Analecto

20 de março de 2020

Alma, espírito, consciência, inteligência…

Filed under: Livros, Passatempos — Tags: — Yurinho @ 14:10

O texto abaixo é uma honesta aula filosófica baseada em Alma, escrito por Voltaire, com sugestões de como as ideias contidas em tal escrito podem ser usadas para desenvolver o país e ajudar as pessoas a se compreenderem.

Definição de alma.

Na religião, alma é vida e a vida está no sangue. Como a filosofia tenta explicar as coisas sem recorrer à religião, essa ideia pode não satisfazer. O problema é que a filosofia é incapaz de dizer o que é alma e quais são suas propriedades. Naturalmente, como acontece com um bom número de entidades metafísicas. Diz o bom senso que a filosofia e a ciência não devem se pronunciar publicamente sobre o que não podem compreender ainda. Quando algo ainda não é compreendido, deve-se refletir sobre ele até que seja compreendido, não dar aula sobre isso. Então, tentemos refletir sobre o que é a alma, pra que a compreendamos racionalmente. Vamos lá: o que é a alma? Se tivermos que julgar pelo vocábulo, “alma” significa “aquilo que anima”, ou seja, vida. Muito bem, estamos chegando a algum lugar. Agora: ela é corpórea ou não? Agora, a coisa começa a complicar…

De um lado, existem matérias vivas e matérias mortas. Então, podemos argumentar que a vida é uma propriedade material, como a solidez ou a liquidez, presente em alguns, mas não todos os corpos. Mesmo na religião, isso pode encontrar amparo: Deus pode vivificar qualquer matéria e até fazê-la pensar e os pais da igreja sustentavam, com os judeus, que a alma é parte do corpo, de forma que a matéria poderia pensar. Uma alma material pode também ser imortal, já que é improvável que haja um dia em que a matéria venha a deixar de existir no universo (eu acho). Por outro lado, muitas pessoas afirmam ter visto e até conversado com entes queridos que morreram. Se essas pessoas estão vivas, mas seus corpos se decomporam, como pode a alma ser corpórea? Isso é um fenômeno tão comum, que a maioria das culturas primitivas acreditava na imortalidade da alma, inclusive os egípcios, chineses e caldeus.

Mas isso não era uma unanimidade: os primeiros judeus, que receberam a Lei de Moisés, não receberam nenhum ensinamento sobre vida eterna, porque Moisés nunca ensinou que a alma é imortal, tanto que todas as recompensas e punições, de Gênesis a Deuteronômio, pra observação dos mandamentos divinos eram materiais, com efeito imediato (fartura, saúde, vida longa, paz, entre outros). A questão não está fechada. Mas isso é o menor problema. O maior problema é que, tal como muitos outros problemas metafísicos, essa questão nunca fechará.

A alma é incognoscível pela razão. O único jeito de responder definitivamente questões anímicas é pela fé, não pela razão. Geralmente, apelamos pro sobrenatural quando não compreendemos o material. Isso acontece porque a razão precisa de informação sensorial pra trabalhar. Assim, se algo não passa pelos sentidos, não é possível raciocinar sobre aquilo (isso não quer dizer que a realidade é como parece ser, mas que os dados sensoriais são o ponto de partida). Isso torna absurdo atribuir a uma causa imaterial algo cuja causa já foi apontada na matéria, a menos que estejamos trabalhando com a fé.

Observe que isso não quer dizer que só existe aquilo que podemos ver, ouvir ou sentir, mas que, se a razão precisa de informação sensorial como ponto de partida pra suas reflexões, sendo que o ser humano só tem cinco sentidos limitados em alcance, segue-se que podem existir coisas imperceptíveis aos nossos sentidos e sobre as quais não é possível raciocinar. Se a alma não é perceptível pelos sentidos, isso não quer dizer que ela não exista, mas que ela precisaria, se existir, ser revelada. A partir do momento em que algo precisa ser revelado, saímos da razão e entramos na fé. Se Deus criou a alma e a alma é incognoscível ao homem, cabe a Deus revelá-la, se ele quiser. A razão é melhor empregada na filosofia (desde que lide com coisas que a razão pode alcançar) e na ciência.

Pra muitas coisas, a religião ainda é a melhor resposta. Como a religião se funda na fé e a ciência se funda na razão, sendo que fé e razão são de natureza diferente, segue-se que a ciência nunca será capaz de acabar com a religião. A filosofia ou a ciência nunca serão incômodos à religião. Isso é tão verdade que existem filósofos e cientistas que também são religiosos.

Se alma é vida, então constantemente vemos que a alma existe, já que a vida existe. Mas como se define isso? Como colocar “alma” ou “vida” em palavras? Esse tipo de problema é tão estressante quanto desnecessário. Muitas vezes, usamos palavras sem saber seu significado exato, por amor à praticidade. Mas, na filosofia, você só deve falar do que você conhece. Enquanto não houver uma definição fechada do que é a alma, a filosofia não pode trabalhar com esse conceito. Quando um problema metafísico chega a esse grau de selvageria, a ponto de ser uma discussão tão irritante quanto infrutífera, é melhor mesmo ficar com a religião. Afinal, de que serve essa discussão? Saber exatamente o que é a alma e quais suas propriedades não vai resolver o problema da fome no Nordeste. Por causa disso, a maioria da população mundial não acha a discussão sobre a alma relevante. Saber o que é a alma provavelmente não resolverá nenhum problema.e um quarto, mesmo se engajando em tal discussão, é incapaz de concluí-la.

Parece que nenhum povo é capaz de compreender a alma. Como o nosso povo estaria melhor equipado pra isso? Alguém pode dizer: “temos ciência, que torna acessível até às crianças o que antes era segredo dos sábios, e isso é uma vantagem.” Neste caso, não é, porque a ciência só pode ser feita onde há espaço pra experiência e pra matematização. Não se pode colocar a alma em laboratório e nem formular regras gerais de regularidade sobre ela. É preciso ter a modéstia de dizer quando uma questão supera suas forças de resposta. Algo precisa ser material ou, pelo menos, afetar a matéria pra que seja congnoscível. Logo, não é possível se pronunciar com segurança sobre a alma.

