Analecto

6 de dezembro de 2019

Amor, medo e respeito.

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O texto abaixo é uma honesta aula filosófica baseada nos 100 aforismos sobre o amor e a morte, escrito por Friedrich Nietzsche, com sugestões de como as ideias contidas em tal escrito podem ser usadas para desenvolver o país e ajudar as pessoas a se compreenderem.

Amor, cobiça e ciúme.

A bem da verdade, o amor pode ocasionar sofrimento. Os espíritos mais orgulhosos não admitem que o amor lhes faz sofrer. Por orgulho, então, uma pessoa que sofre por amor não revela esse sofrimento. É vergonhoso admitir que se sofre por amor. Tome por exemplo o amor não correspondido e a inveja por outra pessoa estar com aquele que você deseja pra si próprio. Algumas pessoas lidam com esse sofrimento desqualificando o amor entre aquelas pessoas: “ah, não é amor, é só cobiça, desejo carnal, eles não se amam de verdade.” Isso torna o sofrimento mais tolerável e talvez até te dê a sensação de que o relacionamento entre os dois terminará em breve. É só chamar aquele amor de “cobiça”.

Amor e cobiça são sentimentos muito próximos. Parece que a grande diferença entre um e outro é que um é “bom” e o outro é “mau”. O problema é que muitos podem julgar “bom” e “mau” com base nas suas próprias ambições: é amor quando eu tenho a pessoa que eu quero, mas cobiça quando outro tem a pessoa que eu queria ter. Assim, quando você quer se relacionar, vê todo o mundo se relacionando por aí, exceto você, você diz que ninguém ama de verdade, que tudo é cobiça. Mas você nem se importaria com essa “proliferação de cobiça” se você tivesse um parceiro. Aí, quando você tem, é amor e tudo tá perfeito.

Diferentes pessoas lidam com tal frustração amorosa de diferentes jeitos, porém. Tome o exemplo da mulher que não consegue se relacionar: para lidar com o sofrimento causado pela inveja, ela pode inventar pra si a ilusão de que é melhor que aquelas que têm um homem pra si. É uma recalcada. Essa palavra, “ter”, é adequada, porque muitas pessoas, na medida em que seu amor comporta também ciúme, querem o amado só pra si mesmas. Não querem partilhá-lo com mais ninguém. É como se o amado fosse sua posse mais valiosa. Isso mostra que, embora queiramos que o amor, em seu estado mais puro, seja altruísta, um monte de sentimentos que nós chamamos apressadamente de “amor” são manifestações de egoísmo: você quer o outro, às vezes até sem se importar com o que o outro pensa disso. Isso não é amor.

O ciúme leva uma pessoa a querer toda a atenção do amado pra si. Se o amado divide sua atenção entre o amante e outra atividade, o amante ciumento odiará essa atividade, a menos que tal atividade seja sua profissão, caso no qual o conforto do casal depende da atividade. Por exemplo: suponhamos que o amado gosta de jogar futebol. Se for um joguinho de futebol no final de semana com os amigos, a mulher ciumenta odiará que ele jogue futebol (e poucas coisas são mais tormentosas que o ódio feminino). Já se ele fosse um jogador profissional, ela não reclamaria.

Ao amar, é importante que a pessoa não se dê a outra, como uma posse. Você, ao amar uma pessoa incondicionalmente, isto é, sem estabelecer os termos da relação, o que pode e o que não pode, você se torna um escravo do outro. É preciso estabelecer limites com os quais você possa concordar. Se sua mulher, por exemplo, não discute esses termos com você ou te propõe termos que você vê que são injustos, não aceite (apesar de que a mulher é geralmente enérgica em sua vingança). Tem outras mulheres por aí. Uma coisa é amor, outra é exploração. Não permita que seu amor por alguém seja usado como coleira pela pessoa que você ama. Isso é especialmente grave numa situação em que a pessoa sabe que você a ama, mas não te ama de volta. É esse tipo de pessoa que explora você.

Mas existe um amor sem mescla de ciúme? Um amor “de verdade”? Sim, mas, infelizmente, raramente reconhecemos esse sentimento como amor. É a amizade. A amizade não comporta ciúme. Por causa disso, é o único amor verdadeiro entre os homens.

O casamento, sua durabilidade e seus problemas.

Amor eterno é sobrehumano, porque toda paixão acaba. Isso não quer dizer que você não possa voltar a amar alguém que deixou de amar e apenas se aplica ao amor por uma pessoa específica (pois é possível um amor duradouro pela humanidade inteira). Então, um casamento pautado somente na paixão rui quando a paixão esfria. O casamento que almeja a instituição de um amor eterno entre as partes pode degenerar em hipocrisia. Logo, não tenha em mente que o amor durará pra sempre e que o casamento, por causa disso, também durará pra sempre. Ele pode se extendido, porém.

