Analecto

4 de julho de 2017

Anotações sobre o mundo.

Filed under: Livros, Passatempos — Tags:, , , — Yure @ 14:36
  1. Para Schopenhauer, ninguém antes de Kant entendeu Platão corretamente. Para ele, os filósofos depois de Kant usavam termos kantianos e estilo platônico pra dizer praticamente nada.

  2. Diz Schopenhauer que a doutrina platônica e a kantiana são compatíveis e concordantes.

  3. O tempo é um meio que a mente tem pra lidar com a eternidade. Só existe o aqui e o agora. Passado e futuro são coisas da nossa cabeça. Nós usamos esses conceitos porque a causalidade não entraria em nossa cabeça de outra forma; o ser humano não pode compreender a eternidade. Por isso nossa mente secciona a eternidade em momentos.

  4. Recorde de período: dois terços de página. A maior frase que já vi num livro de qualquer assunto.

  5. A forma da árvore não lhe é essencial. Com o tanto que seja árvore, não importa que seja grande, pequena, larga ou estreita. A forma da árvore não é percebida por ela mesma. Só quem observa vê o inessencial daquilo.

  6. O artista precisa da imaginação pra representar a natureza. É assim que ele vê o que a natureza quis fazer, mas falhou em fazer, diz Schopenhauer.

  7. O “fantasista” é aquele que mistura livremente fantasia e natureza, a ponto de se distanciar da natureza em direção à originalidade.

  8. O artista bom em arte e bom em matemática é uma raridade. Não se houve de nenhum artista de renome que tenha contribuído grandemente para o avanço da matemática, nem nenhum grande matemático que tenha sido um grande artista. Não dá pra ser muito bom em várias coisas. O intelecto tende a se especializar.

  9. Não se usa matemática pra criticar uma obra de arte.

  10. Para Schopenhauer, genialidade não é esperteza. Quem é esperto, não é genial. Quem é genial, não é esperto.

  11. O gênio artístico é frequentemente afetado por grandes emoções. Pra Schopenhauer, isso é por causa do excesso de energia mental.

  12. O gênio artístico é quase um perturbado.

  13. O gênio artístico fala sozinho.

  14. Genialidade artística e loucura se encontram, tocam uma a outra de vez em quando. Me diz se o autor desta imagem não tem aquele pequeno probleminha que começa com P. Não, sério, olha a galeria dele.

  15. Pessoas normais fazem péssima poesia.

  16. Muitos perturbados dariam ótimos artistas. Isso não é nenhum insulto.

  17. A loucura é um fenômeno raro. A genialidade também.

  18. Uma pessoa pode ser muito inteligente…. E não ser notada.

  19. Ter inteligência acima do normal predispõe à loucura, na medida em que quem diz se você é louco é sempre o outro. Sua inteligência é tida por não-senso por outros.

  20. O louco pode consentir, se ele estiver lúcido. Ter um problema psicológico não necessariamente te torna um demente incapaz de raciocínio.

  21. Existem memórias do que não aconteceu. Algumas de nossas memórias podem ser falsas.

  22. Acontecimentos muito traumáticos podem ser esquecidos e substituídos por memórias falsas, a fim de que a pessoa possa continuar levando uma vida normal, apesar de ter ficado doida. Freud abraça essa ideia de todo o coração, com seu conceito de memória reprimida.

  23. Quando eu lembro de algo que me deixa desconfortável, como aquele fiasco na disciplina de economia política, eu começo a falar sozinho, por reflexo. Se eu não estiver atento a esse reflexo, não poderei pará-lo. Imediatamente, falo em voz alta algo que não tem nada a ver com que estou pensando, às vezes em tom de cantoria. Quando faço isso, o pensamento não progride e volta pra onde veio.

  24. Os que fazem teoria da arte aprendem com os gênios, que, por sua vez, não precisam de teoria pra produzir arte.

  25. “Para cada desejo satisfeito, dez permanecem irrealizados.”

  26. O pêndulo de Schopenhauer: quando satisfazemos um desejo, logo temos outro. É um movimento de ir e vir entre desejo e tédio. Ora se quer alguma coisa, ora se enjoa do que se tem. Essa sensação é adereçada por Sêneca, embora, claro, não com esse nome, em sua Tranquilidade da Alma.