Alma, espírito, consciência, inteligência…

A situação fica ainda mais estranha quando se considera o “espírito”, a soma das faculdades mentais da pessoa, nosso “eu”, que comanda o corpo. A ideia de espírito vem do fato de que o pensamento é imaterial, mas se origina em nós, dando a entender que temos uma parte que é imaterial. Dizem que tal espírito, particularmente o pensamento, é a essência do homem. Isso é estranho: quer dizer que o homem deixa de ser homem quando para de pensar? Se assim é, deixamos de ser homens ao dormir e voltamos a sê-lo ao acordar. Some-se a isso o fato de que não sabemos exatamente o que é o pensamento e teremos ainda mais dificuldades. Além disso, se o espírito comanda o corpo e o espírito é o “eu”, como se explica que existem órgãos que funcionam sem meu controle?

Os animais pensam? Certamente são capazes de aprender, se aperfeiçoar e se adaptar ao ambiente em que estão. Pra isso, é preciso pensar. Eles também são capazes de sentimentos e emoções, às quais reagem. Inclusive, muitas emoções humanas também são sentidas pelos animais. Além disso, estão vivos. Então, eles têm alma e espírito? Se pensa, tem espírito. E o mesmo conjunto de questões que se referem aos homens se referem aos outros animais: a alma (ou espírito) é material, imaterial, mortal, imortal? Por que pensamos que o animal, coitado, não tem alma? Só pode ser por orgulho. Além disso, se só tem alma aquilo que “raciocina”, a criança pequena não teria alma também!

Além disso, qual é a relação entre espírito e alma? Se originam do mesmo princípio? Vêm do mesmo lugar? Somos uma substância pensante que habita a matéria, da qual nos servimos, ou somos uma matéria que pensa? Tentando resolver um problema desses, Platão chegou a afirmar que o homem tem três almas: vegetativa (vida), irascível (emoções) e intelectual (pensamento). Assim, há uma alma que mantém a vida, uma que provoca emoções e outra que pensa, todas imortais e imateriais. Olha como ele complica as coisas. Será que faz sentido dizer que cada homem tem três almas? Ele pode provar a imaterialidade, principalmente da alma vegetativa? Não obstante, se alma é vida, a inteligência ou consciência deve ser um princípio separado, talvez dependente da alma (“talvez” porque alguns admitem que o espírito, a consciência, a personalidade sobrevivem à morte, não dependendo, portanto, da vida pra existir). Alguém pode dizer: “ah, alma e espírito são a mesma coisa!”. Muito bem, mas você tem uma definição fechada de espírito? Definições circulares não valem. Ninguém realmente sabe.

Requisitos de sistema.

Suponhamos que a alma dependa de um cérebro, uma criança sem cérebro venha ao mundo. Se admitirmos que espírito acompanha a alma (ou com ela se identifica), a criança tem alma, ou espírito, tendo nascido sem cérebro? Quais os requisitos pra que se tenha alma? A alma é comum a todos os seres humanos, inclusive aos que não pensam? Se for, basta estar vivo pra ter alma e, com isso, alma nada tem a ver com espírito (consciência, personalidade).

Mas surge outro problema: se a alma, ou o espírito, é imortal, a criança sem cérebro estará no paraíso depois da morte? Alguém pode argumentar que uma pessoa sem cérebro não pode estar viva. Muito bem, mas seus órgãos vitais funcionam: o coração bate, há movimento peristáltico e a pessoa pode absorver nutrientes se lhes forem injetados. Se alma é o mesmo que vida, a criança está viva e tem alma. Além disso, ainda supondo que a alma dependa de um cérebro, o que provavelmente implica uma identificação de alma e espírito, como podem pessoas de cérebro igual terem capacidades mentais tão diversas? Será que almas diferem entre si, por isso pessoas de cérebro igual têm níveis diferentes de inteligência (a ponto de a distância entre elas ser maior que a distância entre homem e animal)? Em todo caso, morreremos antes de ter essas respostas, provavelmente.

Não há nenhuma diferença entre o cérebro do Einstein e o seu. No entanto, o Einstein revolucionou a física e você tá sentado aí, lendo esta papagaiada. Podia ser pior: pelo menos você não tá lá, no Corona Fest, onde várias pessoas com o cérebro tão bom quanto o do Einstein se reúnem pra desperdiçar tamanha concessão divina. Se Deus nada faz sem propósito, então qualquer animal que tenha um cérebro o recebeu pra usá-lo, não pra repetir que o coronavírus nunca matou e nem matará ninguém.

A religião, o estado e a imortalidade da alma.

Se você é fiel a Deus, não precisa temer a morte, porque, se a religião afirma que a alma é imortal (ou que haverá uma ressurreição dos mortos) e que a sua pós-vida é condicionada pelas boas ações coletadas em vida, tudo vai bem. Você será recompensado depois da morte, então fique tranquilo. Porém, se você acredita que a vida acaba na morte, porque a imortalidade da alma é questionável, e não há nada depois dela, não há nenhuma forcinha pra você andar dentro da lei, inclusive das leis do estado democrático de direito.

Do ponto de vista da pessoa que morre, a experiência é igual a de pegar no sono ou desmaiar. É, pelo menos, o fim do sofrimento. Num país que aplica a pena de morte, matar um sujeito que vê a morte apenas como o fim da sensação não é realmente uma “pena“, porque a morte seria algo positivo pra essa pessoa. Grande coisa morrer! Dessa forma, cometer suicídio é a fuga perfeita após cometer um crime grave. Observe que o mesmo é válido pra denominações cristãs que afirmam que a fé basta pra salvar, como é o caso do protestantismo tradicional (sola fide). Pra essas pessoas, a fé, sem as obras, basta pra salvar. Se assim é, morrer marca a ida da pessoa pro paraíso, onde será recompensada por sua fé, mesmo que tenha cometido os piores crimes em vida. Assim, enquanto que a morte é o fim do ateu, ela é só o começo da festa do evangélico e do terrorista fanático.

