Analecto

6 de dezembro de 2019

Amor, medo e respeito.

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O texto abaixo é uma honesta aula filosófica baseada nos 100 aforismos sobre o amor e a morte, escrito por Friedrich Nietzsche, com sugestões de como as ideias contidas em tal escrito podem ser usadas para desenvolver o país e ajudar as pessoas a se compreenderem.

Amor, cobiça e ciúme.

A bem da verdade, o amor pode ocasionar sofrimento. Os espíritos mais orgulhosos não admitem que o amor lhes faz sofrer. Por orgulho, então, uma pessoa que sofre por amor não revela esse sofrimento. É vergonhoso admitir que se sofre por amor. Tome por exemplo o amor não correspondido e a inveja por outra pessoa estar com aquele que você deseja pra si próprio. Algumas pessoas lidam com esse sofrimento desqualificando o amor entre aquelas pessoas: “ah, não é amor, é só cobiça, desejo carnal, eles não se amam de verdade.” Isso torna o sofrimento mais tolerável e talvez até te dê a sensação de que o relacionamento entre os dois terminará em breve. É só chamar aquele amor de “cobiça”.

Amor e cobiça são sentimentos muito próximos. Parece que a grande diferença entre um e outro é que um é “bom” e o outro é “mau”. O problema é que muitos podem julgar “bom” e “mau” com base nas suas próprias ambições: é amor quando eu tenho a pessoa que eu quero, mas cobiça quando outro tem a pessoa que eu queria ter. Assim, quando você quer se relacionar, vê todo o mundo se relacionando por aí, exceto você, você diz que ninguém ama de verdade, que tudo é cobiça. Mas você nem se importaria com essa “proliferação de cobiça” se você tivesse um parceiro. Aí, quando você tem, é amor e tudo tá perfeito.

Diferentes pessoas lidam com tal frustração amorosa de diferentes jeitos, porém. Tome o exemplo da mulher que não consegue se relacionar: para lidar com o sofrimento causado pela inveja, ela pode inventar pra si a ilusão de que é melhor que aquelas que têm um homem pra si. É uma recalcada. Essa palavra, “ter”, é adequada, porque muitas pessoas, na medida em que seu amor comporta também ciúme, querem o amado só pra si mesmas. Não querem partilhá-lo com mais ninguém. É como se o amado fosse sua posse mais valiosa. Isso mostra que, embora queiramos que o amor, em seu estado mais puro, seja altruísta, um monte de sentimentos que nós chamamos apressadamente de “amor” são manifestações de egoísmo: você quer o outro, às vezes até sem se importar com o que o outro pensa disso. Isso não é amor.

O ciúme leva uma pessoa a querer toda a atenção do amado pra si. Se o amado divide sua atenção entre o amante e outra atividade, o amante ciumento odiará essa atividade, a menos que tal atividade seja sua profissão, caso no qual o conforto do casal depende da atividade. Por exemplo: suponhamos que o amado gosta de jogar futebol. Se for um joguinho de futebol no final de semana com os amigos, a mulher ciumenta odiará que ele jogue futebol (e poucas coisas são mais tormentosas que o ódio feminino). Já se ele fosse um jogador profissional, ela não reclamaria.

Ao amar, é importante que a pessoa não se dê a outra, como uma posse. Você, ao amar uma pessoa incondicionalmente, isto é, sem estabelecer os termos da relação, o que pode e o que não pode, você se torna um escravo do outro. É preciso estabelecer limites com os quais você possa concordar. Se sua mulher, por exemplo, não discute esses termos com você ou te propõe termos que você vê que são injustos, não aceite (apesar de que a mulher é geralmente enérgica em sua vingança). Tem outras mulheres por aí. Uma coisa é amor, outra é exploração. Não permita que seu amor por alguém seja usado como coleira pela pessoa que você ama. Isso é especialmente grave numa situação em que a pessoa sabe que você a ama, mas não te ama de volta. É esse tipo de pessoa que explora você.

Mas existe um amor sem mescla de ciúme? Um amor “de verdade”? Sim, mas, infelizmente, raramente reconhecemos esse sentimento como amor. É a amizade. A amizade não comporta ciúme. Por causa disso, é o único amor verdadeiro entre os homens.

O casamento, sua durabilidade e seus problemas.

Amor eterno é sobrehumano, porque toda paixão acaba. Isso não quer dizer que você não possa voltar a amar alguém que deixou de amar e apenas se aplica ao amor por uma pessoa específica (pois é possível um amor duradouro pela humanidade inteira). Então, um casamento pautado somente na paixão rui quando a paixão esfria. O casamento que almeja a instituição de um amor eterno entre as partes pode degenerar em hipocrisia. Logo, não tenha em mente que o amor durará pra sempre e que o casamento, por causa disso, também durará pra sempre. Ele pode se extendido, porém.

Os casamentos que duram mais tempo são aqueles nos quais uma pessoa tira proveito próprio da outra. Se um for útil ao outro, o casamento se conserva. Mas se só um precisa do outro, o casamento rui. Os maiores amores não nascem apenas do desejo sexual, mas do reconhecimento de que você não pode ser feliz sozinho. Tem algo faltando na sua vida e você precisa dessa coisa pra se completar. Se você sente que uma pessoa que você ama pode te prover algo que te falta, você a amará mais do que se você não visse nela também um meio de completar o que te falta.

