Analecto

29 de agosto de 2017

Anotações sobre o manifesto do partido comunista.

  1. Quando as pessoas acusam umas as outras de comunistas, sendo que elas não o são, é hora de um comunista de verdade aparecer e explicar o que ele é.

  2. “Comunista” é frequentemente usado pejorativamente.

  3. Há duas classes que se combatem em todos os períodos históricos: opressores e oprimidos. Essa guerra sempre culmina de uma das duas formas: os dois morrem ou a sociedade muda de paradigma. Dá pra fazer paralelos entre isso e a dialética hegeliana. Estabelecido e oposição se combatem, causando um resultado diferente dos dois.

  4. A indústria tornou a manufatura artesanal obsoleta.

  5. As liberdades conquistadas com esforços foram todas sacrificadas em nome da liberdade de comércio.

  6. A opressão burguesa subjuga os talentos pessoais pelo poder do salário.

  7. A existência da burguesia depende do avanço dos meios e das relações de produção. Observe que isso também afeta a sociedade, fazendo-a se transformar.

  8. O avanço da burguesia não pode mais retroceder. Tomou o mundo inteiro pela exportação e importação.

  9. Temos agora necessidade de material internacional. Parece que nenhuma nação pode mais subsistir sozinha. Por isso que ditaduras comunistas que se isolam do mundo majoritariamente capitalista passam fome ou empobrecem. Nessas condições, seria preciso que o mundo inteiro (ou, pelo menos, maioria) se tornasse comunista pra que uma nação comunista pudesse prosperar.

  10. O mesmo ocorre com o material intelectual. Publicar na Internet é publicar no mundo. O “pensamento nacional” está próximo do desaparecimento, se já não tiver desaparecido.

  11. O avanço do modo de vida burguês faz com que nações mais ricas e poderosas subjuguem culturalmente as mais fracas. Olha os Estados Unidos achando ruim que o Japão produza pornografia em forma de revistas em quadrinhos.

  12. Isso também unificou territórios.

  13. Graças a esse avanço, contudo, tivemos um avanço tecnológico sem precedentes.

  14. A classe burguesa começou a ascender quando as forças de produção superaram a capacidade do sistema feudal já velho.

  15. Sua ascensão, então, deve-se à falta de liberdade que um sistema antigo proporcionava e à crescente demanda por um benefício que essa liberdade traria.

  16. O crescimento excessivamente rápido das forças de produção, porém, proporciona crises de superprodução.

  17. Parece que o fim do capitalismo será um evento natural, porque as crises de superprodução crescem em intensidade. Eventualmente, entraremos numa crise econômica da qual não sairemos.

  18. O trabalhador também é mercadoria. Com efeito, se vende.

  19. Muita gente vive pra trabalhar.

  20. Quando os meios de produção evoluem, alguns trabalhos são menos requisitados. Talentos se tornam indesejados.

  21. Se você está lutando contra alguém, não ataque os inimigos desse alguém. Qualquer vitória contra os inimigos dos seus inimigos é uma derrota pra você.

  22. A vitória do sindicato não dura pra sempre. Precisa ser mantida e só pode ser mantida com muito custo.

  23. Se há uma coisa certa nessas vitórias é a união que elas proporcionam entre os trabalhadores.

  24. Um partido dos trabalhadores só dará certo se os trabalhadores pararem de competir entre si.

  25. Uma classe política não ganha tudo de uma vez. Não, a luta é constante. Ganha-se algumas batalhas, perde-se outras, mas nunca se deve parar de lutar por direitos enquanto os direitos forem insuficientes.

  26. A elite nem sempre está de acordo entre si. Isso é uma vantagem para as massas.

  27. Para que um lado da elite prevaleça sobre outro, é preciso ajuda do povão. O lado da elite que convencer o maior número de pessoas comuns vence.

  28. Trabalhador é igual em qualquer lugar do mundo. Ganha-se mais, ganha-se menos, mas sempre explorado.

  29. Uma revolução feita pela classe trabalhadora é uma revolução feita pela maioria. Normalmente, revoluções são feitas por minorias e elas até que dão certo. Imagine se todos os trabalhadores se unissem pra fazer um mundo à sua imagem e semelhança.

  30. Os trabalhadores devem destruir a elite e não podem fazer isso sem violência.

  31. A elite precisa dos trabalhadores, por isso os dá meios de subsistência. Mas será que os trabalhadores precisam da elite?

  32. Desarticular trabalhadores requer manipulação dos salários: pague melhor quem tem mais adesão ao sistema vigente. No entanto, se os trabalhadores se unirem em grupos que reivindicam aumento pra todos, fica mais difícil. Então, é importante que o trabalhador sacrifique o ganho pessoal em nome da luta pelo ganho de todos.

  33. Nem todo o trabalhador é comunista.

  34. O comunismo não tem mentores. Ou, pelo menos, não deveria ter. Seu referencial teórico são os próprios trabalhadores que decidem a pauta em conjunto.

