Analecto

26 de junho de 2016

O que aprendi lendo “Monadologia”.

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Monadologia” foi escrito por Leibniz. Abaixo, o que aprendi lendo esse texto.

  1. A “mônada” não tem partes.
  2. Ela é simples, e entra na composição de outras substâncias.
  3. Se não houver algo que não possa ser dividido, não é possível explicar a multiplicidade de coisas compostas.
  4. Deve haver algo que não possa ser dividido.
  5. Sendo simples, as unidades espirituais não foram formadas: ou elas sempre existiram ou “apareceram”.
  6. No caso, elas apareceram milagrosamente e somem também milagrosamente.
  7. A célebre afirmação de que as unidades espirituais “não têm janelas” deve ser entendida no sentido de que nada entra ou sai da mônada, sendo ela simples.
  8. Se é simples, é totalmente compacta em si: não recebe acréscimo e não pode sofrer subtração.
  9. O problema do átomo de Demócrito é que ele não explica as diferenças qualitativas entre os seres e as substâncias, porquanto Demócrito conceituava os átomos como diferentes apenas em formato.
  10. Embora a mônada não possa ser destruída senão milagrosamente, ela está sujeita ao devir.
  11. Mônadas mudam por causa de uma qualidade interna: se não podem receber acréscimo ou subtração, a mônada muda sozinha, sem que haja agente externo.
  12. O mecanicismo, a ideia segundo a qual os fenômenos naturais podem ser explicados por analogia a produtos do artifício humano não explica a percepção.
  13. Existem percepções inconscientes: se só percebemos, por exemplo, sons enquanto conscientes, como o barulho pode nos acordar do sono?
  14. A mônada não corresponde à alma.
  15. Para despertar a prudência (“consecução”, em Leibniz), não são necessárias várias impressões: uma experiência traumática, mesmo que seja uma só, pode produzir o mesmo efeito de várias pequenas experiências ruins.
  16. O que difere o ser humano dos outros animais é a capacidade de fazer ciência, não simplesmente a razão.
  17. Classicamente, “alma” é princípio de movimento, ao passo que “espírito” é somente a parte racional da alma.
  18. Existem dois tipos de verdade: as de razão (a priori, “todo solteiro é um não casado”) e as de fato (a posteriori, “algo aconteceu de tal e tal forma”).
  19. As verdades de razão são necessárias e não podem ser de outro modo, as de fato são contingentes e podem ser de outro modo.
  20. Existem verdades que não precisam de prova.
  21. Deus existe.
  22. Vemos que o mundo material é contingente, isto é, sujeito à geração e à corrupção.
  23. Ele só pode ter sua origem em um ser necessário.
  24. Deus tem perfeito entendimento, então, só pode fazer boas escolhas.
  25. Não há nada de morto no universo.
  26. As coisas espirituais seguem causas formais e finais.
  27. As coisas físicas seguem causas materiais e eficientes.
  28. A penitência do pecado é sua consequência ruim, seja a longo prazo ou a curto prazo.
  29. Não existe ação sem consequência: as boas são recompensadas e as más são punidas.

23 de junho de 2016

O que aprendi lendo “Novo Sistema da Natureza”.

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Novo Sistema da Natureza” foi escrito por Leibniz. Abaixo, o que aprendi lendo o texto dele.

  1. Divulgue seus textos.
  2. Sábios deveriam colaborar mais frequentemente.
  3. A dificuldade sentida pelos sábios em trabalhar juntos se deve aos termos usados de forma diferente dependendo do pensador.
  4. Não publique um texto imediatamente; dê-o a outras pessoas que conhecem o assunto pra ver se elas encontram falhas, daí, após corrigir quaisquer falhas, publique.
  5. Se seu texto for revisado por outros intelectuais, valerá mais a pena lê-lo.
  6. Animais não são máquinas.
  7. Juntar vários pedacinhos não forma algo contínuo.
  8. Matéria agregada não é capaz de formar consciência ou intelecto.
  9. Separar a ciência da metafísica restringe seu avanço.
  10. A vida é um milagre atribuível a Deus.
  11. As coisas espirituais não podem ser explicadas pelas leis da matéria.
  12. Ressurreições ocorrem na natureza.
  13. Assumir que se pode explicar a natureza da mesma forma que se explica os produtos do artifício humano (mecanicismo) é presunção.
  14. O mecanicismo não explica o pensamento nem a consciência.
  15. A concordância entre todas as substâncias em algo que faça sentido só seria possível se a causa delas fosse a mesma, em última instância.

21 de junho de 2016

Anotações sobre os pensamentos.

