Analecto

23 de junho de 2019

O que aprendi lendo “Antieméticos em Oncologia”.

Filed under: Saúde e bem-estar — Tags:, — Yurinho @ 13:09

“Antieméticos em Oncologia” foi escrito por José Zago Aleixo e Sabina Bandeira Aleixo. Abaixo, o que aprendi lendo esse texto.

Tratamento oncológico e tratamento antiemético.

Tratar câncer com quimioterapia provoca náusea e vômito. Antieméticos são necessários para o controle desse efeito colateral tão frequente e tão intenso. Na verdade, intenso o bastante pra afetar o estado nutricional de pacientes na quimioterapia. Até que não tem medo de vomitar pode temer os vômitos causados pela quimioterapia: o tratamento com cisplatina causa vômito agudo e tardio, cada um tendo que ser controlado por uma substância diferente (no primeiro caso, antagonistas do receptor de 5-HT3 e, no segundo caso, antagonistas do receptor de NK1). A radioterapia também causa esse efeito colateral: irradiação do corpo inteiro provoca vômitos 90% das vezes.

Então, tratamento contra câncer implica terapia antiemética, não obstante o método de tratamento, porque ambos os métodos provocam vômitos. Por outro lado, recusar o tratamento e simplesmente aceitar ficar com câncer também provoca vômitos. Felizmente, tem um monte de remédio pra vômito que funciona muito bem hoje em dia.

Mecanismo do vômito.

O chamado “centro do vômito” não fica em uma área específica do sistema nervoso como se fosse um órgão, mas é distribuído entre conexões no tal tractus solitarius. Tal centro pode ser estimulado por outro mecanismo, a zona quimiorreceptora de gatilho. Essa zona detecta certas substâncias no corpo e, em sua presença, estimula o centro do vômito. O centro do vômito pode também ser estimulado pelo sistema digestivo, óbvio, quando uma substância nociva é detectada. Se você passar por uma vagotomia, o centro do vômito não poderá mais ser estimulado pelo sistema digestivo. O centro do vômito também pode ser estimulado pelo aparelho vestibular, que detecta movimento (daí a cinetose, isto é, o enjoo que você sente quando está num barco ou veículo em movimento). Ele também pode ser estimulado pelo córtex cerebral (daí o vômito causado pelo medo ou pelo nojo, a “náusea psicológica” e o vômito antecipatório).

Antieméticos.

O primeiro remédio pra vômito examinado é o antagonista do receptor 5-HT3. Quando se trata de controlar o vômito causado pela quimioterapia, este é o melhor medicamento. São exemplos de antagonistas do receptor de 5-HT3: granisetrona, tropisetrona, dolasetrona e palonosetrona. Eles têm como efeito colateral prisão de ventre e dor de cabeça. Esses medicamentos não devem ser usados em altas doses porque operam pelo bloqueio de neurotransmissores: se já estiverem bloqueados, aumentar a dose não aumenta a eficácia, porque não haveria mais o que fazer. Logo, doses altas são desperdício. Tanto faz se é uma injeção ou comprimido ou se a dose é única ou fracionada ao longo do dia. Use tropisetrona e dolasetrona com cautela se tiver problemas cardíacos. Se tiver problema de fígado, a ondasetrona tem que ser ministrada em doses não superiores a 8 mg/dia.

O segundo remédio pra vômito é o esteroide. Esteroides como antieméticos funcionam melhor em conjunto com outro antiemético. Um exemplo é a dexametasona. Têm como efeitos colaterais a hiperglicemia e a insônia.

O terceiro remédio pra vômito é o antagonista do receptor de NK1. Esse medicamento é de uso oral e é usado em conjunto com dexametasona e antagonistas do receptor de 5-HT3 pra tratar o vômito causado por terapia baseada em platina.

O quarto remédio pra vômito é o antagonista de receptor dopaminérgico. Sozinhos, eles têm baixa eficácia. São exemplos de antagonistas de receptor dopaminérgico: prometazina, haloperidol, droperidol, metoclopramida e alizaprida. Tem como efeitos colaterais reação extrapiramidal, sedação e hipotensão.

O quinto remédio pra vômito é o benzodiazepínico. Eles reduzem a ansiedade, servindo no tratamento pra vômitos de origem psicológica. Um exemplo de benzodiazepínico é o lorazepam.

O sexto remédio pra vômito é o canabioide. Estes agem melhor que os antagonistas do receptor dopaminérgico. Um exemplo de canabioide é dronabidol. Apesar de ser bom pra controlar o vômito, esse medicamento causa tontura, alucinações e disfonia. É melhor administrado por via oral.

O sétimo remédio pra vômito é o anti-histamínico. Esse medicamento é melhor utilizado pra reduzir a intensidade de efeito colateral ocasionado por terapia com antagonistas do receptor dopaminérgico. Um exemplo de anti-histamínico é a difenidramina. Não serve pra impedir o vômito causado por quimioterapia. Mas servem pra impedir o vômito causado por enjoo de movimento (cinetose). Causam secura na boca, sonolência e visão turva.

Observações sobre o tratamento antiemético.

Uma náusea pode ser classificada em três tipos, em relação à quimioterapia: aguda (quando ocorre no mesmo dia em que a quimioterapia ocorreu, sendo combatida com os antagonistas do receptor de 5-HT3, dexametasona e os antagonistas do receptor de NK1), tardia (ocorre depois do primeiro dia, sendo combatida com dexametasona e antagonistas do receptor de NK1) e antecipatória (ocorre antes da terapia, por razões psicológicas, sendo combatida com lorazepam).

Medicamentos antieméticos devem ser usados quando o sujeito passa por quimioterapia, radioterapia ou tratamento para câncer avançado. No caso da quimioterapia, a escolha do antiemético e da dose a usar depende de qual é o quimioterápico que tá sendo utilizado e como ele está sendo utilizado. Mulher vomita mais em quimioterapia. No caso de radioterapia, se usa antagonistas do receptor de 5-HT3 (granisetrona) e dexametasona para controlar o vômito, com doses tanto antes da irradiação como depois dela.

Se for tratar câncer pelo sistema único de saúde, pode ser que o medicamento antiemético tenha que ser comprado. Se apesar do tratamento, o cara ainda vomitar, pode ser que a causa não seja a quimioterapia, mas distúrbios metabólicos… ou metástase.

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