Isso mostra como as crenças que temos em relação à morte podem ajudar a pessoa a se manter obediente à lei (parece que todo crime é pecado, embora nem todos os pecados sejam crimes) ou mesmo encorajá-la a quebrá-la. Se você se perguntava como os Estados Unidos podem ser uma nação tão perversa, aí está sua resposta: é um país de maioria protestante. Isso é especialmente verdade quando se fala de neopentecostais, os quais cultivam a ignorância dos fiéis. Você não pode questionar a igreja deles. Impedir a liberdade de pensamento engendra ignorância e o movimento neopentecostal parece que é uma escola que te ensina a não pensar e que só estimula sua imaginação pra te tornar mais receptivo às mais absurdas mentiras. Observe que muitos protestantes são boas pessoas com ideias de valor, então não pense que todos os evangélicos estão errados em tudo só porque existem pastores explorando a ignorância dos fiéis. Seria um salto enorme e provavelmente intolerância religiosa.

A liberdade de pensamento.

Voltando ao assunto, nações onde há mais liberdade de pensamento são mais cultas. O que suscita uma discussão culta em uma nação pode suscitar a violência em outra. Mesmo entre pessoas que se ajudaram ainda ontem. Isso só é possível porque alguém em posição de poder crê estar sempre certo e não admite provas do contrário. Esse é um sinal de falta de tolerância, algo que afasta os homens uns dos outros, mas não é o único sinal: em tempos onde ninguém admite o outro que pensa diferente, uma pessoa pode perder o emprego por ter ofendido outra, mesmo que tenha falado a verdade. É também o tempo em que não se combate uma ideia com argumentos, mas com risos, violência e táticas de envergonhamento. É que a pessoa não tem como defender suas ideias, então tenta fazer você deixar de professar as suas próprias estimulando o medo ou a vergonha de dizer o que você pensa.

Isso é péssimo pra sociedade, porque silencia também boas ideias no processo de censurar ideias “más” (isto é, ideias que discordem das ideias dominantes). Se a sociedade for tolerante às opiniões divergentes, contudo, teremos avanços na filosofia, na ciência, no comportamento humano e na política, porque haverá plataforma pras ideias boas, mas também impopulares. Isso permite a mudança pra melhor. Se a tolerância permite a mudança e a intolerância permite a manutenção do estado presente, segue-se que qualquer intolerância, mesmo quando vem da esquerda, é conservadora por natureza.

Se é a ignorância que prejudica a república, ao passo que a liberdade de pensamento e expressão a aprimora (porque tais liberdades estimulam a tolerância, a cooperação e a saudável competição entre ideias), segue-se que o religioso fanático e o político cego por sua ideologia são os verdadeiros venenos que ameaçam a república, enquanto que a filosofia e a ciência são o antídoto. Especialmente venenoso é o sujeito que combina as duas coisas, misturando religião e política, tentando transformar em política pública suas convicções pessoais. Isso não deveria acontecer, por exemplo, entre pessoas de diferentes religiões abraâmicas: se o Deus é o mesmo, por que não tratamos uns aos outros como irmãos, filhos do mesmo pai celestial? O ideal é que cada um pense como quiser. Isso não quer dizer que a pessoa tenha que ser eximida de responder por seus atos e pelas consequências desses atos.

Recomendações.

Como todo ente metafísico, a alma é uma coisa que não podemos experimentar sensorialmente e da qual não se extraem leis absolutas. A alma não pode, também, ser expressa matematicamente. Então, discutir sobre a alma implica especulação, se a discutirmos pela metafísica. No entanto, a religião tem suas verdades sobre a alma. Se a metafísica e a religião debatem o mesmo tópico, a religião, ao menos, já tem uma resposta.

Pela razão, não é possível saber ao certo as propriedades da alma, de onde ela vem, de que é feita nem pra onde ela vai depois que o corpo perece. Por causa disso, a discussão racional sobre é alma nunca será fechada. Além do mais, precisamos reconhecer que discussões como essas não resolvem nenhum problema do homem. Saber o que é a alma e quais são suas propriedades não curará nenhuma doença, não erradicará a fome, não proporcionará a paz mundial e nem irá gerar empregos. Se este é um problema metafísico e, portanto, especulativo, mas também provavelmente inútil, é melhor ficar com o que a religião diz e empregar a razão em outras coisas.

6 de dezembro de 2019

Amor, medo e respeito.

Filed under: Livros, Notícias e política, Passatempos, Saúde e bem-estar — Tags:, , — Yurinho @ 15:13

O texto abaixo é uma honesta aula filosófica baseada nos 100 aforismos sobre o amor e a morte, escrito por Friedrich Nietzsche, com sugestões de como as ideias contidas em tal escrito podem ser usadas para desenvolver o país e ajudar as pessoas a se compreenderem.

Amor, cobiça e ciúme.

A bem da verdade, o amor pode ocasionar sofrimento. Os espíritos mais orgulhosos não admitem que o amor lhes faz sofrer. Por orgulho, então, uma pessoa que sofre por amor não revela esse sofrimento. É vergonhoso admitir que se sofre por amor. Tome por exemplo o amor não correspondido e a inveja por outra pessoa estar com aquele que você deseja pra si próprio. Algumas pessoas lidam com esse sofrimento desqualificando o amor entre aquelas pessoas: “ah, não é amor, é só cobiça, desejo carnal, eles não se amam de verdade.” Isso torna o sofrimento mais tolerável e talvez até te dê a sensação de que o relacionamento entre os dois terminará em breve. É só chamar aquele amor de “cobiça”.

Amor e cobiça são sentimentos muito próximos. Parece que a grande diferença entre um e outro é que um é “bom” e o outro é “mau”. O problema é que muitos podem julgar “bom” e “mau” com base nas suas próprias ambições: é amor quando eu tenho a pessoa que eu quero, mas cobiça quando outro tem a pessoa que eu queria ter. Assim, quando você quer se relacionar, vê todo o mundo se relacionando por aí, exceto você, você diz que ninguém ama de verdade, que tudo é cobiça. Mas você nem se importaria com essa “proliferação de cobiça” se você tivesse um parceiro. Aí, quando você tem, é amor e tudo tá perfeito.

