Analecto

1 de outubro de 2015

Atração por menores.

“Pessoas atraídas por menores” é um termo que refere-se a adultos que são atraídos por crianças ou adolescentes e também se refere a adolescentes que são atraídos por crianças. O conceito se sobrepõe a outros, como pedofilia e hebefilia. No entanto, esta categoria é relativamente nova e a maioria das pessoas não vê a diferença entre a atração por menores e a pedofilia, a qual é, em si, carregada de grandes quantidades de estigma. Por causa disso, a autoestima das pessoas atraídas por menores é severamente danificada, elas se escondem e desenvolvem ódio de si mesmas. Mas é importante que a pessoa atraída por menores entenda que ela não é uma ameaça para menores, que sua atração é aceita em outras culturas e que, colocando as coisas assim, a atração por menores não é uma doença por si só, mas é tornada tal pela sociedade. Isso deve ajudar as pessoas atraídas por menores a aceitarem-se de todo o coração, a ver os fenômenos culturais como passivas de mudança, a melhorar a compreensão de si mesmos e encaminhá-las a alguém que as ajude, se necessário.

Introdução.

Tente procurar a palavra “pedofilia” on-line agora mesmo. O que você provavelmente verá é uma série de artigos de notícias sobre casos de estupro infantil, molestamento ou coisa pior. No entanto, para um grupo de pessoas, essa é uma imagem muito reducionista. Estou falando de pessoas atraídas por menores. Essas pessoas reconhecem que têm sentimentos por menores, por isso estão em posição de julgar o que os outros dizem sobre elas. E para muitas pessoas atraídas por menores, as notícias não refletem quem elas realmente são.

O fenômeno da atração por menores é muito diverso para ser adequadamente descrito pelos meios de comunicação. Há pessoas atraídas por menores que são pedófilas, mas também há nepiófilas (atraídos por bebês) e hebéfilas (atraídos por pubescentes). Há pessoas atraídas por menores que sentem que a atração delas, apesar de ser ilegal, não precisa ser ilegal, mas outras preferem que as coisas continuem como estão. E o mais interessante é que há menores que são atraídos por menores mais novos, sem mencionar os menores que são atraídos por colegas da mesma idade.

O problema é que os meios de comunicação, ao espalhar a desinformação, fazem com que muitas pessoas atraídas por menores se sintam isoladas ou desesperadas. Eles não se veem nos monstros retratados nas notícias. Então, se você é obediente à lei e se sente atraído por menores, você pode pensar que é um de poucos ou que você logo infringirá a lei. Isso causa sentimentos de desespero. No entanto, esse desespero é baseado em uma falsa suposição: que todas as pessoas atraídas por menores são criminosos ativos ou potenciais.

Dito isto, procurar informações sobre a atração por menores em geral e a pedofilia em particular pode ser uma atividade muito dolorosa e infrutífera. O objetivo deste texto é fornecer informações precisas sobre a atração por menores para as pessoas atraídas por menores, a fim de fazê-las se sentir mais à vontade, ao mesmo tempo em que enfatiza a necessidade de se manter obediente às leis. A primeira seção tenta definir atração por menores, a segunda tenta explicar a diferença entre pensamentos e ações. Espero que, depois de ler isto, você consiga dormir bem. Porque o texto tem pessoas atraídas por menores como audiência, vou escrever em segunda pessoa.

Antes de prosseguir, eu preciso declarar que este guia não vai te ensinar a quebrar a lei: não há informação sobre aliciamento, compartilhamento de pornografia infantil, nada disso. Se você chegou a esta página esperando algo assim, temo que você fique desapontado. O texto é introdutório e, apesar de sua forma acadêmica, não deve ser visto como um relatório científico. Por favor, verifique as referências para mais informações.

Atração por menores.

Ser atraído por menores é ter uma ligação erótica com pessoas que ainda não são adultas. Porque “menor” é um termo cultural, não biológico, como “criança”, não há idade universal para alguém ser chamado de “menor”, ​​embora, na maioria das sociedades ocidentais, você seja um adulto apenas aos 18 anos de idade. Atração por bebês é chamada de nefiofilia, a atração por crianças pré-púberes é chamada de pedofilia, a atração por crianças e adolescentes púberes é chamada de hebefilia, a atração por adolescentes pós-pubescentes é chamada de efebofilia. É importante ressaltar que esses termos implicam uma atração preferencial: se você se sentiu sexualmente atraído por uma criança uma vez, mas foi uma ocorrência única ou se seu desejo por adultos é maior, você não é um pedófilo. Destes, apenas a pedofilia (e, por extensão, a nefiofilia) é considerada um transtorno mental, de acordo com a Classificação Internacional de Doenças e o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, mas somente se o pedófilo estiver profundamente angustiado pelos sentimentos que tem ou se ele agiu de acordo com o impulso. Dito isto, um pedófilo não é necessariamente doente mental, dependendo de quão bem o pedófilo lida com seus sentimentos. A razão pela qual a hebefilia e a efebofilia não são consideradas doenças, mesmo quando o sujeito se relaciona com adolescentes, é porque essas atrações são muito comuns para serem consideradas como anormais. Além disso, a classificação da hebefilia como transtorno mental teria efeitos indesejáveis ​​no campo forense ( Frances & First, 2011 ), o que poderia explicar por que a idade de consentimento ao redor do mundo pode ser tão baixa, como 12, em alguns países.

Enquanto pessoas atraídas por menores diferem em “idades de atração”, elas também diferem de acordo com posição política. A idade de consentimento é uma lei. Posicionar-se como favorável ou contra uma lei é uma posição política. Há pedófilos que são favoráveis ​​à reforma da idade de consentimento e há aqueles que não são. As pessoas atraídas por menores que são favoráveis ​​a baixar ou abolir a idade de consentimento são frequentemente chamadas de “pró-contato” ou “pró-consentimento”. Aqueles que são favoráveis ​​a deixar a idade de consentimento como está ou aumentá-la são frequentemente chamados de “anti-contato”. Esses rótulos não são indicativos de ficha criminal: uma pessoa pode ser pró-contato e obediente à lei. O sujeito obediente à lei é muitas vezes chamado de “não-ofensivo”. Nenhum dos rótulos implica uma posição sobre a pornografia infantil: há pessoas atraídas por menores que, mesmo sendo pró-contato, não querem a legalização da pornografia infantil, enquanto alguns anti-contatos podem querer a legalização de pornografia infantil de desenho, sendo contra a legalização de pornografia infantil com crianças reais.

Poder-se-ia perguntar por que você, por exemplo, adotaria uma posição particular sobre a idade do consentimento. Enquanto aqueles que são pró-contato argumentam que algumas relações entre adulto e criança, sexuais ou não, poderiam ser inofensivas ou mesmo benéficas, de uma forma que seria mais justo se essas relações fossem julgadas caso a caso (ver citação de “Trevor”, em Rivas, 2016 , página 92), aqueles que são anti-contato argumentam que o dano ainda acontece e que pode ser devastador ou que, mesmo que essas relações possam ser inofensivas e positivamente lembradas, elas ainda são imorais, porquanto o consentimento dado pela criança sempre pode ser questionado. O mero fato de que tal debate exista em comunidades atraídas por menores deve servir para dissipar o preconceito de que as pessoas sexualmente atraídas por menores são sempre antiéticas. Porque a sexualidade inclui vários elementos interpessoais e uma dinâmica entre a pessoa que deseja e a pessoa desejada, algo que é observado até mesmo em adolescentes (se houver adolescentes atraídos por menores, então o que é dito sobre o desejo adolescente em Drury & Bukowsky, 2013, página 128 e 129 também se aplica aqui), então é seguro dizer que a atração sexual é uma característica de uma resposta erótica mais ampla que inclui sentimentos de amor (para uma conta pessoal de um pedófilo, ver O’Carroll, 1980, capítulo 1). É improvável que você defenda qualquer das duas posições, desconsiderando a segurança e os sentimentos das crianças.

