Analecto

24 de outubro de 2015

Vaporwave.

No último fim de semana, eu estava ouvindo o de sempre, e uma música estranha cheia de caracteres japoneses apareceu nos vídeos sugeridos.

O nome Macintosh apelou a mim. Pensei que fosse uma ou mais músicas feitas com um computador antigo e, no começo, pareceu que fosse um tipo de sequência ou música com amostras de baixa profundidade. Mas, conforme a música progredia, a profundidade das amostras aumentava e ficou claro que a música não era feita em um computador antigo como eu pensei, mas eu continuei ouvindo.

Muito boa a música. Porém, algo parecia errado ou, ao menos, diferente. A música repetia partes suaves com frequência quase nauseante e eu comecei a me sentir extremamente calmo. Além disso, da metade pra lá, o cuidado na concatenação de amostras começa a desaparecer, como se fosse um disco arranhado. De repente, no final, como se eu já não estivesse calmo o bastante, uma amostra da música em andamento consideravelmente mais baixo foi sobreposta à faixa principal, que começou a desaparecer em favor da amostra lesada. De repente, tudo ficou muito devagar, quase depressivo, e eu fui deixado com uma sensação formigando ao longo de todo o espírito.

Repeti a música o dia inteiro por dois dias e, quando fui pra aula de monografia, eu estava em uma profunda tranquilidade. Meu humor estava constantemente calmo e nada me perturbava. Foi radical.

Depois, pensei em procurar mais sobre aquela música e essa tal Macintosh Plus e vi que se tratava de um gênero da nova década de dez chamado vapor-wave e que, para alguns, tem conotações anti-capitalistas, embora isso pareça ser desmentido por autores do próprio gênero. A acusação de conotação anti-capitalista, embora não necessariamente comunista ou socialista, vem da estética construída ao redor da música, que é reminiscente dos anúncios utilizados nos anos oitenta e noventa, mas oferecidas de forma desagradável, como se o progresso econômico fosse desagradável. Isso aliado ao uso de amostras de músicas antigas editadas para tornarem-se deprimentes e desconfortáveis parece sugerir que os artistas estão dizendo: “as promessas feitas pela economia não se cumpriram e nunca estivemos tão infelizes, basta comparar o que se professava no passado com o que temos agora.” Mas essa é uma opinião que não é partilhada por todos, o que inclui a própria Macintosh Plus.

Político ou não, estou curtindo.

http://www.youtube.com/watch?v=cCq0P509UL4

17 de outubro de 2015

Nem acredito.

Filed under: Organizações — Tags:, , , , , — Yure @ 22:48

Este é o último semestre do meu curso de filosofia. Me custa acreditar que estou para terminar. Quando eu fiz os pedidos, orei para que eles fossem atendidos e foram, de fato, atendidos. Obrigado, Senhor, pela resposta! Quem dera eu poder pronunciar seu nome direito, espero que não se importe em eu usar Iavé ou Jeová.

Bom, eu preciso de cento e oitenta e oito créditos para terminar o curso, além de defender minha monografia, obter retorno dos estágios e, claro, juntar doze créditos em atividades extracurriculares, que é o que me preocupa no momento. Porém, em dois anos, juntei quase a quantidade de créditos necessários nesse ponto (equivale a duzentas e quatro horas, das quais tenho umas cento e oitenta). Dá para obter o resto das horas até o mês que vem, espero.

Para me ajudar a obter mais créditos, inclui também uma optativa, apesar de eu já ter dezesseis créditos de optativas.

1 de outubro de 2015

Atração por menores.

“Pessoas atraídas por menores” é um termo que refere-se a adultos que são atraídos por crianças ou adolescentes e também se refere a adolescentes que são atraídos por crianças. O conceito se sobrepõe a outros, como pedofilia e hebefilia. No entanto, esta categoria é relativamente nova e a maioria das pessoas não vê a diferença entre a atração por menores e a pedofilia, a qual é, em si, carregada de grandes quantidades de estigma. Por causa disso, a autoestima das pessoas atraídas por menores é severamente danificada, elas se escondem e desenvolvem ódio de si mesmas. Mas é importante que a pessoa atraída por menores entenda que ela não é uma ameaça para menores, que sua atração é aceita em outras culturas e que, colocando as coisas assim, a atração por menores não é uma doença por si só, mas é tornada tal pela sociedade. Isso deve ajudar as pessoas atraídas por menores a aceitarem-se de todo o coração, a ver os fenômenos culturais como passivas de mudança, a melhorar a compreensão de si mesmos e encaminhá-las a alguém que as ajude, se necessário.

Introdução.

Tente procurar a palavra “pedofilia” on-line agora mesmo. O que você provavelmente verá é uma série de artigos de notícias sobre casos de estupro infantil, molestamento ou coisa pior. No entanto, para um grupo de pessoas, essa é uma imagem muito reducionista. Estou falando de pessoas atraídas por menores. Essas pessoas reconhecem que têm sentimentos por menores, por isso estão em posição de julgar o que os outros dizem sobre elas. E para muitas pessoas atraídas por menores, as notícias não refletem quem elas realmente são.

O fenômeno da atração por menores é muito diverso para ser adequadamente descrito pelos meios de comunicação. Há pessoas atraídas por menores que são pedófilas, mas também há nepiófilas (atraídos por bebês) e hebéfilas (atraídos por pubescentes). Há pessoas atraídas por menores que sentem que a atração delas, apesar de ser ilegal, não precisa ser ilegal, mas outras preferem que as coisas continuem como estão. E o mais interessante é que há menores que são atraídos por menores mais novos, sem mencionar os menores que são atraídos por colegas da mesma idade.

O problema é que os meios de comunicação, ao espalhar a desinformação, fazem com que muitas pessoas atraídas por menores se sintam isoladas ou desesperadas. Eles não se veem nos monstros retratados nas notícias. Então, se você é obediente à lei e se sente atraído por menores, você pode pensar que é um de poucos ou que você logo infringirá a lei. Isso causa sentimentos de desespero. No entanto, esse desespero é baseado em uma falsa suposição: que todas as pessoas atraídas por menores são criminosos ativos ou potenciais.

Dito isto, procurar informações sobre a atração por menores em geral e a pedofilia em particular pode ser uma atividade muito dolorosa e infrutífera. O objetivo deste texto é fornecer informações precisas sobre a atração por menores para as pessoas atraídas por menores, a fim de fazê-las se sentir mais à vontade, ao mesmo tempo em que enfatiza a necessidade de se manter obediente às leis. A primeira seção tenta definir atração por menores, a segunda tenta explicar a diferença entre pensamentos e ações. Espero que, depois de ler isto, você consiga dormir bem. Porque o texto tem pessoas atraídas por menores como audiência, vou escrever em segunda pessoa.

Antes de prosseguir, eu preciso declarar que este guia não vai te ensinar a quebrar a lei: não há informação sobre aliciamento, compartilhamento de pornografia infantil, nada disso. Se você chegou a esta página esperando algo assim, temo que você fique desapontado. O texto é introdutório e, apesar de sua forma acadêmica, não deve ser visto como um relatório científico. Por favor, verifique as referências para mais informações.

Atração por menores.

