Analecto

3 de abril de 2018

Anotações sobre os “Estudos Sobre a Histeria.”

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“Estudos Sobre a Histeria” foi escrito por Sigmund Freud e Josef Breuer. Abaixo, alguns pensamentos encontrados nesse livro.

  1. Um bom médico não diz o nome do paciente ao discutir evidência anedótica.
  2. Repressão sexual pode causar histeria (ver nota 8).
  3. Dois pesquisadores trabalhando no mesmo projeto podem ainda divergir na interpretação dos dados.
  4. O conteúdo do livro é assumidamente exploratório, não conclusivo.
  5. Nem sempre é possível saber o que causou histeria em alguém somente perguntando coisas a ele.
  6. Isso é agravado pelo fato de que cada paciente tem seus segredos e não está disposto a contar tudo ao médico.
  7. Agravado pelo fato de que nem sempre o paciente se lembra do evento que desencadeou o problema.
  8. Muitas vezes, o evento que causa a histeria é uma má experiência infantil (ver nota 2).
  9. Uma reação neurótica pode ser causada por um evento de baixa importância física, mas que, dadas as circunstâncias, foi traumático ou assustador.
  10. Para que isso aconteça, a pessoa precisa ser muito vulnerável à variáveis terceiras, assumindo que o evento em si não tinha muito potencial traumático.
  11. Um trauma pode ser causado por uma sucessão de eventos, em vez de só um.
  12. Se recuperar da histeria requer que o paciente reviva a experiência traumática em sua memória e a verbalize enquanto lembra.
  13. Uma lembrança traumática não se desgasta.
  14. Uma memória pode não ter carga negativa se tal carga for aliviada no momento em que o evento ocorreu (por exemplo, se você lembra de alguém que te bateu, essa memória seria menos desconfortável se você tivesse batido de volta e descarregado sua raiva imediatamente).
  15. Excesso de autocontrole adoece santos, freiras, mulheres castas e boas crianças.
  16. Histeria pode ocorrer com pessoas que, de outra forma, seriam excelentes em termos de crítica, força de vontade, inteligência e moral, o que significa que um histérico não precisa aderir ao estereótipo de “homem louco”.
  17. É fácil lembrar por associação.
  18. Se a histeria tem causas numa recordação, experiências novas que guardam relação com a recordação patogênica desencadearão um ataque.
  19. Se alguém na sua família tem histórico de problemas psicológicos, é provável que você tenha alguns cedo ou tarde.
  20. Senso crítico impede que as pessoas controlem você.
  21. Existem pessoas que não têm tesão.
  22. É possível colocar sua própria saúde em risco enquanto se cuida da saúde de outra pessoa.
  23. Uma pessoa pode saber quando está tendo uma alucinação e quando está vendo algo real.
  24. O medo de algo pode ser pior do que a própria coisa temida, de forma que a pessoa acaba sofrendo mais antes do perigo do que durante ou depois dele.
  25. Uma memória especialmente traumática pode invocar na pessoa algum tipo de reação que a distraia (como um desmaio), para que a memória não seja lembrada.
  26. Tédio pode predispor uma pessoa à histeria.
  27. É possível hipnotizar a si mesmo sem perceber que é isso que se está fazendo.
  28. Algumas pessoas podem ser hipnotizadas sem esforço.
  29. Dá pra controlar o ciclo menstrual com hipnose.
  30. Excesso de leitura pode ser uma tentativa de se distrair de uma angústia interior.
  31. A um número de “males” que não vale a pena punir.
  32. É possível ficar doente de preocupação com os entes queridos.
  33. É possível alucinar de cansaço.
  34. Um paciente pode desfazer todo o processo obtido com terapia, se ele quiser.
  35. É possível abusar da hipnose.
  36. Medo pode afetar sua digestão.
  37. Não se deve achar que tudo é importante; existem coisas sem importância.
  38. Existem doenças histéricas e pessoas histéricas.
  39. Sintomas histéricos são efeitos de um trauma.
  40. Fobias são um tipo de histeria.
  41. Uma fobia histérica pode evoluir para outras manifestações se o objeto temido for apresentado repetidas vezes.
  42. Os neuróticos têm medo de enlouquecerem.
  43. Existem fobias menos graves.
  44. Uma dor de origem física pode piorar e se sustentar por causa de uma neurose, a ponto de continuar ali mesmo quando a causa física se torna ausente.
  45. Um sonâmbulo está aberto à sugestão.
  46. A sugestão nem sempre funciona.
  47. Histeria grave parece requerer predisposição genética.
  48. Ter uma predisposição a um problema não é indicativo seguro de que você desenvolverá aquele problema.
  49. É preciso um “gatilho” pra que a predisposição cause o problema.
  50. Solidão é um bom gatilho para certas doenças.
  51. Uma pessoa pode estar em um ambiente psicológico tóxico e permanecer sã, até acontecer algo específico que quebre sua defesa.
  52. Vários traumas são centrados em problemas de expressão sexual.
  53. Repressão sexual causa esgotamento mental.
  54. Uma pessoa pode ter histeria grave e ainda assim ser excelente em proezas físicas e mentais.
  55. Uma pessoa com um problema mental não está “desordenada” se ela ainda consegue se virar na vida apesar disso.
  56. Várias pessoas com problemas mentais conquistaram mais objetivos do que pessoas “normais”.
  57. Problema mental não é o mesmo que retardo.
  58. Não confunda efeito com causa.
  59. Algumas pessoas com problemas mentais sofrem somente em particular.
  60. Lutar contra um problema por muito tempo pode ocasionar novos problemas.
  61. Hipnose não funciona com todo o mundo.
  62. O paciente precisa confiar no médico.
  63. Dependendo da pessoa, o estado hipnótico pode ser mais facilmente obtido quando a pessoa não sabe que está sendo hipnotisada.
  64. Uma pessoa pode lembrar do que estava fazendo enquanto estava sonâmbula, mediante o estímulo correto.
  65. Não é possível esquecer de propósito.
  66. É mais fácil você se lembrar de algo porque algo te lembra desse algo do que você tentar lembrar sozinho.
  67. Não escolhemos sentir o que sentimos.
  68. Disparidade de força pode impedir que uma mulher se relacione com um homem se ela sentir que está em posição inferior, o que implica que o “lado fraco” de uma dinâmica de poder pode sentir que a relação desejada é injusta… ou imoral.
  69. Disparidade de força pode levar o lado fraco a pensar “o que ele, que é rico, iria querer comigo, que sou pobre?”
  70. Uma mulher pobre sendo vista com um homem rico pode ser causa de embaraço para ambos os envolvidos.
  71. Se você ama, você trata com consideração.
  72. Ser muito sensível favorece o aspecto traumático de algumas memórias.
  73. Você pode estar apaixonado por alguém e não fazer nada a respeito.
