Analecto

31 de janeiro de 2017

“Crítica da Razão Pura”, de Kant.

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“Crítica da Razão Pura” foi escrita por Imanuel Kant. Abaixo, alguns pensamentos (parafraseados) encontrados nesse texto.

  1. Todos os conhecimentos dependem da experiência em maior ou menor grau.
  2. Mas muitos conhecimentos são mais que simples experiência.
  3. O conhecimento “a priori” é lógico, não precisa ser provado experimentalmente (todos os corpos têm peso, eu não preciso tocar todos), mas o conhecimento que não é a priori é experimental, precisa ser provado (este corpo é pesado, só posso dizer se é pesado ou não depois de tocá-lo).
  4. Até Kant, a metafísica tentava conhecer certos aspectos da realidade sem se preocupar em saber se realmente dá para conhecer essas coisas pela razão (Deus, por exemplo).
  5. Por se afastarem demais da experiência, os metafísicos não têm credibilidade.
  6. Se a metafísica não é experimental, não pode ser provada errada.
  7. Muito do conhecimento metafísico, portanto, é ficção.
  8. O juízo analítico divide um dado, enquanto que o juízo sintético junta dados.
  9. O juízo empírico é sempre sintético.
  10. Existem questões que não dá pra responder com a razão.
  11. Metafísica nunca deixará de ser feita.
  12. Quando a pessoa se encontra entre várias afirmações igualmente prováveis, fica tentada a assumir que nenhuma está certa e que a questão é insolúvel.
  13. Metafísica é problemática.
  14. O que torna a metafísica desacreditada são suas contradições.
  15. Kant não quer destruir a metafísica, só reformá-la.
  16. É preciso uma ciência que diga o que é possível conhecer e o que não é possível conhecer.
  17. A ciência “transcendental” é aquela que estuda nossos métodos de conhecimento (que tem a razão por seu objeto).
  18. Os objetos da nossa razão nos são dados pela sensibilidade, mas só formamos ideias desses objetos pelo entendimento.
  19. “Estética transcendental” é o estudo dos princípios da sensibilidade, enquanto “lógica transcendental” é o estudo dos princípios do pensamento.
  20. Não é possível pensar sem “espaço” e “tempo”.
  21. Só há um espaço.
  22. Um ser não é definido por seus acidentes.
  23. Também não é possível pensar sem tempo.
  24. Só há um tempo (um eterno “agora”) e um espaço (o infinito “aqui”), que precisam ser divididos em “antes”, “depois”, “aqui”, “ali”, para que nossa mente possa compreender os fenômenos, o que implica que espaço e tempo, como medidas, só existem em nossa mente.
  25. Tempo e espaço existem em nós, são órgãos da cognição.
  26. O estudo do espaço e do tempo cabem à estética transcendental.
  27. Uma “coisa em si” é algo que não parece diferente para sentidos em condições diferentes.
  28. Um juízo empírico não pode ser universalizado absolutamente.
  29. Todo o conhecimento relacionado a um sentido é fenômeno.
  30. Existem duas fontes de conhecimento: intuições e conceitos.
  31. A intuição é sensível, o entendimento é a interpretação do sensível a fim de formar conceito (ideia).
  32. Existem regras comuns a todas as ciências, mas cada ciência tem também regras particulares.
  33. Se a ideia que eu faço da realidade corresponde à realidade, então minha ideia é “verdade”.
  34. É possível fazer sentido e estar errado.
  35. A forma do raciocínio pode estar certa e a conclusão pode ser lógica, mas o conteúdo pode estar errado.
  36. À decomposição do conhecimento a priori se dá o nome de “analítica transcendental”.
  37. Ela trabalha com aquilo que dispensa prova empírica.
  38. O entendimento trabalha com conceitos, abstraídos das sensações, e não com as próprias sensações presentes.
  39. “Síntese” é juntar o conhecimento de múltiplos objetos em um conhecimento único.
  40. Se o conhecimento é do fenômeno, não é a priori.
  41. Imaginação é representar um objeto intuitivamente sem a presença desse objeto.
  42. Sendo a intuição sensível, a imaginação depende dos sentidos.
  43. Não é possível imaginar o tempo puro.
  44. Não podemos conhecer a nós mesmos completamente, mas somente enquanto fenômeno.
  45. Não existe escola que ensine bom-senso.
  46. O bom-senso é a aplicação correta do conhecimento.
  47. É real o que existe em determinado tempo.
  48. Um raciocínio que se contradiz é falso.
  49. Um conhecimento é objetivo se ele se refere a alguma coisa.
  50. “Percepção” é sensação consciente.
  51. Antecipação” é determinar sem provas algo que vai acontecer, somente pela sucessão lógica.
  52. É possível dividir tempo e espaço infinitamente.
  53. Algumas ideias metafísicas estão tão arraigadas em nosso intelecto, que são usadas como se fossem provadas empiricamente.
  54. “Empirismo” é conhecer um objeto pelas percepções que tenho dele.
  55. Sucessão, permanência e simultaneidade são as três leis que determinam o conhecimento de algo segundo critério temporal.
  56. Nada se cria, nada se destrói, tudo se transforma.
  57. Não é possível conhecer as coisas em si, somente seus fenômenos.
  58. A aparição de um efeito não necessariamente marca a extinção da causa.
  59. Se algo atende às condições formais de execução, é possível.
  60. Se algo atende às condições materiais de execução, é real.
  61. Não somos capazes de sentir campos magnéticos porque não temos um sentido pra isso.
  62. Tudo o que é real é possível, mas nem tudo o que é possível é real.
  63. Um “postulado” é uma afirmação conclusiva sem provas e sem demonstração.
  64. Mesmo quando você “acha” é preciso dizer por que você “acha” aquilo.
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22 de janeiro de 2017

A “Crítica da Razão Prática” de Kant.

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“Crítica da Razão Prática” foi escrita por Kant. Abaixo, algumas afirmações feitas no livro. Elas podem ou não coincidir com o que eu penso sobre o assunto.