  27. Existem sons belos por si mesmos, sem necessidade de estarem numa música.

  28. O oposto do sublime é o provocante. Enquanto o sublime mostra um objeto indesejável à vontade, mas que, por isso mesmo, incita à contemplação, o provocante mostra algo tão desejável que fica difícil contemplar. Não se contempla pornografia na medida em que ela é provocante. Até porque é difícil contemplar alguma coisa com todos os hormônios a todo vapor e certas partes do corpo em pleno movimento. Então, se você usa Fur Affinity e fica impressionado com o baixo nível dos comentários, aí está sua resposta: enquanto olhavam pra imagem, não viam nada digno de contemplação artística, mas só de gratificação sexual. Um comentário pra cada dez favoritos é de lascar, especialmente se o comentário tiver só uma palavra, como “good” ou “cute”.

  29. Para Schopenhauer, o provocante deve ser evitado em obras de arte. Assim você quebra o Fur Affinity, meu. Pergunto-me o que ele pensa disto.

  30. Há também o provocante negativo, que, em vez de excitar o que vê, o inspira repulsa. É a arte feia de propósito.

  31. Para Schopenhauer, a matéria só existe enquanto age.

  32. Arquitetura é arte.

  33. Ruínas podem ser belas.

  34. A arquitetura pode se aproveitar do ambiente e das mudanças meteorológicas pra adquirir uma beleza diferente dependendo da situação. Como a infiltração proposital, que capta a água da chuva pra fazer um desenho geométrico na parede, ou o vitral no teto que imprime um desenho no chão com a luz solar.

  35. A arte nem sempre é feita “pela arte”. A arquitetura, por exemplo, está frequentemente presa a fins utilitários: se deve construir algo. O bom arquiteto não apenas constrói o que lhe mandaram, como constrói de forma bela. Aliás, concebe; quem constrói é o pedreiro, diga-se de passagem.

  36. A arte que é só bela vive menos tempo. Por isso se fala de Legião Urbana até hoje. Não era só belo, mas socialmente relevante. Se a arquitetura fosse só bonita, seria uma arte cara e inútil. Sua o preço de sua beleza deve ser compensado com sua utilidade.

  37. Jardinagem também é arte.

  38. Beleza é a qualidade de um corpo que incita prazer estético. Graça é qualidade de um movimento que incita prazer estético. O objeto é belo, seu movimento é gracioso.

  39. Se você desenha uma pessoa e prioriza suas características pessoais mais do que suas características genericamente humanas, você está fazendo caricatura. Se você vai na mão oposta, você está fazendo um modelo genérico. O meio-termo entre os dois é o realismo.

  40. Por que não é possível dizer quando uma escultura está representando um grito? Porque o grito implica som. Pra o observador desavisado, é só a estátua de alguém de boca aberta. É mais fácil “pintar um grito” numa caricatura.

  41. Tentar esculpir um grito é ridículo. Por isso menciono a caricatura, onde o ridículo tem seu papel.

  42. Por que os escultores antigos gostavam tanto de gente pelada? Porque esculpir roupa era muito fácil. A roupa oculta as imperfeições. Então, se você veste o tronco, alguém poderia pensar “cobriu porque não sabe esculpir o tronco.” Cá, entre nós, esculpir um pênis minúsculo, como daqueles putti, em seus mínimos detalhes, sem quebrá-lo, é mesmo uma prova de perícia.

  43. Nenhum procedimento da vida humana pode ser excluído da arte da pintura. Quem pinta, deve pintar o que quiser.

  44. Não se deve julgar somente a técnica do pintor, mas também a ideia que ele quis passar com a pintura. É assim que artistas com pouca técnica conseguem renome, porque a ideia que eles passam é relevante e pode ser entregue com o nível de perícia que têm.

