Analecto

26 de agosto de 2017

Anotações sobre “Curso de Filosofia Positiva”.

“Curso de Filosofia Positiva” foi escrito por Auguste Comte. Abaixo, alguns pensamentos encontrados no texto dele.

  1. Se filosofar é procurar a verdade, então há três formas de filosofia: pela religião, pela metafísica e pela ciência.

  2. Uma só lei não explica o universo inteiro.

  3. Nos dois primeiros estágios de desenvolvimento, a filosofia está interessada nas causas primeiras e nas causas finais, mas, no último estágio, ela renuncia a essa pretensão em nome da busca das leis que governam os fenômenos particulares.

  4. O ápice do instante teológico foi o monoteísmo, enquanto que o ápice do estado metafísico foi a filosofia da natureza, mas a ciência sempre progride, sem chegar a um instante em que se possa dizer “nada mais há para ser explicado”.

  5. A ciência deve romper com a religião (o que não implica que uma deva combater a outra, mas que, por serem formas diferentes de filosofia, não podem ser totalmente conciliadas e uma tentativa de conciliação implicaria subjugação e prejuízo à livre prática científica).

  6. Se a ciência funciona pela validação ou refutação de uma premissa, é claro que ela não poderia ter surgido antes da metafísica ou da teologia, as quais proveram as premissas.

  7. Observar (procurar por algo) não é o mesmo que olhar.

  8. Tentativa e vacilo fazem parte do andar filosófico.

  9. O estado metafísico é provisório, intermediário.

  10. O escritor não quer saber das causas dos, nem pra que servem os, fenômenos, além da medida do necessário para entender como funcionam.

  11. Mais importa saber como a gravidade funciona do que saber o que é a gravidade.

  12. O ser humano não precisa de perguntas sem resposta, do tipo “de onde viemos, o que somos, para onde vamos?” para guiá-lo na vida.

  13. Quando algo se torna ciência, não deixa de ser filosofia, mas deixa de ser metafísica.

  14. O movimento da filosofia para a direção positiva (priorização da ciência em lugar da metafísica) começou com Bacon, Descartes e Galileu.

  15. Estudos sociais precisam se tornar ciência (“física social”, mais tarde renomeada “sociologia”).

  16. Teologia e metafísica não explicam fenômenos sociais.

  17. Antigamente, nosso conhecimento não era dividido em campos.

  18. A divisão do conhecimento em áreas é positiva, pois permite que cada pesquisador estude um detalhe em profundidade.

  19. Essa divisão de conhecimentos permite o avanço mais rápido das ciências.

  20. Mas a divisão excessiva das ciências também traz problemas.

  21. É mais fácil ser bom em tudo quando se conhece tudo superficialmente.

  22. A divisão das ciências é artificial, foi feita por nós, enquanto que, na natureza, a biologia, por exemplo, não está separada da química.

  23. Um cientista deve trabalhar com o outro, as áreas científicas devem manter um diálogo.

  24. É preciso que as descobertas particulares encontrem seu lugar num sistema geral, organizado por uma outra classe de cientista.

  25. Se uma ciência é velha, sem acordo entre os cientistas que a praticam, a partir da qual nada foi descoberto, qual é o sentido de persistir nela?

  26. Um procedimento lógico é melhor explicado em sua aplicação.

  27. É possível criar um estudo pela combinação de duas ciências.

  28. Um estudo envolvendo mais de uma área científica explica mais detalhes de um objeto estudado.

  29. A anarquia de pensamento, isto é, uma situação em que nenhum pensador concorda com o outro, é causa de males sociais.

  30. A ciência deve estabelecer a verdade que a política aplicará.

  31. A filosofia discorda de si pela divergência de método.

  32. Se a teologia, a metafísica e a ciência continuarem perdendo tempo em tentar superar uma a outra, o pensamento humano não evoluirá.

  33. Querer uma filosofia capaz de explicar tudo, como quis Hegel, é coisa de quem pensa que o corpo total de conhecimento acumulado é menor do que na verdade é.

  34. A ciência não pode conhecer tudo.

  35. Se fosse possível um sistema filosófico capaz de explicar todos os fenômenos, será que isso faria muita diferença, se comparado à moda atual de explicar cada fenômeno segundo leis próprias?

  36. Você pode propor objetivos que você mesmo não pode atingir sozinho em seu tempo de vida, porque outros continuarão de onde você parou.

  37. Nem tudo o que é útil é verdade.

  38. Qualquer divisão das ciências é artificial por definição.

  39. O fato de falharmos várias vezes ao perseguir um objetivo não implica que é impossível alcançá-lo.

  40. Só é possível classificar as ciências pelos seus objetos observáveis.

  41. O objetivo da ciência é prever fenômenos e modificá-los.

  42. Estudar um fenômeno por prazer não é errado.

  43. Embora cada ciência possa ocupar-se de si mesma, sua aplicação técnica requer a ajuda de outros saberes.

  44. Quando um estudo já tem muito tempo de existência, como a filosofia, uma exposição cronológica decente fica cada vez menos possível, porque não dá pra expor tudo em suas relações.

  45. No entanto, essa forma de entender as coisas têm a desvantagem de não explicar como o conhecimento foi formado.

  46. A ciência e a técnica se ajudam no progresso de ambas.

  47. Os conhecimentos mais gerais são os mais estranhos a nós, por guardarem menos ligação com o prático.

  48. O fenômeno “puro” deve ser estudado primeiro, para depois estudarmos suas modificações.

  49. O entendimento completo da química requer o conhecimento básico de física, pois os fenômenos químicos são condicionados por calor, eletricidade e movimento, todas coisas estudadas na física.

  50. Apesar disso, a química não é parte da física e deve ser tratada como uma ciência à parte.

  51. A sociologia depende de todas as outras ciências, mas suas leis não influenciam as outras ciências.

  52. Um ramo do conhecimento pode ainda ser metafísico ou teológico quando outros ramos contemporâneos já são positivos.

  53. Precisão não iguala certeza.

  54. A matemática perpassa e valida tudo na ciência.

2 Comentários »

  1. […] do zero, sem levar em consideração o que fora produzido antes, o avanço científico seria quase nulo, com cada indivíduo chegando mais ou menos ao mesmo lugar. Mas continuando de onde o outro parou […]

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    Pingback por Anotações sobre a essência do cristianismo. | Analecto — 5 de setembro de 2017 @ 11:41

  2. […] conhece nada. O conhecimento propriamente dito, não a simples erudição e aprofundamento, vem da relação entre as várias ciências, da comparação entre elas e da sua livre mescla, além de que tudo […]

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    Pingback por Anotações sobre a Cidade do Sol. | Analecto — 29 de agosto de 2017 @ 17:11


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