É importante notar também que as pessoas atraídas por menores nem sempre são adultas: de acordo com uma das pesquisas da B4U-ACT, a maioria das pessoas atraídas por menores sente sua primeira atração por uma criança menor aos 12 anos e percebe que tal atração é preferencial aos 14 anos. Isso significa que há adolescentes que são atraídos por crianças, por exemplo. Como uma pessoa que odeia pessoas atraídas por menores em consequência de seu desejo de proteger as crianças responde a isso? Proteger as crianças implica também proteger as crianças atraídas por menores. Então, odiar pessoas atraídas por menores em geral não é algo que possa ser conciliado com o desejo de proteger as crianças em geral.

Causas.

As causas da atração por menores não são claras. Ela parece ser notada pela primeira vez na adolescência e é resistente a mudanças. Considerando que até mesmo as pessoas com menos de 12 anos são seres sexuais e que têm brincadeiras sexuais entre si (para exemplos de atividade sexual na infância, ver Campbell et al, 2013 , páginas 154 a 157), pode-se pensar que o problema da atração por menores reside no fato de que a pessoa, quando cresce, continua a ser atraída por crianças, mas nem sempre é assim: algumas pessoas percebem que são preferencialmente atraídas por crianças também na idade adulta. O traço, no entanto, parece ser inerente. Não há como “se tornar” uma pessoa atraída por menor: você é ou não é. No entanto, pode-se falar de “descoberta”. Você se descobre como uma pessoa atraída por menores, mas não se pode dizer que um evento específico “desencadeou” a atração.

Por um tempo, pensou-se que ter contatos sexuais com um adulto faria com que a criança crescesse como pedófila. Essa linha de pensamento é chamada de “teoria do ciclo do abuso” e está sendo contestada atualmente. Parece não haver um vínculo necessário entre ter contatos sexuais na infância e crescer atraído por crianças, especialmente se esse contato for considerado negativo.

A única coisa que pode ser dita é que a atração por menores em geral e pedofilia em particular não são escolhas, com um punhado de pesquisadores afirmando que a pedofilia poderia ser uma orientação sexual. Se a atração por menores for uma orientação sexual, uma analogia com a homossexualidade é possível: nada pode te “tornar gay”, ou você é gay ou não é. Mas você pode dizer que “se descobre gay”. Embora isso não garanta que o sexo entre adultos e crianças deva ser legal, isso significa que, se os pedófilos não escolherem sua condição e a mudança dessa condição não for possível, odiá-los só por isso é injusto. Você não é responsável pelos sentimentos que tem, mas apenas por suas ações.

Características.

Pessoas atraídas por menores percebem sua primeira atração por volta dos 12 anos de idade. Ao contrário da crença popular, não é um fenômeno exclusivamente masculino: mulheres e meninas também podem ser atraídas por pessoas muito mais jovens do que elas. Os sentimentos que eles têm vêm em três níveis: carinhoso, romântico e sexual. No primeiro nível, você pode ter o desejo de cuidar dos jovens, oferecer orientação (ver artigo encontrado no New York Post, 2007, citado em Rivas, 2016 , páginas 113 a 115), proteger e estar disponível para as suas necessidades. Isso ajudaria a explicar por que tantos escândalos sexuais envolvem pessoas em posições de orientação, como padres ou professores. No segundo nível, o desejo é ter expressão emocional ( Rivas, 2016 , página 264). No terceiro nível, os desejos são voltados para o que poderíamos chamar de “molestamento”, em termos legais: tocar, acariciar, atos libidinosos que são mais frequentemente centrados na criança (ver citação de D. J. West, em O’Carroll, 1980, capítulo 3). Tem sido apontado na literatura que, pelo menos quando se trata de pedófilos (não incluindo hebéfilos ou efebófilos), a penetração é uma característica rara do contato sexual com crianças. Considerando que esses sentimentos sexuais podem coexistir com sentimentos amorosos, parece natural que os pedófilos, como pessoas atraídas por crianças pré-púberes, evitem a conjunção carnal, pois esta seria ao mesmo tempo dolorosa e provavelmente degradante para a criança (ver O’Carroll, 1980, capítulo 6, onde ele explica por que deveria haver uma idade de consentimento para certos atos de penetração). É improvável que uma criança imatura gostasse de penetração: perder a virgindade pode ser uma experiência dolorosa para meninas mais velhas e até mulheres, quanto mais para uma criança pequena. Uma criança nunca deve ser submetida a qualquer coisa além do seu nível de maturidade.

No entanto, como está implícito nos dois primeiros níveis de atração (carinho e romance), você provavelmente não sentiria gratificação se a criança ou adolescente não estivesse disposto a participar. Os leigos poderiam então perguntar “e os casos de estupro infantil que vemos na televisão?” Sabe-se agora que a maioria das pessoas presas por sexo com menores não preenche os critérios diagnósticos para a pedofilia. Em termos leigos, isso significa que a maioria das pessoas que são processadas por sexo com crianças não são pedófilos em primeiro lugar. Há várias razões para uma pessoa ter relações sexuais com menores e a pedofilia é apenas uma delas. A pessoa pode fazer sexo com um menor por experimentação, vingança, desejo de causar dor, intoxicação, desordem mental ou, em casos extremos raros, por ser forçado por um menor mais forte. Se apenas uma minoria dessas pessoas na televisão são pedófilos de verdade, os leigos devem estar mais preocupados com pessoas “normais” que poderiam abusar de seus filhos. Se um abusador realmente pode ser “qualquer um”, sabe-se agora que raramente é um pedófilo.

Finalmente, considerando o impacto social dessas relações e os sentimentos amorosos e românticos que coexistem com os sentimentos sexuais, não é surpresa que muitas pessoas atraídas por menores optem por permanecer celibatárias em relação a crianças e adolescentes (o exemplo clássico é a relação entre Alice Liddell e Lewis Carroll, como visto em Rivas, 2016 , páginas 247 e 248). De fato, mesmo entre aqueles que adotam uma visão pró-contato, ter um relacionamento sexual com um menor é visto como antiético, já que pode expor tanto o adulto quanto o menor às tribulações da intervenção social. Assim, os pedófilos que têm sentimentos sinceros de amor pelas crianças devem permanecer celibatários, mesmo que se julguem inofensivos, pelo menos até que o clima se torne mais receptivo a essas relações ( Rivas, 2016, página 271).

Existe um tratamento ou cura?

Quer a atração por menores seja uma orientação sexual ou um distúrbio, ela é resistente a mudanças. Sabemos que a terapia de aversão, antes usada como uma tentativa de transformar a atração homossexual em heterossexual, não funciona. De fato, a terapia de aversão já foi chamada de punição, do tipo cruel e incomum, por Leinwand. Essa punição ainda é aplicada a pessoas com atrações sexuais problemáticas. As técnicas de terapia de aversão incluem choque elétrico, indução de vômito, zumbidos de alta frequência e outros estímulos desagradáveis, enquanto, ao mesmo tempo, também é dado àquela pessoa algo que as excita sexualmente (veja notas em O’Carroll, 1980 , capítulo 4).

Se a atração por menores não puder ser modificada, o melhor que podemos fazer no clima atual é ajudar as pessoas atraídas por menores a permanecerem cumpridoras da lei enquanto melhoramos sua qualidade de vida. Quando você está isolado ou tem a sensação de “não ter mais nada a perder”, você está mais propenso a quebrar a lei. Isso significa que isolar as pessoas atraídas por menores da sociedade não é útil para os objetivos da sociedade, nem para seus objetivos de permanecer na lei. Com isso em mente, o grupo terapêutico B4U-ACT não defende o tratamento que visa “curá-lo”, especialmente porque o B4U-ACT não vê atração por menores como uma doença. Os terapeutas que trabalham com o B4U-ACT devem se dedicar ao tratamento humano, com foco no seu bem-estar, o que diminui as chances de quebra da lei.

Sentimentos e ações.

Sentir atração por menores é diferente de agir segundo tal atração. Para fazer uma analogia, várias pessoas têm vontade de fazer coisas ilegais: assassinar ou espancar uma pessoa que não gosta, experimentar drogas ilícitas ou jogar jogos ilícitos. No entanto, ter esses sentimentos não garante que uma pessoa agiria de acordo com esses impulsos. Mas as pessoas têm direito às suas fantasias. O mesmo vale para você.