Ser atraído por menores é ter uma ligação erótica com pessoas que ainda não são adultas. Porque “menor” é um termo cultural, não biológico, como “criança”, não há idade universal para alguém ser chamado de “menor”, ​​embora, na maioria das sociedades ocidentais, você seja um adulto apenas aos 18 anos de idade. Atração por bebês é chamada de nefiofilia, a atração por crianças pré-púberes é chamada de pedofilia, a atração por crianças e adolescentes púberes é chamada de hebefilia, a atração por adolescentes pós-pubescentes é chamada de efebofilia. É importante ressaltar que esses termos implicam uma atração preferencial: se você se sentiu sexualmente atraído por uma criança uma vez, mas foi uma ocorrência única ou se seu desejo por adultos é maior, você não é um pedófilo. Destes, apenas a pedofilia (e, por extensão, a nefiofilia) é considerada um transtorno mental, de acordo com a Classificação Internacional de Doenças e o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, mas somente se o pedófilo estiver profundamente angustiado pelos sentimentos que tem ou se ele agiu de acordo com o impulso. Dito isto, um pedófilo não é necessariamente doente mental, dependendo de quão bem o pedófilo lida com seus sentimentos. A razão pela qual a hebefilia e a efebofilia não são consideradas doenças, mesmo quando o sujeito se relaciona com adolescentes, é porque essas atrações são muito comuns para serem consideradas como anormais. Além disso, a classificação da hebefilia como transtorno mental teria efeitos indesejáveis ​​no campo forense ( Frances & First, 2011 ), o que poderia explicar por que a idade de consentimento ao redor do mundo pode ser tão baixa, como 12, em alguns países.

Enquanto pessoas atraídas por menores diferem em “idades de atração”, elas também diferem de acordo com posição política. A idade de consentimento é uma lei. Posicionar-se como favorável ou contra uma lei é uma posição política. Há pedófilos que são favoráveis ​​à reforma da idade de consentimento e há aqueles que não são. As pessoas atraídas por menores que são favoráveis ​​a baixar ou abolir a idade de consentimento são frequentemente chamadas de “pró-contato” ou “pró-consentimento”. Aqueles que são favoráveis ​​a deixar a idade de consentimento como está ou aumentá-la são frequentemente chamados de “anti-contato”. Esses rótulos não são indicativos de ficha criminal: uma pessoa pode ser pró-contato e obediente à lei. O sujeito obediente à lei é muitas vezes chamado de “não-ofensivo”. Nenhum dos rótulos implica uma posição sobre a pornografia infantil: há pessoas atraídas por menores que, mesmo sendo pró-contato, não querem a legalização da pornografia infantil, enquanto alguns anti-contatos podem querer a legalização de pornografia infantil de desenho, sendo contra a legalização de pornografia infantil com crianças reais.

Poder-se-ia perguntar por que você, por exemplo, adotaria uma posição particular sobre a idade do consentimento. Enquanto aqueles que são pró-contato argumentam que algumas relações entre adulto e criança, sexuais ou não, poderiam ser inofensivas ou mesmo benéficas, de uma forma que seria mais justo se essas relações fossem julgadas caso a caso (ver citação de “Trevor”, em Rivas, 2016 , página 92), aqueles que são anti-contato argumentam que o dano ainda acontece e que pode ser devastador ou que, mesmo que essas relações possam ser inofensivas e positivamente lembradas, elas ainda são imorais, porquanto o consentimento dado pela criança sempre pode ser questionado. O mero fato de que tal debate exista em comunidades atraídas por menores deve servir para dissipar o preconceito de que as pessoas sexualmente atraídas por menores são sempre antiéticas. Porque a sexualidade inclui vários elementos interpessoais e uma dinâmica entre a pessoa que deseja e a pessoa desejada, algo que é observado até mesmo em adolescentes (se houver adolescentes atraídos por menores, então o que é dito sobre o desejo adolescente em Drury & Bukowsky, 2013, página 128 e 129 também se aplica aqui), então é seguro dizer que a atração sexual é uma característica de uma resposta erótica mais ampla que inclui sentimentos de amor (para uma conta pessoal de um pedófilo, ver O’Carroll, 1980, capítulo 1). É improvável que você defenda qualquer das duas posições, desconsiderando a segurança e os sentimentos das crianças.

É importante notar também que as pessoas atraídas por menores nem sempre são adultas: de acordo com uma das pesquisas da B4U-ACT, a maioria das pessoas atraídas por menores sente sua primeira atração por uma criança menor aos 12 anos e percebe que tal atração é preferencial aos 14 anos. Isso significa que há adolescentes que são atraídos por crianças, por exemplo. Como uma pessoa que odeia pessoas atraídas por menores em consequência de seu desejo de proteger as crianças responde a isso? Proteger as crianças implica também proteger as crianças atraídas por menores. Então, odiar pessoas atraídas por menores em geral não é algo que possa ser conciliado com o desejo de proteger as crianças em geral.

Causas.

As causas da atração por menores não são claras. Ela parece ser notada pela primeira vez na adolescência e é resistente a mudanças. Considerando que até mesmo as pessoas com menos de 12 anos são seres sexuais e que têm brincadeiras sexuais entre si (para exemplos de atividade sexual na infância, ver Campbell et al, 2013 , páginas 154 a 157), pode-se pensar que o problema da atração por menores reside no fato de que a pessoa, quando cresce, continua a ser atraída por crianças, mas nem sempre é assim: algumas pessoas percebem que são preferencialmente atraídas por crianças também na idade adulta. O traço, no entanto, parece ser inerente. Não há como “se tornar” uma pessoa atraída por menor: você é ou não é. No entanto, pode-se falar de “descoberta”. Você se descobre como uma pessoa atraída por menores, mas não se pode dizer que um evento específico “desencadeou” a atração.

Por um tempo, pensou-se que ter contatos sexuais com um adulto faria com que a criança crescesse como pedófila. Essa linha de pensamento é chamada de “teoria do ciclo do abuso” e está sendo contestada atualmente. Parece não haver um vínculo necessário entre ter contatos sexuais na infância e crescer atraído por crianças, especialmente se esse contato for considerado negativo.

A única coisa que pode ser dita é que a atração por menores em geral e pedofilia em particular não são escolhas, com um punhado de pesquisadores afirmando que a pedofilia poderia ser uma orientação sexual. Se a atração por menores for uma orientação sexual, uma analogia com a homossexualidade é possível: nada pode te “tornar gay”, ou você é gay ou não é. Mas você pode dizer que “se descobre gay”. Embora isso não garanta que o sexo entre adultos e crianças deva ser legal, isso significa que, se os pedófilos não escolherem sua condição e a mudança dessa condição não for possível, odiá-los só por isso é injusto. Você não é responsável pelos sentimentos que tem, mas apenas por suas ações.

Características.

Pessoas atraídas por menores percebem sua primeira atração por volta dos 12 anos de idade. Ao contrário da crença popular, não é um fenômeno exclusivamente masculino: mulheres e meninas também podem ser atraídas por pessoas muito mais jovens do que elas. Os sentimentos que eles têm vêm em três níveis: carinhoso, romântico e sexual. No primeiro nível, você pode ter o desejo de cuidar dos jovens, oferecer orientação (ver artigo encontrado no New York Post, 2007, citado em Rivas, 2016 , páginas 113 a 115), proteger e estar disponível para as suas necessidades. Isso ajudaria a explicar por que tantos escândalos sexuais envolvem pessoas em posições de orientação, como padres ou professores. No segundo nível, o desejo é ter expressão emocional ( Rivas, 2016 , página 264). No terceiro nível, os desejos são voltados para o que poderíamos chamar de “molestamento”, em termos legais: tocar, acariciar, atos libidinosos que são mais frequentemente centrados na criança (ver citação de D. J. West, em O’Carroll, 1980, capítulo 3). Tem sido apontado na literatura que, pelo menos quando se trata de pedófilos (não incluindo hebéfilos ou efebófilos), a penetração é uma característica rara do contato sexual com crianças. Considerando que esses sentimentos sexuais podem coexistir com sentimentos amorosos, parece natural que os pedófilos, como pessoas atraídas por crianças pré-púberes, evitem a conjunção carnal, pois esta seria ao mesmo tempo dolorosa e provavelmente degradante para a criança (ver O’Carroll, 1980, capítulo 6, onde ele explica por que deveria haver uma idade de consentimento para certos atos de penetração). É improvável que uma criança imatura gostasse de penetração: perder a virgindade pode ser uma experiência dolorosa para meninas mais velhas e até mulheres, quanto mais para uma criança pequena. Uma criança nunca deve ser submetida a qualquer coisa além do seu nível de maturidade.