O casamento geralmente é feito entre pessoas que gostam ou afirmam gostar uma da outra. Ora, quando você passa a dividir sua casa com alguém de quem você gosta, você acaba gostando menos dessa pessoa. O casamento tem o grave problema de trazer pra mesma casa duas pessoas. E depois talvez uma terceira, o filho. Se manter muito próximo de uma pessoa desgasta a relação. Não apenas a pessoa se sente sufocada, como também você enjoa dela. O casamento, então, torna-se mais difícil de manter com o passar do tempo. Já se o casamento for pautado na utilidade mútua, ele sobrevive ao fim da paixão, porque as duas partes precisam um do outro pra outras coisas além do amor.

Decepção amorosa.

Quando amamos, é mais difícil ver as coisas como elas são. A ideia romantizada que fazemos dos relacionamentos é uma grande fonte de decepção. Nunca se deve entrar num relacionamento pensando que basta você pra fazer o outro feliz. A felicidade é um estado muito pessoal e assumir que você pode tornar alguém feliz é presunção. Você pode ajudá-lo a ser feliz, mas não pode torná-lo feliz. Se você entra num relacionamento achando que bastará sua companhia pra que o outro seja uma pessoa radiantemente alegre, você se decepcionará. “O amor tudo pode!” Eis uma frase problemática…

Outra fonte de decepção amorosa é a imagem que um dos lados deseja manter. Pra poupar o parceiro da dor de encarar aquilo que a pessoa tem de ruim, o amante esconde, ou tenta esconder, todas as suas falhas. Por exemplo: suponhamos que você esteja namorando alguém bem-sucedido, tanto quanto você, ambos têm um negócio e um quer ver o outro feliz, mas você também tem um desejo sexual muito intenso. Você quer ser o melhor pra pessoa que você ama, então você tenta se reprimir quando vocês não têm tempo pra se relacionar. Quando o homem ou a mulher se dedicam a outras atividades, especialmente construtivas, às vezes até pelo bem dos próprios filhos (é o caso do casal em que ambos os sujeitos trabalham pro sustento da família), há menos tempo pro sexo. O desejo insatisfeito pode levar qualquer das partes a adulterar. Então, se uma das partes de um casal, ou as duas partes do casal, se dedicam a coisas construtivas, uma parte deve entender se a outra adultera ou, sei lá, vê pornografia às escondidas.

Mas o fato é que você montou uma imagem de parceiro perfeito. Quando sua falha é descoberta em um momento de fraqueza, é muito provável que a pessoa fique decepcionada com você. Tristemente, muitas pessoas tentam se transformar na ideia que o amado faz delas. Mas se você tem que mudar por amor, você já não está dizendo que a pessoa não te amaria do jeito que você é, ou que você não acredita quando seu amado diz que não quer que você mude por ele?

Muitas vezes, porém, tal criação de expectativa no parceiro é involuntária. O amor verdadeiro traz pra fora comportamentos que nos são excepcionais e não normais. Então, quando o amor começa a esfriar, também essas caracaterísticas começam a desaparecer. Você está menos disposto a ajudar e a se sacrificar, por exemplo, a passar tempo com aquela pessoa. De repente, seu amado passa a se perguntar o que te fez mudar. O amor te fez mudar. É porque o amor desapareceu que você voltou ao seu normal, como era antes de amar.

Amor, medo e respeito.

Existe uma diferença ligeira entre ser amado e ser respeitado. Quando você quer ser respeitado, é importante que o outro não te destrate. A forma mais fácil de fazer isso é causando medo. Ora, onde há amor não há temor. Se esse é o caso, uma pessoa que quer ser respeitada a todo custo precisa se tornar intratável, pra não ser amado. Porque, se ele não for amado, poderá ser temido, o que aumenta o respeito que outros têm por ele. Isso não quer dizer que os amantes não se respeitam, mas que geralmente se respeitam menos do que o empregado respeita seu chefe.

Em adição, o temor nos explica mais sobre o gênero humano do que o amor. Isso porque o amor nos distrai daquilo que o gênero humano (e também a natureza) tem de ruim, enquanto que o temor reconhece o que há de bom e de ruim no outro. Afinal, é importante conhecer aqueles que podem nos fazer mal, tanto pra nos defendermos deles quanto para tirar vantagem deles. O amor, nas humanidades, produz a arte, mas é o medo que produz a ciência.

Amor e a religião cristã.

A religião cristã tem uma relação interessante com o amor. O judaísmo nos deu uma religião pautada na força, na conquista. Mas a religião cristã, ao enfatizar o amor, se torna esteticamente atraente. Quem sente falta de amor ou quem considera o amor algo importante sempre acaba vendo valor nos evangelhos. Se Deus é amor e eu me sinto feliz na prática do amor, eu quererei amar até mesmo meus inimigos. Ou, pelo menos, tentar… Se todos amassem uns aos outros indiscriminadamente, a vida na Terra já não seria um paraíso?

No entanto, é interessante que a religião também diga que somos dignos de ódio, nós, humanos. Se assim é, se não merecemos ser amados, como é que eu vou amar o próximo como a mim mesmo? Porque eu me odeio na medida em que eu digo que sou digno de ódio. Quem diz isso com convicção, já se odeia. Como então? Se o amor ao próximo é limitado pelo amor próprio (eu tenho que amar o outro como a mim mesmo, nem mais, nem menos) e eu me considero uma criatura odiável, eu vou acabar me sentindo justificado por odiar todo o mundo.