  74. O azar de ter experiências ruins basta para ter histeria.
  75. Uma predisposição só pode ser decididamente provada depois que ela se efetiva.
  76. A somatização é uma tentativa de tirar algo da mente, colocando-o no corpo.
  77. Pode ser algo em você que você não aceita.
  78. Um sintoma pode ocultar outro.
  79. Um mal que aflige uma pessoa de porte e constituição saudável provavelmente é psicológico.
  80. Quando uma conversa resolve, não hipnotize.
  81. Falar dos seus problemas a outro pode ajudar você a se sentir melhor.
  82. Quando uma pessoa tem vergonha de receber avanços sexuais, esses avanços se tornam razão de trauma futuro quando a pessoa, ao perceber que fora cobiçada sexualmente, sente repulsa por isso.
  83. Tem gente que considera a natureza (sexo, por exemplo) algo vergonhoso.
  84. Uma pessoa sexualmente negativa será facilmente traumatizada pela sexualidade.
  85. Crianças geralmente não são traumatizadas por atos sexuais no momento em que eles acontecem, mas elas podem se sentir mal pelo ato depois que crescem e entendem que o ato era de natureza sexual, dependendo da forma como foram educadas sexualmente.
  86. Nunca subestime o conhecimento sexual de um adolescente.
  87. Se a criança não sofreu no momento em que o ato ocorreu, mas os sintomas aparecem depois que ela passa a entender o ato de determinada forma, então não foi a experiência que causou o trauma.
  88. O que causa o trauma nesse caso é sua percepção do ato que, antes de ser “compreendido” de determinada maneira, fora inofensivo.
  89. A primeira pergunta que o médico deve fazer é se o paciente sabe a origem da doença, se ele pode associar os sintomas a algum evento que os desencadeou.
  90. Um filho que passa muito tempo com um pai do sexo oposto não aderirá facilmente aos papeis de gênero (o filho que mora somente com a mãe, por exemplo, tem dificuldade em contrair o comportamento que as pessoas consideram “de homem”).
  91. Há crianças que não gostam do sexo ao qual pertencem.
  92. Papeis de gênero são frustrantes.
  93. Quando ocorre conflito, pode ser necessário que terceiros tomem partido.
  94. A dissolução da família do paciente pode lhe traumatizar.
  95. O casamento implica sacrifícios que o tornam pouco atraente para pessoas que valorizam a individualidade.
  96. Gravidez é para pessoas saudáveis.
  97. O relato do paciente pode acabar não explicando nada.
  98. Quando uma pessoa antes autossuficiente se percebe como necessitada da companhia e proteção de outro, ela pode ficar deprimida.
  99. Uma pessoa solitária pode ter inveja de pessoas que têm amigos e romances.
  100. É possível adoecer de ciúme.
  101. Uma pessoa pode se sentir altamente culpada por gostar e tirar proveito da morte de alguém (“minha irmã morreu, posso ficar com seu marido!”).
  102. O conflito entre sentimentos (pelos quais não somos responsáveis) e moral (pela qual somos responsáveis) pode adoecer uma pessoa.
  103. Um médico pode ser amigo do paciente.
  104. Mas um médico que revela segredos do paciente arruina o tratamento.
  105. Não dá pra diagnosticar e descrever um problema mental da mesma forma que se faz com um problema físico.
  106. Por isso que diagnósticos psicológicos de verdade parecem contos.
  107. É possível ficar doente da cabeça cuidando de uma pessoa que está doente do corpo.
  108. Ter histeria “leve” não impede a pessoa de funcionar em sociedade.
  109. Se você não chorar por um evento que lhe dá vontade de chorar, provavelmente chorará ele em outra ocasião.
  110. Você pode sentir vergonha da doença que tem, mesmo que ela não te impeça de viver decentemente.
  111. Diga a uma pessoa o que ela precisa ouvir, mesmo que seja uma verdade desagradável.
  112. Se a pessoa sofre de um mla psicológico, é inútil tratar seu corpo.
  113. Um ataque histérico ocorrido décadas atrás pode se repetir.
  114. Palavras doem, às vezes tanto quanto golpes físicos.
  115. (autossugestão + conversão) / 2 = simbolização.
  116. Algumas sensações que temos quando somos insultados são análogas às sensações que temos quando somos fisicamente molestados (por exemplo: um insulto que “faz o coração doer”).
  117. Outra: “engolir um sapo” para quando sentimos vontade de dizer algo de volta e não podemos.
  118. Se comunique de um jeito que os outros entendam o que você quer dizer, mesmo que tenha que usar palavras que alguém possa considerar inadequadas.
  119. Seja honesto e admita as limitações de sua teoria.
  120. Se você acreditar que não pode fazer algo, perderá a capacidade de fazê-lo.
  121. Você não pode assumir que todos os casos têm a mesma causa só porque todos os casos que você viu tinham a mesma causa.
  122. A justificativa de uma generalização precisa ser provada, o que significa que você não pode generalizar sem uma boa razão.
  123. Um mesmo fenômeno ou classe de fenômenos pode ter diferentes causas dependendo do caso.
  124. Por exemplo, é possível ficar duro com pensamentos ou com carícias.
  125. Histeria nem sempre é causada por ideias.
  126. Uma ideia nítida não causará efeitos corpóreos… a menos que o corpo também tenha sua anormalidade, em alguns casos.
  127. Um problema em uma parte do corpo pode causar dor em uma outra, aparente não relacionada, parte do corpo.
  128. Histeria é um problema com elementos psíquicos e também corpóreos.
  129. Os dois polos da consciência: vigília e sono sem sonhos.
  130. Há vários níveis de consciência entre esses dois extremos.
  131. Um estímulo físico pode invadir o sonho, mas geralmente você não percebe: você acha que é parte do sonho.
  132. O nível de excitação cerebral é o que determina o estado de consciência.
  133. Há sempre alguma excitação no cérebro, ele não é como um fio elétrico que só carrega corrente quando necessário.
  134. É possível ficar literalmente cansado de pensar.
  135. Concentração requer que coloquemos energia em um setor da mente, de forma que outros setores ficam negligenciados (você não pode conduzir um raciocínio profundo ao mesmo tempo que performa uma tarefa física complexa).
  136. Seu corpo, não sua mente, é o que te acorda.
  137. Tédio é o estado de desconforto causado pelo excesso de energia em um cérebro sem nada pra fazer.
  138. É por isso que sacudimos as pernas, andamos de um lado pra outro, checamos mensagens quando sabemos que ninguém enviou nada…
  139. Quando nossa energia cerebral está equilibrada, ficamos lúcidos.
  140. Equilíbrio mental é tão necessário ao bom funcionamento do corpo quanto o equilíbrio corporal.
  141. Repressão sexual te deixará insano.