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  1. Advertência de Pascal aos ateus: vocês realmente conhecem a religião de que discordam?
  2. Sempre que o ateu diz que não existe Deus sem ter experimentado a religião ainda, ele está apoiando uma doutrina cristã que diz que Deus só se revela para aqueles que o buscam. Então, se ele discorda sem ter tentado, está apenas afirmando o fato de que Deus não se revela a qualquer um, ao passo que há pessoas que “encontraram Deus” na igreja. Sempre que ele procura derrubar a existência do divino, acaba tornando essa cisão mais evidente, consequentemente aumentando a fé de quem ouve.
  3. Os ateus que dizem ter buscado a divindade muitas vezes fizeram menos esforço em encontrá-la do que os cristãos sinceros, que passam horas lendo os livros sagrados e procurando orientações com seus teólogos locais, muitas vezes mais de um ou mais de uma dezena deles. Também passam muito tempo em oração e praticam os votos. Então, o ateu que não tentou chegar aos limites da devoção do crente, para o que é necessário fé, não tem propriedade para falar contra a religião. Isso implica dizer que os únicos ateus que merecem algum respaldo argumentativo são os apóstatas e os que se torturam com essa dúvida cruel, ou seja, os que não têm fé e detestam não tê-la (uma vez que isso os impulsiona à pesquisa), diz Pascal.
  4. Não sentir nada frente à possibilidade de vida eterna requer incapacidade de qualquer emoção, diz Pascal.
  5. A morte é real. A morte é terrível.
  6. O medo da morte nos impede de viver plenamente a vida. Essa é a condição humana. Todos os nossos esforços se orientam para afastar de nós esse medo, que só pode ser completamente expurgado pela busca da vida eterna.
  7. Achar que morrer e deixar de existir é algo digno de orgulho é anormal.
  8. É loucura não temer a morte.
  9. O ateu verdadeiro é, para Pascal, um péssimo amigo e um inútil completo. Veja o resumo que ele faz da mente ateia, logo na primeira parte dos Pensamentos.
  10. A oposição do ateísmo fortalece o cristianismo. Ou é o que Pascal diz, pois o que se observa é que a oposição ateia leva muitos a abandonar a fé.
  11. Não temer a miséria humana é algo que não ocorre na natureza. É natural que o ser humano tema sua miséria.
  12. Para Pascal, o ateu que não teme a morte, ainda teme a perda de cargo e perda de privilégio, a fome e a sede, o desamparo e a solidão. Como alguém que não teme a morte pode temer coisas menores que a morte?
  13. Não seria de admirar que a coragem do ateu frente à morte seja uma fachada.
  14. O ateu é louco para o cristão e vice-versa.
  15. “Nada é mais covarde do que mostrar valentia contra Deus.” Não sei exatamente o que ele quis dizer.
  16. Se não podes ser religioso, ao menos sejas bom.
  17. Os ateus que não se interessam em ser bons só não são completamente desprezados pelos religiosos praticantes de caridade.
  18. Adivinha como essa caridade se manifesta? Pela tentativa de conversão. É por isso que os ateus acham os cristãos uns chatos. O cristão tem pena do ateu e tenta convertê-lo porque vê em sua condição um grande mal.
  19. O objetivo dos Pensamentos é converter os ateus.
  20. Deus é misericordioso. Mas parece lógico, para Pascal, que ele seja mais misericordioso com o crente.
  21. Os números são infinitos. O último número na lista que sempre cresce é par ou ímpar? Deve ser um dos dois, já que é um número. Então, não é possível conhecer o infinito matematicamente.
  22. É possível acreditar em Deus sem saber o que ele é.
  23. Se pensarmos a questão somente pela via racional, podemos chegar ao agnosticismo: não é possível, racionalmente, saber se um ser infinito realmente existe, uma vez que o infinito em ato escapa à mente humana. Portanto, para Pascal, o ateu não pode repreender o cristão, porque, no final das contas, nenhum dos dois “sabe” do que está falando. O cristão “acredita” no que está falando e o ateu não acredita. Mas “saber” não é possível.
  24. Aposta de Pascal.
    1. Deus existe e eu acredito nele: serei recompensado por ele.
    2. Deus existe e eu não acredito nele: serei punido por ele.
    3. Deus não existe e eu acredito nele: ainda ganho por viver plenamente, livre do medo da morte.
    4. Deus não existe e eu não acredito nele: não há perda e nem ganho.
  25. Donde decorre que há mais vantagem em crer. Me arriscando a uma perda finita, aposto na possibilidade de ganho infinito.
  26. Caso haja uma recusa da crença, a convivência entre religiosos e a participação em suas práticas talvez o torne mais suscetível à crença. Isso parece Tomás de Aquino, quando ele diz que o incenso, a posição, o local e todas as cerimônias que cercam a ocasião de rezar não serão vistas por Deus, mas permitem que o fiel se concentre melhor, promovendo uma mudança de seu ritmo, direcionando-o à devoção.
  27. A religião cristã, de acordo com Pascal, é a única que conhece o quão pequeno é o ser humano em relação ao universo e também a razão dessa pequenez.
  28. A religião judaica-cristã foi quase destruída várias vezes… mas subsiste por mais tempo que qualquer outra religião da atualidade.
  29. As regras cristãs e judaicas, sendo preservadas escritas, jamais mudaram.
  30. Jesus foi profetizado no Velho Testamento, cuja a escrita começou séculos antes de sua vinda. É de se admirar que as profecias tenham o previsto com tanto acerto.
  31. A cura para os males da humanidade, diz Pascal, não se encontra na própria humanidade.
  32. Para Pascal, esses males são principalmente o orgulho e a concupiscência.
  33. Muitos pensaram que a natureza é perfeita e outros pensaram que a natureza é irreparável. Mas pensar que algo está perfeito ou pensar que algo não tem jeito são duas coisas que nos levam a não querer tentar melhorar.
  34. Diz Pascal: a religião cristã é a única forma de corrigir as pessoas.
  35. Fomos separados de Deus por causa de Adão e Eva, mas religados a Deus por Jesus Cristo.
  36. Não se deve pensar que o ser humano é capaz de ações perfeitas e esse é o problema da filosofia moral até Pascal. Não reconhecer que é impossível ser perfeito.
  37. Também não se cogitou até então o fato de que nenhum ser humano é capaz de ações totalmente más.
  38. A razão é fraca quando pensa que pode conhecer tudo. É imaturo pensar que o intelecto humano pode conhecer tudo.
  39. Se a religião se tornar totalmente racional, deixará de ser religião. Se a religião se tornar totalmente irracional, se tornará um ridículo absurdo.
  40. Admitir que está errado ou que não é possível saber alguma coisa, a menos num dado instante, ou seja, admitir seus limites, é prova de bom julgamento.
  41. Dois excessos: não admitir a razão e só admitir a razão. Porém, a fé, estando acima da razão, não lhe é oposta.
  42. Não é nada estranho que alguém sem estudo seja crente.
  43. Quem crê sem ler a Bíblia tem uma grande dose de fé. O problema é que são presas fáceis aos falsos mestres…
  44. Se Deus inclina alguém a crer, essa pessoa não precisa de persuasão.
  45. Só os judeus são uma religião formada a partir de um só homem, sendo, portanto, uma só família. As outras religiões são feitas também pela união de famílias.
  46. Se Deus sempre esteve presente no mundo e os judeus são aqueles que têm mantido contato com ele por mais tempo, então é dos judeus que devemos aprender sobre ele.
  47. Os judeus são um elemento sempre presente na história da civilização, diz Pascal. O mundo já os tentou destruir várias vezes, mas ainda estão aí. Não foram mais fortes economicamente como a Grécia e a Roma, cujos impérios acabaram, não tinham a força militar que tinha o Egito. Não apenas sobreviveram a tudo o que fizeram, como também são o povo mais velho ainda em existência. Como pode?
  48. A Lei dos judeus é tão perfeita que outros Estados a usaram como inspiração na confecção de suas próprias.
  49. A Lei dos judeus é difícil de seguir, mas hoje ainda se encontra em seu estado original. A lei dos outros povos, embora fosse mais fácil de seguir, sofria mudanças periódicas.
  50. Outra singularidade dos judeus é que seus registros históricos e também a Lei (pentateuco, que também tem história) fala várias vezes contra os próprios judeus, até mesmo profetizando contra os judeus, mostrando todos os podres que cometeram no passado de Juízes até Ester, todas as coisas ruins que lhes ocorrerão a partir de Isaías, mas esses registros negativos nunca foram apagados. Pelo contrário: os judeus parecem ter orgulho de sua história, de seus altos e baixos, não querendo posar de nação perfeita.
  51. Os livros dos judeus é que fazem deles um povo. São unidos pelo que Deus deixou.
  52. Para Pascal, a razão pela qual Jesus não foi aceito pela maioria judaica é que ele operou milagres mais modestos que os de Moisés.
  53. Os que são ateus por vezes usam a descrença judaica em Jesus como razão de não se converterem a Jesus.
  54. Mas as próprias Escrituras judaicas prevêem que os judeus rejeitariam Jesus em sua maioria. Então esse pretexto é muito mais um pretexto pra crer.
  55. Para Pascal, os judeus preferiram a promessa, não o cumprimento.
  56. As profecias mostram que o Messias prometido seria rejeitado pelos judeus e morto pelos mesmos. Quando Jesus veio, foi rejeitado como Messias e morto.
  57. Se as profecias fossem claras e identificassem o Messias, por exemplo, por altura, tipo físico, barba, nome próprio e coisas que tais, elas não seriam cumpridas com a mesma eficácia. Se elas fossem tão claras assim, os judeus teriam sido amigos de Jesus e a profecia de que ele seria rejeitado seria anulada.
  58. As ações podem ser motivadas por cobiça ou caridade.
  59. Os muçulmanos, diz Pascal, são desencorajados pela sua religião a lerem o Velho Testamento.
  60. Para Pascal, a religião do verdadeiro judeu e a religião do verdadeiro cristão é a mesma.
  61. Quando um judeu diz a um cristão que Jesus não é o Messias, não faz senão aumentar a fé do cristão em Jesus.
  62. Um cristão que estuda a história judaica pode rebater objeções mais facilmente, diz Pascal. Eis uma das razões para o Velho Testamento estar em nossas Bíblias. A outra é que o que o dá testemunho de Jesus é o Velho Testamento. Então, se o Velho Testamento fosse ocultado dos cristãos, seriam ocultadas todas as razões que nos levam a crer nele. Portanto, a religião cristã é inseparável da judaica, de um ponto de vista doutrinário.
  63. Para Pascal, a razão de os judeus não entenderem Jesus é porque esperavam cumprimentos proféticos literais.
  64. Para Pascal, o entendimento literal do Velho Testamento é contraditório.
  65. Pascal diz que a Bíblia é uma ferramenta de conhecimento de si próprio também. Nunca olhei por esse lado.
  66. Pascal diz: a Bíblia não se contradiz. É preciso encontrar um sentido que ligue todas as passagens que parecem dizer coisas diferentes sobre a mesma matéria.
  67. Quando um escritor se contradiz, das duas uma: ou ele não sabe o que está dizendo ou colocou um sentido oculto.
  68. Jesus é a resolução das aparentes contradições no Velho Testamento.
  69. Para Pascal, o sentido da Escritura é a caridade. Mas há diferentes formas de exercê-la.
  70. O que motiva nossos inimigos é o desejo de causar maldade. Nosso inimigo, então, é a maldade, não a pessoa que a comete.
  71. Todos os mandamentos e cerimônias que não concordam necessariamente com a caridade são figuras, diz Pascal. A terra prometida, a nação judaica na Terra, são coisas figuradas para o Paraíso que viria e para o Novo Mundo, diz Pascal.
  72. Os ricos e famosos precisam da glória deste mundo. Os filósofos e cientistas buscam a glória espiritual. Os religiosos buscam a glória que só Deus pode prover.
  73. Embora Jesus tivesse vindo do judaísmo e obtido o respeito dos gentios, ele mesmo, em seu ministério terreno, não se fez rei, não procurou ser importante… Ele foi surpreendentemente humilde.
  74. A servidão a Jesus é isenta de orgulho e de desespero. Os verdadeiros cristãos parecem nunca se preocupar.
  75. Os judeus previram Jesus por quatro mil anos. Profeta após profeta falou dele.
  76. Platão tentou fazer com poucos homens instruídos o que Jesus conseguiu fazer com todo o mundo, inclusive com ignorantes.
  77. Pascal enumera as profecias messiânicas do Velho Testamento que se cumpriram no novo e tem coisas que eu havia deixado passar.
  78. Os judeus que não aceitarem Jesus, diz Pascal, esperarão em vão seu messias.
  79. Para Pascal, a Lei judaica subsiste somente até Jesus.
  80. Profecias particulares, isto é, para tempo e local específicos, foram postas nos livros junto com as profecias messiânicas, para que assim, quando as profecias particulares fossem cumpridas, as profecias messiânicas fosse tomadas com mais fé.
  81. As setenta semanas de Daniel não são literais por imperfeições dos escritores dos registros. Por causa dessa margem, o tempo de espera das setenta semanas podia ser de até duzentos anos.
  82. Se Jesus não tivesse ressuscitado e tudo fosse uma mentira, o movimento cristão teria tido o mesmo impacto?
  83. Até depois de morto, Jesus realiza profecias. Pois depois de sua morte, foi predito, as nações se converteriam a ele. E de fato, ele morreu e nós, que não somos judeus, estamos nos convertendo a ele a cada dia que passa.
  84. A segunda destruição do templo de Jerusalém seria irreversível. Os judeus passariam a não ter mais rei e seriam espalhados entre as gentes (diáspora).
  85. Se os judeus tivessem sido destruídos, não haveria nada que sustentasse a fé cristã. Se os judeus tivessem sido todos convertidos, a profecia seria quebrada.
  86. O Velho Testamento se justifica a si mesmo por ter sido o primeiro. O Novo Testamento se justifica porque o Velho lhe dá testemunho. Então, diz Pascal, o Alcorão só poderia se justificar se o testamento anterior desse testemunho dele. A mesma crítica serve contra o Livro de Mórmon. A defesa mórmon poderia ser a de que a Bíblia é imperfeita.
  87. Se Deus nunca tivesse aparecido, ou ele não existiria (como querem os ateus) ou não somos dignos de sua presença.
  88. Se conhecêssemos nossa miséria, mas não quiséssemos Deus, não iríamos querer melhorar nosso comportamento, diz Pascal.
  89. Jesus não veio fazer só coisas boas, ele veio também obscurecer os infiéis e também mostrar aos ricos a humilhação. Se ele tivesse vindo fazer só o bem pra todos, não haveria quem dissesse que ele não existiu. Se ele tivesse vindo só pra reprimir, humilhar e repreender, todos o negariam.
  90. Como aquilo que se ama é frequentemente tomado como sendo o “bem”, só creram em Jesus aqueles que amavam as coisas que ele ensinava, que eram espirituais, e nisso foram felizes. Os que esperavam que o Messias viesse trazer bens materiais não o entenderam como benfeitor.
  91. O que diferenciava os judeus dos gentios era o amor ao Deus único. Tanto que os judeus pereceriam como gentios se deixassem de amá-lo, mesmo que continuassem observando os rituais.
