Analecto

31 de março de 2015

Anotações sobre a república.

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  • A velhice mata os desejos da juventude, que escravizam os de pouca idade.
  • É a sensatez que torna a velhice tolerável. Aliás, a vida toda tolerável. Quem é insensato se queixa da vida, quer seja velho ou jovem.
  • Quem consegue dinheiro por contra própria, estima o dinheiro que obteve. Normalmente, quem faz pouco caso das riquezas são os que não trabalharam por ela.
  • O insensato muito apegado aos bens materiais, ao chegar perto da morte, começa a se torturar com questões metafísicas das quais desdenhava. Aí se desespera, temendo o que vem depois da morte. No contexto grego antigo, havia a crença de que os injustos eram punidos no inferno. Aí os moribundos insensatos começam a pensar se cometeram injustiças e, se vêem que fizeram muitas, ficam aterrorizados com a possibilidade de castigo divino eterno. A justiça é necessária em vida, para o bom grego antigo que crê que o inferno é um fato.
  • Mas o que é justiça? Justiça não é simplesmente falar a verdade e dar a alguém o que lhe é devido…
  • Então, justiça seria fazer bem aos amigos? Se alguém te empresta uma arma, depois fica doido e, doido, te pede a arma de volta, você não daria. Então, parece que a verdade por trás de “falar a verdade e dar a alguém o que lhe é devido” é garantir que o bem seja feito aos amigos… e mal aos inimigos!
  • Ora, mas isso significaria que a justiça só é útil em tempos de guerra e que, em tempos de paz, ela é praticamente inútil…
  • Se justiça é praticar o bem aos amigos e o mal aos inimigos, é muito fácil cair em injustiça: todos nós fazemos bem a pessoas que acreditamos serem nossas amigas, quando são o oposto, amigos falsos. Fazer bem a um amigo que não sabemos ser um inimigo é injustiça, segundo essa definição.
  • Se você faz mal a alguém, está causando mal a ele. E, causando mal, não está consertando seu comportamento, mas deixando-o pior. Portanto, justiça é fazer bem a quem quer que seja, amigo ou inimigo, porque assim você melhora o comportamento do inimigo pelo exemplo e pela instrução e mantém o comportamento do amigo. Observe, contudo, que corrigir alguém pelos seus atos e discipliná-lo com punição não é fazer mal, já que você está mostrando que aquilo sua ação é má e que não deve ser praticada. É o que faz a justiça de Atenas… da melhor maneira possível…
  • Justiça não é conveniência do mais forte: se tudo o que o mais forte fizer é justo, então todos deveriam repetir seu comportamento… mesmo que fosse, por exemplo, auto destrutivo.
  • O argumento de que a justiça é conveniência do mais forte é justificado porque os governos são as entidades que mais podem e elas promulgam as leis. Isso, contudo, não impede que o Estado faça leis “injustas”. Nem todas as leis que o Estado emite visam o bem da nação… especialmente num Estado corrupto.
  • Além disso, os governantes às vezes não sabem o que é bom para a nação, isto é, cometem erros, e emitem leis erradas.
  • Mas alguém pode argumentar que o governante que erra não é governante, ao menos, não naquele instante em que a razão o abandonou.
  • A arte técnica volta-se para quem precisa dela e não para quem a executa.
  • Então o governante, na medida em que é governante, procura o bem do povo, não o seu. Se ele é chefe da justiça, a justiça então volta-se ao mais fraco e não a ele, o mais forte. Isso, claro, na medida em que ele não for corrupto. Se ele o for, procurará mesmo seu próprio bem, mas aí não estaria praticando justiça, necessariamente, justamente porque justiça volta-se para quem dela precisa e não para quem a aplica.
  • Ora, mas isso significa que é mais lucrativo ser injusto! O injusto pode se apropriar dos bens alheios e se aproveitar de sua ignorância e, quanto mais alto ele está na hierarquia de um ambiente, mais longe ele fica de qualquer punição.
  • O injusto é ignorante e, por ser ignorante, é mau. É assim com todos os conhecimentos. O músico não tenta exceder outro músico em sua arte, mas é natural que exceda o não-músico, enquanto o não-músico tenta exceder seus semelhantes e os músicos sendo que ele é ignorante, por exemplo. O justo não tenta exceder outro justo, o injusto tenta exceder o justo e os outros injustos. Isso é comportamento de ignorante. Ignorante é oposto de sensato, que é bom.
  • Aliás, a justiça gera organização e harmonia. Por exemplo, até um grupo de assaltantes, quando trabalha seus atos iníquos, só poderiam ter chance de sucesso se observassem justiça pelo menos uns com os outros. Se fossem injustos uns com os outros, atrapalhariam suas chances de sucesso.
  • Além disso, quem iria querer colaborar com uma pessoa injusta seja no que for? É atrair para ela o mal.
  • Se os deuses são justos, ai dos injustos.
  • A função de alguma coisa é aquilo para que a usamos, seja porque aquela coisa é melhor que as outras para determinada tarefa, seja porque determinada tarefa só pode ser praticada por meio dela.
  • A justiça é uma virtude própria da alma, cuja função é governar. A alma sem a virtude da justiça não é capaz de governar bem, nem sua própria vida nem as dos outros.
  • Será que vale a pena praticar a justiça, apesar disso, o tempo todo? Será que ela não é penosa?
  • Afinal, quem parece justo sem o ser goza dos benefícios de ambos, ou assim parece, ao passo que pode acalmar a ira dos deuses com ritos.