  1. Se não existir liberdade, não há necessidade de leis.
  2. Quem tem conhecimento, quer partilhá-lo.
  3. Quem não quer partilhar conhecimento, pode muito bem não tê-lo.
  4. O conceito de liberdade é importante para empiristas.
  5. Não se deve inventar palavras novas se as velhas servem.
  6. Não é possível provar, pela razão, que a razão não existe.
  7. A matemática mostra que a matéria pode ser infinitamente dividida, mas empiricamente, isso não é possível.
  8. A diferença entre uma máxima e uma lei é que a máxima é um princípio prático que pode muito bem ser válido só pra mim, enquanto que leis têm pretensões universais.
  9. Uma regra prática é racional: visa um fim, delineia meios, visualiza efeitos.
  10. “Imperativo” é uma regra prática que visa um dever-ser.
  11. O imperativo é sempre objetivo.
  12. O imperativo hipotético é o que só vale enquanto eu tenho meios de obter o objetivo particular visado, mas imperativo categórico é o que continua valendo quer eu tenha ou não forças de chegar a um objetivo não-particular.
  13. O imperativo hipotético é admissível se eu quiser, mas o categórico me obriga.
  14. Os princípios práticos, máximas, visam a felicidade pessoal.
  15. Você é feliz se gosta da sua vida.
  16. Existem prazeres que são “delicados”, como os prazeres intelectuais.
  17. A obrigação do filósofo é ser consequente.
  18. Sempre fazemos algo a fim de fruir da felicidade, a melhor e mais intensa, a mais duradoura felicidade.
  19. A felicidade é o contentamento com sua situação.
  20. A felicidade baseia a relação entre objeto e desejo, mas o desejo pode se enganar quanto ao seu objeto.
  21. O amor-próprio não precisa ser lei.
  22. Eu não posso esperar que todos ajam exatamente como eu.
  23. A marca do imperativo categórico é sua universalidade.
  24. Não é possível que todas as pessoas queiram a mesma coisa da mesma forma.
  25. Uma vontade é livre quando só tem que prestar contas a si mesma.
  26. As leis da natureza, sua mecânica, são o oposto da liberdade.
  27. Sob o devido estímulo, uma pulsão pode ser resistida.
  28. Não é errado morrer pra fazer a coisa certa.
  29. Devemos sempre agir como se os outros fossem nos imitar.
  30. A vontade humana pode ser pura, mas não é santa.
  31. O que sustenta as leis é a autonomia da vontade.
  32. Se eu levo em conta a felicidade dos outros em minhas máximas, elas têm grau maior de universalidade.
  33. Se é sempre lícito fazer qualquer coisa mesmo às custas dos outros, desde que haja vantagem para quem faz, então as pessoas prejudicadas deveriam se conformar, mas isso é injusto.
  34. Prudência é ato de conservação de si.
  35. A máxima da prudência é conselho, mas leis são ordens.
  36. Eu não posso ordenar que o outro tenha aquilo que eu mesmo não tenho.
  37. A satisfação do desejo muitas vezes está fora do nosso alcance.
  38. É possível se sentir culpado por ter extraído benefício de uma ação imoral e desaprovar sua própria conduta.
  39. Um castigo injusto não é castigo, mas abuso.
  40. Se você assume que o crime é receber castigo, está afirmando que cometer delitos só é uma ação errada se você for pego.
  41. O criminoso que se atormenta com a culpa dos crimes cometidos é moralmente bom.
  42. Da mesma forma, o que comete atos virtuosos sem se sentir embaraçado ou envergonhado é também moralmente bom.
  43. Quando a minha vontade é determinada por motivos sensíveis, esse motivo é subjetivo.
  44. Causa e efeito são coisas diferentes.
  45. O empirismo argumenta que a causalidade, relação de causa e efeito, é um hábito mental.
  46. Isso não quer dizer que não seja possível qualquer tipo de verdade, só que as verdades de fenômeno podem encontrar exceções ou mudar.
  47. Os mais céticos são os intelectuais.
  48. A relação de causa e efeito não é absoluta.
  49. Fale palavras que significam alguma coisa quando raciocinar.
  50. Os objetos da razão pura prática são os efeitos da liberdade.
  51. A ambiguidade de um idioma prejudica a filosofia feita naquele idioma, mesmo quando traduzida.
  52. Há diferença entre ser e estar.
  53. É possível receber um bem doloroso.
  54. A inclinação de procurar o prazer e se afastar da dor não pode virar lei, porque cada um procura o prazer e foge da dor à sua maneira.
  55. Não se pode tomar como resolvido algo que ainda não foi debatido de forma conclusiva.
  56. Algumas pessoas falam do que não entendem ocultando sua ignorância atrás de palavras ambíguas.
  57. Não queira para os outros o que você não iria querer pra si.
  58. O empirismo frequentemente desconsidera a moral.
  59. Só é possível respeitar pessoas, não coisas.
  60. Não confunda respeito com admiração.
  61. O reconhecimento de superioridade é marcado por sincera reverência.
  62. É possível respeitar alguém e não demonstrar isso.
  63. Máximas e interesses são próprios de seres finitos.
  64. É possível fazer o bem sem leis.
  65. Há duas ações segundo a lei: obedecendo à letra (agindo conforme manda a lei) e obedecendo ao espírito por trás da letra (cumprindo o escopo da lei por outros meios que não os especificados pela letra da lei).
  66. Fazer a obrigação é exemplo a ser seguido.
  67. Se empregamos um humano como meio, devemos pensá-lo também como fim, nunca só como meio.
  68. O dever não tem nada a ver com o gozo da vida.
  69. Se você encontra um problema no seu raciocínio, admita-o.
  70. Não é possível conhecer a coisa em si, mas somente a coisa como me parece ser.
  71. O título de “filósofo” só pode ser usado por quem ama a sabedoria, mas a marca desse amor é o domínio de si mesmo e o interesse em dar seus conhecimentos ao público.
  72. Algo é lógico por identidade, algo é real por causalidade.
  73. Não há relação entre virtude e felicidade.
  74. Empregar a razão de forma errada é tão válido quanto não tê-la.
  75. Todos os interesses são práticos em última análise.
  76. A fé pode assentar-se na razão.
  77. Dever é diferente de temor e diferente de esperança.
  78. O respeito próprio se origina da consciência da própria liberdade.
  79. O que me dá relevância no universo é minha liberdade.
  80. Se for buscar um tesouro imaginário, pelo menos não ignore os tesouros reais.

14 de janeiro de 2017

Eu não queria falar disto, mas a situação pede.

Filed under: Organizações, Saúde e bem-estar — Tags:, , — Yure @ 11:23

Um dia desses, meu pai me mostrou uma conversa que ele teve com uma evangélica através do Whatsapp. Nela, a mocinha reclamava de dores no canal vaginal quando tinha sexo. Meu pai, enfermeiro, disse pra ela que ela deveria praticar se masturbando, a fim de se acostumar com a sensação, e que aumentasse a intensidade gradualmente. Aí ela disse: “Ah, então vou ficar assim.” Compreensível. Pra ela, masturbação é pecado. Até aí, tudo bem, embora eu não veja as coisas dessa forma.
Mas as coisas ficaram um pouco escabrosas na mensagem seguinte, onde ela diz: “Você não pode vir aqui e fazer sexo comigo?” Agora, ela sabe que meu pai é casado. Isso se configura como adultério. Apesar de ela saber que meu pai é casado, ela o pede pra ter sexo com ela de caso pensado. Meu pai, que não tá mesmo nem aí pra essas coisas, aceitou numa boa; faz isso há muito tempo, razão pela qual ele se divorciou da minha mãe (sempre teve problemas em permanecer fiel).
O problema aqui é o seguinte: a masturbação não é mencionada na Bíblia de maneira nenhuma, mas adultério é mencionado um bom número de vezes como um pecado punível com a privação da vida eterna. Os evangélicos são supostamente protestantes, acreditam na Bíblia, mas não no papa, um conceito filosófico conhecido como “a Escritura somente” (sola scriptura). Assim, se ela acredita só na Bíblia, ela deveria pensar o contrário: se masturbação não é mencionado como pecado, ela não é, mas adultério seria pecado gravíssimo. Eu fiquei surpreso. As pessoas dão atenção indevida a coisas pequenas, mas subvertem naturalmente as grandes, coando o mosquito e engolindo o camelo. Eu não censurei ela nem nada assim, já que ela não sabe no que está acreditando. Pensei que fosse um caso isolado. Mas não é.
Hoje, quando eu vim ao meu diário, vi que um dos termos de pesquisa que traz pessoas ao meu blog é justamente “masturbação é pecado pior que trair a mulher?”. Não é um caso isolado. Tem gente procurando a resposta pra essa pergunta na Internet. A resposta deveria ser óbvia. A Bíblia não fala de masturbação, mas fala várias vezes contra a traição conjugal. No que essas pessoas estão pensando? Quem é o pastor delas? Já abriram uma Bíblia mais que duas vezes na vida?

12 de janeiro de 2017

Anotações sobre o tratado das sensações.

Filed under: Livros — Tags:, , , , — Yure @ 18:28
  1. Dizer que o conhecimento vem dos sentidos não é literal. O conhecimento vem das sensações obtidas por esses sentidos, diz o filósofo.
  2. Os sentidos captam informações, mas não produzem conhecimento. O conhecimento nasce quando a alma, isto é, a consciência interpreta essas sensações. Quando estamos dormindo, nosso ouvido continua ouvindo, nosso nariz continua cheirando, e nem por isso sabemos o que ouvimos ou cheiramos à noite (considerando que soltamos gases com mais frequência quando dormimos, isso não é ruim), porque estamos inconscientes. Na verdade, sem consciência das sensações, nem o tempo é perceptível: uma noite de sono parece durar um segundo.
  3. Investigar as sensações e a formação das ideias é fundamental. O conhecimento exterior é mais claro se conhecemos também a nós mesmos. Não vamos obter conhecimento confiável se não sabemos como conhecemos em primeiro lugar.
  4. Quanto mais estudamos essa matéria, mais percebemos que muito do que sabemos está errado. Estudar os fundamentos é se propor a renovar o que é construído sobre esses fundamentos.
  5. Quando duas pessoas escrevem a mesma coisa, um sendo alguém respeitável que está no ramo há mais tempo, outro sendo uma novidade dos nossos tempos, ambos receberão crédito diferente. Um será criticado, o outro será dado por garantido. É injusto julgar as pessoas não pelo que elas fazem, mas pelo seu crédito público. Então se você diz uma coisa sendo um ninguém, não vão te dar ouvidos. Mas se outra pessoa, de importância, disser a mesma coisa que você disse, o ouvirão.
  6. Quando se quer discordar de alguém só por discordar, se concorda com quem afirma o contrário, mesmo que só da boca pra fora. Também isso é injusto.
  7. Vamos fazer o lance da estátua. Imaginemos uma estátua sem nenhum sentido, mas consciente (com sentimento), e veremos se suas faculdades mentais não se desenvolvem também pelos sentidos. Qual é o problema disto? É que se dizemos que ela não tem faculdades mentais, mas tem sentimento, suponho uma consciência inútil, que equivale a não ter consciência. É preciso admitir faculdades inatas, além do sentimento. Mas o filósofo as negará e tentará mostrar que elas vêm também dos sentidos. Vejamos até onde ele vai.
  8. As sensações passam por nós de forma fugaz. Um som não existe mais depois que sua fonte cessa de produzi-lo. Então, se nos ficamos desinteressados das sensações depois que elas cessam, seria quase o mesmo que não sentir. A sensação não serviria de nada. O que nos faz aprender com as sensações é que algumas nos causam prazer e outras nos causam dor. Queremos buscar as prazerosas e nos afastar das dolorosas. Isso se torna um dos nossos primeiros aprendizados.
  9. A privação de algo que julgamos necessário à nossa felicidade nos causa carência, fonte dos desejos.
  10. A carência é fonte de nosso movimento. Andamos porque somos infelizes. Paramos quando estamos satisfeitos.
  11. “Sentir” é prestar atenção a um estímulo sensorial. É possível receber estímulo e não sentir, como é o caso dos estímulos que nos sobrevém quando dormimos. Não os sentimos, pois não lhes prestamos atenção.
  12. Para o filósofo, a memória também vem das sensações. Aliás, ela é uma sensação, no seu raciocínio. Isso porque ele toma memória no mesmo sentido de lembrança e não no sentido de faculdade de lembrar. Para ele, memória é o conteúdo, não o espaço. Quando recordamos, lembramos sensações vividas em um instante anterior. Logo, memória é lembrança de sensação e, quando ela se apresenta ao espírito, é, ela mesma, sensação. O problema aqui é a identificação de memória e lembrança. As lembranças devem ficar em algum “lugar” do qual possam ser puxadas à consciência. Esse “lugar” deve preceder o arquivamento de lembranças. Então a memória, não como lembrança, mas como faculdade de lembrar, é inata. Ou, pelo menos, é como eu vejo as coisas.
  13. As outras sensações originam as faculdades de julgamento, comparação, entre outras, quando estudamos sensações diferentes. De fato, isso faz sentido. O julgamento não parece inato. Ele é feito quando comparamos duas coisas. Nosso primeiro julgamento não pode ser sobre ideias abstratas, pois estas já descendem do julgamento sobre as sensíveis. Então, o primeiro julgamento é entre sensações.
  14. A sensação pode se tornar reflexão, para o filósofo. Discordo. A reflexão deve ser inata, pois a reflexão torna o julgamento possível. Sem reflexão, não há como fazer ligações entre duas sensações. A capacidade de refletir pode até ficar dormente até o instante em que sensações a despertem. Mas não estou convencido, apesar de seu raciocínio, de que a reflexão é sensação e que, portanto, vem de fora. É levar o empirismo ao seu extremo.
  15. Não tome uma metáfora como uma noção exata.
  16. Para o filósofo, o prazer e a dor produzem a atenção às sensações. Dessa atenção nascem a memória e o juízo, ele diz.
  17. Os sentidos trabalham em conjunto. Não é possível que um animal se desenvolva por completo tendo somente um. Quanto mais sentidos temos, mais habilidades temos. Mas temo que o excesso de carga sensorial nos causasse dano. Pensando assim, é até bom ter só cinco (ou seis, se você considera o equilíbrio um sentido).
  18. Sabemos que algo existe quando ele nos provê uma sensação. Isso não garante uma ideia exata do objeto. Se sentimos o cheiro de algo, sabemos que ele existe, mas não sabemos sua cor, gosto, forma ou som produzido. Mesmo que soubéssemos, o fato de nossos sentidos serem limitados em número e em qualidade, os dados sensoriais não garantem que vemos a coisa como ela realmente é. Por isso só se faz ciência sobre dados sensíveis, não sobre as coisas mesmas, porque isso seria fazer metafísica.
  19. Quando um livro é escrito pra intelectuais, não precisa falar do básico; o sabido ficará entediado se você o fizer. Por isso livros de ramos específicos são tão complicados; o escritor assume que você já sabe o básico, então ele não explica isso.
  20. Se algo se aperfeiçoa é porque não nasceu conosco, como o discernimento, diz o filósofo. Ora, mas as pernas se aperfeiçoam e nasceram conosco. O fato de algo poder melhorar em nossa mente ou corpo não implica que não nascemos com ele.
  21. O discernimento se aperfeiçoa pelas sensações.
  22. Através do olfato somente, já é possível fazer ideias de número, presença, localização, entre outras.
  23. O primeiro passo pra resolver um problema é bem elucidá-lo. É preciso colocar o problema em palavras claras, que todos os envolvidos possam compreender.
  24. A distinção entre os corpos pode ser feita pelo tato. Quando nos tocamos, há uma sensação recíproca que nos diz que estamos tocando nosso próprio corpo. Mas quando tocamos outra coisa, a sensação é diferente. O objeto não corresponde: sentimos ele, mas não sentimos a nós mesmos. Logo, é outra coisa.
  25. É possível, também só pelo tato, saber de tamanho e forma.
  26. O tato completa naquilo que os outros sentidos faltam. Sua ausência é tão nefasta que ocorre muito raramente.
  27. O olho sozinho não nos diz a distância das coisas. Sabemos a distância com certeza porque tocamos as coisas. Pelo toque, temos uma medida, que usamos para julgar a distância das coisas que não tocamos, diz o filósofo.
  28. Ter sentidos limitados impede que saibamos tudo, mas nos permite sobreviver. Se nossos sentidos fossem mais potentes, não poderíamos tolerar os estímulos que agora toleramos.
  29. Gosto do fato de o filósofo oferecer um resumo ao fim de cada capítulo.
  30. Se não é possível explicar o que uma coisa é, sua origem também fica ofuscada.
  31. Nem todas as sensações são ideias. Mas todas as ideias vêm de sensações.
  32. Se as ideias vêm de sensações e sensações são uma relação entre nossa alma e o objeto sentido, então é impossível conhecer as coisas como elas são. Kant dirá o mesmo. Só conhecemos as coisas como elas nos parecem. Essa ideia que fazemos delas pode muito bem não corresponder a elas.
  33. Existem ideias simples e ideias complexas. As simples são sensações. As complexas são sensações combinadas.
  34. Nossas ideias de coisas sensíveis são incompletas, porque somos sensualmente limitados. Mas nossas ideias de coisas abstratas podem ser completas. É o caso da matemática, que abstrai conteúdo do real. Esse conteúdo abstrato é completamente compreensível.
  35. Corpo é porção limitada de matéria. O filósofo diz de outra forma: é aquilo que você toca, ouve ou sente quando está presente. O que seria a matéria então? Ente perceptível. É uma definição incompleta, mas é o melhor que eu tenho.
  36. Ideias sensíveis são aquelas que são feitas de coisas que nos impressionam agora. Ideias intelectuais são memórias, ideias feitas de coisas que não estão mais aqui.