No entanto, como está implícito nos dois primeiros níveis de atração (carinho e romance), você provavelmente não sentiria gratificação se a criança ou adolescente não estivesse disposto a participar. Os leigos poderiam então perguntar “e os casos de estupro infantil que vemos na televisão?” Sabe-se agora que a maioria das pessoas presas por sexo com menores não preenche os critérios diagnósticos para a pedofilia. Em termos leigos, isso significa que a maioria das pessoas que são processadas por sexo com crianças não são pedófilos em primeiro lugar. Há várias razões para uma pessoa ter relações sexuais com menores e a pedofilia é apenas uma delas. A pessoa pode fazer sexo com um menor por experimentação, vingança, desejo de causar dor, intoxicação, desordem mental ou, em casos extremos raros, por ser forçado por um menor mais forte. Se apenas uma minoria dessas pessoas na televisão são pedófilos de verdade, os leigos devem estar mais preocupados com pessoas “normais” que poderiam abusar de seus filhos. Se um abusador realmente pode ser “qualquer um”, sabe-se agora que raramente é um pedófilo.

Finalmente, considerando o impacto social dessas relações e os sentimentos amorosos e românticos que coexistem com os sentimentos sexuais, não é surpresa que muitas pessoas atraídas por menores optem por permanecer celibatárias em relação a crianças e adolescentes (o exemplo clássico é a relação entre Alice Liddell e Lewis Carroll, como visto em Rivas, 2016 , páginas 247 e 248). De fato, mesmo entre aqueles que adotam uma visão pró-contato, ter um relacionamento sexual com um menor é visto como antiético, já que pode expor tanto o adulto quanto o menor às tribulações da intervenção social. Assim, os pedófilos que têm sentimentos sinceros de amor pelas crianças devem permanecer celibatários, mesmo que se julguem inofensivos, pelo menos até que o clima se torne mais receptivo a essas relações ( Rivas, 2016, página 271).

Existe um tratamento ou cura?

Quer a atração por menores seja uma orientação sexual ou um distúrbio, ela é resistente a mudanças. Sabemos que a terapia de aversão, antes usada como uma tentativa de transformar a atração homossexual em heterossexual, não funciona. De fato, a terapia de aversão já foi chamada de punição, do tipo cruel e incomum, por Leinwand. Essa punição ainda é aplicada a pessoas com atrações sexuais problemáticas. As técnicas de terapia de aversão incluem choque elétrico, indução de vômito, zumbidos de alta frequência e outros estímulos desagradáveis, enquanto, ao mesmo tempo, também é dado àquela pessoa algo que as excita sexualmente (veja notas em O’Carroll, 1980 , capítulo 4).

Se a atração por menores não puder ser modificada, o melhor que podemos fazer no clima atual é ajudar as pessoas atraídas por menores a permanecerem cumpridoras da lei enquanto melhoramos sua qualidade de vida. Quando você está isolado ou tem a sensação de “não ter mais nada a perder”, você está mais propenso a quebrar a lei. Isso significa que isolar as pessoas atraídas por menores da sociedade não é útil para os objetivos da sociedade, nem para seus objetivos de permanecer na lei. Com isso em mente, o grupo terapêutico B4U-ACT não defende o tratamento que visa “curá-lo”, especialmente porque o B4U-ACT não vê atração por menores como uma doença. Os terapeutas que trabalham com o B4U-ACT devem se dedicar ao tratamento humano, com foco no seu bem-estar, o que diminui as chances de quebra da lei.

Sentimentos e ações.

Sentir atração por menores é diferente de agir segundo tal atração. Para fazer uma analogia, várias pessoas têm vontade de fazer coisas ilegais: assassinar ou espancar uma pessoa que não gosta, experimentar drogas ilícitas ou jogar jogos ilícitos. No entanto, ter esses sentimentos não garante que uma pessoa agiria de acordo com esses impulsos. Mas as pessoas têm direito às suas fantasias. O mesmo vale para você.

No Japão, a pornografia infantil desenhada, sob a forma de mangá lolicon / shotacon, é tolerada. Mas a disponibilidade de tal pornografia (como acontece com qualquer pornografia) não parece aumentar as taxas de abuso sexual infantil no Japão (Diamond & Uchiyama, 1999, página 10). Segundo o International Business Times, ambos os Estados Unidos e o Reino Unido, dois territórios que investem muito na luta contra a pedofilia, aparecem na lista dos cinco países com maiores índices de abuso sexual infantil. É importante lembrar que a informação vem de uma agência de notícias e que a definição de “criança” no artigo não é fornecida. Mas vamos supor que a lista esteja correta. Se for, como podemos explicar tal fato?

Em um estudo sobre a presença de pornografia e sua correlação com as taxas de crimes sexuais, descobriu-se que a República Tcheca tinha menores taxas de abuso sexual infantil depois de legalizar a posse de pornografia infantil (Diamond et al, 2011, página 1039). Embora isso não garanta que a pornografia infantil deva ser legal, isso pode significar que a presença de pornografia infantil torna os pedófilos, em particular, menos propensos a procurar encontros com crianças reais. Isso poderia ajudar a explicar por que as taxas de abuso sexual infantil são baixas no Japão, mas altas nos Estados Unidos: o Japão permite que os pedófilos tenham uma saída para seus sentimentos, dando-lhes uma descarga segura. Desde que tal saída seja mangá, crianças reais não precisam participar da produção. Por isso, há algumas pesquisas sobre pornografia infantil de realidade virtual, que serviria ao mesmo propósito. Embora as evidências mostrando que a pornografia infantil faz com que os pedófilos fiquem menos propensos a se relacionar com crianças sejam inconclusivas, vale a pena investigar cientificamente até que ponto a pornografia que não envolve crianças reais, como o mangá ou a realidade virtual, é capaz de imitar esse efeito. Portanto, se você for contra qualquer modificação nas leis de idade de consentimento, essa possibilidade é algo que você deve considerar.

Mesmo que nenhuma saída seja dada, ninguém pode tirar seu direito de fantasiar. Não é possível tornar pensamentos e sentimentos ilegais. Enquanto você tiver uma maneira de ter alívio sexual legal, a propensão para quebrar a lei será menor. Além disso, existem outras formas de expressão que não são sexualmente explícitas. Por exemplo, um romance sobre esse tema foi publicado em 2018. Não foi o primeiro livro de seu tipo e provavelmente não será o último. Outro exemplo seria o filme I Love You, Daddy, lançado em 2017. A existência de obras de ficção legais com tais temas mostra que a sublimação do desejo através do trabalho artístico também é possível e também pode ser feita de forma aceitável, legal e até mesmo lucrativa. É importante notar também que tais obras podem muito bem terem sido escritas feitas por pessoas que não são atraídas por menores de idade.

Idade de consentimento e cultura.

A volatilidade das leis as torna inadequadas para definir o que é doentio e o que não é, mesmo que elas possam ditar o que é socialmente aceitável e o que não é. Essa é uma questão importante a ser considerada para o bem-estar das pessoas atraídas por menores, porque parte da vergonha que sentem sobre seus sentimentos vem do fato de que muitas formas de atração por menores são ilegais em determinado território.

