Analecto

24 de junho de 2019

O que aprendi lendo “Antieméticos na Gastroenterite Aguda em Crianças e Adolescentes”.

Filed under: Saúde e bem-estar — Tags:, — Yurinho @ 14:01

“Antieméticos na Gastroenterite Aguda em Crianças e Adolescentes” foi escrito por Bruno Sanches, João Franco, Paulo Calhau e Ricardo M. Fernandes. Abaixo, o que aprendi lendo esse texto.

Antieméticos e reidratação.

Em países desenvolvidos, a gastroenterite aguda não é um problema grande, já que é tratável. Essa doença, porém, causa vômitos, o que impede a reidratação do sujeito. Não há consenso sobre o uso de antieméticos no tratamento desse problema, porque os efeitos colaterais podem não ser compensados pelo benefício prestado. Por exemplo: se você for usar um desses medicamentos anciãos, como a metoclopramida, pode ser que você tenha uma reação extrapiramidal, o que é muito desagradável. Se for necessário que o paciente pare de vomitar pra que possa se reidratar, um antagonista do receptor de serotonina é mais seguro. Se o paciente puder se reidratar oralmente, a necessidade de tomar soro na veia é menor.

Por via de meta-análise (revisão de sete estudos), foram examinados dados relativos a 1020 sujeitos entre cinco e doze anos que deram entrada no sistema de urgência com quadro de gastroenterite aguda. Dos estudos analisados, quatro comparam a eficácia de um antagonista do receptor de serotonina com um placebo, em dose única (três estudos) e em dose múltipla (um estudo). Outros dois estudos comparam esse antagonista do receptor de serotonina com a metoclopramida, com um placebo e com a dexametasona. O último comparou um placebo e uma dose de dimenidrinato… que não foi tomado pela boca.

O grupo dos que tomaram antagonistas do receptor de serotonina teve menos sujeitos que ficaram internados, mas só no dia em que deram entrada, com alguns tendo que voltar ao médico até três dias depois. No entanto, esse grupo precisou menos de soro na veia. Também nesse grupo, boa parte deles parou de vomitar em três dias. Oito horas após tomar o remédio, o sujeito já podia tomar água sem vomitá-la, mas precisaria de uma nova dose no dia seguinte. Os que tomaram o remédio vomitaram menos vezes que os que não tomaram. No entanto, observou-se que os sujeitos que tomaram tiveram também diarreia. Já os que tomaram dimenidrinato, o efeito colateral observado foi sedação (que ocorreu com frequência de 21%).

Resumindo: tomar um antagonista do receptor de serotonina pode ajudar a parar o vômito, permitindo que o sujeito se reidrate em casa, mas isso não garante que ele não terá que voltar ao consultório. Como os estudos revistos tinham altos riscos de viés e alguns dados importantes faltando, esta meta-análise não é conclusiva.

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