Analecto

4 de abril de 2015

Assumir pra quê?

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Painel ‹ Pedra, Papel e Tesoura. — WordPress.

Hoje, enquanto eu me preparava para editar um rascunho no meu diário, eu percebi que um dos termos de busca que atrai pessoas ao meu diário é “como assumir que sou amante de fralda?” E eu queria saber, assumir pra quê? Em primeiro lugar, todos nós temos segredos, isso se chama ter vida privada. A declaração dos direitos humanos nos diz que o direito à privacidade é inalienável e por uma boa razão. Isso é feito para salvaguardar a dignidade das pessoas que por vezes praticam coisas que são benéficas, por exemplo, mas embaraçosas ou dificilmente entendidas pela sociedade do tempo e do terreno do indivíduo. E, para algumas pessoas, usar fraldas proporciona vários benefícios, como conforto emocional, prazer ou até gratificação sexual.

Mas isso é justamente uma daquelas coisas que cai na categoria de “embaraçosas e dificilmente entendidas”. Para a maioria das pessoas, o comportamento sexual anormal é sempre motivo para chamar o médico, o filósofo clínico, o pai de santo… mas quem tem algum bom senso deveria saber que o que não faz mal a você ou aos outros não tem nada de doentio. É uma idiossincrasia, sem dúvida, mas não exatamente maligna. Eu já expus minhas razões para não condenar o infantilismo parafílico e o fetiche por fraldas, mas não falei quais as razões para manter o desvio em segredo.

Se isso não for óbvio o bastante, a grande maioria das pessoas anda presa ao sistema binário de classificações sexuais. Nesse sistema, as únicas orientações sexuais possíveis são heterossexual, homossexual, bissexual e assexual. Enquanto elas tentam se enfiar desesperadamente em algum desses rótulos, zombam de qualquer coisa que não cabe neles, por vezes em um esforço de se assegurar que estão fazendo a coisa certa. Procuram justificar sua conduta para si próprios, pelo escárnio do outro, como se dissessem a si mesmos “se eu não entrar nesses rótulos, serei eu o próximo a ser escarnecido.” Eu sei disso porque a tentativa de ludibriar a si mesmo a acreditar em algo que não completamente lhe convence é algo que fiz no passado. Muitas pessoas com sexualidade perfeitamente aceitável, num esforço para ser normais, adotam para si rótulos que não lhes descrevem, mentindo para si mesmas.

Ou seja, o problema não está no fetichista, mas nas pessoas ao seu redor, que precisam se rotular e excluir aqueles que não tem rótulo, num esforço de se sentirem mais seguras, porque terão pares. Num mundo onde é normal estar errado, quem está certo acaba sendo chamado de louco. E é certamente errado que as pessoas julguem e condenem as outras por um comportamento que não decidiram ter e especialmente quando não o entendem completamente e ainda mais quando o comportamento se mostra inofensivo. Só que é isso que a maioria vai fazer. Então, se você quiser assumir seu fetiche para alguém, tem que ser alguém de confiança e que não vá tomar uma atitude contra você ou sua luxúria. Isso significa que a pessoa não pode ser um pai ou mãe, porque eles são imbuídos de autoridade e poderão fazer algo contra você ao menor sinal de que algo vai errado com você, o que pode incluir seus desejos sexuais estranhos. Também não podem ser irmãos, por sua proximidade dos pais. Devem ser amigos livres de suspeita e que você conhece a mais de um ano. Amigos que já confessaram algo sexual a você são também bons candidatos, porque você pode revidar no caso de chantagem.

Alguém escreveu “não diga a um amigo nada que você esconderia de um inimigo”, então o ideal seria não contar para ninguém. Mas, caso você creia que isso vá fazer diferença positiva em sua vida, leve em consideração o que eu disse acima. Um amigo de longa data que já partilhou segredos com você, esse parece ser o tipo de pessoa que mais se aproxima do ideal. Se realmente quiser contar, fale isso numa ocasião propícia, construa o clima antes, dizendo que queria contar algo que é importante. Ou você pode esperar para que comece uma conversa sexual e que penda para o lado não convencional. Ou você poderia provocar essa conversa com os artifícios certos. Não conte tudo de uma vez também, mas uma coisa de cada vez, pequenos detalhes, espere outra ocasião para falar mais coisas, de forma modular.