10 de janeiro de 2017

Anotações sobre o ensaio sobre a origem das línguas.

  1. O humano se diferencia do animal também pelas palavras. Mas uma nação humana se diferencia de outra pela linguagem (vocabulário e gramática).
  2. É possível saber de onde uma pessoa é ouvindo-a falar. Não somente se ela tiver um idioma diferente, pois mesmo os brasileiros diferenciam-se pelo sotaque.
  3. A pergunta do livro: por que falamos nosso idioma? Levando em consideração que Rousseau diz quase de imediato que a razão é natural, ele não será capaz de explicar o caso do Brasil, uma vez que falamos português porque a nação brasileira foi forçada a isso pelos europeus que invadiram o território indígena. Nada tem isso de natural. Uma explicação melhor para isso será a do Discurso à Nação Alemã. Infelizmente, é um livro puxa-saco que eu acho até que é precursor do nazismo.
  4. Só podemos agir sobre os outros pelos sentidos. Então, a linguagem só poderia ser pautada em sinais sensíveis voluntários: sons e gestos.
  5. O gesto fala mais com menos, no estado primitivo de linguagem. As línguas dos surdos são de gramática muito simples. É até mais fácil aprender a falar por gestos.
  6. Mostrar vale mais que falar.
  7. É possível ser eloquente sem palavras, se você conhecer meios de comunicação não-verbal.
  8. A linguagem dos gestos e dos sinais (“mostre, não conte”) é ótima para comunicar coisas objetivas. Mas as palavras são ótimas para comunicar coisas subjetivas. Com efeito, não dá pra mostrar minha tristeza, tenho que contá-la para que seja corretamente entendida.
  9. O fato de os animais se comunicarem sempre da mesma forma segundo suas espécies parece sugerir que animais nascem sabendo essa linguagem. Com efeito, se fosse adquirida, haveria diferenças regionais entre a linguagem dos castores, por exemplo.
  10. Se as primeiras palavras comunicavam emoções. Sentimentos fortes nos fazem gritar, rir, chorar ou gemer. Já os gestos comunicavam coisas concretas, então as línguas não tinham nada de muito preciso, pois que emoções tendem a ser vagas. Pense na língua das crianças. Elas se expressam de forma que soa quase poética, sendo na verdade apenas pueril e rudimentar, como “a lua é o sol da meia-noite” ou “tranquilidade é quando o pai diz que vai te bater e muda de ideia.” Rousseau usa o exemplo das línguas orientais, de como são poéticas. Então, a concisão e precisão de linguagem veio depois. As primeiras línguas eram figuradas, analógicas, metafóricas, e precisavam ser assim porque ainda não havia coisa melhor.
  11. As interjeições têm pouca articulação. Porque elas são imediatas. São muito mais sons que palavras.
  12. Se existe tonalidade (acentos) nas vogais, a necessidade de consoantes é menor. Por exemplo, no chinês, “má” pode ter três significados dependendo da forma como você pronuncia o “a” (alongado é “mãe”, aumentando a agudez é “cavalo” e pronunciando por curto tempo é xingamento).
  13. A linguagem que ganha em claridade perde em beleza. A linguagem bela frequentemente não é clara. Pegue a música uma música do Zé Ramalho, como Chão de Giz, e tente me dizer do que ele está falando.
  14. Uma mesma palavra pode ser pronunciada diferente por pessoas de diferentes línguas ou sotaques.
  15. Falar como se escreve é ler sem livro. Não é o ideal. A língua falada tem que ser espontânea pra ser boa.
  16. Uma vogal acentuada é diferente de todo de uma vogal sem acento. É como se tivéssemos mais que cinco vogais, se contássemos cada vogal acentuada como uma vogal própria.
  17. Quem não escreve, mas canta, tende a ser melhor de poesia.
  18. Por que palavras que se pronunciam igual não são escritas igual?
  19. A língua culta não tem energia. Os pobres, à sua maneira, falam de forma mais bonita. Sua fala tem a vivacidade que o culto não tem. É por isso que eu digo: não se deve falar como se escreve. A linguagem falada só tem uma regra: eu devo falar para o outro entender. Se ele estiver entendendo o que eu falo, que importa que minha linguagem não seja de livro?
  20. Para alguns, como eu, o inglês deve ser aprendido duas vezes: módulo de escrita, módulo de fala.
  21. A crueldade nasce do temor e da fraqueza.
  22. O conhecimento do novo vem da comparação com o velho.
  23. Sentimentos sociais, como vingança e piedade, não ocorrem aos isolados.
  24. É possível esquecer o próprio idioma.
  25. Guerra é caça de gente.
  26. O progresso se deve ao ataque dos problemas. Se a humanidade não resolvesse seus problemas, se acostumaria a esses problemas. Se não os visse, não procuraria melhorar. Em ambos os casos, não há progresso.
  27. Quem nasce em um país ruim, migra pra um melhor.
  28. Um desastre de grandes proporções une os seres humanos. Humanos se ajudam pra reparar os danos e voltar a suas vidas.
  29. Numa cruel provação, o que sobrevive fica mais forte, e o que é fraco acaba morrendo. Ele está dizendo com outras palavras o que Nietzsche dirá depois: o que não me mata, me torna mais forte.
  30. Isso antecipa a teoria da evolução das espécies. Nós, humanos, por exemplo, nos dividimos em etnias. Porque determinada etnia é nativa de determinado lugar? Porque, naquele lugar, quem não tinha determinada configuração biológica morria. Ao longo dos anos, isso fez com que certos humanos se virassem melhor em determinado terreno, pois herdaram de seus antepassados um conjunto de características que foram decisivas para a sobrevivência deles. Como os diferentes morriam, só os que tinham condições de sobreviver se reproduziam, perpetuando essas características e modulando a descendência de determinada forma.
  31. O ócio alimenta as emoções. O trabalho as controla.