Assim, quem odeia a si mesmo acaba se tornando perigoso. Convencer a pessoa a se amar é, portanto, uma responsabilidade humanitária. Ninguém pode amar outra pessoa se estiver ocupado sentindo ódio constante de si. É pelo amor de si que a pessoa descobre quem ela realmente é (o famoso “torna-te quem tu és”) e pelo amor ao próximo que ela se aperfeiçoa.

A hora da morte.

A morte é igual pra todos. Se assim é, não faz sentido que agreguemos ao valor de uma pessoa o julgamento de suas ações logo antes de morrer. Não tem importância se a pessoa aceita sorridente a morte ou se chora ao saber que sua vida está chegando ao fim. O que importa são suas ações em vida, particularmente aquelas que foram feitas quando seu corpo estava em melhor estado. Afinal, a pessoa poucas vezes se esforça em recordar como um ente querido morreu, mas lembra até sem querer das coisas que ele fez e ensinou. São suas ações em vida que farão as pessoas sentirem saudade de você… ou alívio por você ter morrido. A verdadeira diferença que faz uma pessoa só é sentida quando a pessoa não está mais por perto. Isso só acontece por causa das ações da pessoa e do impacto delas. Ora, as ações de um moribundo têm menos impacto. Os chamados “últimos momentos” são geralmente os que menos importam. Especialmente se a pessoa tiver deixado pra trás uma produção intelectual que será imortalizada.

Apesar disso, o momento da morte é um momento de muita comoção. Todo o mundo quer dizer algo ao moribundo, quando teve a vida inteira dele pra dizer essas coisas. Todo o mundo pensa que o cara que se vai aos oitenta anos viveu pouco. Você precisa aproveitar a companhia das pessoas que estão vivas enquanto você pode. Se você fica procrastinando, pode ser que depois seja tarde demais. A morte (ou o desaparecimento, a viagem sem volta ou qualquer coisa que signifique que você não verá mais aquela pessoa) é um fato. Se você tenta esquecer a morte a todo custo, se distrair dela, você esquece que as pessoas chegam ao fim. Se você esquece isso, você passa a pensar que sempre há tempo pra conversar, sair, jogar com aquela pessoa. Pensando assim, é mais fácil procrastinar. Aí, quando seu amigo morre, você pensa: “não fizemos metade das coisas que queríamos fazer.”

Eutanásia.

O suicida quase sempre age racionalmente. Ele avalia se morrer vale a pena, e só valeria a pena se a vida lhe trouxesse mais sofrimento do que prazer. O suicida racional acredita que morrer lhe deixará no lucro, se a vida não lhe dá mais-valia. Se você deriva da vida muito mais sofrimento do que prazer, a vida vale a pena? Se esse sofrimento estiver lhe matando lentamente, você morrerá de qualquer jeito. Então, se a pessoa dispor de meios de morrer sem dor pra evitar o prolongamento do sofrimento, será que ele não tem direito a isso? Tal raciocínio levou países estrangeiros a sancionar leis que permitem a eutanásia, que é um suicídio assistido. Um médico ou equipe de médicos mata o paciente que escolhe morrer, utilizando sempre meios indolores e suaves. Isso não acontece no Brasil, porém. Aqui, isso é ilegal.

Numa situação em que você sabe que a morte é inevitável, como o caso de uma doença mortal e incurável, não seria interessante agendar a hora e o dia em que você vai morrer e, antes da ocasião, se preparar adequadamente, chamando seus familiares, dando instruções, se despedindo, jogando uma última partida de RPG de mesa só pra terminar a campanha, escrevendo mensagens em um blog ou enviando mensagens aos amigos que você só conhece online? Porque, atualmente, uma pessoa que sabe que vai morrer é mantida viva a todo custo e não tem controle sobre quando morrerá. Aí toda a família é surpreendida e os amigos, especialmente os mais distantes, só sabem que você desapareceu. Se tem uma coisa pior que saber que um ente querido morreu é não saber o que aconteceu. Então tal planejamento não pode ser uma coisa ruim.

A razão da interdição à eutanásia é moral. Nossa moral tem muito de religião também. Na verdade, a moral ocidental é uma tentativa de forçar todos a agirem de forma mais ou menos cristã. Parece injusto com o ateu que deseja se suicidar. Se bem que o ateísmo é incompreensível pra muitos em primeiro lugar.

Recomendações.

O ciúme é um dos sentimentos mais baixos que o ser humano pode sentir. Parece até que nós não fomos feitos pra tolerá-lo. O ciúme arruína qualquer relação. Uma relação humana que estimula o ciúme, portanto, deveria ser evitada. Há várias pessoas no mundo, há muitas pessoas que você poderia amar. Por questões sanitárias (ou religiosas, caso você seja adepto de uma religião que não permite ter vários parceiros sexuais), porém, é melhor se relacionar sexualmente com apenas uma pessoa. Mas isso é diferente de amor. Há uma diferença entre amor e sexualidade, seja esse sexo por prazer ou por reprodução. Se o que você quer é amor, derive esse amor de todas as pessoas que estejam dispostas a dá-lo, especialmente na forma de amizade. Somente o sexo deve ser feito responsavelmente. Pondo as coisas dessa forma, uma relação sexual monogâmica deve ser sexual e nada mais. Sua violação não deveria ser vista como uma violação moral ou um ultraje, mas apenas como uma violação, no máximo, higiênica e sinal de que o parceiro é inseguro. Nesse caso, procure outro. Se tal relação tiver uma carga moral ou sentimental acima do que é merecido, haverá ciúme, medo e outros sentimentos que tornarão o relacionamento insuportável. Separar amor e sexo, o expurgo da sensação de posse do corpo do outro, a aceitação da procura e cessão de amor de todos e para todos, o aperfeiçoamento mútuo como objetivo comum entre os amantes, esses são os primeiros passos pra erradicação completa do ciúme na raça humana. A monogamia sexual deve ser vista exclusivamente como uma questão de saúde (uma preocupação reduzida pelos métodos preventidos já disponíveis) e nada mais, enquanto que a pluraridade afetiva, o amor de todos para todos, deveria ser encorajada.