  92. A circuncisão tinha como única função, diz Pascal, diferenciar judeus e gentios. Pra quê tinha que ser um sinal no pênis? Talvez pra lembrar que o judeu não podia ter sexo com estrangeiras.
  93. A crença em Deus encontra utilidade em Jesus Cristo, pois ele nos entregou a moral que seguimos. Não basta crer; é preciso fazer o que ele disse. Então, por meio de Jesus, os cristãos encontram um meio de exercer a fé pela prática.
  94. Usar o argumento do projeto inteligente é dar testificar contra a nossa religião: é um argumento fraco.
  95. A existência de Deus não é óbvia. Ele deve ser procurado.
  96. O conhecimento dos dogmas da fé são inúteis e estéreis sem o Evangelho para lhes dar significado.
  97. Por exemplo, se Deus fosse como Epicuro diz que ele é: feliz, imortal, mas que não se ocupa de nós. De que adiantaria saber disso? Isso não faria diferença em minha vida. Como a salvação dada por Jesus é prática, fazer o que ele diz nos aperfeiçoa o comportamento. Ela é útil também neste mundo.
  98. Os autores bíblicos não usam meios naturais para inferir a existência de Deus. Não provam que ele existe usando argumentos racionais, mas testemunhos apenas.
  99. Para Pascal, as provas da existência de Deus são leves demais e não servem ao propósito a que se destinam. Além do mais, conhecer Deus pela especulação é o mesmo que nada, se isso não tem desdobramentos práticos.
  100. Deus é dono das verdades, como querem os pagãos, é o que nos beneficia materialmente, como querem os judeus, e é pessoal, compassivo, misericordioso, como querem os cristãos.
  101. A doutrina diz o que é milagre e o que não é. Quando um milagre acontece, revela as doutrinas erradas.
  102. Se um “milagre” pretende levar à adoração de outro Deus ou a diminuir a imagem de Cristo, é um falso milagre.
  103. Consequentemente, milagres só podem existir no cristianismo, conclui Pascal.
  104. Na minha modesta opinião, a identificação entre Jesus e Deus é o que mais afasta os judeus dos cristãos. Deus, sendo um só, não deveria ser uma Trindade. Por isso que os judeus frequentemente dizem que o Deus dos cristãos não é o Deus deles e, na medida em que o cristão afirma a Trindade, o judeu tem razão quando diz isso. Jesus é o messias e o filho de Deus. Mas, pela leitura do Evangelho, se vê que Jesus frequentemente se põe debaixo do Deus que ele adorava (pois Jesus era judeu e judeus adoram um Deus que é uno e uno apenas, não trino).
  105. Se Jesus fazia milagres ao mesmo tempo que afirmava o Deus único dos judeus, então seus milagres eram legítimos. Pascal diz que os judeus tinham obrigação de crer em Jesus. A recusa mostrava que os judeus haviam mesmo se distanciado da Lei.
  106. Eu tenho um amigo que acredita em Satanás, mas não em Deus. Pascal acharia isso loucura.
  107. Jesus prometeu a vida eterna e não foi acreditado. Ele tinha que provar, ressuscitando.
  108. As pessoas comuns tomam possibilidades por verdades. “Se é possível, existe.”
  109. Se um mal fosse tido como incurável, ninguém procuraria (ao menos dentre os comuns) uma cura para esse mal. Só depois que a cura for dada como possível ou provável é que as pessoas se organizarão para obtê-la.
  110. Para Pascal, os selvagens têm religião porque entraram, em dado instante, em contato com a religião dos judeus ou dos cristãos. É a conclusão de seu argumento. Só pode conceber uma religião falsa quem teve contato com a verdadeira. Hoje sabemos que não é assim, então o argumento é inválido.
  111. Uma religião verdadeira: precisa ter sempre existido, dar segurança aos fiéis, ter milagres.
  112. Para Pascal, os judeus que não se convertem a Jesus são inimigos da igreja. Isso soa um pouco anti-cristão, se você leva em consideração os Evangelhos e o Apocalipse.
  113. Os milagres apontam a doutrina correta. Se alguém faz milagres sem negar o nome divino ou ensinar algo contrário à fé cristã, o milagre é válido e a doutrina é correta. Importante lembrar o que dizem os Evangelhos, pois neles é mostrado que Jesus rejeitará alguns fazedores de milagres, porque fazer milagres em nome dele não é garantia de santidade de doutrina. Ou seja, é possível fazer milagres em nome de Jesus e ser por ele rejeitado, se a pessoa ensina algo contrário ao que Jesus ensinou (Mateus 7:22). Por isso que o pessoal tem um par de problemas com os milagres de Paulo…
  114. O poder de Deus sobre os espíritos é provado pelo poder que ele tem sobre os corpos.
  115. Forçar um ateu a crer apenas o afasta mais de Deus. Não se deve converter ninguém pela força.
  116. “O coração tem razões que a razão desconhece”, diz Pascal. Será que foi ele que inventou isso?
  117. O pensamento tipicamente católico é de que o mundo é mau e existe para tentá-lo a afaster-se de Deus.
  118. Só Deus para evitar que o mundo seja destruído ou que vire um inferno.
  119. Se você não se importa em saber a verdade, não a procurará. Mas não diga que ela é inatingível só porque você não chegou lá.
  120. A pesquisa sincera da verdade é nossa garantia de repouso. Porque só paramos totalmente quando estamos seguros de tudo, o que só é possível sabendo a verdade.
  121. A morte generosa de alguém só faz sentido se nos identificamos com esse alguém de alguma forma. Por exemplo, se ele for do nosso povo, defendeu nossa causa…
  122. Os santos eram pessoas comuns. Nós podemos seguir o exemplo deles.
  123. Os ateus talvez temam que a religião cristã seja verdadeira.
  124. Se você acredita que Deus não existe, imagine como seria se ele existisse. Se ele existir mesmo e você não crê nele, você corre grave risco e perde um grande prêmio. Mas e se ele não existir e eu ainda assim acreditar? Não perco nada com isso.
  125. É mais fácil ignorar as perseguições se você se mantém firme no pensamento de que a igreja não será destruída por elas.
  126. Alguém disse que a aposta de Pascal o torna um falso cristão, mas todo o livro dos Pensamentos o revela um católico praticante com fé invejável.
  127. Quando você racionaliza uma má ação, você a pratica sem culpa.
  128. Alguém que está fraco e agonizante pode ser chamado de corajoso por atacar, nesse estado, o Deus Todo-Poderoso e eterno? Não, não pode.
  129. Se a testemunha de uma história é morta por tê-la testemunhado, a história é provavelmente verdadeira. Afinal, se fosse falsa, bastaria ser provada como sendo falsa. Mas, sendo verdadeira, ela se impõe. Por isso incomoda.
  130. Crítica à salvação pela fé: excluir demonstrações exteriores de piedade impede as mudanças de comportamentos e passamos a ter uma congregação de pessoas corruptas. A fé tem que se manifestar exteriormente, precisa coexistir com obras.
  131. Para Pascal, o divertimento mais danoso à moral cristã é a comédia, isto é, o teatro da comédia. Porque ela atenua o impacto das falhas humanas, lhes dando um caráter de inocência. Isso porque ele não vive nos dias atuais e nunca assistiu Cidade 190, Barra Pesada ou Os Malas e a Lei, os quais dão um caráter quotidiano à morte, de forma que os que assistem esses programas ficam indiferentes a ela. Se acostumam a ver os outros morrerem.
  132. A Inquisição era ignorante na época de Pascal. Se você tivesse um estilo de escrita demasiadamente culto, a Inquisição poderia entender seu texto de forma errada e te condenar por uma blasfêmia que nem está realmente ali. Se tinha que afirmar sua fé ao longo de boa parte do texto, para garantir à Inquisição que não se era um herege.
  133. Pascal chama a Inquisição de “flagelo da verdade”.
  134. Pensamento e vontade não necessariamente coexistem no mesmo ser.
  135. As pessoas não querem verdades, querem probabilidades.
  136. O que faz um papa não é um título, mas sua conduta. Um papa que se volta contra os ensinos divinos não merece ser chamado de papa.
  137. Se você diz que o ser humano é miserável demais pra merecer uma relação com Deus, você deve ser maior que os dois para julgar tal coisa, uma vez que o próprio Deus a oferece.
  138. Talvez sejamos indignos de Deus por nossa miséria, mas é divino que alguém nos queira tirar dela.
  139. O cristianismo não é único. Há três denominações: católicos, ortodoxos e protestantes. E ainda há os que não querem tomar parte em denominação alguma, como eu.
  140. O fato de muitos pensarem que a religião não uma certeza não deveria nos desencorajar se seguir uma; também não há certeza de que estaremos vivos amanhã, e essa incerteza não nos impede de planejar o dia seguinte.
  141. É preciso ser forte pra ser ateu. Mas a força do ateu, diz Pascal, é limitada.
  142. As emoções moderadas pela razão tendem à virtude e não ao vício.
  143. A Criação é infinita. O ser humano não deveria se levar tão a sério, se ele pouco contribui para o universo. A menos, é claro, que você considere o mundo de maneira tomista, onde o ser humano é uma peça-chave na ordem cósmica.
  144. O ser humano, porém, tem grande valor se comparado com os múltiplos universos microscópicos. Ele está no meio de dois infinitos: o infinitamente grande (o universo afora) e o infinitamente pequeno (o quântico).
  145. O que somos no universo? Um nada para o infinito e um tudo para o nada.
  146. Ora, mas seguindo esse raciocínio, isso não é uma característica particular do ser humano. Tudo é assim. Tudo é um meio entre o infinito e o nada.
  147. Não há proporção entre ser humano e natureza. Nosso conhecimento da natureza está fadado a ser incompleto.
  148. O infinito só faz sentido pra Deus.
  149. Tudo em excesso ou carência prejudica o ser humano, prova tanto de sua finidade quanto de seu caráter mediano.
  150. Mesmo que alguém busque o excesso, perceberá que o excesso parece se afastar dele.
  151. A natureza mediana do ser humano afasta ao mesmo tempo da ignorância e da certeza. Platão, na pessoa de Sócrates, diz o mesmo sobre o amor.
  152. A incerteza, como a morte, é ao mesmo tempo natural e indesejada.
  153. Não se deve esperar qualquer certeza. Embora ainda possamos alcançar conhecimento de alguma coisa, na medida em que isso nos é útil e prazeroso, temos que ter a maturidade de admitir que nenhum saber humano é certo. Pretender certeza absoluta é infantil.
  154. Uma das razões pelas quais não se pode ter certeza é porque só podemos conhecer o todo conhecendo as partes. Mas as partes do universo estão unidas por relação causal. De forma que só podemos conhecer um efeito pela causa e o contrário. Ora, mas se tudo está ligado dessa forma, só podemos conhecer as partes conhecendo o todo. Mas como? Não nos é possível. Temos que isolar objetos de estudo. Esse isolamento do resto é que nos impede de conhecê-los em todo o seu potencial, porque este só se revela na natureza, em relação com outros fenômenos.
  155. A metafísica por vezes parece atribuir características humanas aos fenômenos: os corpos tendem para baixo e desejam seu centro. Mas “desejar” implica vontade. Pode uma pedra ter vontade e desejar?
  156. Leitura muito lenta prejudica tanto quanto uma leitura muito rápida.
  157. Se fazemos algo, como uma música ou desenho, entendemos o produto de nosso trabalho logo após terminá-lo. Mas, com o passar do tempo, nossos trabalhos anteriores se tornam estranhos pra nós. Eu, por exemplo, não acreditaria que os desenhos que eu fiz em 2010 foram feitos pela mesma pessoa que os faz hoje, em 2016, se eu não soubesse que sou em quem está fazendo e que fez antes também.
  158. Se tivéssemos um conhecimento decente sobre nossos próprios corpos, não seríamos hipocondríacos. Não teríamos mal-estar psicológico se tivéssemos meios de saber com toda a certeza que nosso corpo vai bem. Da mesma forma, pessoas com doenças fatais e que estão prestes a morrer, por vezes, não sentem nada de errado.
  159. Por que existimos? Por que aqui? Por que agora?
  160. Para Pascal, essa história de encontrar a felicidade dentro de nós mesmos é besteira.
  161. Alguns filósofos disseram que não tem diferença entre homens e animais. Ora, mas os filósofos que disseram isso também queriam reconhecimento por terem chegado a essa revolução de pensamento. Nisso, aspiram à glória, sendo que os animais não aspiram glória alguma. Então, sua conduta contradiz sua palavra. Nenhum animal, fora o ser humano, pode desejar a glória e a estima dos seus pares.
  162. Se reconhecer miserável já é algo admirável.
  163. O pensamento é a essência do ser humano. Quem não pensa, não é humano.
  164. Se não fosse o pensamento, as sensações corporais não poderiam ser classificadas como prazerosas ou dolorosas, porque o significado de um sentimento não é atribuído ao sentimento pelo corpo. Me parece contraditório, então; os animais sentem os mesmos estímulos que nós, classificam esses estímulos em prazeroso e doloroso. Então os animais pensam. Logo o pensamento não constitui essência humana, uma vez que um animal, sendo pensante (isto é, classificando sensações que de outra forma não passariam de estímulo corpóreo), nem por isso é humano. A menos que se pense essência em sentido não exclusivo: o ser humano é humano porque pensa e porque tem mais algum atributo. Hobbes dirá que o atributo adicional é a linguagem. Aristóteles dirá que é a sociabilidade (“animal político”).
  165. O pensamento dignifica o indivíduo.
  166. Insistir em mostrar ao ser humano o quão semelhante ele é aos animais, sem mostrar-lhe em que sentido ele os supera, pode levar a uma concepção errada do próprio valor.
  167. Os filósofos são grande coisa apenas para as pessoas comuns e não entre si mesmos.
  168. Penso, logo existo.
  169. As pessoas passam mais tempo cuidando de sua imagem pública do que daquilo que realmente são. Não desenvolvem suas verdadeiras capacidades senão em função da imagem que se quer cultivar diante dos outros.
  170. Tudo feito pela glória parece escusável.
  171. A paixão pela glória chega ao cúmulo de querer morrer por ela.
  172. Há essa paixão também na filosofia, entre escritores que procuram o aplauso e leitores que se gabam da cultura que absorvem.
  173. A vã curiosidade também é paixão pela glória: queremos saber pra termos assunto de que falar.
  174. O desejo de ser amado nos leva a ocultar nossos defeitos e criar para nós uma imagem que não nos convém.
  175. Fazer isso nos leva a receber mais respeito do que realmente merecemos. Pior que ter defeitos é tê-los e não reconhecer.
  176. É bom que nos apontem nossos erros, para que possamos corrigi-los.
  177. Muitos católicos odeiam a confissão.
  178. Ter boa imagem e fama acaba fazendo com que falem mal de você em segredo.
  179. A vida é uma peça teatral. Todos são atores e ninguém representa a si próprio.
  180. Ninguém fala de nós em nossa presença como fala em nossa ausência.
  181. A pessoa pública não quer ouvir nem dizer a verdade, diz Pascal.
  182. A fonte dessa hipocrisia é o excesso de amor-próprio.
  183. Uma pessoa mal-vestida falando a verdade é tida por equivocada.
  184. Diz Pascal: o advogado pago com antecedência acha mais justa a causa que defende.
  185. Só soldados não dão testemunho de seu valor pela roupa que vestem.