  32. A sonoridade da voz, a articulação, o volume, enfim, a forma como se fala contribui para transformar alguém num fanático religioso. Porque a voz treinada pra isso, é uma voz que seduz o ouvinte e lhe incita emoções. Para alguns grupos islâmicos, música é pecado por suspender a razão. Irônico o fato de falar também não ser, pela mesma razão.
  33. Pra ser fanático, é preciso estar convicto. O pastor ladrão só parece fanático; ele mesmo não acredita no que diz. Só quer dinheiro dos fiéis.
  34. As primeiras histórias e leis eram ditas em versos rimados. Isso tinha a função de torná-las facilmente memorizáveis. Isso era especialmente útil numa época em que não existia escrita.
  35. A música nasceu da modulação da voz na hora de recitar esses versos. Assim, música e poesia nascem juntas na mesma função, quer Rousseau.
  36. Dizem que o nordestino fala “cantando”, desafinando as sílabas gradualmente em uma direção e de volta enquanto fala. Isso é positivo pra Rousseau, é belo.
  37. A eloquência incorpora técnicas poéticas também.
  38. Antigamente, o professor de gramática ensinava música também. Era como se gramática e música fossem uma coisa só.
  39. O grego também se falava “cantando”, para melhor mostrar emoções.
  40. A pintura agrada também por razões além do físico. Há uma relação espiritual entre pessoa e obra de arte. Se fosse algo somente físico, pessoas de disposição física igual reagiriam da mesma forma ao ver o mesmo quadro. Se assim fosse, arte seria uma ciência natural.
  41. Compor melodia é desenhar com sons.
  42. A melodia incita emoções por imitar as inflexões da voz humana. Quando a pessoa chora, ela fala de um jeito. Se a melodia for capaz de imitar, à sua maneira, esse jeito de falar, ela irá incitar tristeza no ouvinte. Da mesma forma, quando a pessoa está alegre, ela fala de outro jeito. Se a melodia lembra esse jeito, tem-se uma melodia alegre. Assim, compor melodias que invoquem determinada emoção requer que a melodia lembre a forma como uma pessoa que experimenta aquela emoção fala. É preciso que o ouvinte reconheça um sujeito lírico que sente. Isso explica porque algumas pessoas, como eu, choram com algumas músicas alegres: minha experiência diz que existem diferentes matizes entre alegre e triste e algumas músicas alegres me parecem pender para o lado triste, normalmente o melancólico, além de que o humor de uma melodia pode mudar durante sua execução. Por exemplo, aquela música me soa neutra-melancólica. Fora do refrão, ela me faz sentir como se alguém estivesse desanimado, mas empurrando a vida com a barriga. O refrão é neutro no máximo, pra mim. Assim, a reação a uma melodia muda dependendo da experiência que determinada pessoa tem com as emoções. Eu tive depressão, então conheço mais matizes de entonação tristes que alegres.
  43. É questão de imitar os impulsos da alma em sua consequência. Certo impulso produz um som na voz humana. Tente produzir impulso análogo com um instrumento e você falará para a alma do ouvinte.
  44. A harmonia não deve atrapalhar a melodia. Elas devem estar de acordo, mas, se isso não for possível, a melodia tem prioridade.
  45. A música que não agrada e não emociona não presta. Causa tédio. É preciso que a música, como qualquer bela arte cause prazer em quem a consome.
  46. A música só surte efeito em quem reconhece algo de familiar na música. Nem todos os países apreciam música brasileira. Meu colega o Reino Unido não curte música popular brasileira, por exemplo. Porque não existe nada parecido onde ele mora. É algo totalmente estranho a ele. Uma música tem que ser um pouco diferente daquilo que já foi ouvido, mas não pode ser completamente diferente. Soará uma confusão, na pior das hipóteses. Por isso que ritmos nascem de outros ritmos já apreciados. Rousseau inclusive fala que é preciso saber o idioma da música pra gostar dela, mas isso está errado: muitos de nós gostamos de música internacional sem saber o que está sendo cantado e alguns de nós deixam de gostar da música ao saber da tradução. Então, também neste ponto, Rousseau não é atual. É em outros, mas não neste da letra.
  47. A beleza da cor é sua permanência e a beleza do som é sua sucessão, diz Rousseau. Logo, é inútil pintar para os ouvidos tanto quanto é inútil cantar para os olhos.
  48. Não há nenhuma relação entre cor e som. Isso é coisa de quem quer fazer sistema. Não é ruim fazer um, mas que se faça um menos ridículo.
  49. A pintura se relaciona com o espaço. A música se relaciona com o tempo.
  50. A música interessa mais porque é mais humana do que a pintura. A pintura reflecte a natureza, mas a música reflecte o humano. Isso não quer dizer que uma é melhor que a outra, mas que uma tem uma tendência maior a agradar.
  51. O engano dos músicos: tratando a música como mera harmonia e algo meramente mecânico, se expurga dela o sentimento. Ela se torna mais do mesmo, não emociona. Ela tem harmonia, mas a harmonia é vazia sem melodia.
  52. Se faz ciência da harmonia. A teoria musical é quase completamente isso. Aqueles que se ocupam demais da harmonia e esquecem a melodia, fazem música que enjoa rapidinho.
  53. Às vezes fazemos algo que não sabemos ser o correto só porque todo o mundo faz.
  54. Para manter o estado de coisas estabelecido pelo governo, convém continuar com o que se faz (se o povo está gostando) ou impedir que as pessoas se juntem (se o povo não está gostando).
  55. Causar emoção com línguas monótonas requer gritos. O cara se esgota fazendo a plateia agitar com um discurso. Mas em línguas melodiosas, é mais fácil excitar emoções sem cansar a voz.
  56. Se uma língua não é capaz de falar às multidões eficientemente, então aquele povo se reunirá menos sobre questões importantes. Por isso Rousseau as chama “línguas escravizadas”, porque não há revolução sem união e não há união sem discurso. Um mau discurso engendra má união.

5 de janeiro de 2017

Anotações sobre os fundamentos da desigualdade entre os homens.