Segue-se portanto que o casamento não tem razão de existir hoje. Em tempos de liberdade sexual, o casamento como compromisso eterno perde sua relevância. Tal relevância é ferida de morte com a facilidade com que divórcios são feitos. Pra que se casar? Ninguém pode te obrigar a se casar. Alguém pode se perguntar se uma monogamia exclusivamente sexual, como questão sanitária ou religiosa, justificaria a existência do casamento. Não justifica. O casamento tem várias cláusulas legais que não são necessárias a esse tipo de relação, cláusulas que não seriam cabíveis nem mesmo pra sexo casual com múltiplos parceiros, a menos que se esteja tentando decidir questões de custódia do filho. A certidão de casamento não tem razão de existir, mas a certidão de nascimento nunca perderá sua relevância. Alguém tem que cuidar do filho. E isso não justifica a existência do casamento mesmo como entidade legal? Também não, tanto porque o mundo é cheio de métodos contraceptivos como porque é possível ser pai sem estar casado com alguém. Não há necessidade de oficializar as coisas perante a corte, exceto naquilo que for necessário à regulação da custódia.

O problema da decepção amorosa pode ser facilmente resolvido adotando a visão de que podemos amar qualquer um e receber amor de qualquer um quanto também reduzindo nossas expectativas em relação à pessoa amada. É preciso parar de pensar que um casamento, ou mesmo um namoro, é uma experiência linda, maravilhosa, romântica, porque muitas vezes não é. É preciso olhar as coisas pragmaticamente. Se você entra em um relacionamento com grandes expectativas, você tem mais chances de ser frustrado. Se você entra com baixas expectativas, você tem mais chances de ter uma boa surpresa. Se seu parceiro te decepciona, procure outro. Há várias pessoas no mundo pra você amar.

Por último, aproveite ao máximo sua vida sem se preocupar tanto com a hora da morte. Se preocupar em excesso com isso te impedirá de aproveitar a vida e fazer algo construtivo com ela. Certifique-se de viver de um jeito que sua marca fique nas pessoas que você conheceu e que seu legado fique, porque as pessoas lembrarão de você por suas ações em vida.

25 de dezembro de 2018

O que aprendi lendo “I’m in love with an older man”.

Filed under: Notícias e política, Saúde e bem-estar — Tags:, , — Alma @ 17:49

“I’m in love with an older man” foi escrito por Nicole de Wet, Christina Alex-Ojei e Joshua Akinyemi. Abaixo, o que aprendi lendo esse texto.