Agora que você está de posse dessa informação, pode continuar o que estava fazendo. Que tal checar seu e-mail?

9 de maio de 2013

Pior dia da minha vida.

Eu disse que iria morar com meu pai, mas eu não consegui passar nem um dia inteiro. Tantas coisas aconteceram… Ele me recebeu bem e nos abraçamos e tal, tínhamos fé de que aquilo daria certo. Mas não deu. Mandei um e-mail pra ele hoje:

    Eu queria ficar, eu realmente queria. Mas eu acabei vendo que talvez nós dois ficaríamos mal num futuro próximo e que cedo ou tarde eu sairia. Não é sua culpa, contudo, e eu não estou completamente feliz com minha decisão. Apenas fiz o que achei que traria menos danos. Pra ser honesto, estou chorando agora. Depois que minha mãe me abraçou e disse que estava feliz por eu ter voltado, eu disse à ela que você estava triste por eu não estar lá. Eu realmente sinto dor sempre que penso em como você deve estar sentindo-se agora e eu tinha esperanças de que as coisas funcionassem. Já faz um tempo que eu quero ficar mais próximo de você porque eu gosto de você, mas talvez morar com você não seja mesmo a melhor opção… Eu odeio ter de ficar assim, porque eu teria que desagradar ou você ou minha mãe. Me dói ter de fazer este tipo de decisão.
Mas eu pensei a respeito durante a tarde, quando você arrumava o quarto. Eu passei a tarde no computador e talvez fosse o que eu iria acabar fazendo na maioria dos dias enquanto você trabalha. Eu ficaria só e, apesar de não parecer, eu não gosto de ficar só assim. Você tem a Márcia e talvez os seus colegas de trabalho (ou talvez você não tenha amigos no trabalho como eu não tenho na universidade). Se eu ficasse, eu teria você, claro, mas você trabalha tanto que talvez eu despendesse maior parte do tempo sozinho. Aqui eu tenho minha mãe que às vezes me dá raiva, admito.
O que realmente pesou mais contudo foi meu problema com comida. Não é um problema com você, pai. É um problema comigo, eu tenho critérios muito estreitos quanto ao que eu como, quando e em que quantidade. Depois daquela janta, eu ainda estava com fome. Se eu procurasse algo pra comer, talvez você me desse um sermão sobre eu não ter comido na janta e que eu comeria como substituto não servia. Aí você continuaria dizendo que eu preciso mudar. Só que não é fácil. Eu só ficaria ressentido e acabaria querendo voltar do mesmo jeito. Eu só achei que eu poderia poupar nós dois de futuro sofrimento.
Eu não tenho autoridade de dizer que estou sofrendo mais que você. Eu sinto sua falta, pai, sinto falta de te abraçar, sinto falta de conversar com você, sinto falta de dormir sob o mesmo teto que você, mas morar com você é algo muito diferente. Eu fico pior sempre que lembro de como você me recebeu e de como eu achei, de todo o coração, que aquilo iria dar certo. Me perdoe, pai. Eu sinto muito.


Yure

É a primeira vez que sinto os males de se ter pais separados. Dizem que emetofobia pode ter raízes em separação parental. Mas não é do meu feitio arrumar desculpas freudianas para meus problemas. Pessoal, casamento dá nisso. Eu não posso estar em dois lugares ao mesmo tempo. Estar com minha mãe faria meu pai sofrer e vice-versa.

Fora que eu tinha que comer o que ele fazia e ele havia instituído um sistema de engorda. Ele queria me mudar. Além do mais, ele disse claramente na volta, numa conversa entre ele e minha irmã, que pode tolerar homossexuais, mas nunca os aceitaria. Na mente dele, isso é errado. Só que não sou exatamente heterossexual. Complicado. Ele não sabe e provavelmente nunca saberá do que se passa na minha sexualidade, já que isso o mataria.

O pior é que a fumaça continua. Minha saúde continua prejudicada. Última vez, achei que eu fosse desmaiar. Me mudei para o quarto da minha mãe, onde a fumaça não entra. Mas uma coisa boa aconteceu: fui pra faculdade de fraldas e até molhei uma lá.

