Analecto

24 de março de 2016

O que aprendi lendo “Meditações Metafísicas”.

Filed under: Livros, Passatempos — Tags:, , , , , — Yurinho @ 08:04

“Meditações Metafísicas” foi escrito por Descartes. Abaixo, o que aprendi lendo esse livro.

  1. Aprendemos, ao longo de nossas vidas, muitas coisas erradas.
  2. Então, tudo aquilo que construímos sobre fundamentos falsos é digno de se colocar em dúvida.
  3. Esse esforço não pode ser feito imediatamente, mas somente em idade propícia, na solidão (aposentado).
  4. Esse é um processo altamente destrutivo e não deveria ser tentado se outras pessoas dependem de você para existir.
  5. Descartes pretende rejeitar qualquer coisa que não se manifeste como sendo clara e evidente.
  6. Não é necessário derrubar cada conhecimento de cada vez: basta derrubar seus princípios, que são em menor número do que os raciocínios construídos sobre tais princípios.
  7. Os sentidos são a primeira coisa que ele elimina como sendo “duvidoso”: se os sentidos enganam, ele rejeitará os sentidos como fundamento de conhecimento, por não serem claros e evidentes.
  8. A dúvida cartesiana é uma decisão, não uma dúvida normal: você escolhe duvidar.
  9. A dúvida será o método dele neste livro.
  10. Os sentidos são seguros para a vida cotidiana, mas não é isso que queremos.
  11. Descartes dormia pelado.
  12. Como é que eu vou saber… que eu não estou sonhando agora?
  13. Como é possível duvidar da realidade objetiva, Descartes também a rejeita.
  14. Mesmo que o sonho componha uma realidade completamente diferente da realidade objetiva, ele compõe essa realidade fantástica utilizando elementos encontrados no estado de vigília.
  15. Se houver um deus maligno que se diverte em enganar o intelecto, então nem a matemática e a geometria seriam seguras.
  16. Mas, se Deus existe e ele é bom, ele não iria perder tempo enganando suas criaturas.
  17. Deus não criaria outro Deus.
  18. Tudo é duvidoso.
  19. Claro que todas as coisas negadas, embora não sejam 100% aceitáveis por todos, são seguras e muito prováveis.
  20. Então o conhecimento sensível tem seu uso, já que eu recorrerei a ele na vida cotidiana, e não há nada de errado em fazer isso.
  21. A dúvida metódica levou Descartes a rejeitar tudo que temos por certo e confiável.
  22. Pensar dessa forma não é apenas trabalhoso, mas torna a vida impossível de ser vivida.
  23. As Meditações são como um diário pessoal de trabalho dessa dúvida.
  24. A busca por algo de seguro é comparada à alavanca: se eu tiver uma alavanca suficientemente longa e um ponto de apoio suficientemente seguro, posso levantar qualquer coisa.
  25. Talvez eu não tenha corpo, mas será que não é possível existir sem corpo?
  26. Não posso duvidar de uma coisa: que estou duvidando.
  27. Ora, mas pra duvidar é necessário pensar.
  28. Ora, mas só é possível pensar e também se enganar se eu existir.
  29. Então, a garantia de que, pelo menos, eu existo é o fato de que eu estou pensando, algo que não seria possível se eu não existisse.
  30. Chegar à conclusão de que eu existo não assegura que eu existo de uma maneira particular.
  31. O corpo é uma ferramenta a serviço da alma.
  32. Alma é substância pensante.
  33. Sou um troço pensante.
  34. O próprio pensamento é a única coisa que passa pela dúvida metódica.
  35. Estado físico não é essência, mas acidente.
  36. Atingir a natureza das coisas é um esforço mental, não empírico.
  37. Se eu brinco com um objeto e também com meu corpo, mas percebo meu corpo com mais nitidez do que objeto com que brinco, o conhecimento do meu corpo é mais seguro.
  38. Aquilo que na ciência é mais fácil é difícil para o senso comum.
  39. Em que condições eu posso reconhecer o valor objetivo de uma ideia?
  40. Até que ponto algo que eu penso realmente existe?
  41. Se existe um deus que se preocupa em enganar as pessoas, é um divino desocupado.
  42. Devemos procurar saber se há razões para acreditar em Deus.
  43. Se houver, devemos nos certificar que ele não emprega sua indústria em nos enganar.
  44. É possível desejar o que não existe.
  45. A ideia que eu tenho não necessariamente corresponde à coisa a qual deveria corresponder.
  46. Algumas ideias que eu tenho parecem ter nascido comigo.
  47. Ideias de procedência externa, afecções: perto de um fogo, sentirei calor.
  48. Instinto não é fonte segura de conhecimento.
  49. O instinto é amoral, é agnóstico.
  50. Depois que o exterior deixa uma impressão, o pensamento relacionado à impressão pode surgir sem o objeto que a causou.
  51. Sem uma ideia clara e evidente, não há critério de julgamento entre falso e verdadeiro.
  52. O sentido mostra o Sol, o instinto supõe que o Sol é do tamanho que parece, mas a razão diz que o Sol é maior que a Terra.
  53. Os sentidos traem com grande traição.
  54. Apelo aos graus de ser, à causa eficiente: todo efeito tem uma causa e eu sou um efeito.
  55. Nada garante que a criatura é igual ao criador.
  56. O nada não pode criar, com isso todos concordamos.
  57. A criatura é semelhante ao criador em alguma coisa, mesmo que em menor grau.
  58. Aquilo que a coisa parece ser para mim… é o que ela realmente é?
  59. Se Deus existe, então não estou sozinho no mundo.
