Analecto

15 de junho de 2015

Quem dera eu não tivesse passado.

Filed under: Organizações — Tags:, , , — Yure @ 12:28

Eu sei que estou quase terminando o curso de filosofia. Mas, diante de tantos problemas administrativos e do descaso que o governo do estado tem com o universitário, às vezes me pego a desejar que eu não tivesse passado naquele vestibular.

Primeiro, eu só fiquei sabendo que eu precisava de créditos extras no oitavo semestre. Essa é uma informação basilar. Agora estou desesperado pelos extras e só não vendo minha alma porque, enfim, só tenho esta. Alguém poderia dizer que eu deveria ter procurado saber disso, mas como buscar o que se ignora? Segundo, o nosso governador, por mais de cinco anos, se recusou a permitir o concurso público para professores efetivos e a nomear os que passaram no último concurso. Muitos falam que as greves da minha universidade são a causa do atraso do curso, mas elas não passam de um efeito. As greves servem para protestar principalmente contra a falta de professores. Mesmo que não houvessem greves, o curso ainda seria atrasado porque faltam professores para lecionar disciplinas obrigatórias. Terceiro, existe uma grande confusão entre professores, alunos e servidores, o que ocasionou o problema que estou atualmente enfrentando. Tudo é tão confuso, tão feito nas coxas, que me faz passar mal.

Outros alunos, colegas meus, que ingressaram no ensino superior depois de mim, em universidades federais, estão para terminar, enquanto eu já deveria ter terminado o meu. Mas, pesando todos os problemas que tenho com a universidade e, em última instância, com o governo do estado, não há previsão para quando eu terminarei meu curso.

Oxalá eu tivesse falhado no vestibular! Poderia ter tentado para a universidade federal e já estar formado.

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4 Comentários »

  1. As universidades federais também estão enfrentando problemas iguais aos que você citou em seu post, infelizmente. Aqui na Universidade de Brasília também faltam professores. Tem algumas matérias do meu curso de Artes Plásticas que, inclusive, há anos não são reabertas por falta de profissionais! A reitoria se nega a abrir concursos novos por falta de apoio… e o que é pior é que uns cursos são mais privilegiados que outros nessa questão; por exemplo, cursos de exatas (como as engenharias) recebem mais apoio para contratação de novos professores, abertura de concurso, novas disciplinas etc; outros campos, principalmente os ligados ao Instituto de Artes, precisam quase chorar para que esse investimento chegue. Muito triste mesmo.

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    Comentário por Vanessa — 18 de junho de 2015 @ 11:07

    • Meu orientador me falou que, no imaginário popular, o futuro reside nas mãos dos que se envolvem com biologia, química, física ou matemática. A maioria das pessoas, que têm uma visão mais funcionalista, pragmática e tecnicista do futuro, não vê que as humanidades também têm seu valor. Afinal, as disciplinas de humanidades apontam para onde devemos ir, inclusive em termos políticos. Os brasileiros reclamam muito da política, mesmo nas vezes perdidas em que ela dá resultado, mas não percebe que não é possível mudar a política ou o país só com ciências exatas. Esse pessoal tem seu valor, mas não é só de economistas que se faz um estado. Muito me dói sua situação; saber que em sua universidade existe uma hierarquia de cursos me deixa muito mal. É como se a própria educação sancionasse o esteriótipo que a arte e as humanidades têm.

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      Comentário por Yure — 18 de junho de 2015 @ 17:38

  2. Duvido muito que você já tivesse se formado nas federais……nos últimos anos as greves também bateram forte lá, e a desinformação, defasagem tecnológica e descaso com o estudantes esta no mesmo nível ou pior que qualquer faculdade publica do Brasil. A política para educação de nível superior no Brasil grita: “Quer se formar sem surtar e conseguir trabalho depois? Vai fazer Unip!”

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    Comentário por AntimidiaBlog — 17 de junho de 2015 @ 09:23

    • A educação brasileira é deprimente, mas não é nem um problema dos professores ou dos alunos. Porque tanto existem alunos interessados quanto professores bem intencionados. O governo é que nos esmaga com toda a naturalidade.

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      Comentário por Yure — 18 de junho de 2015 @ 17:39


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