Analecto

18 de junho de 2016

Sobre o endereço que mandei da última vez.

Filed under: Livros — Tags:, , — Yurinho @ 19:16

Parece que a digitalização do Google, embora tenha sido perfeita, foi feita a partir de um exemplar danificado. As margens estão onduladas, tornando a leitura um pouco irritante.

Como cada digitalização tem pontos fortes e fracos, resolvi que seria uma boa ideia eu juntar os pontos fortes das duas para amenizar seus pontos fracos e fiz isso enxertando na digitalização independente as páginas que faltavam, usando as páginas que a digitalização do Google tinha.

Então, agora temos uma Bíblia de 1819 completa e o mais legível possível. Agora, já posso relaxar.

https://pedrapapeletesoura.files.wordpress.com/2016/06/a-bc3adblia-sagrada.pdf

6 de março de 2016

Paulo.

Filed under: Livros, Organizações, Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yurinho @ 18:27

Como vocês já sabem, este diário é bem pessoal. Desde o início, a religião foi um tema tão presente aqui quanto, por exemplo, parafilias, filosofia e arte. Isso porque, no começo, eu tinha muito medo da morte e aquilo que me aproximou da religião em primeiro lugar foi o medo da morte. Eu sempre fui uma pessoa compreensiva e pensei que ganhar a vida eterna sem mudar muito de minha atitude era uma proposta tentadora.
Eu pensei em me tornar testemunha de Jeová, até eu ler o livro Jovens Perguntam: Respostas Práticas, que tocava um assunto muito sério de maneira muito leviana. Quando eu conduzi uma pesquisa nesse assunto por conta própria, percebi que eu estava muito melhor sozinho.
Pensei que talvez eu fosse mais feliz lendo a Bíblia por conta própria e praticando o que eu aprendi, já que a igreja que mais atraía no dia em que pensei essas coisas havia me decepcionado grandemente. Mas não foi fácil e, após duas tentativas, desisti.
No segundo semestre do curso de filosofia, eu aprendi, durante a aula de ética, que a Bíblia era, na verdade, uma seleção feita em âmbito intelectual por convocação de um tal Constantino. Embora eu não acreditasse que livros que continham ensinamentos legítimos tinham ficado de fora da Bíblia, eu pensei que livros ilegítimos poderiam ter se esgueirado na seleção. Isso, alimentado por dúvidas sobre como a religião do amor poderia se mostrar tão intolerante dependendo do referencial doutrinário, me levou a escolher quais livros eu iria seguir (afinal, se um grupo medievo pôde, também eu poderia). Partindo do pressuposto que ser cristão é seguir Cristo, eu pensei que os Evangelhos seriam o bastante. E, de fato, Cristo é a maior autoridade do cristianismo. E, por anos, eu vivi tendo somente os Evangelhos como regra de vida e vivi muito bem. Como consequência, eu rejeitei sumariamente todas as epístolas de Paulo, que também ensinavam coisas que Cristo não havia ensinado. Na época, eu não sabia que o Apocalipse também tinha ensinamentos diretos de Cristo, mas isso não fez muita diferença.
Certa noite, resolvi atender a uma reunião das testemunhas de Jeová e o líder religioso (não sei se é lícito chamá-lo de “pastor”, porque as testemunhas usam outro termo, “ancião”, se não me engano) mencionou que a Bíblia inteira tinha muita sabedoria. Eu estava fazendo anotações de obras filosóficas na época, como faço ainda hoje, e pensei que talvez fosse uma boa ideia fazer o mesmo com a Bíblia, mesmo que eu não fosse aceitar tudo como regra de salvação.
Dividi a Bíblia em dez partes e me propus a ler um capítulo de cada parte por dia, para conciliar velocidade de leitura com energia e força de vontade (lê-la cronologicamente pode ser exaustivo, sendo melhor que o primeiro contato seja feito numa ordem oportuna).
As anotações não estavam sendo feitas, porque pensei que eu falaria menos besteira se eu lesse ela totalmente antes de fazê-las, que seria feito numa segunda leitura, em ordem cronológica. Paralelamente, Echo, o morcego, estava passando por uns problemas com a mãe dele, que estava sendo insensível, já fazia um mês mais ou menos: a avó dele havia acabado de falecer e a mãe dele não entendia seu sofrimento. Além do mais, ela não achava saudável que ele tivesse amigos como eu e o colocou na terapia, na qual ele começou tratamento para consertar sua urofilia, algo que ele não achava errado, mas que sua mãe e seu terapeuta concordavam que era. Sabendo desses problemas, eu fiz uma oração por ele, a qual foi (surpreendentemente, admito) atendida na manhã seguinte. A mãe havia mudado seu parecer, o deixou voltar a se relacionar comigo e meus amigos e o havia tirado da terapia. Eu fiquei estupefato. Minha oração havia sido atendida subitamente e de forma melhor do que eu havia pensado. E não havia sido a primeira vez, mas a segunda.
Parei meus planos e comecei as anotações imediatamente, reiniciando minha leitura da Bíblia, como forma de agradecimento (porque eu acredito que as obras têm maior peso que a fé).
A leitura e o fichamento foram concluídos em um mês e meio, a partir da Almeida de 1819 (com auxílio da Almeida Recebida, da versão dos Capuchinhos e da Bíblia Livre, todas obtidas no repositório do Crosswire, acessível pelo Sword com a interface Xiphos, obtenível no repositório do Linux Mint), porque foi a primeira em português em volume único, de forma que eu pudesse, nas leituras subsequentes, perceber a evolução das traduções. E, de fato, a Bíblia inteira tem muita sabedoria. Nessa leitura, desenvolvi um apreço por dois conceitos hoje em crise: inerrância bíblica e cânon bíblico.
Como cristão, o Novo Testamento tem um peso gigante pra mim. E as epístolas de Paulo me intrigaram, não de forma positiva. Muitos ensinamentos de Paulo, tal como alguns aspectos de sua atitude, parecem ir contra os ensinamentos de Jesus. Eu pensei que talvez fosse uma falha de entendimento de minha parte e pensei que Paulo, sempre que introduzia algum preceito que Jesus não havia introduzido, estava somente dando conselho, tal como Salomão faz com os Provérbios, de forma que seguiria o conselho quem quisesse. Então, Paulo não seria necessário à salvação, visto que Jesus seria o único caminho. Mas aí Paulo diz que os homossexuais, por exemplo, não herdarão o Reino. Aí que surge o problema: se Paulo nunca viu Jesus, passou pouco tempo com os apóstolos, supostamente herda sua doutrina desses apóstolos e prega que o cristão está desobrigado da Lei de Moisés, com que autoridade ele diz essas coisas?

Antes que se pense que esse é um problema pequeno, é importante mostrar por que ele é enorme: essa pergunta ataca a autoridade de Paulo e, consequentemente, os dois conceitos que eu havia acabado de adotar, a saber, a inerrância (a Bíblia não se contradiz) e o cânon (todos os sessenta e seis tomos de que a Bíblia é composta são divinamente inspirados).
Existem outras contradições, quer sejam aparentes ou não, que levam à práticas hediondas na igreja, não apenas da perseguição aos homossexuais, mas também como a prática da dissociação entre as testemunhas de Jeová. Paulo diz que não devemos nos associar com pecadores, mas Jesus o fazia com frequência durante seu ministério. Se levarmos esse raciocínio até suas últimas consequências, Paulo estaria repreendendo o comportamento de Jesus, o qual disse que deveríamos imitá-lo. Depois da leitura completa, fiquei tão perplexo que resolvi pesquisar se mais alguém pensa como eu. Pra minha surpresa, um punhado de estudiosos, tanto do passado como da atualidade, pensam da mesma forma. Para citar apenas um exemplo do nosso país e da atualidade, para que o interessado tenha um ponto de partida, Fábio toca o assunto vez por outra em suas lições de hermenêutica. Mas é claro que não é o primeiro e nem é o único.
Esse é um assunto que requer mais pesquisa da minha parte, porque é algo muito sério. Não estou dizendo que Paulo é completamente inútil ou pernicioso e acho que encarar o que ele diz como conselho e não como regra de salvação é razoável. Não obstante, não me parece que Paulo tem qualquer autoridade para fechar as portas da salvação para qualquer indivíduo, porque esse é direito divino. Paulo repreendeu Pedro, o que mostra que nenhum ser humano, mesmo que seja apóstolo, é irrepreensível. Então, há a possibilidade de Paulo ter errado. Porém, eu não posso confirmar absolutamente nada por enquanto.
Isso me dá algo pra estudar durante as férias da universidade. A defesa da minha monografia é amanhã, espero que dê certo.

9 de agosto de 2015

Lendo a Bíblia.

Filed under: Livros, Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yurinho @ 14:41

7 Agora, ao contrário, vocês devem perdoar-lhe e consolá-lo, para que ele não seja dominado por excessiva tristeza.

via 2 Coríntios – Capítulo 2 – Biblia online Nova Versão Internacional.

Como vocês já devem ter percebido, tenho lido a Bíblia esses dias. É que a Bíblia é um compêndio que eu sempre me comprometo a ler completamente e acabo nunca conseguindo, porque o Antigo Testamento é muito monótono para mim. Não me agradam tanto as histórias dos povos judaicos quanto as orientações morais contidas nos Evangelhos ou nas epístolas. Por causa disso, eu sempre acabava desistindo antes mesmo de chegar aos Provérbios, que seria uma coisa que talvez eu gostasse de ler.

Então dividi a Bíblia em dez partes, lendo um capítulo de cada por dia. Assim, terminarei a Bíblia em um terço de um ano, quatro meses mais ou menos. Até agora, tenho gostado de estudar a Bíblia e formar a minha concepção de religião. Eu tenho razões para acreditar em Deus, mas tenho ainda mais razões para rejeitar todas as igrejas da atualidade. Então estudar a Bíblia por conta própria acaba sendo o único meio de seguir o caminho que escolhi (eu “demiti” aquele casal de testemunhas de Jeová que vinham me dar estudo bíblico porque eles sempre ministram o mesmo livro, que eu já terminei antes). Além do mais, a religião cristã é a religião do amor, que é o sentimento mais construtivo que existe, porque nos leva a procurar nossa felicidade na felicidade do outro. Isso muito me interessa, porque sempre fui um cara muito bonzinho. Então, se eu puder ser salvo sem ter de mudar muito meu comportamento, a religião cristã parece um bom lugar para onde ir. O que me preocupa são as igrejas, que, segundo minha leitura da Bíblia até agora (este é trigésimo-quarto dia de estudo), não são completamente coerentes com as escrituras, principalmente no que diz respeito ao próprio amor.

Outra razão para ler a Bíblia é o meu estudo filosófico que estou fazendo desde o ano passado, quando comecei a ler a Metafísica. É um estudo autoimposto de história da filosofia, orientado por obras filosóficas e, até o momento, aprendi mais sozinho do que em seis anos na universidade. Depois de ler os pré-socráticos, os socráticos e os helenísticos, estou lendo obras do período medieval, profundamente marcado pela religião católica. Então, ter algum conhecimento das escrituras pode me ajudar a melhor entender as obras patrísticas e escolásticas. No momento, estou encarando as seiscentas páginas da Suma Contra os Gentios, de São Tomás de Aquino, depois de ter lido o curto Proslogion e as longas Confissões. E acho que meu aproveitamento dessas obras seria maior se eu tivesse lido a Bíblia antes.

Não faz mal lê-la. Todos os livros têm alguma sabedoria, mesmo os livros ruins que nos dizem como não escrever. A Bíblia não é um livro ruim, então eu, na verdade, recomendo sua leitura. Mesmo para os ateus, que querem conhecer mais sobre as religiões do livro, porque eles poderiam pescar alguma coisa que lhes poderia ser útil, apesar de não terem credo (fora que, diga-se de passagem, você não pode argumentar religião com um cristão, por exemplo, sem usar a Bíblia).

8 de maio de 2015

Manual do cristão.