  60. Algo é imperfeito se não sai como planejado (se o real e objetivo não corresponde ao que eu imaginei inicialmente).
  61. Será que o frio é ausência de calor ou é o calor ausência de frio?
  62. Será que eu posso pensar numa mentira completa?
  63. Existem ideias falsas por natureza?
  64. A ideia de Deus é complexa demais pra ser concebida pelo espírito humano.
  65. A existência de Deus só passa pela nossa cabeça porque Deus se dá a inferir na mente humana.
  66. O finito vem do infinito
  67. Ao contrário do que se pensava, infinito não é negação do finito como frio é negação do calor, mas o contrário: se algo é limitado, é porque não tem ser em grau supremo, o que implica parcela de não-ser (potência).
  68. É possível apreender o infinito em sua forma, mas jamais em seu conteúdo.
  69. Se eu fosse Deus, nunca duvidaria de ser Deus.
  70. Tivemos começo, não somos eternos.
  71. Nossos pais fizeram nosso corpo, mas o espírito vem de Deus.
  72. É diferente criar e produzir. Os pais produzem o filho, mas não criaram o ser humano.
  73. Deus não é enganador, porque só engana quem tem carência de algo.
  74. Se Deus é perfeito, ele não criou uma natureza ou seres humanos perfeitos porque não estava no interesse dele criar outros deuses como ele.
  75. Sendo eu finito, não posso receber poder divino em grau infinito.
  76. Eu cometo erros por não saber aquilo que é necessário saber para determinada tarefa.
  77. Se Deus é perfeito, sempre quererá o melhor e mais vantajoso.
  78. O engano é carência de certeza, mas não é carência cognitiva total.
  79. Se Deus é perfeito e infinito, uma mente finita nunca poderá entender algumas ou várias ou todas de suas decisões.
  80. Seria estranho, para Descartes, dizer que os dentes caninos foram concebidos para furar pedaços de carne: se Deus é dono de todas as coisas, sendo também infinito, sendo suas razões incompreensíveis pela fraca mente humana, não se pode afirmar, com certeza, para quê cada coisa na natureza foi concebida.
  81. Que vantagem poderia haver para a natureza que o ser humano fosse mais inteligente do que já é?
  82. O entendimento tem limites mais rígidos que a vontade: quando temos vontade de fazer algo que não entendemos ou não podemos entender, erramos.
  83. Existe diferença entre liberdade de escolha e liberdade de ato.
  84. Não se deve se posicionar sobre o que não se entende.
  85. Um defeito só é defeito em certo sentido.
  86. Para minimizar ou mesmo eliminar o engano, as verdades claras e distintas devem ser separadas das que não são claras ou não são distintas: sobre o incerto, só se pode especular e abandonar qualquer pretensão de certeza.
  87. É possível atribuir existência a algo que não existe.
  88. Se eu disser que existe um ser sumamente perfeito, preciso provar que esse ser existe.
  89. Se Deus é perfeito, é eterno.
  90. A geometria aplica seus preceitos às coisas materiais, o que torna coisas materiais bem prováveis, mas não garante que elas existam.
  91. Algo é “possível” se eu a tenho provas de que ela é possível ou se eu não tenho provas de que ela é impossível (nem tampouco provas de que é certa).
  92. Descartes aponta que temos sensações porque há objetos que nos inspiram sensações e porque temos órgãos que interagem com tais objetos.
  93. O corpo afeta o espírito, que sou eu mesmo, o que implica existência do corpo.
  94. Não temos controle sobre que objetos nos suscitaram preferência.
  95. A dor é uma sensação íntima, mas não é segura: pessoas que tiveram membros amputados ainda têm sensações de dor nos membros que não estão mais lá.
  96. É possível sentir coisas que não estão lá, como quando sonhamos.
  97. Descartes não descarta a possibilidade de que as ideias sensíveis sejam produzidas dentro do próprio espírito (como na loucura ou na alucinação).
  98. Eu sou uma coisa que pensa.
  99. O corpo seria inútil sem o espírito.
  100. O fato de termos sensações a despeito de nossa vontade, uma vez que nosso espírito, sendo nós próprios, é totalmente sujeito à nossa vontade, as sensações vêm de fontes externas a nós.
  101. A causa das sensações ou é um corpo ou Deus.
  102. Não é Deus, porque Deus não quereria se passar por objeto, visto que não é enganador.
  103. O que é incerto ainda pode ser conhecido com certeza, porque o espírito pode corrigir o sentido.
  104. Se a natureza nos ensina algo por meio dos sentidos, então parece que é seguro admitir que existe algo corpóreo fora de nós, feito por Deus.
  105. Alma e corpo não estão totalmente separados.
  106. A natureza é uma só, sempre a mesma: se nossos sentidos não a percebem como deviam, isso é problema nosso.
  107. O ensinamento da natureza é concernente a como se manter vivo e não coincide com o entendimento, não é imediatamente fundamentado e precisa ser complementado pela razão.
  108. A boa interação entre corpo e natureza requer que ambos estejam em bom estado.
  109. Os sentidos existem e os sentidos são seguros em relação à biologia, à conservação da vida.
  110. A diferença entre sonho e realidade é a memória: a memória não é capaz de juntar os sonhos entre si como o faz com os acontecimentos da vida acordada.
  111. A metafísica tem sua função.

16 Comentários »

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