Diferentes pessoas lidam com tal frustração amorosa de diferentes jeitos, porém. Tome o exemplo da mulher que não consegue se relacionar: para lidar com o sofrimento causado pela inveja, ela pode inventar pra si a ilusão de que é melhor que aquelas que têm um homem pra si. É uma recalcada. Essa palavra, “ter”, é adequada, porque muitas pessoas, na medida em que seu amor comporta também ciúme, querem o amado só pra si mesmas. Não querem partilhá-lo com mais ninguém. É como se o amado fosse sua posse mais valiosa. Isso mostra que, embora queiramos que o amor, em seu estado mais puro, seja altruísta, um monte de sentimentos que nós chamamos apressadamente de “amor” são manifestações de egoísmo: você quer o outro, às vezes até sem se importar com o que o outro pensa disso. Isso não é amor.

O ciúme leva uma pessoa a querer toda a atenção do amado pra si. Se o amado divide sua atenção entre o amante e outra atividade, o amante ciumento odiará essa atividade, a menos que tal atividade seja sua profissão, caso no qual o conforto do casal depende da atividade. Por exemplo: suponhamos que o amado gosta de jogar futebol. Se for um joguinho de futebol no final de semana com os amigos, a mulher ciumenta odiará que ele jogue futebol (e poucas coisas são mais tormentosas que o ódio feminino). Já se ele fosse um jogador profissional, ela não reclamaria.

Ao amar, é importante que a pessoa não se dê a outra, como uma posse. Você, ao amar uma pessoa incondicionalmente, isto é, sem estabelecer os termos da relação, o que pode e o que não pode, você se torna um escravo do outro. É preciso estabelecer limites com os quais você possa concordar. Se sua mulher, por exemplo, não discute esses termos com você ou te propõe termos que você vê que são injustos, não aceite (apesar de que a mulher é geralmente enérgica em sua vingança). Tem outras mulheres por aí. Uma coisa é amor, outra é exploração. Não permita que seu amor por alguém seja usado como coleira pela pessoa que você ama. Isso é especialmente grave numa situação em que a pessoa sabe que você a ama, mas não te ama de volta. É esse tipo de pessoa que explora você.

Mas existe um amor sem mescla de ciúme? Um amor “de verdade”? Sim, mas, infelizmente, raramente reconhecemos esse sentimento como amor. É a amizade. A amizade não comporta ciúme. Por causa disso, é o único amor verdadeiro entre os homens.

O casamento, sua durabilidade e seus problemas.

Amor eterno é sobrehumano, porque toda paixão acaba. Isso não quer dizer que você não possa voltar a amar alguém que deixou de amar e apenas se aplica ao amor por uma pessoa específica (pois é possível um amor duradouro pela humanidade inteira). Então, um casamento pautado somente na paixão rui quando a paixão esfria. O casamento que almeja a instituição de um amor eterno entre as partes pode degenerar em hipocrisia. Logo, não tenha em mente que o amor durará pra sempre e que o casamento, por causa disso, também durará pra sempre. Ele pode se extendido, porém.

Os casamentos que duram mais tempo são aqueles nos quais uma pessoa tira proveito próprio da outra. Se um for útil ao outro, o casamento se conserva. Mas se só um precisa do outro, o casamento rui. Os maiores amores não nascem apenas do desejo sexual, mas do reconhecimento de que você não pode ser feliz sozinho. Tem algo faltando na sua vida e você precisa dessa coisa pra se completar. Se você sente que uma pessoa que você ama pode te prover algo que te falta, você a amará mais do que se você não visse nela também um meio de completar o que te falta.

O casamento geralmente é feito entre pessoas que gostam ou afirmam gostar uma da outra. Ora, quando você passa a dividir sua casa com alguém de quem você gosta, você acaba gostando menos dessa pessoa. O casamento tem o grave problema de trazer pra mesma casa duas pessoas. E depois talvez uma terceira, o filho. Se manter muito próximo de uma pessoa desgasta a relação. Não apenas a pessoa se sente sufocada, como também você enjoa dela. O casamento, então, torna-se mais difícil de manter com o passar do tempo. Já se o casamento for pautado na utilidade mútua, ele sobrevive ao fim da paixão, porque as duas partes precisam um do outro pra outras coisas além do amor.

Decepção amorosa.

Quando amamos, é mais difícil ver as coisas como elas são. A ideia romantizada que fazemos dos relacionamentos é uma grande fonte de decepção. Nunca se deve entrar num relacionamento pensando que basta você pra fazer o outro feliz. A felicidade é um estado muito pessoal e assumir que você pode tornar alguém feliz é presunção. Você pode ajudá-lo a ser feliz, mas não pode torná-lo feliz. Se você entra num relacionamento achando que bastará sua companhia pra que o outro seja uma pessoa radiantemente alegre, você se decepcionará. “O amor tudo pode!” Eis uma frase problemática…

Outra fonte de decepção amorosa é a imagem que um dos lados deseja manter. Pra poupar o parceiro da dor de encarar aquilo que a pessoa tem de ruim, o amante esconde, ou tenta esconder, todas as suas falhas. Por exemplo: suponhamos que você esteja namorando alguém bem-sucedido, tanto quanto você, ambos têm um negócio e um quer ver o outro feliz, mas você também tem um desejo sexual muito intenso. Você quer ser o melhor pra pessoa que você ama, então você tenta se reprimir quando vocês não têm tempo pra se relacionar. Quando o homem ou a mulher se dedicam a outras atividades, especialmente construtivas, às vezes até pelo bem dos próprios filhos (é o caso do casal em que ambos os sujeitos trabalham pro sustento da família), há menos tempo pro sexo. O desejo insatisfeito pode levar qualquer das partes a adulterar. Então, se uma das partes de um casal, ou as duas partes do casal, se dedicam a coisas construtivas, uma parte deve entender se a outra adultera ou, sei lá, vê pornografia às escondidas.