No Japão, a pornografia infantil desenhada, sob a forma de mangá lolicon / shotacon, é tolerada. Mas a disponibilidade de tal pornografia (como acontece com qualquer pornografia) não parece aumentar as taxas de abuso sexual infantil no Japão (Diamond & Uchiyama, 1999, página 10). Segundo o International Business Times, ambos os Estados Unidos e o Reino Unido, dois territórios que investem muito na luta contra a pedofilia, aparecem na lista dos cinco países com maiores índices de abuso sexual infantil. É importante lembrar que a informação vem de uma agência de notícias e que a definição de “criança” no artigo não é fornecida. Mas vamos supor que a lista esteja correta. Se for, como podemos explicar tal fato?

Em um estudo sobre a presença de pornografia e sua correlação com as taxas de crimes sexuais, descobriu-se que a República Tcheca tinha menores taxas de abuso sexual infantil depois de legalizar a posse de pornografia infantil (Diamond et al, 2011, página 1039). Embora isso não garanta que a pornografia infantil deva ser legal, isso pode significar que a presença de pornografia infantil torna os pedófilos, em particular, menos propensos a procurar encontros com crianças reais. Isso poderia ajudar a explicar por que as taxas de abuso sexual infantil são baixas no Japão, mas altas nos Estados Unidos: o Japão permite que os pedófilos tenham uma saída para seus sentimentos, dando-lhes uma descarga segura. Desde que tal saída seja mangá, crianças reais não precisam participar da produção. Por isso, há algumas pesquisas sobre pornografia infantil de realidade virtual, que serviria ao mesmo propósito. Embora as evidências mostrando que a pornografia infantil faz com que os pedófilos fiquem menos propensos a se relacionar com crianças sejam inconclusivas, vale a pena investigar cientificamente até que ponto a pornografia que não envolve crianças reais, como o mangá ou a realidade virtual, é capaz de imitar esse efeito. Portanto, se você for contra qualquer modificação nas leis de idade de consentimento, essa possibilidade é algo que você deve considerar.

Mesmo que nenhuma saída seja dada, ninguém pode tirar seu direito de fantasiar. Não é possível tornar pensamentos e sentimentos ilegais. Enquanto você tiver uma maneira de ter alívio sexual legal, a propensão para quebrar a lei será menor. Além disso, existem outras formas de expressão que não são sexualmente explícitas. Por exemplo, um romance sobre esse tema foi publicado em 2018. Não foi o primeiro livro de seu tipo e provavelmente não será o último. Outro exemplo seria o filme I Love You, Daddy, lançado em 2017. A existência de obras de ficção legais com tais temas mostra que a sublimação do desejo através do trabalho artístico também é possível e também pode ser feita de forma aceitável, legal e até mesmo lucrativa. É importante notar também que tais obras podem muito bem terem sido escritas feitas por pessoas que não são atraídas por menores de idade.

Idade de consentimento e cultura.

A volatilidade das leis as torna inadequadas para definir o que é doentio e o que não é, mesmo que elas possam ditar o que é socialmente aceitável e o que não é. Essa é uma questão importante a ser considerada para o bem-estar das pessoas atraídas por menores, porque parte da vergonha que sentem sobre seus sentimentos vem do fato de que muitas formas de atração por menores são ilegais em determinado território.

A idade do consentimento varia de acordo com as culturas, ou seja, de acordo com tempo e local. As primeiras idades de consentimento eram muito baixas. Nos Estados Unidos, por exemplo, a idade de consentimento costumava ser 7 em Delaware. Movimentos sociais, especialmente o feminismo (ver, por exemplo, Sandfort, 1987 , capítulo 1), desempenharam um papel na mudança dessa imagem. Mas até hoje, as idades de consentimento podem ser muito baixas em outros lugares: a menor idade de consentimento no Japão é 13, a idade de consentimento no Brasil é 14 em todo o país e é 12 nas Filipinas. O caso do Brasil é especialmente interessante porque a idade de consentimento no Brasil era de 16 anos em 1920, atualmente é de 14 anos e havia uma proposta para diminuir para 12, seguindo, entre outras coisas, a descoberta de que a idade de consentimento estava interferindo nos romances adolescentes. Assim, dos países que acabei de mencionar, o Brasil mostra uma tendência a diminuir sua idade de consentimento com o passar do tempo. Há também países sem idade de consentimento, mas que têm limites mínimos de idade para o casamento, os quais também podem ser bem baixos. Esses países frequentemente impõem restrições à atividade sexual para mantê-la dentro do casamento. Então, em alguns países, se você é casado, a disparidade de idade não importa. Por último, em culturas isoladas indígenas, tal lei também pode estar ausente (para vários exemplos de tais tribos, ver O’Carroll, 1980, capítulo 2). Por fim, existem iniciativas contra o próprio conceito de idade de consentimento, como o programa partidário do Partido Comunista da Grã-Bretanha (CPGB-PCC), que lista, como uma de suas demandas imediatas, a abolição das leis de idade de consentimento e a elaboração de legislação alternativa contra o abuso sexual infantil. Por outro lado, um movimento mundial para aumentar a idade de consentimento em todo o globo não poderia ser feito sem encontrar muita resistência cultural, especialmente no Oriente. Esse movimento levaria décadas para ter sucesso.

Isso significa que ter casos românticos ou sexuais com menores nem sempre é ilegal, dependendo do contexto cultural (isto é, das leis locais e do período histórico). Se você tivesse nascido no lugar certo, na hora certa, sua atração seria tolerada, aceita ou mesmo valorizada. Não é que você seja doente; você apenas nasceu na cultura errada. Embora isso seja um fato e embora a idade de consentimento seja uma lei volátil, essas informações sozinhas não devem ser vistas como uma incitação para violar a lei, nem como um incentivo para se relacionar com crianças. Tal volatilidade foi exaustivamente apontada em outros trabalhos (veja as referências para alguns).

Considerando isso, pode-se perguntar por que a idade de consentimento no Reino Unido e nos Estados Unidos, por exemplo, é tão alta. Um dos argumentos para manter uma alta idade de consentimento é que as crianças amadurecem em ritmos diferentes: um adolescente de 15 anos poderia se comportar como se tivesse 12 anos, apesar de outra pessoa de 15 anos ser capaz de se comportar como se tivesse 18 anos. Assim, definir uma idade de consentimento alta pode garantir que nenhuma criança ou adolescente subdesenvolvido consinta com algo que eles, na verdade, não entendem.

Estatísticas e anedotas.

Porém, idades mais baixas de consentimento implicam que relacionamentos em uma certa idade podem não ser violentos. Isso leva à pergunta sobre se o contato sexual antes da idade do consentimento é sempre prejudicial ou não. As relações entre adultos e crianças podem funcionar? A evidência estatística e anedótica mostra que as relações intergeracionais não são consistentemente prejudiciais. Se o contato sexual precoce fosse sempre prejudicial, a idade do consentimento variaria menos. Além disso, se esse fosse o caso, a idade de consentimento seria uma lei muito mais antiga, como as leis contra assassinato, violência, estupro e roubo.

A consideração sobre contatos sexuais precoces lembrados como positivos não seria incluída neste documento se não fosse registrado na literatura que o conhecimento de tal informação poderia melhorar sua autoestima. Mas uma discussão sobre a intimidade sexual entre adulto e criança não pode ser feita sem considerar as razões para a proibição.

Evidências não demonstram a crença de que a intimidade sexual entre adultos e crianças é sempre prejudicial. Alguns desses contatos são lembrados como positivos. Um dos livros usados ​​como referência para este texto é Positive Memories, de Rivas, que compila anedotas de contatos sexuais voluntários entre menores de 15 anos ou menos com adultos de 18 anos ou mais ( Rivas, 2016 , página 9). Essas anedotas foram extraídas de outros trabalhos, como biografias, artigos de notícias, artigos científicos e outros. As fontes podem ser encontradas na bibliografia do livro. Outras compilações estão disponíveis em outros lugares.