  186. O fato de alguém precisar se vestir de determinada forma para ser reconhecido mostra que ele não é capaz de ser reconhecido pela habilidade somente.
  187. Os sentidos enganam. A razão também.
  188. É possível errar por ser conservador a ponto de ignorar totalmente o novo e é possível errar por ser ávido de novidade a ponto de se entregar totalmente a uma novidade incerta.
  189. Você vê um recipiente vazio e pensa: “existe vazio.” Aí você vai pra escola e aprende: “não existe vazio.” Aí você lê um livro que diz que a escola corrompe nosso senso comum, o qual carrega uma opinião verdadeira sobre o vazio, logo “existe vazio.” Quem tem razão? Os sentidos ou a escola?
  190. As doenças e o orgulho também pervertem o julgamento.
  191. O ruído causa erros.
  192. A forma de propor um conselho perverte o conselho, quando se quer dá-lo sem ofender.
  193. A escolha da profissão é uma decisão de suma importância. Você pode acabar confuso e frustrado ouvindo a opinião dos outros sobre que profissão você deveria exercer.
  194. Às vezes se procura uma profissão porque tá todo o mundo a procurando. Hoje é o contrário: se procura as que têm menos concorrência. Em ambos os casos, isso é muito pobre.
  195. Se pensa no futuro, se sente saudade do passado, mas se evita o presente.
  196. Se pensamos no presente apenas em função do futuro, então não vivemos, porque nossa vida não chegou ainda.
  197. Existiu um rei que, segundo Pascal, teria conseguido destruir todos os cristãos e a família real, além de ter dado o poder máximo a sua própria família, se não fosse… uma pequena quantidade de areia que lhe obstruiu a uretra, o impedindo de urinar, o que causou sua morte.
  198. Se um sonho se repetisse todas as noites, ele teria impacto no nosso comportamento, como tem qualquer outra coisa cotidiana.
  199. A continuidade é a diferença entre vigília e sonho. Se os sonhos fossem como uma série, na qual um episódio depende do outro, dizer o que é real e o que é sonho seria uma questão subjetiva.
  200. O tédio nos leva a pensar em nossa própria miséria. Para evitar esses maus pensamentos, procuramos divertimentos e trabalho. Morrer e não ter o que fazer são os dois medos que nos impulsionam para a ação. Se ficamos sem divertimento, sem trabalho e nem sequer temos sono para podermos dormir, sentiremos tédio. Para Pascal, o tédio é o principal elemento da condição humana.
  201. O tédio nos iguala. Um rei sem divertimento e um súdito sem divertimento são igualmente infelizes, diz Pascal.
  202. A graça não é a presa, mas o ato de caçá-la. Schopenhauer dirá a mesma coisa, na metáfora do pêndulo.
  203. A razão de se procurar a felicidade fora de si é que as pessoas não conseguem ser felizes sozinhas.
  204. Não basta divertir; tem que divertir muito! Jogar sem recompensa, sem objetivo, é uma tarefa vazia. Mas receber a recompensa sem jogo também é besta.
  205. O trabalho do dia-a-dia nos leva até a esquecer a morte de um familiar, por vezes em questão de horas.
  206. Só é possível ser feliz, diz Pascal, por um curto período de divertimento ou trabalho. Se não temos o que fazer, ficamos infelizes. Por isso as pessoas frequentemente se desesperam da felicidade e afirmam que “felicidade não existe, somente momentos felizes.” Porque parece que só podemos ser felizes enquanto estamos ocupados, de forma que alcançar um objetivo acaba se revelando altamente frustrante. Nem totalmente derrotado, nem um completo vencedor, mas alguém em constante tentativa, esse é feliz. Schopenhauer roubou de Pascal.
  207. Tolerar a morte é fácil se você não pensa nela. Mas, se você pensa nela, a achará insuportável, mesmo que você esteja a salvo e saudável.
  208. Viveu bem quem morreu sem perceber, diz Pascal, embora de maneira implícita.
  209. O que nos torna humanos é o pensamento, mas só somos felizes quando não pensamos. Isso mostra que a natureza humana é descontente.
  210. Eu gosto do fato de Pascal dizer que o homem solitário sente sua “impotência”. É, realmente, sendo impotente, fica difícil se divertir sozinho. Esse, sim, é um miserável.
  211. Demissão é punição não apenas porque se priva o trabalhador do seu salário, mas também porque ele é forçado a ficar em casa.
  212. Como é que os estóicos dizem que a vida pode ser feliz e aconselham o suicídio?
  213. Se pensamos que “seremos felizes” o tempo todo, admitimos que não somos agora.
  214. O desgosto de pensar nos problemas nos impulsiona a procurar soluções para esses problemas, na medida em que somos fortes para tolerar o desconforto de pensar nessas coisas. Não pensar nos problemas, embora nos ajude a respirar e a sermos felizes, nos afasta da solução de problemas que podem inclusive nos matar.
  215. Argumentos a favor e contra a verdade absoluta: fracos de ambos os lados.
  216. Ou se é cético (verdade absoluta é impossível) ou se é dogmático (verdade absoluta é possível). Se você tentar ser neutro, automaticamente será cético, pois admite que não há verdade absoluta sobre a questão da verdade absoluta.
  217. Não se pode duvidar que se duvida. Isso é uma verdade absoluta.
  218. “Depositário da verdade, cloaca de incerteza”, diz Pascal, sobre o ser humano.
  219. A natureza confunde o cético, mas a razão confunde o dogmático. Isso me parece um indício que é possível ser dogmático em relação às ciências da natureza, mas cético em relação às humanidades.
  220. Existem coisas que sabemos por intuição e não pela razão. Por exemplo, sabemos que não estamos sonhando agora. Mas a razão não entende como eu posso estar tão certo disso sem saber o que diferencia sonho e vigília.
  221. Devemos apoiar nossos raciocínios nessas intuições partilhadas por todos, diz Pascal.
  222. A razão não é sentimental. Também o sentimento não é racional.
  223. A intuição também é conhecimento válido. A razão não é o único meio de conhecer as coisas.
  224. Todo o mundo quer ser feliz e todos nos ordenamos segundo esse fim.
  225. Diz Pascal: ninguém chega à felicidade sem fé.
  226. Nunca estamos satisfeitos com o presente.
  227. O nosso vazio metafísico só pode ser adequadamente preenchido por Deus. Mas muitos tentam preencher com outra coisa.
  228. O período de Pascal não é apenas marcados por sentimentos anti-aristotélicos, mas também anti-estóicos.
  229. Renunciar totalmente à razão e renunciar totalmente à paixão são duas coisas impossíveis. Negá-las não as elimina.
  230. Se o ser humano não tivesse sido feito por Deus, não faria sentido que as pessoas mais felizes são aquelas que se entregam à religião.
  231. A condição humana segundo Pascal: uma prisão cheia de gente condenada à morte, onde as execuções são diárias e públicas.
  232. A opinião pública e o senso comum não necessariamente estão errados.
  233. A diferença de opinião depende de ponto de vista (“luz”, no dizer de Pascal). A mesma coisa pode ser vista de forma diferente por um religioso, por um filósofo, por um cientista e por um leigo.
  234. Se a opinião é a rainha do mundo, a opinião fundada pela força é uma tirania.
  235. Governar requer que os súditos sejam loucos. Convém ao governante que seu povo seja ignorante. Você tira pelo processo de impedimento, que não teria ido à frente se o povo não fosse imbecil, que passa mais tempo vendo televisão do que vivendo suas vidas.
  236. O que torna um comportamento errado algo razoável é a indisciplina.
  237. Numa época antes do concurso público, Pascal diz que é difícil escolher alguém com base em habilidade.
  238. Quando só o efeito está presente, é o espírito que infere a causa.
  239. Uma difamação completa sobre nós não é tão ofensiva quanto uma difamação parcial. Chamar alguém de “doido” não ofende tanto quanto dizer que ele está errado. Isso porque estamos certos de nossa sanidade, mas raramente estamos certos de nossas escolhas. O que torna estar errado algo ofensivo é o fato de que pode ser verdade.
  240. Se elegante, isto é, de aparência bem cuidada, revela força também, só que a força do dinheiro.
  241. Se alguém consegue uma boa posição em dez anos e outro conseguiu a mesma posição em trinta anos, isso é mais razão de admiração do que de suspeita: o outro chegou ao mesmo lugar que você poupando vinte anos de trabalho. Antes de ver se há peixada, verifique se ele não tem mais perícia que você.
  242. Diz Pascal: não amamos uma pessoa, mas somente suas qualidades.
  243. Algo por vezes é maior na nossa imaginação. Por vezes nossa imaginação é desproporcional à realidade.
  244. O fundamento das leis: o costume. É o costume de dizer o que é justo e o que não é.
  245. Obedecer à justiça das leis humanas é obedecer a uma justiça imaginária, que só existe na mente daqueles que acham determinada lei justa.
  246. Para mudar a lei, basta que se corrompa o costume. Quanto mais pessoas quebrarem a lei, mais rápido ela será mudada.
  247. É interessante como a Lei e os Evangelhos misturam os preceitos com histórias, para que as pessoas entendam o fundamento prático das leis que observam. Só a religião e o senso comum podem fazer isso. Porque o Estado, se explicar as condições que levaram à criação desta ou daquela lei, expõe como muitas leis foram criadas de forma injusta. A história de uma lei é o ponto de partida para destruí-la.
  248. O costume de achar algo justo é o que fundamenta a lei. Mudar o costume requer mostrar como tal coisa é injusta.
  249. Amar é natural ao ser humano. Mas o costume de não amar apaga essa natureza. Isso quer dizer que, embora o ser humano tenha características que tendem a se desenvolver normalmente em seu amadurecimento, o cotidiano e a educação podem suprimir esse desenvolvimento. Nesse sentido, o costume é, para Pascal, uma “segunda natureza”. Claro que o costume precisa ser mais frequente quanto mais forte for a pulsão natural.
  250. A moda faz a justiça.
  251. Justiça sem força é impotente. Com isso concordam o Hobbes e o Príncipe.
  252. O discurso do cético sobre o ceticismo é carregado de certezas.
  253. O adulador nem sempre é amado.
  254. A matemática não serve pra examinar a ação humana.
  255. Se todos são indisciplinados, ninguém parece disciplinado. Se todos pensassem da mesma forma, mesmo que estivessem errados, pensariam estar todos certos. Por isso é necessário que diferentes pessoas pensem de maneira diferente, para que o contrapeso de opiniões revele os erros que há nelas. Se os erros não forem revelados, ninguém se corrigirá.
  256. Platão costumava dizer que bastava agir justamente. Se todos agissem justamente, mesmo que a seus próprios olhos, o mundo seria justo. Para Platão, justiça é dar a cada um o que merece, de forma a estabelecer a igualdade. Todas as minhas ações devem, portanto, visar o estabelecimento da igualdade pela prática do “dar a cada um o que merece”. Nesse sentido, Platão, de certa forma, antecipa o imperativo categórico.
  257. A virtude é mais medida pelo cotidiano do que por ações particulares.
  258. Existem pessoas que mentem sem motivo.
  259. É mais fácil seguir maus exemplos de pessoas famosas. Alexandre foi casto, mas também bêbado. E muitos usaram a embriaguez de Alexandre para justificar a sua. Mas quantos usaram a castidade de Alexandre para justificar a sua própria? Quando uma celebridade tem um mau hábito, as pessoas passam a considerá-lo justificado, pela autoridade (ou fama) da pessoa.
  260. O combate entre dois lados iguais é uma luta. Se um dos lados é muito mais forte, é um massacre.
  261. O que nos deixa alegres é procurar a verdade. Depois que achamos, fica o tédio.
  262. A mesma coisa pode incitar riso ou choro na mesma pessoa, dependendo de sua disposição de espírito. O que achamos triste agora pode ser motivo de riso depois. E vice-versa.
  263. Diferentes atributos reinam de diferentes formas. Quem é estimado por ser belo governa diferentemente de quem é estimado por ser forte ou por ser sábio.
  264. A vida não é o maior bem para algumas pessoas. Tanto que alguns preferem morrer do que entrar numa guerra, por exemplo.
  265. O costume consola o ignorante. Na verdade, se não conhecemos algo, ainda podemos fazer as coisas da forma como vem dando certo até então.
  266. Não se contentar com os prazeres presentes e fazer uma ideia errada dos prazeres ausentes causam comportamento volúvel.
  267. O instinto de propriedade e usurpação é tão natural ao ser humano, que não há nenhuma criatura mais egoísta do que uma criança pequena.
  268. Platão e Aristóteles não “se vestiam” como sábios. Frequentemente os imaginamos com roupas de sábio, mas não era assim.
  269. A política não era o foco de Platão ou de Aristóteles, mas a ética, diz Pascal. Queriam viver de maneira tranquila e simples. Se imaginaram leis e modos de condução do Estado, o fizeram para passar o tempo, porque não era o que havia de mais importante. Tenho minhas dúvidas, considerando como a política parece importante pra Aristóteles.
  270. Para que falem bem de você, não peça que falem bem de você.
  271. Se todos soubessem o que se diz um do outro pelas costas, não haveria amizade.
  272. Mais fácil saber o que é mau do que o que é bom.
  273. Só existe um bem, mas há vários males. Aristóteles diz isso de outro jeito.
  274. Ver as diferenças entre as pessoas requer sabedoria. Os ignorantes pensam que as pessoas são todas iguais.
  275. Para Pascal, o raciocínio não procura senão a validação da intuição.
  276. Toda a regra tem sua exceção. Mas se houver exceções demais, não há regra. Então as exceções devem ser julgadas justamente.
  277. Mudança estraga o amor. Por isso que o verdadeiro amor é amor do jeito que a pessoa é. Mudar por amor é receita de insatisfação. Lembro-me de uma menina que era louca por desenhos animados e seu namorado não se importava com isso, dizendo pra ela que gostava dela do jeito que ela era. Mas ela tentou largar os desenhos por causa dele, temendo que isso fosse um problema, apesar de ele dizer que isso não era necessário. Isso prova duas coisas: que ela é insegura e que não acredita nas palavras do próprio namorado. Se alguém diz que gosta de você do jeito que você é e você insiste em mudar, você se arrisca a se tornar alguém que o amado pode não gostar. Da mesma forma, se alguém diz que você deve mudar por essa pessoa, ela não te ama de verdade. Provavelmente, é só uma pessoa interesseira.
  278. Ciências são como órgãos. Um corpo é composto de vários órgãos, que não funcionam independentemente. Da mesma forma, o potencial de uma ciência é mitigado se ela não interage com outras.
  279. Repouso completo é a morte. Precisamos de movimento.
  280. Glorificar os outros na frente de uma criança estraga o senso crítico dela.
  281. Os vícios opostos são pontos de referência. Se um dos vícios desaparece, a tendência é nos aproximarmos do outro. Precisamos ver onde estão os extremos para que possamos ir para o meio, que é onde devemos ficar.
  282. É fácil dizer que gato preto cruzando teu caminho é sinal de azar, porque desgraças acontecem o tempo todo. Fica mais fácil ver assim uma relação que não existe.