Os casamentos que duram mais tempo são aqueles nos quais uma pessoa tira proveito próprio da outra. Se um for útil ao outro, o casamento se conserva. Mas se só um precisa do outro, o casamento rui. Os maiores amores não nascem apenas do desejo sexual, mas do reconhecimento de que você não pode ser feliz sozinho. Tem algo faltando na sua vida e você precisa dessa coisa pra se completar. Se você sente que uma pessoa que você ama pode te prover algo que te falta, você a amará mais do que se você não visse nela também um meio de completar o que te falta.

O casamento geralmente é feito entre pessoas que gostam ou afirmam gostar uma da outra. Ora, quando você passa a dividir sua casa com alguém de quem você gosta, você acaba gostando menos dessa pessoa. O casamento tem o grave problema de trazer pra mesma casa duas pessoas. E depois talvez uma terceira, o filho. Se manter muito próximo de uma pessoa desgasta a relação. Não apenas a pessoa se sente sufocada, como também você enjoa dela. O casamento, então, torna-se mais difícil de manter com o passar do tempo. Já se o casamento for pautado na utilidade mútua, ele sobrevive ao fim da paixão, porque as duas partes precisam um do outro pra outras coisas além do amor.

Decepção amorosa.

Quando amamos, é mais difícil ver as coisas como elas são. A ideia romantizada que fazemos dos relacionamentos é uma grande fonte de decepção. Nunca se deve entrar num relacionamento pensando que basta você pra fazer o outro feliz. A felicidade é um estado muito pessoal e assumir que você pode tornar alguém feliz é presunção. Você pode ajudá-lo a ser feliz, mas não pode torná-lo feliz. Se você entra num relacionamento achando que bastará sua companhia pra que o outro seja uma pessoa radiantemente alegre, você se decepcionará. “O amor tudo pode!” Eis uma frase problemática…

Outra fonte de decepção amorosa é a imagem que um dos lados deseja manter. Pra poupar o parceiro da dor de encarar aquilo que a pessoa tem de ruim, o amante esconde, ou tenta esconder, todas as suas falhas. Por exemplo: suponhamos que você esteja namorando alguém bem-sucedido, tanto quanto você, ambos têm um negócio e um quer ver o outro feliz, mas você também tem um desejo sexual muito intenso. Você quer ser o melhor pra pessoa que você ama, então você tenta se reprimir quando vocês não têm tempo pra se relacionar. Quando o homem ou a mulher se dedicam a outras atividades, especialmente construtivas, às vezes até pelo bem dos próprios filhos (é o caso do casal em que ambos os sujeitos trabalham pro sustento da família), há menos tempo pro sexo. O desejo insatisfeito pode levar qualquer das partes a adulterar. Então, se uma das partes de um casal, ou as duas partes do casal, se dedicam a coisas construtivas, uma parte deve entender se a outra adultera ou, sei lá, vê pornografia às escondidas.

Mas o fato é que você montou uma imagem de parceiro perfeito. Quando sua falha é descoberta em um momento de fraqueza, é muito provável que a pessoa fique decepcionada com você. Tristemente, muitas pessoas tentam se transformar na ideia que o amado faz delas. Mas se você tem que mudar por amor, você já não está dizendo que a pessoa não te amaria do jeito que você é, ou que você não acredita quando seu amado diz que não quer que você mude por ele?

Muitas vezes, porém, tal criação de expectativa no parceiro é involuntária. O amor verdadeiro traz pra fora comportamentos que nos são excepcionais e não normais. Então, quando o amor começa a esfriar, também essas caracaterísticas começam a desaparecer. Você está menos disposto a ajudar e a se sacrificar, por exemplo, a passar tempo com aquela pessoa. De repente, seu amado passa a se perguntar o que te fez mudar. O amor te fez mudar. É porque o amor desapareceu que você voltou ao seu normal, como era antes de amar.

Amor, medo e respeito.

Existe uma diferença ligeira entre ser amado e ser respeitado. Quando você quer ser respeitado, é importante que o outro não te destrate. A forma mais fácil de fazer isso é causando medo. Ora, onde há amor não há temor. Se esse é o caso, uma pessoa que quer ser respeitada a todo custo precisa se tornar intratável, pra não ser amado. Porque, se ele não for amado, poderá ser temido, o que aumenta o respeito que outros têm por ele. Isso não quer dizer que os amantes não se respeitam, mas que geralmente se respeitam menos do que o empregado respeita seu chefe.

Em adição, o temor nos explica mais sobre o gênero humano do que o amor. Isso porque o amor nos distrai daquilo que o gênero humano (e também a natureza) tem de ruim, enquanto que o temor reconhece o que há de bom e de ruim no outro. Afinal, é importante conhecer aqueles que podem nos fazer mal, tanto pra nos defendermos deles quanto para tirar vantagem deles. O amor, nas humanidades, produz a arte, mas é o medo que produz a ciência.