A idade do consentimento varia de acordo com as culturas, ou seja, de acordo com tempo e local. As primeiras idades de consentimento eram muito baixas. Nos Estados Unidos, por exemplo, a idade de consentimento costumava ser 7 em Delaware. Movimentos sociais, especialmente o feminismo (ver, por exemplo, Sandfort, 1987 , capítulo 1), desempenharam um papel na mudança dessa imagem. Mas até hoje, as idades de consentimento podem ser muito baixas em outros lugares: a menor idade de consentimento no Japão é 13, a idade de consentimento no Brasil é 14 em todo o país e é 12 nas Filipinas. O caso do Brasil é especialmente interessante porque a idade de consentimento no Brasil era de 16 anos em 1920, atualmente é de 14 anos e havia uma proposta para diminuir para 12, seguindo, entre outras coisas, a descoberta de que a idade de consentimento estava interferindo nos romances adolescentes. Assim, dos países que acabei de mencionar, o Brasil mostra uma tendência a diminuir sua idade de consentimento com o passar do tempo. Há também países sem idade de consentimento, mas que têm limites mínimos de idade para o casamento, os quais também podem ser bem baixos. Esses países frequentemente impõem restrições à atividade sexual para mantê-la dentro do casamento. Então, em alguns países, se você é casado, a disparidade de idade não importa. Por último, em culturas isoladas indígenas, tal lei também pode estar ausente (para vários exemplos de tais tribos, ver O’Carroll, 1980, capítulo 2). Por fim, existem iniciativas contra o próprio conceito de idade de consentimento, como o programa partidário do Partido Comunista da Grã-Bretanha (CPGB-PCC), que lista, como uma de suas demandas imediatas, a abolição das leis de idade de consentimento e a elaboração de legislação alternativa contra o abuso sexual infantil. Por outro lado, um movimento mundial para aumentar a idade de consentimento em todo o globo não poderia ser feito sem encontrar muita resistência cultural, especialmente no Oriente. Esse movimento levaria décadas para ter sucesso.

Isso significa que ter casos românticos ou sexuais com menores nem sempre é ilegal, dependendo do contexto cultural (isto é, das leis locais e do período histórico). Se você tivesse nascido no lugar certo, na hora certa, sua atração seria tolerada, aceita ou mesmo valorizada. Não é que você seja doente; você apenas nasceu na cultura errada. Embora isso seja um fato e embora a idade de consentimento seja uma lei volátil, essas informações sozinhas não devem ser vistas como uma incitação para violar a lei, nem como um incentivo para se relacionar com crianças. Tal volatilidade foi exaustivamente apontada em outros trabalhos (veja as referências para alguns).

Considerando isso, pode-se perguntar por que a idade de consentimento no Reino Unido e nos Estados Unidos, por exemplo, é tão alta. Um dos argumentos para manter uma alta idade de consentimento é que as crianças amadurecem em ritmos diferentes: um adolescente de 15 anos poderia se comportar como se tivesse 12 anos, apesar de outra pessoa de 15 anos ser capaz de se comportar como se tivesse 18 anos. Assim, definir uma idade de consentimento alta pode garantir que nenhuma criança ou adolescente subdesenvolvido consinta com algo que eles, na verdade, não entendem.

Estatísticas e anedotas.

Porém, idades mais baixas de consentimento implicam que relacionamentos em uma certa idade podem não ser violentos. Isso leva à pergunta sobre se o contato sexual antes da idade do consentimento é sempre prejudicial ou não. As relações entre adultos e crianças podem funcionar? A evidência estatística e anedótica mostra que as relações intergeracionais não são consistentemente prejudiciais. Se o contato sexual precoce fosse sempre prejudicial, a idade do consentimento variaria menos. Além disso, se esse fosse o caso, a idade de consentimento seria uma lei muito mais antiga, como as leis contra assassinato, violência, estupro e roubo.

A consideração sobre contatos sexuais precoces lembrados como positivos não seria incluída neste documento se não fosse registrado na literatura que o conhecimento de tal informação poderia melhorar sua autoestima. Mas uma discussão sobre a intimidade sexual entre adulto e criança não pode ser feita sem considerar as razões para a proibição.

Evidências não demonstram a crença de que a intimidade sexual entre adultos e crianças é sempre prejudicial. Alguns desses contatos são lembrados como positivos. Um dos livros usados ​​como referência para este texto é Positive Memories, de Rivas, que compila anedotas de contatos sexuais voluntários entre menores de 15 anos ou menos com adultos de 18 anos ou mais ( Rivas, 2016 , página 9). Essas anedotas foram extraídas de outros trabalhos, como biografias, artigos de notícias, artigos científicos e outros. As fontes podem ser encontradas na bibliografia do livro. Outras compilações estão disponíveis em outros lugares.

Alguns estudos que poderiam ser usados ​​para provar a existência de relações intergeracionais não violentas estão por aí. Alguns que eu posso mencionar são Arreola et al, 2008; Arreola et al, 2009; Bauserman & Rind, 1997; Carballo-Diéguez et al, 2011; Condy et al, 1987; Dolezal et al, 2014; Kilpatrick, 1987; Lahtinen et al, 2018; Leahy, 1996; Mulya, 2018; Rind, 2001; Rind, 2016; Rind & Tromovitch, 1997; Rind & Welter, 2013; Rind & Welter, 2016; Rind et al, 1998; Sandfort, 1984; Sandfort, 1987; Tindall, 1978; Ulrich et al, 2005-2006; Wet et al, 2018. Esses estudos oferecem evidências estatísticas e anedóticas de que o contato sexual entre adulto e criança pode ser inofensivo e voluntário (isto é, não violento). Você pode notar que alguns desses estudos são relativamente recentes, enquanto outros são antigos. Seria interessante verificá-los se você gostaria de ler mais sobre o assunto. Mas não é meu objetivo expor os dados que foram coletados por esses pesquisadores.

Também vale a pena mencionar que nenhum desses estudos assume uma posição pró-legalização definitiva. Por exemplo, Mulya, 2018, diz que anedotas de intimidade sexual positiva entre adulto e criança compiladas por ele não devem ser vistas como uma tentativa pessoal de tornar essas relações legalmente aceitáveis. Da mesma forma, o estudo de Lahtinen et al, 2018, apenas tenta explicar por que algumas crianças não denunciam contato sexual com adultos às autoridades quando tal contato acontece e uma das descobertas do estudo é que algumas crianças não relatam porque não veem o contato como algo que valha a pena mencionar, enquanto alguns não relatam porque gostaram da experiência. Mas o estudo não conclui que tais experiências devam ser legalizadas, mas sim que as crianças devem ser encorajadas a denunciar, independentemente de como avaliam a experiência. Dito isto, a mera exposição desses dados não deve ser vista como incentivo para violar a lei. Além disso, os dados científicos por si só não podem operar mudanças na lei e, se a ciência quiser ser imparcial, ela não deve se preocupar com o clima político ou com a lei, mas com os fatos.

Se as relações intergeracionais podem ser positivas, por que o contato sexual entre adulto e criança ainda é ilegal? A resposta depende do consentimento informado. A crença de que as crianças não podem consentir parece ser a única razão pela qual esses contatos ainda são considerados sempre abusivos (ver citação de Archard, em Jahnke et al, 2017, página 3). Mas o que significa “consentir” neste contexto, já que muitos desses contatos são considerados “voluntários” pela suposta vítima?

O consentimento informado é necessário quando o risco está presente: sempre que você está prestes a fazer algo perigoso, você precisa estar ciente das consequências de um ato e deve ser capaz de tomar uma decisão livre sobre correr o risco ou não (ver Lavin, 2013, página 5). O sexo é considerado arriscado, no sentido de potencialmente prejudicial. Se o sexo é potencialmente prejudicial, todos que se envolvem em práticas sexuais devem dar o consentimento informado, isto é, devem estar cientes das consequências e ser capazes de assumir uma postura livre ao assumir o risco ou não. O problema do contato sexual entre adulto e criança é que, enquanto alguns adultos não estão plenamente conscientes das consequências de seus atos e enquanto o desequilíbrio de poder é inerente às relações humanas, as crianças são ignorantes das consequências e estão em posição desfavorecida em relação a todo o resto da sociedade. O consentimento informado baseia-se em informações ou em dinâmicas de poder favoráveis ​​e nenhuma das duas coisas existe para a criança em tal relacionamento. E isso também explica por que a idade de consentimento varia de acordo com as culturas: diferentes países têm diferentes atitudes em relação ao sexo, juventude mais ou menos informada, extensão mais ampla ou mais estreita dos direitos das crianças, em diferentes contextos históricos. Então, quando alguém diz “as crianças não podem consentir”, o que elas estão dizendo, em termos funcionalistas, é:

  1. as crianças não são informadas o suficiente para dar um consentimento válido em relações sexuais inerentemente desiguais e;

  2. essa questão é importante porque o sexo é arriscado, isto é, potencialmente prejudicial.