  1. O objetivo do texto é saber quais razões levam adolescentes e jovens adultas sul-africanas a procurar relacionamentos com homens muito mais velhos.
  2. Para alcançar esse objetivo, os pesquisadores obtiveram dados de seiscentas e vinte meninas e mulheres entre quinze e vinte e quatro anos.
  3. Mais de um quarto das meninas e mulheres estudadas já havia se engajado ou estava se engajando em relacionamento com homem mais velho.
  4. Para essas meninas e mulheres, a idade é um fator de pouca importância na relação.
  5. Estabilidade econômica é uma das razões pra meninas e mulheres procurarem homens mais velhos, mas há outras razões, com estabilidade econômica sendo apenas a quarta colocada na escala de razões mais citadas.
  6. As mulheres campeãs em procurar homens por estabilidade financeira são as estudantes, as viúvas, as separadas e as divorciadas.
  7. Estabilidade econômica não é a razão mais predominante para procurar esse tipo de relacionamento: sentir-se segura na presença de alguém mais forte e mais experiente é uma razão mais comum pra esse tipo de contato.
  8. Logo, nem todas as meninas ou mulheres que procuram homens mais velhos estão nisso por dinheiro.
  9. Esses homens são cinco, às vezes dez, anos mais velhos que as meninas ou mulheres que os procuram.
  10. Em Botswana, 19% das mulheres reportaram ter um relacionamento com disparidade de idade.
  11. Já contando as que tiveram esse relacionamento, mas não necessariamente mantinham tal relacionamento no presente, o número pode ser de 37,7% ou mesmo 41%, dependendo do estudo.
  12. O que torna esses relacionamentos problemáticos não é a diferença etária.
  13. Na África do Sul, o homem tem a ideia de que mulheres mais novas ou meninas não têm DST ou as têm em níveis menores, então não usam camisinha ao se relacionar com elas.
  14. Assim, o problema desses relacionamentos são fatores sociais que desencorajam o sexo seguro, resultando em doenças ou gravidez acidental.
  15. Além disso, há o problema de que o sujeito com DST se importa menos em se proteger (“já tô doente mesmo”) e deixa de usar preservativo, o que resulta em infecção do parceiro.
  16. Para se qualificar para o estudo, o parceiro mais recente da sujeita tinha que ser ao menos cinco anos mais velho que ela própria.
  17. Algumas das meninas e mulheres estudadas já tiveram até mesmo parceiros mais novos do que elas próprias.
  18. A razão mais citada pra essas meninas e mulheres procurarem homens mais velhos é “idade não é importante”, ou seja, elas não viam esses relacionamentos como algo muito diferente de relacionamentos com pessoas de mesma idade.
  19. A segunda razão mais citada foi “sinto-me segura com ele”.
  20. A terceira razão mais citada foi “nenhuma das anteriores”.
  21. A quarta razão mais citada foi “ele pode me apoiar financeiramente”.
  22. A quinta razão mais citada foi “ele é experiente e me satisfaz sexualmente”.
  23. A razão menos citada foi “ele não me trai”.
  24. Tem gente ficando com cara onze anos mais velho.
  25. Mais da metade das meninas e mulheres que afirmaram procurar homens mais velhos por suporte financeiro eram desempregadas.
  26. As meninas mais novas tendiam a responder “idade não é importante” mais vezes, enquanto que as mulheres mais velhas tendiam a responder “ele pode me apoiar financeiramente” mais vezes.
  27. Portanto, quanto mais velha a mulher, maior a chance de ela estar procurando homens mais velhos por dinheiro (ao menos na África do Sul).
  28. Apesar disso, metade das sujeitas estudadas afirma que procura esses relacionamentos como se procurasse com pessoas de mesma idade (“idade não é importante”).
  29. Prazer, amor e aventura também são razões pra procurar gente mais velha (“ele me satisfaz sexualmente”).
  30. Infelizmente, relacionamentos com diferença de idade estão relacionados à prática de ter vários parceiros (“ele não trai”).
  31. Ainda assim, é preciso lembrar que há um estigma ao redor da prática de procurar relacionamentos por causa financeira, o que pode levar as sujeitas a esconder esse fato.
  32. Então pode ser que a quantidade de meninas ou mulheres que está nisso por grana seja maior do que mostram os dados.
  33. Mas não é possível que todas as que responderam diferente estejam mentindo.
  34. A prática de procurar relacionamentos por dinheiro seria mitigada se houvesse menos pobreza.

26 de maio de 2013

Nenhuma ciência é completa.

Ciência – Wikipédia, a enciclopédia livre.

Antes de ontem, a raposa teve mais um de seus ataques. Acontece que ela está convicta de um negócio chamado partículas preexistentes, que talvez até sejam fato. Mas ela crê nisso como um possível começo do universo. Foi o golpe final às suas crenças teístas e o último responsável pela sua queda no que ela chama de “ateísmo relutante”. Mas ela foi desestabilizada por um seminário que ela assistiu no Youtube, em que um físico falava da possibilidade de o universo ter surgido de partículas preexistentes e admitiu que não entendeu completamente o que o cara disse por causa de todo aquele jargão físico e equações exclusivas. E no final, o cara disse que sua ideia era uma hipótese, nenhum cientista sério pode se dar à presunção de sustentar uma hipótese como verdade acabada. Ou seja, a raposa está duplamente errada:

  • Ela acreditou no cara da mesma forma que se acredita num padre, sem questionamento, especialmente porque ela não entende completamente o que o cara quer passar.
  • Ela acredita nas palavras dele com mais certeza do que ele próprio, visto que, quando um cientista diz que ele tem uma hipótese, ele está dizendo que não há certeza porque não houve qualquer teste.

Não estou tirando o crédito do indivíduo, mas é meio ingênuo acreditar nas coisas assim. Aliás, toda crença é ingênua. É necessário ser ingênuo, “como uma criança”, pra entrar no Céu, correto?

Perdoem erros ortográficos; estou morrendo de sono aqui. Pois bem, mas em que ciência devemos confiar? Bom, nenhuma ciência é completa. Certa vez, vi, num documentário do Fantástico, uma matéria sobre um peixe que se acredita ter mais de cinco sentidos. É difícil imaginar como seria a vida desse peixe, o peixe capaz de perceber coisas que os humanos não conseguem por serem limitados à tato, visão, olfato, paladar e audição. Será que não estamos perdendo muita coisa?

Veja, a ciência é sensualista, ela estuda os fenômenos, isto é, aquilo que se apresenta a nós pelos nossos sentidos. Ou seja, a verdade científica é fenomênica, é sensual, por isso que ciência que é ciência tem que ser testada empiricamente, tem que ter resultados sensíveis, do contrário é hipótese.

Portanto a ciência é limitada e, se o peixe de que falei pudesse fazer ciência, a ciência dele poderia ser superior a nossa. O simples fato de haver uma criatura com mais de cinco sentidos é o bastante para nos mostrar que nossa ciência é limitada. Imagine se fôssemos todos cegos, como seria a nossa Mecânica? Haveria uma Óptica? Será que conheceríamos todas essas leis físicas que conhecemos? E se fôssemos todos surdos, como ficaria a Acústica? Em  poucas palavras, nenhuma ciência é completa, tão perfeita como poderia perfeitamente ser, por isso cientistas sérios criticam o que eles mesmos pensam e dizem até o momento em que sua teoria ou hipótese seja testada e repetida por outros. E mesmo assim não podemos dizer que a verdade é absoluta, pois precisaríamos de mais de cinco sentidos para perceber todos os aspectos de alguma coisa. O que se pode dizer é que se conhece a verdade fenomênica nos apresentada aos cinco sentidos.