Mas o fato é que você montou uma imagem de parceiro perfeito. Quando sua falha é descoberta em um momento de fraqueza, é muito provável que a pessoa fique decepcionada com você. Tristemente, muitas pessoas tentam se transformar na ideia que o amado faz delas. Mas se você tem que mudar por amor, você já não está dizendo que a pessoa não te amaria do jeito que você é, ou que você não acredita quando seu amado diz que não quer que você mude por ele?

Muitas vezes, porém, tal criação de expectativa no parceiro é involuntária. O amor verdadeiro traz pra fora comportamentos que nos são excepcionais e não normais. Então, quando o amor começa a esfriar, também essas caracaterísticas começam a desaparecer. Você está menos disposto a ajudar e a se sacrificar, por exemplo, a passar tempo com aquela pessoa. De repente, seu amado passa a se perguntar o que te fez mudar. O amor te fez mudar. É porque o amor desapareceu que você voltou ao seu normal, como era antes de amar.

Amor, medo e respeito.

Existe uma diferença ligeira entre ser amado e ser respeitado. Quando você quer ser respeitado, é importante que o outro não te destrate. A forma mais fácil de fazer isso é causando medo. Ora, onde há amor não há temor. Se esse é o caso, uma pessoa que quer ser respeitada a todo custo precisa se tornar intratável, pra não ser amado. Porque, se ele não for amado, poderá ser temido, o que aumenta o respeito que outros têm por ele. Isso não quer dizer que os amantes não se respeitam, mas que geralmente se respeitam menos do que o empregado respeita seu chefe.

Em adição, o temor nos explica mais sobre o gênero humano do que o amor. Isso porque o amor nos distrai daquilo que o gênero humano (e também a natureza) tem de ruim, enquanto que o temor reconhece o que há de bom e de ruim no outro. Afinal, é importante conhecer aqueles que podem nos fazer mal, tanto pra nos defendermos deles quanto para tirar vantagem deles. O amor, nas humanidades, produz a arte, mas é o medo que produz a ciência.

Amor e a religião cristã.

A religião cristã tem uma relação interessante com o amor. O judaísmo nos deu uma religião pautada na força, na conquista. Mas a religião cristã, ao enfatizar o amor, se torna esteticamente atraente. Quem sente falta de amor ou quem considera o amor algo importante sempre acaba vendo valor nos evangelhos. Se Deus é amor e eu me sinto feliz na prática do amor, eu quererei amar até mesmo meus inimigos. Ou, pelo menos, tentar… Se todos amassem uns aos outros indiscriminadamente, a vida na Terra já não seria um paraíso?

No entanto, é interessante que a religião também diga que somos dignos de ódio, nós, humanos. Se assim é, se não merecemos ser amados, como é que eu vou amar o próximo como a mim mesmo? Porque eu me odeio na medida em que eu digo que sou digno de ódio. Quem diz isso com convicção, já se odeia. Como então? Se o amor ao próximo é limitado pelo amor próprio (eu tenho que amar o outro como a mim mesmo, nem mais, nem menos) e eu me considero uma criatura odiável, eu vou acabar me sentindo justificado por odiar todo o mundo.

Assim, quem odeia a si mesmo acaba se tornando perigoso. Convencer a pessoa a se amar é, portanto, uma responsabilidade humanitária. Ninguém pode amar outra pessoa se estiver ocupado sentindo ódio constante de si. É pelo amor de si que a pessoa descobre quem ela realmente é (o famoso “torna-te quem tu és”) e pelo amor ao próximo que ela se aperfeiçoa.

A hora da morte.

A morte é igual pra todos. Se assim é, não faz sentido que agreguemos ao valor de uma pessoa o julgamento de suas ações logo antes de morrer. Não tem importância se a pessoa aceita sorridente a morte ou se chora ao saber que sua vida está chegando ao fim. O que importa são suas ações em vida, particularmente aquelas que foram feitas quando seu corpo estava em melhor estado. Afinal, a pessoa poucas vezes se esforça em recordar como um ente querido morreu, mas lembra até sem querer das coisas que ele fez e ensinou. São suas ações em vida que farão as pessoas sentirem saudade de você… ou alívio por você ter morrido. A verdadeira diferença que faz uma pessoa só é sentida quando a pessoa não está mais por perto. Isso só acontece por causa das ações da pessoa e do impacto delas. Ora, as ações de um moribundo têm menos impacto. Os chamados “últimos momentos” são geralmente os que menos importam. Especialmente se a pessoa tiver deixado pra trás uma produção intelectual que será imortalizada.

Apesar disso, o momento da morte é um momento de muita comoção. Todo o mundo quer dizer algo ao moribundo, quando teve a vida inteira dele pra dizer essas coisas. Todo o mundo pensa que o cara que se vai aos oitenta anos viveu pouco. Você precisa aproveitar a companhia das pessoas que estão vivas enquanto você pode. Se você fica procrastinando, pode ser que depois seja tarde demais. A morte (ou o desaparecimento, a viagem sem volta ou qualquer coisa que signifique que você não verá mais aquela pessoa) é um fato. Se você tenta esquecer a morte a todo custo, se distrair dela, você esquece que as pessoas chegam ao fim. Se você esquece isso, você passa a pensar que sempre há tempo pra conversar, sair, jogar com aquela pessoa. Pensando assim, é mais fácil procrastinar. Aí, quando seu amigo morre, você pensa: “não fizemos metade das coisas que queríamos fazer.”

Eutanásia.

O suicida quase sempre age racionalmente. Ele avalia se morrer vale a pena, e só valeria a pena se a vida lhe trouxesse mais sofrimento do que prazer. O suicida racional acredita que morrer lhe deixará no lucro, se a vida não lhe dá mais-valia. Se você deriva da vida muito mais sofrimento do que prazer, a vida vale a pena? Se esse sofrimento estiver lhe matando lentamente, você morrerá de qualquer jeito. Então, se a pessoa dispor de meios de morrer sem dor pra evitar o prolongamento do sofrimento, será que ele não tem direito a isso? Tal raciocínio levou países estrangeiros a sancionar leis que permitem a eutanásia, que é um suicídio assistido. Um médico ou equipe de médicos mata o paciente que escolhe morrer, utilizando sempre meios indolores e suaves. Isso não acontece no Brasil, porém. Aqui, isso é ilegal.

