Analecto

5 de outubro de 2018

Seria bom se homens solteiros adotassem filhos.

Eu estava pensando esses dias sobre o fato de cada vez menos homens estarem casando ou namorando, por causa das desvantagens desse comportamento e dos riscos implícitos. A ideia de se afastar de relacionamentos é sã e acredito que seja a opção correta a ser tomada para que o risco passe a diminuir, porquanto nosso sistema capitalista precisa de crianças para capacitar e de adultos novos os quais possam trabalhar. Então, o governo cedo ou tarde terá que agir para reduzir o risco social de relacionamentos heterossexuais. Assim, eu realmente penso que se afastar de relacionamentos é bom para o homem. Mas e quanto aos meninos?

Fala-se que existe uma “crise do menino”: meninos estão indo mal na escola, estão se voltando mais ao crime, estão desenvolvendo mais problemas mentais e precisando mais de tratamento, inclusive porque estão se suicidando mais, comparados às meninas. Para muitos, isso se deve ao fato de que os pais estão deixando as famílias e meninos, por terem uma biologia diferente, não podem ser plenamente educados pela mãe somente, além de que o ambiente no qual o menino está crescendo é um ambiente que lhe oprime em detrimento da menina. Eu não sei se essa é a verdadeira razão, mas, se for, evitar relacionamentos é apenas uma metade da solução para o problema do risco social inerente a ser homem no século vinte e um. Resolve-se o problema do homem, mas o do menino permanece.

Acho que o problema pode ser amenizado a curto prazo e resolvido a longo prazo se cada homem solteiro adotasse um filho ou ficasse com pelo menos um filho do casamento anterior. Afinal, vivendo sozinho, você tem mais recursos e poderia cuidar de um pequeno. Há outros benefícios inerentes à adoção, como o de não precisar adotar um bebê, mas uma criança já mais velha ou mesmo um adolescente. Crianças e adolescentes em abrigos crescem com ainda menos suporte emocional e serão adultos em desvantagem se não forem adotados por alguém que possa lhes dar orientação de perto. Então, quer o problema seja ocasionado pelas razões supracitadas ou não, desenvolver a capacidade física, mental e social do menino é um meio de permitir sua adaptação ao ambiente hostil, para que seja possível mudar tal ambiente.

Se você adotar um filho ou ficar com filhos do casamento anterior, o risco de viver sem parceiro é resolvido, porquanto o filho, ao conquistar independência financeira, pode apoiar você na velhice. Além disso, se os meninos crescerem para tornarem-se homens confusos e assustados, a solução da crise masculina será mais lenta ou talvez retroceda, porquanto os meninos poderão procurar orientação do time oposto.

É preciso que o menino seja capaz de explorar e desenvolver suas potencialidades físicas e intelectuais, mas ele não encontra ambiente que permita isso: não existem políticas públicas voltadas para o menino que aprende a ler devagar, não se atenta ao fato de que a população masculina está se afastando das universidades, nem nada disso. A única pessoa que poderia ser de ajuda para um menino promissor seria um bom pai, mas onde está esse pai? Por que não pode ser você?

Assim, eu acho que recusar relacionamentos é resolver apenas parte do problema. A segunda metade poderá ser resolvida com a adoção de filhos e a preparação deles para a vida futura, permitindo o desenvolvimento pleno de suas faculdades físicas e mentais, mas também sociais, para que eles não sejam levados a empregar suas habilidades na perpetuação de um sistema perverso.

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