Porque dar consentimento a um ato sem informação sobre as consequências é uma escolha nula e porque dar consentimento em uma situação onde você não pode realmente dizer “não” (pois um adulto perigoso poderia tentar forçar a criança se o consentimento for negado) também é um ato nulo, o consentimento da criança é nulo ou, pelo menos, não informado, portanto, juridicamente inválido (caso a criança tenha consentido, o que não significa que a lei relevará tal consentimento). Não importa se a criança disse sim: se o seu consentimento é nulo, o ato é equivalente ao estupro, mesmo que apenas em termos puramente legais (daí o termo “estupro” de vulnerável). Essa é a razão por trás do consentimento informado e a razão pela qual o contato sexual entre adulto e criança permanece ilegal. Mesmo que o ato seja genuinamente praticado livremente e mesmo que nenhum dano, mas apenas benefício, resulte do ato, ele ainda é imoral.

Para muitas coisas, pais e responsáveis ​​consentem no lugar de seus filhos (Lavin, 2013). Então, quando se trata de questões sexuais, mesmo que a idade de consentimento fosse abolida, isso não equivale à liberação plena da criança. A criança ainda seria cuidada e nutrida pelos pais, que seriam responsáveis ​​por ela e responsabilizados pelo dano que a criança poderia sofrer de qualquer coisa, sexual ou não. Por causa disso, muitos pais não aceitariam seus filhos se envolverem em tais aventuras, mesmo que a criança venha expressar seu desejo de participar.

Em qualquer caso, as crianças têm seu próprio ritmo de amadurecimento e cada criança se desenvolve de maneira diferente. Crianças deveriam aprender sobre sua sexualidade à sua maneira. Essa é uma situação muito complicada, porque a introdução de elementos adultos em uma sexualidade que ainda está em desenvolvimento poderia prejudicar tal desenvolvimento, o que poderia resultar em frustração para a criança, talvez não imediatamente, mas depois que ela cresce. Ainda teríamos que considerar a possibilidade de adultos egoístas enganarem ou manipularem a criança ou, de alguma forma, tentarem fazer com que seu interesse prevaleça sobre o interesse da criança. Se isso é uma possibilidade, a legalização continua sendo arriscada. Tenho certeza de que você pode ser uma pessoa amorosa, mas outros podem não ser muito. E finalmente, uma criança e um adulto em uma relação sexual poderiam estar procurando por coisas diferentes: o adulto poderia estar procurando por intimidade física e apegos emocionais, enquanto a criança seria motivada pela curiosidade e prazer. Se as motivações forem diferentes, o relacionamento pode não ser satisfatório para ambos.

Além disso, mesmo que exista um contato sexual positivo entre adulto e criança e mesmo que evidências anedóticas mostrem que há menores desejando tais encontros, o ato, quando descoberto, causará danos a ambas as partes do relacionamento, devido ao processo judicial e possível terapia posterior. Reitero que agir segundo esses desejos em um contexto cultural que desaprova tal conduta é uma demonstração de irresponsabilidade. As pessoas atraídas por menores pró-contato estão interessadas em mudar as leis (ver Sandfort, 1987, capítulo 3 para um exemplo de tentativa de reforma da idade de consentimento na Holanda), mas não devem estar interessadas em violar as leis, não apenas por causa de sua própria segurança, mas também por causa de como a criança poderia responder à intervenção (para uma anedota sobre como a intervenção social sozinha pode prejudicar tanto o adulto quanto a criança, ver Rivas, 2016, páginas 27 a 32)

Conclusão.

Se você não necessariamente cometerá nenhum crime, se a maioria das pessoas que cometem crimes sexuais contra crianças não são pedófilos e se tais atrações foram, são e poderiam ser aceitáveis ​​dependendo do contexto cultural, então você não tem motivos para se sentir mal. Se isso é tudo o que você precisava ouvir ou ler, você poderia deixar de lado a questão e parar de se preocupar com ela, pois é a carga social atribuída aos sentimentos, e não os sentimentos em si, que causam a vergonha e a culpa. Isso quer dizer que é a sociedade que faz você se sentir mal, não os sentimentos que estão presentes em você.

Se for esse o caso, você poderia se beneficiar de alguma companhia para, pelo menos, lidar com a sensação de isolamento. Existem comunidades legais on-line e fora da Internet nas quais as pessoas atraídas por menores podem confiar, trocar experiências e receber orientação de pessoas que compartilham a atração. Claro, você também é encorajado a evitar comunidades ilegais. B4U-ACT tem um grupo de mútuo apoio, por exemplo. Outras comunidades como Boychat / Girlchat, Virtuous Pedophiles e os grupos JORis da NVSH (este último na Holanda) também são opções. Destes, apenas o Virtuous Pedophiles têm exigências políticas de associação, já que a pessoa que se junta ao seu grupo também precisa ser contra a legalização. Devo lembrar ao leitor que o fato de alguém ser favorável a mudanças na lei não indica que a pessoa é criminosa. B4U-ACT, Boychat / Girlchat e os grupos JORis de NVSH não possuem essa exigência política. Como o B4U-ACT quer alcançar o maior número possível de pessoas atraídas por menores, faz sentido que ele não professe qualquer ponto de vista específico sobre a questão do contato: quando a Paedophile Information Exchange operou no Reino Unido, o ativismo pró-contato da organização fez com alguns membros se distanciassem do grupo ( O’Carroll, 1980, capítulo 11). Quando se trata de reforma da idade de consentimento, grupos de autoajuda e ativismo político são difíceis de conciliar, se não impossíveis. Dito isto, se um grupo de apoio para pessoas atraídas por menores quiser alcançar o maior número possível de pessoas, ele deve evitar qualquer posição definitiva sobre a idade de consentimento, o que encorajaria a participação de pessoas atraídas por menores não obstante seu posicionamento em relação às leis. Tal atitude também manteria a própria organização segura. Os grupos JORis e B4U-ACT também realizam reuniões fora da Internet de vez em quando, mas, enquanto os grupos JORis tentam ser um grupo de apoio onde as pessoas podem se apresentar e falar sobre suas lutas para receber apoio de pares, as reuniões presenciais da B4U-ACT são de natureza acadêmica e pesquisadores também participam. Enquanto as pessoas assistem às reuniões do B4U-ACT por conta própria, algumas pessoas são encaminhadas aos grupos JORis pelo sistema de justiça.

Não ver atração por menores como algo negativo e ter amigos que entendem tal atração e escutam você é crucial para o seu bem-estar, o que evita a temida mentalidade de “não ter nada a perder”, o que faria as pessoas atraídas por menores assumirem comportamentos desesperados, como o suicídio. Se as pessoas odeiam pessoas atraídas por menores porque acreditam que elas sempre quebram a lei e todos aqueles que quebram a lei são atraídos por menores, então não há razão para pessoas atraídas por menores, já que essa crença é comprovadamente errada. Não vale a pena odiar você. De fato, se você é obediente à lei, você pode se passar como pessoa perfeitamente “normal”. Muitos provavelmente são amigos de pelo menos uma pessoa como você.

Para dissipar os preconceitos que existem sobre as pessoas atraídas por menores, a melhor solução seria a participação social deles. É muito mais seguro “se assumir” online, em contas dedicadas, e muitos o fizeram no Facebook, Twitter, Youtube, WordPress, Tumblr, Medium e assim por diante. A liberdade de expressão é um direito humano e a liberdade de pensamento é algo que não pode ser tirado de você. Nenhuma petição pode mudar isso. Se você puder se assumir on-line, especialmente se souber separar sua identidade pública de uma identidade on-line, isso já será útil. O preconceito contra pessoas atraídas por menores só existe porque os outros podem dizer o que quiserem sobre uma minoria silenciosa. Quantas pessoas atraídas por menores estão por aí? O palpite mais baixo, de acordo com a página de fatos do B4U-ACT, é de 600.000 adultos, contando apenas os Estados Unidos. Quantos existem em outros países? Todas essas pessoas são más?