18 de fevereiro de 2013

Mudanças…

1360949318.yure16_sam_0002.jpg imagem JPEG, 1280×720 pixels – Redimensionada 85%.

Acordei mais ou menos às cinco para obter minha carteira de trabalho. Queria poder ir à tarde, honestamente, visto que detesto acordar tão cedo (a não ser que eu vá pra faculdade, que acaba sendo diversão pra mim, visto que amo filosofia). Só quero que minhas aulas comecem… pra que eu possa tirar a história da minha inclusão à limpo. Isso, sim, me interessa. A carteira de trabalho pode esperar.

Julgando pela quantidade de créditos que obtive e pela quantidade de disciplinas que me são ofertadas por semestre, está óbvio que não conseguirei me formar em quatro anos como eu havia pensado. Então talvez eu volte a cursar informática para que eu possa dar aula em algum lugar, para dar uma ajuda à minha mãe. Quero dizer, terei carteira de trabalho em breve e, se eu tiver um curso de informática, poderei me aplicar para alguma coisa em algum lugar, visto que informática e idiomas são canivetes suíços.

Eu desisti de informática no passado por causa dos alunos medíocres e do professor medíocre. No momento em que disse que cursava filosofia, o professor começou a me tratar diferente. Fazia umas piadinhas, dava indiretas, sugeria que eu era ateu e coisas do tipo. Os alunos gostavam muito do professor e começaram a me tratar diferente também. Tive de fazer sozinho trabalhos que deviam ser de dupla porque o pessoal achava que todos os filósofos são ateus e, aparentemente, todo o mundo ali era ou católico ou protestante daqueles que cantam no campo do Boa Vista umas quatro vezes por ano, perturbando o sono da vizinhança. Nada tenho contra os ateus e muitos dos meus amigos o são, mas a minha classe não parecia partilhar da minha tolerância. Eles não só supunham que filósofos necessariamente são ateus como supunham que todos os ateus são… algo pra se evitar. Não esperava mais daquela gente. Eu gostava das aulas da antiga professora de informática, mas os alunos medíocres desistiam do curso até que apenas quatro (eu incluso) restaram. A professora então disse que a sala seria dissolvida e os alunos seriam mandados para outras classes. Eu gostava daquela professora, ela era gentil, atenciosa, mas não fazia piadas e comentários retardados como a sala retardada queria que ela fizesse. Detesto esses professores muito “dinâmicos” e bem-humorados, porque eu acabo sendo foco da maioria das piadas. Porque uso Linux, porque estudo filosofia, porque quero ser professor, porque gosto de ficar em casa, porque não tenho namorada, porque não tenho amigos na vida real, porque não escuto ou gospel ou rock ou música eletrônica do fluxo principal. Não que as pessoas que tenham essas características sejam sempre motivo de piada ou que não tê-las me livraria de piadas esporádicas, mas acontece que tenho uma combinação de características esdrúxulas particularmente desastrosa.

Começo a desejar não ter fotos para usar; detesto a ideia de ter de sair de casa à madrugada para tirar a tal carteira. Minha mãe quer que eu vá de lá para a creche, para tirar à limpo a história da minha inclusão. Mas estou com preguiça. Além do mais, posso incluir e excluir disciplinas dependendo das vagas durante a primeira quinzena do semestre, se não me engano. Tenho que falar com minha colega à respeito…

Depois de dar entrada na carteira, tenho de esperar até quinze dias úteis para pegá-la no bairro. Não foi uma experiência confortável, ter de esperar uma hora na fila e mais uma hora e meia na tal casa do cidadão. Especialmente porque não tomei café da manhã, visto que o meu irmão comprou pão vencido, aquele retardado, e não tinha café. Saí com quatro biscoitos na barriga. Lá arrumei umas Ruffles e comi. Minha mãe nos deu vinte reais para a viagem e voltei com doze reais. Isso significa apenas uma coisa: fraldas na quinta-feira (e talvez uma chupeta com o troco)!

10 de abril de 2012

Ah, como eu sinto falta…

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Jimmy’s Balloon Go Boom – Ursofofinho by KennyKitsune < Submission | Inkbunny, the Furry Art Community.

Hoje, enquanto procurava por alguma imagem sobre fraldas no tal Inkbunny, me deparei com a imagem do link. Tudo bem, até eu notar que a fralda do filhote da esquerda tem quatro fitas.