18 de junho de 2016

Sobre o endereço que mandei da última vez.

Filed under: Livros — Tags:, , — Yure @ 19:16

Parece que a digitalização do Google, embora tenha sido perfeita, foi feita a partir de um exemplar danificado. As margens estão onduladas, tornando a leitura um pouco irritante.

Como cada digitalização tem pontos fortes e fracos, resolvi que seria uma boa ideia eu juntar os pontos fortes das duas para amenizar seus pontos fracos e fiz isso enxertando na digitalização independente as páginas que faltavam, usando as páginas que a digitalização do Google tinha.

Então, agora temos uma Bíblia de 1819 completa e o mais legível possível. Agora, já posso relaxar.

https://pedrapapeletesoura.files.wordpress.com/2016/06/a-bc3adblia-sagrada.pdf

6 de junho de 2016

O que aprendi lendo “Leviatã”.

Filed under: Livros, Passatempos — Tags:, , , , , — Yure @ 20:53

“Leviatã” foi escrito por Thomas Hobbes. Abaixo, algumas coisas que aprendi lendo esse texto.

  1. Se não ocorrem críticas de quem é mais poderoso que ambos os lados, então tudo bem.
  2. Não é possível escrever um trabalho imparcial e não ser criticado por ambas as posições extremas as quais tal trabalho evita.
  3. Máquinas são as criaturas do ser humano.
  4. O governo também nasce (pelo contrato), cresce (pela prosperidade), adoece (pela sedição) e morre (pela guerra civil).
  5. A sabedoria é adquirida pela “leitura” das pessoas, enquanto que a leitura dos livros, embora traga conhecimento, não produz sabedoria (se a definirmos como conhecimento sobre a condição humana).
  6. Seres humanos são fundamentalmente iguais.
  7. As paixões são as mesmas em todos nós, mas os objetos que as despertam variam.
  8. O governante deve levar em consideração o ser humano como espécie.
  9. Pensamentos não são as coisas, mas representações delas.
  10. A natureza de um pensamento depende do órgão que capta o objeto e de como o objeto se apresenta.
  11. A sensação precede o conhecimento.
  12. Movimento produz movimento.
  13. Visão é percepção do objeto pela vista.
  14. Se algo está em movimento, não parará enquanto outra força não agir sobre ele.
  15. Dizer que a pedra tende para baixo porque deseja se conservar na melhor condição é atribuir conhecimento e volição a coisas inanimadas.
  16. Imaginação e memória são duas manifestações da mesma habilidade.
  17. Experiência é acúmulo de memória.
  18. A imaginação pode ser simples, quando concebemos uma ideia normal, ou composta, quando concebemos uma ideia que resulta da mistura de várias.
  19. A matéria prima da imaginação é a natureza.
  20. O sonho é mais claro que o pensamento normal porque só podemos prestar atenção no sonho quando dormimos.
  21. Você só sabe que é um sonho depois que acorda.
  22. Sensações que temos ao dormir influenciam o sonho.
  23. Os curtos sonos nos fazem ter sonhos altamente convincentes.
  24. O conteúdo do sonho pode ser interpretado como aparição ou “visão”.
  25. Histórias de terror, ambientes escuros e coisas que tais nos tornam propensos a pesadelos e, se estivermos com dificuldade para dormir, alucinações.
  26. Se você viu um manto assustador perambulando pelo cemitério, vai ver era só um traficante.
  27. Muitas aparições fantasmagóricas são farsas feitas para alimentar a superstição.
  28. A superstição é um obstáculo à obediência civil.
  29. Se você ensina que os bons pensamentos que temos são sempre colocados lá diretamente por Deus, então todo o mundo é profeta inspirado e todas as boas intenções, mesmo conflitantes, são fruto da vontade divina, o que alimenta os megalomaníacos.
  30. Também animais têm entendimento, pois podem aprender coisas que os donos ensinam.
  31. Algo se forma na imaginação com base em sensação presente ou prévia.
  32. Quando pensamos algo, não há certeza sobre o que se pensará depois, pois muitos pensamentos são espontâneos ou invasivos.
  33. Se pensamos muito em alguma coisa, nossos pensamentos tomam aquela direção quase naturalmente.
  34. Procuramos na experiência causalidades que possam se aplicar ao problema tratado: “se algo parecido já aconteceu antes, como foi resolvido?”
  35. Essa tendência a usar a experiência adquirida na resolução de problemas futuros chama-se “prudência”.
  36. Só o presente existe.
  37. Um “sinal” de algo que está porvir é uma evidência de um efeito que se está desenrolando.
  38. Alguns animais desenvolvem prudência mais rápido que o ser humano.
  39. Mais importante que a invenção da imprensa foi a invenção do alfabeto.
  40. A linguagem é condição de possibilidade para o governo e para a paz.
  41. É possível usar a linguagem de maneira dolorosa, para insultar ou punir.
  42. Os nomes são universais, mas referem-se a coisas particulares.
  43. Usamos o sistema decimal porque, em algum instante da história, contávamos usando os dedos, que só são dez nas mãos normais.
  44. As definições das palavras-chave de um raciocínio são as coisas que devem ser explicadas primeiro.
  45. O mau uso das palavras era o principal problema da filosofia da época.
  46. Aprender algo da maneira errada é pior do que não ter aprendido.
  47. Não é possível raciocinar sem algum tipo de linguagem.
  48. Os nomes negativos como “ninguém” ou “nada” servem, não para indicar presença de algo, mas para indicar que não se deve assumir essa presença.
  49. Existem frases sem significado: “esta frase é falsa” não é um enunciado (pois um enunciado precisa fazer sentido), mas apenas som produzido com a boca.
  50. Idiomas que herdam do grego e do latim são cheios de situações assim.
  51. Como virtude e vício dependem do julgamento de cada um, não devem ser tomadas como base de qualquer discurso que tenha pretensão universal.
  52. O raciocínio é equivalente ao cálculo: enquanto que no cálculo operamos números a fim de obter um total, o raciocínio opera palavras a fim de obter uma conclusão.
  53. A dedução é o equivalente linguístico da subtração, enquanto que a indução é o equivalente linguístico da adição.
  54. Só é possível raciocinar sobre coisas que comportam adição e subtração de informações.
  55. Tornar o raciocínio um processo simples não elimina a possibilidade de erros: todos erram.
  56. É preciso sempre julgar o que se lê.
  57. Existe verdadeiro, existe falso e existe absurdo: absurdos são enunciados que não fazem sentido, como “esta sentença é falsa”, “quadrado redondo” e coisas que tais.
  58. A filosofia é cheia de absurdos: diferente da geometria, que começa seus raciocínios com definições dos termos que serão importantes, os filósofos em geral não explicam os significados dos termos que usam, os quais deixam de ser claros para eles próprios.
  59. Extensão não é sinônimo de corpo.
  60. Num discurso científico, não se usa linguagem coloquial.
  61. Todos podem raciocinar bem quando têm bons princípios, mas o esquecimento permite o erro mesmo em operações simples sobre princípios sólidos.
  62. A razão não nasce conosco; ela é adquirida.
  63. O primeiro sinal da razão em um ser humano é a linguagem.
  64. Raciocinar leva tempo, então decisões rápidas são tomadas por hábito.
  65. A ignorância nos leva a querer saber.
  66. A prudência falha mais que a ciência.
  67. O sinal capital de que alguém sabe alguma coisa é a capacidade de ensiná-la.
  68. Os movimentos vitais são involuntários.
  69. “Esforço” é o movimento entre intenção e escopo da ação.
  70. “Desejo” é o impulso para buscar aquilo de que se gosta.
  71. É possível odiar o que não se conhece por medo.
  72. Desespero é a sensação de que determinado desejo não pode ser satisfeito.
  73. Esperança é a sensação de que determinado desejo pode ser satisfeito.
  74. Autoconfiança é a tendência a ter muita esperança: a constante sensação de que é possível conseguir.
  75. Ser pusilânime é o contrário de ser magnânimo: o magnânimo não se importa com coisas pequenas ou desprezíveis, enquanto que o pusilânime se importa demais com o que não tem importância.
  76. O ciúme implica que a pessoa ciumenta não acredita que a pessoa amada a ame na mesma proporção que é amada.
  77. Pânico é o medo coletivo sem causa justa.
  78. Vanglória é um tipo de confiança que é adquirida por suposições de seu próprio poder ou por consecutivos elogios: é contar vantagem sobre habilidades que não tem.
  79. Desalento é uma tristeza que vem da impotência para algo.
  80. Rir da desgraça alheia é manifestação de pusilanimidade: sua condição é tão ruim que você acaba gostando de ver alguém pior que você.
  81. Se acostumar a rir ou a chorar diminui sua frequência: se rimos de muitas piadas, ficamos exigentes e só piadas muito boas nos farão rir.
  82. Vergonha é um tipo de tristeza, oriunda do reconhecimento de uma falha desonrosa, isto é, que pode acarretar má reputação ou desrespeito.
  83. Se dizemos que pensamos sobre algo que já aconteceu, não podemos usar o termo “deliberar”, porque só é possível deliberar sobre o futuro.
  84. Os animais também deliberam.
  85. O ato de querer é chamado vontade.
  86. A capacidade de querer é chamada volição.
  87. Quando se diz um palavrão por hábito, quando se está com raiva, muitas vezes o sentido da palavra é subtraído, ou seja, a palavra sai sem seu significado.
  88. O conhecimento do passado e do futuro é condicional, silogístico: se isso aconteceu, aquilo também. Se isso acontecer, aquilo também irá.
  89. Se acreditamos que a Bíblia é a palavra de Deus, sem que Deus tenha nos dito isso, nós acreditamos, sim, em Deus, mas em primeiro lugar na Igreja, porque ela é quem diz que a Bíblia é inspirada.
  90. O mesmo é válido para a História, para a Ciência e para todas as outras artes de que não disponho de meios para demonstrar.
  91. Não acreditar na Bíblia não necessariamente significa não acreditar em Deus, mas certamente significa duvidar dos autores sagrados.
  92. Se todos fossem iguais, nenhuma característica humana seria apreciável.
  93. Talento natural é caracterizado por persistência em determinado fim, tema ou foco, tal como facilidade em compreendê-lo.
  94. Estupidez é só ter pensamento devagar.
  95. Enquanto que talento é ser bom em uma coisa, juízo é ser bom em comparar coisas.
  96. Muita imaginação atrapalha o gênero da dissertação, mas ajuda o gênero poético.
  97. Cada habilidade tem seu lugar nas ciências e nas artes: a imaginação vai na literatura, o juízo vai na história e na filosofia, e coisas que tais.
  98. Muita imaginação e pouca discrição em um trabalho de ficção é quase sempre um sinal de falta de talento.
  99. Se o objetivo é agradar, evite falar de coisas sujas ou obscenas.
  100. Se o objetivo é ser útil, use todas as palavras que precisar, mesmo que sejam sujas ou obscenas.
  101. Embora pessoas de mesma idade possam ser igualmente experientes, o uso da experiência varia conforme os objetivos de cada um.
  102. A astúcia é o emprego de meios desonestos no exercício da prudência.
  103. O que nos traz aperfeiçoamento é a ambição.
  104. Loucura é paixão demasiada por determinado objeto.
  105. Existe um tipo de loucura para cada paixão (emoção).
  106. A loucura pode ser causada por dano corporal, mas também a loucura pode causar dano corporal.
  107. Emoções podem se combinar e criar outras mais fortes.
  108. A emoção doentia é louca e tanto mais louca quanto mais doentia.
  109. A loucura, enquanto não se manifesta em atos ou palavras, passa despercebida.
  110. O vinho nos tira a dissimulação e nos cega em relação aos danos que podem ser causados pelas nossas próprias paixões, revelando, portanto, quem realmente somos e o que realmente pensamos, pois tanto deixamos de levar em consideração a gravidade dos nossos atos como passamos a não ter vergonha de cometê-los.
  111. Os intelectuais também têm desejos reprováveis, por isso raramente são vistos bebendo.
  112. Durante uma representação da tragédia de Andrômeda num dia muito quente, as pessoas começaram a adoecer a recitar coisas estranhas por um bom tempo, até a chegada do inverno.
  113. Um surto de suicídios femininos acometeu a Grécia certa vez, até que alguém teve a ideia de declarar que toda mulher que se suicidava seria exposta nua em praça pública.
  114. Os suicídios cessaram, porque as mulheres deprimidas sentiam vergonha de serem expostas daquela forma, mesmo que depois de mortas, ou seja, a vergonha da nudez foi maior do que o desejo de morrer.
  115. A salvação da alma não depende de conhecimento teológico.
  116. Uma pessoa que parece possuída por um espírito pode estar realmente possuída… ou apenas delirante.
  117. Pode ser chamado “poder” qualquer coisa que conquiste amor ou temor de muitas pessoas.
  118. A ciência é menos popular que a arte porque é mais difícil compreender a ciência.
  119. O seu valor é atribuído pelos outros.
  120. Honra é respeito público: você é honrado quando os outros respeitam você.
  121. Obedecer é honrar: você obedece ao reconhecer superioridade.
  122. Portanto, desobedecer é desonrar.
  123. Sempre que te imitarem, estão te honrando.
  124. Demorar pra se decidir implica que o indivíduo está avaliando também coisas de ínfima importância, o que é pusilanimidade.
  125. Houve um tempo, em que o roubo fora dos limites das cidades gregas era legal e visto como trabalho legítimo pelos próprios gregos.
  126. Honra e desonra variam segundo o contexto histórico e geográfico, pois ações dignas de honra aqui e agora podem não ser no futuro ou em outro lugar.
  127. O desejo de poder nos leva necessariamente à violência, porque a essência do poder é a capacidade de subjugar alguém.
  128. Se as ciências exatas pudessem servir contra os interesses pessoais de pessoas influentes, seriam tornadas relativas, como as humanidades.
  129. Se as pessoas não gostam dos efeitos, culpam as causas que vêem.
  130. A religião tem laços com a política.
  131. Os gregos tinham uma entidade espiritual patrona do pinto.
  132. O adivinho só faz sucesso aonde há um número suficiente de pessoas que acredita nele.
  133. Dizer que Deus é contra o crime, isto é, contra o que é proibido pela lei humana, é uma vitória e tanto do Estado.
  134. Se Deus é Deus da Terra inteira, os judeus são “o povo de Deus” em virtude de um pacto pessoal feito com ele, o que não significa que Deus seja Deus somente dos judeus ou que só os judeus possam reconhecê-lo.
  135. A religião é natural ao ser humano.
  136. Quando alguém recebe, por “revelação divina”, uma crença, ritual ou ensinamento que contradiga aquilo que já está estabelecido como sendo revelado, algum profeta aí é falso.
  137. Se a religião se mostra injusta, a fé de seus seguidores diminui.
  138. A impureza doutrinária também ajuda a confundir os fiéis e diminuir sua fé.
  139. O fator que leva católicos, protestantes e ortodoxos a mudar de uma denominação para outra não é tanto a forma da doutrina, mas sobretudo a conduta dos sacerdotes (padres ou pastores).
  140. As três razões principais de discórdia: competição, desconfiança e glória.
  141. A menos que exista um poder superior capaz de manter as pessoas em concórdia, elas estarão em guerra de todos contra todos.
  142. A guerra começa antes do primeiro ataque.
  143. Paz é ausência de guerra e ausência de desejo beligerante: se há intenção de guerra, não há paz, mesmo que a guerra não tenha começado.
  144. A lei é feita depois do crime.
  145. Não há crime na guerra porque todos os atos são justificáveis pelo medo da morte.
  146. Justiça e injustiça só fazem sentido na sociedade, sendo conceitos que não têm valor na cabeça de alguém que vive isolado de todos os outros.
  147. O medo pode também unir as pessoas, porque é mais seguro estar junto dos outros.
  148. Direito (posso ou não posso) não é o mesmo que lei (devo ou não devo).