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A comunicação de massa controla o receptor.

Este texto é uma interpretação livre do texto “O Fechamento do Universo da Locução”, do Herbert, para a disciplina de filosofia social e política dois.

Quase não se nota, porque está em nossa frente o tempo todo. O ato de falar é algo tão natural que por vezes não percebemos como algo tão normal e corriqueiro pode se tornar um dispositivo de controle. Porém, as estranhas regras com que nos deparamos ao estudar gramática nos apontam que algo parece errado. Por que a linguagem escrita, por exemplo, às vezes é tão difícil? Quem a instituiu dessa forma?

Mas isso é apenas um dos espinhos do ouriço. A linguagem que usamos é absorvida pelo sistema capitalista avançado e transformada em meio de controle pelos psicólogos do setor de recursos humanos, por exemplo. A seguir, veremos como isso se dá, enumerando cinco aspectos da “linguagem funcionalista”.

A linguagem pode ser hipnótica.

Na expressão desses hábitos de pensar, a tensão entre aparência e realidade, fato e fator, substância e atributo, tende a desaparecer. Os elementos de autonomia, descoberta, demonstração e crítica recuam diante da designação, asserção e imitação. Elementos mágicos, autoritários e rituais invadem a palavra e a linguagem.

–  página 93.

Em primeiro lugar, é preciso lembrar que nosso país é regido por um governo, que regula várias coisas. Entre elas, nossas diversões, nossos trabalhos e vários outros comportamentos coletivos. Como nosso país deve ter uma relação estável com outros países, inclusive os outros países que também falam português, o governo também tem um controle sobre nossa linguagem, principalmente a escrita e oficial. Mas, se é do interesse dos que apoiam o acordo ortográfico que o português em todos os países que o têm como língua oficial se aproxime, porque que nossas formas de português nunca se harmonizam, mesmo após tantos ajustes? Muitos apontarão que é uma questão cultural, mas alguém poderia argumentar que a linguagem de um Estado também está a serviço das aspirações daquele Estado. Assim, estados diferentes têm linguagens diferentes, mesmo quando falam todos a língua portuguesa. Como está no interesse do Estado manter seus cidadãos sob controle, a língua, que também lhe é dada como um recurso a ser regulado, pode muito bem se tornar um dispositivo de controle ou mesmo de exclusão e perpetuação do estado vigente de coisas (afinal, os pobres de um modo geral têm poucas oportunidades de aprender a norma culta, excluindo-os de âmbitos onde ela é requisitada).

Linguagem pode ser conformista.

Essas identificações, que apareceram como uma particularidade do operacionalizado, reaparecem como características da locução no comportamento social. Aqui, a otimização da linguagem ajuda a repelir os elementos não-conformistas da estrutura e do movimento da palavra. O vocabulário e a sintaxe são igualmente afetados.

– página 93.

A linguagem que se lê nos meios de comunicação de massa é uma linguagem dos fatos, dos seres, e isso, para o filósofo, é incompleto, porque suprime as possibilidades. Assim, é uma linguagem meramente descritiva e não reflexiva; imediata e impessoal. Ela não requer esforço do leitor ou do ouvinte, deixando pouco espaço para a interpretação, acomodando aquele que recebe a informação.

É a linguagem que permite uma passividade, exigindo apenas que o receptor ouça ou leia, sem se preocupar com significados ocultos. É uma frase que é antes de tudo aceitável. Ou você a aceita ou não. Não há necessidade de demonstração ou qualquer raciocínio. Mas isso implica que a linguagem hipnótica não explica a realidade e de fato não o faz. Ela não se dirige à realidade completa, mas aos pedaços que interessam. Por isso é fácil assimilar.

Claro que a gíria e outras formas de linguagem criadora existem, mas seus falantes precisam pactuar com aquilo que chamamos de “linguagem formal” cedo ou tarde, para fazer tarefas necessárias ao cidadão. Então, pelo contraste de utilidade, a linguagem funcional e formal obtém caráter mais elevado, enquanto que a linguagem que não partilha características com ela é considerada inferior.

A codificação é interesseira.

Quanto ao significado, diz o filósofo:

Substantivos como “liberdade”, “igualmente”, “democracia” e “paz” implicam, analiticamente, um conjunto específico de atributos que ocorrem invariavelmente quando o substantivo é pronunciado ou escrito.

–  página 95.

Lembre-se que o Estado também tem controle sobre os meios de comunicação. Através do rádio, da televisão e de outros meios como esses, o Estado pode codificar um significado determinado para palavras como liberdade, paz e semelhantes, pela associação de notícias ou conteúdos bons ou maus com essas palavras. É assim que uma palavra antes considerada ofensiva torna-se elogio e um comentário neutro torna-se pejorativo. Em outras palavras, por um processo comportamental de associação de ideias, aquela palavra que está tendo seu significado moldado está sendo “treinada” para invocar no ouvinte ou no leitor uma gama de sensações sempre que é escrita ou pronunciada. A exemplo disso, temos o termo “comunismo”, que é visto como tabu no Ocidente por causa da propaganda negativa feita sobre ele. Então, a propaganda e os meios de comunicação têm uma influência direta sobre o desenvolvimento do significado. Ou, nas palavras do filósofo:

O fato de um substantivo específico ser quase sempre ligado aos mesmos adjetivos e atributos “explicativos” transforma a sentença numa fórmula hipnótica que, infinitamente repetida, fixa o significado na mente do receptor. Este não pensa em explicações essencialmente diferentes […] para o substantivo.

– página 98.

Claro que isso tem seu impacto no comportamento da pessoa. Sempre que a palavra é pronunciada, imagens, emoções, sentimentos e julgamentos de bem ou mal propagados pela mídia sobre aquela palavra sobrevém ao indivíduo. Então, a chance de ele reagir de determinada forma, isto é, da forma esperada por quem quer que o controle, é maior.

Diante disso, pode-se afirmar que a linguagem dos meios de comunicação, como dispositivos controlados pelo Estado, afetam as emoções, os sentimentos e as ações da população, através de sentenças curtas, com substantivos de significado deturpado, que são repetidas enfaticamente.

Existe uma identidade ser e fazer.

A “coisa identificada com sua função” é mais real do que a coisa distinta de sua função, e a expressão linguística dessa identificação […] cria um vocabulário e sintaxe básicos que se interpõem à identificação, separação e distinção.

– página 101.

Quando o filósofo diz que a sociedade moderna suplanta a metafísica com a tecnologia, ele está dizendo que esta é uma sociedade na qual o ser das coisas, no sentido conceitual, pouco tem de importante em relação à finalidade das coisas. Ou seja, algo não tem valor em si mesmo, mas apenas enquanto meio de obtenção de algo. Que importa o que algo é? Importa para que serve! Esse é um pensamento tipicamente científico, mecanicista e, obviamente, pragmático.

A reflexão acerca do que algo é permite que vejamos outros usos para o objeto de reflexão, portanto é uma metafísica que opera para a quebra a codificação tradicional do ser de algo. Quando a sociedade identifica o ser com o fazer e o sujeito considera o ser abstraído do fazer, ele tem sua visão sobre aquele ser alargada, permitindo originalidade e uma quantidade intolerável de liberdade. O empregado não deveria ser capaz disso.

Identificam-se coisa e função.

A característica do operacionalizar – tornar o conceito sinônimo do conjunto de operações correspondente – reaparece na tendência linguística para “considerar os nomes das coisas como indicativos, ao mesmo tempo, do seu modo de funcionar, e os nomes das propriedades e processos como simbólicos do aparato usado para captá-los e produzi-los”. Isso é raciocínio tecnológico, que tende a “identificar as coisas e suas funções.”

– página 94.