Quase pirei; senti como se meu coração tivesse sido amassado de uma vez. Eu, na verdade, sinto falta dos minhas aventuras arriscadas e de seus resultados normalmente prazerosos. Na verdade, me acalma pensar nos resultados, uma vez que não são tão espetaculares assim, mas isso não muda o fato de que estou com saudade das fraldas.

Mas tem duas coisas que me impedem de comprá-las:

  1. Meu tamanho está em falta, droga. Se bem que vi um pacote de Bigfral P semana retrasada em uma farmácia perdida, mas era plus. Não tem como esconder uma plus de forma eficiente.
  2. Concordei que não compraria fraldas enquanto um outro amigo meu não comprasse antes; ele está em abstinência delas e está tendo problemas resistindo à tentação de procurar fraldas usadas no lixo. Decidi que, por ele, eu me absteria também, de forma que pudéssemos apoiar um ao outro. Não que queiramos desistir de nossas parafilias, mas o pai dele encheu ele de porrada quando descobriu os meios pelos quais ele adquiria as tais fraldas. Então, ele vai esperar até ter a chance de obtê-las legitimamente.

Eu sou bonzinho demais às vezes, todo o mundo me diz isso. Só o que posso fazer agora é suspirar.

11 de fevereiro de 2012

Hoje, hoje, será?

Filed under: Passatempos, Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Alma @ 15:07

Vacation | SoFurry.

Ontem minha mãe me deu vinte reais. Contemplo a possibilidade de comprar uma coisa branca confortável.

Vende Bigfral no mercado aqui perto, uma vez que não há farmácias pelo bairro. Eu me sinto meio acanhado de ir até lá, mas garanto que não será tão difícil como a primeira vez; a maldita da operadora de caixa riu.

Sendo que hoje minha família vai para a reunião das testemunhas de Jeová, esta seria a oportunidade perfeita para matar a saudade “delas”, pois estarei completamente sozinho em casa por duas horas.

Até lá, vou beber água.

7 de novembro de 2011

De voltinha.

Filed under: Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Alma @ 21:02

Depois da mudança, muita coisa aconteceu. Primeiro, muita confusão pondo os objetos nos lugar. Depois foi a falta de privacidade, seguido pela falta de conexão e mudança nos hábitos matinais.

Mas, com o tanto que eu tenha conexão com a Internet e com o tanto que eu possa continuar indo para a Universidade, ficarei bem, já que minha vida se resume à isso mais o essencial para sobrevivência (água, comida, sono, eliminação).

Consegui arrumar tempo para mim mesmo, tempo esse bem despendido no uso de duas das seis fraldas que me restavam. Vesti-las enquanto você ouve Map Screen me fez parecer meio bobo, mas até que eu gostei. Fiquei agindo feito criança por uma hora e meia antes de começar a pensar num meio de esconder meus rastros. Não foi difícil, mas não vou partilhar detalhes (a não ser que peçam por detalhes).

Minha arte está normal, embora eu esteja com inveja de artistas digitais. Comecei a cogitar a possibilidade de para de desenhar, já que não posso adicionar algo novo ao estilho tradicional e não tenho paciência para aprender arte digital.

Falei com Rain para matar a saudade e parece que o demo jogável será disponibilizado ao público no Natal. Naturalmente, o jogo estará caracterizado (leia-se “natalino”).

18 de outubro de 2011

Como explico?

Filed under: Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Alma @ 08:58

Comprei fraldas ontem. Meu irmão suspeita da existência de algo obscuro na minha mochila e minha mãe já até as achou (invasão de privacidade absoluta). Consegui me safar porque nenhum dos dois poderia imaginar que eu na verdade sou fã de regressão. A natureza das desculpas que eu dei fica por conta da sua imaginação.

Estou nervoso até agora, por que meu irmão fica dizendo que vai olhar o que tem na minha mochila, mas acho que ele sabe, pelo tom da minha voz sempre que ele diz isso, que ele vai se arrepender muito se o fizer.

De toda forma, quero que chegue logo domingo para eu acabar com isso de vez. Até lá, tenho que pôr as fraldas num lugar seguro. Vocês não têm ideia do quão nervoso estou, mas isso é até estimulante à sua própria maneira…

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