“Demons”, de Huib Kort e G. G.

“Demons: the utopian dream of safety” foi escrito por Huib Kort e G. G. Abaixo, alguns pensamentos parafraseados desse texto.

  1. Nossa sociedade tem uma série de problemas, como crimes e violência, que parecem isolados.
  2. Mas será que não há algo fundamentalmente errado na nossa sociedade e que torna esses problemas meros “sintomas” de um mal muito maior?
  3. E se algumas das coisas contra as quais nossa sociedade luta não forem realmente problemas?
  4. Apontar problemas isolados e combatê-los é uma tentativa de distração, para que o povo não veja que é o modelo social geral que está decadente.
  5. Nós, como sociedade, vivemos com medo, mas essa nem é a primeira vez que isso acontece: tivemos medo na segunda guerra mundial, tivemos medo na guerra fria, agora temos medo por outras razões.
  6. Medo é uma emoção comum em regimes conservadores.
  7. Qualquer um pode perder a felicidade que obteve com trabalho duro, e pode perdê-la a qualquer instante, o que nos dá uma sensação de insegurança.
  8. O medo das pessoas pode ser desproporcional à realidade do crime.
  9. Nenhum crime ocorre sem razão.
  10. Mas pessoas têm medo de estar no lugar errado, na hora errada.
  11. Pessoas também temem o desconhecido, especialmente se “o desconhecido” significar “imigrantes”.
  12. As razões para temê-los podem não ter sólida fundação empírica.
  13. Crimes sexuais violentos contra crianças também são ocorrências raras, comparados com outros tipos de crime, mas os esforços para combater esse tipo de violência também são desproporcionais à realidade.
  14. Medos desproporcionais existem independentemente do grau de educação da pessoa.
  15. Esses medos frequentemente estão centrados em problemas atuais, como a ameaça nuclear.
  16. O medo é a emoção que guia a vida de muita gente.
  17. Existe “periódico” pra elite e “jornal” pra classe trabalhadora.
  18. A mídia pode fundar e manter medos desproporcionais.
  19. A mídia deve informar o povo, mas também precisa de dinheiro, então ela transforma as notícias em entretenimento.
  20. Isso causa uma queda na qualidade dos programas de TV, incluindo uma queda em sua capacidade de informar (e um aumento na sua capacidade de fofocar).
  21. Um candidato que seja capaz de convencer o povo de que ele acabará com a violência é capaz de obter muitos votos, porque a sociedade tem a sensação de que a violência pode ser completamente eliminada para sempre por meio da política.
  22. Essa atmosfera de medo e de impotência política, incentivada por informação seletiva por parte da mídia, faz com que o povo comece a fazer justiça a sua maneira.
  23. E a mídia gosta quando alguém faz justiça com as próprias mãos, porque isso significa mais espetáculo pra mostrar na TV.
  24. Políticos prometem coisas que o sistema democrático não permite, de forma que a população depois os confronta por suas promessas quebradas.
  25. A mídia não é imparcial.
  26. Existe legislação escrita com base em eventos insuficientes.
  27. Isso é sinal de oportunismo e também sinal de que a população é míope, em relação às consequências de suas escolhas e em relação a sua própria história.
  28. Histeria pode causar mais dano do que o evento que a causa.
  29. Uma pessoa que comete um crime grave acaba se tornando o único exemplo a ser levado em consideração nas deliberações (por exemplo: um jovem cometeu um assassinato, logo todos os jovens são capazes de matar e precisam ser policiados).
  30. Se a pessoa que cometeu o crime for um imigrante, então seu comportamento será generalizado a todos os imigrantes, por exemplo.
  31. De repente, todos os homens são pedófilos.
  32. A nossa sociedade é como Parmênides: é ou não é, sem gradações.
  33. Isso é visto como bom.
  34. Quem aponta o fato de nem metade dos homens serem estupradores potenciais, de que há muçulmanos que não são terroristas, entre outras coisas, é igualmente odiado.
  35. A sociedade torna-se então um campo de guerra entre o bem e o mal, com ambos os lados se vendo como o lado “bom”.
  36. “Estuprador”, “molestador” e “pedófilo” se tornaram a mesma coisa.
  37. Há demanda por cada vez mais repressão.
  38. E no entanto, reprimir não está funcionando.
  39. O verdadeiro objetivo é proteger o estabelecido, porque o estabelecido dá dinheiro, para que o estabelecido não sofra com mudanças sociais.
  40. É o estabelecido (política, mídia e ideologias dominantes na sociedade) que está fundamentalmente errado, com todo o resto sendo sintomas desse problema maior.
  41. Uma solução possível é permitir que discursos dissidentes floresçam.
  42. É possível pensar sem a TV.
  43. Todos falam que a mídia é manipuladora, mas nem por isso a olhamos de forma crítica.

Publicado por Yure

Quando eu me formei, minha turma teve que fazer um juramento coletivo. Como minha religião não me permite jurar nem prometer, eu só mexi os lábios, mas resolvi viver com os objetivos do juramento em mente de qualquer forma.

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