Analecto

21 de junho de 2015

Eu sou mesmo um homem…

Filed under: Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yure @ 13:20

Ontem de tarde, minha mãe me chamou para deitar minha cabeça em seu colo. Enquanto eu estava ali, eu me perguntava o que ela queria comigo. Não sou digno daquilo, já que ainda não dou nenhum orgulho à ela, fato. Eu sou um inútil. E essa demora na minha formação só me faz acreditar que eu não sirvo mesmo pra nada além de despender o dinheiro dela em estudos intermináveis.

Como vocês já sabem, eu tenho uma suspeita de que mulheres são superiores pelo menos a mim e que eu estou sendo cotidianamente alvo de algum tipo de manipulação velada da parte delas. Não é um sexismo, mas mais uma paranoia. Eu não evito mulheres por odiá-las, mas por temê-las.

Durante a noite, tive uma crise alérgica. Minha mãe tentava me ajudar, mas estava só atrapalhando. Minha mãe estava um tanto rouca e também insone. Eu não estava conseguindo dormir por causa da crise e, quando estou com sono, me torno emocionalmente instável. Eu não estava respondendo bem aos conselhos dela, mas ela me cobrava uma reação a altura, sendo que eu não podia dar. Por outro lado, eu não queria dizê-la que eu não sou como ela e que ela tinha que calar a boca e me deixar em paz, mas ela é minha mãe e eu não queria ofendê-la. Ela até me ofereceu o quarto dela para eu dormir, mas eu não consegui dormir lá por causa do frio e da claridade. Ela então me disse que eu tinha que arrumar terapia e deixar de ser tão chato, porque ela estava tentando ajudar e não estava conseguindo reagir bem à ajuda.

Aí eu gritei com ela, disse que ela não me entendia e que eu não era como ela, mas evitei dar-lhe um sermão. Depois de repetir umas duas vezes que eu não reagia bem às coisas que davam certo com ela, me ajoelhei e chorei amargamente.

Ela me abraçou e disse que eu estava estressado por causa da monografia, do estágio e da minha saúde, mas eu disse pra ela que era mais simples e realmente era: quanto mais ela me ajudava a dormir, pior eu ficava. Eu só precisava de água e da minha cama no meu quarto. A crise alérgica passaria por contra própria. Ela então passou meia-hora arrumando e limpando o meu quarto, mesmo depois de eu dizer que não era necessário e que eu só queria dormir. Como se não bastasse eu deixá-la preocupada e ela ter me oferecido o quarto dela, ela ainda resolveu limpar meu quarto.

Por que ela me ajuda? Eu não mereço nada disso e eu não queria nada disso. Queria ficar sozinho para dormir. A ajuda dos outros me incomoda, especialmente porque aqueles que me ajudam se revelam bem mais capazes que eu e eu nunca posso reagir como eles esperam que eu aja. Acontece que, quando eu recebo ajuda, eu sempre acabo pior, porque eu me sinto na obrigação de mostrar progresso para quem está me ajudando. Por isso quero viver sozinho quando tiver minha casa própria, sem esposa e, de preferência, longe até dos meus amigos. O convívio com os outros muito me cansa.

Pra piorar, minha mãe só alimentou meu ressentimento em relação ao sexo oposto. Ela é muito mais forte e vigorosa que eu, mesmo idosa, insone e com a saúde comprometida. Eu só sou um nada que ela insiste em sustentar.

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