Numa situação em que você sabe que a morte é inevitável, como o caso de uma doença mortal e incurável, não seria interessante agendar a hora e o dia em que você vai morrer e, antes da ocasião, se preparar adequadamente, chamando seus familiares, dando instruções, se despedindo, jogando uma última partida de RPG de mesa só pra terminar a campanha, escrevendo mensagens em um blog ou enviando mensagens aos amigos que você só conhece online? Porque, atualmente, uma pessoa que sabe que vai morrer é mantida viva a todo custo e não tem controle sobre quando morrerá. Aí toda a família é surpreendida e os amigos, especialmente os mais distantes, só sabem que você desapareceu. Se tem uma coisa pior que saber que um ente querido morreu é não saber o que aconteceu. Então tal planejamento não pode ser uma coisa ruim.

A razão da interdição à eutanásia é moral. Nossa moral tem muito de religião também. Na verdade, a moral ocidental é uma tentativa de forçar todos a agirem de forma mais ou menos cristã. Parece injusto com o ateu que deseja se suicidar. Se bem que o ateísmo é incompreensível pra muitos em primeiro lugar.

Recomendações.

O ciúme é um dos sentimentos mais baixos que o ser humano pode sentir. Parece até que nós não fomos feitos pra tolerá-lo. O ciúme arruína qualquer relação. Uma relação humana que estimula o ciúme, portanto, deveria ser evitada. Há várias pessoas no mundo, há muitas pessoas que você poderia amar. Por questões sanitárias (ou religiosas, caso você seja adepto de uma religião que não permite ter vários parceiros sexuais), porém, é melhor se relacionar sexualmente com apenas uma pessoa. Mas isso é diferente de amor. Há uma diferença entre amor e sexualidade, seja esse sexo por prazer ou por reprodução. Se o que você quer é amor, derive esse amor de todas as pessoas que estejam dispostas a dá-lo, especialmente na forma de amizade. Somente o sexo deve ser feito responsavelmente. Pondo as coisas dessa forma, uma relação sexual monogâmica deve ser sexual e nada mais. Sua violação não deveria ser vista como uma violação moral ou um ultraje, mas apenas como uma violação, no máximo, higiênica e sinal de que o parceiro é inseguro. Nesse caso, procure outro. Se tal relação tiver uma carga moral ou sentimental acima do que é merecido, haverá ciúme, medo e outros sentimentos que tornarão o relacionamento insuportável. Separar amor e sexo, o expurgo da sensação de posse do corpo do outro, a aceitação da procura e cessão de amor de todos e para todos, o aperfeiçoamento mútuo como objetivo comum entre os amantes, esses são os primeiros passos pra erradicação completa do ciúme na raça humana. A monogamia sexual deve ser vista exclusivamente como uma questão de saúde (uma preocupação reduzida pelos métodos preventidos já disponíveis) e nada mais, enquanto que a pluraridade afetiva, o amor de todos para todos, deveria ser encorajada.

Segue-se portanto que o casamento não tem razão de existir hoje. Em tempos de liberdade sexual, o casamento como compromisso eterno perde sua relevância. Tal relevância é ferida de morte com a facilidade com que divórcios são feitos. Pra que se casar? Ninguém pode te obrigar a se casar. Alguém pode se perguntar se uma monogamia exclusivamente sexual, como questão sanitária ou religiosa, justificaria a existência do casamento. Não justifica. O casamento tem várias cláusulas legais que não são necessárias a esse tipo de relação, cláusulas que não seriam cabíveis nem mesmo pra sexo casual com múltiplos parceiros, a menos que se esteja tentando decidir questões de custódia do filho. A certidão de casamento não tem razão de existir, mas a certidão de nascimento nunca perderá sua relevância. Alguém tem que cuidar do filho. E isso não justifica a existência do casamento mesmo como entidade legal? Também não, tanto porque o mundo é cheio de métodos contraceptivos como porque é possível ser pai sem estar casado com alguém. Não há necessidade de oficializar as coisas perante a corte, exceto naquilo que for necessário à regulação da custódia.

O problema da decepção amorosa pode ser facilmente resolvido adotando a visão de que podemos amar qualquer um e receber amor de qualquer um quanto também reduzindo nossas expectativas em relação à pessoa amada. É preciso parar de pensar que um casamento, ou mesmo um namoro, é uma experiência linda, maravilhosa, romântica, porque muitas vezes não é. É preciso olhar as coisas pragmaticamente. Se você entra em um relacionamento com grandes expectativas, você tem mais chances de ser frustrado. Se você entra com baixas expectativas, você tem mais chances de ter uma boa surpresa. Se seu parceiro te decepciona, procure outro. Há várias pessoas no mundo pra você amar.

Por último, aproveite ao máximo sua vida sem se preocupar tanto com a hora da morte. Se preocupar em excesso com isso te impedirá de aproveitar a vida e fazer algo construtivo com ela. Certifique-se de viver de um jeito que sua marca fique nas pessoas que você conheceu e que seu legado fique, porque as pessoas lembrarão de você por suas ações em vida.

8 de setembro de 2019

The size of the task.

Filed under: Livros, Passatempos — Tags:, , , — Yurinho @ 15:29

As I said, I am abandoning the annotation format and converting annotations already published into proper texts. The size of the task is this: 122 entries to be modified and 122 to be deleted. While I complete this task, I do not intend to post anything new. At most, you will notice the number of published entries decreasing and the content of some being gradually (or even suddenly) modified. So if it looks like I’m too quiet, I’m actually just doing this maintenance. If you want to talk to me, there’s a contact form on the sidebar. Or you can comment on this entry and I will reply when I see it. I apologize to the six or seven frequent readers of this site! I will be as quick as possible.

O tamanho da tarefa.