  142. Repressão sexual altera o comportamento não-sexual.
  143. A energia que poderia ser gasta em determinado impulso pode ser gasta por vias alternativas.
  144. Pessoas diferentes têm graus diferentes de separação entre atividade puramente mental e atividade puramente física, isto é, algumas pessoas podem ter seus corpos afetados por emoções e sentimentos.
  145. No caso da histeria, o que acontece é que um impulso reprimido, ao gerar grandes quantidades de energia não-gasta, precipita sua energia no espaço alocado para a administração de outras funções (como um curto-circuito cerebral).
  146. Tal curto-circuito pode ser causado por excesso de energia ou por “fiação fraca”.
  147. Como energia pode ser gerada por memórias, sentimentos ou emoções, fica explicado, por esse modelo, como fenômenos mentais encontram expressão somática.
  148. Quando um afeto vem com força o bastante, ele gera alucinações, em vez de memórias.
  149. Quando você é educado segundo um código moral, você pode sentir vergonha ou culpa pela forma como você agiu antes de adotar esse código, mesmo que sua conduta anterior não lhe fosse problemática antes de adotar o código.
  150. Imagine um menino que se masturba há muito tempo e então se converte a uma religião para qual a masturbação é pecado, como você acha que ficará seu estado mental dali em diante?
  151. Um monte de estresse, ansiedade, vergonha e até problemas mentais têm raízes no conflito entre desejo sexual e moral.
  152. Confessar seus problemas, suas falhas, alivia a carga.
  153. O modelo proposto por Breuer é limitado: cada caso é um caso.
  154. Se, por um lado, a repressão sexual é problemática, também é problemático forçar a sexualidade de uma pessoa que não está preparada para determinado ato ou que não o deseja!
  155. Um estado hipnótico pode ser causado por hipnose, emoções fortes ou fraqueza física (fome, sono).
  156. Depois que a ideia patológica se instala, ela não precisa mais de estados hipnóides para provocar efeitos físicos.
  157. Você pode se hipnotizar sem se dar conta.
  158. Quando você sabe que esqueceu alguma coisa, pode-se dizer que a memória está presente, embora fora da consciência.
  159. Alguns problemas de saúde mental reduzem o autocontrole e a timidez.
  160. Em algumas pessoas, a mente se divide em suas: consciente e “reserva”, para onde as representações e pensamentos “inadmissíveis” vão.
  161. Enquanto opera de forma dividida, com cada lado funcionando de forma mais ou menos independente, o conteúdo da mente “reserva” ainda pode influir na mente consciente, sem que tal conteúdo se torne consciente.
  162. Um monte de termos da psicanálise é metafórico: “subconsciente”, por exemplo, não é, literalmente, um lugar no cérebro.
  163. Uma pessoa pode continuar consciente durante um ataque histérico.
  164. Amostras clínicas não devem ser generalizadas: se você estuda somente pessoas internadas, está apenas estudando casos graves, mas exclui as pessoas que têm o problema e que lidam com ele de forma a não precisarem de internação.
  165. Um pesquisador é influenciado por suas amostras: um cara que só pesquisa usando amostras clínicas ou forenses olhará para determinado fenômeno de forma diferente, comparado ao cara que usa amostras da população geral ou amostras universitárias.
  166. Um “doente mental” pode funcionar tão bem na sociedade, que ninguém saberia que ele tem problema sem conhecê-lo a fundo.
  167. Uma pessoa pode ler em voz alta e ainda assim esquecer o que leu.
  168. Mente cansado, menor senso crítico, maior sugestibilidade.
  169. Uma teoria nova não necessariamente está correta.
  170. Algumas pessoas estão com tanto tédio que começam a desejar que estivessem ao menos doentes.
  171. Mas é possível desejar estar doente por outras razões.
  172. Medo de sexo é patogênico.
  173. O prazer sexual de novas experiências pode apagar um trauma sexual antes adquirido.
  174. Casamento também é um campo fértil para desordens mentais.
  175. Seu estado mental afeta seu desempenho sexual.
  176. A sexualidade deve ser encarada honestamente por pesquisadores.
  177. A sexualidade não é doença, mas se torna fonte de problemas dependendo de como você lida com ela.
  178. Orgasmo é quase hipnótico.
  179. Histeria pode ser confundida com possessão demoníaca.
  180. A melhor ficção não é real.
  181. Nem todos pode ser hipnotizados por outros.
  182. Histeria não é uma entidade independente: há vários distúrbios que podem ser rotulados como histeria.
  183. Seus diagnósticos devem ser separados.
  184. Se você trata um sintoma, mas não a causa, outros sintomas ocorrerão.
  185. Da mesma forma, tratar a causa não elimina as sequelas.
  186. Você pode tratar uma doença, mas não pode mudar a constituição física ou mental da pessoa.
  187. O trabalho do médico pode ser frustrante.
  188. Quando o paciente percebe que a investigação está para revelar seus segredos, ele pode ser sentir tentado a deixar o tratamento.
  189. Se você não quiser ser hipnotizado, você não será hipnotizado.
  190. Histeria é enraizada em memórias às quais foram atribuídas um significado ruim, a ponto de a pessoa querer esquecê-las.
  191. Quando uma nova representação (que pode ser uma experiência ou significado atribuído a uma experiência) entra em conflito com valores já existentes no ego, essa representação é “censurada”.
  192. Se você não entende determinado processo, não explique as coisas através dele.
  193. Uma pessoa sexualmente negativa provavelmente fica aflita quando sente desejo.
  194. Resistência mental desaparece lentamente.
  195. Para curar histeria, a pessoa precisa lembrar o evento patogênico e verbalizá-lo, então todas as terapias para histeria devem ter isso como objetivo.
  196. Dependendo do caso, hipnose é desnecessária.
  197. Histeria raramente é causada por um só evento, uma só ideia, um só trauma.
  198. Se a experiência do paciente não condiz com o que você esperava, você não pode assumir que ele está mentindo.
  199. Você não pode alterar ou falsificar representações (como memórias) e esperar não ser descoberto eventualmente.
  200. Um pensamento persistente é um pensamento pertinente.
  201. A pior que pode acontecer a um tratamento psiquiátrico é a perda da confiança do paciente.
  202. A perda de confiança pode ocorrer quando o paciente sente que foi tratado mal, negligenciado ou insultado pelo médico.
  203. Perda de confiança também pode ocorrer quando o paciente sente que está ficando dependente do médico.
  204. O médico não pode alterar o passado do paciente, mas como ele lida com a memória no presente.