  • Parece que quem censura a injustiça são justamente os que temem cometê-la, ou seja, invejosos.
  • Mas, se quisermos justificar as vantagens da justiça, basta que vejamos seus efeitos em larga escala. Em vez de relevar o quão útil ela é no nível pessoal, verificar o quão útil ela é no nível coletivo.
  • Uma cidade é uma grande comunidade. Ela surge porque nós, seres humanos, não somos independentes. Precisamos uns dos outros. Um ser humano não é capaz de viver sozinho.
  • Sócrates defende que as diferenças entre nós nos condicionam à determinadas tarefas.
  • Pessoas de diferentes “classes” (profissões) precisam umas das outras, como num jogo. Uma cidade tem pessoas de diferentes profissões que oferecem seus serviços umas às outras. Nenhuma cidade se formaria se ninguém dependesse de ninguém.
  • Quanto maior e melhor for a cidade, mais aliados ela terá. Uma cidade usufrui do que a outra tem.
  • Depois de resolvidas as questões de sobrevivência, a cidade volta-se às coisas ditas “elevadas”, como as artes e a riqueza.
  • Uma cidade que tem mais do que precisa, acaba precisando de médicos. De fato, um estilo de vida abastado leva a exageros e exageros levam ao estrago do corpo. Não que a pobreza seja algo salubre, mas, havendo dinheiro e descuido com o corpo, a demanda pela medicina torna-se maior.
  • Numa cidade em que o desejo pelo fútil torna-se grande, os bens de sua terra tornam-se insuficientes. Vê-se então o desejo de tomar o que é do outro, dando origem à guerra.
  • O ideal seria que cada pessoa tivesse uma profissão apenas, que executasse com perfeição. Então, nenhum cidadão já empregado deveria ser soldado; os soldados não poderiam também ser outra coisa se não soldados.
  • Ser filósofo é querer aprender.
  • Na antiga Grécia, música e literatura estavam ligadas. Literatura era feita com música, mas não necessariamente se incluía literatura na música.
  • Existem literaturas boas e literaturas ruins, as ruins sendo as que não reflectem a realidade, sendo mentirosas. Qualquer literatura que ensine valores errados deve ser banida. A ginástica deve ser ensinada mais tarde, depois que os valores já tiverem sido incorporados na criança.
  • Os poetas trágicos, Homero e toda a trupe de poetas épicos eram uns épicos mentirosos, que levaram as pessoas a ter concepções erradas mesmo sobre os deuses.
  • Os poetas trágicos também incitavam um medo mórbido dos deuses, traumatizando os que tinham pouca idade para ouvi-las.
  • Os poetas e Homero, ao falarem de lutas entre os deuses, muitas vezes por motivos tolos, faziam parecer que a violência entre irmãos era sancionada pela lei divina.
  • Supondo que essas histórias tivessem um significado profundo, nem assim deveriam ser contadas, porque não é todo mundo que faz uma separação decente entre real e alegórico. E um acidente hermenêutico sobre essas historinhas pode ter um impacto e tanto.
  • Uma criança que aprende algo errado quando tinha pouca idade, muito dificilmente esquecerá o que aprendeu…
  • Platão acreditava que os poetas deveriam compor seus versos segundo certas leis. Só que isso é uma forma de censura, que posa como impedimento à inspiração genuína.
  • Não se deve culpar os deuses pelo que acontece de ruim. Se deuses são bons, não deveriam causar mal às pessoas.
  • Se deus é o melhor possível, não muda.
  • A “verdadeira mentira” é aquela que se aproveita da ignorância do ouvinte.
  • Deuses não mentem, então não emitem ilusões para desencaminhar os terrenos.
  • Para evitar que as pessoas cresçam com medo da morte, é necessário uma censura adicional aos poetas: os poetas não podem falar nada de ruim do pós-vida.
  • A poesia apela às emoções, que suspendem a razão. O julgamento fica prejudicado e versos que narram negativamente a passagem pela morte são acreditados mais facilmente, porque o medo incitado por versos assim afasta o raciocínio.
  • Ninguém deveria ouvir tais coisas quando criança, muito menos as que se tornarão soldados um dia. Não dá pra ir pra guerra temendo a morte.
  • Não se deve narrar heróis sofrendo depois da morte.
  • Platão justificou a frieza com que tratei o incidente envolvendo meu irmão: não preciso chorar a morte daqueles cuja minha existência não depende.
  • Platão não apenas censura o choro, mas também o riso: homens célebres não deveriam rir e deuses não deveriam ser retratados rindo nos poemas. Isso é retomado por Hobbes. Mas me parece que aqui se fala do riso pela desgraça alheia.
  • A mentira não deve ser praticada por pessoas comuns, mas apenas por chefes de estado e somente se os seus benefícios para a cidade superarem os malefícios. Nosso governo faz isso o tempo todo, só que sem relevar benefício coletivo…
  • A imagem dos heróis e dos deuses, como figuras de autoridade, não deve ser manchada pelos poetas. Se quiserem escrever algo de ruim ou de injusto cometido por alguém, o sujeito não pode ser nem herói nem deus.
  • É terrível para a educação de quem ouve o poema que diz que deuses cometem atos ruins e continuam sendo deuses. Porque isso os faz querer justificar seus próprios pecados. “Ora, até Deus agiu assim!”
  • Os poetas, ao escreverem, devem evitar o mimetismo: não podem fazer o leitor pensar que quem está escrevendo não é um poeta normal. A poesia precisa deixar claro que o poeta é uma pessoa como qualquer outra.
  • Na Grécia antiga, não se via um comediante produzir tragédias. Nem o contrário, um poeta de tragédia escrevendo comédia. Isso porque, mesmo entre os artistas, é melhor dominar uma perícia apenas, para ser muito bom nela, em vez de dominar várias e não ser tão bom como poderia em todas.
  • Não se deve estimular a juventude a imitar o que é ruim, para que não subestimem o conteúdo do mal.
  • Na Grécia antiga, música e poesia andavam juntas. Os autores de poesia compunham harmonia e ritmo sobre os quais os poemas deveriam ser cantados.
  • Ora, mas a poesia deve ser separada de “gemidos” e “lamentos”. Logo, técnicas musicais que favorecem esse tipo de poema devem ser banidas de uma cidade que se propõe perfeita. Harmonias tristes não são bem-vindas por Platão.
  • As harmonias “efeminadas” devem também ser eliminadas por lembrarem preguiça e desocupação. Parece censura cubana.
  • Instrumentos capazes de muitas harmonias são desencorajados por Platão, por serem capazes de produzir harmonias proibidas. Ficam a cítara e a lira. E somente na medida em que tocarem apenas em modo Dórico e Frígio.
  • Como não está certo de qual ritmo é bom e qual é ruim, Platão resolve que os ritmos que se adaptam às palavras cantadas devem ser mantidos. A palavra não pode tender ao ritmo, mas o contrário. Assim, se saberá se o ritmo é bom ou ruim se ele se adapta ao discurso poético aprovado. Soa nazista.
  • Os outros artistas precisam também se adequar a essas restrições. Isso inclui pintores, arquitetos e tudo o mais. A arte que incita sentimentos que não sejam coragem e determinação devem ser proibidas, para que os jovens não entrem em contato com a arte que mostra aquilo que é mau e possam aproveitar plenamente a cidade, adornada com o que há de mais viril. Ao menos Platão é bem intencionado.
  • A música tem valor educativo.
  • O amor verdadeiro deve ser separado da luxúria. Os jovens não devem ser expostos à luxúria, isto é, ao prazer sexual desregrado, para que não acabem crescendo influenciados por prazeres sem regra e tornem-se intemperantes. A razão precisaria vir primeiro, para que a própria pessoa evitasse ser intemperante nas práticas sexuais.
  • A ginástica procurada por pessoas estúpidas não enriquece a alma. Mas aqueles de boa alma procuram aperfeiçoar também o corpo.
  • Os guerreiros precisam de dieta própria.
  • Para Platão, essa dieta é simples. Variedade culinária deixa o guerreiro mal acostumado e doente.
  • Um sinal de pobre administração de um Estado é a necessidade de muitos médicos. Se há uma grande demanda por médicos é porque tem muita gente doente. Tal como a grande demanda por juízes que, para Platão, só é justificada por uma grande quantidade de crimes.
  • É vergonhoso precisar de um médico para tratar condições que causamos a nós mesmos. Neste caso, quando o próprio paciente estraga seu corpo por intemperança.
  • Parece que na época de Platão a função do juiz era aplicar penas e apenas isso. Como um médico “de almas”, pois se a via na pena uma oportunidade de purificação.
  • O juiz tem que conhecer a injustiça sem praticá-la. Precisa ter sido bom a vida toda e conhecer o mal por observação, o que leva tempo. Logo, para Platão, o juiz ideal tem também que ser idoso.
  • A ginástica tem como função manter o corpo, de forma que ele não precise de médicos, salvo em casos de força maior.
  • Para Platão, a ginástica sozinha torna bruto o praticante e a música sozinha amolece. As pessoas têm de ser educadas em ambas, para não ficarem duras demais ou muito sentimentais.
  • Os guerreiros não podem ser facilmente ludibriados. Precisam manter-se firmes no que acreditam.
  • Platão julgava necessário o uso de “nobres mentiras” para tornar o povo mais unidos. Ele sugere convencer todos de que sua terra é mãe de todos os seus habitantes e que estes são irmãos entre si.
  • Os guardiões da cidade não devem ter ouro, prata, terras e nada que não seja de primeira necessidade, para que os guardiões não tenham também que administrar bens, dividindo sua atenção.
  • A felicidade coletiva é prioridade sobre a felicidade pessoal.
  • Ninguém dever ter tantos bens e recursos a ponto de desviar a pessoa de seu papel na cidade.
  • Recursos demais fazem a pessoa trabalhar menos. De fato, quem é rico, não quer trabalhar. Mas ter recursos de menos impede a boa performance da profissão.
  • Riqueza e pobreza devem ser evitados, procurando o justo meio. É fácil para uma cidade que despreza o frívolo fazer aliados com outras cidades em tempos de guerra. Afinal, o aliado poderá ficar com a pilhagem e servir-se do exército platônico, o qual mira apenas a autodefesa.
  • As mulheres devem ser bem público.
  • As quatro virtudes cardeais: sabedoria, coragem, temperança, justiça.
  • Enquanto que a sabedoria é uma virtude que melhor cabe aos governantes e a coragem aos governados, a temperança precisa existir nos dois. Repare que é recomendável sempre ter as quatro virtudes quer seja governante ou não, mas é que sabedoria é indispensável ao governante e coragem indispensável ao governado.
  • Você sabe que o vinho grego é bom quando dois caras começam a falar que viram o rastro da justiça.
  • Existem quatro grandes classes na república platônica: comerciante, artífice, guerreiro, governante. Seria um prejuízo para a cidade toda que uma pessoa mudasse de classe para classe ou exercesse todas. O artífice tem que ser artífice até o fim da vida, o mesmo com o guerreiro que morre guerreiro, comerciante que morre comerciante e o governante que morre governante.
  • Justiça é a conformação de cada pessoa à classe que lhe compete.
  • Mas, agora que vimos que a cidade pode ser justa, como pode ser justo o indivíduo?
  • As ciências se separam porque têm características próprias. A arquitetura é uma ciência distinta porque tem características que não existem em nenhuma outra ciência, segundo Platão.
  • As ciências só adquirem características únicas depois que se voltam para objetos específicos. A física quântica não existiria se ninguém tivesse interesse em se voltar sobre o mundo quântico.
  • As pessoas, quando sentem sede, não necessariamente bebem, porque nem sempre é conveniente. Isso só seria possível, segundo Platão, se a alma se dividisse em partes, uma associada aos apetites e aos amores, outra relacionada ao bom senso.
  • Na verdade, a alma platônica divide-se em três partes: racional, irascível (emocional), vegetativa (biológica).
  • Assim, a alma é como a cidade: tem uma parte deliberativa que a coordena, uma auxiliar que a defende e uma comerciante que a mantém viva, por assim dizer, dispostas hierarquicamente. Isso me lembra de um livro chamado O Corpo Fala e tem lá seus paralelos com o aparelho psíquico de Freud.
  • A pessoa é justa quando cada parte da alma desempenha sua função na hierarquia.
  • A monarquia e a aristocracia são superiores, ao ver de Platão.
  • Parece que as mulheres devem receber a mesma educação que os homens.
  • Não se deve achar ridículo algo que não seja nem mau nem louco. Mulheres praticando ginástica nuas, com os homens. Se você acha isso mau ou louco… é problema seu. Eu, pelo menos, estou curtindo.
  • Platão defendia que não deveriam existir trabalhos de homens e trabalhos de mulheres, mas que cada um deveria desempenhar a função para qual fosse mais apto.
  • Mas ressalva que a mulher parece ser mais débil em tudo o que faz… Não existem ocupações próprias de gênero, mas a mulher teria, na mente de Platão, um rendimento inferior. Isso não é razão para impedi-la de trabalhar, contudo.
  • Só que mulheres tornam-se auxiliares. Bom, vale lembrar que o contexto histórico-geográfico platônico é machista. Mas, para um contexto histórico-geográfico machista, isso até que soa feminista.
  • Aliás, a lei grega delimitava trabalhos de homem e de mulher. Platão diz que a lei de seu tempo era antinatural.
  • As mulheres, para Platão, tal como os filhos, são um “bem comum”. Nem mulheres, nem filhos, devem coabitar a mesma casa do marido ou do pai.
  • Mas há um limite: os governantes tem de trabalhar para que as melhores mulheres se encontrem com os melhores homens com a máxima frequência, para que seus filhos sejam excelentes. Pares não planejados estragam a geração seguinte.
  • Os jovens com mais habilidade e de ofício mais alto deveriam ter maior direito de procriação.
  • Os filhos são criados pelo Estado.
  • Quando as mães derem leite, devem amamentar crianças aleatórias, que são mantidas sob a guarda estatal em um bairro à parte, de forma que não reconheçam seu filho.
  • As mulheres que devem ter filhos precisam ter entre vinte e quarenta anos. Os homens que procriam devem ter entre trinta e cinquenta e cinco.
  • A procriação tem que ser autorizada.
  • Como todos são uma grande família, todos chamam “pai”, “filho”, “mãe”, “avô” quem tem idade o bastante para ser chamado assim, dependendo do gênero. A união entre “irmãos” é permitida. Laços familiares não seriam consanguíneos.
  • Os filhos acompanham os pais na guerra. Da mesma forma, o oleiro aprende o ofício do pai o assistindo. O futuro soldado vai pra guerra então, pra ver como o pai faz. Lembrando que não necessariamente são consanguíneos…
  • É necessário que as crianças que acompanham os pais na guerra para observar aprendam, em primeiro lugar, a fugir. À elas são dadas cavalos próprios para fuga.
  • Soldados covardes são rebaixados em classe social. Soldados que são levados cativos não devem ser recuperados.
  • A república platônica só seria possível se os reis tornassem-se filósofos ou os filósofos tornassem-se reis.
  • Mas como saber quem deve ser chamado filósofo e governante e quem deve entrar nas classes inferiores?
  • A maioria das pessoas tem opinião, mas poucos são os que tem ciência. A ciência discorre sobre as coisas como são e a opinião discorre sobre as coisas como parecem ser, estando assim a meio caminho entre ciência e ignorância. A opinião é o discurso da aparência, aquilo que está a meio caminho entre ser e não-ser.
  • O filósofo, então, é o que se afasta da opinião em direção ao eterno. É aquele que procura o conhecimento estável, não o variável.
  • Quem ama a sabedoria é virtuoso. Logo ele vê que é tóxico para a alma a baixeza e a mesquinharia. Ele também se desvia de outras coisas, como ofícios que não enriquecem a alma, e não procura prazeres corporais.
  • O filósofo não tem medo de morrer.
  • Além de preencher esses requisitos, o filósofo tem que ter facilidade em aprender. Raramente alguém se dedica àquilo que é difícil e que lhe dá pouco resultado. Então o filósofo tem que ter um “talento” e ser capaz de dar muito resultado.
  • Tem que ter boa memória. Acabo de descobrir que joguei fora cinco anos da minha vida…
  • Mas alguém poderia afirmar que nenhum filósofo se mostrou nem equilibrado nem útil ao Estado.
  • Mas isso porque a maioria é ignorante. E, como a Grécia era democrática…