  45. Acontecimentos cotidianos podem ter um significado muito elevado se levarmos em consideração os elementos além do evento imediato. Por isso tem gente que assiste Malhação. É uma série extremamente banal, que retrata o cotidiano de jovens. Por que isso recebe tanta atenção? Porque, observando os personagens para além dos acontecimentos banais, entendemos os significados de suas ações, de forma que um simples beijo, um fora, um abraço, uma consolação ganham importância crítica para quem assiste. Quem só vê o fato ocorrido sem saber das circunstâncias e da razão do ato, do seu significado, só vê um beijo, um fora, um abraço, coisas que se vê todos os dias.

  46. Pra Schopenhauer, o objeto da arte é a ideia platônica, em oposição ao próprio Platão, para o qual o objeto da arte é o mundo sensível.

  47. O objeto da ciência e do pensamento racional é o conceito.

  48. Para Schopenhauer, ideia e conceito são coisas diferentes.

  49. Platão foi um filósofo muito importante, mas nem por isso estava sempre certo.

  50. Pra Schopenhauer, modéstia é falsa humildade. Então, pra ele, “falsa modéstia” seria um termo redundante, pois toda a modéstia seria falsa.

  51. Ciência e arte se comunicam, mas uma não ganha com a presença da outra. Arte e ciência podem trabalhar muito bem sozinhas, sem precisar uma da outra. Pra Schopenhauer, é até melhor assim, porque, diz ele, a arte não tira nenhum benefício da ciência por causa da diferença de objeto.

  52. Produzir arte é um instinto. O artista nem sempre sabe ao certo porque faz o que faz.

  53. O artista que não é original se limita a fazer o que dá certo. É o caso da indústria cultural. Como agora sabemos o que vende, as músicas do rádio são todas iguais. Os jogos eletrônicos exploram os mesmos temas e jogabilidade (pelo menos pra mim, o último grande ato de originalidade na indústria de jogos foi Super Smash Bros). Filmes que se assiste e depois esquece, nada muito memorável. Enquanto o artista original vê a ideia e a materializa em sua arte, os artistas “que copiam” fazem ciência dessa arte e imitam as técnicas até onde isso lucrar.

  54. O artista que faz cópia sem talento parasita o artista original com talento. Porque depois que essas técnicas são abusadas até as últimas consequências, até o original será intolerável.

  55. O artista original é um corpo orgânico. O artista que só faz cópias técnicas é uma máquina.

  56. O artista original usa o trabalho de seus antecessores como inspiração, não como instrução, assimilando esse trabalho ao seu estilo, lhes dando sua marca, como se comesse e digerisse. O artista que faz cópia usa técnicas como elas estão, tal e qual, sem fazer essa adaptação, de forma que seu trabalho é uma colagem de elementos dos trabalhos alheios, como se ele só costurasse retalhos.

  57. O artista original tira seus temas da vida (“natureza”, no texto).

  58. Mesmo que um artista tenha estudado técnicas, isso não o impede de ser original. Ele entende que a erudição artística não é composta de leis com as quais devo me conformar, mas de sugestões que eu posso ou não acatar. Se eu aprendo a usar o esboço, mas acho que meu desenho fica melhor sem ele, não preciso usar esboço. Se estiver ficando bom, estou fazendo certo, isso que importa.

  59. A maioria das pessoas é idiota, diz Schopenhauer. A prova disso é que até hoje os intelectuais lamentam isso.

  60. Obras de arte originais são melhor recebidas pela posteridade do que por sua própria época.

  61. “Alegoria” é uma obra de arte que mostra uma coisa querendo dizer outra.

  62. É mais fácil apreciar a obra em si, como se nos aparece, sem pensar no que ela significa. Quando pensamos no significado, esquecemos do quadro na nossa frente.

  63. A escrita faz um melhor trabalho nas alegorias do que a pintura ou a escultura.

  64. As pinturas alegóricas frequentemente contém símbolos, na forma de objetos na cena ou no uso de cores. Por exemplo, rosas amarelas pra simbolizar o ciúme discreto. Um exemplo típico é a caveira, símbolo da vaidade, da finitude da vida. Numa pintura clássica, quando você vê uma caveira, esta quer dizer que a finitude da vida é um conceito importante pra sua compreensão. Outros exemplos incluem a urina como símbolo de fertilidade, a nudez como símbolo de pureza, a cruz como símbolo de fé, bem como cores (amarelo é ciúme, azul é calma, vermelho é paixão, entre outros).