Notes on “Studies on Hysteria”.

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“Studies on Hysteria” was written by Sigmund Freud and Josef Breuer. Below are some thoughts found in that book.

  1. When discussing anecdotal evidence, a researcher must be careful to not give indentifying information about the subjects without their consent.
  2. Sexual repression may cause hysteria (see note 8).
  3. Two researchers working on a same project can still have diverging opinions on the same data.
  4. The book’s content is exploratory, rather than conclusive.
  5. Sometimes you can’t understand the origin of a patient’s hysteria just by asking them questions.
  6. Aggravated by the fact that every person has their secrets and not everyone is willing to tell everything to the doctor.
  7. Aggravated by the fact that not everyone is capable of recalling the event that caused it.
  8. Very often, it’s a bad childhood experience that causes hysteria (see note 2).
  9. A neurotic reaction may be caused by an event of low physical importance, but that, given the circunstances surrounding the act, left a strong negative impression on the person.
  10. For that to happen, the person must be very susceptible to third variables, assuming that the actual event didn’t have the potential to traumatize.
  11. A trauma can be caused by a flow of events, rather than a single event.
  12. Recovering from hysteria requires the patient to relive the original trauma in their memory and express it verbally while recalling.
  13. A traumatic memory doesn’t fade.
  14. A memory may have no negative charge if such charge was relieved when the event happened (example: if you were punched on the face, you would feel uncomfortable recalling the event, unless you punched back to discharge the energy immediately through revenge).
  15. Excess of discipline can make saints, nuns, chaste women and well-behaved children become ill.
  16. Hysteria can happen to people who are, otherwise, excellent in terms of critical thinking, willpower, intelligence and morality, which means that a hysterical person isn’t a “mad man” stereotype.
  17. It’s easy to remember by association.
  18. If hysteria has roots on a bad memory, then new experiences that bear resemblance to that memory may also cause a hysterical attack.
  19. If your family members have a history of psicological problems, you will likely have some in your lifetime.
  20. Critical thinking keeps you from being controlled by someone else.
  21. It’s not abnormal if a person has little to no sex drive.
  22. A person can put their own health at risk while caring for someone’s health.
  23. A person who is hallucinating sometimes knows that they are hallucinating.
  24. Sometimes, our fears cause more damage than the feared object.
  25. A traumatizing memory may summon a distraction in the person in order to prevent them from recalling (for example: making the person faint when trying to remember).
  26. Boredom may predispose a person to hysteria.
  27. A person can hypnotize themselves without knowing that it’s what they are doing.
  28. Some people can be hypnotized effortlessly.
  29. You can control your period with hypnosis.
  30. Reading in excess may be an attempt at distracting oneself from an internal struggle.
  31. There are many smaller “evils” that aren’t worth being punished.
  32. A person can become sick for worrying too much over a loved person’s health.
  33. You may hallucinate when exhausted.
  34. A patient can undo all progress achieved in therapy, if they so wish.
  35. It’s possible to abuse of hypnosis.
  36. Fear can exercise influence over your digestion.
  37. We shouldn’t think that everything is important; there are things that hold no importance.
  38. There are hysterical disorders and hysterical people.
  39. Hysterical symptoms are effects of a trauma.
  40. Phobias are one type of hysteria.
  41. A hysterical phobia can evolve into other hysterical manifestations if the person is subjected to the feared object repeated times.
  42. Neurotic people are scared of going mad.
  43. There are phobias that are not much of a hassle, despite being there.
  44. A pain that originates from the body may continue existing even after the cessation of the original cause, if the pain becomes associated with a neurosis.
  45. A person who is sleep-walking is open to sugestion.
  46. Suggestion not always works.
  47. Severe hysteria seems to require a certain genetical heritage.
  48. Having a predisposition to a certain disorder doesn’t automatically gives you that disorder.
  49. A “trigger” is needed.
  50. Solitude is a good trigger for some disorders.
  51. A person can live in a psychologically toxic environment and still remain sane, until a certain event breaks their defense.
  52. A lot of traumas are centered on sexual expression.
  53. Sexual repression causes mental exhaustion.
  54. A person can be severely hysterical and still excel in their intellectual or physical activities.
  55. A person who has a mental problem isn’t “disordered” if they manage to live decently despite it.
  56. Several people with mental disorders achieved more than the average healthy person.
  57. Having a mental disorder doesn’t make you a retard.
  58. Do not mistake effect for cause.
  59. Some people with mental disorders only suffer in private.
  60. Fighting a problem for a long time may cause more problems.
  61. Hypnosis doesn’t work with everyone.
  62. The patient must trust the therapist.
  63. Depending on the person, a hypnotic state can be achieved easier if that person doesn’t know that they are being hypnotized.
  64. A person can, with proper stimulation, recall what happened when they were in trance.
  65. It’s impossible to willingly forget something, no matter how much you want, no matter how much you try.
  66. It’s easier to be reminded of something than trying to recall on your own.
  67. We don’t choose to feel what we feel.
  68. Power disparity can keep a woman from engaging in a relationship with a man, if she feels that her position is inferior, implying that a person on the “losing end” of a power dynamic can feel that the relationship would be unfair… or immoral.
  69. Power disparity can make a person something in the lines of “why would he, who is so rich, want someone as poor as I am?”
  70. A poor woman being seen together with a rich man may be cause of embarrassment for either party.
  71. If you love her, treat her nicely.
  72. Being overly sensitive enhances the traumatic aspect of some memories.
  73. You can be in love with a person and still not do anything about it.
  74. To develop hysteria, you just need to be unlucky enough to have strong bad experiences and no way to relieve the tension they bring.
  75. A genetic disposition can only be completely proved after the potential evil actually goes in effect.
  76. Somatization is an attempt at taking something off your mind by putting it in your body.
  77. Maybe it has to do with something that you can not accept in yourself.
  78. A symptom can hide another.
  79. If a person has no reason to be ill and, nonetheless, is ill, it’s likely a psychological problem.
  80. Talking about your problems alleviates them.
  81. In a sex negative person, being object of someone’s lust may cause future trauma.
  82. There are people who are ashamed of every natural thing, such as sex.
  83. A sex negative person is easily traumatized by sexuality.
  84. Children who have contact with sexuality don’t usually become traumatized by it at the moment it happens, but, depending on their sexual upbringing, they may be traumatized afterwards, upon the realization that the act that happened in their childhood was sexual in nature.
  85. Never understimate a teenager’s sexual knowledge.
  86. If the child didn’t suffer when the act happened, but began to suffer after “understanding” it in a certain manner, that implies that the symptoms wouldn’t have occurred without that realization.
  87. So, the experience wasn’t traumatic in itself, but the realization was what caused the trauma.
  88. The first question that a therapist must ask is if the patient knows what caused the symptoms, that is, if he can associate the symptoms with an event that originated them.
  89. A child who spends too much time with the parent of the opposite sex won’t easily abide to gender roles.
  90. There are children who dislike their own sex.
  91. Gender roles are frustrating.
  92. When a conflict occurs, third parties may need to pick sides.
  93. The shattering of the patient’s family is also a good source of trauma.
  94. Marriage implies some sacrifices that make it less appealing for people who value personal freedom.
  95. Pregnancy is for healthy people.
  96. The patient’s account may have little relevancy in terms of explaining the symptoms.
  97. When an once self-sufficient person notices that they have feelings of dependency, they might become depressed.
  98. A lonely person is often jealous of people who have friends and romances.
  99. You can be jealous to the point of insanity.
  100. A person may feel utterly guilty for actually liking and taking advantage of someone’s death (“my sister is dead, I can now have her husband for myself!”).
  101. The conflict between feelings (which aren’t willingly felt) and morals (which are willingly accepted) can make a person fall ill.
  102. A therapist can befriend a patient.
  103. But a therapist who reveals a patient’s secrets ruins the treatment.
  104. You can’t diagnose or describe a mental disorder like you diagnose and describe physical affections.
  105. That’s why real mental diagnosis looks like tales, rather than the closed definitions found in DSM.
  106. A person can develop a mental disorder while looking after a person who is suffering from a physical disorder.