Aí minha colega vulpina me diz que acredita na hipótese de um cara que reconhece que o que ele está fazendo é hipotético e, ainda mais, sem nem sequer entender completamente o que ele está falando. E termina sofrendo com isso porque ela não consegue funcionar sem Deus. Talvez Deus não exista, mas acho que ela não tem razões o suficiente para desacreditar e motivos de sobra pra acreditar. Mas ela é jovem, tem só dezesseis, talvez ela mude a mente dela daqui pra os vinte.

Li recentemente, na tal Filosofia Ciência & Vida, um artigo sobre amor, sob a visão de Schopenhauer. Em certo momento, se não me falha a memória, o cara se pergunta que regras devem reger a vida à dois, especialmente numa cultura que propaga que ou você é o “bom marido”, compromissado e tudo, ou o solteirão hiper-hedonista. Essa visão toda romantizada, perfeitinha, ti-ti-ti, é um verdadeiro saco. Digo por experiência. Pessoas são diferentes solitárias, pessoas diferentes se juntam, as regras que regem sua vida íntima realmente não deveriam ser da conta de ninguém. O casal deveria fazer suas próprias regras, as regras para aquele relacionamento em especial, levando em consideração virtudes e vícios de cada um, o que melhora o entendimento entre um e outro e contribui para o relacionamento duradouro, ao invés de comprar o modelo “tradicional” de relação que simplesmente não funciona pra todo o mundo.

Também tenho um par de problemas com o conceito de fidelidade. Veja, esse negócio de pautar uma relação em algo tão baixo como o sexo (nível mais baixo). Ter sexo com outra pessoa não necessariamente mata seu amor por outra pessoa que, no momento, não pode lhe satisfazer ou rejeita alguns de seus desejos sexuais. Seria sensível da parte dos dois permitir que o outro procurasse alívio em outros para coisas que não podem ser satisfeitas dentro da relação. Isso eliminaria o ciúme. Também tem o negócio do amor (nível médio). Procurar amor com outra pessoa por qualquer razão que seja não deveria levar ao ciúme, porque a outra pessoa está feliz. Claro que ainda é motivo de conversa, pois significa que você deve melhorar em alguma coisa. Por último, não se deve ficar chateado porque alguém que você ama te deixou (nível mais alto). Porque se a pessoa te deixou é porque estava infeliz numa relação a dois ou, pelo menos, com você. Não significa que você tenha que deixar de amar a tal pessoa, mas tentar estar feliz por ela estar feliz, o que é o amor de verdade, não o amor possessivo propagado por aí. Além do mais, amar uma pessoa não necessariamente significa estar amarrado à ela; essa é só a mais infeliz forma de amor. A fidelidade e, por tanto, o modelo de amor conhecido pela maioria, só propicia o ciúme.

Queria mesmo um bom livro pra ler. Estou devorando minhas revistas de filosofia mais rápido do que elas chegam. Um livro de filosofia ou mesmo de bom e velho RPG seria um boa pedida, mas falta dinheiro. Falta também motivação para baixar; me sinto tão preguiçoso estes dias. Deve ser o calor, maldito, infernal calor de todos os dias. Ou minha mãe ouvindo If, do grupo Bread, que me traz memórias do bom e velho coiote. Saudade é um negócio incrível: só faladores de português usam essa palavra. Tem que ter uma veia poética pra falar corretamente de saudade. Lembro de quando o cachorro mencionou que ele sentia uma coisa estranha e ele me descreveu o que ele sentia. Eu disse “isso é saudade”. Ele me perguntou “What?“. Saudade é uma palavra particular do português, sem tradução exata em outros idiomas. Um livro a respeito da saudade também seria uma boa lida… do jeito que sou melancólico.

Criei, com muito sacrifício, uma conta no Soundcloud.

Já disse que criei uma conta no Soundcloud? Pois é, criei uma conta no Soundcloud

9 de novembro de 2012

Chocante?

Filed under: Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Alma @ 01:59

Possibilities. Kids, I might be gay. Have been recently feeling palpitations and recurring fantasies that aren’t very fetishy towards classmates. I used to believe I was attracted to my kinks and not by people themselves, but I have been getting an urge to cuddle with some classmates and fantasizing about it makes my heart beat faster and my breath get shorter. It could be a manifestation of my attraction to pudgyness, however, since I don’t think on things that are explicitly sexual; I still feel nothing towards sex, even if I go nuts without pawing and I could paw someone else just fine. But I much prefer the idea of pawing a male. I thought I wasn’t gay because these were extremely kinky attractions, I couldn’t define if I was attracted to the kink or to the person and I still can’t. But if I feel my body [is] reacting this way (nothing from waist down, but arousal doesn’t manifestate only below the waist), I think I could be gay, as I surely never felt this way towards girls, even if the girl plays the fetish. Though I like cuddly parts of the female body, it isn’t in the same intensity, but the idea of cuddling with a girl (without the boring perfume some use and without a lot of words) is attracting nonetheless. While I don’t think it’s bad at all, I like to keep my emotions in check and being in a relationship brings a lot of responsabilities I’m not willing to take, ever. But having these feelings, that are new for me, I feel my reason being suspended for a while. I don’t want to do something I might regret and I hope these feelings don’t get out of paw. And I think the fandom played a big role developing my fetishes. Now I see someone who seems to meet the requeriments that fantasy characters meet when I fantasize about them. Viewed: 23 times Added: 1 day, 5 hours ago Friends Only: yes