  65. Quando um símbolo ganha significado corrente, mesmo fora da arte, é chamado “emblema”. Schopenhauer cita o exemplo dos animais que representam os quatro evangelistas: humano para Mateus, leão para Marcos, touro para Lucas e águia para João. Assim, se fala na “águia de João”.

  66. Quer fazer um ouvinte entender melhor? Faça comparações. As testemunhas de Jeová fazem muito isso. “Se um médico te diz pra não tomar álcool, tu o injetarias nas veias? Então, se Deus diz que não deves consumir sangue, tampouco deves injetá-lo.” Claro que há comparações falhas. Nesse caso, quando se injeta álcool nas veias e quando se toma álcool oralmente, o álcool circula no sangue como álcool. Mas quando se bebe sangue, o sangue é destruído pelo metabolismo. Então, se a alma está no sangue, bebê-lo mataria essa alma. No entanto, quando se injeta o sangue nas veias, ele não deixa de ser sangue. Quando você morrer, tanto o seu sangue quanto o do doador irão pro solo. O sangue não é destruído com a transfusão.

  67. Quem é obcecado por um objetivo, se imerge nele a ponto de se tornar um alienígena pra vida pública. Platão já elucidara isso: o metafísico, perseguindo as ideias eternas, se torna um palhaço na vida prática.

  68. A importância de uma verdade é medida pela sua falta. A importância de uma luz é medida pela escuridão que fica quando a luz se apaga. Quanto mais falta faz, mais importante é a verdade.

  69. O significado de um símbolo se perde com o tempo. Por causa disso, muitas pessoas que veem certas pinturas não entendem o que aquela garça e aquela serpente no plano de fundo querem dizer. É preciso um historiador da arte pra explicar que a garça representa o bem e a serpente representa Satanás, ou seja, é uma alusão à luta entre bem e mal.

  70. O ritmo e a rima facilitam a apreensão da poesia talvez porque o cérebro humano acompanha padrões com facilidade. Então, uma rima que ocorre em intervalo regular é mais fácil de ser lembrada e, às vezes infelizmente, difícil de ser esquecida.

  71. A poesia, por lidar com palavras, tem mais facilidade em lidar com movimento dos personagens. A imagem pode até se aproximar disso pela via da história em quadrinhos. Pergunto-me se Schopenhauer pensaria diferente se tivesse entrado em contato com o cinema, que é sequencial como a poesia e, no entanto, trabalha com imagem.

  72. A história não é exata. Quando o historiador trabalha, tem que montar o acontecimento como um quebra-cabeça, interpretando os dados encontrados. Mas faltam dados, ao mesmo tempo que ele pode se deparar com dados falsos.

  73. A biografia é, pra Schopenhauer, mais confiável do que a história universal. Óbvio; tratando de apenas uma pessoa, a biografia é sempre mais precisa.

  74. É mais fácil ser pego na mentira por escrito do que em prosa ao vivo.

  75. A poesia dramática é a mais difícil de fazer. É aquela história contada em versos.

  76. Ninguém pode dizer ao poeta o que ele deve escrever. Acredito que isso se estenda a todos os tipos de arte estética.

  77. A poesia lírica é jovem. A poesia dramática é adulta. A poesia velha é a épica.

  78. Há quem diga que nosso maior crime é nosso próprio nascimento.

  79. Há três tipos de infortúnio: o causado por uma pessoa só, o causado pelo simples acaso, o causado pelas relações humanas (nesse caso, a culpa não é de um só, mas de uma combinação de fatores humanos, como na burocracia de um curso que esteve em greve por um quarto de sua duração).

  80. O terceiro tipo de infortúnio é aquele no qual qualquer um pode entrar para com ele colaborar. Causar dor e sofrimento por meio de relações humanas é algo que não é vetado a ninguém. Não é preciso ser um tirano ou um deus para fazer isso.

  81. A música é uma arte singular. As outras se relacionam entre si, mas nenhuma se relaciona com a música. Novamente, Schopenhauer talvez pensasse diferente se existisse cinema em sua época.