Não convém ao sistema capitalista que as pessoas dêem novos propósitos àquilo que elas têm. Por exemplo, quando algo não serve mais para determinada função, esse algo é propositado para comportar a função que é desempenhada por outro tipo de mercadoria, por vezes até mais cara, de forma que o sujeito seja desencorajado de adquirir mercadoria mais cara. Tudo por causa de um objeto que não mais serve para sua função codificada e que não necessariamente será reposto. Esse fenômeno chama-se “reciclagem”, uma prática que só é encorajada pelo sistema capitalista para dar-lhe uma aparência mais humana, apesar de acabar posando um problema para o sistema se praticada em larga escala.

Então, é do interesse do sistema que haja uma identidade ser e fazer, de forma que uma coisa sirva apenas para uma função ou grupo de funções e não possa ser propositada.

Mas isso nem é a parte trágica. Essa identidade ser e fazer também alcança seres humanos, que são identificados e dignificados segundo suas profissões.

Identificam-se pessoa e função.

Nos setores mais avançados da comunicação funcional e manipulada, a linguagem impõe, em construções verdadeiramente surpreendentes, a identificação entre pessoa e função.

– página 99.

Observe como raramente a mídia chama pessoas pelo nome. São sempre os “trabalhadores do setor”, os “pequenos empresários”, os “manifestantes” e outros adjetivos. Às vezes, isso é necessário, pois não é possível sempre nomear todos os envolvidos em um movimento, mas nem mesmo os chefes de manifestações populares, por exemplo, são citados por nome. Quando alguma pessoa célebre tem seu nome mencionado, rapidamente sua função é adicionada, quando não é posta em frente ao nome.

Isso serve para duas coisas. A identificação de uma pessoa com sua função nos faz, como seres humanos carentes de aceitação, assumir um rótulo relevante na sociedade, o que implica fazer parte do sistema capitalista como um funcionário de determinada classe. Depois, também serve para manter a pessoa naquela função, com o discurso de que uma pessoa só é “alguém” se tiver uma profissão reconhecida.

Cria-se assim uma sensação de completude no sujeito seguido de um adjetivo que descreve sua função. Ele não apenas existe, mas também atua. Assim, a pessoa passa despercebida se não tem qualquer função reconhecida. O adjetivo passa, então, a ter mais importância que o substantivo, o qual, quando tomado em separado, poderia passar a qualquer ação. O que seria d presidente sem o adjetivo de presidente da república? O primeiro impulso de uma vítima do controle exercido pelo sistema seria responder “nada”.

Existe uma unidade dos contrários.

Outrora considerada a principal ofensa à lógica, a contradição aparece agora como um princípio da lógica da manipulação […]. É a lógica de um sociedade que se pode dar ao luxo de dispensar a lógica e brincar com a destruição, uma sociedade com o domínio tecnológico da mente e da matéria.

– página 96.

Através, por exemplo, da colocação de hífens, a linguagem dos meios de comunicação de massa une coisas que deveriam ser opostas. Isso serve para dar um caráter de poder ao que é corriqueiro ou de conforto ao que é terrível. A exemplo disso, temos os abrigos, lugares onde normalmente se desenrola o terror psicológico do refugiado, que são vendidos com equipamentos que fazem você se sentir em casa: televisão, jogos, tapete… (página 97). Então, um aparato de guerra é rapidamente feito confortável e aceitável. Não é mais um lugar onde você pensa na guerra que ocorre lá fora. Assim, a guerra, que é um acontecimento tão horrível, torna-se algo banal para o indivíduo que pode ignorar seus terrores. Isso também é uma tática comportamental.

Na terapia cognitiva comportamental para crianças com medo de escuro, por exemplo, é dada aos pacientes uma barra de chocolate enquanto se aventuram, um passo de cada vez, nas trevas. Assim, enquanto experimentam prazer ao mesmo tempo que o medo, o medo fica menor e mais tolerável até extinguir-se. Isso significa que a contradição linguística, que associa coisas boas e más com naturalidade, mostrando que “tudo tem um lado bom”, dessensibiliza a pessoa para as coisas que deveriam deixá-la desconfortável.

Aceitam-se contradições como positivas.

É relativamente nova a aceitação geral dessas mentiras pela opinião pública e privada, a supressão de seu conteúdo monstruoso. A disseminação e a eficácia dessa linguagem são testemunho de vitória da sociedade sobre as contradições que ela contém; estas são reproduzidas sem fazer explodir o sistema social.

– página 96.

A exemplo dessas contradições linguísticas, o filósofo cita a “bomba limpa” e a “garoa radioativa inofensiva”. A pessoa que lê tais coisas sente, talvez, o conteúdo negativo nelas, mas bem mais amenizado. Mas lembre-se de que o capitalismo tem suas contradições: por ser um sistema pautado na competição, a riqueza de um gera a miséria de outro. Porém, para o indivíduo acostumado com essas contradições e que está apático, essas contradições são naturais e não poderia ser de outra forma. “Tudo tem um lado ruim” e o lado ruim do progresso é a miséria.

Poderia até ser que o indivíduo, ao ver notícias sobre miséria e pobreza pense em seu oposto, na riqueza, porque cada pessoa que é atropelada pelo sistema capitalista significa que alguém está sendo dignificado. As contradições do capitalismo passam então a ser aceitas como coisas inevitáveis e aceitáveis. A miséria passa a não mais ser ruim, mas pode até ser boa, como indicativo de progresso. Faz parte da vida! Nada é perfeito! Isso é o melhor que temos!

A contradição é uma imunização do discurso.

A unificação dos opostos que caracteriza o estilo comercial e político é uma das muitas formas pelas quais a locução e a comunicação se tornam imunes à expressão de protesto e recusa. Como poderão essa recusa e esse protesto encontrar a palavra acertada quando os órgãos da ordem estabelecida admitem e anunciam que paz é […] iminência da guerra, que as mais recentes armas têm etiqueta de preço lucrativa e que o abrigo antiaéreo pode significar aconchego?

– página 97.

Com essas contradições sendo postas uma ao lado da outra como coisas harmônicas, fica difícil recusar o sistema. Porque a recusa, como discurso, apela ao que é contrário, mas o contrário já foi assimilado em sua grande parte. Então, com que palavras se pode atacar um discurso que põe contradições como coisas harmônicas? Esse discurso não apenas insensibiliza o indivíduo à contradição, porque dessensibilização não significa aceitar. Ele faz o indivíduo aceitar a contradição como inevitável. Assim, quando um discurso de recuso se apresenta, o discurso conservador pode, como último recurso, apelar ao utilitarismo: fazemos mais bem do que mal, porque nunca é possível fazer só um dos dois.

É muito complicado atacar um discurso assim, porque somem o verdadeiro e o falso. Antigamente, apontar uma contradição seria o bastante para incitar a opinião pública contra um orador, mas agora a opinião pública duvida que seja possível discorrer sem contradição. Isso iguala os discursos, de forma que um não possa anular o outro.

Pior é melhor.

A estrutura não deixa lugar para distinção, desenvolvimento e diferenciação de significado: ela só se move e vive como um todo.

– página 99.

Num universo unidimensional e positivo, a língua controla por ser exageradamente enxuta. Ela é um meio de descrição dos fatos, com cada palavra tendo seu devido lugar, tendo uma sintaxe abreviada, e com seus significados “atualizados” de formas absurdas através dos meios de comunicação em poder do Estado, como a televisão e o rádio. Dessa forma, os cidadãos comuns não têm poder sobre a linguagem formal, que controla a estrutura da frase, a escrita das palavras e o desenvolvimento do significado.

A linguagem do funcionalismo é uma linguagem do “pior é melhor”. Esse é um ditado da cultura Unix que significa “uma estrutura simples, pequena, com poucos recursos é melhor que uma estrutura grande, lenta, mas com vários recursos.” E de fato, as sentenças da linguagem de comunicação em massa são simples, minúsculas, aceitáveis e de significado estático. Não é possível propositá-las, interpretá-las nem nada assim, cabendo ao leitor ou ouvinte apenas a tarefa de aceitá-las.