Relutei em falar sobre isto. É uma possibilidade, de fato. Mas isso não é o que me preocupa mais. Achei que mencionar minha sexualidade neste jornal seria relevante, contudo. O que realmente me angustia é o fato de que uma parte de mim finalmente acordou para os relacionamentos, aos vinte anos. Mas eu não posso, em nenhuma hipótese, me permitir entrar numa relação desse tipo com alguém. “Desse tipo?”, alguém pode pensar. É, do tipo que você é mais que amigo. Eu não posso, nem com mulheres, nem com homens. “Por quê?”

  1. Limitação da liberdade.
  2. Mudança de hábitos.
  3. Esforço.
  4. Possibilidade de não-aceitação por parte do parceiro.
  5. Possibilidade de fracasso absoluto.
  6. Possibilidade de resfriamento.
  7. Ciúme.

Estas e outras são as razões que me impedem de me relacionar dessa forma com alguém, responsabilidades que eu não quero tomar e riscos que não quero correr. Não posso dizer que estou totalmente feliz com minha situação no momento porque parte de mim quer alguém como companhia e estou negando isso, mas acredito que estou mais feliz assim do que eu possivelmente estaria se eu namorasse. A raposa me disse que eu deveria tentar e tentou minar todos os meus argumentos. No final, fingi que aceitei sua sugestão, mas, sendo ela cinco anos mais nova que eu, provavelmente é o tipo de jovem que se deixa levar pelo momento e faz decisões do tipo “faça o que seu coração mandar”. Disse que eu não devo me preocupar com possibilidades, que possibilidades nada significam. Se nada significassem, Kierkgaard não teria escrito Aut-Aut.

Eu me preocupo, sim, com possibilidades e não posso, como uma pessoa dotada do mínimo de bom-senso, fazer o que meu coração mandar, pelo menos não o tempo todo. Não estou dizendo que todos estão errados em serem felizes com seus relacionamentos, mas eu não vejo benefício nisso, nem à curto prazo, nem à longo prazo. A palavra “benefício” na frase anterior significa “aspectos positivos que superam os negativos”. O que estou dizendo é que, pelo menos para mim, uma relação amorosa me traria mais males que bens e que, no final, não valeria a pena e eu estaria numa situação pior depois que eu saísse do que quando entrei, porque sou sensível e já falhei dessa forma no passado.

Talvez o leitor me ache um egoísta por pensar nos benefícios que uma relação amorosa me traria, mas (a) todos pensam nisso e (b) o que mais me preocupa são os malefícios.

Eu teria de sair da rotina, não poderia deixar o relacionamento esfriar e eu tenho quase certeza de que a maioria das pessoas do mundo jamais me aceitaria em minha totalidade. Claro que existem as pessoas que mudam por amor, com maior ou menor grau de sacrifício, mas a mudança seria em vão se o relacionamento acabasse e mudanças em aspectos-chave da sua pessoa poderiam lhe deixar infeliz na relação que você tanto queria, uma vez que você, mesmo estando com quem você gosta, é uma coisa que você não gosta.

Ainda não estou completamente seguro da minha sexualidade, mas essas sensações estão vindo com cada vez mais frequência e intensidade. Poderia ser, como o lobo disse, apenas solidão e falta de contato físico. Mas, independente da minha sexualidade, relacionamentos não são, pelo menos neste momento, uma opção.

Yes, really. It’s shocking and all, but isn’t like I changed greatly. I just discovered a possible new part of me. I still love myself as much as I used to.

28 de abril de 2012

Duas coisas boas ocorreram.

Filed under: Computadores e Internet, Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Alma @ 16:20

Era uma vez um lobo e um gato. Eles se conheceram por acaso, tornaram-se amigos e, com o passar do tempo, ficavam cada vez mais íntimos. Partilhavam segredos, brincavam juntos, se ajudavam nos momentos de tristeza. O gato começava a sentir algo pelo lobo. Era um sentimento profundo e persistente, mas, por causa de más experiências no passado, o gato não queria arriscar confessar ao lobo seus verdadeiros sentimentos. Ele se julgava imaturo demais para conduzir aquele tipo de relação, achava que iria arruinar tudo, achava que iria acabar voltando ao patamar de amizade cedo ou tarde.

Meses se passaram e o gato tentava manter suas emoções sob controle; ele tinha um voto a cumprir, o voto de nunca mais namorar sob qualquer circunstância. Até o momento, ele havia se conformado. Mas aí aconteceu. Certo dia, o lobo se comprometeu com uma raposa. O gato ficou arrasado, mas tentou não entrar em pânico; talvez a raposa não fosse uma aberração possessiva que iria impedir o lobo de, pelo menos, ser seu amigo. Mas, conforme os meses se arrastavam, a liberdade do lobo era limitada cada vez mais. Eventualmente, o gato e o lobo deixaram de se ver, porque a raposa era ciumenta.

