Analecto

23 de junho de 2016

Anotações sobre o novo sistema da natureza.

Filed under: Livros, Passatempos — Tags:, , , , , , — Yure @ 09:15
  1. Leibniz gostava de divulgar seus escritos para pessoas eruditas. Dizem que ele queria que os intelectuais do mundo trabalhassem juntos com mais frequência. De fato, é mais fácil pessoas burras concordarem do que pessoas sábias concordarem.
  2. Isso porque às vezes os sábios não entendem o discurso mútuo… O cartesiano pode ter dificuldade entendendo o aristotélico. Hobbes também vê esse problema, sugerindo que os filósofos deveriam entrar em consenso sobre o que cada termo significa.
  3. Leibniz só leva ao público opiniões “bem consideradas”. Imagino que sejam os resultados de suas reflexões depois de terem sido julgadas por outros intelectuais da área do discurso. Assim, caso outro cientista encontre alguma falha no pensamento de Leibniz, ele pode consertá-la antes de dar algo ao público. Admirável humildade.
  4. A prática de Leibniz de publicar entre intelectuais para receber opiniões e adaptar seu trabalho segundo justas sugestões leva outros intelectuais a se interessarem pelo trabalho dele.
  5. A metafísica, diz Leibniz, complementa a matemática.
  6. Animais não são máquinas. Eis uma coisa na qual Leibniz e Voltaire concordam.
  7. Juntar vários pedacinhos não forma algo contínuo.
  8. Se algo é material, pode ser dividido. Então, o átomo de Demócrito, como algo material e indivisível, é contraditório. Além do mais, agregar matéria não forma espírito ou consciência. Devem haver “átomos de energia”.
  9. Separar a ciência da metafísica restringe seu avanço. Eu tenho um colega que pensa igualzinho.
  10. Se a alma só pode ser criada por um milagre criativo e destruída por um milagre destrutivo, não há outra coisa que possa matar a alma além de Deus, diz Leibniz, com Tomás.
  11. As coisas espirituais não podem ser explicadas pelas leis da matéria. Continuando minha alusão à ciência atual, sabemos que a matéria e a energia seguem leis diferentes, apesar de que a tendência quântica é a de interpretar matéria e energia como diferentes estados de uma mesma coisa. Assim, matéria seria energia em “estado sólido” (baixa frequência).
  12. Diz Leibniz: ressurreições ocorrem na natureza.
  13. Assumir que se pode explicar a natureza da mesma forma que se explica os produtos do artificio humano (mecanicismo) é presunção. É a presunção de que o ser humano tem alguma proporção com a natureza em termos criativos.
  14. O mecanicismo não explica o pensamento nem a consciência.
  15. Matéria sempre pode ser dividida. Mas partículas de energia são indivisíveis, diz Leibniz. Elas são a verdadeira unidade fundamental do mundo. O problema da unidade fundamental é ancião.
  16. E quanto à união entre alma e corpo, isto é, como causas corpóreas exercem efeitos na consciência?
  17. A concordância entre todas as substâncias em algo que faça sentido só seria possível se a causa delas fosse a mesma, em última instância.
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5 Comentários »

  1. […] Isso dá a impressão, pro leigo que não sabe o que é filosofia nem o quanto a religião deve a esta, de que filosofia é coisa de ateu e que a filosofia te tornará ateu se você deixar. […]

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    Pingback por Eu assiti “Deus Não Está Morto.” | Pedra, Papel e Tesoura. — 25 de fevereiro de 2017 @ 12:38

  2. […] filosofias que não valem o seu trabalho […]

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    Pingback por Anotações sobre o Candido ou o otimismo. | Pedra, Papel e Tesoura. — 5 de outubro de 2016 @ 16:38

  3. […] fez tudo visando um propósito, pensam os otimistas metafísicos. Então, se eu coloco um anel no dedo é porque Deus fez o dedo também pra receber o […]

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    Pingback por Anotações sobre o dicionário filosófico. | Pedra, Papel e Tesoura. — 27 de setembro de 2016 @ 14:20

  4. […] de amor a Deus. Então, a sabedoria secular, como a ciência, não necessariamente é rejeitável. Leibniz dirá que Deus, sendo sábio, não iria fazer um mundo imperfeito. Então, Leibniz conclui que […]

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    Pingback por Anotações sobre a suma contra os gentios. | Pedra, Papel e Tesoura. — 19 de setembro de 2016 @ 12:24

  5. […] a multiplicidade de coisas compostas. Deve haver algo que não possa ser dividido. Esse algo não é o átomo de Demócrito, para […]

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    Pingback por Anotações sobre a monadologia. | Pedra, Papel e Tesoura. — 26 de junho de 2016 @ 09:17


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