  107. Having “mild” hysteria doesn’t keep you from functioning in society.
  108. Sometimes an event hits you so hard, in a moment that you can not express emotion, that you have to spare your tears for another time.
  109. Even if your illness doesn’t keep you from functioning in society, you may still feel ashamed of it.
  110. Tell a person what they need to hear, even if it’s an uncomfortable truth.
  111. If a person is suffering from a psychological problem, it’s useless to treat the body.
  112. A hysteric attack that happened in the past may happen again several years after.
  113. Words can hurt just as much as a punch.
  114. (self-suggestion + conversion) / 2 = symbolization.
  115. Some sensations that we have when we are insulted are analogous to the feelings we derive from physical molestation (example: a “heart-breaking” insult “makes the heart hurt”).
  116. Another: “to swallow a frog”, for when we want to say something back, but we are unable to.
  117. Communicate in a way to enable others to understand exactly what you mean, even if you have to use words that some people would find innappropriate.
  118. Be honest and admit the limitations of your theory.
  119. If you believe that you can not do something, you may lose the ability to do that thing.
  120. You can’t assume that all cases have the same cause just because all cases you saw have the same cause.
  121. You can’t generalize without a good justification to.
  122. A same phenomenon or class of phenomena can have different causes depending on the case.
  123. For example: you can get an erection from thoughts or from physical contact.
  124. Hysteria isn’t always causes by ideas.
  125. A nitid idea can not induce physical affections… unless the body also has some abnormality, in some cases.
  126. A problem in a certain body part can cause pain in another, seemingly unrelated body part.
  127. Hysteria is a problem with both psychic and bodily elements.
  128. The two poles of consciousness: total consciouness and dreamless sleep.
  129. There are several levels of consciousness between those two extremes.
  130. A physical stimulation may invade a dream, but you don’t notice that; you think it’s also part of the dream.
  131. The level of excitability in the brain determines the state of consciouness.
  132. There’s always a flow of stimulus in the brain, it’s not comparable with a wire that only carries current when needed.
  133. You can get literally tired just from thinking or being anxious.
  134. Focusing on something requires energy to be placed in a certain area of ourselves (you can’t give profound thought into something while performing a complex physical task).
  135. We can’t control when we wake up, meaning that it’s your body, not your mind, that wakes you up.
  136. Boredom is a state of excess of brain energy, that isn’t spent on anything and causes discomfort.
  137. That’s why we jiggle our legs, walk from side to side, check our messages knowing that no one sent anything…
  138. When our brain energy is balanced, we become lucid.
  139. Just as physical balance is needed for perfect functioning, mental balance is also needed.
  140. Sexual repression will make you insane.
  141. Sexual repression also changes non-sexual behavior.
  142. The energy that could be spent satiating an impulse can be spent in another way.
  143. Different people have different levels of separation between purely mental activity and purely physical activity (for example: some people may laugh when scared or have diarrhea when very angry).
  144. When it comes to hysteria, a repressed impulse causes an extreme amount of energy to be kept, which might “leak” into the space designed for other functions (picture it as a brain buffer overflow).
  145. Said “overflow” can be causes by excess of energy or weak “wiring”.
  146. As energy is put in movement thanks to emotions, feelings or memories, this model seems to explain why some mental phenomena can have somatic expression.
  147. When an emotion comes too strongly upon a person, it may cause hallucinations, rather than summoning memories.
  148. When you are educated according to a certain moral code, you may feel guilt and shame upon recollecting the way you acted on the past before the moral code was stablished in your head.
  149. Imagine a boy who indulges in masturbation and later converts to a religion that preaches the idea that masturbation is sinful, what do you think will happen to that boy?
  150. A lot of stress, anxiety, shame and even mental disorders find their roots in conflicts like “sex drive versus morality”.
  151. Confessing your struggles, your flaws, makes the burden easier to withstand.
  152. The model proposed by Breuer is, obviously, limited: each case is different, so no model can be definitive.
  153. If, on one hand, sexual repression is problematic, on the other hand, it’s also problematic to force sexuality upon someone who isn’t ready for a certain act or doesn’t wish to take part in it!
  154. A “hipnotic state” may be triggered by hipnosis, emotional shock or physical weakness (hunger, sleepness).
  155. Once the pathological idea is in, it no longer needs a hipnotic state to trigger physical effects.
  156. You can hipnotize yourself without noticing.
  157. When you know that you forgot about something, you can say that the memory is present, just outside consciousness.
  158. Some disorders decrease self-control and shyness.
  159. In some people, the mind is divided in two: a conscious mind a “spare mind”, to where the “inadmissible” representations and thoughts go.
  160. While that mind operates in a divided manner, with each side working kind of independently, the content of the spare mind intervenes with the conscious, while said content remains unconscious.
  161. A lot of psycanalytic terms are metaphorical: “subconscious” isn’t a literal place in the brain.
  162. A person can retain consciousness during a hysterical attack.
  163. Clinical samples must not be generalized: if you only study cases of people who were sent to therapy, you are willingly ignoring those with similar experiences and deal with the problem in a way to not need therapy.
  164. Rather, you are studying only the very bad cases.
  165. A researcher is influenced by the samples: a researcher who only uses clinical and forensic samples, for example, will look at a phenomenon differently, compared to those who use general population samples and college samples.
  166. A “mentally disordered” person can still function in society, to the point of being considered “normal” by people who are unaware of his problem.
  167. You not always remember what you just read, even if you read it aloud.
  168. When your mind is tired, your critical sense diminishes, making you prone to suggestion.
  169. “New theory” doesn’t equal “perfect theory”.
  170. Some people are so bored that they wished they could at least be sick.
  171. But it is possible to desire an illness for other reasons.
  172. Fear of sex is pathogenic.
  173. Sexual pleasure derived from new experiences may suppress an acquired sexual trauma.
  174. Marriage is also a fertile field for mental disorders.
  175. Your mental state affects your sexual performance.
  176. Sexuality must be faced with honesty by researchers.
  177. Sexuality is not a disease, but may cause you problems depending on how you deal with it.
  178. Orgasm is almost hypnotic.
  179. Hysteria can be mistaken for demonic possession.
  180. The best fiction is still not real.
  181. Not everyone can be hypnotized by someone else.
  182. Hysteria isn’t an independent entity: several different disorders can be labelled as hysteria.
  183. The diagnostics must be separated.
  184. If you treat a symptom, but not the cause, other symptoms will occurr.
  185. Similarly, treating the cause doesn’t automatically fix the damage that the illness already caused.
  186. You may treat an illness, but you can not change a person’s physical or mental constitution.
  187. A doctor’s job can be frustrating.
  188. When the patient notices that the investigation is about to step in the territory of his secrets, he might feel tempted to drop the treatment.
  189. If you don’t want to be hypnotized, you won’t be hypnotized.
  190. Hysteria is rooted on a memory to which a bad meaning was attributed, in a way that person would rather forget that.
  191. When a new representation (which can be an experience or a meaning attributed to an experience) conflicts with values that already exist in the ego, that representation is “censored”.
  192. If you don’t understand a certain process, do not use it to explain anything.
  193. A sex-negative person likely feels horrified upon feeling sexual arousal.
  194. Mental resistence disappears slowly, but that requires you to keep trying.
  195. To cure hysteria, the person must recall the pathogenic event and verbalize it, so all therapy for hysteria must have that as goal.
  196. Depending on the case, hypnosis is unnecessary.
  197. Hysteria is seldom caused by a single event, a single trauma, a single idea.
  198. Don’t assume that the patient is lying just because his experience doesn’t reflect what you expected.
  199. You can not alter or falsify representations (such as memories) without the patient’s other memories contradicting them.
  200. A persistent thought is a pertinent thought.
  201. The worst thing that can happen in a psychiatric treatment is the loss of trust between patient and doctor.
  202. Loss of trust can happen when the patient feels that the doctor has insulted, mistreated or neglected them.
  203. Loss of trust may also happen when the patient feels like his attachment to the doctor is getting out of hand.
  204. The doctor can not change the patient’s history, but he can change how the patient deals with a memory in the present.

8 de novembro de 2017

A “Carta a Einstein, 1932” de Freud.

“Carta a Einstein, 1932” foi escrita por Freud. Abaixo, algumas afirmações feitas no texto. Elas podem ou não corresponder ao que eu penso sobre o assunto. Perguntas sobre minha opinião podem ser feitas nos comentários.

  1. Um problema de época: é possível um futuro sem guerra?
  2. O avanço tecnológico não é capaz de parar a guerra.
  3. Um físico não tem estudo o bastante sobre o sentimento humano, geralmente, então ele deve procurar um entendido no assunto antes de formar sua opinião.
  4. Einstein escreveu uma carta a Freud pra saber se ele teria uma resposta ao problema, já que Freud estava ganhando fama de especialista em instintos humanos.
  5. Uma resposta imparcial a um problema precisa depender o mínimo possível da política.
  6. Pelo menos para propósitos de paz mundial, deveria haver um legislativo e um judiciário internacionais, compostos pelos líderes de cada nação, mas Einstein admite que isso é superficial: não adianta uma regra perfeita que não será seguida.
  7. Um tribunal pode ter suas decisões anuladas por pressões não relacionadas ao direito.
  8. Um tribunal internacional teria que ser superior às nações que o constituem e, portanto, incontestável.
  9. Um dos obstáculos à ideia é o desejo de poder.
  10. O desejo de poder leva uma nação a se intrometer nos negócios da outra.
  11. Guerra é um negócio, existem empresas disso.
  12. Por que a população não resiste à decisão de entrar em guerra com outra?
  13. Soldados fazem profissão da guerra, mas também apenas acatam as ordens sem pensar se a guerra é necessária.
  14. As pessoas são levadas a crer que a guerra é necessária (mesmo quando não é) porque escolas, mídia e por vezes a igreja são controlados por uma minoria que lucra com a guerra.
  15. É assim que uma minoria manipula pensamentos e emoções.
  16. Como, ainda assim, uma pessoa chega a um grau de furor capaz de morrer por uma causa que não existe?
  17. Ódio e desejo de destruição são inatos ao ser humano, o qual sente prazer em odiar.
  18. Quando uma pessoa descobre como incitar o ódio de alguém, já obteve uma parcela de controle sobre esse alguém.
  19. Será que é possível evoluir de forma a superar permanentemente o ódio? Haverá um tempo em que o ser humano será incapaz de odiar sua própria espécie ou seus conterrâneos?
  20. Os intelectuais também podem ser manipulados pela mídia.
  21. Guerra não é a única forma de ódio. O ódio pode aparecer sob diferentes formas. Mas a guerra ainda é sua manifestação mais drástica e mais cruel.
  22. Einstein estava completamente convicto de que Freud podia responder suas perguntas.
  23. Um mesmo objeto pode ser analisado por mais de uma ciência.
  24. Um cientista pode não saber lidar com questões políticas.
  25. Direito e violência apenas parecem antagônicos; não é possível fazer uma lei valer sem armas.
  26. Humanos são animais.
  27. Quando as armas foram inventadas, a inteligência começou a tomar o lugar da força bruta na resolução de conflito.
  28. A forma mais segura de acabar com a violação do direito é matando os infratores, o que não significa que essa é a melhor forma de lidar com o crime.
  29. Matar um “inimigo” traz prazer ao assassino, por satisfazer seu impulso animal para a morte.
  30. Mas as pessoas por vezes pensam: “melhor torná-lo útil a nós do que matá-lo.”
  31. Pode ser que você poupe um inimigo ao torná-lo útil, mas talvez você sinta medo de uma possível vingança.
  32. Evolução modificou as formas de opressão, mas o mais forte ainda oprime o mais fraco até hoje.
  33. Mais vários fracos podem se juntar pra eliminar um forte.
  34. Quando vários fracos depõem um forte, estabelecem um novo direito em conjunto.
  35. Mas isso também é violência.
  36. Se a comunidade é quebrada, outro forte aparecerá para oprimir.
  37. A fonte de poder de uma comunidade são os sentimentos comuns em cada membro.
  38. Para que uma comunidade possa subsistir, cada indivíduo deve abrir mão de um pouco de sua liberdade pessoal.
  39. Uma comunidade perfeitamente equilibrada é uma ideia apenas.
  40. A comunidade, para ser perfeitamente equilibrada, precisaria eliminar a hierarquia em todas as suas formas.
  41. A menos que a hierarquia deixe de existir, os mais altos nessa hierarquia continuarão ditando leis para os que estão mais abaixo nela.
  42. Além disso, os mais altos na hierarquia podem querer se colocar acima das leis, de forma que as leis que valem para o povo não possam valer para os governantes.
  43. E também tem a justa violência da população que se sente oprimida e que tenta obter sua dignidade de volta.
  44. Nada disso impede a busca por soluções pacíficas.
  45. De um ponto de vista realista, algumas guerras tiveram boas consequências, mas algumas trouxeram só prejuízo à ambas as partes.
  46. A multitude de governos facilita a guerra, de forma que poucos governantes para grandes quantidades de território, obtidas pela anexação, diminuiria a chance de guerra.
  47. Ironicamente, isso quer dizer que paz pode ser trazida depois de uma guerra, na qual o vencedor conquista o território e o povo inimigos.
  48. Difícil é manter o território unido.
  49. Guerras são raras, mas destrutivas.
  50. Se houver uma autoridade central para arbitrar os conflitos entre as nações, pode ser que a guerra seja evitada.
  51. Uma organização do tipo “Nações Unidas” é inútil se ninguém a escutar.
  52. As duas forças que mantém a sociedade unida: violência (lei) e vínculos emocionais.
  53. No entanto, se não houver violência, uma comunidade pode permanecer unida pelos vínculos emocionais.
  54. Nações cristãs podem guerrear entre si, fazendo alianças com nações de outras religiões.
  55. O nacionalismo opera contra a paz entre as nações.
  56. Paz seria mais fácil de obter se o mundo fosse comunista.
  57. Mas estabelecer um comunismo mundial é um objetivo tão distante quanto difícil de alcançar.
  58. Pondo as coisas dessa forma, parece que paz mundial jamais será uma possibilidade.
  59. Só existem dois tipos de impulso: união e agressão.
  60. Nenhum dos dois é fundamentalmente ruim, ambos são necessários à sobrevivência.
  61. Um instinto, como sobrevivência, pode ter uma parcela de cada impulso.
  62. Uma pessoa pode declarar guerra por várias razões, as quais nem sempre são declaradas.
  63. É possível agir agressivamente por causas “nobres”, mas também é possível fingir que se está destruindo por uma boa causa.
  64. O impulso destrutivo é também suicida.
  65. Pelo menos em nossa sociedade, não é possível eliminar a agressividade humana.
  66. Trazer a paz pela violência já é manifestação de agressividade.
  67. Embora não seja possível eliminar a agressividade, é possível controlar suas formas de expressão.
  68. Evitar a guerra requer prática sistemática do amor e o estabelecimento de interesses comuns.
  69. Os governantes devem ser educados sem censura.
  70. Os instintos devem se submeter à razão, o que não implica eliminá-los, mas procurar formas aceitáveis de expressão.
  71. Mas esperar que todos submetam seus instintos à razão é esperar uma utopia; nem todos podem fazer isso.
  72. É mais fácil evitar a guerra pelo exercício do amor e do companheirismo, porque esperar que todos se tornem racionais é loucura.
  73. A guerra pode até se tornar comum, mas não se tornará aceitável.
  74. Isso porque a guerra mata, humilha, nos força a lutar uns contra os outros, destrói nossos bens e nos causa miséria.
  75. Conforme o poder destrutivo cresce, a guerra se torna uma ameaça a todos os seres vivos.
  76. Não vale a pena fazer guerra, mas muitos ainda a vêem como aceitável.
  77. Com o tanto que haja ao menos uma nação que pose um risco às outras, nenhuma nação parará de investir em forças armadas.
  78. Civilização trouxe tanto males quanto benefícios.
  79. Não é possível dizer aonde o processo de civilização nos levará.
  80. A civilização favorece a repressão sexual.
  81. O processo de evolução cultural (civilização) pode muito bem levar o ser humano à extinção.
  82. Sensações agradáveis aos nossos ancestrais são agora intoleráveis ao homem moderno.
  83. Direcionar agressividade para dentro tem consequências boas (você não está machucando ninguém) e ruins (você provavelmente ficará doente).
  84. Apesar de o processo de condicionamento cultural trazer consequências negativas, ao menos ele serve para nos afastar do desejo por guerra.

