Analecto

11 de maio de 2017

O que aprendi lendo “Fenomenologia do Espírito”.

Filed under: Livros, Passatempos — Tags:, , , — Yure @ 20:03

“Fenomenologia do Espírito” foi escrito por Hegel. Abaixo, o que aprendi lendo esse livro.

  1. O fato de a filosofia dar diferentes respostas à mesma pergunta não indica falta de método ou de seriedade.

  2. A ciência precisa ser universalmente inteligível.

  3. Se ficarmos só repetindo o que já foi dito, não iremos além do começo da investigação.

  4. Quando um filósofo fala contra o formalismo, pode acabar criando um novo formalismo.

  5. Um sujeito sem predicados é desconhecido.

  6. Todos os princípios, ao se pretenderem basilares e universais, se expõem ao erro.

  7. O objeto da Fenomenologia do Espírito é o nascimento da ciência.

  8. O caminho para uma ciência superior passa pela busca de conhecimento em si próprio.

  9. O conhecimento tido por novidade ontem é banal hoje, a ponto de até crianças pequenas saberem.

  10. Cada momento da ascensão do saber é necessário, não se pode pular etapas.

  11. Se deve deter-se em cada etapa pelo tempo que for necessário.

  12. Não se deve colocar como princípio de raciocínio algo que não se conhece bem, só porque isso é algo com o que se está acostumado.

  13. O dogmatismo, a tendência filosófica de sustentar que existem verdades imutáveis, só funciona para certos saberes: “todo o solteiro é um não-casado”, isso nunca vai mudar.

  14. Mesmo informações óbvias precisam ser pesquisadas ou testadas, porque ninguém nasce sabendo algo só porque é óbvio.

  15. Uma verdade não necessariamente é óbvia.

  16. Conhecer algo sem experimentar ou ver a demonstração é conhecer só por fora.

  17. Um teorema é tido por verdadeiro por seus resultados.

  18. A filosofia não deve aspirar ser como a matemática, porque a matemática oferece informações quantitativas apenas.

  19. A matemática sozinha é superficial, mas, aliada a outros saberes, como a física e a química, é que ela mostra seu potencial.

  20. Se algum dia trabalharmos sem matemática, isso não implica trabalhar sem critério.

  21. É típico do babaca aceitar o que não entende, quando proferido por alguém de “autoridade”.

  22. Tem gente que tem vergonha de aprender.

  23. Se a filosofia não anda é porque muitos filósofos são presunçosos.

  24. A presunção a que Hegel se refere é a de tomar como princípio coisas estudadas às pressas e chegar ao cúmulo de tomá-las como verdades com as quais se pode condenar alguém.

  25. Nem todos podem se dedicar à filosofia, mas somente aqueles que têm interesse em obter conhecimento claro sobre algo.

  26. Há quem pense que não é preciso estudar pra praticar filosofia.

  27. Filosofar “com o coração” nos leva a dizer o que todo o mundo já sabe ou a dizer coisas que supomos estarem latentes no coração dos outros.

  28. Esse filosofar com o coração é presunçoso ao extremo: “é verdade porque sinto que é.”

  29. Quando a filosofia conclui algo distante do senso comum, a conclusão é tida por loucura, mesmo que esteja certa.

  30. Pensar com o sentimento, sem a razão, é tentar pensar como bicho.

  31. Pensar verdadeiramente é conceituar precisamente.

  32. Às vezes se erra menos quando não se tem medo de errar.

  33. O medo do erro impede uma pessoa de confiar até em si mesmo.

  34. Hegel se pergunta se o medo de errar já não é, em si, um erro.

  35. O medo de errar é um medo da verdade: “se as coisas forem de outro modo, sofrerei as consequências.”

  36. Não assuma que o outro sempre sabe do que você está falando.

  37. Duvidar é não ter certeza da verdade.

  38. Desespero é ter certeza de que não há verdade ou que ela nunca poderá ser encontrada.

  39. Confiar em si mesmo é mais seguro do que confiar em uma autoridade se a autoridade não satisfaz.

  40. A arte do cético é a de duvidar, procurar erros de raciocínio e criticar.

  41. O conhecimento termina quando o conceito corresponde ao objeto, isto é, quando a ideia que fazemos de algo está completamente correta e não há nada mais pra saber sobre aquilo.

  42. O objeto do livro é o saber em si.

  43. Não há problema algum em anotar verdades: elas não serão menos reais por terem sido escritas.

  44. O aqui anda conosco e seu conteúdo muda dependendo de onde estamos.

  45. Existem verdades que só são válidas pra mim.

  46. O tempo pode ser infinitamente dividido.

  47. Igualmente o espaço pode ser dividido o quanto se queira.

  48. É preciso “visar” um aqui ou um agora, fazer um recorte do eterno ou do infinito pra que eu possa dizer algo.

  49. Se o visado não é absoluto, não deve ser encarado como verdade, embora seja necessário.

  50. A certeza sensível não é universal, porque “visa” um isto.

  51. Perceber é sentir características.

  52. Leis gerais são superficiais.

  53. Uma coisa não é seu agir: eu posso agir de outra forma e continuar sendo o que sou.

  54. O estado natural da consciência é a vida.

  55. O senhor precisa de algo, seu escravo vai lá e pega.

  56. O estoicismo é muito geral ao pregar o bem e a verdade estão no agir racional.

  57. A consciência é infeliz quando em contradição consigo própria.

  58. Não basta trabalhar e desejar o bem trabalhado, é preciso entendê-lo, entender o que desejo e para quê trabalho.

  59. Se algo deve ser, mas ainda não é, então ainda não é verdade.

  60. A razão é capaz de generalizações bem seguras.

  61. Generalizações falham com tanta frequência que é possível generalizar que generalizações são falhas.

  62. Provável não é o mesmo que verdadeiro.

  63. A abstração nos permite separar elementos de suas condições acidentais.

  64. Algo contido em algo não necessariamente está preso.

  65. Regras superficiais encontram exceções facilmente.

  66. Dois conceitos relacionados nem sempre são interdependentes, mesmo que o conceito A dependa de B; o conceito B, o qual é necessário ao A, pode muito bem subsistir sozinho.