Amor e a religião cristã.

A religião cristã tem uma relação interessante com o amor. O judaísmo nos deu uma religião pautada na força, na conquista. Mas a religião cristã, ao enfatizar o amor, se torna esteticamente atraente. Quem sente falta de amor ou quem considera o amor algo importante sempre acaba vendo valor nos evangelhos. Se Deus é amor e eu me sinto feliz na prática do amor, eu quererei amar até mesmo meus inimigos. Ou, pelo menos, tentar… Se todos amassem uns aos outros indiscriminadamente, a vida na Terra já não seria um paraíso?

No entanto, é interessante que a religião também diga que somos dignos de ódio, nós, humanos. Se assim é, se não merecemos ser amados, como é que eu vou amar o próximo como a mim mesmo? Porque eu me odeio na medida em que eu digo que sou digno de ódio. Quem diz isso com convicção, já se odeia. Como então? Se o amor ao próximo é limitado pelo amor próprio (eu tenho que amar o outro como a mim mesmo, nem mais, nem menos) e eu me considero uma criatura odiável, eu vou acabar me sentindo justificado por odiar todo o mundo.

Assim, quem odeia a si mesmo acaba se tornando perigoso. Convencer a pessoa a se amar é, portanto, uma responsabilidade humanitária. Ninguém pode amar outra pessoa se estiver ocupado sentindo ódio constante de si. É pelo amor de si que a pessoa descobre quem ela realmente é (o famoso “torna-te quem tu és”) e pelo amor ao próximo que ela se aperfeiçoa.

A hora da morte.

A morte é igual pra todos. Se assim é, não faz sentido que agreguemos ao valor de uma pessoa o julgamento de suas ações logo antes de morrer. Não tem importância se a pessoa aceita sorridente a morte ou se chora ao saber que sua vida está chegando ao fim. O que importa são suas ações em vida, particularmente aquelas que foram feitas quando seu corpo estava em melhor estado. Afinal, a pessoa poucas vezes se esforça em recordar como um ente querido morreu, mas lembra até sem querer das coisas que ele fez e ensinou. São suas ações em vida que farão as pessoas sentirem saudade de você… ou alívio por você ter morrido. A verdadeira diferença que faz uma pessoa só é sentida quando a pessoa não está mais por perto. Isso só acontece por causa das ações da pessoa e do impacto delas. Ora, as ações de um moribundo têm menos impacto. Os chamados “últimos momentos” são geralmente os que menos importam. Especialmente se a pessoa tiver deixado pra trás uma produção intelectual que será imortalizada.

Apesar disso, o momento da morte é um momento de muita comoção. Todo o mundo quer dizer algo ao moribundo, quando teve a vida inteira dele pra dizer essas coisas. Todo o mundo pensa que o cara que se vai aos oitenta anos viveu pouco. Você precisa aproveitar a companhia das pessoas que estão vivas enquanto você pode. Se você fica procrastinando, pode ser que depois seja tarde demais. A morte (ou o desaparecimento, a viagem sem volta ou qualquer coisa que signifique que você não verá mais aquela pessoa) é um fato. Se você tenta esquecer a morte a todo custo, se distrair dela, você esquece que as pessoas chegam ao fim. Se você esquece isso, você passa a pensar que sempre há tempo pra conversar, sair, jogar com aquela pessoa. Pensando assim, é mais fácil procrastinar. Aí, quando seu amigo morre, você pensa: “não fizemos metade das coisas que queríamos fazer.”

Eutanásia.

O suicida quase sempre age racionalmente. Ele avalia se morrer vale a pena, e só valeria a pena se a vida lhe trouxesse mais sofrimento do que prazer. O suicida racional acredita que morrer lhe deixará no lucro, se a vida não lhe dá mais-valia. Se você deriva da vida muito mais sofrimento do que prazer, a vida vale a pena? Se esse sofrimento estiver lhe matando lentamente, você morrerá de qualquer jeito. Então, se a pessoa dispor de meios de morrer sem dor pra evitar o prolongamento do sofrimento, será que ele não tem direito a isso? Tal raciocínio levou países estrangeiros a sancionar leis que permitem a eutanásia, que é um suicídio assistido. Um médico ou equipe de médicos mata o paciente que escolhe morrer, utilizando sempre meios indolores e suaves. Isso não acontece no Brasil, porém. Aqui, isso é ilegal.