11 de abril de 2015

A filosofia de Hideaki Anno.

Filed under: Passatempos — Tags:, , , — Yurinho @ 02:20

Evangelion – Shinji vs. Kaworu ( Latino ) – YouTube.

De acordo com Deleuze, filosofia é criação de conceito. Conceito é uma interpretação abstrata da realidade que, embora seja subjetiva, tem pretensões universais. Neon Genesis Evangelion foi um desenho animado japonês do gênero mecha criado para o público juvenil.

Então, o filósofo mais ortodoxo pode se perguntar por que eu considero o autor de Evangelion, Hideaki Anno, um filósofo. Partindo da definição deleuziana de filosofia como criação de conceito, qualquer um que é capaz de ultrapassar os limites da opinião e refletir com sinceridade sobre os problemas que confronta, chegando ao fim de seu decurso a uma explicação original do problema, é filósofo. E a obra filosófica de Hideaki Anno, a série Evangelion, tem um conceito filosófico bem original que eu pude observar e me parece bem válido. Esse conceito eu chamo de “instrumentalidade humana”, um termo recorrente no desenho, mas Anno não parece ter dado nenhum nome a esse conceito.

No desenho, o projeto de instrumentalidade é uma tentativa da SEELE de acabar com a natureza humana eliminando dela a individualidade, transformando todos numa coisa só, um único ser pleno. Durante os vinte e tantos episódios do desenho e mais um filme, logo se vê que Anno utiliza como base de seu conceito vários pensadores, notavelmente Freud, mas também Sartre entre outros. Além de fontes filosóficas e científicas, alegorias que se manifestam através de símbolos religiosos também são muito comuns.

Mas a instrumentalidade como vista no desenho não é, por si só, um conceito se tomada em sentido literal. Acontece que ela ilustra aquilo que Anno acredita ser a característica mais basilar do ser humano, sem a qual ele seria outra coisa: a solidão. Essa é a instrumentalidade-conceito. A solidão é a característica que motiva as ações humanas e as necessidades de todas as pessoas. Reconhecimento, proteção, sobrevivência, divertimento, são todos desejos que se originam do medo de ficarmos sozinhos, uma coisa plenamente justificada: mesmo que o ser humano disponha da razão como meio de se destacar dos outros animais, ele não tem valor fora de um conjunto. Um ser humano sozinho é o mesmo que nada. Essa seria uma força invisível que nos move sem que nós percebamos, como a vontade de viver de Schopenhauer. Por causa do medo de estar só, fraco e frágil, o ser humano procura alento nos outros, procura estar com amigos, numa tentativa de se sentir pleno. Quanto maior o contigente do qual nos sentimos parte, mais confiantes e poderosos somos, a ponto de extrapolarmos morais opressivas e estabelecer nossas próprias morais. Esse desaparecimento do indivíduo na massa, como que em LCL, provê o ser humano de uma força sem precedentes, que aumenta quanto mais pessoas se diluem num único ser coletivo. Isso é evidenciado na história mais de uma vez e até em nosso cotidiano. O desejo dessa plenitude e da perca momentânea da individualidade (porque a perda total dela é algo temido) é outra coisa que nos motiva para longe da solidão, da qual fugimos como do tédio de Pascal.