  • E, se o filósofo não era equilibrado, é porque os filósofos tinham uma natureza filosófica que foi pervertida pela má educação.
  • Para que o filósofo não se corrompa com a educação das turbas, ele não deveria se misturar.
  • No presente, não existe Estado ou constituição que desenvolva as potências do filósofo.
  • A filosofia, como tudo o que é grandioso, é perigoso. Uma cidade hostil e ignorante pode fazê-la desaparecer.
  • O Estado deve se ocupar da filosofia.
  • A cidade deve se subjugar à filosofia. À filosofia. Nós tivemos um presidente sociólogo e deu no que deu.
  • O Estado poderia se beneficiar da contemplação das ideias: se as leis fossem baseadas no que é supostamente eterno e perfeito, seriam supostamente eternas e perfeitas.
  • Mesmo após a adoção de aristocratas filósofos, a constituição perfeita pode levar tempo para aparecer.
  • Alternativamente, o filósofo podia ser monarca. Bem a minha cara.
  • Leis pensadas e bem argumentadas são desejáveis.
  • Os governantes, antes de assumirem, têm que mostrar seu amor pela pátria e pela sabedoria. Esse é um teste vitalício. Se, a qualquer instante da vida, os governantes mostrarem-se infiéis à pátria ou à sabedoria, perdem o cargo.
  • Um teste: ver o quanto gostam de estudar.
  • Filósofos não devem descuidar nem do corpo nem da alma. Não deveriam ser jovens também.
  • A ciência do bem é a mais elevada.
  • Se algo não é bom, não iríamos querê-lo.
  • Para a maioria, bom e prazeroso é a mesma coisa.
  • Mas existem prazeres maus.
  • Antes de conhecer o bem, não é possível guardar o justo ou o belo.
  • O que é o bem?
  • Saber expor a doutrina dos outros, mas não as próprias, é injusto se você se ocupa dos assuntos relacionados à doutrina exposta. Crítica aos comentadores feita antes dos comentadores.
  • Doutrinas sem base no saber são uma vergonha.
  • A ciência e a verdade são filhas do bem.
  • O entendimento fica entre inteligência e opinião. A inteligência é atingir as ideias dialeticamente enquanto entendimento é trabalhar com hipóteses.
  • Escala da clareza, de baixo para cima: suposição, fé, entendimento, inteligência.
  • Alegoria da caverna.
  • As pessoas pensam que só é real aquilo que se vê, sendo que o que se vê são apenas sombras daquilo que é, de fato, claro e evidente, real.
  • Vislumbrar essas coisas mais claras é confuso. Por causa disso, a pessoa acha que as sombras são mais reais.
  • Contemplar diretamente coisas elevadas causa atordoamento. A subida deve ser gradual.
  • O indivíduo que contempla a verdade e passa a reconhecê-la como tal, sente pena de quem não a alcança.
  • Se o indivíduo volta para os outros para libertá-los, volta tão diferente que não pode mais se adaptar à vida na “caverna”. ele se torna motivo de riso e os outros pensam que ele pirou lá fora.
  • O bem parece ser causa de tudo o que há de justo, belo e bom, em geral. Conhecer o bem torna alguém sensato e tanto mais sensato quanto mais se aproxima do bem.
  • O filósofo acaba se vendo como “bom demais” para estar entre os outros que se ocupam das sombras e sente vontade de se isolar. Isso é uma tentação que precisa ser resistida.
  • Em Platão, educação é voltar a alma do aluno na direção certa, na do ser, e não na do parecer.
  • A razão má conduzida pode ser usada para o mal.
  • Os “bem dotados” devem ser voltados à ciência do bem e ser treinados para resistir à tentação de se apartar do mundo. Isso depois que estiverem formados; durante a formação, a reclusão é necessária para evitar corrompimento. Se o filósofo se aparta da cidade, ele se torna inútil à ela, o que o tornaria muito ingrato, já que sua educação dependeu da cidade.
  • O filósofo deve se ocupar do bem-estar coletivo, não só com o seu. Meu amigo advogado deve estar se regozijando agora.
  • Para que o filósofo não passe vergonha, tem que também conhecer as aparências para que, a partir delas, possa conduzir as pessoas ao que é claro e evidente.
  • O que é imprescindível ensinar? Para Platão, as ciências exatas. O cálculo, por exemplo, conduz ao que é estável.
  • O cálculo é útil a todos, mesmo aos guerreiros. Ele talvez volte a pessoa para o ser, posto que é um conhecimento estável.
  • O filósofo que quer atingir a verdade precisa do cálculo.
  • O ensino do cálculo deveria ser obrigatório, pois beneficia a todos.
  • Outra ciência que permite a elevação ao ser: a geometria.
  • A geometria muda completamente o modo de pensar. É também algo de utilidade coletiva.
  • Outra ciência que ele ao ser: a astronomia. No contexto platônico, os astros são eternos.
  • A astronomia também tem utilidade pública: o movimento dos astros governa as estações do ano, por exemplo, sendo seu conhecimento útil à agricultura e à marcação do tempo.
  • A medida de corpos tridimensionais, se existisse na época platônica, também seria considerada indispensável.
  • O estado deve prescrever os deveres dos cientistas.
  • Não se deve fomentar o estudo imperfeito. Se aprende ciências exatas, ginástica e o ofício dos pais.
  • A dialética dirige-se ao inteligível, não ao sensível.
  • O cálculo, a geometria espacial, a geometria, a astronomia e a dialética são responsáveis pela quebra dos grilhões que aprisionavam o habitante da caverna, pela sua subida ao mundo exterior e pela sua adaptação a ele.
  • A dialética depende do conhecimento de ciências exatas. Então, não se pode aprender dialética sem ter aprendido as outras ciências citadas por Platão como indispensáveis.