Alguns estudos que poderiam ser usados ​​para provar a existência de relações intergeracionais não violentas estão por aí. Alguns que eu posso mencionar são Arreola et al, 2008; Arreola et al, 2009; Bauserman & Rind, 1997; Carballo-Diéguez et al, 2011; Condy et al, 1987; Dolezal et al, 2014; Kilpatrick, 1987; Lahtinen et al, 2018; Leahy, 1996; Mulya, 2018; Rind, 2001; Rind, 2016; Rind & Tromovitch, 1997; Rind & Welter, 2013; Rind & Welter, 2016; Rind et al, 1998; Sandfort, 1984; Sandfort, 1987; Tindall, 1978; Ulrich et al, 2005-2006; Wet et al, 2018. Esses estudos oferecem evidências estatísticas e anedóticas de que o contato sexual entre adulto e criança pode ser inofensivo e voluntário (isto é, não violento). Você pode notar que alguns desses estudos são relativamente recentes, enquanto outros são antigos. Seria interessante verificá-los se você gostaria de ler mais sobre o assunto. Mas não é meu objetivo expor os dados que foram coletados por esses pesquisadores.

Também vale a pena mencionar que nenhum desses estudos assume uma posição pró-legalização definitiva. Por exemplo, Mulya, 2018, diz que anedotas de intimidade sexual positiva entre adulto e criança compiladas por ele não devem ser vistas como uma tentativa pessoal de tornar essas relações legalmente aceitáveis. Da mesma forma, o estudo de Lahtinen et al, 2018, apenas tenta explicar por que algumas crianças não denunciam contato sexual com adultos às autoridades quando tal contato acontece e uma das descobertas do estudo é que algumas crianças não relatam porque não veem o contato como algo que valha a pena mencionar, enquanto alguns não relatam porque gostaram da experiência. Mas o estudo não conclui que tais experiências devam ser legalizadas, mas sim que as crianças devem ser encorajadas a denunciar, independentemente de como avaliam a experiência. Dito isto, a mera exposição desses dados não deve ser vista como incentivo para violar a lei. Além disso, os dados científicos por si só não podem operar mudanças na lei e, se a ciência quiser ser imparcial, ela não deve se preocupar com o clima político ou com a lei, mas com os fatos.

Se as relações intergeracionais podem ser positivas, por que o contato sexual entre adulto e criança ainda é ilegal? A resposta depende do consentimento informado. A crença de que as crianças não podem consentir parece ser a única razão pela qual esses contatos ainda são considerados sempre abusivos (ver citação de Archard, em Jahnke et al, 2017, página 3). Mas o que significa “consentir” neste contexto, já que muitos desses contatos são considerados “voluntários” pela suposta vítima?

O consentimento informado é necessário quando o risco está presente: sempre que você está prestes a fazer algo perigoso, você precisa estar ciente das consequências de um ato e deve ser capaz de tomar uma decisão livre sobre correr o risco ou não (ver Lavin, 2013, página 5). O sexo é considerado arriscado, no sentido de potencialmente prejudicial. Se o sexo é potencialmente prejudicial, todos que se envolvem em práticas sexuais devem dar o consentimento informado, isto é, devem estar cientes das consequências e ser capazes de assumir uma postura livre ao assumir o risco ou não. O problema do contato sexual entre adulto e criança é que, enquanto alguns adultos não estão plenamente conscientes das consequências de seus atos e enquanto o desequilíbrio de poder é inerente às relações humanas, as crianças são ignorantes das consequências e estão em posição desfavorecida em relação a todo o resto da sociedade. O consentimento informado baseia-se em informações ou em dinâmicas de poder favoráveis ​​e nenhuma das duas coisas existe para a criança em tal relacionamento. E isso também explica por que a idade de consentimento varia de acordo com as culturas: diferentes países têm diferentes atitudes em relação ao sexo, juventude mais ou menos informada, extensão mais ampla ou mais estreita dos direitos das crianças, em diferentes contextos históricos. Então, quando alguém diz “as crianças não podem consentir”, o que elas estão dizendo, em termos funcionalistas, é:

  1. as crianças não são informadas o suficiente para dar um consentimento válido em relações sexuais inerentemente desiguais e;

  2. essa questão é importante porque o sexo é arriscado, isto é, potencialmente prejudicial.

Porque dar consentimento a um ato sem informação sobre as consequências é uma escolha nula e porque dar consentimento em uma situação onde você não pode realmente dizer “não” (pois um adulto perigoso poderia tentar forçar a criança se o consentimento for negado) também é um ato nulo, o consentimento da criança é nulo ou, pelo menos, não informado, portanto, juridicamente inválido (caso a criança tenha consentido, o que não significa que a lei relevará tal consentimento). Não importa se a criança disse sim: se o seu consentimento é nulo, o ato é equivalente ao estupro, mesmo que apenas em termos puramente legais (daí o termo “estupro” de vulnerável). Essa é a razão por trás do consentimento informado e a razão pela qual o contato sexual entre adulto e criança permanece ilegal. Mesmo que o ato seja genuinamente praticado livremente e mesmo que nenhum dano, mas apenas benefício, resulte do ato, ele ainda é imoral.

Para muitas coisas, pais e responsáveis ​​consentem no lugar de seus filhos (Lavin, 2013). Então, quando se trata de questões sexuais, mesmo que a idade de consentimento fosse abolida, isso não equivale à liberação plena da criança. A criança ainda seria cuidada e nutrida pelos pais, que seriam responsáveis ​​por ela e responsabilizados pelo dano que a criança poderia sofrer de qualquer coisa, sexual ou não. Por causa disso, muitos pais não aceitariam seus filhos se envolverem em tais aventuras, mesmo que a criança venha expressar seu desejo de participar.

Em qualquer caso, as crianças têm seu próprio ritmo de amadurecimento e cada criança se desenvolve de maneira diferente. Crianças deveriam aprender sobre sua sexualidade à sua maneira. Essa é uma situação muito complicada, porque a introdução de elementos adultos em uma sexualidade que ainda está em desenvolvimento poderia prejudicar tal desenvolvimento, o que poderia resultar em frustração para a criança, talvez não imediatamente, mas depois que ela cresce. Ainda teríamos que considerar a possibilidade de adultos egoístas enganarem ou manipularem a criança ou, de alguma forma, tentarem fazer com que seu interesse prevaleça sobre o interesse da criança. Se isso é uma possibilidade, a legalização continua sendo arriscada. Tenho certeza de que você pode ser uma pessoa amorosa, mas outros podem não ser muito. E finalmente, uma criança e um adulto em uma relação sexual poderiam estar procurando por coisas diferentes: o adulto poderia estar procurando por intimidade física e apegos emocionais, enquanto a criança seria motivada pela curiosidade e prazer. Se as motivações forem diferentes, o relacionamento pode não ser satisfatório para ambos.

Além disso, mesmo que exista um contato sexual positivo entre adulto e criança e mesmo que evidências anedóticas mostrem que há menores desejando tais encontros, o ato, quando descoberto, causará danos a ambas as partes do relacionamento, devido ao processo judicial e possível terapia posterior. Reitero que agir segundo esses desejos em um contexto cultural que desaprova tal conduta é uma demonstração de irresponsabilidade. As pessoas atraídas por menores pró-contato estão interessadas em mudar as leis (ver Sandfort, 1987, capítulo 3 para um exemplo de tentativa de reforma da idade de consentimento na Holanda), mas não devem estar interessadas em violar as leis, não apenas por causa de sua própria segurança, mas também por causa de como a criança poderia responder à intervenção (para uma anedota sobre como a intervenção social sozinha pode prejudicar tanto o adulto quanto a criança, ver Rivas, 2016, páginas 27 a 32)

Conclusão.

Se você não necessariamente cometerá nenhum crime, se a maioria das pessoas que cometem crimes sexuais contra crianças não são pedófilos e se tais atrações foram, são e poderiam ser aceitáveis ​​dependendo do contexto cultural, então você não tem motivos para se sentir mal. Se isso é tudo o que você precisava ouvir ou ler, você poderia deixar de lado a questão e parar de se preocupar com ela, pois é a carga social atribuída aos sentimentos, e não os sentimentos em si, que causam a vergonha e a culpa. Isso quer dizer que é a sociedade que faz você se sentir mal, não os sentimentos que estão presentes em você.