Como visto anteriormente, esse tipo de sentença é repetido constantemente, nos comerciais, bordões de loja, telejornais e discursos políticos. Até que chega um ponto em que a pessoa não tem mais como esquecer. A música popular norte-americana é um forte exemplo disso, com letras simples e de significado concreto, que são repetidas até onde a melodia permitir (por sinal, a melodia também é hipnótica, de forma que a pessoa não a esqueça facilmente, permitindo que a letra seja lembrada também). O fato é que essas são sentenças cuja estrutura desafia o princípio de que qualquer texto pode ser interpretado de diversas formas: elas só podem ser entendidas de um único jeito.

Não há escapatória.

A análise está “arrolhada”; o âmbito do julgamento está limitado a um contexto de fatos que exclui o julgamento do contexto no qual os fatos são criados pelo homem, e no qual o significado, a função e o desenvolvimento desses fatos são determinados.

– Página 118.

É especialmente importante para a linguagem do funcionalismo que a capacidade de julgamento seja prejudicada. Então apenas conclusões são oferecidas, novamente, em sentenças curtas e fechadas. O processo pelo qual essas conclusões vieram a ser é perdido. Afinal, quanto mais palavras a linguagem usa, mais amplo é o campo de ação do intelecto dentro dela e se a linguagem do funcionalismo opera pela manutenção da realidade dos seres, isto é, dos fatos, é importante que ninguém possa se posicionar contra ela e esse risco é minimizado em nossa cultura de cento e quarenta toques.

Quando uma tese é oferecida dessa forma, ela tem potencial circular. Por não ser possível ou por ser desencorajada a contradição, a afirmação é aceita como que por falta de opção. Ela valida a si própria.

Comprometida com essa estrutura, a investigação se torna circular e avaliadora de si.

– Página 118.

As traduções são perniciosas.

Na medida em que a Sociologia e a Psicologia operacionais contribuíram para atenuar condições sub-humana, elas são parte do progresso do intelecto e material. Mas também são testemunho da racionalidade bivalente do progresso que satisfaz em seu poder repressivo e é repressivo em suas satisfações.

– Página 116.

A linguagem comum é uma linguagem aberta, geral, que pode ser interpretada, enquanto que a do funcionalismo é curta e precisa. Quando uma reclamação em linguagem comum chega aos ouvidos ao gestor de recursos humanos (“os banheiros são anti-higiênicos”), ele a traduz em linguagem do funcionalismo, porque não poderia, como gestor de recursos humanos, trabalhar com declarações gerais (“em tais e tais ocasiões entrei nesse banheiro e o lavatório tinha alguma sujeira”, especificando que não é o tempo todo, não são todos os banheiros e que os banheiros não estavam completamente imundos). Daí, vemos que o problema tem causa específica, que é mau comportamento, fazemos umas campanhas e o problema logo está resolvido. Embora isso seja satisfatório, não pode ser em outros aspectos, como, por exemplo, no caso do empregado que reclama do salário, mas porque as despesas com o plano de saúde aumentaram, e a empresa dá um aumento para ele em particular. O fato é que a linguagem do funcionalismo se dirige a coisas particulares e não muda a natureza das coisas, mas se esforça em mantê-la, ao passo que dá aos trabalhadores a sensação de que suas queixas foram completamente resolvidas, mesmo quando isso se dá apenas no campo lógico.

As abreviaturas nada dizem.

Uma vez transformado em vocábulo oficial, constantemente repetido no uso geral, “sancionado” pelos intelectuais, terá perdido todo valor cognitivo e serve meramente ao reconhecimento de um fato indiscutível.

– Página 101.

As abreviaturas de organizações, como ONU (Organização das Nações Unidas), AFL-CIO (Federação Americana do Trabalho e Congresso de Organizações Industriais), quando ficam sem sua carga de novidade e são incorporadas à linguagem comum, acabam perdendo seu significado. Elas passam a ocultar contradições, como será demonstrado, permitindo que seu ofício verdadeiro seja ignorado de forma que ela não possa ser culpada por não cumprir seu trabalho, mas, por sua popularidade e repetição, ainda conseguem manter sua autoridade.

A história por trás de sua formação também é perdida. E isso também é interessante para o capitalismo avançado.

A lembrança do passado pode dar surgimento a perigosas introspecções e a sociedade estabelecida parece apreensiva com os conteúdos subversivos da memória.

– Página 104.

Então, é do interesse da linguagem do funcionalismo esconder contradições muito duras em abreviações, que são esvaziadas de seu significado e de sua história.

Elas ocultam contradições.

[…] não sugere o que Organização do Tratado do Atlântico Norte diz, a saber, um tratado entre nações do Atlântico Norte – caso em que se poderia levantar questão sobre a participação da Grécia e da Turquia.

– Página 100.

É do interesse da linguagem do funcionalismo que as contradições percam seu efeito, mas, quando não é fácil essa tarefa, convém que a contradição seja ocultada. E as abreviações permitem isso. Além do mais, quando a própria abreviatura esconde uma contradição, o órgão pode jogar livremente com as ideologias contraditórias implícitas, porque sua abreviatura, mesmo que não deixe a contradição clara, parece justificada depois que o significado é revelado (se o órgão tiver sobrevivido tempo o bastante para que seus atos contrários pareçam normais).

Então, as abreviaturas permitem que as contradições passem despercebidas, quando não é possível a dessensibilização da população para elas imediatamente.

A abreviatura não é esvaziada de autoridade.

[…] a abreviatura pode ajudar a reprimir perguntas indesejáveis.

– Página 100.

Uma atenção especial é dada pelo texto às abreviaturas. Embora abreviaturas sejam justificáveis quando o nome de determinada instituição é muito grande, algumas vezes as abreviaturas passam a não mais dizer coisa alguma senão certo nível de autoridade. Por exemplo, ONU nem sempre é conhecida como Organização das Nações Unidas, mas a repetição da sigla em telejornais enfatiza sua importância. Então, recomendações da ONU devem ser acatadas, apesar de não estar claro o que é a ONU e, sem explicação sobre o que é, fica difícil também saber o que a ONU deveria fazer.

Por causa disso, as abreviaturas são convenientemente esvaziadas de seu significado, sem, ao mesmo tempo, serem de sua autoridade. Assim, a ONU, que deveria manter as nações unidas, pode ficar sem culpa porque ninguém espera que ela faça isso.

Conclusão.

Depois do que foi exposto, fica claro que a própria linguagem é um instrumento de controle utilizado amplamente pelo sistema de coisas estabelecidas (capitalismo avançado), com o intuito de manter os cidadãos em seu devido lugar. A comunicação de massa, do funcionalismo, abreviada, incentiva a preguiça de pensar e o imediatismo, uma tendência a rejeitar a possibilidade de diferença, tanto por comodismo como por praticidade. É a linguagem que assegura que as coisas permanecerão como são, enquanto que outras formas de controle tem um papel mais ativo. Isso porque a linguagem dos seres oculta as possibilidades de diferença.

Se não vemos como poderia ser diferente, porque nosso discurso (logos) não o comporta, fica muito difícil mudar, mesmo quando os fatos atestam contra isso, sugerindo, vez por outra, que fatos não são a própria realidade.

Mudar essa realidade requer em primeiro lugar que diferenciemos o ser do fazer e percebamos que as pessoas e as coisas podem ser abstraídas de suas funções. Precisamos entender que nossa linguagem, a linguagem informal, tem sua importância e seu papel e que não deveríamos ser oprimidos pela linguagem formal, que é algo feito por nós. Não que a linguagem formal seja “do mal”, mas que ela não deveria ser usada como forma de opressão. Precisamos também separar as contradições dos discursos e perceber que termos contraditórios estão sendo usados como harmônicos e que um discurso verdadeiro não se compõe dessa forma; esse é o discurso de manipulação, que toma o ouvinte por tolo.

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