Filed under: Livros, Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yurinho @ 16:06

Preguiça de pensar e medo de errar. As pessoas que vão para igrejas muitas vezes sofrem de um dos dois problemas, talvez até dos dois. Permitindo que um padre ou pastor interprete a linguagem divina por eles, eles podem se dar ao luxo de simplesmente seguir aquilo que ele diz, se poupando de um esforço de leitura e hermenêutica que poderia não apenas treinar suas mentes, mas também desenvolver uma relação mais pessoal com o divino. Por outro lado, elas têm medo de que, fazendo isso, sejam mais propícias ao erro do que aqueles que já fazem isso há muito tempo. Então, resolvi compilar versículos dos evangelhos que trazem a moral cristã. Essa compilação traz as leis que foram repassadas por Jesus, poupando a pessoa de ter de caçar esses textos em meio às páginas bíblicas. Porém, não elimina a necessidade de interpretação. Aliás, a moral cristã é simples, não precisa ser um estudioso para entender esses versos. Então, espero que com isso as pessoas vejam que o conteúdo moral bíblico não é difícil e que, assim, elas não precisam de um líder religioso que lhes diga o que é certo e o que é errado. Bastaria ler. E, justamente por sua simplicidade, a chance de errar na hora de interpretar é muito baixa.

Mas aí vem a pergunta: por que apenas os evangelhos? As Bíblias protestantes, em geral, tem sessenta e seis partes, contando livros e cartas, mas existem Bíblias de até oitenta e uma partes, que, inclusive, levando em consideração também a Septuaginta, divergem até em número de capítulos por livro. E não apenas cristãos têm suas dúvidas: muitas críticas feitas por judeus caem sobre a Septuaginta, acusada de pobre e de fazer adições indevidas ao Antigo Testamento. E ainda tem o evangelho segundo Allan Kardek e o Livro de Mórmon. Logo, a minha escolha de crer somente nos evangelhos como norma de conduta moral não tem menor mérito em relação a qualquer outra escolha: estamos todos perdidos aqui.

Mas ainda preciso justificar minha escolha em particular de usar apenas quatro livros para orientar minha conduta religiosa. Bom, se todo cristão acredita nas palavras de Jesus, então acredita que ele é o caminho, a verdade, a vida e que ninguém vai ao Pai se não por ele.1 Ele é o único caminho e sua doutrina está nos evangelhos. Então me parece seguro que aquele que ama Jesus guarde seus mandamentos.2 Por outro lado, isso não significa que os outros ensinos bíblicos estão errados. Então não há necessidade de jogar fora nem a Bíblia de sessenta e seis livros, nem a de oitenta e um, mas deveria haver um interesse em analisar tantos livros quanto for possível e “pescar” deles o que quer que esteja em consonância com o que foi passado por Jesus.3 Especialmente porque ter vida eterna requer conhecimento sobre Deus, o que requer estudo e leitura, não apenas oração.4 Começar pelos evangelhos é crucial, porque eles contém a moral e as normas de conduta. Depois de lidos os evangelhos, recomendo a lida dos Atos dos Apóstolos, das epístolas de Paulo e das revelações do Apocalipse, que são também relevantes ao cristão. Depois, ler o Antigo Testamento, para reforçar a fé e compreender a tragetória judaica até a vinda do Messias, além de verificar que profecias foram cumpridas.

Justificada minha escolha, voltemos à compilação. A seguir, temos os ensinamentos passados às pessoas por Jesus enquanto ele estava na Terra. Então, se você gostaria de saber se está fazendo tudo certinho, continue lendo e avaliando seu comportamento. Se você sente falta dos ensinamentos feitos em outros livros da Bíblia, poderá lê-los por conta própria, tanto em Bíblias de fato, quanto em Bíblias online. Nunca foi tão fácil ter acesso às escrituras como hoje, então faça uso dessas novas tecnologias se você se sentir forte e hábil. Ou pode continuar usando Bíblias físicas, já que nem sempre se pode usar o computador e livros são mais fáceis de levar. Mas, caso a minha introdução te tenha deixado em dúvida sobre a validade dos outros livros, lembre que eles são seguros na medida em que concordam com o que foi dito por Jesus. E o que ele disse, moralmente, é o que copiei abaixo. Lembre-se que seguir essas regras perfeitamente nos torna mais próximos de Deus e que Jesus nos recompensará segundo nossas práticas.5

Provavelmente, a primeira moral a ser apresentada nos evangelhos é “não tenterás o Senhor.”6 Isso significa não colocar Deus à prova. Em outras palavras, não devemos testar para saber se Deus está ali ou não, mas assumir que ele está, sem ao mesmo tempo abusar de sua presença. Na medida do possível, devemos procurar resolver nossos problemas por contra própria, recorrendo a Deus em momentos trágicos, isto é, quando algo ruim e inevitável nos acontece, sem que tenhamos forças para nos recuperar. Isso não significa se aproximar de Deus somente quando o pior acontece, mas também para agradecer, como se verá depois, nas considerações sobre a oração.

A segunda moral é a de adorar apenas um Deus, que é este Deus, cujo nome está além da pronúncia (YHWH, que alguns traduzem como Javé, Iavé ou Jeová).7 Por “adoração” deve-se entender o culto e por “culto” deve-se entender rituais, preces, sacrifícios e todos os comportamentos normalmente dispensados às religiões. Algumas igrejas consideram culto também comportamentos obsessivos sobre coisas fúteis, como ídolos da mídia e bens materiais. Poderíamos, então, por extensão, também considerar culto o amor às coisas do mundo físico quando esse amor supera o amor que temos por Deus. Mas os critérios para avaliar o amor que sentimos é muitas vezes subjetivo. A pessoa talvez precise de um companheiro que possa prover um julgamento externo sobre a conduta, de forma que o erro, se presente, fique mais evidente, o que não implica uma relação de hierarquia (salvo quando o batismo for requisitado, porque ainda deve haver uma relação de hierarquia entre batizador e batizado).8

Como prêmio por essas condutas, temos a salvação, que é mais precisamente definida como “vida eterna”. Essa é uma salvação que pertence aos mansos, aos misericordiosos e aos justos.9 Mas “justiça” é um termo cuja a interpretação varia. Após uma lida nos evangelhos, vê-se que o conceito de justiça normalmente é invocado quando Jesus dá algum sermão sobre os fariseus. Os fariseus eram um grupo judaico que lucrava com a adoração dos fiéis, mas que quebravam às escondidas as leis que eles exigiam que o povo cumprisse. Então, ao mesmo tempo, eles eram hipócritas e obtinham para si uma quantidade desproporcional de lucro. O conceito de justiça é relacionado ao de proporção, algo presente no conceito de justiça de muitos de nós. Então, talvez, o conceito de justiça seja o de proporção lícita. Não devemos ter para nós mais que o devido, de forma que o nosso enriquecimento empobreça outrem, tal como deveríamos dar a alguém o devido respeito (por exemplo, devemos amar a Deus sobre todas as coisas porque ele nos criou e adorá-lo mais que a qualquer outro ser é nada menos que justo, pois ele recebe assim o devido respeito) ou ajudá-lo em sua necessidade, para que estabeleçamos harmonia entre ele e sua condição, isso parece ser a justiça. Se praticamos bem ao próximo, então estamos agradando a Deus e, negando o bem ao outro, não estamos trabalhando para a justiça e estamos o desagradando. É como se aquilo que fazemos pelo próximo fosse feito ao próprio filho de Deus. Se fazemos bem, é a ele que fazemos bem.10 Logo, justiça pode ter a ver com medida, harmonia e proporção, tanto material como moral. Da mesma forma, não devemos exigir dos outros o que não exigimos de nós mesmos. Se isso parece confuso, você pode considerar como justiça divina as ordens que devemos seguir. Continue lendo.

Já que Deus nos criou e merece nosso respeito, lhe devemos obediência. E isso inclui obedecer a regras que, aparentemente, proibem coisas inócuas. Por exemplo, o repúdio da mulher sem razão sexual.11 Hoje, o divórcio acontece com frequência, mas Jesus diz que não deveríamos nos separar a menos que um dos parceiros tenha praticado algum sexo ilícito. Talvez seja porque, naquela época, a separação implicava esse tipo de infração, logo as pessoas separadas eram vistas de forma diferente, talvez com desprezo. Então, se separar sem a devida razão atrairia para o separado uma má fama que lhe era injusta, isto é, indevida. Muitos discordarão disto e talvez se levante a pergunta: “qual seria a razão de proibir o divórcio sem razão sexual hoje?”. Eu não tenho ideia, mas, se Deus mandou e eu lhe devo obediência, só posso concordar. Talvez haja uma razão que eu venha a descobrir no futuro ou talvez Deus tenha razões que eu, como ser humano, não entenda.12

A moral seguinte é a dos juramentos. Nós não podemos fazer juramentos de forma alguma, nem por nós mesmos (porque poderíamos quebrá-los, o que nos culpabilizaria) nem pelos outros (porque isso é falar em nome de alguém que não consentiu e poderia lhe permitir a ferir a honra da pessoa pela qual você jurou). É mais seguro não jurarmos de forma alguma para diminuir nossas chances de desonra.13 Assim, devemos responder com sim ou não, em vez de juro que sim ou prometo que não.14

A próxima moral é a da resistência à injustiça. Embora possamos evitar sermos vítimas de injustiças pela ação sábia, não deveríamos revidar injustiças cometidas contra nós.15 Na verdade, deveríamos amar aqueles que nos ofendem dessa forma (aliás, devemos amar a todos, tal como Jesus nos amou, o que significa também repreender quando necessário).16 Mas amor não é um sentimento doentio de completa submissão. Quem ama quer o aperfeiçoamento do amado. Então a disciplina e a admoestação fazem parte do amor.17 Porém, se a pessoa insiste em fazer o que é errado apesar de alertada sobre as consequências, o bom cristão só pode aceitar e se compadecer do erro em que a pessoa incorre.

Depois temos a moral da modéstia. Ao fazer alguma boa ação, devemos guardá-la para nós mesmos em vez de fazer divulgações desnecessárias. Por exemplo, nos tempos de Jesus, quando ele fazia suas pregações, insistia com muitas pessoas que seus milagres fossem mantidos em secreto. Não devemos atrair atenção pelas coisas boas que fizemos.18 A oração também deve ser particular.19 Os fariseus gostavam de atrair atenção pelos dízimos que faziam e pelos jejuns.20 Também faziam orações públicas, talvez em alta voz também, para que as pessoas os vissem e os vestissem de um valor que não lhes era próprio, já que estavam fazendo a vontade de Deus publicamente, mas quebravam a lei quando sozinhos.21 A razão de quererem chamar tanta atenção talvez fosse a fama e a riqueza que obtinham dos outros fiéis, mas Jesus ensina que devemos ser humildes, modestos, como crianças.22 E uma característica das crianças é a inocência, a ingenuidade, a aceitação sem dúvidas. Um dos requisitos para obter a vida eterna é justamente crer na vinda de Deus “como uma criança crê”, isto é, sem duvidar.23

Quanto a oração, embora ela possa seguir um programa, não pode ser repetida da mesma forma todas as vezes, sem necessidade. A oração não pode ser automática.24 Quando memorizamos um texto e o recitamos, tendemos a não prestar atenção em seu significado e o texto torna-se vazio para nós. Então a oração não pode ser recitada, mas feita de forma pessoal a cada vez. Além disso, não há uma posição específica ou roupagem especifíca para orar, embora isso não significa que possamos assumir postura desrespeitosa ou, por exemplo, orar nus.25 Primeiro, Deus deve ser invocado e elogiado, devemos pedir pela vinda do reino, que sua vontade seja cumprida. E depois devemos fazer nossos pedidos, como comida, perdão e proteção. Vale lembrar que o perdão de Deus só é concedido aos que perdoam aos seus irmãos (e, por irmãos, falo de qualquer ser humano).26 Ao orar, tenha fé em suas próprias palavras e fé de que Deus as ouvirá. A oração com dúvidas não parece ser ouvida.27 A oração precisa ser feita a Deus em nome de Jesus.28

Riqueza não é tudo.29 Jesus disse que não deveríamos buscar as riquezas, mas ressalva que elas nos serão adicionadas se nós procurarmos fazer a vontade de Deus em primeiro lugar.30 A riqueza, se procurada em primeiro lugar, põe, necessariamente, a vontade de Deus embaixo, tornando a riqueza um senhor.31 Como não podemos ter dois senhores, é melhor que façamos uma escolha sensata.32 Além do mais, Deus pode prover riqueza também, desde que o coloquemos em primeiro lugar. Além do mais, nossos olhos, como a candeia da mente, precisam estar voltados para coisas dignas. Se visamos apenas a riqueza, a tentação de obter riqueza ilicitamente é maior.33 Além disso, ter um apego excessivo à riqueza nos torna avarentos e menos capazes de ajudar o próximo financeiramente.34 Por último, se buscamos as riquezas, a comida e os cuidados com a vida e nos esquecemos das coisas que realmente importam, seremos surpreendidos pelos acontecimentos dos últimos dias.35

A próxima moral é muito importante: devemos fazer aos outros aquilo que queremos que nos seja feito e não fazer a eles o que não queremos que seja feito a nós.36 Por exemplo: a menos que você queira ser julgado, você não deveria julgar os outros ou, se você quer ser perdoado, deveria ser capaz de perdoar.37 Isso parece resumir toda a lei que havia antes de Jesus. Válido também para intenções. Não deveríamos nem sequer nutrir desejos de fazer algo errado para com o próximo e parece sábio evitar pensamentos ou ações que nos levariam a tanto (cobiçar a parceira do outro pode nos levar a querer tomá-la para nós, por exemplo). Não devemos também nutrir raiva dele. Amar Deus sobre todas as coisas e o próximo como a nós mesmos são os maiores de todos os mandamentos e são condição de possibilidade do perdão de nossos pecados.38 Quem é incapaz de perdoar não obtém perdão pelas suas próprias faltas. E absolutamente precisamos de perdão porque erramos muito.39 Quanto aos julgamentos, existe um tipo de julgamento válido com o qual devemos medir atos e que permite críticas construtivas: o julgamento segundo a reta justiça, que ultrapassa as aparências.40

Como Jesus é nossa salvação, negá-lo também significa negar a salvação eterna provida por Deus.41 Se realmente queremos nos salvar, temos que ter apreço por Jesus, nossa salvação, e seus ensinamentos, mesmo quando segui-los implicar nossa morte.42 Não devemos nos envergonhar de dizer que acreditamos em Cristo como a salvação provida por Deus.43 Caso sejamos tentados em situações extremas, como, por exemplo, por pregar em um local onde tal coisa é proibida, precisamos manter a calma e nos defender em tribunal com sinceridade e espontaneidade.44 Isso implica que seguir a moral divina pode requerer alguns sacrifícios.45

Apesar de aqueles que aceitam a doutrina de Jesus como entregue por Deus não precisarem seguir as leis dos judeus integralmente, a maioria dos dez mandamentos está ainda em voga.46

As coisas que contaminam o ser humano são suas ações, não coisas exteriores. Para evitar más ações, precisamos colocar nosso “coração” (emoções e sentimentos) atrás da razão. Porque é do coração de onde vem a vontade de fazer o que é errado.47

Deus nos recompensará proporcionalmente às nossas ações.48 Então, para que nós possamos ter a maior recompensa possível, temos que sacrificar o máximo possível, mesmo que isso signifique abandonar família e amigos. Por isso está escrito que é difícil um rico entrar no reino dos céus. Afinal, um sacrifício proporcional, para que ele estivesse em condição perfeita, seria vender tudo o que tem.49

Que não digamos blasfêmias contra o Espírito Santo, porque essa é uma ofensa imperdoável.50

A próxima moral é a dos inimigos de Jesus. Não deveríamos proibir que façam milagres em nome de Jesus.51 Isso porque aqueles que fazem milagres em nome dele não falam mal dele. Observe que se trata de milagres verdadeiros, não aquelas palhaçadas que vemos na televisão. Hoje, por exemplo, vemos na televisão pessoas operando milagres obviamente falsos, combinados, ou aplicando golpes e induzindo histeria. Não devemos acreditar neles. Muitos virão ostentando o nome de Cristo.52 O verdadeiro Cristo, quando vier, nos dará um sinal inconfundível e evidente. Então, qualquer dessas igrejas que se proclama a “verdadeira”, mas que não valorizam estas coisas basilares que escrevo, é genuinamente falsa. Pelos frutos se conhece a árvore.53 Importante também é entender que os inimigos de Jesus são aqueles que conscientemente agem contra o que ele ensinou. Aqueles que são neutros, como os que não conhecem a verdade, por exemplo, também jogam a nosso favor.54

A próxima moral é a moral dos impostos e das dívidas com o mundo. Deveríamos pagar impostos ou arcar com demandas mundanas? Sim, na medida em que isso não transgride a lei maior, que é a de Deus.55 Mesmo os impostos injustos devem ser pagos.56

Existe uma festa na qual se come pão e se bebe vinho, conhecida como páscoa e que pode ser praticada uma vez por ano, normalmente. Ela parece ser necessária também, pois o pão é o corpo simbólico de Jesus, tal como o vinho representa seu sangue. Nos foi requisitado comemorá-la para “estarmos” nele.57 E, se estamos em Jesus, tudo o que pedirmos a Jesus nos será dado.58

Multiplique estas palavras e tenha fé no que Jesus nos disse, pois que Jesus nos disse o que Deus queria que soubéssemos. Tenha fé e multiplique, para que todos saibam o que devem fazer para agradar a Deus por meio de Jesus.59 Amém.

1João 14:6.

2João 14:15; 14:21; 15:10.

3João 5:39.

4João 8:19; 12:50; 17:3.

5Mateus 5:48; 16:27.

6Mateus 4:7. Lucas 4:12.

7Mateus 4:10. Lucas 4:8.

8Mateus 23:8, 9, 10. Marcos 9:50. João 3:5.

9Mateus 5:5, 7, 20.

10Mateus 25:40; 25:45; 26:52. Marcos 9:37.

11Mateus 5:32; 19:9. Marcos 10:11, 12. Lucas 16:18.

12Marcos 10:9.

13Mateus 5:34.

14Mateus 5:37.

15Mateus 5:39. Lucas 6:27, 28, 29, 30; 18:14.

16Mateus 5:44. João 13:34; 15:12, 17.

17Mateus 18:15. Lucas 17:3.

18Mateus 6:2, 4.

19Mateus 6:6.

20Mateus 6:16.

21Lucas 12:1.

22Mateus 18:4; 23:12. Marcos 9:35. Lucas 18:16.

23Marcos 10:15. Lucas 18:17. João 20:29.

24Mateus 6:7.

25João 4:24.

26Mateus 6:14. Marcos 11:25, 26.

27Marcos 11:24.

28João 16:23.

29Lucas 12:23.

30Mateus 6:19. 33. Lucas 12:31.

31Lucas 6:24.

32Mateus 6:24. Lucas 16:13.

33Lucas 11:34.

34Lucas 12:15.

35Lucas 21:34; 21:36.

36Lucas 6:31, 35, 36, 37, 38.

37Mateus 7:1, 12; 18:33, 35. Marcos 4:24.

38Marcos 12:29, 30, 31, 33. Lucas 10:27.

39Lucas 13:3.

40João 7:24.

41Mateus 10:33, 37, 39. Lucas 12:9. João 5:23; 12:48.

42Mateus 24:13. Marcos 8:35. Lucas 6:22, 23; 12:5. João 12:25.

43Marcos 8:38. Lucas 9:26.

44Marcos 13:11.

45Lucas 9:62; 14:33.

46Mateus 15:4; 19:18, 19. Marcos 10:19. Lucas 18:20.

47Mateus 15:19, 20.

48Lucas 12:33; 14:11. João 5:29.

49Mateus 19:21, 29.

50Marcos 3:29. Lucas 12:10.

51Marcos 9:39.

52Marcos 13:21.

53Lucas 6:45. João 14:24.

54Marcos 9:40. Lucas 9:50. João 15:23.

55Mateus 22:21. Marcos 12:17.

56Lucas 16:11, 12.

57João 6:56.

58João 15:7.

59Mateus 28:19. Marcos 11:22; 13:10; 16:16. João 3:16, 18, 36; 5:24; 6:29, 39, 47; 8:51; 12:36.

31 de março de 2015

Eu tive um estudo bíblico…

Filed under: Livros — Tags:, , , — Yurinho @ 19:49

Pesquisa revela que brasileiros acreditam em Deus e também em Darwin | Imbituba Gospel.

Eu não sei se já falei, mas, mais para fazer minha feliz, estou estudando a bíblia com as testemunhas de Jeová. Tenho o hábito de ler a bíblia de tempos em tempos para fixar algumas coisas e resolvi confrontá-los com algumas anotações que fiz sobre o Gênesis, o livro que explica o mito criativo.

Em primeiro lugar, para as testemunhas de Jeová, os dias criativos não eram dias de vinte e quatro horas, o que é plausível. A partir do quinto dia, Deus resolveu fazer os animais. Só que o ser humano apareceu apenas no sexto dia, lembrando que não são dias literais. Eu imaginei que seria tempo o bastante para que as criaturas evoluíssem, adaptando-se ao ambiente e se reproduzindo, de forma que apenas os melhores sobrevivessem, repassando suas características às criaturas vindouras. Seleção natural.

Resolvi falar disso pro meu professor bíblico e ele me confirmou. Isso significa que as testemunhas de Jeová não são, exatamente, contra a evolução em geral ou a seleção natural, mas ele me disse que, segundo o relato que começa em Gênesis 1:20, que as criaturas não vieram todas de uma espécie primordial. Ou seja, de peixes não poderiam vir aves, por exemplo. Animais aquáticos geram animais aquáticos, aves geram aves, “segundo sua espécie”, o que talvez não aponte para o nosso significado atual de “espécie”. Então, lendo o artigo acima, eu me perguntei até que ponto as testemunhas condenam a evolução ou a seleção natural ou se essa não é uma opinião partilhada por todos. Certamente, contudo, são contra a ideia de que o ser humano tenha evoluído. Ainda não perguntei o parecer dele sobre os dinossauros, quero ouvir o que ele vai dizer…

9 de dezembro de 2013

Alguém leia o comentário desse cara.

Filed under: Passatempos, Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yurinho @ 15:31

Estudo bíblico sobre a masturbação. | Pedra, Papel e Tesoura..

Alguém leia o comentário desse cara. Wankers, unite! Em nome das patadas já dadas e não dadas!

Quase que eu revogo minha decisão de reter na fila de spam qualquer comentário contendo links. Mas fui mais forte que isso. De toda forma, se você souber ler inglês, tome o comentário dele como um apêndice ao estudo.

4 de dezembro de 2011

Mas é uma da manhã…

Filed under: Computadores e Internet, Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yurinho @ 01:21

Site Stats ‹ Pedra, Papel e Tesoura. — WordPress.

Uma hora da manhã, resolvi checar as estatísticas do meu blog. Duas visitas nas primeiras horas do dia. Adivinhe em que entrada.

Ainda me sinto surpreso com a popularidade do meu texto sobre a moralidade de uma patada e estou relevando a possibilidade de reescrevê-lo (novamente, sendo essa também a entrada mais atualizada daqui). Parece que a possibilidade de masturbação ser pecado é uma preocupação perene na mente de muitos, julgando pelos termos pesquisados. Quero dizer, muitos chegam aqui pesquisando seis palavras em um determinado arranjo, esse arranjo dessas seis palavras me rendendo três visitas. Isso pode significar que uma mesma pessoa leu meu texto três vezes. Concordando ou não, estou incrivelmente feliz com o fato de meu texto ser lido tantas vezes por dia (recorde em 20 de Outubro, com nada menos que 73 visitas). As pessoas pararam de discordar dele, será que a guerra foi vencida?

Claro que não.

10 de março de 2011

A hora do “reset”.

Primeiro, deixo minha ansiedade clara: quero o Ubuntu 11.04. Segundo: leitores assíduos, se é que tem algum, devem ter notado uma mudança no espaço “sobre mim”.

Recentemente, dúvidas me vieram à mente. Sendo eu filósofo, dúvidas fazem parte da minha vida. Minha principal fonte de orientação espiritual é a Bíblia e, durante estes dois semestres estudando Filosofia calmamente e pacificamente, aprendi como a Bíblia foi montada. Antes disso, eu já me perguntava como a mensagem do Salvador e a reprovação aos homossexuais era compatível. Simplesmente, não achei qualquer compatibilidade. Voltemos à linha de tempo principal. Aprendi que a Bíblia foi montada pelo Conselho de Nicéia, esses caras escolheram o que entra e o que sai dos textos oficiais. “Ora, mas se um grupo de pre-medievos pode montar a Bíblia, eu também posso”, pensei.

Segundo o Salvador (Jesus), quem crê será salvo, significa que devemos seguir a moral de Deus, entregue pelo seu filho. Ele é o caminho, o único caminho, certo? Em nenhum livro, em nenhum lugar, o Salvador fala contra os homossexuais. Mas um apóstolo Paulo o faz. Ora, o apóstolo recebeu influência da filosofia, ele pensava e reflectia a respeito dos ensinamentos de seu Mestre. Ele também era judeu antes da conversão. Pode ser que o que vemos nas cartas aos Coríntios, por exemplo, seja a interpretação dele a respeito dos ensinamentos do Salvador, misturado com Estoicismo e Judaísmo, e não um texto puramente cristão.

O que seguir? Creio que esta seja uma questão pessoal, uma coisa que você deve descobrir e não os padres que fazem o trabalho por você porque você tem preguiça de buscar as respostas ou medo de se deparar com provações emocionais ou existenciais. Filósofos estão acima disso, acima da preguiça de pensar e acima do medo de perder as bases do seu pensamento anterior.

Então senhores, estou apertando reset e começando a reflexão toda de novo. Eu não sou normal, graças a Deus.

19 de agosto de 2009

Estudo bíblico sobre a masturbação.

Filed under: Livros, Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yurinho @ 14:28
Introdução.

Nesta entrada, trato de um assunto bastante delicado, que é a moralidade espiritual da masturbação. A masturbação é a prática de, manualmente, estimular os genitais de alguém, sejam os seus ou os de outra pessoa, normalmente com o intuito de chegar ao orgasmo. Sendo algo que normalmente envolve apenas você e seu corpo, é uma prática natural que todos experimentam em maior ou menor grau em algum ponto de suas vidas. Mas é a masturbação algo bom ou ruim?
Pensemos o aspecto físico. A masturbação, na verdade, faz bem ao corpo, seja masculino ou feminino. No caso dos homens, a ejaculação frequente traz o benefício de reduzir as chances de câncer de próstata sob determinadas circunstâncias. No caso das mulheres, não há benefícios tão extensos ao ponto de reduzir a chance de algum tumor, mas ainda há a vantagem de conhecer melhor o corpo. Isso não significa, contudo, uma desvantagem da mulher, mas uma vantagem, porque significa que elas não são tão suscetíveis a certos problemas que afetam o homem. Ao passo que, para o homem, a masturbação é também um remédio, as mulheres podem talvez sintam-se mais confortáveis ao saber que a masturbação, para elas, é uma diversão e não uma necessidade física (a não ser que seja relevado o alívio sexual).
Pensemos o aspecto mental. A medida que o tempo passa, ficamos mais suscetíveis à estímulos sexuais. Certas pessoas são especialmente sensíveis, pois a susceptibilidade a esses estímulos varia de pessoa para pessoa. Quando estimuladas, as pessoas experimentam um aumento na tensão sexual que pode ser liberada ou mantida. Quando mantida, a pessoa fica mais sensível a mais estímulos, o que aumenta ainda mais a tensão. O desconforto de estar insatisfeito vem com cada vez mais frequência e intensidade e, mesmo aqueles com uma cota decente de força de vontade, podem perceber um aumento do nível de estresse e uma certa dificuldade em desempenhar tarefas que exijam concentração por longos períodos de tempo, como trabalhos repetitivos. Por isso a vontade de se masturbar sempre volta, porque não é possível eliminar nossa sexualidade e, por isso, somos sempre suscetíveis ao aumento da tensão sexual. Quando liberada, a tensão sexual diminui ou mesmo some, relaxando a pessoa e eliminando uma irritante distração, o que aumenta seu desempenho em suas tarefas. É lógico, pois o mesmo acontece com a sede, a fome, o sono e a vontade de ir ao banheiro. São distrações de origem biológica que atrapalham sua concentração nas tarefas que você deve desempenhar. Claro que o desejo sexual não é o mesmo para todos, então há quem não experimente essas sensações.
Pensemos o aspecto social. A masturbação, obviamente, não é assunto para todas as horas, nem prática para todos os lugares. É socialmente aceitável na medida que você use de bom senso. Mas relevamos aquilo que realmente interessa, o aspecto espiritual. A masturbação é saudável e aceitável, mas é ou não pecado? Primeiro, pergunte-se: “acredito na Bíblia?”. Vejamos. A Bíblia contém tudo o que Deus quer que saibamos a respeito dele, a respeito da salvação e a respeito da moral cristã ou judaica. Portanto, ela tem autoridade superior a autoridade dos homens deste mundo. Toda a inferência cristã que designa um juízo de pecado deve, portanto, ser baseada na Bíblia e unicamente na Bíblia. Uma inferência cristã que designa um juízo de pecado que não tem como base a palavra de Deus, isto é, a Bíblia, é inválida. Uma inferência dessa natureza que usa os textos bíblicos de forma errada para basear-se também é inválida. Você já deve ter se deparado com textos que sustentam que a masturbação é pecado, mas você viu que textos bíblicos sustentam a tese do escritor? Será que esses textos podem ser usados daquela forma?
Assim, o método que usarei para provar que a masturbação não é pecado é refutando esses escritos, tirando-lhes sua base. Visitei vários textos que sustentam que a masturbação é pecado e coletei os textos bíblicos usados para sustentá-los, examinando-os individualmente e vendo se podem ou não ser usados como provas contra a masturbação. Se não puderem, o texto de onde foram extraídos (a página visitada) é inválido. Não visitei apenas duas páginas na Internet, ou cinco ou oito. Visitei cerca de dez e reuni um compêndio de textos usados incorretamente para sustentar a masturbação como algo pecaminoso. Na verdade, creio que o compêndio é grande a ponto de cobrir todos os textos que sustentam a masturbação como pecado, visto que a mesma interpretação falaciosa é usada por vários indivíduos. A Bíblia é o único livro que tem autoridade de nos dizer o que é ou não pecado e estou para mostrar que ela não acusa a masturbação como algo pecaminoso. Continue lendo.

O que a Bíblia diz?

Como dito, os textos bíblicos a seguir foram selecionados de textos que sustentam que masturbação é pecado. Estes relevam tanto a lei do Antigo Testamento quanto a lei do Novo. Judeus podem se beneficiar das minhas interpretações de Gênesis à Daniel. Cristãos farão melhor uso das interpretações a partir de Mateus.

Antigo Testamento.

Gênesis 1: 28.

Deus os abençoou: “Frutificai, disse ele, e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra.”

Este texto mostra que é tarefa da humanidade se reproduzir e gerar prole. Porém, masturbar-se ou mesmo usar métodos contraceptivos não lhe impede de ter filhos em algum momento. Apesar de aderir a um “controle de natalidade”, por meio, por exemplo, da camisinha, isso não lhe impede de ter sexo sem tais métodos quando sentir-se pronto para gerar um filho. Essencialmente, esse texto diz que devemos nos reproduzir, mas não diz que todas as relações sexuais devem obrigatoriamente gerar prole. Da mesma forma, a masturbação não substitui o sexo completamente nem elimina o desejo de uma pessoa de ter filhos.

Gênesis 2: 18-20.

O Senhor Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só; vou dar-lhe uma ajuda que lhe seja adequada.” Tendo, pois, o Senhor Deus formado da terra todos os animais dos campos, e todas as aves dos céus, levou-os ao homem, para ver como ele os havia de chamar; e todo o nome que o homem pôs aos animais vivos, esse é o seu verdadeiro nome. O homem pôs nomes a todos os animais, a todas as aves dos céus e a todos os animais dos campos; mas não se achava para ele uma ajuda que lhe fosse adequada.

De fato, não é bom ficar sozinho pela sua vida toda. Levando este texto ao seu nível mais metafórico, pode-se interpretá-lo como “Deus quer que tenhamos companhia”, isto é, sendo esposa ou marido. Masturbação não elimina o desejo de namorar ou mesmo casar-se, porque não provê a pessoa de nada além de alívio sexual. Masturbação não traz o amor e o aconchego que só a companhia traz, portanto não representa um risco ao desejo de casar-se.

Gênesis 2: 24.

Por isso o homem deixa o seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher; e já não são mais que uma só carne. 

Aqui fala do casamento como parte importante da vida de uma pessoa, que a pessoa deve romper com os pais para dedicar-se à sua companhia, quando um deverá satisfazer o outro.

Gênesis 4: 7.

Se praticares o bem, sem dúvida alguma poderás reabilitar-te. Mas se precederes mal, o pecado estará à tua porta, espreitando-te; mas, tu deverás dominá-lo.

Este texto está inserido na história dos dois irmãos em que um assassinou o outro, sendo essas palavras que Deus disse ao assassino. Quando você faz coisas ruins, você acaba fazendo coisas piores com o passar do tempo, a não ser que você mude. Masturbação, como algo natural e inofensivo a você e aos outros, não leva você a praticar o indevido (a não ser que você esteja cobiçando o parceiro do próximo). Alguém pode argumentar que essa prática alimenta a luxúria, mas não é assim. A masturbação provê alívio sexual e uma pessoa sexualmente satisfeita não comete pecados sexuais tal como uma pessoa farta não incorre em gula. Além disso, a pessoa propriamente educada sabe que não deve ter sexo antes de estar casado, logo a educação tem um papel fundamental na conduta sexual. Mas uma pessoa com desejos sexuais fortes e persistentes pode precisar não somente de educação, mas também de um meio de amortecer seus desejos, do contrário poderá ver-se em uma forte tentação e subverter a educação que recebeu.

Gênesis 24: 63, 64. 

Uma tarde em que saíra para meditar no campo, levantando os olhos, viu alguns camelos que se aproximavam. Rebeca também, tendo levantado os olhos, viu Isaac, e desceu do camelo. 

Lembre que no início desta entrada eu disse que tirei estes textos de sites que sustentam que a masturbação é pecado e este texto não é exceção. Mas lendo o texto você vê que nada tem a ver com assunto. O que isso quer dizer? Que algumas pessoas dizem fundamentar suas argumentações em textos bíblicos e dão referências aleatórias, porque sabem que quase ninguém procura ler esses textos.

Gênesis 38: 1-11. 

Naquele tempo, Judá, apartando-se dos seus irmãos, foi para a casa de um homem de Odolão, chamado Hira. Judá viu ali a filha de um cananeu, de nome Sué, e desposou-a, unindo-se a ela. Ela concebeu e deu à luz um filho, ao qual chamou Her. Concebeu novamente e deu ao mundo um filho, e deu-lhe o nome de Onã. E teve ainda um filho, que chamou Sela. Judá estava em Achzib na ocasião desse nascimento. Judá escolheu para Her, seu primogênito, uma mulher chamada Tamar. Her, porém, o primogênito de Judá, era mau aos olhos do Senhor, e o Senhor o feriu de morte. Então Judá disse a Onã: “Vai, toma a mulher de teu irmão, cumpre teu dever de levirato e suscita uma posteridade a teu irmão.” Mas Onã, que sabia que essa posteridade não seria dele, maculava-se por terra cada vez que se unia à mulher do seu irmão, para não dar a ele posteridade. Seu comportamento desagradou ao Senhor, que o feriu de morte também. E Judá disse a Tamar, sua nora: “Conserva-te viúva em casa de teu pai até que meu filho Sela se torne adulto.” “Não é bom, pensava ele consigo, que também ele morra como seus irmãos.” E Tamar voltou a habitar na casa paterna. 

Este é talvez o mais infame argumento contra a masturbação. O indivíduo “maculava-se por terra” toda vez que “se unia” com a mulher do irmão dele. Observe, contudo, que o termo “unir” neste texto refere-se ao sexo, tanto é que certa pessoa, quando “uniu-se” à outra, gerou um filho. Ora, então o indivíduo teve, de fato, sexo com a mulher do irmão dele, então como ele poderia “macular-se por terra”? Coito interrompido, o mais velho método contraceptivo que existe, que consiste em interromper o ato sexual no momento do orgasmo, de modo que o esperma venha ao chão. Mas mesmo assim, não foi isso que matou o indivíduo, porque em nenhum momento do Gênesis ou da história bíblica métodos contraceptivos são citados como pecado, nem mesmo os mais simples que já existiam naquela época. Mas em vários momentos da história bíblica, nos é alertado que devemos obediência a Deus e o indivíduo desobedeceu uma ordem direta. Deus mandou o indivíduo engravidar a mulher do irmão dele, ele se recusou, Deus matou ele. Nada mais justo. Não foi a masturbação ou o coito interrompido que o levou à morte.

Êxodo 20: 17.

Não cobiçarás a casa do teu próximo; não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem nada do que lhe pertence. 

Aqui, claramente, diz que é errado cobiçar, isto é, querer para si o que quer que já tenha dono. Naquela época, mulheres eram tratadas como posses, por isso o tratamento soa meio que rude. Traduzindo para os dias atuais, não podemos desejar para nós parceiras ou parceiros de outras pessoas. Os que atacam a masturbação baseando-se nesse texto sustentam que a masturbação, normalmente alimentada por pensamentos explicitamente sexuais, pode ter como combustível o parceiro alheio. Mas nada de errado em você, um homem livre, cobiçar uma mulher livre, pois isso não traz dano a ninguém. Nada de errado em você, solteiro, querer namorar uma mulher solteira e ter pensamentos sexuais centrados nela.

Deuteronômio 5: 21.

Não cobiçarás a mulher de teu próximo. Não cobiçarás sua casa, nem seu campo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem nada do que lhe pertence.

Novamente, nada de errado em pessoas livres desejarem pessoas igualmente livres.

Deuteronômio 22: 13-19.

Se um homem, depois de ter desposado uma mulher e a ter conhecido, vier a odiá-la, e, imputando-lhe faltas desonrosas, se puser a difamá-la, dizendo: desposei esta mulher e, ao aproximar-me dela, descobri que ela não era virgem, então o pai e a mãe da donzela tomarão as provas de sua virgindade e as apresentarão aos anciãos da cidade, à porta. O pai dirá aos anciãos: dei minha filha por mulher a este homem, mas porque ele lhe tem aversão, eis que agora lhe imputa faltas desonrosas, pretendendo não ter encontrado nela as marcas da virgindade. Ora, eis aqui as provas da virgindade de minha filha. E estenderão diante dos anciãos da cidade a veste de sua filha. E os anciãos da cidade tomarão aquele homem e fá-lo-ão castigar, impondo-lhe, além disso, uma multa, de cem siclos de prata, que eles darão ao pai da jovem em reparação da calúnia levantada contra uma virgem de Israel. E ela continuará sua mulher sem que ele jamais possa repudiá-la.

Masturbação não tira a virgindade. “Virgem” é a qualidade de algo puro, que não se misturou a outras coisas. Sexualmente falando, virgem é a pessoa que nunca teve relações sexuais. Naquele tempo, talvez, o hímen era usado como prova de que a moça era virgem e o hímen pode, de fato, romper-se durante a masturbação feminina. Mas esse era o meio desses povos arcaicos descobrirem se a moça era virgem ou não, mas observe que a essência aqui é a virgindade, não o hímen. Claro que a perda do hímen durante uma seção de masturbação muito intensa pode ocorrer, mas isso não tira a virgindade de uma mulher, óbvio, porque ela não recebeu nada externo à ela. Naquele tempo talvez fosse desaconselhável que a mulher praticasse tal coisa, uma vez que isso poderia deixá-la sem “provas” de sua virgindade, mas a ausência de provas não é o que culpabiliza a mulher de ser impura, sim a perda de sua virgindade. Você pode perder o hímen e ainda continuar virgem, visto que o rompimento pode não ter acontecido durante um ato sexual. Mas isso é uma especulação sobre que tipo de “provas de virgindade” podia uma mulher naquele tempo dar aos anciãos. Essencialmente, as pessoas que usam esse texto contra a masturbação são pessoas que atestam que a masturbação tira a virgindade, o que não é verdade.

Deuteronômio 23: 9-11.

Quando saíres a combater contra os teus inimigos, guardar-te-ás de toda má ação. Se alguém dentre vós não estiver puro, em conseqüência de um acidente noturno, sairá do acampamento, e não voltará. Pela tarde, lavar-se-á em água e poderá reintegrar-se ao acampamento ao pôr-do-sol.

Aqui, no máximo, fala de polução noturna. De fato, na Lei Mosaica, o sêmen era algo “impuro”, isto é, sujo. De fato, não era um pecado mortal estar impuro por causa do sêmen, visto que essa “ofensa” podia ser facilmente expiada com um banho.

Provérbios 4: 25, 26.

Que teus olhos vejam de frente e que tua vista perceba o que há diante de ti! Examina o caminho onde colocas os pés e que sejam sempre retos!

Aqui fala para não se desviar do caminho “reto”. No início desta entrada, pressupus que masturbação não é pecado sob a maioria das circunstâncias e, até agora, creio que estou conseguindo provar meu ponto. Este texto é válido apenas para aqueles que já acreditam que a masturbação é pecado e não pode ser usado como prova contra a prática.

Provérbios 23: 26, 27.

Meu filho, dá-me teu coração. Que teus olhos observem meus caminhos, pois a meretriz é uma fossa profunda e a entranha, um poço estreito.

Este texto poderia ser usado contra a prostituição, algo ruim na visão de muitos cristãos. Porém, pessoal, muito cuidado ao considerar um texto fora do seu contexto, pois, se você ler os versículos seguintes, verá que a “meretriz” é metafórica. Não que isso tire a carga pecaminosa da prostituição, mas este texto não pode ser usado como prova contra a prostituição (nem contra a masturbação).

Daniel 3: 28-30.

Exercestes um julgamento eqüitativo em tudo aquilo que nos infligistes e em tudo aquilo que infligistes à cidade santa de nossos pais, Jerusalém; foi em conseqüência de um julgamento eqüitativo que vós nos infligistes tudo isso por causa de nossos pecados. Pecamos, erramos afastando-nos de vós; em tudo agimos mal. Não obedecemos a vossos preceitos, não os pusemos em prática, não observamos as leis que nos destes para nossa felicidade.

Novamente, este texto só é válido se você aceita a masturbação como pecado, não podendo ser usado como prova contra a prática.

Novo Testamento.

Mateus 5: 28.

Eu, porém, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher com intenção impura, já em seu coração cometeu adultério com ela. (Mateus 5:28 [Português: Almeida Recebida])

Eu, porem, vos digo que todo aquele que olhar para uma mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela. (Mateus 5:28 [Português: Bíblia])

Eu, porém, digo-vos que todo aquele que olhar para uma mulher, desejando-a, já cometeu adultério com ela no seu coração. (Mateus 5:28 [Português: Capuchinhos])

Mas eu vos digo que qualquer um que olhar para alguma mulher para a cobiçar, já adulterou com ela em seu coração. (Mateus 5:28 [Português: Bíblia Livre])

Em primeiro lugar, adultério significa traição ou potência para traição. Se você deixa sua mulher para ficar com outra, está adulterando. Da mesma forma, se você possui uma mulher que já tem dono, está adulterando, mesmo que você seja solteiro.
Mas suponhamos que Jesus, com isso, tenha banido qualquer cobiça do corpo alheio. Com efeito, cobiça pode ser entendida como desejar o que não se tem ou desejar o que já pertence a alguém. Se cobiça é entendida como desejar o que não se tem, não podemos, como homens, desejar mulher alguma. Isso tornaria todos os casamentos forçados. Ou ainda, na pior das hipóteses, não haveria casamento, porque o matrimônio é tomar para si uma esposa, mas você só pode tomar para si algo que você quer (neste caso, algo cobiçado, se assumimos que cobiçar é desejar o que não se tem) ou aquilo que você é forçado a tomar. Portanto, se Jesus, com isso, estivesse banindo o desejo de um homem de tomar para si uma mulher, estaria ameaçando a instituição do casamento, implicando que todos os casamentos são adúlteros, porque são fruto da cobiça do que não se tinha, o que não convém. Supondo que esse ato de cobiçar fosse entendido em sentido estritamente sexual, os inconvenientes seriam ainda mais sérios, porque, se cobiçar é desejar o que não se tem, cobiçar uma mulher poderia ser entendido como desejo de ter sexo com ela. Se toda a cobiça corpórea fosse banida por Jesus no sermão do monte, a própria procriação estaria sendo ameaçada, porque, se cobiça é desejar o que não se tem e cobiçar uma mulher já é adulterar com ela, você não pode tomar uma mulher para ter sexo com ela.
Por outro lado, se você entende cobiça como desejo por aquilo que é do outro, evitam-se todos os inconvenientes acima. Com efeito, adultério é tomar a mulher do outro ou uma mulher que não seja a sua, o que já era proibido na lei antiga. Se você entender cobiça como desejo pelo que é do outro, a procriação e o matrimônio, ambas coisas instituídas por Deus, são mantidas, tal como também a moral sexual do crente. Além disso, essa interpretação se harmoniza com a forma como termina o sermão: “Portanto, todas as coisas que querem que os homens façam a vocês, façam também a eles. De fato, isso é o que a Lei e os profetas querem dizer.” (Mateus 7: 12). E de fato, isso implica respeitar o matrimônio do outro e o próprio parceiro, para que sejamos nós mesmos respeitados.
Donde decorre que Jesus, ao falar essas palavras, obviamente estava falando da cobiça não de qualquer mulher, mas da mulher que já está comprometida, tal como a mulher que não é a sua própria (neste caso, se você já for casado). Nada de errado em um homem livre desejar uma mulher livre. Afinal, se fosse, não se poderia desejar e não haveria casamento.

Mateus 5: 30.

E se tua mão direita é para ti causa de queda, corta-a e lança-a longe de ti, porque te é preferível perder-se um só dos teus membros, a que o teu corpo inteiro seja atirado na geena.

Muitos, convenientemente, usam este texto como “prova explícita” contra a masturbação porque menciona a mão direita. Mas, novamente, este é um daqueles textos que só são válidos para quem já acredita que a masturbação é pecado, não podendo, portanto, ser usado como prova contra a prática.

Mateus 6: 22-23.

O olho é a luz do corpo. Se teu olho é são, todo o teu corpo será iluminado. Se teu olho estiver em mau estado, todo o teu corpo estará nas trevas. Se a luz que está em ti são trevas, quão espessas deverão ser as trevas! 

Este texto pode, no máximo, ser usado contra a pornografia e tem elevado grau de crédito para ser usado contra a mesma. Porém, nem todos os que se masturbam o fazem com auxílio de material pornográfico.

Mateus 20: 27-28.

E o que quiser tornar-se entre vós o primeiro, se faça vosso escravo. Assim como o Filho do Homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por uma multidão.

Fala do perdão de Deus garantido a nós por meio do seu mensageiro. Não prova nada contra a masturbação.

Lucas 19: 10.

Pois o Filho do Homem veio procurar e salvar o que estava perdido.

Este é um daqueles textos que ilustram o perdão por meio do mensageiro de Deus, portanto só é válido para os que sentem-se pecadores. Não pode ser usado como prova contra a prática.

Romanos 1: 24.

Por isso, Deus os entregou aos desejos dos seus corações, à imundície, de modo que desonraram entre si os próprios corpos. 

Novamente, este texto só é válido para quem já crê que a masturbação é pecado. Mesmo assim, se você considerar o texto dentro de seu contexto, isto é, se você ler o capítulo todo, você perceberá que ele fala principalmente de idolatria.

Romanos 6: 6.

Sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com ele, para que seja reduzido à impotência o corpo (outrora) subjugado ao pecado, e já não sejamos escravos do pecado. 

Novamente, este texto só é válido para quem já crê que a masturbação é pecado.

Romanos 6: 11-20.

Portanto, vós também considerai-vos mortos ao pecado, porém vivos para Deus, em Cristo Jesus. Não reine, pois, o pecado em vosso corpo mortal, de modo que obedeçais aos seus apetites. Nem ofereçais os vossos membros ao pecado, como instrumentos do mal. Oferecei-vos a Deus, como vivos, salvos da morte, para que os vossos membros sejam instrumentos do bem ao seu serviço. O pecado já não vos dominará, porque agora não estais mais sob a lei, e sim sob a graça. Então? Havemos de pecar, pelo fato de não estarmos sob a lei, mas sob a graça? De modo algum Não sabeis que, quando vos ofereceis a alguém para lhe obedecer, sois escravos daquele a quem obedeceis, quer seja do pecado para a morte, quer da obediência para a justiça? Graças a Deus, porém, que, depois de terdes sido escravos do pecado, obedecestes de coração à regra da doutrina na qual tendes sido instruídos. E, libertados do pecado, vos tornastes servos da justiça. Vou-me servir de linguagem corrente entre os homens, por causa da fraqueza da vossa carne. Pois, como pusestes os vossos membros a serviço da impureza e do mal para cometer a iniqüidade, assim ponde agora os vossos membros a serviço da justiça para chegar à santidade. Quando éreis escravos do pecado, éreis livres a respeito da justiça. 

O corpo tem vários apetites que precisam ser satisfeitos e todos sabem que o completo ascetismo não é possível. A fome, a sede, o sono, são todos apetites do corpo, tal como a sexualidade. Obviamente, “não obedecer aos apetites do corpo” é uma metáfora para não praticar certas coisas exageradamente. Portanto este texto não pode nem sequer ser usado para justificar a castidade. Além disso, conforme o que vimos anteriormente, até mesmo o sêmen é impuro na Lei Mosaica, logo a impureza tratada neste texto não é de caráter externo, como o sexo ou a masturbação que são práticas consideradas impuras na Lei Mosaica porque o sêmen é considerado sujo, mas interno, as intenções, o roubo, o assassínio, o adultério. Novamente, este texto só é válido para quem já crê que a masturbação é pecado.

Romanos 6: 14.

O pecado já não vos dominará, porque agora não estais mais sob a lei, e sim sob a graça. 

Novamente, este texto só é válido para quem já crê que a masturbação é pecado, não podendo ser usado como prova contra a prática.

Romanos 6: 23.

Porque o salário do pecado é a morte, enquanto o dom de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Visto que o propósito divino é a vida eterna para seus filhos, a masturbação deveria ter sido mencionada como pecado em algum momento da Bíblia, uma vez que o salário do pecado é a morte, isto é, a perda da vida eterna. Se pecados são coisas tão sérias a ponto de nos fazer perder o Paraíso, Deus deixaria claro que a masturbação é pecado se ela realmente o fosse, como faz com o adultério ou a fornicação. Mas a masturbação não é mencionada em nenhum momento da Bíblia como pecado, logo não é uma prática que mereça atenção do Senhor. Se você parar para pensar, o que poderia haver de mal? Claro que a Bíblia cita o adultério como um pecado que você comete mesmo se você só pensar em fazê-lo, visto que devemos amar o próximo como a nós mesmos e o adultério é extremamente ofensivo, portanto a simples intenção de fazer algo ofensivo, isto é, que fere o princípio do amor ao próximo, lhe culpabiliza. Mas a masturbação não precisa ser movida à pensamentos adúlteros e não há quaisquer restrições sobre uma pessoa livre que deseja outra pessoa livre, visto que isso não ofende o princípio básico da lei que a de não fazer ao outro o que você não quer para si (embora seja claro que você não deva fornicar, logo o ato sexual de fato só poderá ocorrer após o casamento).

Romanos 8: 5-9.

Os que vivem segundo a carne gostam do que é carnal; os que vivem segundo o espírito apreciam as coisas que são do espírito. Ora, a aspiração da carne é a morte, enquanto a aspiração do espírito é a vida e a paz. Porque o desejo da carne é hostil a Deus, pois a carne não se submete à lei de Deus, e nem o pode. Os que vivem segundo a carne não podem agradar a Deus. Vós, porém, não viveis segundo a carne, mas segundo o Espírito, se realmente o espírito de Deus habita em vós. Se alguém não possui o Espírito de Cristo, este não é dele. 

Mais um texto ascético de um dos apóstolos. Ora, nem a fome, nem a sede, nem o sono vêm do espírito, portanto devem vir da carne. Este texto não pode ser tomado como uma defesa do ascetismo absoluto porque isso significaria deixar de satisfazer os desejos da carne absolutamente, portanto deixando de comer, beber e dormir, coisa que nem o apóstolo fazia. Este texto pode, no máximo, ser usado como defesa da moderação, visto que o excesso, assim como a carência, pode adoecer a carne e, portanto, levá-la a morte. Ao ler as epístolas deste apóstolo em especial, evite lê-las em sentido literal.

Romanos 8: 13.

De fato, se viverdes segundo a carne, haveis de morrer; mas, se pelo Espírito mortificardes as obras da carne, vivereis.

Obviamente metafórico. Vivendo segundo a carne, isto é, comendo, bebendo, dormindo e tendo sexo, vivemos e criamos vida, ao passo que renegando essas coisas morremos. Porém, a satisfação aceitável de nossos desejos nos faz viver mais do que viveríamos se nos excedemos nelas, além de nos permitir ter a vida eterna. Além do mais, por razões já explícitas, o ascetismo absoluto não é possível.

Romanos 14: 22-23.

Tens uma convicção; guarda-a para ti mesmo, diante de Deus. Feliz é aquele que não se condena a si mesmo no ato a que se decide. Mas, aquele que come apesar de suas dúvidas, condena-se, por não se guiar pela convicção. Tudo o que não procede da convicção é pecado. 

Aqui é rápido e fácil: quando você faz alguma coisa tendo dúvidas sobre sua moralidade, você comete pecado mesmo que a coisa que você está fazendo não seja pecado em si. O que torna uma coisa não-pecaminosa um pecado é a hipocrisia de quem pratica tal ato. Em outras palavras, no momento em que você pratica algo sem estar 100% convencido de que não tem problema, você está pecando mesmo que a coisa sobre a qual você tem dúvidas não seja de fato pecado. Se, ao fim desta entrada, você ainda estiver em dúvida se masturbação é pecado ou não (e não é), você não pode se masturbar, pois estaria pecando quer eu estivesse certo ou não.

1ª Coríntios 2: 16.

Por que quem conheceu o pensamento do Senhor, se abalançará a instruí-lo (Is 40,13)? Nós, porém, temos o pensamento de Cristo.

Aqui fala para não “jogar pérolas aos porcos”. Ou seja, para não tentar instruir aqueles que tem uma renúncia “natural” perante os ensinos divinos.

1ª Coríntios 6: 9-10.

Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus? Não vos enganeis: nem os impuros, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os devassos, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os difamadores, nem os assaltantes hão de possuir o Reino de Deus.

Você se enquadra em qual categoria? A masturbação não lhe enquadra em nenhuma, exceto talvez no adultério se você estiver cobiçando a mulher alheia em suas seções. Como bem se sabe, a impureza, para os cristãos, não refere-se a impureza da pele, mas a impureza do coração, isto é, às más intenções, visto que o que vem de fora não avilta o homem. Quanto a devassidão, é o mesmo que libertinagem, isso é, a liberdade irresponsável. Deve haver regras, deve haver respeito. É difícil ser devasso na masturbação, embora o seja fácil no sexo, pelo desrespeito em relação ao parceiro. Porém, ainda assim, se devassidão é libertinagem e libertinagem é ausência de regra, é importante que a masturbação seja devidamente coibida dentro das normas morais e dos bons costumes, o que qualquer um com bom senso acaba fazendo sem querer.

1ª Coríntios 6: 12.

Tudo me é permitido, mas nem tudo convém. Tudo me é permitido, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma.

Naturalmente, temos necessidades demais. Já temos que beber água, comer, dormir e ir ao banheiro para nos manter vivos e saudáveis. Quando você se deixa dominar por alguma outra coisa, isso é, faz de alguma outra coisa uma necessidade que você não tinha antes, você está tornando sua vida mais difícil, pois terá uma preocupação a mais. Você pode se masturbar para sentir-se bem, mas não deveria deixar que masturbação corra sua vida (ou seja, sobrepuje seu bom senso ou deixar que ela se torne uma necessidade crítica e irrecusável, como a sede e a fome).

1ª Coríntios 6: 18-20.

Fugi da fornicação. Qualquer outro pecado que o homem comete é fora do corpo, mas o impuro peca contra o seu próprio corpo. Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis? Porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo.

A fornicação é o sexo ilícito, na época, fora do casamento. Quando se faz sexo antes do casamento, pratica-se fornicação. Quando se está casado e tem-se sexo com o parceiro alheio, tem-se fornicação e adultério (adultério também se você, livre, tem sexo com alguém que já tem parceiro). Esta passagem fala de sexo antes do casamento e da prática de outros atos sexuais ilícitos, isto é, fora da lei. Mas este texto em si não prova a masturbação como algo errado, visto que masturbação simplesmente não é sexo, embora os pensamentos, se adúlteros, lhe tornem adúltero. Sexo, isto é, as práticas sexuais descritas na Bíblia, sempre envolvem mais de uma pessoa e nenhuma pessoa na Bíblia jamais foi punida por ter “sexo consigo mesmo”, simplesmente porque tal coisa não existe. Ao folhear um dicionário qualquer, você verá que o significado de “sexo”, ou seja, da prática sexual comum esperada e encorajada entre seres humanos normais, envolve um casal. Significados mais específicos, como “orgia” ou “bestialidade”, também envolvem mais de um indivíduo. Mas o significado de “masturbação” simplesmente é “estimulação autoerótica, com ou sem orgasmo”. Sonhos eróticos que culminam com o orgasmo no sonho e a ejaculação na vida real nunca são considerados sexo. Ver pornô, embora errado para muitos inclusive para a enorme maioria dos cristãos, é certamente erótico, mas você ao ver pornô não necessariamente está fazendo sexo. Da mesma forma as carícias entre parceiros. Eróticas, sim. Sexo, não.

1ª Coríntios 7: 3-5.

O marido cumpra o seu dever para com a sua esposa e da mesma forma também a esposa o cumpra para com o marido. A mulher não pode dispor de seu corpo: ele pertence ao seu marido. E da mesma forma o marido não pode dispor do seu corpo: ele pertence à sua esposa. Não vos recuseis um ao outro, a não ser de comum acordo, por algum tempo, para vos aplicardes à oração; e depois retornai novamente um para o outro, para que não vos tente Satanás por vossa incontinência.

Cuidado com este. Na Bíblia que estou usando, este texto pode ser usado contra a masturbação dentro do casamento. Mas existem Bíblias traduzidas de diferentes formas, então vejamos o que diz… o Bible Gateway.

Uma mulher que casa deixa de ter sozinha direito sobre o seu próprio corpo, porque o seu marido passa também a ter direitos sobre ele; o mesmo acontece com o marido que deixa de ter direito absoluto sobre o seu corpo, o qual passa também a pertencer à sua mulher.
Que tal a Bíblia Sagrada Falada?
A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no o marido; e também da mesma maneira o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, mas tem-no a mulher.
Agora reprise o texto que expus no começo e veja que os três significados convergem no mesmo: a sexualidade é cedida mutuamente. Claro que a masturbação é fruir-se de seu corpo, mas talvez o seu parceiro não se importe e permita, assim você não estaria violando o direito do outro. De fato, seu corpo pertence ao seu parceiro, mas pertences podem ser concedidos a outros mediante permissão. Além disso, nem sempre seu parceiro está disponível, embora a Bíblia diga que o parceiro deve estar sempre disponível aos desejos sexuais do outro, mas isso não justifica, como bem disse um texto chamado “Os Deveres da Esposa”, o sexo forçado. Às vezes, o parceiro trabalha demais, às vezes o parceiro está doente, às vezes o parceiro viaja, às vezes é necessário separar-se para dedicar-se um pouco mais a Deus, às vezes é extremamente necessário abster-se de relações sexuais. Nesses casos, é justo que o parceiro conceda privilégios ao outro sobre seu corpo, masturbação sendo um deles, pois hoje em dia, quando parceiros ficam mais e mais distantes mesmo dentro do casamento, represar os desejos sexuais pode causar tentações fortes que arruinariam a espiritualidade e a própria relação. Mas o ideal é que o outro se prontifique sempre que você queira.

1ª Coríntios 7: 8.

Aos solteiros e às viúvas, digo que lhes é bom se permanecerem assim, como eu.

Isto é, solteiro. O casamento traz uma gama de responsabilidades que talvez você não queira assumir. Mas, ao ler o versículo seguinte, vê-se que, caso você não esteja conseguindo moderar seus desejos sexuais, é melhor que você se case para ter sexo lícito. Acontece que a masturbação muitas vezes não satisfaz aqueles que já não são virgens, por exemplo. A masturbação e o sexo trazem alívio sexual, sem dúvida, mas muitos concordam que sexo é simplesmente melhor por diversas razões, tanto que a maioria das pessoas que se masturbam pensam em relações sexuais. Nos jovens virgens, ainda é fácil contentar-se com a fantasia, mas para aqueles que já não mais são a masturbação pode ser insatisfatória e desinteressante, uma mera medida de emergência.

1ª Coríntios 7: 9.

Mas, se não podem guardar a continência, casem-se. É melhor casar do que abrasar-se.

Como dito, a masturbação nem sempre é satisfatória, como quando a pessoa bebe água quando queria ter suco. Nessas condições, a pessoa ainda é suscetível à tentações e, mesmo que a masturbação ajude no autocontrole, a oportunidade pode fazer com que a pessoa se sinta frustrada ao se masturbar quando poderia ter algo melhor. Este texto fala daqueles que não conseguem moderar seus desejos e não prova a masturbação como algo errado.

1ª Coríntios 7: 32, 33.

Quisera ver-vos livres de toda preocupação. O solteiro cuida das coisas que são do Senhor, de como agradar ao Senhor. O casado preocupa-se com as coisas do mundo, procurando agradar à sua esposa.

É irônico que existam pessoas que usem este texto contra a masturbação. Essencialmente, você diz “sei que você tem fortes desejos sexuais recorrentes, mas não tenha pressa em se casar e aguente mais uns anos”. Este texto, na verdade, é um conselho para não se casar cedo demais e não prova a masturbação como algo errado.

1ª Coríntios 10.

(Não quero que ignoreis, irmãos), que os nossos pais estiveram todos debaixo da nuvem e que todos atravessaram o mar; todos foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar; todos comeram do mesmo alimento espiritual; todos beberam da mesma bebida espiritual (pois todos bebiam da pedra espiritual que os seguia; e essa pedra era Cristo). Não obstante, a maioria deles desgostou a Deus, pois seus cadáveres cobriram o deserto. Estas coisas aconteceram para nos servir de exemplo, a fim de não cobiçarmos coisas más, como eles as cobiçaram. Nem vos torneis idólatras, como alguns deles, conforme está escrito: O povo sentou-se para comer e para beber, e depois levantou-se para se divertir (Ex 32,6). Nem nos entreguemos à impureza como alguns deles se entregaram, e morreram num só dia vinte e três mil. Nem tentemos o Senhor, como alguns deles o tentaram, e pereceram mordidos pelas serpentes. Nem murmureis, como murmuraram alguns deles, e foram mortos pelo exterminador. Todas estas desgraças lhes aconteceram para nosso exemplo; foram escritas para advertência nossa, para nós que tocamos o final dos tempos. Portanto, quem pensa estar de pé veja que não caia. Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela. Portanto, caríssimos meus, fugi da idolatria. Falo como a pessoas sensatas; julgai vós mesmos o que digo. O cálice de bênção, que benzemos, não é a comunhão do sangue de Cristo? E o pão, que partimos, não é a comunhão do corpo de Cristo? Uma vez que há um único pão, nós, embora sendo muitos, formamos um só corpo, porque todos nós comungamos do mesmo pão. Considerai Israel segundo a carne: não entram em comunhão com o altar os que comem as vítimas? Que quero afirmar com isto? Que a carne sacrificada aos ídolos ou o próprio ídolo são alguma coisa? Não! As coisas que os pagãos sacrificam, sacrificam-nas a demônios e não a Deus. E eu não quero que tenhais comunhão com os demônios. Não podeis beber ao mesmo tempo o cálice do Senhor e o cálice dos demônios. Não podeis participar ao mesmo tempo da mesa do Senhor e da mesa dos demônios. Ou queremos provocar a ira do Senhor? Acaso somos mais fortes do que ele? Tudo é permitido, mas nem tudo é oportuno. Tudo é permitido, mas nem tudo edifica. Ninguém busque o seu interesse, mas o do próximo. Comei de tudo o que se vende no açougue, sem indagar de coisa alguma por motivo de consciência. Do Senhor é a terra e tudo que ela encerra. Se algum infiel vos convidar e quiserdes ir, comei de tudo o que se vos puser diante sem indagar de coisa alguma por motivo de consciência. Mas se alguém disser: Isto foi sacrificado aos ídolos, não o comais, em atenção àquele que o advertiu e por motivo de consciência. Dizendo consciência, refiro-me não à tua, mas à do outro. Com efeito, por que razão seria regulada a minha liberdade pela consciência alheia? Se eu como com ações de graças, por que serei eu censurado por causa do alimento pelo qual rendo graças? Portanto, quer comais quer bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus. Não vos torneis causa de escândalo, nem para os judeus, nem para os gentios, nem para a Igreja de Deus. Fazei como eu: em todas as circunstâncias procuro agradar a todos. Não busco os meus interesses próprios, mas os interesses dos outros, para que todos sejam salvos.

A partir do versículo seis, a Bíblia fala daqueles que pereceram durante o Êxodo e diz que não devemos seguir os exemplos deles. Como dito, masturbação não é impureza em si. No versículo treze há umas palavras alentadoras: Deus não deixa que tentações muito grandes lhe atinjam. Ele só permite que você seja tentado pelo que você pode aguentar e junto com a tentação vem uma saída para evitar cair. Também fala de idolatria e que não devemos servir a mais de um deus. No versículo vinte e quatro, diz que devemos persistir em buscar a vantagem do próximo e não a nossa própria. Aqui fala de ajudar o próximo, mas alguém pode estendê-la ao sentido sexual. Bem, se você é jovem, não deve praticar fornicação, logo não pode dar prazer ao outro, mas a não satisfação dos desejos sexuais pode lhe levar ao sexo ilícito, portanto é justo que você se satisfaça para não incorrer em algo pior. Pode se masturbar e, quando casar, faça sexo para dar prazer a alguém. Você deve buscar a vantagem do próximo, mas dentro dos limites impostos por Deus. Se ele não quer você fornicando, não busque o prazer do outro. Tente buscar outras vantagens a ele. No versículo trinta e um diz que tudo o que devemos fazer deve ser em glória de Deus. Se você é tentado a fazer sexo antes do casamento ou está sob pressão corporal muito grande e se masturba para aliviar a tensão, não me parece que você afrontou a glória de Deus; você evitou fazer algo claramente errado, fez a vontade de Deus em não cometer fornicação. Lembre que Deus provê uma saída para que você possa recusar uma tentação.

1ª Coríntios 10: 13.

Não vos sobreveio tentação alguma que ultrapassasse as forças humanas. Deus é fiel: não permitirá que sejais tentados além das vossas forças, mas com a tentação ele vos dará os meios de suportá-la e sairdes dela. 

Se você é tentado a cometer pecados sexuais pode usar a masturbação como alívio imediato, visto que uma pessoa sexualmente satisfeita não comete pecados sexuais. Mesmo quando não funciona, diminui os desejos a ponto de tornar o controle mais fácil.

1ª Coríntios 15: 33.

Não vos deixeis enganar: Más companhias corrompem bons costumes.

Obviamente não fala de masturbação.

2ª Coríntios 10: 5.

Nós aniquilamos todo raciocínio e todo orgulho que se levanta contra o conhecimento de Deus, e cativamos todo pensamento e o reduzimos à obediência a Cristo.

Essencialmente, diz que devemos nos afastar de quaisquer raciocínios que contradigam a palavra de Deus. Entre a fé e a razão, Deus não conhece divergências, já diz a filosofia, então um raciocínio bem fundamentado e correto deveria levar a conclusões próximas às conclusões bíblicas.

Gálatas 5: 16-17.

Digo, pois: deixai-vos conduzir pelo Espírito, e não satisfareis os apetites da carne. Porque os desejos da carne se opõem aos do Espírito, e estes aos da carne; pois são contrários uns aos outros. É por isso que não fazeis o que quereríeis.

Obviamente, o apóstolo não fala de modo literal, pois a fome e a sede certamente não provém do espírito e a não satisfação de certos apetites da carne nos mataria com certeza. Por outro lado, ser guiado pelo Espírito no caminho da moderação revela quais “apetites da carne” são aceitáveis. Este texto só é válido para aqueles que já acreditam que a masturbação é pecado e não pode ser usado como prova contra a prática.

Gálatas 5: 19.

Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, libertinagem.

Fornicação é sexo ilícito, no caso, antes do casamento. Impureza são más intenções (“copo sujo por dentro”) e libertinagem é o uso irresponsável da faculdade de julgar, ou seja, fazer algo sem relevar suas consequências. Não pode ser usado como prova contra a prática.

Gálatas 5: 22.

Ao contrário, o fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade.

A masturbação, por si, não vai contra qualquer desses frutos.

Efésios 2: 3.

Também todos nós éramos deste número quando outrora vivíamos nos desejos carnais, fazendo a vontade da carne e da concupiscência. Éramos como os outros, por natureza, verdadeiros objetos da ira (divina).

Novamente, nem todo desejo da carne é pernicioso. Este texto não pode ser usado como prova contra a prática.

Efésios 5: 1.

Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos muito amados.

Obviamente metafórico, pois é impossível imitar Deus em todas as suas manifestações. Mas alguém pode usar este texto da seguinte forma, dizendo-lhe “você pode imaginar Deus se masturbando?” Bom, você pode imaginar Deus tendo sexo? Mas sexo não é pecado, certo? Está expresso aquilo que Deus quer que seja imitado, que é o amor incondicional ao próximo e a sabedoria. Você pode imaginar Deus comendo, bebendo, se divertindo, talvez jogando videogames? Não? Mas onde está o pecado de praticar essas coisas? Não estou criticando este texto, mas não defendo seu abuso.

Efésios 5: 3.

Quanto à fornicação, à impureza, sob qualquer forma, ou à avareza, que disto nem se faça menção entre vós, como convém a santos.

Eu já expliquei isso antes. Fornicação é sexo ilícito, impureza são más intenções, masturbação não está na lista.

Efésios 5: 4.

Nada de obscenidades, de conversas tolas ou levianas, porque tais coisas não convêm; em vez disto, ações de graças.

Aqui fala de banalização e vulgarização. A não ser que seja necessária a exposição, as práticas sexuais deveriam ser algo particular e o sexo não deveria ser discutido como uma brincadeira. A ideia dos que sustentam a masturbação como pecado quando usam este texto é implicar que a masturbação leva você a banalizar o sexo e a negar à prática o devido respeito, o que não necessariamente acontece.

Filipenses 2: 15.
Afim de serdes irrepreensíveis e inocentes, filhos de Deus íntegros no meio de uma sociedade depravada e maliciosa, onde brilhais como luzeiros no mundo.

Se masturbação não é errado, ela não é causa de repreensão. Este texto só é válido para quem já acredita que a masturbação é pecado e não pode ser usado como prova contra a prática.

Filipenses 4: 6-8.

Não vos inquieteis com nada! Em todas as circunstâncias apresentai a Deus as vossas preocupações, mediante a oração, as súplicas e a ação de graças. E a paz de Deus, que excede toda a inteligência, haverá de guardar vossos corações e vossos pensamentos, em Cristo Jesus. Além disso, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é nobre, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, tudo o que é virtuoso e louvável, eis o que deve ocupar vossos pensamentos.

Naturalmente, isso não significa que não devamos ocupar nossas mentes também com assuntos terrenos, como as contas para pagar. Além do mais, o reconhecimento de que você precisa satisfazer sua sexualidade de vez em quando para aliviar a tensão dos instintos parece ser algo verdadeiro e justo que pode ocupar seus pensamentos. Nem toda sexualidade é condenável e impura.

Colossenses 3: 4.

Quando Cristo, vossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com ele na glória.

Este texto é inócuo, mas o próximo versículo pode ser usado por alguém. Diz que devemos “mortificar o corpo”. Mas obviamente em sentido metafórico.

Mortificai, pois, os vossos membros, que estão sobre a terra: a prostituição, a impureza, o afeição desordenada, a vil concupiscência, e a avareza, que é idolatria; […]
Masturbação não cai em nenhuma dessas categorias se devidamente regrada.

1ª Tessalonicenses 4: 1-7.

No mais, irmãos, aprendestes de nós a maneira como deveis proceder para agradar a Deus – e já o fazeis. Rogamo-vos, pois, e vos exortamos no Senhor Jesus a que progridais sempre mais. Pois conheceis que preceitos vos demos da parte do Senhor Jesus. Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação; que eviteis a impureza; que cada um de vós saiba possuir o seu corpo santa e honestamente, sem se deixar levar pelas paixões desregradas, como os pagãos que não conhecem a Deus; e que ninguém, nesta matéria, oprima nem defraude a seu irmão, porque o Senhor faz justiça de todas estas coisas, como já antes vo-lo temos dito e asseverado. Pois Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade. 

Santo é ausente de pecado e honestamente é dentro da lei. A masturbação, se corretamente regrada, não é pecado nem desonesta. Este texto só é válido para aqueles que já consideram a masturbação como pecado.

1ª Tessalonicenses 5: 22, 23.

Guardai-vos de toda a espécie de mal. O Deus da paz vos conceda santidade perfeita. Que todo o vosso ser, espírito, alma e corpo, seja conservado irrepreensível para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo!

Novamente, este texto só pode ser usado se a pessoa já vê a masturbação como pecado. Santo é ausente de pecado e masturbação não é pecado se não for movida a pensamentos adúlteros.

2ª Timóteo 2: 22.

Foge das paixões da mocidade, busca com empenho a justiça, a fé, a caridade, a paz, com aqueles que invocam o Senhor com pureza de coração.

Paixões são emoções, aspirações e desejos fúteis, coisas que você quer mas que a razão muitas vezes condena ou recomenda a moderação. Irresponsabilidades. O desejo de ter sexo logo, antes do casamento, por exemplo. Típico do jovem que não aprendeu a esperar. Mas a masturbação em si não é uma paixão, é uma prática. Não é o desejo sexual, mas o método de alívio. Nem mesmo é fornicação. As paixões da mocidade são os desejos irresponsáveis que temos, priorizando o prazer sobre a obrigação ou a segurança ou a salvação. Mas masturbação não sendo pecado e o desejo sexual sendo um fato, é melhor se masturbar para manter o desejo sexual baixo, fugindo assim da fornicação, que é uma paixão da mocidade. Com a devida interpretação, este texto pode ser usado a favor da masturbação.

Tiago 1: 13-16.  

Ninguém, quando for tentado, diga: É Deus quem me tenta. Deus é inacessível ao mal e não tenta a ninguém. Cada um é tentado pela sua própria concupiscência, que o atrai e alicia. A concupiscência, depois de conceber, dá à luz o pecado; e o pecado, uma vez consumado, gera a morte. Não vos iludais, pois, irmãos meus muito amados.

Uma passagem bastante existencialista: você não pode culpar ninguém pelos pecados que você comete. De fato, nossos instintos, nossa natureza pecadora, nos tentam a fazer coisas que estão em desacordo com o espírito, mas é inteiramente sua responsabilidade se você falha em evitar fazer o que é mau. Porém, isso não prova que a masturbação é algo ruim. A sede e a fome também não são frutos do espírito e são 100% corporais, mas isso não garante que beber e comer sejam pecado. Nem tudo o que vem do corpo é concupiscência imoral.

Tiago 4: 7.

Sede submissos a Deus. Resisti ao demônio, e ele fugirá para longe de vós.

Novamente, este texto não prova a masturbação como algo errado.

1ª Pedro 1: 13-16.

Cingi, portanto, os rins do vosso espírito, sede sóbrios e colocai toda vossa esperança na graça que vos será dada no dia em que Jesus Cristo aparecer. À maneira de filhos obedientes, já não vos amoldeis aos desejos que tínheis antes, no tempo da vossa ignorância. A exemplo da santidade daquele que vos chamou, sede também vós santos em todas as vossas ações, pois está escrito: Sede santos, porque eu sou santo (Lv 11,44).

É santo algo que não tem pecado. Algumas pessoas, ao usar este texto, se apoiam no aspecto estético da masturbação, isto é, algo tão “feio” e “carnal” não pode ser santo. Porém, com permissão para usar um exemplo bastante grotesco, a defecação, o ato de expulsar fezes pelo ânus, é certamente feio e carnal e nem por isso é pecado. Se é santo aquilo que não tem pecado, creio que não seja um mal uso do termo atribuí-lo a todas as nossas ações inocentes, corporais ou não. Porém, mesmo que a masturbação em si não seja pecado, pensamentos adúlteros o são, então uma pessoa livre deve pensar em outra pessoa livre, o indivíduo casado deveria saciar-se com seu parceiro (seja com sexo, seja com masturbação mútua e outras carícias).

1ª Pedro 2: 11.

Caríssimos, rogo-vos que, como estrangeiros e peregrinos, vos abstenhais dos desejos da carne, que combatem contra a alma.

Obviamente metafórico. Nem todos os desejos da carne, principalmente aqueles que são saudáveis e que visam a saúde do corpo, o templo do Espírito Santo, combatem contra a alma. Além do mais, o desejo sexual, algo totalmente carnal e corporal, é estimulado por Deus sob certas condições, isto é, no casamento. O que é ruim é o desregramento.

1ª Pedro 4: 3. 

Baste-vos que no tempo passado tenhais vivido segundo os caprichos dos pagãos, em luxúrias, concupiscências, embriaguez, orgias, bebedeiras e criminosas idolatrias. 

Não que a masturbação caia em qualquer dessas categorias, como venho repetindo várias vezes. Há uma observação a ser feita, contudo, sobre a problemática da luxúria: a luxúria é o delito de quem se excedeu em práticas sensuais, isto é, que visam a satisfação dos sentidos. Essencialmente, quando você põe seu corpo e seus prazeres à frente da lei divina. Se devidamente regrada, a masturbação não é luxúria, tal como não o é o sexo devidamente regrado.

2ª Pedro 2: 19.

Prometem-lhes a liberdade, quando eles mesmos são escravos da corrupção, pois o homem é feito escravo daquele que o venceu.

Fala de vício, do excesso inegável, da necessidade artificial que lhe traz prejuízo. A masturbação é considerada excesso quando ela lhe provoca algum dano físico, mental ou social e vício quando você, apesar de estar excedendo-se na prática, não consegue controlar a frequência por falta de força de vontade. A masturbação raramente provoca quaisquer danos se praticada dentro dos limites do bom senso, logo raramente torna-se um vício, isto é, um hábito pernicioso. Qualquer coisa pode viciar, até mesmo atos ditos saudáveis como beber água (aquolatria) e fazer exercícios (vigorexia), mas uma pessoa que bebe muita água ou faz muito exercício não pode ser considerada viciada se o hábito não lhe traz qualquer mal.

1ª João 1: 9.

Se reconhecemos os nossos pecados, (Deus aí está) fiel e justo para nos perdoar os pecados e para nos purificar de toda iniqüidade.

Este texto pode lhe assustar se você não estiver seguro de que a masturbação não é pecado. Você provavelmente pensaria “se a masturbação realmente for pecado e eu, ao me masturbar achando que não estou pecando, não admitir que é pecado, Deus não me perdoará”. Mas este raciocínio baseia-se numa possibilidade, na possibilidade de masturbação ser pecado, uma possibilidade que esta entrada está disposta a derrubar. Continue lendo o texto e, se no final, você ainda tiver dúvidas, então é melhor não se masturbar, visto que é sempre pecado fazer algo que não lhe parece espiritualmente seguro (isto é, você só deve fazer aquilo que você tiver certeza de que não é pecado). Uma observação: quer dizer que Deus me perdoará sempre, logo eu posso fazer o que eu quiser e toda a lei divina é nula? Não, Deus perdoa na medida em que você perdoa o próximo.

1ª João 2: 2.

Ele é a expiação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.

Novamente, Deus está disposto a perdoar. Não que isso prove a masturbação como algo errado.

1ª João 2: 15-17.

Não ameis o mundo nem as coisas do mundo. Se alguém ama o mundo, não está nele o amor do Pai. Porque tudo o que há no mundo – a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida – não procede do Pai, mas do mundo. O mundo passa com as suas concupiscências, mas quem cumpre a vontade de Deus permanece eternamente.

O amor a Deus deve vir em primeiro lugar. Se você ama a Deus, a vida no mundo não lhe corromperá facilmente. A lei divina deve então vir em primeiro lugar. A “lei do mundo” (ou do corpo) pode ser cumprida na medida em que não conflitar com a lei divina.

Apocalipse 21: 8.

Os tíbios, os infiéis, os depravados, os homicidas, os impuros, os maléficos, os idólatras e todos os mentirosos terão como quinhão o tanque ardente de fogo e enxofre, a segunda morte.

Não que a masturbação caia em qualquer dessas categorias.

Conclusão.

A masturbação, em si, não é pecado. O pensamento, quando adúltero, pode causar confusão, fazendo com que você ache que a prática é pecaminosa, quando apenas o pensamento o é. Assim, a masturbação do solteiro é lícita enquanto não for alimentada por pensamentos relacionados a parceiros de outras pessoas. Nada de errado numa pessoa livre desejar alguém livre. O casado, contudo, deveria procurar seu parceiro ou parceira quando sentir-se pressionado, mas o parceiro, se indisponível por qualquer razão, pode permitir que o casado masturbe-se. Além do mais, a masturbação entre casados, como uma forma de carícia ou prática pré-sexual não é errada. Fora os casos em que o parceiro não vê a masturbação como violação do seu direito sobre o corpo do casado (o casado não pode masturbar-se porque o parceiro detém os direitos sobre seu corpo, mas se o detentor dos direitos não vê aquilo como uma violação, onde estaria o problema?).

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