Filed under: Computadores e Internet, Passatempos — Tags:, , — Yurinho @ 15:25

Como eu disse, estou abandonando o formato de anotação e convertendo as anotações já publicados em textos propriamente ditos. O tamanho da tarefa é este: 122 entradas a ser modificadas e 122 a ser apagadas. Enquanto eu termino esta tarefa, eu não pretendo postar nada novo. No máximo, você perceberá o número de entradas publicadas diminuindo e o conteúdo de algumas sendo gradualmente modificado (ou até subitamente). Então, se parece que eu estou silencioso demais, o que acontece é que eu estou apenas fazendo essa manutenção. Se você quiser conversar comigo, tem um formulário de contato aí, do lado. Ou você pode comentar nesta entrada mesmo e eu respondo quando ver. Peço desculpas aos seis ou sete leitores assíduos deste sítio! Serei o mais rápido possível.

7 de setembro de 2019

Cansaço (e Skyler7).

Filed under: Computadores e Internet, Livros, Passatempos — Tags:, — Yurinho @ 11:10

Sabe, ontem, eu estava pensando na cama sobre este sítio na Internet e sobre o uso que venho fazendo dele. Eu não gosto mais de falar da minha vida pessoal por aqui, e não tem nada que eu possa dizer sobre o cenário político que outros já não tenham dito. Só o que eu posso fazer com alguma satisfação é a publicação de anotações sobre o que leio. Isso até ontem: estou perdendo a vontade de publicar anotações. A razão pra isso é muito simples: elas são bem feias e não dá gosto de lê-las.

Foi uma péssima ideia de design eu escolher o formato de anotações pra comentar livros, páginas online e artigos científicos. Eu deveria ter escolhido o formato de resenha. Profundamente me arrependo de não ter feito isso. Cinco anos após ter começado, fazendo anotações sobre a Metafísica de Aristóteles, eu começo a ver que foi uma decisão pobre. Quando eu terminar minha leitura e anotações de Male Intergenerational Intimacy, eu vou ver o que eu posso fazer a respeito disso. Eu pensei em transformar as anotações publicadas em resenhas, bastando que eu as reescrevesse. Eu poderia inclusive dedicar meu tempo a isso, a reformar todas as anotações que eu tenho para o formato de resenha. Criar textos de verdade, sabe? Não informações soltas. Até porque resenhas atraem acessos: resenhas são ótimos meios de conhecer uma obra e avaliar se você quer ou não lê-la.

Então, quando eu acabar de ler Male Intergenerational Intimacy, eu começarei a transformar anotações em resenhas. Mas aí eu esbarro noutro problema, que é a linguagem. Depois de fazer cada resenha, eu teria que traduzi-las pro inglês? Logo eu estarei trabalhando e não terei tempo de fazer isso. Então, embora eu não goste muito de fazer isso, eu preciso escolher um idioma para cada resenha, em vez de publicar a resenha em dois idiomas. Eu pensei no seguinte: a resenha será escrita no idioma da obra que eu li. Assim, se eu li um livro em português, também a resenha será em português. Se o livro foi escrito em inglês, também a resenha será em inglês.

Isso casa bem com o fato de que este sítio completou dez anos três meses atrás. Eu preciso repensar o que eu tô fazendo por aqui. Eu tenho preguiça de escrever coisas longas e traduzi-las. Também medo, dependendo do que eu estou escrevendo. Mas preguiça é predominante, porque o medo tem deixado gradualmente de existir. Eu tenho ficado mais confiante. Eu só queria anunciar isto. Por outro lado, textos pessoais, como este, ainda serão disponibilizados em dois idiomas (até eu resolver repensar isso também).

Por último, Skyler, se você estiver lendo, dá uma olhada nisto.

28 de junho de 2019

Ten years.

Filed under: Computadores e Internet, Passatempos — Tags:, , — Yurinho @ 07:56

It’s been a decade since I created this site, back when Windows Live Spaces was a thing. After a few years posting, since I was sixteen, Microsoft decided to close Spaces and migrate all blogs to WordPress. I wish I had something deep to say or something, but I really do not have it. Other than these days I’ve been thinking of deleting the site to migrate its content elsewhere. I think it would be laborious and maybe I would lose the progress that I have made so far.

I do not like to make announcements because then I go back on my word or I feel overwhelmed in trying to meet expectations and neither thing pleases me. Despite this, I want to write personal things here again. Maybe offer political comment since it’s been three years since I started to get interested in politics, and the only thing I wrote about it was an article using Rousseau’s The Social Contract to trash talk Temers government. Now that Glenn is showing how Operation Lava-Jato was a farce, insofar as judge Sérgio Moro instrumentalized the Public Prosecutor’s Office to convict Lula without evidence, two things that are not lawful, maybe this is a great time to start talking of the subject.

So I guess I do not have much else to add. It’s my tenth year writing stuff on this site. I expected it to attract negative attention from a lot of people after I started to study certain subjects, which could culminate in a doctoral thesis at some point (in fact, that text that I promised is still being written and has already reached the mark of a hundred pages). Instead, I got to know others, including researchers, who sympathize with my opinions. Not that they read my annotations on books and papers that I read. Also, I found out that those notes I make are difficult to read. Despite this, I have also been told that there are people using such notes to study for exams.

Well… I guess that’s all. A decade of blogging.

21 de junho de 2019

Dez anos.

Filed under: Computadores e Internet, Notícias e política, Passatempos — Tags:, — Yurinho @ 17:45

Faz uma década que criei este site no Windows Live Spaces. Depois de alguns anos postando, desde quado eu tinha dezesseis, a Microsoft decidiu fechar o Spaces e migrar todos os blogs para o WordPress. Eu queria ter algo profundo pra falar ou qualquer coisa assim, mas eu não tenho mesmo. Fora que esses dias eu tenho pensado em apagar o site para migrar seu conteúdo pra outro lugar. Penso que seria trabalhoso e talvez eu perdesse o progresso feito até agora.