  1. O livro foi escrito pra responder uma pergunta de época: por que não somos iguais perante a sociedade? A desigualdade é natural?
  2. Para Rousseau, no estado de natureza, todos são iguais. A desigualdade só existe na sociedade.
  3. O amor à pátria é mais o amor à terra do que às pessoas.
  4. O interesse do povo e o do governante deveriam ser o mesmo. Mas isso só é possível se povo e governante fossem a mesma pessoa. Por causa disso, o governo democrático acaba sendo o melhor que temos, pois a vontade geral é supostamente o soberano.
  5. O ideal seria que as leis fossem feitas no próprio estado e submetessem todos, de forma que ninguém poderia estar acima da lei ao mesmo tempo que o estado não precisaria reconhecer leis feitas fora dele.
  6. A liberdade é como um vinho forte: só toma quem aguenta.
  7. O poder legislativo, idealmente, deveria ser o próprio povo. Se isso não possível, é melhor que ele seja relacionado ao povo de alguma forma.
  8. A posse de armas não necessariamente ameaça a paz e muitas vezes a garante.
  9. Na deliberação legislativa, os magistrados e os chefes de estado não deveriam ser excluídos. Também são povo, de certa forma.
  10. Mudar leis com frequência faz o povo a não levar as leis a sério.
  11. O estado é feito de pessoas. A manutenção do estado começa pela manutenção pessoal. Não se deve crédito a doutores em filosofia que atacam o estado como uma ideia abstraída dos elementos que o compõem, a ponto de não saber de quem é a culpa por nossa política não funcionar.
  12. Na falta de leis, não há liberdade. Lembrando que Rousseau faz distinção entre liberdade natural e liberdade civil. Aqui, ele fala da civil.
  13. Quem diz que a política vai mal quando vai bem (ou muito mal quando não vai tão mal) é como um cachorro que deveria latir só à noite, quando vê os ladrões, mas late o tempo todo sem necessidade.
  14. A educação tem que ser completa. É preciso trabalhar e pensar.
  15. A sorte das mulheres, diz Rousseau, é governar os homens. Cara, que vontade de nunca mais sair do meu quarto.
  16. O estudo mais importante é o do próprio ser humano, mas esse estudo é o que menos avança, diz Rousseau. O comportamento, as emoções e os desejos humanos, será que existe ciência que lida com esse objeto suficientemente bem? Faz pouco tempo que se sistematizou um estudo sobre isso: a psicologia.
  17. O passar do tempo e a vida em sociedade levam o ser humano a não mais reconhecer seu estado natural. Você olha para um nativo e se espanta.
  18. Será que é possível conhecer o ser humano através do estudo sistemático?
  19. O primeiro passo para o estabelecimento da desigualdade foi a rejeição de alguns ao estado de natureza, enquanto outros preferiram mantê-lo.
  20. O que é natural ao ser humano e o que é artificial?
  21. A sociedade é sustentada por princípios duvidosos, tais como “lei natural”. Só uma pequeníssima porção da humanidade entende o que esse termo quer dizer e é capaz de apontar que lei é natural e qual não é. O fato de os pensadores estarem em contradição entre si sobre o assunto da lei natural mostra que esse é um objeto obscuro.
  22. Existem dois sentimentos que nos guiam naturalmente no trato com os outros, segundo Rousseau: o amor próprio e a empatia. Então, a procura pelo direito natural deve começar desses dois princípios.
  23. A razão pode, diz Rousseau, apagar esse sentimentos. Mas como são necessários, ela acaba tendo que restabelecê-los se chegar ao extremo de eliminá-los. Se a razão elimina algo natural ao ser humano, ela não pode reestabelecê-lo naturalmente, precisando de meios artificiais para recuperar o que lhe foi dado naturalmente.
  24. Os livros de ciência nos ensinam sobre o homem como foi feito, não como ele se modifica ao longo de sua ação na Terra, em um sentido ético e político.
  25. O amor próprio tem preferência à empatia, no estado de natureza.
  26. Rousseau defende que o ser humano tem deveres a cumprir com os animais. Assim, podemos considerar Rousseau como um precursor do movimento que hoje luta pelos direitos dos animais. Lembrando que ele defende a dieta vegetariana no Emílio.
  27. Nós não fazemos mal ao outro porque ele é racional, e sim porque ele sente dor. Se os animais sentem dor, merecem empatia. Então, diz Rousseau, não se deve infligir a um animal sofrimento “inútil”. Levando em consideração que hoje as camadas mais elevadas podem ter alimentação variada, pelo menos os que têm renda decente deveriam abrir mão do consumo de carne.
  28. A desigualdade trabalha contra o princípio de empatia. Poderosos oprimem fracos, ricos oprimem pobres.
  29. Existem dois tipos de desigualdade: a natural e a social. A desigualdade natural é aquela que se apresenta na idade, no gênero, na altura, no peso, nas capacidades mentais, a desigualdade que aparece naturalmente, sem a necessidade da interação com outros (se todos vivessem isolados, ainda assim haveria pessoas altas e pessoas baixas, mesmo que se não percebesse).
  30. A desigualdade social consiste no aumento dos privilégios sociais às custas dos outros. É a opressão, por exemplo, ou o tratamento diferenciado dado pelo governo, ou escolas de tempo integral que inviabilizam a educação para quem trabalha e estuda… É esse abismo entre as camadas sociais. Uns só mandam, outros só obedecem.
  31. Não há relação necessária entre desigualdade natural e social. A mulher é naturalmente mais fraca, mas isso não quer dizer que, no âmbito social, essa fraqueza lha impeça de ter direitos iguais ou equivalentes aos dos homens. Pessoas ditas “especiais” não deveriam ser excluídas da educação, mesmo que tivessem que ser educadas em outros lugares. Crianças, mesmo sem ser responsáveis por seus atos, deveriam ser sujeitos de direitos. Alunos pobres não deveriam ficar sem aula de sociologia ou filosofia.
  32. A prova de que os naturalmente fortes são socialmente beneficiados é de que os fortes são pedreiros que recebem pouco e vivem mal, enquanto que os fracos são políticos que só trabalham quando querem e recebem muito. E não necessariamente são mais inteligentes, como o George Bush. Então, existem pessoas naturalmente desprovidas de força ou com inteligência medíocre que sobem na escala social. Isso mostra que a desigualdade natural não é uma base necessária à desigualdade social.
  33. O estado de natureza provavelmente nunca existiu. Contraste com os Tratados.
  34. O ser humano não tem a força nem a agilidade dos outros animais, mas ele se vira sem elas.
  35. Essa força e essa agilidade não fazem falta. O ser humano subsistiria na natureza sem essas coisas.
  36. Uma sociedade mal constituída mata os filhos antes de nascerem; já estão programados pra viver mal.
  37. Em Esparta, os fortes ficavam mais fortes e os fracos morriam. Isso era lei.
  38. As ferramentas amolecem o corpo. Se não tivéssemos carro, teríamos pernas mais fortes. Claro que existem ferramentas que nos suprem de habilidades que não temos naturalmente, como o computador. Mas a maioria das ferramentas serve para facilitar tarefas que podemos realizar sem elas. O abuso dessas ferramentas empobrece o corpo. Como elas são necessárias hoje e não se pode passar sem elas, a educação física acaba se tornando tão necessária quanto.