  82. Música incorpora matemática, mas não é só matemática. Se o fosse, a resolução de um problema de álgebra deveria nos dar tanto prazer quanto uma música que gostamos.

  83. Schopenhauer, pra sustentar a singularidade da música, implica que ele está a separando da poesia. Está se referindo à música sem letra, instrumental.

  84. Para Schopenhauer, a música não lida com ideias, mas com a vontade. Como vontade se origina de nós, mas percebemos as ideias através do mundo particular, Schopenhauer diz que a música não precisa do mundo pra existir.

  85. Mesmo numa música sem letra, a melodia é importante. A música não está completa sem a melodia que “canta”.

  86. As palavras são a língua da razão, mas a música é a língua do sentimento. Faz sentido, se lembrarmos o que Rousseau diz sobre a melodia. Uma melodia triste nos deixa tristes porque sua execução nos lembra dos próprios tons que a voz humana produz em seu lamento. Nós não falamos com a mesma entonação sempre, ela muda conforme nosso estado de espírito. Quando tristes, gememos; quando raivosos, gritamos. A melodia, diz outro cara, imita isso sem as palavras. Imita o sentimento bruto.

  87. Qualquer um pode fazer uma batida ou linha de baixo. Mas só quem faz melodia é quem tem talento. Não sei; eu não tenho talento e faço melodia o tempo todo.

  88. O compositor não sabe exatamente quais os elementos da boa melodia que compõe ou, se sabe, como sua relação influencia na qualidade da melodia. É como se o artista fosse uma pessoa diferente quando compõe música.

  89. Melodias rápidas que encontram o tom fundamental com frequência tendem a ser alegres. Melodias lentas que evitam retornar ao tom fundamental tendem à tristeza. Schopenhauer diz que a melodia é uma metáfora do pêndulo: o tom fundamental é a satisfação, enquanto que o momento entre um tom fundamental e outro é a luta pela satisfação do desejo. Então, uma melodia que acerta o tom fundamental com pouca frequência é como uma pessoa frustrada.

  90. Uma melodia que não sai muito do tom fundamental é chata, monótona, por vezes literalmente.

  91. A mudança entre modo maior e modo menor causa uma interrupção desagradável no fluxo emocional da música. É uma ótima forma de compor música triste.

  92. A mudança de modo em uma música alegre não a deixa triste, mas lhe remove o ar de frivolidade.

  93. A voz humana na música está subjugada ao resto da estrutura. O cantor não é mais importante do que os que tocam os instrumentos. Separe um do outro. Uma pessoa que canta sem os instrumentos que acompanham o canto não produz tanto efeito quanto a música barroca contrapontista, cujas músicas raramente eram cantadas, mesmo que quem canta esteja na posse do mais belo poema do mundo.

  94. A música permite uma interpretação diferente de acontecimentos da vida, para além de seu significado explícito. Esse é o conceito por trás da trilha sonora: auxiliar na interpretação do que é representado.

  95. É por isso que se canta. A música auxilia na interpretação da letra.

  96. Mesmo que a música represente um acontecimento, não deve tentar imitá-lo. Isso é impossível.

  97. Se a filosofia é a expressão do mundo em conceitos gerais, ao passo que a música é também uma expressão do mundo, uma filosofia da música seria uma filosofia do mundo, conclui Schopenhauer.

  98. Para Schopenhauer, todas as vozes da música (por vozes se entende a harmonia e a melodia) se originam do tom mais baixo, que é, justamente, a linha de baixo. Ele não está considerando o pulso como voz. Uma música completa, ele diz, explora todo o campo entre baixo e agudo. Assim, se você estiver fazendo algo numa estação de áudio digital, certifique-se de que todas as frequências estão em uso, mesmo que não em igual intensidade. É pra isso que serve o efeito Spectrum Analyzer.

  99. Os tons que se relacionam com o tom fundamental, não se relacionam entre si. Uma música em que todos os tons convergem no fundamental e entre si é aritmeticamente impossível.

  100. Uma música perfeitamente harmônica não é matematicamente possível. Se você tentar não fará música.

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