  149. A liberdade total de todos permite o natural estado de guerra entre os seres humanos.
  150. A linguagem é condição de possibilidade para a política.
  151. Não posso prometer algo que contradiga uma promessa feita anteriormente.
  152. Renunciar ao direito de autodefesa é impossível.
  153. O testemunho prestado sob tortura não é válido.
  154. Embora Deus seja um poder maior do que as pessoas, é frequentemente menos temido do que as pessoas.
  155. Juras desnecessárias a Deus são desrespeito ao seu Nome, portanto violação do mandamento terceiro (não usar o Nome em vão).
  156. Se não é injusto, é justo; não há meio-termo entre esses dois.
  157. Se a punição pela quebra de um acordo não é maior que benefício que se poderia tirar dessa quebra, o contratante quererá quebrá-lo.
  158. O que cada um tem o direito de ter é definido pela lei.
  159. Fazer acordos é natural.
  160. Pessoas justas são as que praticam atos justos.
  161. Iniquidade e injustiça são a mesma coisa.
  162. Existe um tipo de justiça que é estabelecido entre os próprios contratantes e outro tipo de justiça que é estabelecido com a mediação de um juiz.
  163. Se você conquista a boa vontade de alguém, não a perca.
  164. O que procura manter a paz nos grupos em qual entra é chamado sociável.
  165. Quem não perdoa os que se arrependem se mostram avessos à paz, pois preferem continuar punindo alguém que já reconheceu seu engano e se comprometeu a não mais cometê-lo.
  166. Se vingar só para se vingar é infantil.
  167. Causar dano sem razão é crueldade.
  168. Orgulho é se perceber como sendo melhor que os outros.
  169. Não tem sentido eleger um juiz se ele não for imparcial durante o exercício.
  170. Essas leis naturais de Hobbes se resumem da mesma forma que a Lei: faz aos outros o que gostarias que fosse feito a ti.
  171. Como essa lei tem origem interna, por vezes sua simples promulgação interna não basta para cumpri-la.
  172. Hobbes aponta um fato interessante: tudo aquilo que quebra esse preceito é automaticamente injusto e provoca a ira das pessoas quando descoberto ou manifesto.
  173. Na vida em sociedade, a vida segundo esse preceito preserva a paz.
  174. Uma ação virtuosa depende do fim que se quer atingir.
  175. O dono de algo não necessariamente é seu inventor.
  176. É possível representar os interesses de coisas inanimadas, como uma escola ou hospital.
  177. Os interesses das crianças são sempre representados pelos adultos.
  178. Porém, essa prática só pode se dar numa situação em que haja Estado para dizer que a criança deve ser representada pelo adulto.
  179. Não condenar é absolver.
  180. Se o voto da maioria puder ser anulado pelo voto de uma só pessoa, não tem sentido votar.
  181. Às vezes é preciso forçar alguém a ser bom.
  182. Pacto sem punição por rompimento é nulo.
  183. Se duas forças opostas se unem para combater um inimigo comum, elas voltam a se opor quando o inimigo comum é eliminado.
  184. Porque as abelhas não sentem orgulho, nem procuram a honra, elas não entram em guerra.
  185. As abelhas não vêem distinção entre bem individual e bem comum.
  186. As abelhas vivem em harmonia porque não vêem como seu comportamento poderia ser melhor.
  187. As pessoas, diferente das abelhas, são capazes de mentir.
  188. Quanto mais satisfeita, menos a abelha ofende os outros.
  189. As outras espécies não precisam de Estado porque seus “acordos” são naturais, enquanto que os acordos humanos são artificiais.
  190. Hobbes se mostra bem democrático quando diz que uma só pessoa ou uma assembleia deve reduzir a vontade de todos a uma só vontade por meio da pluralidade dos votos e que os votos da maioria devem ser contados como sendo os votos de todos.
  191. A tarefa do Estado é assegurar a paz entre os que lhe são sujeitos.
  192. Além do mais, se o governante eleito pelo povo promulga uma lei que prevê punição para determinado comportamento e depois o súdito incorre nesse comportamento e é punido por ele, é, no fim das contas, inventor de seu próprio castigo.
  193. O povo é culpado das ações do governante eleito.
  194. Pegar em armas para defender uma opinião indica que não há paz instaurada ainda.
  195. Quem tem direito a um fim tem direito aos meios.
  196. Quando todos têm direito a tudo, ocorre guerra.
  197. Embora o Estado deva zelar pela paz de seus súditos, não há impedimento político quanto à guerra contra outros Estados, se isso redundar em benefício público.
  198. Num regime monárquico, democrático, absolutista, totalitário ou o que quer que seja, a natureza do poder é a mesma: os súditos reconhecem um Estado e um Estado governa os súditos.
  199. Todos vêem os problemas atuais como maiores do que os problemas futuros, resolvendo os problemas de qualquer jeito.
  200. Só existem três formas de governo: monarquia, democracia e aristocracia.
  201. A tirania e a oligarquia são formas degeneradas da monarquia e da aristocracia, não tipos distintos de governo.
  202. A riqueza e a fama de um monarca dependem da riqueza e da fama de seu povo: se seu povo sofre, os outros governos o veem como um mau monarca.
  203. Se o povo é fraco, o monarca é fraco.
  204. Um dos problemas democráticos são as faltas na assembleia: pode um julgamento ser justo se metade da oposição faltou à reunião no dia dessa decisão?
  205. As decisões democráticas nem sempre são motivadas pela razão, mas muitas vezes pela raiva e pela inveja.
  206. Enquanto que a decisão democrática pode ser confundida pela retórica, a decisão monárquica pode ser confundida pela adulação.
  207. A tentação do nepotismo é maior numa assembleia do que numa monarquia: o monarca só tem seus parentes com os quais se corromper, mas cada membro da assembleia também tem seus parentes.
  208. Acusar requer menos eloquência: a condenação é mais facilmente vista como justiça do que a absolvição.
  209. Um grande problema da monarquia: descendentes que ainda são crianças.
  210. Quem deve nomear o tutor do sucessor é o antecessor.
  211. O tutor deve ser alguém que não poderia se beneficiar da morte do aluno!
  212. Existem “monarquias eletivas“, em que o monarca exerce por um limite de tempo e depois o sucessor é votado.
  213. Se um povo governa outro povo, é uma monarquia de um povo sobre outro, pois aquele que governou o povo oprimido é uma pessoa só.
  214. O direito de sucessão é importante para o Estado; de outra forma, o Estado teria que morrer e ser feito novamente com regularidade.
  215. O testamento do governante deve ser revelado por ele próprio antes da morte, para evitar que se forje testamento falso por algum súdito.
  216. Na falta de um sucessor apontado diretamente, o sucessor deve ser escolhido segundo o costume local.
  217. Se não houver costume, deve ser o filho.
  218. Se não houver filho, seja a filha.
  219. Se não houver filha, seja o irmão.
  220. Se não houver irmão, seja a irmã.
  221. E por aí vai.
  222. A venda de cargos é nefasta, especialmente se for para um rico incompetente ou estrangeiro.
  223. O direito do pai sobre o filho tem que ser reconhecido pelo filho, do contrário, o filho subverterá a vontade do pai quando tiver oportunidade.
  224. Nem sempre o pai tem prioridade na educação do filho porque nem sempre o pai é o mais indicado para isso.
  225. Um bom critério seria de que o pai tem prioridade na educação do filho e a mãe tem prioridade na educação da filha.
  226. A obediência da criança é devida a quem a cria, a quem a alimenta, a quem cuida, não necessariamente a quem gerou.
  227. Isso quer dizer que a criança não precisa dever obediência aos pais se foi abandonada por tais pais, mas deve obediência a quem a acolher.
  228. Por outro lado, se a mãe é submissa ao pai, então a autoridade passa para o pai, caso o acordo de prioridade não seja feito.
  229. O avô tem domínio sobre o neto.
  230. O déspota só é reconhecido se o povo teme ser exterminado por tal déspota.
  231. O vencedor de uma guerra não precisa poupar a vida dos vencidos se estes não se submeterem.
  232. O senhor é dono das coisas do servo.
  233. A família é uma pequena monarquia.
  234. Os livros de Samuel, as cartas de Paulo e a Lei sancionam a autoridade terrena e a sujeição a ela.
  235. O ato de Adão e Eva de cobrirem a própria nudez já foi, em si, um desafio a Deus, o qual os havia criado nus.
  236. A maioria ou a tradição nem sempre estão corretas.
  237. Se você quer fazer algo e nada há que te impeça, você tem liberdade para fazer.
  238. Porém, a liberdade está condicionada ao poder que se tem de agir: se eu não posso criar um par de asas para voar é porque isso não está dentro dos limites da ação humana, logo eu não posso escolher (não há liberdade sem escolha).
  239. É impossível criar um código penal perfeito que cubra todas as ações humanas, especialmente se precisarmos classificá-las como boas ou más e ainda mais se queremos dizer quais são piores e quais são mais brandas.
  240. Se a lei não vê como crime, então é permitido.
  241. Só há liberdade individual na democracia.
  242. O governo tem os direitos que lhe são concedidos no momento em que ele é criado.
  243. Não sou obrigado a me matar.
  244. Se você é um soldado pago com dinheiro público, será punido por fugir da batalha.
  245. Se um súdito é banido, não é mais súdito.
  246. Se você não concorda com as leis de seu país, pode procurar outro no qual morar.
  247. Se um país subjuga outro, o senhor do país vencedor torna-se senhor da população de súditos do país conquistado.
  248. Público é o que é feito entre súdito e governo, privado é o que é feito entre súdito e súdito.
  249. Uma iniciativa privada é permitida na medida em que o governo permite.
  250. Se alguém faz algo que não é aprovado pelo governo, está fazendo por conta própria.
  251. Os mercadores que se juntam em corporações para juntar esforços são espertos: podem comprar a preço baixo a mercadoria de sua terra e vendê-la a preços altos onde essa mercadoria é rara, o que requer maiores quantidades de investimento, quantidades que são melhor obtidas em grupo.
  252. Em adição, pode-se comprar mercadoria que é comum em determinado lugar a fim de vendê-la em sua própria terra natal, onde ela é rara.
  253. Se a mercadoria pode ser vendida para muitos, ela pode ser mais cara, pois não faltarão compradores.
  254. Quanto menos interesse há em comprar determinada mercadoria, mais o preço diminui.
  255. Não pode haver dois soberanos para o mesmo povo.
  256. Os mendigos podem se reunir para traçar um plano de mendicância mais eficiente e, juntos, obter mais lucro.
  257. Se o governo não puder saber o que determinado grupo ou associação quer, então esse grupo ou associação é automaticamente fora da lei.
  258. Às vezes, promover a justiça requer dinheiro.
  259. Nas reuniões estatais, qualquer que não partilhar do interesse que será discutido não bem-vindo.
  260. O Estado é como um corpo humano: as organizações legítimas são como órgãos, enquanto que as organizações ilegítimas são como tumores e cálculos.
  261. Um ministro é uma pessoa encarregada pelo Estado de realizar determinada missão e que goza de recursos estatais para realizar tal missão.
  262. Enquanto a escola for um dispositivo ideológico do Estado, os professores podem ser considerados ministros.
  263. Ninguém pode ser juiz em causa própria.
  264. É justo escolher um juiz para sua causa, para evitar que se escolha um juiz com quem se tenha uma inimizade anterior.
  265. Alimentação é fácil achar, mas obtê-la pode requerer trabalho.
  266. Nenhum Estado produz tudo de que precisa.
  267. A força de trabalho pode ser vendida.
  268. Manter alguma coisa somente pela sua própria força leva à incerteza.
  269. Sem leis não há heranças materiais nem propriedade privada.
  270. Justiça: a cada um o que é seu.
  271. Se o governante faz algo que o povo não gosta, bem feito: o povo, ao elegê-lo, sancionou todas as suas ações.
  272. O que não significa que o povo deve aceitar tudo.
  273. A distribuição agrária é tarefa do soberano.
  274. Levadas pela ânsia de lucro, algumas pessoas vendem aquilo que na verdade faz mal, tal como as drogas.
  275. Não existe conhecimento inútil.
  276. Os súditos devem ter comércio entre si e oferecer serviços uns aos outros.
  277. Mas o Estado deve regular também essas práticas.
  278. Pelo bem da exportação e da importação de todos os bens, o valor do ouro e da prata não devem ser alterados por nenhum Estado, a fim de que seu valor seja usado como referência para câmbio, por exemplo.
  279. Reservas de metais preciosos podem ser usadas como último recurso em guerras, para firmar pactos de paz.
  280. Como o valor do ouro não muda, ao passo que o valor de uma moeda pode diminuir, contratos de paz firmados em dinheiro e não em ouro são voláteis e inseguros.
  281. Uma frase imperativa pode se tornar opinativa dependendo de quem fala, quem ouve e de quando e onde fala ou ouve.
  282. Não confunda conselho e ordem.
  283. A ordem visa a satisfação da vontade do que ordena, o conselho visa a satisfação de quem ouve.
  284. Conhecer a lei é obrigação de todos os cidadãos.
  285. Deve haver harmonia de intenções entre o conselheiro e o aconselhado: se o conselheiro tiver intenções dissonantes com as do aconselhado, pode querer dar mau conselho.
  286. O conselho deve ser limpo, claro, não deve ter metáforas, não deve ser longo, não deve excitar paixões, não deve ser ambíguo, não deve ter expressões difíceis…
  287. Os conselheiros políticos devem ser intelectuais.
  288. O conselheiro deve ter experiência.
  289. Quem não tem juízo, dá mau conselho.
  290. Na falta de regras absolutas de julgamento, quem tiver maior experiência em determinado assunto terá melhor julgamento.
  291. Numa assembléia, alguém que defende determinada opinião, ao ouvir um discurso muito bom que defende a opinião contrária, pode ficar com vergonha da sua própria decisão e mudá-la, para não parecer bobo na frente dos outros que aplaudiram a opinião contrária.
  292. Se o que você quer é um simples conselho, consultar uma pessoa de confiança é o bastante.
  293. Existem leis comuns a todos os Estados.
  294. Se o soberano pode revogar leis quando ele quiser, então ele praticamente não está sujeito a elas.
  295. Se você faz um voto a si mesmo, não fez voto nenhum.
  296. Se não há lei contra, então não é crime.
  297. Se não há governo, não há lei.
  298. A função das leis é tolher a liberdade mesmo.
  299. Quem tem o direito de dissolver uma associação também tem direito de controlá-la.
  300. Os dois braços do Estado: as leis e a força.
  301. Se você estuda muito uma coisa só, se expõe ao risco de estar despendendo muito tempo estudando uma matéria que não comporta verdade alguma.
  302. A lei só é válida para quem é capaz de firmar um pacto.
  303. Qualquer pessoa que não puder aprender as leis por qualquer razão que seja está escusado de observá-las.
  304. Regra de ouro: não faça aos outros o que você não gostaria que fosse feito a você.
  305. Se alguém te dá um cargo e não diz como exercê-lo, você é obrigado a usar a razão para achar um meio de exercê-lo perfeitamente.
  306. A conclusão que você chega nesse processo não deve ser dissonante com a decisão estatal.
  307. Então, use o cargo dado da forma a melhor garantir os interesses do Estado.
  308. Quem deveria ensinar as leis às pessoas são os próprios juízes.
  309. Existem casos em que tal não é necessário: a pessoa deve recorrer às leis escritas quando puder.
  310. Antes de processar alguém, certifique-se de que essa pessoa realmente cometeu o crime.
  311. A regra de ouro pode ser má interpretada, embora unicamente por ocasião de má-fé.
