Analecto

6 de fevereiro de 2019

Eu sou comunista (só que não).

Filed under: Notícias e política — Tags:, , — Yure @ 23:34

Então, eu estava vendo uns vídeos no Youtube e achei um interessante de um filósofo de nome complicado.

Sintetizando o que ele diz, Steve Bannon, o carinha que quer montar uma direita conservadora internacional, o faz dando às pessoas algo que temer, mesmo que seja um perigo imaginário, cuja proteção poderia ser provida pela direita, tornando-a, portanto, palatável. Em países xenófobos europeus, por exemplo, esse perigo seria o estrangeiro. A extrema direita ganhou aqui, no Brasil, e nosso inimigo pessoal é o comunismo. Primeiramente, não existe de fato comunismo no Brasil. Acho que mesmo o pessoal da esquerda não acredita na possibilidade de implantar um regime comunista no Brasil. Não porque seria impossível (porque é possível), mas sim porque seria impossível, no cenário mundial, ser um país comunista capaz de manter seu nível de conforto. Os grandes motifes da eleição foram “não deixe o Brasil virar a Venezuela” ou “o Brasil não será uma nova Cuba” ou “a bandeira nunca será vermelha”. Agora que a direita está no poder e, em um mês, já estão interessados em tirá-la dali, uma boa ideia para frustrar os planos de Bannon pro Brasil seria a revitalização do comunismo de estética.

Veja, a ideia do Bannon, ao menos segundo o vídeo, é associar tudo o que é de esquerda com comunismo, esse inimigo invisível (porque não está lá), o qual, por ser “invisível”, pode estar em toda parte. Isso deveria manter a esquerda fraca e baixa, porque ela, identificada com o comunismo, tornou-se o inimigo. Mas a esquerda brasileira não é comunista. Ora, se algo pode ser chamado de comunista sem de fato o ser, porque não chamamos as coisas boas de comunismo? Elas não serão realmente comunistas e nem precisam ser, na acepção correta da palavra. Basta que sejam chamadas assim. Exemplo: reforma da previdência é indesejável para a maioria dos brasileiros. Ora, ser contra ela é ser comunista, não que isso seja ruim. Outro: a liberação do porte de armas é indesejada por maior parte dos brasileiros. Ora, ser contra o porte é ser comunista, ao mesmo tempo que é uma posição pacífica. Se tudo o que o Bolsonaro odeia torna-se comunista porque ele odeia, qualquer posição contrária às de Bolsonaro é comunista, mesmo quando os “comunistas” tiverem razão. A ideia é revitalizar a palavra, não seu conteúdo, para mostrar as opiniões “comunistas” (tudo aquilo que é contra o Bolsonaro) como sendo palatáveis. Isso desarma a ideia de Bannon de que o comunismo é o inimigo e ele terá que achar outra coisa com a qual identificar a esquerda e o processo poderá se repetir com esse “novo inimigo”.

Não é questão de se converter ao comunismo, mas de rotular de “comunista” toda e qualquer posição sensata e claramente benéfica que se posicione contra os desígnios da direita, mesmo que não seja comunista. Se o inimigo se mostrar como melhor que o aliado, então o aliado se torna inimigo.

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