Se for esse o caso, você poderia se beneficiar de alguma companhia para, pelo menos, lidar com a sensação de isolamento. Existem comunidades legais on-line e fora da Internet nas quais as pessoas atraídas por menores podem confiar, trocar experiências e receber orientação de pessoas que compartilham a atração. Claro, você também é encorajado a evitar comunidades ilegais. B4U-ACT tem um grupo de mútuo apoio, por exemplo. Outras comunidades como Boychat / Girlchat, Virtuous Pedophiles e os grupos JORis da NVSH (este último na Holanda) também são opções. Destes, apenas o Virtuous Pedophiles têm exigências políticas de associação, já que a pessoa que se junta ao seu grupo também precisa ser contra a legalização. Devo lembrar ao leitor que o fato de alguém ser favorável a mudanças na lei não indica que a pessoa é criminosa. B4U-ACT, Boychat / Girlchat e os grupos JORis de NVSH não possuem essa exigência política. Como o B4U-ACT quer alcançar o maior número possível de pessoas atraídas por menores, faz sentido que ele não professe qualquer ponto de vista específico sobre a questão do contato: quando a Paedophile Information Exchange operou no Reino Unido, o ativismo pró-contato da organização fez com alguns membros se distanciassem do grupo ( O’Carroll, 1980, capítulo 11). Quando se trata de reforma da idade de consentimento, grupos de autoajuda e ativismo político são difíceis de conciliar, se não impossíveis. Dito isto, se um grupo de apoio para pessoas atraídas por menores quiser alcançar o maior número possível de pessoas, ele deve evitar qualquer posição definitiva sobre a idade de consentimento, o que encorajaria a participação de pessoas atraídas por menores não obstante seu posicionamento em relação às leis. Tal atitude também manteria a própria organização segura. Os grupos JORis e B4U-ACT também realizam reuniões fora da Internet de vez em quando, mas, enquanto os grupos JORis tentam ser um grupo de apoio onde as pessoas podem se apresentar e falar sobre suas lutas para receber apoio de pares, as reuniões presenciais da B4U-ACT são de natureza acadêmica e pesquisadores também participam. Enquanto as pessoas assistem às reuniões do B4U-ACT por conta própria, algumas pessoas são encaminhadas aos grupos JORis pelo sistema de justiça.

Não ver atração por menores como algo negativo e ter amigos que entendem tal atração e escutam você é crucial para o seu bem-estar, o que evita a temida mentalidade de “não ter nada a perder”, o que faria as pessoas atraídas por menores assumirem comportamentos desesperados, como o suicídio. Se as pessoas odeiam pessoas atraídas por menores porque acreditam que elas sempre quebram a lei e todos aqueles que quebram a lei são atraídos por menores, então não há razão para pessoas atraídas por menores, já que essa crença é comprovadamente errada. Não vale a pena odiar você. De fato, se você é obediente à lei, você pode se passar como pessoa perfeitamente “normal”. Muitos provavelmente são amigos de pelo menos uma pessoa como você.

Para dissipar os preconceitos que existem sobre as pessoas atraídas por menores, a melhor solução seria a participação social deles. É muito mais seguro “se assumir” online, em contas dedicadas, e muitos o fizeram no Facebook, Twitter, Youtube, WordPress, Tumblr, Medium e assim por diante. A liberdade de expressão é um direito humano e a liberdade de pensamento é algo que não pode ser tirado de você. Nenhuma petição pode mudar isso. Se você puder se assumir on-line, especialmente se souber separar sua identidade pública de uma identidade on-line, isso já será útil. O preconceito contra pessoas atraídas por menores só existe porque os outros podem dizer o que quiserem sobre uma minoria silenciosa. Quantas pessoas atraídas por menores estão por aí? O palpite mais baixo, de acordo com a página de fatos do B4U-ACT, é de 600.000 adultos, contando apenas os Estados Unidos. Quantos existem em outros países? Todas essas pessoas são más?

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38 Comentários »

  1. […] ficava mais à vontade perto de menininhas do que de […]

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    Pingback por O que aprendi lendo “Alice – True or not True?”. | Analecto — 21 de junho de 2019 @ 17:29

  2. […] termo “pedofilia” deve ser abandonado e substituído por algo mais claro, próximo da linguagem comum, para eliminar a possibilidade de […]

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  3. […] Assim, se você tem dezesseis anos e se sente atraído por alguém de onze anos, pode ser que você se seja, sim, pedófilo. […]

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  5. […] A culpa de você não se dar bem com a sociedade pode não ser sua, mas da sociedade. […]

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  6. […] Português. […]

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  7. […] o texto está mais acadêmico, se bem que ainda bastante pessoal. A versão original foi mantida em português e os russos traduziram o texto original também, que pode ser lido no Right to Love. Como eu estou […]

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  8. […] “illusion of gender” is reinforced by the rejection of sexual minorities […]

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  9. Não acredito em “cronofilias”.

    Só existem dois níveis de sexualidade: A infantil e a adulta.

    Infantil é antes da puberdade e a adulta vem com a puberdade.

    A puberdade é responsável pela sexualidade adulta.

    Uma jovem de 12 anos que ovula tem sexualidade adulta madura (o que você classifica como teleiofilia). Ela libera feromônios para atrair homens e poder ser fecundada. Ela é fortemente atraente aos homens, tenham eles 12 ou 40 anos.

    O que torna a pedofilia diferente é por ser uma forte atração sexual antes da puberdade.

    MAP é resultado da histeria americana. Sou contra essa sigla. Porque propaga o sofrimento e o estigma do pedófilo para outras pessoas.

    Um rapaz de 12 anos que sente atração pela gostosa de 13 da turma, pela modelo de 25 da revista e pela mãe de 40 anos do seu melhor amigo, não tem “cronofilias”. Elle é normal. A maioria dos homens são assim e a justificava mais óbvia é que todas são potenciais parceiras a serem fecundadas, todas foram modeladas pela puberdade.

    Eu já vi mensagens de adolescente de 14 anos se achando pedófilo por sentir atração pela colega de 12. Ele se sentia mal e sofria com isso. E ainda tem gente que inventa “cronofilias”? Não é justo.

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    Comentário por Miguel — 30 de julho de 2018 @ 04:01

    • Eu entendo sua indignação. A intenção do texto não é, de forma alguma, promover discriminação. Eu admito que, quando eu vi que tinha dois comentários pra responder, eu fiquei com medo de olhar. Mas que bom que você é uma pessoa sincera e disposta a olhar pra situação de um ponto de vista menos enviesado.
      “Cronofilia” não é sinônimo de doença. É uma mera classificação científica, pra facilitar a organização de dados coletados sobre a sexualidade voltada para cada estágio da vida. Por exemplo, a teleiofilia, a mesofilia e a gerontofilia não são consideradas doentias e são geralmente legais (digo geralmente porque a atração por jovens adultos, a teleiofilia, pode ser ilegal em países onde a idade de consentimento é maior que dezoito). Assim, cronofilia não necessariamente é um termo médico e não necessariamente é um termo com carga patológica.
      A pedofilia é a única cronofilia considerada doença, mas essa é uma noção que vem sendo contestada. A B4U-ACT removeu parcialmente a pedofilia do DSM-V, como você deve ter lido. Eu sou plenamente a favor de sua despatologização completa, mas o texto acima não serve ao propósito de dizer minha opinião. A única coisa que tentei fazer foi deixar a pessoa atraída por menor mais calma em relação aos seus desejos. Uma pena eu não ter conseguido com você.
      A razão de a atração por adolescentes ser mais comum e geralmente aceita é o que impede a patologização da hebefilia e da efebofilia.
      O termo MAP, na verdade, foi feito justamente pra substituir o termo “pedófilo”, que ganhou conotação de insulto. Parece que o termo foi inventado pela B4U-ACT, uma associação que ajuda pedófilos a permanecer dentro da lei. Mas, como a pedofilia não é a única cronofilia ilegal (mesmo sendo a única considerada doença), o alcance da B4U-ACT chega aos hebéfilos. Então, o termo é apenas um coletivo pra essas cronofilias que são ilegais em tal território, mas que não necessariamente são patológicas.
      A idade de consentimento no Brasil é 14 anos. Mesmo que seu colega não seja pedófilo (e ele não é, já que 12 anos é adolescência, não infância), ele tem um desejo que é ilegal. Mas ora, quantas pessoas não têm vontade de fazer algo ilegal? Ele não é anormal por causa disso. Além disso, quantas coisas já não foram ilegais e hoje não são? Então não há razão pra desespero.
      O Novo Código Penal tentou reduzir a idade de consentimento no Brasil pra 12, para se ter uma ideia. A proposta não deu certo, por causa dos mais conservadores, provavelmente a bancada evangélica, não sei. Mas ei, há esperança afinal. Fato é que até mesmo a mídia começa a admitir que adolescentes desejam adultos. Então, se o desejo é mútuo, será que há razão pra uma proibição tão pesada?
      No entanto, o mesmo argumento se aplica à pedofilia também. Evidência estatística e anedótica mostra que há crianças que iniciam esse contato e o consideram como positivo mesmo após se tornarem adultos. Falo isso porque parece que você está tentando justificar a hebefilia condenando a pedofilia. Mas, se o argumento de um pode ser usado pro outro, seria um tanto hipócrita fazer isso.