  • As outras ciências tratam do particular. Mas as ciências exatas são universalmente válidas. Apesar disso, são inferiores à dialética por trabalharem com hipóteses.
  • Ciência e entendimento trabalham com coisas estáveis e podem ser chamadas de inteligência. Fé e suposição trabalham com coisas mutáveis e podem ser chamadas de opinião. Os primeiros são mais claros. Os últimos são mais obscuros.
  • São estudos difíceis que só podem ser tomados por quem tem prazer neles.
  • A má reputação da filosofia deriva daqueles que se ocupam dela sem estarem à altura do ofício.
  • Os jovens trabalham até mais que os velhos.
  • As crianças devem aprender as ciências exatas, mas, para retê-las, devem aprender brincando. Porque nenhum conhecimento aprendido à força fica. Além disso, pela ginástica e pelo aprendizado das ciências exatas, se descobre quem fica melhor da filosofia, no exército ou na manutenção da cidade, isto é, descobre-se suas aptidões.
  • Não é admitido na filosofia ou na chefia do estado quem tem menos de trinta anos, porque a dialética não deve ser aprendida antes desse tempo. Além do mais, até os trinta anos, a pessoa ainda está tendo suas aptidões julgadas.
  • Quem aprende dialética cedo, pode tornar-se rebelde, porque pode descobrir que muitas coisas em que acreditava não estavam corretas. A dialética precisa ser tomada com maturidade, por isso não deve ser aprendida por quem tem menos de trinta anos.
  • A dialética só pode ser ensinada a quem tem mente estável. Os que se alteram fácil e tem pouco controle das emoções podem não resistir a seus efeitos mesmo após a idade padrão.
  • As mulheres podem governar.
  • Realeza, tirania, oligarquia, democracia, o governo espartano são as cinco formas de governo atualmente existentes que faltam ser analisadas (a aristocracia já foi analisada em detalhes).
  • Todo governo humano tem fim.
  • A moda espartana é a decadência da aristocracia.
  • Mas não decadência completa; esta seria a oligarquia.
  • A moda espartana é marcada pelo amor excessivo à ginástica (corpo) e descaso com a música (espírito).
  • O espartano é levado a se importar com o que não é de sua conta.
  • Oligarquia é o governo exercido apenas pelos ricos. É o fundo da moda espartana.
  • A descrição de oligarquia lembra nosso governo brasileiro e nosso povo brasileiro.
  • Riqueza e virtude, em geral, vão em direções opostas.
  • Um dos problemas da oligarquia é justamente o de que quem é rico, normalmente, tem pouca aptidão para o governo.
  • Além disso, pobres e ricos conspiram uns contra os outros.
  • Os oligarcas vendem seus bens públicos, empobrecem o estado e atraem má fama.
  • Um estado com muitos pobres é um estado com muitos crimes, tanto cometidos por pobres como por ricos.
  • A multidão elogia quem tem dinheiro, fomentando a cobiça…
  • Pessoas assim são ignorantes…
  • São dissimuladas…
  • Priorizam a riqueza sobre a dignidade…
  • A democracia surge da oligarquia, quando os pobres não aguentam mais a opressão.
  • Se isso acontecia na Grécia antiga, então a revolução proletária socialista não seria a primeira operada pela maioria.
  • A democracia poderia possibilitar a vinda da República… que é uma aristocracia. É um ciclo. Ou quase…
  • Os desejos necessários são os que sempre voltam e aqueles que dão algum conforto.
  • Por vários motivos, o democrata é moralmente inferior, por estar envolvido com todo o tipo de gente.
  • Saciado o desejo que calhar, acaba dedicando-se a algumas coisas úteis.
  • Os democratas endeusam a liberdade.
  • A tirania encontra sua possibilidade quando a sede de liberdade volta todos contra os chefes.
  • Quem é submisso torna-se escarnecido.
  • Os filhos desobedecem aos pais.
  • Para Platão, a tirania só pode vir da democracia.
  • Com o caos democrático, o próprio povo acaba entregando sua proteção a homens específicos.
  • Sócrates recorre ao mito para fundamentar que o protetor do povo torna-se tirano (lobo) ao corromper-se. Se ele não se corromper, temos a realeza.
  • O tirano procura assegurar que o povo necessite dele, isto é, de um chefe.
  • Ele procura manter o povo distraído para evitar conspiração.
  • O tirano precisa de guerras.
  • Isso atrai sobre ele a ira do povo.
  • O tirano precisa matar quem se lhe opõe.
  • Matar quem se lhe opõe significa matar pessoas ricas, prudentes, com grandeza de ânimo… e todos aqueles que seria mais úteis à cidade.
  • Para controlar seu próprio povo, o tirano recorre à governos vizinhos…
  • Ele acaba roubando os escravos do povo, com o pretexto de “libertá-los”, mas os entrega à sua própria força militar.
  • Os poetas na época platônica eram a favor da tirania.
  • O tirano apodera-se dos bens públicos para pagar seu próprio exército.
  • Existem desejos que podem ser satisfeitos com moderação. Mas existem desejos ferozes e irracionais que todos nós abrigamos.
  • São os que, por vezes, se manifestam nos sonhos.
  • Esses desejos são loucos e desregrados. E inatos! Parece que todos temos desejos para com o proibido. Eu tenho, admito…
  • O tirano, por falta de força de vontade, entrega-se a esses desejos. Se ele já for rei, se tornará tirano. Se ele ainda não for, terá propensão a isso.
  • Para satisfazer seus desejos perturbados, ele abusa de seu poder, abandona escrúpulos, leva vida dupla…