  67. Dois conceitos relacionados podem ser independentes.

  68. O problema das ciências ocultas superficiais, como a astrologia e a quiromancia, é relacionar coisas que não se podem relacionar: personalidade com influência constelar, linhas da mão com tempo de vida.

  69. A mão é relacionada com o destino porque é pela mão, ou por equivalente, que agimos no mundo: pegamos, fazemos, tocamos, transformamos, mas é só nesse sentido em que se pode relacionar mão e destino.

  70. As linhas de expressão da mão (adquiridas pelo trabalho), o timbre da voz, a caligrafia, essas coisas são manifestações externas do nosso interior.

  71. Algo deve ser explicado pela sua ação e não por sua aparência.

  72. O espírito (mente) é um extremo, o objeto externo é o outro extremo e o corpo é o meio-termo.

  73. A mente interage com o mundo através do corpo.

  74. Há uma tendência a fazer ligações apressadas entre ações e certas partes do corpo: a profecia vem do fígado, a raiva vem da vesícula biliar, o amor vem do coração, a concupiscência vem dos rins, porque sentimos esses órgãos quando temos tal ou tal estado de espírito.

  75. É realmente possível pensar até ter dor de cabeça.

  76. Um só sintoma não fecha diagnóstico.

  77. Um fenômeno é indiferente às leis que estipulamos sobre ele.

  78. Ao dizer que uma pessoa é de tal jeito por causa, por exemplo, de seu signo, você está dizendo que a pessoa é uma data.

  79. Não somos nossos signos do zodíaco, nem somos qualquer detalhe de nosso corpo, como fisionomia ou configuração hormonal.

  80. Não se pode analisar uma pessoa lhe tomando somente um aspecto, especialmente se desconsideramos suas ações.

  81. É possível justificar um preconceito com argumentos científicos e isso foi feito muitas vezes na história.

  82. Quem aborrece a ciência e a filosofia, isto é, quem rejeita a razão, se entrega ao demônio e deve ir pro inferno, diz Hegel, com Goethe.

  83. Não há meio-termo entre a vida e a morte.

  84. Se todos agissem somente segundo leis próprias, não haveria harmonia.

  85. Quando se faz um discurso sabendo que uma determinada palavra precisa ser ambígua pra que o discurso funcione, a pessoa que faz o discurso não explica o significado dela, fazendo o discurso como se todo o mundo já soubesse.

  86. Se alguém perguntar o que a palavra significa, o discursante pode salvar sua intenção respondendo “pergunte ao seu coração.”

  87. Não é possível agir sem um fim em mente: pense no que você quer, antes de pensar em como chegar lá.

  88. A vitória de quem você apoiou pode ser tida como uma vitória sua também, embora isso seja impreciso.

  89. Algo é “mau” quando falha em ser bom.

  90. Todos devem falar a verdade se a souberem…

  91. “Mentir” é falar algo incorreto sabendo ser incorreto.

  92. A utilidade do amor é proporcionar bem ao amado, ao mesmo tempo que a afasta o mal desse amado.

  93. Não existe “amor inativo”: se é amor, é ativo.

  94. Para amar alguém, é preciso tratá-lo segundo o conhecimento do que é bom pra aquela pessoa.

  95. Nem tudo o que não se contradiz é justo.

  96. Ninguém é inocente, porque todos são responsáveis por suas ações enquanto seres agentes.

  97. Não reconheceríamos nossos erros se eles não causassem sofrimento.

  98. Um sacerdócio impostor se aproveita da estupidez dos fiéis para instaurar superstições que lhe favorecem.

  99. Um sacerdócio impostor costuma ficar do lado de governantes corruptos por ser formador de opinião, não muito diferentemente do que a mídia tradicional faz.

  100. Um sacerdócio impostor só pode fazer o que faz porque o povo é ignorante.

  101. “Conceito” é um saber simples que sabe a si mesmo e ao seu contrário.

  102. Se algo é real, é pensável.
  103. “Fé” é o conhecimento que depende de testemunhos, mas que não podem ser comprovados por você.

  104. A fé pode não depender de texto.

  105. É estranho que alguns ponham o agir virtuoso em alvos impossíveis.

  106. Não basta acabar com a mentira, se não se estabelecer a verdade.

  107. A constituição humana está na medida certa enquanto é natural.

  108. A razão é o meio mais seguro de dizer quando algo está em excesso ou em falta.

  109. A pessoa precisa ser útil, porque tudo é útil a ela.

  110. Ajudar os outros é ajudar a si mesmo.

  111. Praticar jejum não te liberta da necessidade de comer.

  112. Pensar na utilidade das coisas não é reprovável, mesmo em questões de fé ou sentimento.

  113. Às vezes a consciência faz coisas sem saber que elas lhe trarão felicidade ou gozo.

  114. Na indignidade, a felicidade é passageira e só pode ser dada de graça.

  115. É lícito ser covarde se isso não vai contra os seus deveres como pessoa.

  116. As feridas do espírito curam sem deixar cicatriz.

  117. Só é possível conhecer Deus refletindo naquilo que ele revela de si próprio.

  118. Assim, embora seja possível, pela razão, inferir que Deus existe, as exatas características de Deus não estão ao alcance da simples razão.

%d blogueiros gostam disto: