Analecto

24 de maio de 2015

O que aprendi da “Ética a Nicômaco”.

“Ética a Nicômaco” foi escrita por Aritóteles. Abaixo, algumas coisas que eu aprendi sobre esse texto.

  1. Todas as ações visam um bem.
  2. O fim alcançado pelo estado é mais belo, por beneficiar aos súditos também.
  3. Mas a política não é ciência exata e a busca pelo bem da cidade é um estudo proximal.
  4. A política é ação, prática.
  5. Bem agir e bem viver coincidem com felicidade.
  6. Para a maioria das pessoas, vive bem e age bem quem procura e encontra o prazer, ou seja, para essas pessoas, felicidade é prazer.
  7. A busca pela honra é uma busca difícil, porque honra é algo que depende mais de quem reconhece o outro como honrado e não tanto de quem procura a honra.
  8. A vida virtuosa não necessariamente traz felicidade.
  9. O dinheiro é apenas útil e é perseguido em nome de um fim maior.
  10. Há várias ciências que tratam do bem.
  11. Os bens particulares não diferem muito do bem em si.
  12. Se não houvessem bens particulares, não haveria sentido em conceber o bem em si, já que ele não poderia explicar nada.
  13. As ciências tentam alcançar o bem, mas não são elas que explicam o que é o bem.
  14. Isso porque as ciências visam fins específicos.
  15. O bem de cada ciência é o fim que ela visa.
  16. O bem é aquilo que procuramos sem ser em vista de outra coisa, por isso dizem que o dinheiro não traz felicidade: o dinheiro é usado para obter outra coisa que talvez lhe traga felicidade.
  17. Aristóteles começa suas reflexões usando opiniões correntes porque, se uma das opiniões se mostrar verdadeira, ajudará bastante.
  18. Quem quer alcançar a felicidade pela virtude precisa praticá-la.
  19. A felicidade é um estado da alma alcançado por aqueles que se aproximam daquilo que amam.
  20. Como pode ser feliz mais facilmente aquele que dispõe dos meios, há quem diga que obter felicidade também é questão de sorte.
  21. A virtude é ensinável.
  22. Uma felicidade obtida com o próprio esforço é melhor que uma felicidade obtida com sorte.
  23. Se felicidade é um tipo de atividade, ninguém é feliz depois de morto.
  24. Porém, existem os que sustentam que não existe felicidade, mas “momentos felizes”, no sentido de que a felicidade não tem caráter estável porque a própria pessoa não o é.
  25. Mas a felicidade obtida pela virtude é estável, porque ações virtuosas tem resultados de longa duração.
  26. A pessoa feliz não é imune ao azar, mas a forma como ela lida com o azar faz sua felicidade permanecer ou não.
  27. A virtude permite lidar melhor com infortúnios.
  28. Se felicidade é ação, então a pessoa virtuosa será feliz se praticar o bem.
  29. A felicidade do virtuoso é estável porque não serão pequenos acidentes que o deixarão infeliz.
  30. A felicidade pessoal também depende da felicidade dos amigos e dos parentes.
  31. A virtude se ensina pelo hábito.
  32. Todas as virtudes, tal como as artes, são adquiridas pela prática.
  33. A forma como alguém age em determinada circunstância o faz bom ou mal em algo.
  34. A boa ação frente a algo é uma ação comedida, equilibrada: se você foge de tudo, é um covarde, mas se não foge de nada é um imprudente.
  35. Coisas nobres e vantajosas também se apresentam como agradáveis, prazerosas, enquanto que coisas vis e prejudiciais se apresentam como dolorosas.
  36. Não é possível ser bom sem prática.
  37. A teoria de que a virtude não é ensinável torna os filósofos adeptos conformados.
  38. Platão deixou a definição de virtude em aberto, mas diz que ela é fruto de uma feliz opinião que vem de algum lugar, mas Aristóteles diz que a virtude é uma de três coisas: disposição de caráter, faculdade mental ou paixão.
  39. Virtudes têm a ver com escolhas.
  40. A virtude é disposição de caráter, mas, para Aristóteles, disposições de caráter não são inatas.
  41. A virtude humana é aquilo que nos torna bons ou que nos permite fazer bem nossa função.
  42. A virtude visa o meio-termo.
  43. Porém, isso é numa situação em que a pessoa pode dar-se ao excesso, dar-se à falta ou escolher o meio-termo (não existiria a “virtude de não fumar cigarro” porque não existe meio-termo saudável nessa prática).
  44. Virtude não é o fim das emoções, mas a sua condução correta.
  45. Isso não é válido somente para as emoções, mas também à ações.
  46. Mas isso significa que ser virtuoso é difícil: acerto é um só, mas existem vários jeitos de errar a medida.
  47. Virtude aristotélica numa meia-concha: disposição de caráter relativa a escolha e que consiste na medida correta, que deve ser avaliada segundo cada caso e requer sabedoria prática.
  48. As proposições gerais precisam estar em harmonia com casos particulares.
  49. As pessoas que manifestam vícios julgam que os virtuosos são viciosos.
  50. A virtude é o meio-termo entre dois vícios, um por carência e o outro por excesso.
  51. Para achar a medida certa ou se aproximar dela, devemos ir na direção do extremo que parece ser o menos danoso.
  52. É menos digno de censura aquele que peca sem querer.
  53. Não é voluntária a ação cometida por ignorância ou por compulsão.
  54. Algumas ações voluntárias podem ser involuntárias dependendo do ponto de vista.
  55. Ações feitas por ignorância merecem perdão.
  56. Ação voluntária é aquela praticada pelo indivíduo, de sua vontade e não coagido por força maior, que está completamente ciente do que está fazendo.
  57. Não podemos culpar nossas emoções por algo que praticamos.
  58. Desejo e escolha são coisas diferentes.
  59. As escolhas não podem se basear em opiniões, mas em juízos sólidos de bom ou mau.
  60. Só que o juízo de bom ou mau varia de pessoa para pessoa.
  61. Mas pode-se dizer que escolha é a decisão com base em princípios racionais entre duas ou mais opções.
  62. Deliberações são feitas sobre coisas que estão ao nosso alcance e que podem ser realizadas.
  63. Não é possível deliberar sobre nossas funções ao mesmo tempo que exercemos essas funções: um cientista, durante suas pesquisas, não deveria parar para se perguntar se aquilo é o que ele deveria estar fazendo.
  64. Porém, durante o exercício da função, na qual os fins não são questionados, os melhores meios para alcançar o fim ainda são motivo de deliberação.
  65. Dá pra deliberar sobre nossos fins quando todos os meios de chegar a ele falham.
  66. Não se delibera sobre o que parece óbvio.
  67. Em geral, queremos o bem, mas cada pessoa, em particular, julga bom aquilo que lhe parece bom.
  68. Muitas condições ruins que nos levam a agir malignamente poderiam ser evitadas.
  69. O medo é a antecipação de algo ruim.
  70. Existem coisas que devemos temer.
  71. Existem coisas que só se devem temer em certas situações.
  72. Existem coisas que não devem ser temidas mais que o necessário.
  73. Existem coisas que não devemos temer.
  74. Alguns “corajosos” são movidos por medo de penas ou medo da vergonha.
  75. A coragem é aquela que não vem da coação.
  76. A paixão (emoção) auxilia a coragem.
  77. O bravo está ciente do perigo, mas o otimista supõe que não haja perigo ou que este seja irrisório.
  78. A coragem é mais evidente quando mais próxima do vício do medo, ficando entre a covardia e o excesso de confiança, mas é mais fácil reconhecer o corajoso em situações que inspiram medo e não nas que normalmente inspiram excesso de confiança.
  79. É mais fácil se abster do que é bom do que suportar o que é doloroso.
  80. Intemperança é “mais voluntária” que a covardia.
  81. O pródigo se arruína porque não julga seus bens com a devida medida, gastando em excesso e dando em excesso.
  82. Liberalidade é doar na medida certa, sem ser pródigo, nem avarento.
  83. Ninguém pode ser rico sem esforço, pois mesmo o que nasceu rico, se não se esforçar em manter a riqueza, ficará pobre.
  84. O pródigo ainda é mais útil que o avaro.
  85. A magnanimidade é a “coroa das virtudes”: ressalta as virtudes que já temos e não existe sem um conjunto de outras virtudes.
  86. Magnanimidade é ter para si o devido valor como pessoa.
  87. Aqueles que pecam pelo excesso de raiva, contra-atacam imediatamente, de forma que sua raiva não permanece por muito tempo.
  88. É possível também pecar por desejo de agradar.
  89. Enquanto a modéstia é recusar um elogio que vem, a falsa modéstia é negar as capacidades que possui.
  90. Há meio-termo também nas piadas.
  91. É possível conhecer algo pelo estudo de seu oposto: quando estudamos hábitos saudáveis, logo descobrimos que hábitos não são saudáveis, apesar de não tê-los como objeto de estudo inicial.
  92. O justo é honesto e obediente às leis.
  93. A justiça é escritora.
  94. A justiça é a virtude completa, na qual estão compreendidas todas as virtudes.
  95. O injusto lucra com atos vis.
  96. O trabalho do juiz é, pela pena, igualar perdas e ganhos entre ofensor e ofendido.
  97. Os pitagóricos definiam justiça como reciprocidade.
  98. A justiça deve levar em conta vários fatores para determinar perdas e ganhos.
  99. O dinheiro foi feito para facilitar a transação de objetos e de serviços.
  100. O que torna o dinheiro valioso somos nós; o dinheiro não tem valor intrínseco.
  101. O que faz os preços aumentarem ou diminuírem é a procura.
  102. O valor do dinheiro é inconstante, mas mais estável que o valor dos próprios objetos.
  103. Existem ações injustas e pessoas injustas. Roubar uma vez não te torna ladrão. Então, embora, ações injustas sejam injustas sempre, a pessoa que comete um ato injusto não necessariamente é injusta.
  104. Quando um governante passa a arrogar para si aquilo que ele não merece e, por isso, começa a agir injustamente, ele acaba se tornando um tirano.
  105. Existem leis naturais e existem leis humanas. As humanas são mutáveis, enquanto as naturais não mudam.
  106. O que torna o praticante de uma ação injusta uma pessoa injusta é a voluntariedade. Se a pessoa fez, de boa vontade, um ato injusto, ciente de sua injustiça, ela é injusta, por que fez, de propósito, o que sabia ser errado.
  107. Quando injusto acontece, mas vem de uma fonte externa, temos um infortúnio. Se algo injusto acontece e somos a causa disso, mas por ignorância, temos um engano. Se algo injusto acontece, sabemos que é injusto, mas não fizemos de propósito, temos um ato injusto que não torna o praticante uma pessoa injusta. Se algo injusto acontece, sabemos que é injusto, nós somos a causa e fizemos de propósito, temos um ato injusto que nos caracteriza como injustos.
  108. Pode alguém aceitar ser vítima de uma injustiça e sê-la voluntariamente?
  109. Não é possível sofrer injustiça voluntariamente, isto é, se colocar na posição paciente enquanto alguém pratica um dano contra você.
  110. É possível ser injusto consigo próprio.
  111. Existem coisas que são impassíveis de ser explicadas universalmente.
  112. Quando exceções à regra são descobertas, o indivíduo pode permitir-se ajustar a regra.
  113. Se a universalidade de uma lei é contestada, ela precisa de ajustes.
  114. Existem três guias da ação: sensação, razão e desejo.
  115. A origem da ação é a escolha, motivada pelo desejo e feita pela razão.
  116. Existem cinco manifestações da verdade: técnica, ciência, sabedoria prática, filosofia e razão intuitiva.
  117. Aristóteles já distinguia indução da dedução (silogismo).
  118. Os pressupostos usados no silogismo devem vir da indução.
  119. Os primeiros princípios são apreendidos primeiro pela razão intuitiva.
  120. A sabedoria é o conhecimento mais perfeito.
  121. Se o gênero humano não é a melhor coisa do mundo, qualquer ciência que trate das pessoas não é a melhor que existe.
  122. Sabedoria geral e sabedoria prática não necessariamente coincidem.
  123. A sabedoria filosófica trata das coisas mais gerais (do que é “certo”), enquanto que a sabedoria prática trata das coisas particulares (do que é “vantajoso”).
  124. A sabedoria filosófica é conhecimento científico combinado com razão intuitiva.
  125. A razão do filósofo não ser visto como alguém lá muito útil é simples: ele não busca o conhecimento dos seres humanos para os seres humanos se não acidentalmente, porque está preocupado com o conhecimento das coisas maiores.
  126. A sabedoria prática é preferível à sabedoria filosófica, porque auxilia na resolução dos problemas mais iminentes: não tem muito juízo quem se preocupa com coisas mais intelectuais sem ter resolvido questões como alimentação, trabalho e abrigo antes.
  127. A sabedoria prática não versa apenas sobre os universais.
  128. A deliberação boa não necessariamente produz o bem, porque se pode deliberar como obter um fim que é mau.
  129. A razão parece transformar predisposições à coragem, temperança e outras em virtudes de fato.
  130. As virtudes envolvem sabedoria prática.
  131. O exercício da sabedoria prática leva a pessoa a colecionar todas as virtudes.
  132. Existem três tipos de moral que devem ser evitadas: vício, incontinência e rudeza.
  133. O contrário do vício é a virtude e o da incontinência é a continência.
  134. Continência (refrear desejos presentes) não é o mesmo que temperança (não desejar o que é ruim).
  135. O conhecimento não necessariamente impede alguém de praticar o que é errado: podemos saber que é errado agredir alguém e ainda o fazer durante um acesso de ira.
  136. Pode haver excesso mesmo nas coisas boas.
  137. Porém, se praticamos o excesso de algo bom, somos incontinentes em relação àquilo e não incontinentes em sentido absoluto.
  138. Não se aplica o nome “incontinente” à pessoas que sofrem de algum mal congênito ou que estão sob condições mórbidas, porque o controle estaria completamente além de suas forças.
  139. A incontinência em relação à cólera é menos vergonhosa porque a cólera só se mostra quando nos reconhecemos como ofendidos.
  140. A incontinência em relação aos apetites é mais vergonhosa porque ela é espontânea: a cólera só acontece por um motivo externo, mas você não precisa de um motivo externo para querer comer um pudim fora de hora, não precisa nem mesmo estar com fome, bastaria lembrar de que é bom e o desejo viria.
  141. Além disso, a raiva é algo que acomete a todos, enquanto que o desejo por coisas como glória, fama, tipos específicos de comida não acomete a todos.
  142. A cólera é mais justificável por tentar sanar uma dor, enquanto outros excessos não visam sanar dor alguma, mas apenas obter mais prazer.
  143. A razão também é fonte de maldade.
  144. É necessário se arrepender para mudar.
  145. O intemperante não resiste às pulsões que a maioria resiste, enquanto que o incontinente cede à pulsões que a maioria não resistiria.
  146. O incontinente tem desejo ou tem desejo forte, mas não é capaz de dominar-se.
  147. O intemperante é pior, porque tem vontade fraca, então imagine se ele tivesse uma boa razão para ser ruim ou se ele estivesse sob um desejo que é humanamente extenuante, como no caso do incontinente: ele seria capaz de um mal maior do que o incontinente, que faz algo errado por ter desejos verdadeiramente fortes.
  148. O intemperante é “incurável”, porque prefere ouvir o corpo e não a razão.
  149. Mas só é incontinente aquele que cede ao que é vergonhoso.
  150. O intemperante prefere ouvir o corpo em lugar da razão, por isso faz o que faz.
  151. O incontinente sabe que deve ouvir a razão, mas não pode evitar transgredi-la.
  152. A contemplação é um prazer que não envolve apetite nem dor.
  153. O prazer não é processo, mas fim.
  154. Algo não é ruim só porque é buscado por tolos.
  155. Bondade não necessariamente traz felicidade.
  156. A amizade parece justificar a vida: não vale a pena viver sem amigos.
  157. Os ricos e poderosos são os que mais precisam de amigos, porque gastar só consigo mesmo não é o bastante.
  158. Os ricos também precisam de amigos porque é mais difícil defender sozinho uma grande riqueza.
  159. O ser humano não é o único capaz de sentir amizade.
  160. A amizade é produtiva porque multiplica a capacidade de ação e de pensamento.
  161. Amamos aquilo que nos parece bom.
  162. Os amigos amam-se um ao outro.
  163. Amizade é benevolência recíproca entre pessoas que conhecem os sentimentos um do outro.
  164. Existem pessoas que amam a outra pela sua utilidade prática: quando a pessoa cessa de ser útil, cessa o amor por ela.
  165. Existem pessoas que amam a outra pelo prazer que proporcionam, mas esse amor também não necessariamente é durável.
  166. A amizade verdadeira requer que a pessoa queira bem também ao outro, de forma que esta difere das outras formas de amor por não apenas tomar utilidade, mas também oferecê-la, tal como prazer.
  167. Esse tipo de amizade continua enquanto as duas partes forem boas e a bondade é algo durável.
  168. A amizade verdadeira é rara como as próprias pessoas boas e requer tempo para se estabelecer.
  169. A distância interrompe as atividades da amizade, mas não necessariamente a mata.
  170. Procuramos amigos agradáveis, mas não necessariamente o amigo agradável é bom (amizade falsa).
  171. É possível se deleitar em amar sem ser amado de volta.
  172. A amizade é pautada no amor.
  173. O amor platônico como desejo daquilo que não se tem é criticável: amar alguém porque ela tem uma qualidade que reconhecemos como boa e que nós não temos é um tipo de interesse.
  174. Diferentes comunidades parecem ter diferentes tipos de amizade.
  175. Três tipos de governo: monarquia, aristocracia, a moda de Esparta.
  176. Os tipos de governo podem ser encontrados na família: os irmãos são democráticos entre si, mas submissos ao mando do pai, que forma uma aristocracia com a mãe.
  177. Num sistema de governo, a amizade é possível quando há justiça.
  178. É possível ser amigo de um escravo enquanto ele não está sendo mandado.
  179. Casais com filhos não se divorciam facilmente.
  180. A amizade pautada na utilidade é a que comporta mais queixas.
  181. A amizade não é um comércio.
  182. Quando não podemos saldar uma dívida com um amigo, é nobre que demos o nosso melhor em saldar o que pudermos.
  183. A proporção preserva a amizade.
  184. Permitir que o consumidor escolha o preço da mercadoria evita queixas.
  185. O comprador julga algo segundo o valor que ele pensa que aquela coisa tem, não seu valor depois de comprada.
  186. Só é possível amar o que se afigura bom.
  187. Não é possível amar o que se afigura mau.
  188. Quando nosso amigo se torna mau, não deveríamos romper com ele imediatamente, mas tentar trazê-lo à bondade novamente.
  189. Antigos amigos ainda podem ser tratados com mais respeito que os desconhecidos.
  190. Quem não ama a si mesmo, julga não ter nada de amável em si.
  191. O início da amizade da mais elevada espécie é a benevolência.
  192. O benévolo ama fazer bem aos outros, como se os outros fossem suas “obras”.
  193. Existem duas formas de amor a si mesmo: o amor que procura dar-se prazer e o amor que procurar se aperfeiçoar.
  194. Se a felicidade é atividade, mesmo o que se basta, o sumamente feliz, precisa de amigos aos quais fazer bem, para manter a felicidade.
  195. Perceber que estamos vivos é “perceber que percebemos” ou que pensamos.
  196. Amizade é condição de possibilidade da felicidade: não é possível ser feliz sozinho.
  197. “Medida certa” não precisa ser algo fixo, mas algo que fique entre duas coisas fixas.
  198. Não devemos ter um grande número de amigos, porque isso prejudica a intimidade.
  199. A educação dos jovens era feita com os “lemes” do prazer e da dor.
  200. O prazer é um bem em si mesmo.
  201. Prazeres que os são para pessoas ruins não são prazeres para pessoas boas.
  202. O prazer depende da pessoa.
  203. Como não podemos nos dedicar continuamente, com a mesma intensidade, a uma atividade, não podemos estar sempre contentes.
  204. Parece que existem diferentes tipos de prazer que atraem de forma diferente diferentes tipos de pessoa.
  205. Gostar daquilo que fazes te torna produtivo naquilo.
  206. Quando tentamos prestar atenção em duas coisas, a que é mais prazerosa toma mais atenção.
  207. Se a felicidade não fosse atividade, bastaria estar deitado para ser feliz.
  208. Felicidade é fim em si mesma: ninguém se pergunta “por que quero ser feliz?”
  209. A função da recreação e do divertimento era nos refrescar antes de voltarmos à labuta.
  210. A vida conforme a razão é a mais feliz.
  211. Os atos virtuosos parecem depender de oportunidades para acontecer.
  212. Não é necessário ter muitos bens para ser feliz.
  213. É a prática que faz a profissão, nunca somente o estudo.

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