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      Comentário por Yure — 30 de julho de 2018 @ 12:38

      • Se o B4U-ACT criou a sigla MAP, ajudou os moralistas. Você deve saber que na anglosfera há a hipocrisia de estenderem o conceito de pedofilia e definir como “atração por menores”.
        O estigma deveria ser diminuído e não aumentado. Quem se beneficia com isso é a mídia sensacionalista e grupos extremistas.

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        Comentário por Miguel — 30 de julho de 2018 @ 14:31

        • Bom, essa é uma opinião rara. Você é o primeiro que eu vejo a dizer isso. O que você sugere, então? Chamar as cronofilias pelos nomes? É uma opção. Mas é o que você está sugerindo?

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          Comentário por Yure — 30 de julho de 2018 @ 16:08

          • O uso de “cronofilias” só promove o preconceito etário.

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            Comentário por Miguel — 31 de julho de 2018 @ 03:09

            • Mas é um termo neutro. O fato de terminar em “filia” não significa que é doença. Mas tudo bem, eu acho que eu entendo você.
              Então, eu pretendo revisar esse texto em setembro. Vou acatar sua sugestão e usar termos menos gerais. Mas o fato é que “cronofilia” nem sequer é um termo clínico. Não há menção desse termo em nenhum manual de diagnóstico. É somente uma categoria de classificação. Deveria ser neutra. Mas tudo bem, na revisão eu tiro.

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              Comentário por Yure — 31 de julho de 2018 @ 12:02

              • Meus motivos para ser contra o uso de cronofilias.

                A maioria das pessoas não busca se aprofundar em nada. Não é a toa que quando alguém fala que pedofilia não é crime, há uma histeria coletiva.

                Cronofilia lembra pedofiia, zoofilia, necrofilia, crime hediondo, estupro, doença, psicopatia, assassinato etc. Porque é assm que a mídia mostra.

                Cronofilia divide as pessoas em classes motivando o preconceito intergeracional.

                A divisão das cronofilias é forçada porque a sexualidade não é divisível dessa maneira.

                Curtir colegiais, enfermeiras, asiáticas ou MILF são gostos particulares. Não orientações sexuais ou cronofilias.

                A única referência importante na sexualidade se chama puberdade. Ela é responsável pela sexualidade adulta, aquela dos caracteres secundários (adultos) que se aprendem na escola.

                Pedofilia não é cronofilia. Pedofilia é forte atração pela sexualidade infantil. Que pode variar. Aquela pessoa com puberdade atrasada ou, de alguma forma impedida, vai se manter interessante para o pedófilo, de forma geral, por mais tempo. Dando a devida ponderação aos gostos particulares de cada um que pode variar, é claro.

                Você deve saber que a maioria das pessoas que se envolvem com crianças não é pedófila. Se envolver sexualmente com uma criança não signfica ter atração primária por ela. Mas, mesmo assim ficam tachando a pessoa de pedófila, como uma forma de chamar a pessoa de maníaco doente criminoso tarado por criança.

                Já está demais existir a palavra “pedofilia”. Por isso, nada de “MAP”, “atraído por menor”, “cronofilias”, etc.

                A palavra “pedofilia” foi criada para estigmatizar uma minorial sexual. E vai desaparecer quando essa minoria sexual conquistar o seu espaço na sociedade. Porque não fará mais sentido discriminar esse grupo de pessoas.

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                Comentário por Miguel — 1 de agosto de 2018 @ 01:53

                • Então, o que você sugere? Quero dizer, você acha necessário chamar MAPs de alguma coisa? Porque somente “pessoa” não diz nada. Então, se eu estiver tratando a atração por menores como tema, eu tenho que me referir a ela de alguma forma. O que você sugeriria?

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                  Comentário por Yure — 1 de agosto de 2018 @ 16:34

                  • MAP não é um tema verdadeiro. Porque todo mundo é MAP. Esse rótulo só serve para agradar à mídia sensacionalista, ao machismo, ao feminismo misândrico e à hipocrisia da anglosfera. .

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                    Comentário por Miguel — 2 de setembro de 2018 @ 17:14

                    • Tá bom, mas o que você sugere em vez desse termo?

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                      Comentário por Yure — 3 de setembro de 2018 @ 13:54

  10. O critério de cometer ato ilegal para classificar como “desordem pedofílica” é um erro no manual. Não é por que a pessoa descumpra a lei que ela tenha um transtorno. Ela pode simplesmente não concordar com lei, assim como os vendedores de drogas.

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    Comentário por Miguel — 30 de julho de 2018 @ 03:27

    • Na minha modesta opinião, esse critério é medo da reação social. É uma prova patente de que a medicina está, em alguns casos, trabalhando com categorias legais ou sociais. A ciência vem se acovardando diante da política.

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      Comentário por Yure — 30 de julho de 2018 @ 12:40

  11. […] A “ilusão do gênero” é reforçada pela rejeição das minorias sexuais. […]

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    Pingback por Anotações sobre “Girls, Boys and Junior Sexualities”, de Emma Renold. | Analecto — 29 de julho de 2018 @ 17:36

  12. […] Eu escrevi um texto sobre atração por menores, que pode ser lido neste sítio aqui. […]

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    Pingback por Um e-mail que eu mandei pro Gay Star News. | Analecto — 14 de julho de 2018 @ 14:50

  13. […] é o fator mais importante no desenvolvimento de um funcionamento mental normal: repudiar uma sexualidade que não se pode mudar terá um efeito negativo em sua vida […]

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    Pingback por Anotações sobre “Gay and Bisexual Adolescent Boys’ Sexual Experiences With Men”, do Bruce Rind. | Analecto — 13 de julho de 2018 @ 23:12

  14. […] de uma pessoa nunca se envolver sexualmente com uma criança e se interessar também por adultos não a desqualifica como pedófila, se ela se sente excitada mais facilmente por […]

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    Pingback por Anotações sobre “Positive Memories”. | Analecto — 4 de julho de 2018 @ 14:54

  15. […] O Brasil ideal da constituição é pluralista, fraterno e sem preconceitos. […]

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  16. […] richest. What is the point of saying that “you must remain law-abiding” when I discuss attraction to minors? What’s the point of saying that you shouldn’t kill, steal or sell illicit drugs? Our […]

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    Pingback por Eron. | Analecto — 7 de abril de 2018 @ 22:07

  17. […] a lei do mais forte e o mais forte é, muitas vezes, o mais rico. De que adianta, quando eu discuto atração por menores, eu dizer que “você deve permanecer dentro da lei” e não quebrar leis de idade de […]

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    Pingback por Eron. | Analecto — 7 de abril de 2018 @ 22:06

  18. […] O objetivo do livro é chamar atenção para relações positivas entre adultos e menores, porque as notícias não são imparciais ao mostrarem somente relações negativas (para uma possível explicação, ver “Atração por Menores: Guia Para Iniciantes“). […]

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    Pingback por Anotações sobre “Boys on Their Contacts With Men”. | Analecto — 20 de janeiro de 2018 @ 16:36

  19. Este certamente é um bom texto introdutório para um MAP, e tê-lo em língua portuguesa é melhor ainda (visto a escassez deste tipo de conteúdo em nossa língua). Parabéns!