  • Se volta primeiro contra os pais.
  • Se volta depois contra o povo, quando se torna, de fato, tirano.
  • Tirania é oposta à realeza.
  • Arrastada pelos desejos, a alma tirânica precisa controlar alguém. Porque torna-se indefesa sem servos.
  • A tirania propicia todo tipo de desvio moral.
  • Os nove livros falados por Sócrates são a sua resposta ao sofista. E que resposta.
  • Cada parte da alma tem desejos próprios.
  • Cada alma é governada por uma de suas partes. A que se governa com sabedoria é amiga do saber, a que se governa com ímpeto é ambiciosa, a que se governa com concupiscência é interesseira.
  • Hoje, a maioria das pessoas cai no último tipo, achando que aquilo que não dá lucro é inútil.
  • Embora cada pessoa julgue sua vida melhor, Platão diz que a do filósofo é mais isenta de desgostos.
  • O que fica entre dor e prazer é repouso.
  • Existem prazeres eternos, mas que só são compreendidos por quem os experimentam.
  • Sob a orientação do filósofo, o ambicioso e o interesseiro podem até desfrutar melhor daquilo que mais gostam (fama e dinheiro).
  • Justiça e felicidade decorrem da submissão à razão, sem, contudo, se rebelar contra ímpeto ou concupiscência. Estes devem ser moderados, mas não suprimidos.
  • O tirano é setecentos e vinte e nove vezes mais infeliz que o rei íntegro.
  • Honestidade, para Platão, é subjugar o nosso animal interno à razão.
  • Dinheiro e poder não compensam a decadência da alma.
  • A temperança, a coragem e a sabedoria são as três notas do acorde da justiça. Parece nome de ataque de digimon: “acorde da justiça”.
  • O sábio pauta seu comportamento como se já vivesse na República.
  • A arte imitativa (o discurso falso embelezado) deve ser banida por destruir a inteligência do ouvinte.
  • O modelo das coisas é apreendido mentalmente. A partir do modelo, o artífice faz objetos materiais.
  • A criação de “cópias” de coisas materiais, sendo que estas já são cópias de modelos mentais.
  • O modelo é divino.
  • A arte imitativa imita a aparência apenas. Não imita a realidade.
  • Quem parece saber tudo de tudo, mente.
  • O poeta, então, joga com aparências. Embora pareça falar com propriedade, está somente mentindo. É importante ressaltar que Platão se refere ao poeta mimético, aquele que discursa sobre o que não conhece, mas parece conhecer. Ele não se refere a poesia instrutiva. Existem poemas que discursam sobre o verdadeiro.
  • Se o poeta conhecesse as coisas sobre as quais discursa, muito provavelmente as praticaria, invés de ser poeta.
  • Quando Homero fala de estratégia, educação e governo, sendo que nenhum estado, escola ou exército se deu bem seguindo suas recomendações, ele não sabe o que diz.
  • O ignorante, ao ouvir um discurso bem bonito sobre algo que o orador na verdade não conhece, mas finge conhecer, acaba acreditando no que o orador diz. O estrago estaria feito, porque ele assimila uma mentira sob a aparência de verdade e leva isso para a vida. É assim que a arte imitativa destrói a inteligência, segundo Platão. Isso é feito até hoje, pelos garanhões da mídia e pelas igrejas vulgares. E, na época de Platão, pelos poetas trágicos e pelos sofistas.
  • A imitação é uma brincadeira; quem crê na ficção é bobo.
  • A razão deve moderar o sofrimento.
  • Mas o que leva a pessoa ao desespero é a emoção. A poesia imitativa, por exemplo, dirige-se a ela.
  • Porque as emoções tolhem a razão, o artista mimético deve ser banido da cidade.
  • A mudança no estado de espírito causada pela imitação provoca prazer. É a mesma razão pela qual vemos filmes de horror: partilhamos das emoções do personagem sem sofrer suas vicissitudes pessoalmente, vivendo sua experiência de forma segura. Assim, no caso da tragédia, quanto mais a plateia sofre com o personagem, mais ela gosta e o poeta passa a se esforçar por esse sofrimento.
  • Mas o sofrimento desmedido é afeminado.
  • A parte irascível é sedenta por lágrimas. Quando choramos, nos sentimos bem, porque o sofrimento diminui, isso causa prazer. Mas, se nos acostumamos com o choro, nos acomodamos com ele e choramos sempre que sofremos para suportar a dor, em vez de agir sobre sua causa. É como se viciar em analgésico.
  • A comédia e o riso também não são bem-vindas, porque fica mais difícil conter o riso inapropriado se nos acostumamos a rir com frequência.
  • Algo só perece pelo mal que lhe é próprio. No caso do corpo, esses males são a velhice, a doença e o ferimento. O corpo não pode morrer se não por essas coisas. Então, para que algo seja maléfico ao corpo, precisa causar pelo menos uma das três coisas.
  • O que adoece a alma são os males que lhe são próprios: injustiça, covardia, ignorância e intemperança.
  • Só que a alma não parece morrer por causa deles…
  • O único jeito de um composto ser imortal é se seu arranjo for perfeito.
  • As faltas cometidas pela alma seguem à vida seguinte.
  • As recompensas para os justos ocorrem em vida e após a morte.
  • Disposição de caráter não é inata.
  • A maior felicidade vem da moderação.
  • Platão encerra a República com um “mito legitimado”: é contado em prosa, sem acompanhamento musical ou rimas (se dirigindo à razão e não à emoção), visa um bem maior (sendo assim uma mentira legítima, como aqueles que o chefe de estado diz aos súditos pelo bem da cidade) e, por essas, não ser um ato mimético perverso.
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19 Comentários »