  312. Leis curtas podem ser mal interpretadas, então muito mais as leis longas.
  313. A interpretação correta de uma lei depende da posse das causas finais: para quê esta lei foi feita?
  314. Se o filósofo formula uma lei revolucionária, ela não vale nada se o Estado não a sancionar.
  315. O juiz deve representar a vontade do soberano.
  316. Céu e terra passarão, mas a Lei não passará e esta é a Lei e os profetas: faz ao próximo aquilo que gostarias que te fosse feito.
  317. Os comentários às leis não são interpretação.
  318. Se o juiz viu que o ato criminoso não foi cometido pelo réu, mas por outra pessoa, ele deve pedir que outro juiz ordene o caso, ao passo que ele próprio deve se tornar testemunha.
  319. O advogado estuda as leis, mas quem as interpreta são os juízes.
  320. Existem dois tipos de lei: moral e positiva.
  321. A moral é a que sempre existiu, baseada nas virtudes humanas que tendem para a paz.
  322. A positiva é a que é escrita pelos soberanos.
  323. Existem dois tipos de lei positiva: humana e divina.
  324. Das leis humanas, existem dois tipos: as distributivas (determinam os direitos dos súditos) e as penais (determina os deveres e as punições por desrespeito a estes).
  325. As leis positivas divinas são aquelas reveladas pelos profetas.
  326. Leis positivas que contradigam as leis morais não devem ser obedecidas.
  327. Existem dois tipos de lei: fundamental e não fundamental.
  328. O Estado se dissolve e deixa de existir se não houver leis fundamentais, que são as leis que asseguram a existência do Estado.
  329. Direito é liberdade.
  330. Ter fantasias do tipo “como seria legal se eu tivesse a esposa daquele cara pra mim”, mas sem ter a intenção de tomá-la, não necessariamente infringe o mandamento que diz “não cobiçarás a mulher do próximo”.
  331. Da mesma forma, ter fantasias do tipo “oxalá aquele cara morresse” não necessariamente significa que eu tenho desejo de matá-lo.
  332. Sentir prazer em fantasias é inerente ao ser humano.
  333. Crime é qualquer ato que seja proibido pela lei, tal como qualquer omissão de esforço para realizar deveres legais.
  334. O termo “pecado”, originalmente, significa violação da lei em questão.
  335. Se não houver lei, não há pecado.
  336. Entendimento não significa raciocínio.
  337. Fazer aos outros o que não se faria a si mesmo é sempre crime.
  338. Se você se muda para o estrangeiro e você não teve meios de aprender as leis locais, não deveria ser punido por quebrar uma lei que ignora.
  339. Se você quebra uma lei e se defende dizendo “eu não sabia que a pena seria tão alta”, você acaba de se condenar, porque está dizendo que não veria problema em cometer crimes se as penas fossem brandas.
  340. Se você comete um ato, está assumindo todas as consequências desse ato.
  341. Se a punição for pouca e a pessoa diz que não teria feito se a pena fosse mais alta, isso é um indício de que a lei não está punindo adequadamente, porque as pessoas, vendo benefício na prática criminosa, não se sentem intimidadas pela pena.
  342. Se um comportamento é tornado crime hoje, os que incorreram em tal comportamento ontem não podem ser punidos.
  343. O fato de que a justiça foi violada com êxito várias vezes ao longo da história não a torna um conceito vazio.
  344. Basear as leis nesse tipo de precedente, isto é, tornando justo tudo o que antes deu certo, mesmo que tenham sido atos viciosos, perturba o Estado, o qual precisa de leis estáveis para manter a paz.
  345. Algumas pessoas acreditam poder manipular a lei por serem capazes de manipular as pessoas das quais depende sua aplicação.
  346. A ocasião faz o criminoso.
  347. Matar em legítima defesa nunca é crime.
  348. Se só houver ameaça, eu devo pedir ajuda às autoridades.
  349. Dependendo das circunstâncias, a pena por um crime pode ser atenuada.
  350. Quebrar as leis para sobreviver não é crime.
  351. Quebrar a lei por presunção de impunidade pela força é mais digno de punição do que quebrar pela presunção de impunidade pela fuga.
  352. Quem incita a cometer um crime é também culpado.
  353. O crime cometido por impulso ou descontrole é menos culpável do que o crime premeditado.
  354. O tempo despendido entre a prática criminosa e o conhecimento da lei deve ser despendido meditando sobre como conformar suas paixões à lei.
  355. Se a lei é ensinada publicamente, nas escolas, por exemplo, todos os crimes são mais culpáveis.
  356. Se a lei for de difícil acesso, todos os crimes são menos culpáveis.
  357. Roubar dinheiro público é pior do que roubar dinheiro privado, porque o roubo de dinheiro público é o roubo feito a muitos ao mesmo tempo.
  358. Falsificação de dinheiro, usurpação de cargos e qualquer crime relacionado a serviços públicos é pior do que os crimes feitos contra pessoas privadas.
  359. Roubar um pobre é mais grave do que roubar um rico.
  360. A pena por um crime só pode ser dada pelo Estado.
  361. Existem penas físicas, penas de cargo, penas pecuniárias, penas prisionais e penas de exílio.
  362. A punição de alguém deve ser benéfica para o Estado.
  363. Um Estado não pode ter apenas punições; deve ter também recompensas para os que fazem boas ações.
  364. Um governo pode se dissolver porque o governante recusa assumir parte do poder que lhe é necessário ser investido.
  365. Fé e razão são conciliáveis.
  366. Uma das causas de rebelião contra a monarquia é a leitura dos livros de história pelos jovens.
  367. Numa monarquia, livros de história não devem ser lidos em público, a não ser por pessoas que sejam capazes de filtrar o conteúdo deles.
  368. Se temos a igreja declarando uma lei e o Estado declarando outra, temos o problema de que as pessoas estão sujeitas a dois senhores.
  369. Existem outras doenças do Estado, como súditos muito poderosos e carismáticos, cidades muito independentes em recursos e outros elementos sob seu controle, mas que podem rivalizar com ele se desejarem.
  370. Segurança não compreende apenas a saúde física, mas também a posse dos bens.
  371. Quem desamparar os meios, ignora os fins.
  372. Quem desamparar os fins, ignora os meios.
  373. O Estado precisa informar os súditos de seus direitos, porque o povo que sente que tem poucos direitos é mais propenso à rebelião.
  374. Não existe lei contra rebelião.
  375. Os princípios que fundamentam a lei devem ser seguros.
  376. A dificuldade em entender esses princípios que fundamentam as leis não vem tanto dos princípios, mas da índole dos que tentam aprender, que procuram harmonizar os princípios com seus interesses.
  377. As pessoas simples entendem esses princípios mais facilmente, pois não tem os recursos abundantes que impedem o freio das paixões e nem o orgulho dos doutores.
  378. O que faz um governo prosperar não é o fato de ser monárquico, aristocrático ou democrático, mas o fato de que há concórdia entre os súditos.
  379. Dos dez mandamentos, os quatro primeiros se resumem em “ame Jeová de todo coração, de toda alma e toda a mente”, ao passo que os seis seguintes se resumem em “ame o próximo como a ti mesmo.”
  380. Os maus costumes se instalam porque as pessoas não dispõem dos fundamentos das leis, que são obtidos pelo estudo e pela meditação, duas coisas para as quais muitos não têm tempo.
  381. Ricos e pobres devem ser punidos igualmente.
  382. Qualquer quebra de lei é ofensiva ao Estado.
  383. Para evitar o desemprego, deve-se regular tantos trabalhos quanto for possível, tornar legítimos empregos uma quantidade cada vez maior de atividades.
  384. Boas leis são leis justas.
  385. Isto é, leis que tanto o governo como a população aceitam.
  386. Não se deve promulgar leis desnecessárias.
  387. Uma lei que beneficia só o soberano não é uma boa lei, porque o bem do Estado é um só, o bem do governo e o do povo.
  388. Em vez de leis extensas, leis curtas acompanhadas da razão de sua criação, para facilitar sua interpretação.
  389. Os crimes que devem ser mais severamente punidos são os que ameaçam as coisas públicas.
  390. Não vá acidentalmente recompensar um mau comportamento, para que outros não se comportem mal também.
  391. Política é mais difícil que geometria, logo não pode ser exercida sem método.
  392. Um bom conselho não é dado imediatamente, mas depois de algum tempo de reflexão.
  393. A humanidade parece nunca estar contente com o presente.
  394. São súditos de Deus todos aqueles que creem nele, em sua providência e no fato de que ele pune ou recompensa quem merece ser punido ou recompensado.
  395. Deus se manifesta de três formas: pela razão, pela revelação interna (conosco, diretamente) e pela revelação externa (através dos profetas).
  396. Sendo onipotente e sumamente sábio, Deus quererá governar e irá governar.
  397. Honrar a Deus é sempre supor dele o melhor.
  398. Culto é prestar honras a Deus.
  399. É possível cultuar alguém por atos: se amamos a Deus, queremos fazer o que ele nos diz pra fazer.
  400. Alguns atos que servem de culto são as orações, as ações de graças e a obediência.
  401. Para um sinal ser chamado de sinal deve ser entendido.
  402. Se Deus é a causa do mundo, então o panteísmo (que afirma que Deus é o mundo) não é possível.
  403. Deus, para ser Deus, é preciso ser eterno (isto é, sem começo e sem fim).
  404. Se Deus não se importasse conosco, não teria nos dado ordens de culto.
  405. Deus, sendo Deus, é um só.
  406. Aquele que confecciona estátuas não está fazendo deuses: os deuses são feitos por aqueles que oram pra essas estátuas.
  407. A idolatria é pecado do fiel e não do artífice.
  408. A teologia é um vasto território do pecado: tentando estudar Deus segundo preceitos filosóficos ou científicos, que são imperfeitos por natureza, é aceitar a possibilidade de blasfemá-lo.
  409. As orações devem ser pensadas, as palavras devem ser bem escolhidas.
  410. Os pagãos celebram seus deuses com muita submissão e ações de graças, então por que os cristãos deveriam prestar menos submissão e cultuar de qualquer jeito ao Deus que afirmam ser o verdadeiro?
  411. Obediência é melhor que o sacrifício.
  412. Se não há maioria religiosa expressiva, o Estado não tem religião oficial.
  413. Todos os prazeres comportam determinado grau de dor.
  414. Assim, a intemperança é punida com doenças, a covardia é punida com a opressão, a negligência com a rebelião, o orgulho com a ruína…
  415. Essas punições são ministradas pela lei da natureza.
  416. De fato, governar é difícil, requerendo um governante que é também filósofo.
  417. Mas o governo pode se basear em princípios fáceis.
  418. Ser religioso não necessariamente implica viver irrefletidamente.
  419. Se o soberano obriga os ateus a praticar determinado culto, isso não muda o fato de que ainda são ateus.
  420. Se alguém diz que foi divinamente inspirado por Deus a fazer alguma coisa, que teve um sonho no qual Deus falou com ele, ou que Deus lhe apareceu, todas essas coisas são duvidosas…
  421. O único jeito de saber se alguém é profeta é através de dois sinais simultâneos: realização de milagres e ensinamento concorde.
  422. O Deuteronômio não foi terminado por Moisés, óbvio, ele não podia ter escrito sobre sua própria morte e nem sobre o fato de seu sepulcro nunca ter sido encontrado.
  423. O nome do livro não é indicativo seguro de seu escritor.
  424. O livro denuncia quando foi escrito.
  425. Se o Livro dos Juízes, capítulo 18, verso 30, que diz que alguém foi sacerdote até o dia do cativeiro, referir-se ao cativeiro babilônico, então Juízes foi escrito quase concomitantemente com Jeremias ou mesmo depois.
  426. Também os livros de Samuel, embora falem de Samuel, não foram escritos por ele.
  427. Alguns livros da Bíblia fazem menção a livros que não existem mais.
  428. O fato registrado é mais velho que o registro.
  429. Os livros do Velho Testamento foram mesmo atualizados, pois há evidências de que a forma atual de alguns dos Salmos não é a forma original intencionada por Davi.
  430. Embora os Provérbios tenham sido proferidos por Salomão e outros dois autores, a escrita do livro dos Provérbios, como compilação dessas sentenças, é posterior.
  431. De acordo com os livros apócrifos, a Lei havia sido queimada durante o exílio babilônico e reescrita por Esdras sob inspiração divina.
  432. Com exceção das epístolas de Paulo, do Santo Evangelho Segundo São Lucas e dos Atos dos Santos Apóstolos, todos os livros e cartas do Novo Testamento foram escritos por discípulos de Jesus ou por testemunhas oculares.
  433. O único objetivo das Escrituras Sagradas é reconverter o povo a Deus.
  434. Deus é o escritor dos textos inspirados.
  435. Universo é coletivo de corpo.
  436. “Espírito” não necessariamente quer dizer fantasma.
  437. Dizer que o “espírito de vida” estava nas rodas, quer dizer que as rodas estavam vivas.
  438. Se alguém tem uma alucinação, outros não a terão ou terão uma alucinação diferente.
  439. Hobbes interpreta as Escrituras por via da exegese, isto é, mantendo suas dúvidas iniciais ao longo do texto até que o próprio texto, em outra passagem ou numa leitura posterior, esclareça essas dúvidas.
  440. Anjos são mensageiros.
  441. Anjos não são putti.
  442. Anjos são porta-vozes divinos e indicativos de presença divina simbólica.
  443. “Substância incorpórea” é uma expressão contraditória para Hobbes.
  444. O Reino de Deus tem uma faceta terrena, ministrada por Jesus, pois Jesus, afirmando-se rei, tornou-se inimigo de César.
  445. O Reino de Deus não é metafórico.
  446. Quando uma pessoa é chamada “santa”, não quer dizer que ela não peca ou nunca pecou, mas que leva uma vida de dedicação a Deus.
  447. Existem graus de santidade.
  448. No Velho Testamento, só há dois sacramentos: a circuncisão e a páscoa.
  449. No Novo Testamento, só há dois sacramentos: o batismo e a ceia do Senhor.
  450. “O Verbo fez-se carne” pode significar cumprimento (fez-se) da promessa (Verbo, pois promessas são feitas de palavras) em sua forma física (carne), pois Deus prometeu enviar seu filho e a promessa fora cumprida.
  451. A razão também forma ilusões.
  452. Moisés era amigo de Deus.
  453. Hobbes, apesar de tudo, diz que a forma como Deus falava com os profetas era incompreensível.
  454. Se alguém diz “faça isto para ser feliz”, está querendo comandar todas as pessoas, porque todas querem ser felizes.
  455. Então, instituir um caminho para a felicidade, equivale a tentar instituir uma moral universal.
  456. Alerta de Hobbes: a maioria dos profetas é falsa.
  457. O próprio Deus nos dá critérios de julgamento para saber se um profeta é ou não falso.
  458. Diz Hobbes: se alguém nega que Jesus já veio e prega que o Messias ainda virá, é um anticristo.
  459. As pessoas se admiram de duas coisas: acontecimentos raros ou sem precedentes e acontecimentos de causa natural desconhecida.
  460. Se um evento é as duas coisas ao mesmo tempo, isto é, raro ou sem precedentes e de causa natural desconhecida, podemos chamar isso seguramente de milagre.
  461. O milagre normalmente é feito com uma razão, que é adquirir crédito ao profeta.
  462. O Estado pode permitir alguém a vida ou ordenar a morte a alguém, mas, enquanto a Bíblia Sagrada prometer vida eterna após a morte e enquanto as pessoas tiverem a crença no Inferno como um lugar de tormento eterno, a autoridade do Estado não será totalmente sólida.
  463. O paraíso será na Terra.
  464. Sendo nós imortais na vida eterna, não haverá necessidade de geração, nem de sexo, nem de casamento.
  465. As almas (vidas) serão ressuscitadas.
  466. Quando as Escrituras falam de Reino dos Céus, referem-se a um governante celeste que reinará sobre uma população terráquea.