Mas a individualidade é algo que também prezamos e o conflito entre o medo de ficar só e o medo de se tornar um com os outros gera mais conflitos de variada severidade. Um deles aflinge o pequeno Shinji Ikari, que seria o “complexo do porco-espinho”. Para quem não sabe, essa é a apropriação por Anno de um conceito de Schopenhauer: relações humanas causam sofrimento quanto mais íntimas são. Isso porque temos individualidade, como que uma deformação que cresce conosco e que trabalha contra a instrumentalidade. Se não a tivéssemos, a plenitude experimentada pela diluição no todo seria mais acessível. A individualidade nos torna heterogêneos e dispersos, de forma que a experiência que tanto queremos, a de ser aceito, se torna dolorosa e insuportável quanto mais apegado o indivíduo é a si próprio.

Anno provavelmente não se considera filósofo, mas fez um ótimo trabalho construindo através de um desenho animado sua leitura da condição humana.

29 de outubro de 2012

Texto unificado para a apresentação sobre psicologia social.

Filed under: Saúde e bem-estar — Tags:, , , — Yurinho @ 17:58

Título: Psicologia Social.
Aluno/Equipe: Bárbara, Dorismar, Yure.
Principais tópicos: a ética como reflexão sobre o social, o erro da filosofia, Freud e os instintos, a psicologia social e seus objetos de estudo.
Recursos: oratória.
Bibliografia: WIKIPÉDIA, Psicologia Social. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Psicologia_social&gt;. Acessado em: quarta, 5 de dezembro de 2012.

A reflexão a respeito da relação do ser humano com seus semelhantes coincide com a reflexão a respeito deste mesmo humano; os filósofos não tinham tanto interesse em relações sociais como tinham com a natureza ou condição do indivíduo e, na filosofia moderna por exemplo, a reflexão sobre o indivíduo social era como um anexo às teorias do Estado. Desde de antes do Cristo, dizia-se que o ser humano é um animal social, ou seja, o indivíduo é naturalmente voltado à vida em sociedade. Por isso, a ética é um tema tão recorrente; como estamos em constante atrito com nossos semelhantes, devemos encontrar o justo meio entre o egoísmo e selflessness, entre ser um babaca que ama a si mesmo acima de tudo e um capacho sangue de barata. A ética não é uma reflexão puramente jurídica, mas é muito mais abrangente: é a reflexão sobre como devemos agir e sobre como devemos viver, como sermos felizes e isso inclui a reflexão sobre normas de conduta relacionadas à convivência.

O trato com os nossos semelhantes contudo era normalmente uma questão de vontade e razão; nossos impulsos e instintos quase nunca eram levados em conta a não ser como exemplo do que não fazer ou fazer moderadamente. A relação com os outros devia ser racional, assumindo-se que ambos os envolvidos numa conversa eram indivíduos racionais, que os integrantes de um grupo eram indivíduos racionais, a convivência em sociedade não admitia instintos, pois admiti-los significava dar o braço à torcer ao fato de que o ser humano é mais animal que social. Claro que, no final, o impulso para a vida em sociedade era um instinto e a necessidade de regras para prender-se à essa vida social era um instinto de preservação.

Com o passar do tempo, Freud começou as especulações sobre os instintos da pessoa no nível clínico. Reprimir os impulsos para devotar-se à polida vida social não só podia matar a felicidade de certas pessoas, mas também causar-lhes doenças que pareciam vir do nada. Freud é considerado a ponte entre filosofia e psicologia moderna, uma vez que o estudo da alma era parte da filosofia. Sendo uma disciplina que se voltava para tantos objetos, a filosofia dava pouca importância ao ser humano em sociedade, especialmente suas pulsões, sempre vistas como controláveis. Sentimentos inconscientes e emoções reprimidas eram algo impensável, já que, naquele tempo, se pressupunha que o ser humano estava sempre cônscio do que se passava com ele. Freud pôs o indivíduo em confronto com seu lado mais obscuro, mediante aplicações de técnicas que ele aprendeu com a medicina e com a hipnose.

A vida em sociedade então deve ser reavaliada e posta em evidência novamente, sob uma ótica própria, não mais dependendo da boa vontade da filosofia e à mercê da tendência desta de achar que todos os humanos são completamente racionais. Este é o objeto da psicologia social, a parte da psicologia que estuda, especificamente, o comportamento da pessoa enquanto se socializa.

De acordo com a Wikipédia:

A psicologia social surgiu no século XX como uma área de aplicação da psicologia para estabelecer uma ponte entre a psicologia e as ciências sociais (sociologia, antropologia, ciência política). Sua formação acompanhou os movimentos ideológicos e conflitos do século, a ascensão do nazi-fascismo, as grandes guerras, a luta do capitalismo contra o socialismo, etc. O seu objeto de estudo é o comportamento dos indivíduos quando estão em interação, o que ainda hoje, é controverso e aparentemente redundante pois como se diz desde muito: o homem é um animal social.

[…]

Segundo Aroldo Rodrigues, um dos primeiros psicólogos brasileiros a escrever sobre o tema, a psicologia social é uma ciência básica que tem como objeto o estudo das “manifestações comportamentais suscitadas pela interação de uma pessoa com outras pessoas, ou pela mera expectativa de tal interação”. A influência dos fatores situacionais no comportamento do indivíduo frente aos estímulos sociais. (Rodrigues , 1981)

A psicologia social estuda as relações interpessoais (entre pessoa e pessoa), o interacionismo simbólico (entre pessoa e grupo) e as interações entre as massas (grupo e grupo), tanto em suas afinidades quanto em seus conflitos, por que conflitos ocorrem, por que as pessoas se juntam, como se juntam, o que acontece realmente na vida em grupo, como ser feliz em grupo, como ser você em grupo, como não se deixar levar pela coletivização e se tornar apenas mais um tijolo na parede e como não ser um babaca que só pensa em si mesmo sem, ao mesmo tempo, ser um capacho sangue de barata.

Há, porém, críticas à essa ciência, porque nada é perfeito:

  1. A psicologia social se baseia no simples ato de descrever e nomear, assim ela só diz o óbvio ou o que já foi dito.
  2. Parece ter se tornado uma jogada de marketing, por causa das mudanças econômicas que ocorreram no contexto de seu desenvolvimento, tornando-se ferramenta à serviço do capital, focando-se unicamente no desenvolvimento da atividade grupal, otimizando assim a mão-de-obra. Ou seja, servia meramente, pelo menos no século vinte, como “estudo da formação de grupos e discurso sobre como mantê-los unidos”.
  3. Foca-se no grupo negligenciando o desenvolvimento individual e desconsiderando o aperfeiçoamento do indivíduo como pessoa.

Porém, a psicologia social mudou com o passar do tempo, deixando de ser uma simples ferramenta empresarial e tornando-se uma ciência mais séria e comprometida com o aperfeiçoamento individual também e não apenas uma supervisora de tijolos.

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