  39. Um selvagem robusto, munido de um pedaço de pau e algumas pedras, pode enfrentar uma besta como o tigre de igual pra igual. Se o ser humano incivilizado, isto é, que não adere aos padrões de sociabilidade europeus, é o mais fraco dos animais, então os índios reclusos não deveriam mais existir. O ser humano em estado de natureza não é tão fraco como se pensa só porque não tem garras ou presas.
  40. Espécies mais fracas subsistem. Se um animal mais forte sempre mata o mais fraco, a extinção de espécies ocorreria mais rapidamente.
  41. O combate entre espécies nem sempre acontece. Com esperteza e agilidade, o ser humano pode evitar o combate.
  42. O ser humano não tem predadores naturais. Um animal não atacaria sem razão um ser humano.
  43. É mais fácil morrer de doença do que ataque de animal selvagem.
  44. É mais fácil adoecer na cidade do que na floresta.
  45. A infância humana é bem longa. Mas o seu tempo total de vida, comparado ao de outros animais, também é bem longo. Então compensa.
  46. Se o velho tiver uma vida mais saudável, nem sentirá que está velho.
  47. Destruímos nosso corpo de bom grado em nome do prazer.
  48. Estudar a história das doenças deveria começar pelo estudo da civilização. Com efeito, pessoas civilizadas adoecem mais.
  49. O uso irresponsável de remédios pode causar doenças até então desconhecidas.
  50. Animais selvagens adoecem menos que humanos.
  51. Quem inventou as roupas, inventou algo desnecessário: ele podia viver sem roupas até o instante em que as inventou. Só é necessário aquilo que nos mata se for ausente.
  52. Há mais diferença entre dois homens do que um animal e um homem. Isso porque partilhamos de funções biológicas comuns aos animais. Mas naquilo que divergimos dos animais tendemos também a diferir entre nós mesmos.
  53. Os animais têm ideias, pois têm sentidos.
  54. O ser humano, tanto como indivíduo como quanto espécie, muda de comportamento mais rápido que os outros animais.
  55. Nós nos tornamos mais perfeitos por causa dos problemas. Se nossa vida fosse perfeita, não iríamos procurar melhorar.
  56. Se o ser humano estivesse em estado de natureza nem pensaria na morte. No máximo pensaria na dor, mas não na morte.
  57. O progresso é obra das paixões. Nossas emoções e sentimentos nos impulsionam a lidar com uma necessidade. Afinal, existem necessidades que não temos vontade de satisfazer, mesmo quando reconhecemos que é necessário fazê-lo.
  58. As nossas operações mentais devem muito à linguagem. Quanto mais sofisticada ela é, mais longe nossas ideias alcançam. Tente pensar sem palavras ou símbolos.
  59. Por que a linguagem foi inventada? Rousseau parece ignorar que o ser humano é social por natureza. De seu ponto de vista, o homem natural basta a si mesmo, então não teria necessidade de se comunicar, logo não precisava da linguagem. Mas se o ser humano nunca precisou da linguagem, por que ela apareceu? Supondo que o ser humano pudesse sobreviver sozinho, precisaria do outro pelo menos para se sentir bem na prática do amor ou do sexo. Então, há necessidade de comunicação. Além de que é mais fácil sobreviver às bestas em grupo. Para Rousseau, é melhor que o ser humano não se corrompa na sociedade e cita vários benefícios da solidão no Emílio.
  60. A linguagem é invenção familiar. Mas não deveria ser muito avançada nem assim, entre os naturais, porque Rousseau supõe que a existência da família não necessariamente garante sua união. O pai poderia deixar a mãe pra ter outra esposa e o filho poderia abandonar a mãe quando tivesse idade. E realmente, não é verdade que todas as famílias são unidas, infelizmente.
  61. Rousseau diz que a linguagem é obra mais dos filhos do que dos pais, porque os filhos precisam comunicar necessidades que seus pais não têm. Mas ele adiciona que isso não explica como se formam os idiomas, uma vez que o natural que Rousseau supõe é nômade. Mas explica, sim. Como as famílias criam pequenos idiomas próprios, é mais fácil ao filho satisfazer suas necessidades sempre com a mesma pessoa, a qual seria talvez a única que o entende. Assim, as famílias que conviverem acabarão partilhando palavras por necessidade também, havendo essa exportação e importação de palavras. A razão de uma família se relacionar com a outra pode ser a facilidade de sobrevivência; embora Rousseau diga que o ser humano não tem necessidade dos outros pra sobreviver, é mais fácil que humanos sobrevivam juntos. Por causa disso, as palavras são trocadas entre as famílias. O nomadismo poderia ocorrer, então, mesmo que em grandes caravanas de faladores do mesmo idioma.
  62. A primeira palavra foi o grito.
  63. Na falta de palavras, há o gesto. As primeiros idiomas deviam ser muito gesticulares.
  64. Numa situação em que as palavras são poucas, cada palavra tem o significado de uma frase inteira. É como dizer “cuidado” esperando que se entenda “cuidado com o objeto que cai.”
  65. Os adjetivos foram talvez muito difíceis de bolar. “Homem gordo“, num idioma em que as palavras se referem apenas a coisas concretas, é uma expressão difícil de formar, porque não se vê o “gordo” por aí, só homens. Adjetivos são abstratos. São palavras que se referem à qualidades que podem ser consideradas separadas do substantivo.
  66. Tal como eram difíceis abstrações, generalizações talvez fossem também estranhas. Cada particular tinha um nome. Não se chamavam as árvores de “árvores”, mas esta árvore de “A”, essa árvore de “B”, aquela árvore de “C”…
  67. Rousseau ama fugir do assunto em maior ou menor grau.
  68. Não é possível pensar uma essência sem seus acidentes. Se você pensar numa árvore “pura” ainda precisará pensar em sua cor, altura e tipo de folhagem. Se você realmente se esforçar e tentar pensar somente naquilo que as árvores têm em comum, a imagem formada não parecerá uma árvore.
  69. A vida do primitivo precisava de pouco trabalho. Por causa disso, seu desenvolvimento filosófico e científico era lento.
  70. O que veio primeiro? O ovo ou a galinha? A sociedade ou o idioma?
  71. Para muitos, a vida com poucos recursos é miserável. Mas será que é realmente miserável se o espírito está em paz, se o corpo tem saúde e se o sujeito é livre? Assim, saúde, paz e liberdade contribuem para a felicidade, não os bens materiais ou as ciências. Esses são meios. A felicidade não está neles, mas no que se obtém com esses tais, se é o que você quer. De fato, nossa sociedade usa esses meios para obter aquilo que o selvagem hipotético de Rousseau pode obter sem tais meios.
  72. Não se vê índios se suicidando. A miséria é coisa da cidade.
  73. Não é preciso conhecer a virtude para fazer o bem. Então, o homem natural não é necessariamente mau só porque nunca pensou em virtude. Provavelmente a pratica sem saber.
  74. No estado de natureza, ser forte é ser independente.
  75. Para Rousseau, todas as virtudes vêm da piedade. Se o ser humano não tivesse piedade, seria um monstro.
  76. O que nos impede de fazer o mal é não saber como fazê-lo.
  77. Desejar que alguém não sofra é desejar sua felicidade.
  78. É possível sentir muita comiseração, mas só com certos objetos. Também é possível sentir comiseração em muitas ocasiões, mas em pouca intensidade.
  79. A comiseração é mais forte quanto mais identificação ocorrer. Eu me importo mais com a felicidade daqueles que se assemelham a mim. Isso leva muitos a crer que a comiseração se origina do fato de eu saber que o que acontece com o outro pode acontecer comigo também. Ninguém sabe o dia de amanhã.