Eu não gosto de fazer anúncios porque depois eu volto atrás ou então me sinto super pressionado a cumprir minha palavra e nenhuma das duas coisas me agrada. Apesar disso, quero voltar a escrever coisas pessoais aqui. Talvez oferecer comentário político já que faz três anos que eu comecei a me interessar por política e a única coisa que escrevi sobre isso foi um artigo que usava O Contrato Social, de Rousseau, pra descer o cacete no governo Temer. Agora que o Glenn tá mostrando como a Operação Lava-Jato era uma farsa, na medida em que Sérgio Moro instrumentalizou o Ministério Público pra condenar Lula sem provas, duas coisas que não lícitas a um juiz, talvez fosse uma ótima hora de começar a falar do assunto.

Então, acho que não tenho muito mais o que adicionar. É meu décimo ano escrevendo coisas neste site. Eu esperava que ele fosse atrair atenção negativa de muita gente depois que comecei a estudar certos assuntos que podem culminar numa tese de doutorado em algum momento (aliás, aquele texto que eu prometi ainda está sendo feito e já chegou à marca das cem páginas). Mas eu acabei conhecendo outros, inclusive pesquisadores, que simpatizam com minhas opiniões. Não que eles leiam minhas anotações, as quais eu descobri serem difíceis de ler. Apesar disso, também já me disseram que tem gente usando essas anotações pra estudar pra provas. Imagine quando eu publicar anotações sobre minha apostila de concurso.

13 de junho de 2019

O que aprendi lendo “Advérbio”.

Filed under: Passatempos — Tags:, , — Yurinho @ 14:08

“Advérbio” foi escrito por Virtuous Tecnologia da Educação. Abaixo, o que aprendi lendo esse texto.

Conceito e aplicação.

Advérbios carregam ideias que modificam o sentido da palavra ou da frase ao qual se aplicam, adicionando conceitos como negação, tempo ou modo. Por exemplo: advérbio é a palavra que modifica o sentido de um verbo (em “ele veio rápido”, a palavra “rápido” é advérbio). Outro exemplo: também é um advérbio a palavra que modifica um adjetivo (em “esse suco é muito amargo”, a palavra “muito” é advérbio).

11 de junho de 2019

O que aprendi lendo “Adjetivo”.

Filed under: Passatempos — Tags:, , — Yurinho @ 18:29

“Adjetivo” foi escrito por Virtuous Tecnologia da Educação. Abaixo, o que aprendi lendo esse texto.

Conceito e aplicação.

Um adjetivo qualifica um substantivo: em “cara grande”, o “grande” é o adjetivo, porque descreve o cara. Por causa disso, é fácil confundir adjetivos (“grande”, por exemplo) com substantivos (“grandeza”, por exemplo). Lembre que um adjetivo é uma característica, não é uma palavra que subsiste por si, a menos que ela esteja sendo empregada como substantivo.

Para identificar facilmente adjetivo, verifique se o termo pode ser colocado seguramente ao lado de um substantivo sem que a frase perca o sentido ou sua lógica. Se puder, trata-se de um adjetivo, desde que guarde relação com o substantivo que avizinha.

Classificações.

Existem adjetivos restritivos (que expressam qualidades contingentes,) e explicativos (que expressam qualidades inerentes). Além dessa classificação, adjetivos também podem ser simples (têm um só radical), compostos (mais de um radical), primitivos (que podem ser usados como base para criar outros adjetivos) ou derivados (que são baseados em outro adjetivo).

10 de junho de 2019

O que aprendi lendo “Acentuação”.

Filed under: Passatempos — Tags:, , — Yurinho @ 16:26

“Acentuação” foi escrito por Vânia Duarte. Abaixo, o que aprendi lendo esse texto.

O último acordo ortográfico.

As regras de acentuação mudaram em 2009 com o acordo ortográfico. Elas passaram a valer desde o início de 2009. Para entender a acentuação, é preciso conhecer o conceito de sílaba tônica. A sílaba tônica é aquela que é pronunciada com mais força em uma palavra. As outras sílabas são chamadas de “átonas.”

Uma palavra pode pertencer a um dos três tipos de tonicidade: ela pode ser oxítona (quando a sílaba tônica é a última), paroxítona (quando a sílaba tônica é a penúltima) ou proparoxítona (quando a sílaba tônica é a antepenúltima).

As regras, de fato.

A mais fácil das regras é: todas as proparoxítonas são acentuadas. Palavras como “último”, “ortográfico”, “sílaba” e “tônica” são proparoxítonas, porquanto a sílaba tônica é a antepenúltima. Assim, elas são obrigatoriamente acentuadas.

A segunda regra é: todas as oxítonas terminadas em A, E, O, Em ou Ens, seguidos ou não de S, são acentuadas. Isso também se aplica a monossílabos que terminem dessa forma e nos termos compostos em que uma dada parcela do composto termine como descrito nesta regra.

A terceira regra é: todas as paroxítonas terminadas em I, Is, Us, Um, Uns, L, N, R, X, Ps, Ã, Ãs, Ão, Ãos ou ditongo, seguido ou não se S, são acentuadas. Mas há exceções a essa regra: ditongos abertos Ei e Oi não devem ser acentuados em nenhuma circunstância.

A quarta regra é: em caso de hiato, verifique se a letra anterior ao hiato é uma vogal e, se for, acentue o hiato. Esta regra também tem exceções: os hiatos precedidos por ditongo não são acentuados.

A quinta regra é: não se acentua mais, em nenhuma circunstância, os hiatos Oo e Ee. Assim, as palavras “voo” e “veem” (do verbo “ver”) não recebem mais acento.

A sexta regra é: num hiato com I ou U, não acentue o hiato caso ele seja precedido de vogal idêntica. Neste caso, porém, excetuam-se hiatos tônicos com I ou U que ocorram na antepenúltima sílaba, caso no qual a palavra se torna proparoxítona e, portanto, obrigatoriamente acentuada.

A sétima regra é: numa situação de U tônico presente em radical, não acentue o U caso ele seja precedido por G ou Q e seguido por E ou I.

A oitava regra é: sempre se acentua a terceira pessoa do plural do presente do indicativo dos termos “ter”, “vir” e derivados.

A última regra é: salvo exceções, não existe mais acento diferencial.

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