    Gostaria, entretanto, de fazer alguns comentários sobre o texto:

    O DSM é citado bastante aqui, penso, porém, que um(a) MAP deveria conhecer o que diz o DSM apenas para compreender intelectualmente as configurações das coisas na atualidade, isso é, não penso que, se tratando das questões sexuais, o DSM possa ser levado a sério. Esse mesmo manual já pôde classificar a homossexualidade como doença mental e ainda faz essa classificação para a transexualidade. Não é difícil perceber que o DSM pende facilmente para o moralismo e configurações de uma época. Penso que um(a) MAP deveria ter essas questões em mente, e responder honestamente: vale mesmo levar o DSM a sério?

    O mesmo vale para o CID. “Coleopterafilia = atração sexual por besouros.” Sim, isso é uma parafilia classificada pelo CID. Aliás, o que é uma parafilia se não qualquer atividade emocional/sexual que foge da (hetero)normatividade?

    Penso que qualquer tentativa excessiva de classificar, dividir e nomear as questões da sexualidade falhará.
    Enfim, sobre DSM, CID, etc, não acho que sejam coisas que MAPS devam se preocupar de verdade, devem conhecer, óbvio, mas penso que seja mais racional rejeita-los quando se trata de sexualidade.

    “Para muitos pedófilos, amar a criança é o ponto principal, com o aspecto sexual sendo completamente secundário”

    O sexual está fora do amor? Bom, essa é uma questão delicada, me parece não ser nem um pouco fácil delimitar o que é “amor/romântico” e o que é “sexo/sexual”. Uma carícia é um ato romântico ou sexual? Depende de onde e como é feita? Enfim… Essa definição rígida do campo “sexual” e “romântico” acaba me incomodando. Quando fazemos essas divisões, sempre imagino uma pessoa que SÓ sente “atração sexual” e outra que SÓ sente “atração romântica”, quantas pessoas são assim? Os sentimentos, desejos, contatos me parecem muito mais fluídos, complexos, humanos… Divisões sistemáticas e rígidas não parecem combinar bem com a sexualidade humana.

    E sabe por quê acho interessante falar sobre isso? Alguns MAPs que estão em fase de desconstrução de tudo que foram bombardeados pela mídia repulsiva e canalha, podem terminar abraçando uma ideia “purista” de relação (talvez como tentativa subjetiva de “purgatório pessoal”). Penso que, obviamente, os MAPs precisam repelir fortemente tudo aquilo que a mídia, repulsiva e canalha, cospe para eles. Todas as mentiras, agressões, etc… Mas penso também que os MAPs devem compreender que não há nada de imoral em seus sentimentos/desejos sexuais. A demonização das questões sexuais é um problema. (Triste herança do cristianismo).

    (PS: isso não significa que não devemos e podemos pensar sobre quais nossas visões e entendimentos sobre o sexo, até que ponto isso está moldado pela (hetero)normatividade, pornografia, moral, etc… Isto é, um desejo sexual, seja de um map ou teleiófilo, não necessariamente expressa o mais intrínseco e legitimo de si. Pode haver um desejo machista por exemplo, e isso deve ser questionado como uma construção social. Basicamente, o que estou querendo dizer é: refletir e debater sobre o que entendemos como “sexo”, é super válido. Demonizar as questões do campo sexual não.)

    “Como adulto, você é responsável por fazer aquilo que está no melhor interesse do menor e você não saberá o que está no melhor interesse do menor sem ouvi-lo.”
    “Em todo caso, os próprios menores devem também participar do debate, já que é uma lei sobre eles e discuti-la é um exercício de consciência política.”

    Não só devem “participar” como devem ter um papel central. Aqui é uma questão mais estrutural e complexa, não poderei explana-la completamente aqui, mas imagino uma sociedade com participação direta das crianças, sem tutelas, uma igualdade real, o fim da hierarquia etária.

    “B4U-ACT é também neutro-contato, então, se você for pró-contato, eles não tentarão fazer você mudar de ideia.”

    Não falarei sobre B4U-ACT aqui (que aliás conheço pouco, mas sei que faz um bom trabalho). O que eu quero comentar mesmo. nesse trecho, é sobre a ideia dos termos “pró-contato” e “anti-contato”. Eu certamente não posso concordar com isso. Quando falamos de contato, estamos falando de direitos, liberdade, desejos, escolha! Alguém não pode simplesmente decidir ser contra a liberdade e escolha de outros e achar isso natural ao ponto de se proclamar “anti-contato”, sei lá, seria o mesmo que proclamar-se “anti-caminhada” para alguém que não gosta de caminhar. Me parece então que os termos “pró-escolha” e “anti-escolha” são bem mais apropriados. Assim deixamos claro, a priori, que contato é escolha, e se alguém se posiciona contra isso, está se posicionando contra uma escolha.

    “Você pode deixar o problema do contato de lado e preferir não participar da discussão, não haveria problema nisso. Você pode ficar no lado pró-contato ou anti-contato, se você quiser.”

    É… Eu realmente não acho isso a coisa mais interessante a se dizer. Bom, ninguém deve ser forçado a nada, óbvio, mas qual problema em incentivar/aguçar o ativismo em um(a) MAP? Ele pode ser encorajado para isso e saber que contará com outras pessoas também interessadas em brigar (no melhor sentido, claro).
    E discordo ainda mais da segunda parte do que foi dito… Ser anti-contato, ou melhor, anti-escolha, é, como o próprio termo diz, posicionar-se contra uma escolha, não penso que esse posicionamento deva ser naturalizado dentro da comunidade MAP, muito menos incentivado. Penso que um pedófilo deve ser levado não só a desconstruir o “pseudo-pedófilo” que a mídia construiu e continua construindo, mas também desconstruir a “pseudo-criança” e “pseudo-infância” que um conjunto de fatores ajudou a consolidar nos dias de hoje. Assim conseguirá entender e respeitar os direitos sexuais das crianças.
    (Romper com a moral/visão vigente sobre a pedofilia e pedófilos e não romper com essa mesma moral e visão sobre a criança e a infância é um problema)

    “Todos viveriam melhor se o estigma fosse reduzido. Por causa disso, a única “agenda” entre as pessoas atraídas por menores, no atual clima de hostilidade, deveria ser redução do estigma, o que não ocorrerá sem esforço coletivo entre adultos e menores, entre todas as cronofilias, entre pró-contatos e anti-contatos.”

    Obviamente que sei que o clima não está bom mesmo, mas não estou convicto de que devemos contentar-nos apenas com essa única pauta inicialmente. Me parece que a própria pauta de reduzir o estigma já implica em ter que abordar outros pontos variados.

    Você também fala em “união entre pró e ati contato”, Ah… Isso é verdadeiramente difícil para mim e imagino que também seja difícil para vários MAPs. Veja, não é nada interessante conseguir romper toda a barreira do senso comum, da ignorância, de fato nadar contra a maré para depois ter de ouvir de outros MAPs coisas que você já ouvia de pedofóbicos ignorantes por aí.. Imagino que muitos MAPs quando conseguem achar “seu grupo” querem se sentir “entre os seus”, comentar ideias, falar livremente, compartilhar e consumir conteúdo artístico que fale de seus sentimentos, sonhar, etc… E ter que bater de frente com pessoas que compartilham ideias muitas das vezes iguais ou parecidas com aquelas incômodas ideias que os MAPs tanto já cansaram de ouvir e ler em todos os lugares certamente não é agradável.

    Bom, isso não significa que não possa ter um diálogo com MAPs anti-escolha, mas pelo menos para mim, é bem difícil estar verdadeiramente confortável com essas pessoas, honestamente eu não consigo imaginar uma coesão tão forte assim.