  80. A razão excessiva trabalha contra a comiseração. Se eu estiver certo de que estou seguro e que o que acontece com outro não acontecerá comigo, a empatia fica prejudicada.
  81. Se deve fazer o bem fazendo o mínimo de mal possível.
  82. Quanto mais forte é a emoção, mais rígidas têm que ser a leis para contê-la. Mas será que a própria lei não pode causar essas emoções? Aliás, elas subjugam suas vítimas com frequência, mostrando que as leis que deveriam contê-las são insuficientes. Exemplo: cultura do estupro.
  83. Quando os animais entram no cio, a espécie entra em alvoroço. É o único instante do ano ou da estação em que se pode ter sexo. É preciso aproveitar. Isso causa brigas entre os machos. Como o ser humano não entra no cio, não haveria necessidade de brigas entre os machos selvagens, especialmente se a instituição do casamento não houver sido instituída; qualquer um pega quem quiser, quando quiser. Pra quê brigar por isso então?
  84. Se não existe emprego, não há necessidade de astúcia. Se não existe sedução, não há necessidade de beleza. Se não há necessidade, diferenças não importam.
  85. A opressão é coisa da sociedade. No estado de natureza, se alguém me oprime, eu posso fugir ou matar o opressor. A opressão civil, porém, muitas vezes encontra amparo legal.
  86. A lei do mais forte só vale enquanto uma pessoa depender de outra. Se eu não depender do mais forte pra sobreviver, fugirei dele. Ora, mas na sociedade, não há quem não dependa do outro. É o ambiente propício à opressão.
  87. A sociedade civil começa com a propriedade privada.
  88. Por natureza, os frutos são de todos e a terra não é de ninguém.
  89. A ideia de propriedade privada só deve ter surgido quando o estado de natureza começava a ficar insustentável.
  90. A ideia de propriedade privada só deve ter surgido depois que os humanos naturais estavam avançando tecnologicamente para melhor satisfazer suas necessidades (depois que inventaram o anzol, as roupas de peles, que aprenderam a usar galhos e pedras como armas, por exemplo).
  91. Quando o ser humano se deu conta de sua superioridade em relação às bestas, imaginou se não era possível ser superior aos seus semelhantes. Nasce assim o orgulho.
  92. As primeiras “casas” foram construídas por aqueles que eram fortes o bastante para proteger um território. Então os fracos, em vez de desalojar os fortes, resolveram fazer casas pra fracos também. Melhor salvaguardar um território vazio do que tentar remover alguém mais forte de um território por este ocupado.
  93. As habilidades mais desenvolvidas causam inveja nos outros, os quais almejam por sua vez reconhecimento. Nasce assim a vergonha.
  94. A desigualdade civil começa mesmo com o desenvolvimento das habilidades do ser humano. Alguns se desenvolvem melhor nisso e outros naquilo. Dependendo da tarefa estimada, os mais habilidosos mandarão nos menos habilidosos na sua execução. Assim nasce a relação entre senhor e subordinado, pois um quer a habilidade do outro para alcançar um fim comum.
  95. O crime é mais cruel quanto mais ultrajado se sente o criminoso. As pessoas que se vingam com mais ferocidade são as arrogantes.
  96. Antes da lei, o que impedia os crimes era o medo da vingança.
  97. As primeiras leis severas eram para os crimes que se comete com mais frequência.
  98. Para Rousseau, a desigualdade se desenvolve quando uma pessoa utiliza outra como meio para obter um supérfluo. Assim nasce o trabalho de um sujeito para um senhor, como dito na nota 94. Se o indivíduo trabalha só para si, tudo bem. Mas o trabalho coletivo implica hierarquia.
  99. A invenção da agricultura e da metalurgia acabou com o estado de natureza de uma vez por todas. Uma sem a outra não causa estrago. Mas adotar ambas no mesmo território é revolucionário.
  100. Se os talentos fossem todos iguais, a desigualdade não aconteceria, contudo. Estranho. No Emílio, Rousseau parece o tipo de cara que seria a favor da reforma do ensino médio como empurrada por Temer. Mas nos Fundamentos, ele parece que se manifestaria contra. Afinal, se a diferença de talentos é causa de desigualdade, o grau de igualdade aumentaria se os talentos fossem nivelados, através da educação igual pra todos. Isso não quer dizer ser bom e todas as matérias, o ensino médio nunca foi assim. Bastava ser bom na maioria e as notas boas de uma disciplina cobririam o fracasso noutra.
  101. Sucesso não é só habilidade. É também sorte. Ninguém chega “lá” só com esforço, especialmente se você for pobre. Pra não falar dos que chegam “lá” por meios ilícitos.
  102. O rico precisa de serviço. O pobre precisa de auxílio.
  103. Para fazer mal aos outros sem receber represália, dê a isso um caráter benevolente. Diga que é um “mal necessário” ou que “é pro nosso próprio bem” ou que “é ruim só na aparência” ou que é “para grande justiça”.
  104. Com o nascimento da riqueza e da propriedade privada, nasceu também o roubo.
  105. Ricos têm aquilo de que os pobres necessitam. Sua existência já é afronta à igualdade. Se têm demais, é porque tiram de alguém, mesmo que de forma lícita. Esse é o espírito do capitalismo.
  106. O pedreiro pode trabalhar para si, mas o rico, que não tem essa habilidade, precisa de pedreiros pra suas obras. Ele é assistido por múltiplas mãos. “Eu construi este muro”, ele diz. Não, você pagou pra alguém construir pra você. E o dinheiro que você usou foi recebido de outra pessoa. Então é rico é extremamente dependente. Ele, mais que todos, devia agir com humildade.
  107. O selvagem de Hobbes é um estado posterior ao selvagem de Rousseau.
  108. O contrato social foi proposto pelos ricos.
  109. Não se deve imolar a liberdade no altar da paz, diz Rousseau.
  110. O pai só é senhor do filho enquanto o filho depender dele. Se o filho se torna independente, pai e filho tornam-se iguais. O filho ainda deve respeitar o pai, mas ele pode desobedecê-lo, diz Rousseau.
  111. Quando o governo se torna arbitrário, se instaura a lei do mais forte (no caso, o governo). Um governo assim é ilegítimo.
  112. O povo paga pelos erros do governo. Se o governo está errando muito, o povo deve se rebelar.
  113. Quando o governo se torna arbitrário, é necessária uma revolução para destrui-lo ou colocá-lo de volta no eixo devido.
  114. As leis contém as pessoas, mas não as mudam.
  115. Existem três graus de desigualdade: rico e pobre, poderoso e fraco, senhor e escravo.
  116. Por que os ricos não têm pena dos pobres? Porque sua felicidade se sustenta na miséria causada aos pobres, diz Rousseau. Se os pobres deixassem de ser pobres, os ricos deixariam de ser ricos, pondo sua felicidade em perigo. É por isso que não se deve buscar o prazer na riqueza ou na fama.
  117. Quando há excesso de corrupção, a única lei é a do mais forte. E o mais forte é o governo. A menos, claro, que os cidadãos lutem.
  118. É preciso expulsar o Temer.
  119. Não é que o selvagem é preguiçoso; ele só não precisa trabalhar.
  120. É contrário à razão que alguém mais novo governe o mais velho, que uns poucos vivam no supérfluo enquanto os muitos morrem de fome, que um imbecil governe um país. Mas tudo isso ocorre. A política, ao menos em sua forma atual, principalmente nesta gestão, é uma grande palhaçada.

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