Analecto

8 de novembro de 2015

Twitter?

Esses dias, deixei minhas contas em redes sociais, de novo. Todas as vezes que dou uma chance às redes sociais, elas me desapontam: tudo é muito chato, talvez porque eu não seja muito social em primeiro lugar.

Alguém pode me perguntar como é que não acho coisas como sítios artísticos, ou o que quer que seja, monótonas também. É que a arte nos une em primeiro lugar, a socialização vem como consequência. Como eu não tenho boas perícias sociais, deixar que minha arte fale por mim atrai pessoas com gostos semelhantes. Além disso, se eu vejo uma imagem, história ou música que eu goste, deixo um comentário, porque já tenho assunto o qual tratar: a peça submetida. Como isso não é possível em redes sociais, nas quais você deve se apoiar inteiramente em perícias sociais (mesmo nas que você não tem), eu acabo não conhecendo ninguém interessante.

Também deixei meu outro diário. Um menino, acho que o mesmo do caderno, me chamou de anjo e disse que tinha achado meu diário lá por acaso e que tudo era estranho, mas fofinho. Uma pena ele ter me contactado lá tão tarde, porque eu até que queria construir amizade com ele, mas meu segundo diário estava mesmo com os dias contados; aquele lugar tem uma comunidade altamente irritante e desconcertante.
Hoje eu vi uma tira dum Sábado Qualquer, na qual Sócrates dizia que, para ser filósofo, você precisa confessar sua ignorância, abrir mão de seus dogmas… E aí, Adão o interrompe e completa, dizendo que também tem que ter um Twitter.
Bom, uma das razões pelas quais eu deixei o Twitter foi justamente o fato de que você não pode, absolutamente, ter uma conversa decente, ainda mais argumentar filosoficamente, digitando apenas cento e quarenta caracteres por vez.
O limite de caracteres do Twitter é o inferno pra mim. Às vezes, eu via textos dignos de serem respondidos à altura, mas não é possível responder corretamente dessa forma. Além do mais, quando era eu a postar, eu não gostava de ter que colocar somente a “essência” da coisa, porque às vezes nem a essência cabe em cento e quarenta caracteres (imagine então toda a substância). Se eu faço uma declaração ou juízo de alguma natureza, eu gosto de dizer as razões que me levaram a dizer aquilo.
O Twitter é altamente superficial e redundante: respostas que contradizem o enunciado, em geral, são maiores que o enunciado. É uma arena na qual ninguém pode argumentar com propriedade e, se usuários querem discutir, é fácil a discussão virar uma guerra de chamas (uma discussão agressiva mais pautada em insultos e ofensas do que em raciocínio). Como guerras de chamas são ignoráveis, não é possível argumentar contra um enunciado qualquer no Twitter e a pessoa permanece em seu equívoco. Em adição, só é possível mandar mensagens mais longas de forma direta, mas somente amigos podem mandar mensagens diretas entre si, ao passo que muitos usuários tendem a não fazer amizade com quem discorda deles. Isso favorece o fechamento dos usuários em panelinhas.
Donde decorre que o Twitter não é, em absoluto, um lugar amigável aos filósofos, a menos que seja como meio de direcioná-los a textos colocados fora do site.

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2 Comentários »

  1. Curtir

    Comentário por pouar — 10 de novembro de 2015 @ 17:38

    • An abstract of this post. Thanks for sharing.

      Curtir

      Comentário por Yure — 11 de novembro de 2015 @ 09:21


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