  35. A propriedade privada deve ser abolida (Atos 2:42-45).

  36. O salário-mínimo se chama “mínimo” porque compreende apenas o necessário pra que a pessoa possa subsistir e continuar trabalhando. Se o salário-mínimo aumenta, é porque o custo de vida também aumentou. Por outro lado, é possível aumentar o salário-mínimo sem que o custo de vida tenha aumentado, mas isso permite que comerciantes aumentem os preços. Logo, aumentar o salário-mínimo também aumenta o custo de vida. Você não pode ter conforto ganhando salário-mínimo, a menos que seu custo de vida seja especialmente baixo (como é o caso de homens solteiros e sem filhos).

  37. Quanto menos você ganha, mais você sente necessidade do patrão. Fará o que for necessário pra se manter no emprego, mesmo a custo da dignidade pessoal. Isso é especialmente verdade em tempos de desemprego. Talvez o desemprego atual no Brasil seja até proposital, pra que o trabalhador desesperado não se opusesse às reformas.

  38. Quando alguém diz que algo trará mais liberdade, verifique se não trará mais liberdade só pra quem está falando.

  39. A liberdade da elite é a de compra e venda.

  40. Assim, a liberdade da elite nada tem a ver com a liberdade do povo.

  41. No comunismo, o que você produz é seu. A diferença é que ninguém se apropria do que você produz. Olha que interessante: você trabalha numa fábrica de carros e, no entanto, o carro que você ajuda a fazer não é seu. Não, você recebe um salário e, se puder, guardando dinheiro, poderá comprar o carro que, no final das contas, foi você quem fez.

  42. É possível ganhar dinheiro sem trabalhar. O empresário trabalha menos que o operário e se cansa menos, mas ganha mais. E os políticos? A presença de um deputado não é obrigatória na câmara em todas as reuniões, mas ele ganha do mesmo jeito. Já você, se faltar um dia, tem o salário reduzido.

  43. Se não houver patrões, as pessoas não pararão de trabalhar? Não, mas trabalharão só pra si mesmas.

  44. A família deve ser abolida. Amém.

  45. A família favorece a exploração infantil, se feita da parte dos próprios pais.

  46. Dizem que o comunismo quer destruir a educação familiar. Ora, mas ela já foi destruída quando a elite inventou a escola e a infância. A educação é responsabilidade estatal agora, não familiar.

  47. Dizer que as mulheres serão de todos não implica dizer que a mulher poderá ser coitada por qualquer um como se fosse um objeto. Comunidade de mulheres não é o mesmo que liberdade pra estuprar.

  48. Liberdade de se relacionar saudavelmente com qualquer um que concorde com a relação.

  49. Além do mais, o discurso contra a comunidade de mulheres é hipócrita: ninguém está a salvo do chifre, nem a elite. Aliás, pra que coisa pra pagar mais prostituta do que rico? E ainda dizem que cada um tem sua única mulher. Não, a mulher não pertence a ninguém, nem o homem. No comunismo, só o que existem são parceiros consentidos. Só pra lembrar que o Partido Comunista Francês quer a abolição da idade de consentimento.

  50. Na elite, a mulher é comunitária. É a comunidade de mulheres casadas. Basicamente, o império do chifre, voluntário ou não. A mulher é objeto entre a elite, diz Marx.

  51. Não havendo necessidade de “vender seu corpo”, a prostituição não existe no comunismo.

  52. Trabalhador é trabalhador aqui e na China. Não há necessidade de “pátria” no comunismo.

  53. Trabalhadores são uma nação.

  54. As ideias dominantes são as da elite. Nosso conceito de certo e errado, por exemplo, é imposto de cima.

  55. A elite quer que um intelectual concorra com o outro, não que trabalhem juntos.

  56. Crianças não devem trabalhar em fábricas, mas devem produzir também, isto é, devem trabalhar de alguma forma indistinta da educação humanística. Ela deve aprender o conteúdo curricular normal, mas deve aprender, junto com esse currículo ou como parte dele, uma profissão.

  57. Se a luta política não é possível no momento, lute ao menos no campo intelectual. Liberdade de expressão é um direito humano, certo?

  58. O socialismo pode ser reacionário também. Alguém escreveu: “direita idiota, esquerda retrógrada.”

  59. Quando você lê uma obra feita em outro país, tenha em mente que trazer o livro pro Brasil não significa trazer com você o país de origem. Uma análise política feita na França sobre a França não se aplica ao Brasil. Então, é importante lembrar que um livro estrangeiro, por mais preciso e prestigiado que seja, pode não descrever a realidade que você vive.

  60. As aspirações humanas não necessariamente coincidem com as aspirações de uma classe. Uma classe pode querer outras coisas.

  61. Não ponha tudo a perder se você não tiver o que ganhar.

  62. Existem socialistas na elite também. Eles querem resolver os problemas sociais, mas sem alterar o sistema de exploração implícito nem a sociedade de classes, além de quererem fazer isso sem luta e sem perigo.

  63. Zona rural e zona urbana devem se tornar uma coisa só, a família deve ser abolida e, se houver um estado, este deve apenas gerenciar a produção coletiva.

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