  467. Só o filho do homem pode ascender ao céu, porque veio de lá.
  468. Nesta vida, não somos imortais de forma alguma.
  469. Só podemos ser imortais depois da ressurreição.
  470. O Inferno é a sepultura.
  471. O Inferno de fogo é metafórico e exprime, na verdade, a “segunda morte”.
  472. A associação entre Inferno e fogo tem raiz etimológica.
  473. Tudo o que se diz sobre o Inferno não deve ser entendido literalmente.
  474. Todos ressuscitarão, mas nem todos viverão para sempre: os que forem reprovados no julgamento morrerão de novo.
  475. “Mas livra-nos do mal” pode referir-se a males particulares ou o mal em geral.
  476. Ambas as coisas coincidem.
  477. Se formos privados do pecado original, seremos imortais.
  478. Não faça afirmações religiosas sem apoio das Escrituras.
  479. “Igreja” não é o prédio, mas é o coletivo de “cristãos”: se houver três cristãos num lugar, tem-se ali uma igreja, mesmo que sejam um católico, um ortodoxo e um protestante.
  480. Não existe uma igreja universal porque existem cristãos em todos os países, cada um sujeito a leis diferentes.
  481. O fato de um governo ser terreno não exclui a possibilidade de também ser espiritual, como é o caso das teocracias.
  482. Se duas doutrinas são ensinadas como absolutas, uma delas necessariamente está errada, o que não exclui a possibilidade de ambas estarem erradas.
  483. O governo não pode fiscalizar os pensamentos.
  484. Só há um líder religioso na religião do livro: depois de Moisés, Jesus o substituiu.
  485. Qualquer que pretenda ocupar o lugar de Jesus precisa do direito divino para isso.
  486. Devemos fazer o que Jesus disse, não refletir sobre as razões por trás do que ele disse.
  487. Somente o soberano (Moisés no Velho Testamento, Jesus no Novo Testamento) pode designar governantes que ministrem em sua ausência.
  488. Enquanto que na época dos juízes os sacerdotes eram também governantes, embora sob o mando de Deus, os reis que se seguiram eram puramente terrenos.
  489. Na verdade, o rei podia destituir um sacerdote de seu direito sacerdotal (Salomão fez isso).
  490. O rei, se lhe aprouvesse, poderia conduzir orações a Deus.
  491. Acusações falsas levaram dez tribos para longe do filho de Salomão e todo o mundo sabe o que aconteceu.
  492. Os reis de Israel e de Judá, na medida em que ouviam aos profetas, prosperavam.
  493. No final das contas, de um jeito ou de outro, os profetas acabavam governando Israel e Judá, porque os reis que se arrependiam voltavam para ouvir o conselho divino.
  494. Jesus tinha três papeis a desempenhar: redentor, mestre e rei.
  495. Jesus se sacrificou para que nós pudéssemos ter expiação por nossos pecados.
  496. O último papel de Jesus, o de rei, só será concluído depois da ressurreição.
  497. Tudo o que Jesus fez foi ensinar e fazer milagres, coisas que não são pecado na lei de Moisés.
  498. O ensinamento de Jesus não se opunha às leis da época, porque não existe governo que se oponha às leis de natureza (faça ao próximo o que você gostaria que fosse feito a você, por exemplo).
  499. Existe um Pai, existe um Filho, existe um Espírito Santo, mas eles não formam uma entidade una e trina.
  500. O poder eclesiástico não recebe de Jesus o poder de comandar, mas somente de ensinar.
  501. A menos que um sacerdote seja também rei, ele não pode exigir observância da religião.
  502. Não é possível ser testemunha para outra testemunha.
  503. “Herege” é o que, estando na Igreja, professa uma opinião proibida pela Igreja.
  504. É interessante que a heresia não parece ser, nas Escrituras, razão de excomunhão.
  505. Excomunhão implica igreja: o cristão que não faz parte de igreja alguma, isto é, de comunidade alguma, não pode ser excomungado.
  506. Também uma igreja não pode excomungar outra.
  507. Cada evangelista era intérprete de seu próprio evangelho (pregação).
  508. Não há problema em cada um ter sua interpretação da Bíblia Sagrada.
  509. Só é possível forçar uma interpretação da Bíblia se o governante for ao mesmo tempo rei e sacerdote.
  510. Interessante notar que a aceitação como canônico vem do ouvinte e não do mestre.
  511. Uma boa regra: desconsidere o que contradiz o que já está estabelecido como lei.
  512. Jesus não destruiu a Lei de Moisés, mas também não obrigou os gentios a ela, então os judeus não estão errados por continuarem observando a lei.
  513. Só pode ser apóstolo em plena acepção da palavra aquele que viu Jesus, conviveu com ele e testemunhou sua ressurreição.
  514. Os doze legítimos apóstolos integravam a Igreja de Jerusalém.
  515. Ancião de congregação é o mesmo que bispo.
  516. Servo ministerial é o mesmo que diácono.
  517. Uma pessoa pode desempenhar múltiplas funções na Igreja.
  518. O dízimo deve ser dado de boa vontade, na quantidade que aprouver ao que dá o dízimo.
  519. No primeiro século, exigir o dízimo era impraticável, porque a organização da Igreja era principalmente didática.
  520. Argumentar que Pedro recebeu as “chaves do Céu” não prova que ele foi o primeiro papa.
  521. Anticristo é qualquer um que nega que Cristo veio em carne e osso, isto é, que nega o evangelho.
  522. A Bíblia, na verdade, atesta contra a autoridade do Papa.
  523. O Papa não ter poder de mando, só de instrução.
  524. A autoridade do Papa não é válida para todos os cristãos do mundo.
  525. O Decreto Apostólico (abstenção da fornicação, do sangue, de animais não tiveram o sangue drenado e da idolatria) é conselho.
  526. Obedecer a Deus e ao Estado é obedecer a dois senhores, algo proibido por Jesus: um dos dois deve se sobrepor e ser chamado propriamente de Senhor.
  527. Se alguém erra por causa do sacerdote, o sacerdote prestará contas e não o fiel.
  528. João diz em sua carta que devemos experimentar os espíritos, testá-los, para saber se falam a verdade, porque muitos falsos profetas estão à solta.
  529. Se o bispo recebe sua autoridade a partir de Deus, como pode o Papa tirá-la depois?
  530. Onde diz na Bíblia que um bispo recebe seu direito diretamente de Deus?
  531. Para alguns sujeitos da época de Hobbes, se o rei for excomungado e ainda assim não mandar os hereges embora de seu território, os cristãos locais não pecam se fizerem rebelião.
  532. Existem vários países oficialmente católicos, mas quantos deles se obrigam ao Papa?
  533. Jesus nunca deu aos seus seguidores o poder de mandar, de julgar ou de castigar.
  534. Amar a Deus acima de todas as coisas (cumpre os mandamentos para dar testemunho disso) e ao próximo como a si mesmo (faça aos outros o que você gostaria que fosse feito a você) te torna elegível à salvação.
  535. Não há evidência bíblica da infalibilidade da Igreja.
  536. Purgatório não é bíblico.
  537. Acreditar que Jesus é o Cristo implica uma cadeia de crenças afluentes.
  538. A prova de que a crença em Jesus implica obras está no capítulo dezoito do Evangelho segundo Lucas.
  539. A Bíblia foi escrita e compilada para o estabelecimento do Reino de Deus.
  540. A Bíblia, se mal interpretada, pode servir como meio de afastar as pessoas de Deus.
  541. O Evangelho é a suma verdade divina entregue por Cristo e a razão é a mais poderosa ferramenta de interpretação que temos.
  542. Se a fé que se tem em um pastor não está te guiando para um aperfeiçoamento espiritual, ele tá fazendo errado.
  543. A história da cristandade é marcada pelo desentendimento e pela guerra.
  544. Erros de interpretação bíblica frequentemente ocorrem entre os que não conhecem a Bíblia: será que seu pastor já leu a Bíblia inteira?
  545. Erros de interpretação bíblica frequentemente ocorrem entre os que misturam diferentes religiões: será que seu pastor não mistura cristianismo e outras coisas?
  546. Erros de interpretação bíblica frequentemente ocorrem entre os que usam meios além da exegese: será que seu pastor não utiliza a lógica de Aristóteles para interpretar tudo?
  547. Erros de interpretação bíblica frequentemente ocorrem entre os que tentam harmonizar a Bíblia com suas tradições: será que seu pastor não está interpretando à luz da sua história?
  548. Esses erros levam os fieis a crenças falsas.
  549. O Reino de Deus não é a cristandade atual.
  550. O cristão promete obediência a Cristo e não ao líder religioso local.
  551. A devoção ao padre ou pastor, de maneira fanática, leva o fiel a agir como se o líder religioso fosse Deus, acatando sua palavra mesmo quando vai contra o que Jesus ensinou.
  552. A crença de que o dízimo é dez por cento da sua renda tem origem católica, instaurada na Idade Média, e já naquele tempo era considerada abusiva.
  553. O poder papal era tanto na Idade Média que ele podia até isentar os cristãos de pagarem imposto ao Estado.
  554. A consagração do pão e do vinho não é uma mudança de substância.
  555. Dizer que o pão se torna, na consagração, o corpo de Jesus e que o vinho se torna o sangue de Jesus pode levar o fiel à idolatria.
  556. Jesus diz “isto é meu corpo, isto é meu sangue”, mas isso não quer dizer que todas as refeições noturnas do Senhor depois daquela seriam marcadas por uma mudança literal de substância.
  557. Inferno não existe, diz Hobbes.
  558. Nas Escrituras, alma significa vida (princípio de movimento).
  559. A alma é a vida que anima o corpo.
  560. Se a alma não é imortal, então não existem fantasmas, não existe psicografia, espiritismo é lorota, tormento eterno no Inferno não existe, purgatório não existe…
  561. Frente à morte, pessoa e animal têm o mesmo valor.
  562. Antigamente se batizavam mortos.
  563. O purgatório foi uma mentira de grande sucesso.
  564. Cristo pode até ter descido ao Inferno (sepultura), mas nunca ao purgatório.
  565. As crenças pagãs eram facilmente manipuladas em nome da paz pública.
  566. Se os espíritos malignos existissem, por que sua criação não é narrada no Gênesis?
  567. Não se deve cultuar imagens, nem pelas imagens e nem pelos santos que representam.
  568. Não é possível fazer imagens de coisas invisíveis.
  569. Não é possível pintar ou esculpir o infinito.
  570. Muitas vezes, há pouco compromisso do artífice com a fidelidade da imagem que está a fazer.
  571. O ídolo não precisa ser uma escultura: ele pode ser o Sol, a Lua, as estrelas, os animais e qualquer coisa tomada como um deus e que recebe culto de alguém.
  572. Se prostrar diante de alguém como ato de reconhecimento de sua autoridade humana não é idolatria, mas se prostrar diante de alguém para cultuá-lo é idolatria.
  573. Reconhecer algo como sagrado e parte do culto não é idolatria, mas reconhecer algo como um deus, sem ser Deus, e lhe prestar culto é idolatria.
  574. Os gregos também atribuíam onipotência a seus deuses.
  575. “Escândalo” é o ato de fazer alguém assumir um comportamento errado, ou seja, levar outro a pecar.
  576. Os santos estão mortos e mortos não ouvem orações.
  577. A canonização dos santos tem origem na apoteose romana.
  578. A procissão também tem origem pagã.
  579. Muitas festas católicas têm origem pagã.
  580. A experiência e a prudência, aliadas à memória, são comuns a homens e animais.
  581. Estudar filosofia não equivale a praticá-la.
  582. Quando ninguém tem o que fazer, faz filosofia.
  583. A filosofia não começou com os gregos.
  584. A raiz etimológica de “escola” é a mesma de “ócio”.
  585. Também o modo judaico de pensar foi tocado pela filosofia grega.
  586. A geometria, quando bem executada, nunca erra e por isso ela nunca se sujeitou a Estado algum.
  587. O fato de quase não errar levava as pessoas a duvidar das certezas geométricas, pois a mente humana parece medir o grau de crédito de algo pela sua possibilidade de ser falso.
  588. Toda a filosofia deveria depender de um tipo de “filosofia primeira”, responsável por definir os termos importantes, de forma a ditar uma linguagem a qual todos os filósofos deveriam falar.
  589. A reflexão sobre isso recebe o nome de “metafísica”, é a parte da filosofia que se propõe a ser a mais elevada, a que diz o que as coisas são.
  590. O que dá força às palavras é o costume.
  591. Como o fogo do Inferno queima as almas, se elas são incorpóreas?
  592. Não se deveria fazer teologia, porque Deus é demais pra caber na razão humana.
  593. A teologia corre atrás de sua cauda.
  594. Casamento não impede castidade e nem continência.
  595. A ideia é que o homem, na administração do altar, deve estar tão puro quanto possível, mas será que se casar torna alguém impuro?
  596. Se o casamento é sujo, quanto mais urinar ou defecar.
  597. O fato de Paulo ter dado uma recomendação contra o casamento tem origem política: os cristãos estavam sendo perseguidos e o cuidado com a família poderia dificultar as fugas dos pregadores do Evangelho.
  598. O poder das leis vem das pessoas e das armas que empunham, não das palavras e das promessas.
  599. Se Aristóteles diz que as leis podem governar autonomamente, isso é metafórico e, mesmo assim, impreciso.
  600. Existem leis inspiradas na Bíblia Sagrada.
  601. Se o que eu estou fazendo não é crime, que me importa que você pense que é errado?
  602. O texto em latim que não faz sentido em idiomas modernos provavelmente também não faz sentido em latim.
  603. Mesmo que um texto em um idioma esteja dizendo a verdade, ela é vetada aos que não conhecem o idioma.
  604. Quando alguém diz que determinado santo viu um fantasma ou aparição, talvez o próprio santo o negasse.
  605. Algumas pessoas tentam desencorajar a busca pela verdade utilizando o medo.
  606. Um bom jeito de descobrir quem é o culpado de determinado crime é descobrindo quem lucraria mais com o delito.
  607. Sacerdote é quem oferece o sacrifício.
  608. O casamento não é, segundo a Bíblia, um sacramento, mas a Igreja Católica o toma como tal.
  609. As confissões podem servir a propósitos políticos: imagine a alegria do sacerdote quando quem vai se confessar com ele é o presidente.
  610. A canonização dos santos e o título de mártir servem como encorajamento à desobediência civil, porque, se for para acatar a ordem do Papa, a qual o fiel pensa ser a ordem de Cristo, o fiel não temerá nem a pena de morte, que lhe daria o título de mártir, encorajando outros fiéis a seguir o exemplo.
  611. Ainda se fazia venda de indulgências na época de Hobbes.
  612. No primeiro século, cada cristão seguia a doutrina apostólica que lhe aprouvesse.
  613. Não se deve avaliar a doutrina de Cristo segundo a afeição que se tem a quem pregou.
  614. Basta que tenhamos Cristo como mestre e a Bíblia para lermos; não precisamos de padres, pastores humanos ou qualquer autoridade humana que nos imponha uma interpretação particular da Bíblia.
  615. Se isso fosse feito, os sacerdotes talvez até pudessem ser mais facilmente perdoados, uma vez que impor suas doutrinas para o povo pode ser causa de escândalo, na medida em que não se percebe que há doutrinas erradas.
  616. Hobbes faz uma série de comparações entre o poder eclesiástico e os contos de fada.
  617. Você agradece à Igreja com dinheiro, mas ela não te agradece com dinheiro.
  618. A diminuição do poder católico, porém, pode dar ocasião para o aparecimento de doutrinas ainda piores.
  619. Conquistar é obter o direito de governar a partir de uma vitória contra o Estado conquistado.
  620. Várias nações que hoje são prósperas têm passado rejeitável.
  621. Fazer justiça com as próprias mãos é ruim porque são atos frequentemente feitos na emoção, isto é, contrários à razão.
  622. Quem lê a Bíblia de forma casual entende melhor do que aquele que a lê para determinado fim.
  623. Hobbes entende que o livro não seria bem recebido porque seu contém ideias desagradáveis às agendas políticas em voga.

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