Pedra, Papel e Tesoura.

25 de março de 2016

Problemas com minha amada.

Filed under: Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yure @ 07:50

Esses dias, a amiga que eu amo teve uma reação exagerada frente a um insulto vindo de um amigo querido. Não a culpo, uma vez que o insulto vindo de alguém amado é sempre mais doloroso. E parece que o amigo não poupou esforços em fazê-la se sentir mal. Ela deve ter suas razões para continuar sendo amiga dele, mas eu me questionaria se ele é realmente um amigo ou não.
Essa reação compreendeu uma série de mensagens públicas sobre todos os seus problemas, com os quais ela lida desde 2010 ou mesmo antes. Ela foi diagnosticada com depressão, ela tem ansiedade social e também problemas de amor próprio, pra não falar da insônia. Alguém pode dizer que não se deve jamais perder a esperança e que devemos permanecer firmes perante as adversidades como homens que somos, mas nem sempre é assim. Sucessivos fracassos minam a força de vontade e fragilizam a pessoa, além de que diferentes pessoas têm diferentes níveis de tolerância. Não se deve esperar uma reação padronizada de seres voláteis como nós, humanos.
Sobre a depressão, ela é a atualização da potência depressiva que existe em certas pessoas que têm antecedentes familiares de depressão (herança genética), que passam por sérias dificuldades ou que experimentam desequilíbrio químico. Nem todos os que têm tendência à depressão ficam deprimidos, porque precisam de um motivo emocional ou físico para ficarem deprimidos. No caso da minha amiga, a depressão é um efeito e as causas ela própria pode apontar: pouco amor próprio e problemas de socialização.
Eu a amo sinceramente e não me importaria em passar o resto de minha vida com ela, mas vivemos em países diferentes. Se ela é capaz de suscitar um amor desta magnitude, ela tem valor. Eu vivo a repetir o que me atrai nela, mas é um pouco difícil que ela reconheça suas habilidades e suas qualidades se elas não forem apontadas por outras pessoas. Ora, mas outras pessoas apontam: ela tem amigos tanto na Internet como fora dela, alguns com grau decente de intimidade. Então, ela tem valor para outras pessoas. Como então ela continua tendo baixo amor próprio?
Quando eu tive depressão na minha adolescência, eu não percebia minhas próprias qualidades. Eu ignorava completamente que eu era bom em um número de coisas, mesmo quando elogiado. Era normal eu pensar que eu estava sendo elogiado por piedade e nunca realmente fazia nada “bom” além do bastante. Quando o tratamento terminou e eu me recuperei da depressão, eu percebi que eu tinha qualidades de escrita e de leitura, de raciocínio e de compreensão, que as obras que eu havia feito para meus amigos no passado eram, de fato, boas.
Isso significa que o problema não reside numa falta de reconhecimento por parte dos amigos, mas numa falta de reconhecimento por parte dela própria: ela não se acha especial, mesmo quando outros acham. Isso pode ocorrer por duas razões: reconhecimento insuficiente para obra suficiente ou exagero do valor dos defeitos. No primeiro caso, ela não recebe o devido retorno por algo que ela julga valer um retorno maior. No segundo caso, ela olha seus defeitos e os avalia como maiores que as qualidades, lhe dando um saldo negativo de amor próprio.
O primeiro caso deve ser analisado à luz de sua ansiedade social. Ela é boa em edição de vídeo e em escrita de literatura, eu vi seus trabalhos e ela os mostra apenas a amigos íntimos. Por que não mostrar para um número maior de pessoas? Porque ela teme as críticas. Porém, temendo as críticas, ela priva o mundo de seu trabalho, consequentemente se privando do valor que o mundo poderia dar a ela. Ela me contou que, no passado, ela disponibilizava seus vídeos de maneira pública, mas constantemente se comparava a editores melhores, invejando seus trabalhos e olhando seu próprio trabalho de maneira injusta e excessivamente crítica. Isso é uma manifestação de orgulho e de desejo por perfeição, duas qualidades que podem facilmente se desequilibrar e se tornar doentias. Ela precisaria aprender a encarar seu trabalho de maneira justa e procurar meios de melhorar a seu próprio passo, em outras palavras, diminuir suas expectativas sobre si própria.
O segundo caso se manifesta com maior frequência. Ela tem alguns desvios sexuais parecidos com os meus e sabemos que existem pessoas que não nos entendem e nos discriminam por algo que não podemos mudar. Mas a rejeição de alguém por causa de um só aspecto de sua personalidade ou sexualidade confere ao desvio um valor que não lhe é devido. Passamos a ficar obcecados em esconder ou exterminar certo aspecto de nossa personalidade que, muitas vezes, não precisa ser eliminado, sendo, em si, de pouca importância. Tal como o dinheiro é apenas um monte de papel inútil ao qual atribuímos valor, muitos de nossos defeitos são inócuos, mas lhes atribuímos valor que, na verdade, é estranho ao defeito. Nesse caso, ela precisa se lembrar que ela é muito mais que seus defeitos, que também tem qualidades e que a discriminação por um só aspecto de sua personalidade ou de seu corpo é injusta, portanto sendo um problema do que discrimina e não dela. Ela precisa avaliar se o defeito é pior do que o esforço para se livrar dele (se vale a pena) e precisa procurar compensar com a melhoria de suas qualidades, para que melhore seu próprio valor. Por último, um pouco de bom senso (que ela já tem em boa quantidade), para que o defeito possa se manifestar às pessoas certas. Se feito corretamente, ela se sentirá aceita.

Já quanto a insônia, se treinar para dormir catorze horas após acordar é um bom começo. Afinal, é mais fácil controlar a hora de acordar do que a hora em que sentimos sono. Sentimos sono mais ou menos dezesseis horas após acordar, então ir pra cama duas horas antes disso nos permite adormecer mais rápido quando o sono vem, de forma que possamos acordar mais cedo que da última vez.

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