    Então é isso, acho que meus comentários se encerram aqui, vá desculpando pela prolixidade, haha! Abraços e bom fim de ano! :)

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    Comentário por Rique — 27 de dezembro de 2017 @ 14:48

    • O foco do texto é somente anestesiar a pessoa atraída por menor, especialmente se pedófila, para que ela não se sinta horrível por ter uma atração que inclusive não escolheu. Por isso faço referência ao DSM, por exemplo. Eu quero dizer com isso “você não é doente” e “mesmo que você preencha o critério, isso não te torna uma má pessoa.” Eu espera que a pessoa fosse entender o que você apontou, mas por conta própria. Se eu dissesse isso abertamente, no texto, minha credibilidade poderia cair, porque um mero lincenciado em filosofia ousa contestar o DSM. Richard Kramer, do B4U-ACT, porém, escreveu uma carta pra APA dizendo que os critérios de patologização do DSM foram ignorados na inclusão das parafilias. Elas não deveriam estar ali. Há um esforço pra despatologização de todas as parafilias, tirando-as do DSM, mas tem dado pouco resultado.
      A dicotimia amor/luxúria é mencionada em outros lugares e acredito que seja uma divisão que os leigos fazem muito. O texto visa MAPs leigos. No entanto, pra evitar o problema do purismo, eu mencionei o problema das leis de idade de consentimento, pra que o MAP possa se questionar sobre a necessidade dessas leis. Também escrevi um outro texto, Estupro de Vulnerável, e um outro, Dano Psicológico. No entanto, eu tentei ser imparcial aqui, então não apontei a abolição como único caminho. Eu só fiz a distinção porque imaginei que o leitor a faria.
      Embora eu não esteja certo sobre a liberação total dos menores, acredito que menores e adultos possam ter direitos iguais. Mas veja, o nosso Estatuto da Criança e do Adolescente é o documento mais liberal de seu gênero. Ele, ainda assim, não adianta nada, porque ninguém ensina sua existência às crianças, não as estimulam a lê-lo e, mesmo assim, ele não está em linguagem acessível. Embora eu acredite na igualdade de direitos entre adultos e menores, essa será uma igualdade vazia se o sistema educacional e também legal não se adaptarem a ela.
      Numa nota de rodapé, eu defino “pró-contato” como “favorável à redução ou abolição da idade de consentimento” e “anti-contato” como “apoiador da lei atual ou favorável ao aumento da idade de consentimento.” Eu os mostrei aqui como posições políticas, não como ideologias ou escolas de pensamento, como faz o Diário de um Folle. Posso ter me enganado, mas achei que era o que os termos significavam. Eu não acho a divisão importante, porque as nossas ações falarão por nós, mas, novamente, estou escrevendo pra leigos. Pensei em deixá-los a par do vocabulário.
      Eu não quis incentivar o ativismo ou mesmo o posicionamento contrário à leis de idade de consentimento ou contrário à dessexualização da infância, porque o foco deste texto é fazer com que a pessoa se sinta bem consigo própria. Essas são questões que eu discuto em outro lugar. Eu quero que a pessoa vá dormir bem. Nas próprias referências a pessoa pode ver que esses problemas existem e podem ser resolvidos, talvez até na década que vem. Mas, por enquanto, eu preciso que a pessoa se sinta segura e passar a ideia de ativismo poderia desencorajá-la. Quando ela estiver já okay consigo própria, poderá decidir ser ativista ou não. Dou também a sugestão de que o ativismo pode ser feito online e que uma ideia cresce com o número de apoiadores. A versão em português deste texto faz até a sugestão de um jeito, usando o e-Cidadania. Se 20.000 pedófilos, por exemplo, se aceitarem e usarem o e-Cidadania pra pedir o fim do 217-A, seria um estouro. Mas é preciso que se compreendam antes. Depois que a pessoa passa um tempo okay consigo própria, poderá procurar por assuntos mais pesados, como as estatísticas e coisa e tal. Isso dará margem ao desejo por ativismo. Eu senti que era preciso fazer as coisas em determinada ordem, devagar.
      No que diz respeito à redução do estigma, pró-contatos e anti-contatos reduzem o estigma, cada um, a sua própria maneira. Segundo o Paedophilia: The Radical Case, capítulo 13, o clima de tolerância na Holanda só foi possível porque a editora Enclave, administrada por pedófilos, passou vinte anos educando a população. Aquele, eu vejo, foi o clima ideal, tanto que durou até metade dos anos noventa e só findou mesmo com o fim do PNVD. Depois que o estigma tiver sido reduzido, o que implica fazer com que as pessoas vejam pedófilos como gente normal, com qualidades e defeitos, que podem ser inofensivas e que podem viver dentro da lei, poderão dar ouvidos às outras ideias. Mas eu percebi que não dá pra fazer isso sem esclarecer os mitos relativos a essas relações quando acontecem, por isso escrevi a segunda parte do texto sobre as relações em si. Não dá pra se aceitar ou pras pessoas nos aceitarem, pensando “tudo bem você se sentir atraído por algo horrível.” É preciso mostrar que essas relações não estão fadadas a ser horríveis, o que não significa dizer “vá lá e quebre a lei.” Pelo contrário, digo constantemente que o comportamento legal deve ser mantido, mas também digo que, embora ilegais, essas relações não necessariamente são prejudiciais.

      Curtido por 1 pessoa

      Comentário por Yure — 27 de dezembro de 2017 @ 20:03

  20. […] Pedofilia é um problema menor do que parece. Enquanto atração romântica ou sexual, nem sequer é problema. […]

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    Pingback por Anotações sobre “Paedophilia: the Radical Case.” | Analecto — 5 de novembro de 2017 @ 21:14

  21. […] Aquilo que você é pode não corresponder à ideia que fazem de você. […]

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    Pingback por Anotações sobre além do bem e do mal. | Analecto — 25 de outubro de 2017 @ 16:13

  22. […] afastou todos os seus amigos com sua arrogância. Exceto Sócrates, que perseverou com […]

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    Pingback por Alcibíades I. | Analecto — 19 de outubro de 2017 @ 12:04

  23. […] Esses desejos são loucos e desregrados. E inatos! Parece que todos temos desejos para com o proibido. Eu tenho, admito… […]

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    Pingback por Anotações sobre “Positive Memories: Cases of Positive Memories of Erotic and Platonic Contacts of Children With Adults, as Seen From the Perspective of the Former Minor.” | Analecto — 6 de outubro de 2017 @ 19:54

  25. […] na literatura científica é problemático, porque existem experiências envolvendo menores que não são negativas. Nesses casos, não há vítima e, não havendo vítima, não há abuso. Logo, não há razão […]

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    Pingback por Anotações sobre “a meta-analytic examination of assumed properties of child sexual abuse using college samples.” | Analecto — 1 de outubro de 2017 @ 14:13

  26. […] Hoje eu faço, oficialmente, vinte e cinco anos. Recebi um e-mail da Câmara dos Deputados. No Brasil, há duas formas de um indivíduo sugerir uma lei: pelo site do Senado e pelo site da Câmara. Então, depois que eu escrevi meu texto Estupro de Vulnerável, que expõe todos os problemas do artigo 217-A do Código Penal, eu resolvi levar as coisas ao modo Justin Bailey e enviei minha ideia à Câmara. Lá, ela seria enviada a alguém que tivesse saco pra ler. Isso foi em julho. Hoje, alguém com saco recebeu minha mensagem e ela será lida. Basicamente, eu proponho o retorno aos tempos anteriores a 2009, quando uma relação com um menor de idade só seria criminosa se o menor fosse forçado, prejudicado ou se os pais não concordassem com a relação. Assim, uma relação inofensiva e aprovada por todas as partes (pais, menor e interessado) não precisaria ser punida. Ela nem seria considerada “pedofilia”, apesar de ser, clinicamente, se um dos participantes fosse adulto. Vale lembrar que nem todas as relações entre adulto e menor resultam em prejuízo, com algumas sendo benéficas. Essas que são “benéficas” o povo não vê como pedofilia, porque têm para si que pedofilia é sinônimo de estupro de menor, o que não é verdade. […]

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    Pingback por Presente de aniversário. | Analecto — 28 de setembro de 2017 @ 19:02

  27. […] “[Platão diz] com uma inocência para qual se necessita ser grego, que não haveria filosofia platônica não tivessem existido formosos mancebos em Atenas, posto que sua contemplação é o que transporta a alma dos filósofos num delírio erótico e não lhe deixa repouso até que não tenham espalhado a semente de todas as coisas elevadas por um mundo tão belo.” Donde decorre que a mãe da filosofia é a atração por menores. […]

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    Pingback por Anotações sobre o crepúsculo dos ídolos. | Analecto — 21 de setembro de 2017 @ 16:14


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