenhum mal.

39.

  • O ódio pelas palavras e o ódio pelo gênero humano vêm do mesmo lugar: da decepção.
  • A maioria das pessoas é um meio-termo entre bom e mau. É raro conhecer alguém de todo mau ou de todo bom.
  • Os extremos são raros.
  • Ao encontrar-se com argumentos opostos aos seus com muita frequência, a pessoa acaba se desiludindo do próprio pensamento e da própria palavra. Ela acaba se sentindo sempre errada e abandona a busca da verdade, porque não reconhece que os extremos são raros e que é muito difícil achar argumento 100% sólido. É necessário criticar o argumento para saber se realmente se trata de um extremo (100% errado ou 100% certo) ou um argumento comum, pois é natural que todo raciocínio comporte um pouco de erros.

40.

  • Sócrates queria mais achar a verdade para ele mesmo. Convencer os outros é consequência, não objetivo.

41.

  • Uma crença comum da época era de que a alma é harmonia. Um composto decorrente de elementos materiais. Mas harmonia não admite graus. Isso significa que todas as almas seriam em mesmo grau. Não haveria diferença entre almas boas e más. Mas não é o que se observa, existem almas que são mais virtuosas que outras. Isso significa que a alma admite graus. Não é como uma harmonia.

42.

  • A harmonia depende do instrumento e é limitada pelo instrumento e está em concordância com o instrumento. Isto é, uma espécie de corpo. Mas não é o que ocorre no corpo humano: a alma opõe-se ao corpo, não encontrando nele dependência, limitação ou concordância.

47.

  • Anaxágoras dizia que a mente ou inteligência ordenava todas as coisas, mas, na hora de explicar as coisas do nosso mundo, nunca recorre à inteligência, mas à causas naturais. Ele diz que a inteligência ordena, só não explica como e, na verdade, não tarda em explicar as coisas com outras causas que não a inteligência. Aristóteles inclusive diz que a “inteligência” sobre a qual Anaxágoras discorreu era um refúgio para o qual correr quando ele não conseguia explicar algo. Por exemplo: se Anaxágoras não soubesse por que o céu é azul, diria que é porque a inteligência quis desse modo, mas, se ele soubesse as causas naturais disso, as usaria.
  • A causa de Sócrates estar sentado é: porque ele quis. Os naturalistas poderiam dizer que é porque ele tem ossos, nervos e músculos dispostos de determinada forma e, dado um estímulo nervoso, permitiram que o corpo se colocasse sentado. Aristóteles dirá que ambas são causas, só que uma é final e a outra é material.
  • As interpretações de mundo dos naturalistas soam extravagantes por causa do uso indevido de termos e da atribuição apressada de causas.
  • Os naturalistas não admitem causas imateriais para coisas materiais, a não ser como “coringas”, como no caso de Anaxágoras.

48.

  • As famosas “navegações”: o primeiro itinerário consiste em procurar conhecer as coisas sensualmente e o segundo consiste em usar só o pensamento.

49.

  • O que faz as coisas belas serem belas é a presença de uma qualidade chamada beleza. Então, para dizer por que algo é belo, devemos definir o que é essa beleza em si, em vez de dizer que é porque o objeto tem esta ou aquela aparência.

50.

  • As coisas são o que são por participação nas ideias (belo, bom, justo, útil…).

54.

  • Quando algo participa de uma ideia, não aceita seu contrário. Para que um corpo viva, é necessário alma, que é contrária à morte. Porém, tal como frio repele calor, alma (vida) repele morte. Seguindo essa lógica, a alma é imortal.

57.

  • O Hades é como que um labirinto, daí a necessidade de guias.
  • Os demônios guiam as almas pelo Hades. As que foram prudentes em vida sabem que não devem temer, enquanto que as que são apegadas ao corpo relutam em seguir.
  • Almas impuras vagam perdidas pelo Hades até serem conduzidas aos seus lugares pela Necessidade. Por terem má reputação, passam maior parte do tempo sozinhas.

58.

  • Sócrates admitia o modelo esférico da Terra, embora achasse que ela estava no meio do universo.
  • Para Sócrates, não vivemos sobre a Terra, mas em um tipo de “meio”, como aquela pessoa que, depois de morar sua vida toda no fundo do mar, tomasse o fundo como limite e a água como céu. Assim, não estamos no limite da Terra, porque o limite da Terra é o ar.

63.

  • Quem passou a vida toda fugindo dos prazeres do corpo acaba se consolando com mitos sobre o pós-morte. Afinal, não parece justo que alguém seja punido no futuro por ter levado uma vida justificadamente santa.

66.

  • O final é forte.
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6 Comentários »

  1. […] depois da morte é um dogma de origem oriental e é mais velho do que muitos pensam. Com efeito, Platão, herdando dos pitagóricos, se refere a essa ideia como muito […]

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    Pingback por Anotações sobre o dicionário filosófico. | Pedra, Papel e Tesoura. — 27 de setembro de 2016 @ 14:20

  2. […] estão esquecidas e devem ser lembradas. Porém, Platão ressalva que a alma as aprendeu no mundo espiritual, antes de encarnar, então elas nascem conosco na medida apenas em que “nascer” é unir […]

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  3. […] diz Descartes, é imortal e de tipo diferente das almas dos outros animais. Isso polemiza com a migração anímica de Platão, que diz que as almas reencarnam em seres superiores ou inferiores conforme às […]

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