Obrigar ou permitir?

Esses dias, a Alemanha igualou a licença paternidade e a licença maternidade. Agora, pais de filhos recém-nascidos serão dispensados do trabalho pelo mesmo tempo que as mães dos mesmos filhos. Eu considero isso muito positivo, pois as leis deveriam ser iguais entre os dois sexos. Além disso, muitos pais orgulhosos desejam passar tempo com os filhos que acabam de ter. Mas o Brasil 247, ao noticiar esse avanço, escreve que a medida foi feita pra “obrigar” os homens a cuidarem de seus filhos. “Obrigar”?

Você obriga alguém a algo quando essa pessoa não quer fazer esse algo. E não é o caso. Não é que pais não queiram cuidar de seus filhos recém-nascidos. É que a lei não permite. A licença paternidade no Brasil é de cinco dias, como bem apontou o mesmo 247. O pai de um recém-nascido não pode ficar nem uma semana inteira com o filho, porque, cinco dias após a concessão do benefício, ele já tem que voltar pra labuta. O mesmo ocorre com a aposentadoria: apesar de morrer cinco anos mais cedo que a mulher, o homem só pode se aposentar cinco anos depois dela. Igualdade seria igualar os dois tempos de aposentadoria. Não só isso: se a pessoa quiser justiça social, em vez de mera igualdade, o homem deveria se aposentar cinco anos antes da mulher, porque morre cinco anos mais cedo. Afinal, justiça social é oferecer vantagens a uma pessoa, desde que compensem suas desvantagens. É o caso das cotas pra estudantes negros em universidades, que existem porque negros são uma população historicamente marginalizada (uma desvantagem social, não física ou mental, mas uma desvantagem ainda assim).

As leis impedem os homens de passar tempo com suas famílias, criando a imagem de que o homem não quer passar esse tempo. Ouso dizer que a maioria quer, mas não pode. O homem não precisa ser “obrigado” a passar tempo com seus filhos. Ele precisa ser permitido a isso.

Publicado por Yure

Quando eu me formei, minha turma teve que fazer um juramento coletivo. Como minha religião não me permite jurar nem prometer, eu só mexi os lábios, mas resolvi viver com os objetivos do juramento em mente de qualquer forma.

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