O mês que se seguiu foi extremamente doloroso para o gato. Ele chorou, se torturou, ficou doente, pensou nas piores possibilidades. Mas ele teve uma ideia. Talvez ele pudesse ficar perto do lobo de novo se ele se tornasse amigo da raposa. E assim foi. Mas isso não ajudou. O gato confessou seus sentimentos ao seu novo “amigo”, disse que estava apaixonado pelo lobo, mas a raposa apenas ficou constrangida pela confissão. O gato pôde falar com o lobo mais algumas vezes… e o que ele ouvia não o agradava: o lobo esta ficando cada vez mais coibido pelas leis da raposa. No final das contas, o plano infalível do esperto gato provou-se um completo fracasso.

O gato então percebeu onde estava seu erro: sua insegurança. Se ele não tivesse se segurado, se não tivesse negado ao seu coração aquilo que ele realmente queria, o lobo não estaria sob um jugo tão desigual. Mas o lobo poderia acabar a relação assim que achasse necessário, certo? Se ele continuava naquilo era porque, de alguma forma, ele estava feliz, certo? O gato tinha uma crença de que o verdadeiro amor não é a possessão do outro, mas a busca pela felicidade deste. Então, o gato decidiu parar de tentar falar com o lobo e deixar que ele fosse feliz com a raposa até que a relação terminasse por desgaste ou até que ambos fossem felizes juntos até o derradeiro suspiro. Mas ele não conseguia.

Pelo menos uma vez por mês, a saudade era tanta que o gato quebrava todos as suas promessas, ia contra todas as suas decisões, tudo por pelo menos uma carta, uma resposta, um simples sinal de vida do lobo. Eles falavam por um tempinho, mas era só isso. E o gato então decidia que não incorreria no mesmo erro novamente e que deixaria o lobo em paz. Apenas para falhar novamente e ceder aos seus sentimentos.

Foi assim por um ano e meio. O gato até havia procurado amor em outros animais, mas nada conseguia sarar a dor incessante em seu coração. Dia e noite, por dezoito longos meses, ou seriam mais? Em suas andanças pecaminosas pelos prazeres da vida, em sua busca pelo alívio da tristeza, o gato encontrou o lobo em um lugar onde a raposa normalmente nunca o deixava ir. O gato pulou de alegria e imediatamente foi falar com seu amigo. Enquanto conversavam, o lobo disse que sua relação com a raposa havia encontrado seu fim. O gato não pode conter a emoção e ficou visivelmente feliz com a notícia, mesmo quando sua razão o dizia para, pelo menos, fingir que sentia muito. O lobo simplesmente riu também. Eles sentaram-se e conversaram por alguns minutos. Não que o lobo tivesse que voltar para a casa da raposa, mas porque era tarde da noite e ele estava cansado. O gato ficou extremamente feliz por ver seu amigo sorrindo, livre de quaisquer coibições. O gato disse que ele havia sofrido muito, que ele amava o lobo, disse a ele tudo o que havia acontecido em quase dois anos de sofrimento particular. O lobo então sorriu mais uma vez e, quase que rindo, disse:

Okay, Yure, I’ll make sure to pet you when you need to be petted.

Assim, o lobo e o gato voltaram a ser bons amigos e, quem sabe, num futuro próximo, acabem tornando-se algo mais.

Moral da história: sempre diga o que você precisa dizer, antes que seja tarde demais.

Fim da fábula.

A outra coisa boa que me ocorreu foi o lançamento do Ubuntu 12.04 LTS, Peeing Panda. Além da substituição do Banshee pelo Rynthimbox, não vi muita coisa diferente. Tenho que explorar um pouco mais.

8 de outubro de 2011

Orientação sexual.

Filed under: Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Alma @ 17:35

Recentemente, venho me perguntando sobre minha orientação sexual. Não tenho certeza a respeito do que “sou”, mas sei que sou capaz de me apaixonar por um indivíduo independentemente de seu gênero. Contudo, não sou capaz de ter uma relação com alguém, não quero tentar, não tenho vontade. Simplesmente, acho nojento. Diferente da maioria dos jovens, que gostam de pensar em sexo, eu simplesmente rejeito a ideia como uma das coisas mais asquerosas que a natureza me pediu pra fazer.
Isso poderia ser decisivo em relacionamentos. Se eu algum dia resolver namorar, qual será o ponto de eu me casar com minha companhia se nada ia mudar?
Mas amor é possível para mim, afinal a amizade é um tipo de amor e amor passional não é difícil, embora eu prefira me manter longe disso também; não sou maduro o suficiente para esse tipo de coisa. Ter dezenove anos não me faz adulto.
Isso então me fez relevar uma coisa: se você se apaixona por alguém, que importa o gênero dela? O que importa é ser feliz com alguém, certo?
É uma pergunta difícil. A orientação sexual é algo que parece ser definido pelo alvo de sua atração sexual. Se for alguém do mesmo sexo, você é homossexual; se for alguém do sexo oposto, você é heterossexual; se for os dois, você é bissexual; se for nenhum, você é assexual. Creio que eu me encaixe no último caso, mas será que isso também significa que eu não deveria ser capaz de me apaixonar por um ou outro? Minha razão diz que não, mas alguma outra coisa em mim diz que sim.
Tenho planos para morrer virgem, então, se não sinto atração sexual por nenhum gênero, sou assexual. Mas eu posso desenvolver ligações afetivas fortes, mais fortes que a simples amizade, com qualquer indivíduo. Isso confunde meu julgamento.
Mas no fim das contas, descobrir o que sou ou o que eu deixo de ser não iria fazer diferença.

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