Numa situação em que você sabe que a morte é inevitável, como o caso de uma doença mortal e incurável, não seria interessante agendar a hora e o dia em que você vai morrer e, antes da ocasião, se preparar adequadamente, chamando seus familiares, dando instruções, se despedindo, jogando uma última partida de RPG de mesa só pra terminar a campanha, escrevendo mensagens em um blog ou enviando mensagens aos amigos que você só conhece online? Porque, atualmente, uma pessoa que sabe que vai morrer é mantida viva a todo custo e não tem controle sobre quando morrerá. Aí toda a família é surpreendida e os amigos, especialmente os mais distantes, só sabem que você desapareceu. Se tem uma coisa pior que saber que um ente querido morreu é não saber o que aconteceu. Então tal planejamento não pode ser uma coisa ruim.

A razão da interdição à eutanásia é moral. Nossa moral tem muito de religião também. Na verdade, a moral ocidental é uma tentativa de forçar todos a agirem de forma mais ou menos cristã. Parece injusto com o ateu que deseja se suicidar. Se bem que o ateísmo é incompreensível pra muitos em primeiro lugar.

Recomendações.

O ciúme é um dos sentimentos mais baixos que o ser humano pode sentir. Parece até que nós não fomos feitos pra tolerá-lo. O ciúme arruína qualquer relação. Uma relação humana que estimula o ciúme, portanto, deveria ser evitada. Há várias pessoas no mundo, há muitas pessoas que você poderia amar. Por questões sanitárias (ou religiosas, caso você seja adepto de uma religião que não permite ter vários parceiros sexuais), porém, é melhor se relacionar sexualmente com apenas uma pessoa. Mas isso é diferente de amor. Há uma diferença entre amor e sexualidade, seja esse sexo por prazer ou por reprodução. Se o que você quer é amor, derive esse amor de todas as pessoas que estejam dispostas a dá-lo, especialmente na forma de amizade. Somente o sexo deve ser feito responsavelmente. Pondo as coisas dessa forma, uma relação sexual monogâmica deve ser sexual e nada mais. Sua violação não deveria ser vista como uma violação moral ou um ultraje, mas apenas como uma violação, no máximo, higiênica e sinal de que o parceiro é inseguro. Nesse caso, procure outro. Se tal relação tiver uma carga moral ou sentimental acima do que é merecido, haverá ciúme, medo e outros sentimentos que tornarão o relacionamento insuportável. Separar amor e sexo, o expurgo da sensação de posse do corpo do outro, a aceitação da procura e cessão de amor de todos e para todos, o aperfeiçoamento mútuo como objetivo comum entre os amantes, esses são os primeiros passos pra erradicação completa do ciúme na raça humana. A monogamia sexual deve ser vista exclusivamente como uma questão de saúde (uma preocupação reduzida pelos métodos preventidos já disponíveis) e nada mais, enquanto que a pluraridade afetiva, o amor de todos para todos, deveria ser encorajada.

Segue-se portanto que o casamento não tem razão de existir hoje. Em tempos de liberdade sexual, o casamento como compromisso eterno perde sua relevância. Tal relevância é ferida de morte com a facilidade com que divórcios são feitos. Pra que se casar? Ninguém pode te obrigar a se casar. Alguém pode se perguntar se uma monogamia exclusivamente sexual, como questão sanitária ou religiosa, justificaria a existência do casamento. Não justifica. O casamento tem várias cláusulas legais que não são necessárias a esse tipo de relação, cláusulas que não seriam cabíveis nem mesmo pra sexo casual com múltiplos parceiros, a menos que se esteja tentando decidir questões de custódia do filho. A certidão de casamento não tem razão de existir, mas a certidão de nascimento nunca perderá sua relevância. Alguém tem que cuidar do filho. E isso não justifica a existência do casamento mesmo como entidade legal? Também não, tanto porque o mundo é cheio de métodos contraceptivos como porque é possível ser pai sem estar casado com alguém. Não há necessidade de oficializar as coisas perante a corte, exceto naquilo que for necessário à regulação da custódia.

O problema da decepção amorosa pode ser facilmente resolvido adotando a visão de que podemos amar qualquer um e receber amor de qualquer um quanto também reduzindo nossas expectativas em relação à pessoa amada. É preciso parar de pensar que um casamento, ou mesmo um namoro, é uma experiência linda, maravilhosa, romântica, porque muitas vezes não é. É preciso olhar as coisas pragmaticamente. Se você entra em um relacionamento com grandes expectativas, você tem mais chances de ser frustrado. Se você entra com baixas expectativas, você tem mais chances de ter uma boa surpresa. Se seu parceiro te decepciona, procure outro. Há várias pessoas no mundo pra você amar.

Por último, aproveite ao máximo sua vida sem se preocupar tanto com a hora da morte. Se preocupar em excesso com isso te impedirá de aproveitar a vida e fazer algo construtivo com ela. Certifique-se de viver de um jeito que sua marca fique nas pessoas que você conheceu e que seu legado fique, porque as pessoas lembrarão de você por suas ações em vida.

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