  1. […] é bom”. Eu tenho que corrigi-lo, dizendo: “não é bom, só gostoso.” Para Platão, o “acorde da justiça” é feito das notas “bondade, beleza e utilidade”. […]

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  2. […] causa desse fenômeno, não existe governo humano que dure pra sempre. Seria necessário que fôssemos governados por Deus. Assim, se […]

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  3. […] Rousseau, a República não é um livro de política, mas de […]

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  4. […] (vida) em órgãos que não estão sujeitos à nossa vontade levou os antigos a admitirem que mais de uma alma habita o corpo: uma pensante, uma emotiva, uma […]

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  7. […] razão é uma das coisas que nos move. As outras duas são a emoção e a concupiscência. Por isso Platão dirá que temos três almas, mas Agostinho esclarece que é só uma mesmo, que fica indecisa diante […]

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  8. […] Se a opinião é a rainha do mundo, a opinião fundada pela força é uma tirania. […]

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  9. […] à dor e dores cada vez maiores são necessárias para nos fazer chorar. Nisso, Hobbes polemiza com Platão, o qual diz que quanto mais rimos, mais difícil é evitar o […]

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  10. […] sem ter formulado uma moral que te permita viver bem. Depois disso, deve estudar lógica. Como Platão, Descartes afirma que o bom filósofo deve ser bom conhecedor de matemática, porque é um […]

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    Pingback por Anotações sobre os princípios da filosofia. | Pedra, Papel e Tesoura. — 8 de maio de 2016 @ 11:48

  11. […] não admitiam como discípulos pessoas que não soubessem matemática. Deve estar se referindo a Platão e Aristóteles. Não vejo como isso posaria problema para Sócrates, se é que ele […]

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    Pingback por Regras para a condução da inteligência. | Pedra, Papel e Tesoura. — 17 de março de 2016 @ 12:11

  12. […] conceitos metafísicos mudam com o tempo. O conceito de “bem”, por exemplo, tão caro a Platão. Se os tempos mudam a ponto de requererem vícios para prosperar, agir conforme o bem platônico […]

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    Pingback por O príncipe. | Pedra, Papel e Tesoura. — 13 de janeiro de 2016 @ 18:10

  13. […] formas de tratamento parecem baseadas nas encontradas na República, onde pessoas velhas o bastante podem ser chamadas todas de “pai” pelos mais novos, tal […]

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    Pingback por A cidade do sol. | Pedra, Papel e Tesoura. — 24 de dezembro de 2015 @ 22:12

  14. […] mais sábios parecem tem causado mais problemas à república do que os menos sábios, segundo o testemunho da […]

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    Pingback por Elogio da loucura. | Pedra, Papel e Tesoura. — 6 de dezembro de 2015 @ 17:35

  15. […] Além disso, o que é composto tende à corrupção. Platão discordaria. […]

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    Pingback por Suma contra os gentios. | Pedra, Papel e Tesoura. — 24 de novembro de 2015 @ 15:56

  16. […] em partes, ou seja composto, poderia ser passível de decomposição. A menos, é claro, que seu arranjo fosse perfeito. Mas voltemos ao assunto. É melhor ser simples e único do que múltiplo em si […]

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  17. […] aos deuses vícios humanos é uma tentativa humana de fazer seus pecados parecerem menos […]

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  18. […] Carta a Meneceu e a Ética a Nicômaco. Ano passado, li Alcibíades I, Apologia de Sócrates, República, Elogio de Helena, Fédon, Fedro, Mênon, Metafísica, dois livros sobre os pré-socráticos, […]

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    Pingback por Carta trocada com um amigo. | Pedra, Papel e Tesoura. — 22 de junho de 2015 @ 09:54

  19. […] O trabalho do juiz é, pela pena, igualar perdas e ganhos entre ofensor e ofendido. O ofendido recebeu um dano do ofensor então ou o ofensor restitui o que tirou do ofendido ou recebe um dano proporcional. Platão diz que esse é um modo de curar a alma. […]

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    Pingback por Ética a Nicômaco. | Pedra, Papel e Tesoura. — 24 de maio de 2015 @ 00:57


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